A arquitetura do escritório Forte Gandolfi 1962-1973
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(2) UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE. MICHELLE SCHNEIDER SANTOS. A ARQUITETURA DO ESCRITÓRIO FORTE GANDOLFI 1962 – 1973. São Paulo 2011.
(3) MICHELLE SCHNEIDER SANTOS. A ARQUITETURA DO ESCRITÓRIO FORTE GANDOLFI 1962 – 1973. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.. Orientadora: Profª Drª Ruth Verde Zein. São Paulo 2011.
(4) S237a Santos, Michelle Schneider. A arquitetura do escritório Forte Gandolfi 1962-1973. / Michelle Schneider Santos – 2011. 322 f. : il. ; 30cm. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2011. Bibliografia: f. 284-289. 1. Arquitetura Moderna Paranaense. 2. Arquitetura Moderna Brasileira. 3. Arquitetura Brutalista. I. Título.. CDD 720.98162.
(5) MICHELLE SCHNEIDER SANTOS. A ARQUITETURA DO ESCRITÓRIO FORTE GANDOLFI 1962 – 1973. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.. Aprovada em BANCA EXAMINADORA. ______________________________________________________________________ Profª Drª Ruth Verde Zein - Orientadora Universidade Presbiteriana Mackenzie. ______________________________________________________________________ Prof. Dr. Abilio da Silva Guerra Neto Universidade Presbiteriana Mackenzie. ______________________________________________________________________ Prof. Dr. Luis Salvador Petrucci Gnoato Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
(6) A meu companheiro Jacksson Depoli, pelo amor e compreensão A meus pais, pelo constante incentivo e confiança na realização deste trabalho..
(7) AGRADECIMENTOS. Aos professores da Universidade Mackenzie, em especial ao prof. Dr. Carlos Guilherme Mota, à profª Drª Eunice Helena Abascal, profª. A pesquisa se torna prazerosa quando podemos trocar experiências. Maria Isabel Villac e profª Drª Angélica T. Benatti Alvim, pelo apoio e. sobre o assunto com outras pessoas que estão envolvidas de alguma. disposição sempre que preciso;. maneira na história discorrida ou que compartilham o universo de. Aos colegas de mestrado, em especial às amigas Turna Beck e Laila. estudo. É difícil relembrar de todos que contribuíram com a minha. Mendonça, que me receberam prontamente em suas casas.. pesquisa, mas gostaria de agradecer às pessoas que colaboraram de alguma forma com meu trabalho, em especial a:. Aos colaboradores prof. Paulo Cesar Pacheco, prof. Dr. Irã Taborda Dudeque, prof. Bruno Martins, Juliana Montoya, Sérgio Zeim, Mário. À minha orientadora profª drª Ruth Verde Zein, pelo incentivo,. Marