Audiovisual alternativo: anotações sobre experiências gaúchas de financiamento

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experiências gaúchas de financiamento

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TEXTO PROPÕE ANALISAR DUAS EXPERIÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO

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ÁlvaroBenevenuto Jr.

Doutorando em Ciências da Comunicação. Professor de jornalismo de televisão na Universidade de Caxias do Sul.

Introdução

A validação da Nova Ordem Mun-dial da Informação e da Comuni-cação (NOMIC) abriu outros hori-zontes comunicacionais para os integrantes dos movimentos so-ciais, eclesiásticos e políticos da década de 70, que se

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Organi-zação das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Comunica-ção (UNESCO), desencadearam uma série de atitudes que visa-vam a independência econômica e cultural, garantindo, de cer ta maneira, a liberdade para a or-ganização estrutural dos países, uma vez que a “idéia do empre-go dos meios de comunicação para acelerar o desenvolvimen-to, [...] ganharia imediata guari-da por par te de pensadores e políticos socialistas, com forma-ção mar xista, que viram na aforma-ção estatal o caminho mais adequa-do e mais veloz de produzir mu-danças sociais e trazer a demo-cracia”1.

Antes, entretanto, o documento do Concílio Vaticano II, em Pue-bla, repensava o ministério da Igreja Católica, orientando a in-clusão dos leigos nas atividades até então reser vadas ao clero. Uma clara tentativa de reaproxi-mação com os fiéis e uma bus-ca de maior popularidade da pró-pria instituição. Olhar para os pobres e desassistidos, naquele momento, não era apenas uma questão de sobrevivência da ins-tituição: era o atendimento às demandas humanísticas e so-ciais apresentadas pelo aumen-to quantitativo das nações inde-pendentes no mapa-mundi. Conjugado com a NOMIC, criou-se condições para sustentar ações liber tadoras da cultura, da política e da economia, par ti-culares para cada país. Pensa-va-se, equivocadamente, que a dependência era o centro dos problemas vividos naqueles tem-pos e condição fulcral de sub-missão ao capitalismo, em

ple-no desenvolvimento. Porém, nem mesmo a publicação do do-cumento elaborado por Mc Bri-de, diagnosticando a necessida-de necessida-de preser var a liberdanecessida-de polí-tica, econômica e cultural dos países em desenvolvimento, foi suficiente para evitar a reorgani-zação do capitalismo, agora glo-bal, sustentado pela idéia do liv-re fluxo da informação e da co-municação, superando qualquer limite para a acumulação do ca-pital.

No Brasil, a NOMIC chegou num tempo político, social e econômi-co delicado. Os militares ocupa-vam as posições de comando nas tomadas de decisões, de-pois de um golpe justificado pe-la “necessidade de reorganizar o país”, inspirados nos modelos de desenvolvimento elaborados pelos Estados Unidos, Inglaterra e Japão, os principais financia-dores da UNESCO. Sob esse es-pírito, os movimentos de oposi-ção à política da Escola Superior de Guerra foram os primeiros al-vos de inter venção da tropa, que usou ar tifícios legais nada convincentes para banir a popu-lação descontente.

Noutra frente, entre outras cri-ses sociais e políticas, o contro-le explícito dos meios de comu-nicação começava a tomar cor-po, como forma de garantir o apoio intrínseco à execução do programa de educação e de difu-são da propaganda e da publici-dade dos novos tempos, ofereci-dos pelo modelo de desenvolvi-mento financiado pelas nações mais ricas.

Os sistemas de comunicação de massa, que tradicionalmente

es-tiveram sob o domínio de famí-lias cujas origens remetem à oli-garquia agrária, compunham o rol de instrumentos necessários à implantação das mudanças propostas para o país ter o pas-sapor te de acesso ao Primeiro Mundo. O controle e a censura dos meios de comunicação (que extrapolou para atingir as indús-trias culturais em geral) estavam ar ticulados com as respostas às demandas estabelecidas pelos ordenadores dos planos de de-senvolvimento da economia mundial, proposto pelos finan-ciadores dos organismos inter-nacionais de assistência mútua. A reação nacional apareceu na forma de uma imprensa alterna-tiva e independente financeira-mente dos tradicionais grupos da mídia brasileira, que reuniu intelectuais, políticos, ar tistas, jornalistas e alguns empresá-rios. Uma imprensa proscrita e perseguida pelo regime, que en-frentou inúmeros obstáculos econômico-políticos e por isso, caracterizada como uma produ-ção midiática marginal, marrom, nanica ou subversiva. Não é por menos que a característica mar-cante desse período é a sazona-lidade das publicações, que so-mavam, no período de 1964 a 1980, mais de uma centena de títulos2.

Consolidada esta ação, outras propostas alternativas de comu-nicação foram se constituindo, ligadas especialmente à própria rear ticulação dos movimentos sociais, tendo como lugar mais evidente, o novo sindicalismo e cuja referência maior se localiza nos sindicatos dos metalúrgicos

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de São Bernardo do Campo, dos bancários e dos químicos de São Paulo, Petroleiros de Paulí-nia e bancários de Por to Alegre. Especialmente a par tir de 1979, quando os líderes desse movi-mento venceram os pleitos elei-torais nas entidades e definiram a comunicação como uma das principais ferramentas da ação sindical. Nesse âmbito encon-tram-se, além dos boletins e jor-nais, o uso da dramatização, dos caminhões de som, das sessões de cinema, espetácu-los musicais, murais, entre ou-tros meios, como ferramentas da comunicação.

Foi também quando se colocou na pauta de discussão dos movi-mentos sociais a emergência do debate a respeito das políticas de comunicação nacionais, en-volvendo temas como a proprie-dade da mídia (com destaque para a radiodifusão); o acesso aos meios; a tecnologia; a inter-venção política da classe trabal-hadora; o debate sobre a cida-dania; a liberdade de ação, en-tre outros. Cada qual ao seu tempo, conforme a demanda ge-rada pelo quadro nacional, co-mandado pelos militares. Encontrando apoio logístico de organizações não-governamen-tais3 que se multiplicaram na

década de 1980 e das universi-dades, o novo sindicalismo coli-gou suas atividades comunica-cionais às de outros segmentos, operando como elemento catali-sador de atividades sociopolíti-ca e econômisociopolíti-ca holístisociopolíti-ca. A união dos objetivos diversos, que não significou o alinhamen-to das idéias numa única dire-ção, resultou na fundação do Par tido dos Trabalhadores (1980) e na reorganização das centrais sindicais, com especial

dedicação à Central Única dos Trabalhadores (1982), gestada entre integrantes dos movimen-tos contra a Carestia, Comunida-des Eclesiais de Base, da mora-dia, sem-terras e sindicalistas. A efer vescência das manifesta-ções sociais na cena política desse período projetou nomes para as campanhas eleitorais de postos nos Legislativos e Execu-tivos. Esse quadro, no âmbito nacional, prenunciou a Assem-bléia Nacional Constituinte com-posta por outras vozes e idéias, em 19864.

A nova Constituição do Brasil em 1988, para a comunicação, apresentou inovações em rela-ção à Comunicarela-ção Social, co-rrespondendo, em par te, à ex-pectativa dos movimentos so-ciais brasileiros. Embora os avanços registrados, elas ainda são insuficientes para alterar o quadro da propriedade e do acesso à mídia. Passados cator-ze anos, a mobilização social que almeja maior possibilidade de ação midiática continua a se debater com questões da oligo-polização e do controle dos flu-xos da informação e da comuni-cação que, por questões técni-cas e polítitécni-cas referentes à sus-tentação do capitalismo contem-porâneo, continua sendo pauta obrigatória para o debate a res-peito da sociedade que se proje-ta para o futuro bem próximo no país.

Principalmente quando se pro-põe obser var esse complexo quadro das atividades midiáti-cas contemporâneas, onde os meios continuam sendo um mo-do de criar a opor tunidade da multiplicação das vozes. Porque “a necessidade deste debate é premente, tendo em vista sua posição historicamente

retrógra-da em termos de Comunicação, [...] Isso poderia representar a adoção de políticas públicas avançadas, que atacassem questões sérias, como a con-centração da propriedade midiá-tica e a ausência de controle pú-blico”5.

É esse o propósito do texto, que pretende apresentar ações de fi-nanciamento de atividades mi-diáticas alternativas que preten-dem subsidiar a atividade dos movimentos sociais gaúchos, tendo como objeto de obser va-ção a Associava-ção das Entidades Usuárias do Canal Comunitário na TV a Cabo de Por to Alegre (POA TV) e o Centro de Assesso-ria Multiprofissonal (CAMP), que mantém atividades comunicacio-nais como a forma de preser va-ção (e financiamento) de suas ações sociais.

As janelas existem

O mosaico das alternativas, deli-neado nessa introdução, não po-de ser assumido como uma questão fechada, sem válvulas de escape. Como a própria his-tória recente da política nacional conta, as possibilidades de ocu-pação de espaços comunicacio-nais é tão concreta, que até es-tá definida na legislação brasi-leira corrente, além das ques-tões constitucionais. É, por exemplo, o que define a regula-mentação da TV a cabo brasilei-ra6.

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ta de conteúdos da indústria da televisão.

A implantação do ser viço de te-levisão por assinatura o Brasil começa efetivamente na década de 1980, com a operação dos canais em UHF codificados, cu-jas autorizações proviam do Mi-nistério das Comunicações. Era considerado como ser viço espe-cial de transmissão de dados, devido a sua característica de funcionar apenas por encomen-da, isto é, restrito àqueles que pagavam pelo acesso.

Antes, entretanto, existiram ou-tras tentativas de implantar es-se tipo de fechada transmissão de imagem e som, usando a tec-nologia do por cabo no país. Elas começaram a acontecer em 1974 e foram sustadas depois que a Associação para a Prote-ção à Cultura (APC), formada por acadêmicos e profissionais, exi-giu que se disponibilizassem ca-nais do cabo de acesso gratuito, para a educação e cultura. A APC lançava, nesse tempo, as bases para ter a TV a cabo como um ser viço público de telecomu-nicação, a ser explorado por em-presas privadas, mas com alto controle público.

Vinte anos depois, o Brasil regu-lamentou a implantação da TV a cabo, integrada ao conceito “abrangente das políticas de co-municações e tendo como ele-mento central a alavancagem das novas redes de banda larga, fundamentais para a ampliação do acesso da sociedade aos no-vos meios de comunicação”7

que a tecnologia contemporânea oferece. É esse mesmo regula-mento que coloca à disposição da sociedade os canais de uso público e gratuito destinado aos Poderes Legislativos (dos três âmbitos) e Judiciário, às

univer-sidades, aos eventos de promo-ção da educapromo-ção e cultura e às organizações sociais locais, conhecidos como canais comu-nitários.

Do setor de comunicação à casanova filmes

Em Por to Alegre, o contexto de ebulição mobilizatória popular que se verifica com grande in-tensidade no Sudeste brasileiro, de 1983, reuniu ex-militantes políticos clandestinos, profissio-nais liberais e estudantes uni-versitários ao redor da proposta de par ticipar da luta social pela autonomia da classe trabalhado-ra oferecendo: (a) uma qualifica-da reflexão sobre a conjuntura social, política e econômica, (b) criar opor tunidades de promover educação não-formal dos inte-grantes de diversos movimentos sociais, visando à conscientiza-ção e o desenvolvimento cultural das comunidades excluídas e (c) ser um pólo de convergência dos movimentos sociais, comu-nitários e sindicais para debater as questões candentes da orga-nização das lutas sociais como forma de prepará-los para os embates políticos que se apre-sentavam no cotidiano. Em maio desse ano, eles fundam o Cen-tro de Assessoria Multiprofissio-nal (CAMP).

Para alcançar esses objetivos, o CAMP estruturou-se em setores que se preocuparam especifica-mente com as questões urba-nas, rurais, formativas e de co-municação, convocando para de-senvolver as tarefas, voluntários especialistas em cada área, além de ter uma equipe de as-sessores remunerados respon-sáveis pela execução das tare-fas burocráticas e pelo

desen-volvimento das atividades junto aos grupos sociais assessora-dos, encontrando na solidarieda-de internacional solidarieda-de movimentos religiosos e sindicais, o financia-mento de projetos para desen-volver ações sociais conscienti-zadoras, junto às organizações assessoradas, sem perder de vista a política de promover a auto-sustentação da nova enti-dade. É nesse lugar que o setor de comunicação ganha relevân-cia nesses 22 anos de história do CAMP.

O cenário no qual o CAMP come-çou a trabalhar com as comuni-dades, em 1983, priorizando duas linhas: uma se propunha a oferecer elementos para ampliar os horizontes culturais, técnicos e educacionais das lideranças e a outra, elaborou uma política de comunicação para o MAB, cu-ja base foi a produção de um jor-nal (“Jorjor-nal do MAB”) e de al-guns audiovisuais sobre o movi-mento. Essa política estendeu-se aos sindicatos de trabalhado-res rurais do Noroeste gaúcho. Organizações de seis municí-pios8 publicavam mensalmente

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pessoas (e militantes sociais) para incrementar os projetos de instalação de rádios livres, alter-nativas9 e qualificar a inter

ven-ção dos sindicatos de trabalha-dores rurais nas emissoras das comunidades rurais e urbanas onde se desenvolviam trabalhos de educação popular e informal. Já a área do audiovisual chama a atenção. Especialmente no ano em que se comemora 21 anos da aquisição da primeira câmera de vídeo do movimento social gaúcho. A compra em si não representa muito, mas o contexto da comunicação reali-zada pelo movimento nesse pe-ríodo cobra esse registro, pois hoje, o trabalho do CAMP é fi-nanciado, em boa par te, pelas verbas oriundas do faturamento da Casanova Filmes, uma produ-tora de audiovisuais criada a par tir do setor de comunicação da entidade.

O trabalho com vídeo começou em 1984, concomitante com o que acontecia com os movimen-tos sociais paulistas, que avan-çavam no uso do vídeo, se aglu-tinavam em torno da TV dos Tra-balhadores10. A primeira câmera

de vídeo dos trabalhadores che-gou no Estado através do recém fundado CAMP e do latente Mo-vimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que havia ocupado as fazendas Macali e Brilhante em 1979 e cujo processo em-brionário fora registrado no do-cumentário “Encruzilhada Natali-no”, realizado pelo grupo Cine-ma 5, forCine-mado por jornalistas militantes, alguns deles, funda-dores do CAMP.

Eu não cer teza, mas me lembro que o Movimento Sem Terra sur-ge um ano depois do CAMP. A secretaria do Movimento funcio-nava no CAMP numa época. Era

o Davi [Stival], o João Pedro [Stédile]. O João Pedro, na épo-ca da Fazenda Sarandi, era fun-cionário da Secretaria da Agricul-tura... Mas o núcleo do Sem Te-rra surge a par tir do CAMP. As pessoas se reuniam na antiga sede (rua São Manoel) e naque-le momento surgiu a idéia, do Movimento Sem Terra e do CAMP e trouxeram a primeira câ-mera de vídeo (era uma câcâ-mera antiga, uma PK, VHS) e a par tir daí o CAMP começou a trabal-har, a editar vídeo, de trabaltrabal-har, de documentar11.

Em 1984 foi apresentado o que se considera como o primeiro ví-deo do movimento social gaú-cho. Sob o título “Construção”, o audiovisual feito por Laer te Meliga tinha por objetivo princi-pal capacitar os operários a rei-vindicar seus direitos trabalhis-tas, cobrar a atuação mais efeti-va do sindicato nas negociações salariais e formar a consciência de cidadania entre os trabalha-dores. Era um vídeo feito com as mínimas condições técnicas (a entidade não tinha ilha de edi-ção e isso obrigou a equipe a montá-lo manualmente, compro-metendo a qualidade estéti-ca12), mas que atendeu à

de-manda do trabalho de educação informal proposto para a catego-ria13.

Nos anos seguintes, outros equipamentos (das emergentes produtoras de vídeo e de institui-ções sociais, como a própria Igreja) foram disponibilizados para registrar a história dos tra-balhadores14. Surgiram grupos

como o próprio setor de comuni-cação do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP)15; o

Núcleo de Vídeo Documentação (NVD)16, formado

principalmen-te por estudanprincipalmen-tes e

pesquisado-res da Sociologia, Comunicação e Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); o Sindicato dos Trabal-hadores em Empresas de Tele-comunicações (SINTTEL), entre outros.

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Hoje, a Cooperativa de Vídeo transformou-se na produtora Ca-sanova Filmes, que atende prio-ritariamente o mercado publici-tário e a produção cultural audio-visual (projetos estatais de fi-nanciamento de ficção e docu-mentários). Para esses trabal-hos, opera com preços de mer-cado, assumindo as regras já estipuladas. “Somos uma produ-tora que disputa trabalhos num mercado muito competitivo, com regras bem definidas. Temos duas opções: aceitamos as nor-mas e estamos na disputa ou fi-camos sem qualquer trabalho (e faturamento)”18.

A produtora tem um depar ta-mento que atende, exclusiva-mente, o terceiro setor, respon-dendo à demanda de realização audiovisual do terceiro setor. Nessa área, os projetos rece-bem atenção especial (tanto em relação ao assessoramento téc-nico, quanto à negociação de custos. “Não tratamos as ONG’s numa relação paternalista, mas quando somos chamados, pro-curamos responder à demanda, adequando os projetos e as pro-duções às condições da entida-de. Assim, operamos em dois sentidos: o de proporcionar a produção audiovisual do movi-mento e, com isso, estamos preparando as lideranças para planejar sua ações em direção à realização audiovisual”19. É

as-sim que, de seu faturamento anual, ao redor de 1 milhão de reais, 10% são investidos nos trabalhos desenvolvidos pelo CAMP, que tem orçamento anual de 200 mil reais.

A Casanova tem uma equipe fixa

de 20 pessoas, entre diretores, coordenadores de área, edito-res, cinegrafistas, produtores e pessoal administrativo. Está ins-talada numa sede de 450m2, onde estão as ilhas de edição não linear, depar tamento de computação gráfica, câmeras, salas de reuniões e atendimen-to, área de pré-produção, arqui-vo e demais equipamentos ne-cessários para uma produtora fi-nalizadora de audiovisuais. Além disso, contrata profissionais pa-ra montar as equipes que reali-zam trabalhos avulsos (casting para comerciais, locutores, mú-sicos, pessoal técnico de ilumi-nação, maquiagem, transpor te, alimentação, entre outros).

O canal comunitário em porto alegre

A história do canal comunitário de Por to Alegre começa no ras-tro dos trabalhos do Conselho Municipal de Comunicação (CMC), criado pelo decreto-lei 9426, de cinco de janeiro de 1989, para “exercer um papel de vigilância cívica em relação às responsabilidades dos meios de comunicação de massa e de-bater o impacto cultural, político e econômico das novas tecnolo-gias de comunicação no municí-pio”20durante a primeira gestão

da Administração Popular na Prefeitura21. Entretanto, o

Con-selho foi implementado somente em 1994, em função do debate sobre o impacto das novas tec-nologias de comunicação. Con-forme Osório, “o CMC promoveu atividades de capacitação e mo-bilização, entre elas um

seminá-rio denominado ‘Traçando Ca-minhos’, de 21 a 22 de novem-bro de 1994, quando foram de-batidos temas relativos às no-vas tecnologias e à legislação, bem como o ‘1º Encontro Esta-dual de Radiodifusão Comunitá-ria, em 1º de junho de 1996’”22.

Essas atividades do Conselho envolveram também a tarefa po-lítica de coordenar a criação e implantação do Canal, dando su-por te na ar ticulação com as en-tidades sociais, apoio logístico para as reuniões e subsídios pa-ra a publicação de convites e editais de convocação da primei-ra assembléia.

O que houve de fato foi que o po-der público, a pedido do Consel-ho de Comunicação, que estava se formando, deu sustentação para a criação do canal, viabili-zando, eventualmente, algum material, locando uma sala, pu-blicando um anúncio, nada ilegal e que fosse custoso. O que foi custoso foi o grande trabalho de ar ticulação e mobilização que a área de Comunicação fazia, con-sultando os empresários, que se retiraram [do Conselho], chaman-do as entidades, explicanchaman-do, às dezenas de entidades que afluí-ram, do que se tratava. Uma in-tensa mobilização, que, acredito, era a nossa obrigação23.

Feitas as primeiras reuniões e definidas as comissões prelimi-nares para consubstanciar a de-finitiva ocupação do canal, ras-cunhou-se a proposta de concre-tizar essas intenções através de uma associação de entidades, cuja diretoria assumiria a gestão política, econômico-financeira e técnica. As bases que

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ram a minuta da proposta tin-ham referências nas experiên-cias político e administrativas em comunicação vividas por ou-tros movimentos sociais então consolidados na cidade e no Es-tado (como, por exemplo, o Mo-vimento dos Trabalhadores Sem Terra -MST e o Sindicato dos Bancários24) e nas próprias

ex-periências - muito par ticulares-dos par ticipantes, que se mistu-ravam entre pequenas associa-ções de bairro, clubes de ginás-tica e outras congêneres até agremiações profissionais de jornalistas, radialistas e produ-tores de vídeo.

Eu lembro da primeira reunião para a construção do canal co-munitário, que foi na Assem-bléia Legislativa ou na Sogipa, tinha mais de 400 entidades. O grupo organizador mandou con-vite para umas 250 entidades e na hora começou a aparecer gente de todos os lados e come-çamos a pensar: isso aqui vai ser uma maravilha... E a par tir daí, depois que se resolveu or-ganizar a Associação das Entida-des Usuárias do Canal Comuni-tário em Por to Alegre, é que a gente começou a perceber o tipo de movimento25.

O depoimento revela par te do fu-turo imediato para o trabalho de implantação do Canal: debater seu per fil e estabelecer sua mis-são sociopolítica, indo além da letra fria da lei que o criou. In-trínseco a esses dois pontos, o problema do financiamento per-meava a pauta. Foi um processo que apresentou sobressaltos impor tantes e definições nada consensuais, fato que, mais tar-de, veio refletir na primeira eta-pa dos trabalhos da comissão diretiva do canal, embora, “do ponto de vista teórico, o canal

comunitário é uma grande con-quista. [...] muito comemorada na época, porque se achava que, finalmente, ia se ter um ca-nal de construção [da cidadania] na área da mídia eletrônica, que ia se contrapor a todas as men-sagens e ao modo de produção das mídias hegemônicas, espe-cialmente no Brasil. Isso foi mui-to comemorado”26.

Uma das dificuldades enfrenta-das para consolidar a implanta-ção precária do canal localizou-se exatamente na variedade de interpretações que existem a respeito de um espaço comuni-tário de comunicação. A varieda-de varieda-de entendimentos sobre o papel do canal, presente dentro da própria comissão de coorde-nação durante os encontros pre-paratórios para criar a associa-ção de usuários, esconde uma questão de fundo, que permane-ceu latente nas primeiras dis-cussões (e continuou assim por longo tempo): ele é produtor e exibidor de conteúdos ou é ape-nas um espaço para difundir as produções audiovisuais da co-munidade local?

Independente à indecisão do per fil, uma vez que par te da coordenação acreditava ser pos-sível operar nas duas frentes, começou a romaria junto às ins-tituições estatais, públicas e pri-vadas para conseguir o equipa-mento mínimo necessário para colocar o canal em operação, is-to é, videocassetes profissio-nais para gerar os siprofissio-nais, mesa de cor te, comutador de vídeo. Nesse momento, além das cola-borações mensais dos associa-dos, valeu a solidariedade: “o Sindicato dos Bancários em-prestou a câmera por 2 anos; se precisasse de alguma coisa fala-va com outro, mas era tudo uma

relação de amizade”27,

viabili-zando a entrada em operação definitiva da programação comu-nitária no canal 14 de NET Por to Alegre, a par tir de novembro de 1996.

Com os problemas de infra-es-trutura resolvidos, promoveu-se a composição mais adequada das equipes técnicas de opera-ção e de produopera-ção. O canal co-meçou a ter seu próprio corpo profissional, agora formado por um operador, responsável pela geração dos sinais para a opera-dora da TV a cabo e pela grava-ção de estúdio; por um jornalis-ta, responsável pela edição do Telenotícias Comunitárias e por um âncora, que apresentava o telejornal e fazia as apresenta-ções do programa Livre Expres-são, cujas pautas eram prepara-das pela equipe ou também atendendo solicitações dos

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sociados, um encarregado da re-cepção/secretaria e um estagiá-rio. Esses profissionais não tin-ham vínculo empregatício com a Associação, mas recebiam re-muneração, a título de ressarci-mento pelas horas dedicadas àquelas tarefas. Uma espécie de trabalho remunerado, mas com características de volunta-riado.

A primeira grade foi definida a par tir de julho de 1997, com o propósito de substituir o clipe e as telas que anunciavam o ca-nal. Sua estrutura foi pensada a par tir dos critérios de pluralida-de, igualdade e democracia constantes nos estatutos do ca-nal, o que determinou o tempo destinado a cada associado em uma hora semanal. A distribui-ção, entretanto, não considerou as par ticularidades de progra-mação televisiva no que toca a conteúdos, nem os quesitos que definem horários adequados pa-ra a sua maior ou menor audiên-cia (prime time ou horário nobre) e segmentação de públicos (que incide na definição dos conteú-dos). Da mesma maneira (e es-pecialmente no caso do sistema de assinatura, que tem uma ad-ministração de grade diferente e dirigida, devido ao seu público restrito e usa, para isso, as re-prises de programas para ofere-cer opções de horários ao es-pectador), a ofer ta de programa-ção foi montada sem respeitar a cultura televisiva da audiência. Para suprir as deficiências de produção para preencher a gra-de (uma vez que o movimento comunitário não tinha cultura de realização audiovisual), a

coor-denação elaborou a proposta de financiar dois programas28,

co-mo alternativa para os associa-dos (que tinham verba reduzida para investir na produção) não fi-carem fora da grade. O Canal se responsabilizava pelo forneci-mento da infra-estrutura. Essa decisão traz à tona, outra vez, a necessidade de enfrentar aque-le debate congênito a respeito do per fil da Associação: produ-tora-exibidora ou exibidora. Passado o período de implanta-ção sem resolver o problema central, entre 1996 e 1999, veio a primeira crise: dos 89 sócios fundadores, somente 14 ocupa-vam freqüentemente seus espa-ços e apenas trinta mantinham as colaborações financeiras em dia. Houve um afastamento mui-to grande, provocado por vários motivos, entre eles, a falta de capacidade de produzir seus próprios programas.

As reuniões dos coordenadores do Canal Comunitário, especial-mente entre 2001 e 2002, fo-ram pautadas pela debandada dos associados, pela preocupa-ção em preencher a grade com as produções do movimento so-cial e com a busca de recursos para viabilizar o funcionamento da entidade. Nesse sentido, a percepção generalizada era a de que a par tir desse critério de fi-xar valores proporcionais de arrecadação para a entidade, começou-se a juntar 10 ou 15 mil reais mensais e percebemos que esse dinheiro não era sufi-ciente para equipar e muito me-nos para transformar o canal nu-ma produtora de televisão. (...) Assim a gente foi começando a

perceber o nível de dificuldade que ia enfrentar, porque um grande número de entidades co-meçou a produzir programas de baixa qualidade [técnica] para o canal: muita coisa em edição VHS muito amadora, e [os asso-ciados] não investiram no canal comunitário como nós acháva-mos29.

A realidade indicava duas priori-dades. A primeira, de caráter imediato, estava relacionada com as questões de finanças e de sustentação do canal, en-quanto instituição. Foi o assunto que predominou na assembléia geral em dezembro de 2002, que, entre outros temas, elege-ria a nova direção da entidade. A outra prioridade, de caráter polí-tico-institucional, convocava o quadro de sócios para definir o per fil e afinar o entendimento sobre sua função do canal. A discussão, que vinha sendo adiada desde a fundação da en-tidade, tornou-se essencial para delinear as ações político-insti-tucionais e financeiras do canal comunitário.

Os trabalhos de redefinição do Canal Comunitário atravessaram 2003. Nesse tempo, a coordena-ção executiva dividia suas preo-cupações entre solucionar a constante crise financeira (nas emergências eram feitas chama-das extras de mensalidades chama-das quais par ticipavam as entidades que ainda permaneciam fiéis aos compromissos) e as reuniões se-manais do grupo de reformula-ção administrativa. Para alcançar o objetivo pautado pela assem-bléia, a equipe buscou orienta-ção com instituições

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namentais especializadas em processos de gerenciamento e administração, manteve encon-tros com universidades e procu-rou empresas de assessoria de comunicação e marketing. Foram várias reuniões que resultaram numa radiografia do canal. O processo de reengenharia or-ganizacional estava calcado na proposta de potencializar a utili-zação do espaço na TV a cabo e a sua divulgação na comunida-de, par tindo da definição fun-dante: o canal é exibidor. Porém, não abandonou ainda a ativida-de ativida-de produção ao se propor a manter, à disposição dos asso-ciados, uma microestrutura de gravação e oferecer um “catálo-go de ‘produtoras credenciadas’ para indicar aos associados”30.

As ações, reunidas no documen-to Propostas para o Canal 14, foram apresentadas à coordena-ção em julho de 2003, quando já se preparava a solenidade de passagem do sétimo aniversário da Associação. Elas estavam di-vididas em 10 itens31, geradas

a par tir da análise situacional da associação, cuja realização estava prevista em duas etapas: emergencial e de cur to-médio prazos, a exemplo dos proces-sos de reorganização das firmas contemporâneas.

No âmbito do corpo funcional, trilhando o caminho das organi-zações do mercado da comuni-cação, o grupo propôs a criação de uma gerência geral, de um depar tamento jurídico e de um depar tamento de marketing. A mudança radical na estrutura administrativa, entretanto, se lo-caliza na forma de operacionali-zar as atividades: através da ter-ceirização dos ser viços, acaban-do com qualquer possibilidade de vínculo trabalhista. Ao

mes-mo tempo, resolvia a situação legal da contratação precária, is-to é, da exploração da mão de obra sem contrato trabalhista. Entre as propostas, a atenção dos sócios oriundos do movi-mento sindical voltou-se para a terceirização de ser viços, como o setor de marketing e dos tra-balhos direcionados para au-mentar o número de associa-dos32. Considerada como a

“al-ma de todo o projeto, pois vai re-dimensionar o canal, torná-lo o canal mais popular, mais conhe-cido, não só através de sua visi-bilidade, mas também através da implementação do marketing para que o canal tenha o supor-te necessário para funcionar”33,

ela provocou reações como: “eu sou a favor da terceirização. Re-cebi algumas críticas aqui no Sindicato, mas a solução é exa-tamente essa: buscar uma par-ceira, uma agência de publicida-de que queira investir (...) Tinha oposição a essa proposta. Tem sempre o ‘boi corneta’ que acha que você está loteando o canal, que está querendo transformá-lo em comercial. Mas não é assim. Basta ter uma super visão for te, que par ticipe da direção, que is-so não acontece”34.

A busca da profissionalização das atividades técnicas e geren-ciais do Canal Comunitário, a qualificação dos produtores e dos programas (com o auxílio de profissionais e escolas de co-municação) e a definição rigoro-sa dos prazos para a entrega dos programas foram temas que estiveram na pauta da coordena-ção executiva e nos encontros do Conselho Deliberativo de maio a agosto de 2003. Se de um lado a preocupação esteve centrada no aper feiçoamento das propostas de reorganização

da entidade (que se define, ago-ra, como difusora de conteúdos, isto é, busca a estabilidade de ofer ta e funcionamento ininte-rrupto do canal para conquistar espectadores), do outro, perce-be-se o distanciamento das pro-postas fundantes dos movimen-tos sociais. Especialmente no que diz respeito à sua própria constituição, ou seja, o caráter voluntário ou, até mesmo, na atitude coletiva e solidária de or-ganizarem-se ao redor de ativi-dades que proporcionem a algu-ma renda para melhorar a quali-dade de vida dos par ticipantes, tema em voga nos debates con-temporâneos.

A idéia da coordenação era que essa maneira de operar “traz au-diência maior para o canal pela própria qualidade que se tem, respeitando, de qualquer forma, os critérios de democracia que se propõe para a entidade: sem-pre respeitar aquilo que foi pro-duzido”35. Em termos de

resul-tados, o relatório preliminar de julho informava que a audiência, em índices não oficiais, alcança-va 2% dos 120 mil pontos da NET, isto é, 6 mil pontos na cida-de.

Os experimentos dessa nova fa-se foram mostrados oficialmen-te ao conjunto de associados na comemoração dos sete anos da Associação, realizada no salão de festas da Paróquia Matriz da IECLB, na região central de Por-to Alegre, dia 12 de novembro de 2003, uma quinta-feira de muita chuva, que resultou num atraso generalizado da agenda geral36.

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conta-tos com empresas de comunica-ção e marketing para começar as campanhas de divulgação e captação de verbas para finan-ciar a entidade.

Assim, entre os estremecimen-tos de relações fraternas com a equipe técnica, as discussões apaixonadas em defesa da inde-pendência e autonomia da insti-tuição e as mudanças estrutu-rais inesperadas, durante o pe-ríodo 2003-4, o Canal fez o lan-çamento de seu novo nome e nova freqüência nas comemora-ções do oitavo aniversário. A primeira ação oficial do lança-mento do POA TV foi na Tribuna Livre da Câmara de Vereadores de Por to Alegre37, dia 6 de abril

de 2004. Nesse espaço, a coor-denação executiva apresentou a nova proposta da entidade. Essa inter venção foi apresentada no espaço que o legislativo munici-pal tem na TV a cabo (canal 15, compar tilhado com a TV Assem-bléia), dois dias depois, além de ter sido exibida em várias repri-ses na próprio canal, agora, POA TV. Nesse mesmo dia, à noite, foi a vez da solenidade de come-moração do aniversário, com uma recepção voltada para as-sociados, convidados e autorida-des municipais, no salão nobre da própria Câmara.

Simultaneamente às prepara-ções de lançamento, as propos-tas do GT da reorganização fo-ram sendo executadas em ritmo acelerado. A estrutura adminis-trativa foi implantada, com a for-te presença do gerenfor-te opera-cional (até agosto de 2004 o cargo ainda era ocupado pelo presidente do GT,

voluntaria-mente), ser viços de secretaria (estagiário), consultoria jurídica e de comunicação e marketing (ser viços terceirizados). Os téc-nicos operadores foram desliga-dos do canal e o pessoal que gravava o Livre Expressão mon-tou uma produtora independente para prestar esse ser viço. Na área operacional, os equipa-mentos do estúdio (que geravam os sinais para a NET, operados por técnicos) foram trocados por um computador, adquirido atra-vés do sistema leasing, ofereci-do pela MKL. Essa máquina pas-sou a gerenciar a grade de pro-gramação durante as 24 horas do dia, sendo alimentada duas vezes por semana pelos técni-cos da empresa, que também é

responsável pela sua manuten-ção. O estúdio foi “arrendado” para a produtora, que continua realizando o Livre Expressão e administra a locação do espaço para outras realizações audiovi-suais.

Esse novo formato operacional não mudou as possibilidades de acesso que os associados têm direito na grade de programas: todos continuam com a sua hora semanal (de programas inéditos) assegurada e, conforme a dispo-nibilidade de horário, com a pos-sibilidade de escolher a janela na qual será exibido o programa. Além disso, as entidades ganha-ram mais espaços para anunciar as atrações (chamadas de até 30 segundos) exibidas nos

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ços inter-programas, criados a par tir da proposta de divulgação do POA TV, e a possibilidade de ter mais uma hora na grade, du-rante a semana, mediante o pa-gamento de uma taxa de colabo-ração extra, que varia de 300 a 550 reais por mês, num período de quatro meses consecutivos. Concluído o processo de reen-genharia da Associação de Enti-dades Usuárias do Canal Comu-nitário de Por to Alegre, agora com o nome fantasia de POA TV, o canal da gente, a grade de pro-gramas ficou conforme o quadro a seguir:

Apesar das dificuldades que os movimentos comunitário e sindi-cal enfrentam para constituir uma frente solidária em direção ao investimento financeiro ne-cessário à produção televisiva (mesmo que encontrem no Ca-nal Comunitário um espaço bom e barato para isso), definir o per-fil como distribuidor de conteú-dos era uma questão estrutural para resolver problemas da polí-tica interna da entidade. Porém, para não desmobilizar completa-mente os associados que não têm programas, encontrou-se uma solução paliativa, manten-do a infra-estrutura de estúdio e equipamento de gravação para atender a demanda do Livre Ex-pressão.

A título de conclusão

Com a passagem para o século XXI, depois de 20 anos da aqui-sição da primeira câmera de ví-deo pelos trabalhadores, o au-diovisual do movimento social gaúcho está resumido a dois grandes pólos: um é o CAMP (através da produtora que man-tém o setor de atendimento es-pecífico para o terceiro setor) e

o outro é a Associação das Enti-dades Usuárias do Canal Comu-nitário de Por to Alegre, que tem sido uma ar ticuladora para a re-tomada da produção comunitá-ria e independente. Entidades como o Sindicato dos Bancários e o dos Telefônicos, que tiveram papel impor tante no lançamento do audiovisual produzido para e pela a sociedade, desativaram seus depar tamentos de vídeo por enfrentarem dificuldades fi-nanceiras.

A forma encontrada pelo CAMP se mostra como uma alternativa factível de sustentação do movi-mento social, tendo em vista a capacidade de viabilizar o finan-ciamento das produções e das próprias ações sociais e solidá-rias demandadas. Além disso, se apresentam como possibili-dade para a geração de renda de setores excluídos ao acesso à informação e à comunicação, criando uma economia diferen-ciada e ampliando a consciência política sobre a necessidade de abrir os debates das grandes pautas nacionais, como é o ca-so da reformulação da lei das te-lecomunicações.

Se o caminho da Casanova Fil-mes foi a profissionalização e a qualificação de sua equipe para ganhar o mercado audiovisual (produção de comerciais para a TV, de projetos de cur tas e lon-gas metragens), deixando a pro-dução do movimento num se-gundo plano, Os associados do Canal Comunitário tentam revita-lizar a produção fazendo seus programas através da contrata-ção de pequenas firmas, forma-das por técnicos, que, em mui-tos casos, não tem nenhuma re-lação de simpatia ou política com a causa. Porém, esse pe-queno grupo de profissionais

po-de se simpatizar com as ques-tões sociais e repensar as for-mas de financiar a realização audiovisual. São elementos que instigam a pesquisa sobre os projetos alternativos de comuni-cação através da TV.

Em relação às iniciativas pró-prias de produção audiovisual, esses nove anos de funciona-mento do canal comunitário na TV a cabo de Por to Alegre confir-mam a prevalência de aspectos políticos e econômicos na con-solidação de um espaço midiáti-co próprio da midiáti-comunidade. Essa análise começa a par tir da dis-posição que os movimentos so-ciais têm para investir seus es-forços em lutas pela democrati-zação da comunicação que ultra-passam as barreiras locais, co-mo aconteceu com a histórica disputa para a implantação do ser viço de televisão a cabo no país, “área em que uma batalha política [no âmbito de Congres-so Nacional e empresários da mídia] provocou um atraso de 20 anos”38.

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cação sindical, para consubstan-ciar a reflexão.

A segunda lição destaca as questões da política dos veícu-los e a interpretação que as lide-ranças sociais têm sobre os usos da comunicação. Também se tem que estar sensível às par ticularidades da cultura do consumo dos veículos de comu-nicação. O saudoso Abelardo Barbosa, pioneiro na populariza-ção dos programas de TV, disse-minou o bordão “quem não se comunica, se trumbica” e, ao conseguir resumir a impor tância da comunicação na vida contem-porânea com essa maneira de encarar a mídia, inspirou muitos líderes de movimentos sociais a monopolizarem os processos de produção dos veículos alternati-vos. Provocou também a repeti-ção da fórmula que a indústria da mídia aplica em seus produ-tos: evitar a intromissão de opi-niões divergentes ao status quo vigente, desviando do contradi-tório e da possibilidade do deba-te enquanto, ao mesmo deba-tempo, cria vínculos com a comunidade consumidora para corroborar seus posicionamentos.

No processo de instalação do Canal Comunitário, as primeiras

reuniões contaram com razoável número de entidades comunitá-rias dispostas a conquistar um espaço de comunicação na tele-visão, como explicitaram os en-trevistados, membros da coor-denação. Entretanto, fica evi-dente a incipiente interpretação das lideranças comunitárias a respeito do papel dessa alterna-tiva de comunicação (como algo para ser ocupado apenas para difundir as mensagens produzi-das por outros atores sociais), abrindo uma nova frente de luta e de formação de opinião. Essa característica interpretação da política dos meios, desconecta-da desconecta-das questões maiores desconecta-da po-lítica e da economia, provocam desvios na formas operacionais de construção de conteúdos e desanimam os potenciais produ-tores audiovisuais, independen-te de serem mais ou menos po-litizados.

A terceira lição se localiza no âmbito da economia, no que se refere ao financiamento a produ-ção e a circulaprodu-ção de informa-ção nos meios de comunicainforma-ção, característica que permeia as ações comunicativas. Na socie-dade contemporânea, as rela-ções do ato de comunicar se

es-tabelecem através de negocia-ções intermináveis, o que permi-te afirmar a presença de uma economia par ticular para a co-municação, mesmo que ela aconteça fora dos ambientes de firmas especializadas. Por ser tão óbvio para alguns indivíduos envolvidos, esse detalhe não re-cebe a atenção merecida, princi-palmente em situações nas quais se propõe criar novos pro-jetos, quando se encontram per-sonagens de matizes e conheci-mento distintos.

Assim, é facilmente compreensí-vel que, ao conhecer os custos da produção audiovisual e per-ceber que tudo deveria ser sus-tentado pelos usuários, as de-sistências de ocupação dos es-paços na grade tornaram-se mais freqüentes. Esse movimen-to ganha densidade quando os potenciais fornecedores de con-teúdos da programação perce-bem seu grande desconheci-mento em relação às atividades da produção audiovisual e à ex-trema necessidade de planeja-mento (orçamentário e cronoló-gico) das próprias associadas para manter a regularidade de apresentação de conteúdos na grade do canal.

1 RAMOS, Murilo César. Televisão a cabo no Brasil:

desestatiza-ção, reprivatização e controle público. In CAPPARELLI, Sérgio et. Al. Enfim sós... A nova televisão no Cone Sul. Porto Alegre: L&PM, 1999, pág. 41.

2 KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e revolucionários. Nos

tem-pos da imprensa alternativa. Rio de Janeiro: Scritta, 1991. Anexo.

3 Organizações sociais sem fins lucrativos e independentes dos

poderes públicos, formadas especialmente por pessoas civis,

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ocupadas com as questões da qualidade de vida, ganharam grande impulso através do financiamento da solidariedade internacional vindo principalmente das Igrejas (Católica e Luterana), cuja pre-sença nos movimentos sociais no Sul do país foi relevante.

4 Essa tendência acompanhou o processo de redemocratização

do país, inciado em 1979, com a anistia e com a eleição para a Presidência da República (mesmo que indireta), do experiente con-ciliador Tancredo Neves.

5 BRITTOS, Valério; BOLAÑO, César. Democratizar a

comuni-cação: uma tarefa pendente? Disponível em: http://www.eca.usp.br/alaic/boletim21/valerio.htm. Acesso em: 14 mar. 2005.

6 A Lei 8977/95 é o instrumento legal mais importante do

conjun-to normativo desse serviço. BRASIL. Lei 8977 de 6 de janeiro de 1995. Dispõe sobre o serviço de TV a cabo e de outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 jan. 1995. Disponível em: <http://www.anatel.gov.br/tv_assinatura/tvacabo/tvacabo.asp? Codarea=27&codtemplate=73&codtopico=1041>. Acesso em: 14 mar. 2005.

7 RAMOS, op. Cit., pág. 48.

8 Erechim, Palmeira das Missões, Miraguaí, Frederico

Westfalen, Aratiba e Nonoai.

9 É preciso um esclarecimento: há uma diferença entre as rádios

livres e as alternativas. As primeiras se constituem a partir de postas de usar uma freqüência eletromagnética para colocar a pro-gramação no ar. Essas emissoras também são conhecidas como rádios piratas e são o embrião das rádios comunitárias de hoje, reg-ulamentadas pela Lei 9.612/98. Rádios alternativas, neste caso, se referem aos processos criativos de operar com a produção de áudio, embora o termo alternativo caiba para ambos os propósitos.

10 A primeira câmera de vídeo do movimento social brasileiro

chegou ao Brasil através de Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em 1982. Ela foi um presente que a Intersindical européia ofereceu aos “novos” sindicalistas brasileiros, como forma de incentivar a reorganização das enti-dades, fortemente atreladas (e perseguidas) pelo governo militar. (BENEVENUTO Jr., Álvaro. Das ruas para a sala de jantar: a TV Bancários em Porto Alegre. Porto Alegre: PUCRS, 1998. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social). PPG FAMECOS. P. 71. FESTA, Regina. TV dos Trabalhadores: a leveza do alternativo. São Paulo: ECA, 1992. Tese (Doutorado em Comunicação). ECA-USP. P. 60.).

11 Ibidem, linhas 123-130. Sobre a história do Movimento Sem

Terra ver também WAGNER, Carlos. A saga do João Sem Terra. Porto Alegre: 1984.

12 Essa edição foi feita através da cópia não sincronizada das

imagens, chamada por edição no dedo, isto é, enquanto um gravador de vídeo permanece em pausa, o outro roda as imagens e, quando chega o ponto de edição, o operador dispara o equipamento de reg-istro. Isso provocou vários problemas de corte e de estabilização dos sinais.

13 CUNHA, Guaracy, op, cit., linhas 131-134.

14 STROSTA, Márian. Vídeo nos movimentos populares: uma

imagem real. Porto Alegre: PUC-RS. 1988. Monografia (Graduação em Comunicação Social). Faculdade dos Meios de Comunicação -PUCRS. PEROSO, Elson. A trajetória do vídeo popular no RS: 1983-1994. São Leopoldo: UNISINOS. 1983-1994. Monografia (Graduação em

Comunicação Social). Centro de Ciências da Comunicação - UNISI-NOS. BENEVENUTO JR.; SCHOMMER, Luciane. Op. Cit., pp. 185-200.

15 O CAMP é um centro de educação popular, fundado em 1983.

Tinha, em sua estrutura, até 1995, um setor de comunicação, que assessorava, principalmente, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Movimento dos Atingidos pelas Barragens do Alto Uruguai, Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais e a Secretaria de Comunicação da CUT. Sua primeira produção em vídeo foi “Construção”, em 1984, usado no trabalho de formação dos trabal-hadores da construção civil. Em 1985, acompanhou a ocupação da Fazenda Annoni, a maior mobilização de trabalhadores sem-terra da década. Em 1987 foi produzido o documentário “A Torquês”, retratando a vitória dos sindicalistas ligados à CUT nas eleições sindicais e a greve dos sapateiros de Campo Bom. Em 1995 o setor de comunicação se transforma na Cooperativa de Vídeo, com car-acterísticas de produtora comercial, transformando-se em projeto de auto-sustentação do CAMP.

16 Vinculado ao Grupo de Estudos Agrários (GEA), o NVD tinha

seu trabalho voltado para a documentação da história do que para o trabalho de educação popular, propriamente dito. O NVD funcionou até a fundação da abvídeo.

17 CUNHA, Guaracy, op. Cit., linhas 149-154.

18 CARMO, Carlos. Editor e roteirista de audiovisual. Coordenador

de Atendimento do Terceiro Setor da Casanova Filmes. Exposição da produtora durante expedição científica de acadêmicos de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, em 10 jun. 2004.Anotações do autor.

19 CARMO, Carlos. Op. Cit.

20 CONSELHO MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO SOCIAL. Relatório

do Conselho Municipal de Comunicação. Porto Alegre, 1994. Mimeografado.

21 Administração Popular foi o slogan que caracterizou os

mandatos da Frente Popular, coligação partidária que venceu as eleições municiais de 1988. Coordenada pelo Partido dos Trabalhadores, a aliança envolvia o Partido Comunista do Brasil (pcdob), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido Verde (PV), representando, naquele momento, a esquerda gaúcha. A Administração Popular seguiu no Executivo porto-alegrense por quatro mandados consecutivos, lider-ada por Olívio Dutra (1988-1992), Tarso Genro (1992-1996), Raul Pont (1996-2000), Tarso Genro- João Verle (2000-2004), com algumas alter-ações na composição da frente partidária. No pleito de 2004, a Frente Popular disputou o segundo turno das eleições, conquistando apenas 46,7% do total dos votos.

22 OSÓRIO, Pedro Luiz da Silveira. Comunicação e cidadania: a

contribuição da Administração Popular de Porto Alegre para um novo modelo de comunicação política e governamental . Porto Alegre: UFRGS, 2003. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) do PPG da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação FABICO-UFRGS, pág. 80.

23 OSÓRIO, Pedro Luiz da Silveira. Entrevista com o então

coor-denador de Comunicação Social da Prefeitura de Porto Alegre e ex-presidente do Conselho Municipal de Comunicação de Porto Alegre, Porto Alegre. São Leopoldo, 12 set. 2003. (Linhas 125-136).

24 O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra foi criado no Rio

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que estavam sendo despejadas da reserva indígena de Nonoai. A estrutura administrativa do MST é do tipo nuclear, onde cada setor é responsável pelo gerenciamento das verbas e das atividades desenvolvidas, tendo que prestar contas a uma coordenação geral. Já a experiência administrativa do Sindicato dos Bancários, uma entidade com mais de 70 anos de existência, remete à propor-cionalidade de diretiva, isto é, a diretoria da organização é monta-da proporcionalmente aos votos que as chapas que disputaram a eleição. Essa fórmula de composição diretiva funcionou durante o período de 1991 a 1997. Além disso, o Sindicato dos Bancários, a partir de sua experiência com o projeto de comunicação TV Bancários, havia produzido um documento propondo a criação de uma Rede de Televisão Democrática, que circulava entre as orga-nizações sindicais. (BENEVENUTO JR. Álvaro. Das ruas para a sala de jantar: a TV Bancários de Porto Alegre. Porto Alegre: PUCRS, 1998. Dissertação (Mestrado em Comunicação, Cultura e Novas Tecnologias). Faculdade dos Meios de Comunicação).

25 NUÑEZ, Léo. Entrevista com o membro da Coordenação

Executiva do Canal Comunitário, Porto Alegre. Porto Alegre, 28 ago. 2003. (Linhas 28-33). Nuñez também é diretor do Sindicato dos Jornalistas, professor universitário.

26 NUÑEZ, op. Cit. (Linhas 12-21).

27 BRITTES JR. Op. Cit. (Linhas 122-125).

28 Eram o Livre Expressão e Telenotícias Comunitárias. O primeiro,

um programa feito em estúdio no formato talk show, onde os associ-ados entrevistam, debatem e conversam sobre temas de seus movi-mentos, num tempo de 5 minutos. Os sócios são responsáveis pelo trabalho de produção. O Canal disponibilizava apenas o técnico e o estúdio e, para usar a infra-estrutura, os associados pagavam uma colaboração extraordinária de R$ 100 mensais, com direito a gravar semanalmente. O Telenotícias Comunitárias era de responsabilidade do Canal Comunitário, no formato de informativo jornalístico. Também feito em estúdio, mas com o aproveitamento de imagens cedidas pelos associados, ele tinha a duração de 30 minutos e uma edição inédita por semana. Ambos os programas eram feitos na sede do Canal Comunitário, que disponibilizou um estúdio (simples, mas com os recursos básicos instalados, embora deficientes). O

Telenotícias saiu do ar em 1999 e o Livre Expressão passou a ter 30 minutos (junção de seis programetes de cinco minutos) com a refor-mulação da grade, em 2004.

29 NUÑEZ, op. Cit. (Linhas. 42-60).

30 GRUPO DE TRABALHO, op. Cit. P. 7.

31 As propostas gerais, pela ordem são: (1) reavaliação dos

gas-tos, (2) terceirização da produção, (3) criação de fundo de reserva para equipamentos, (4) buscar mais sócios, (5) manter associados, (6) manter programação no ar, no maior intervalo de tempo possív-el, (7) regularização dos prestadores de serviço, (8) definição do quadro funcional, (9) atualização da página na Internet e (10) reavaliar contrato com a NET. (GRUPO de Trabalho. Projetos para o Canal Comunitário de Porto Alegre. Porto Alegre: 2003. Mimeografado.).

32 GRUPO DE TRABALHO, op. Cit. P. 5.

33 FRANCO, op. Cit. (Linhas 277-279).

34 NUÑEZ, op. Cit. (Linhas 218-227). A expressão ‘boi corneta’, de

uso popular, indica a existência de pessoas que têm opinião con-trária a determinadas medidas e tecem comentários demeritórios e incrédulos sobre o futuro das coisas. Nesse caso, uma forma de boicotar a aplicação das ações planejadas.

35 FREITAS, op. Cit. (Linhas 240-245).

36 Diário de campo, 12 nov. 2003.

37 A tribuna livre da Câmara de Vereadores de Porto Alegre é um

espaço do grande expediente das sessões, aberto para as organiza-ções sociais e cidadãos se pronunciarem. Ela acontece uma vês por mês.

38 CAPPARELLI, Sérgio. TV digital terrestre e os impasses da con-vergência no Brasil. In CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO, 13, 2004, Rio de Janeiro, Anais ... Rio de Janeiro: UFRJ, 2004. 1 CD.

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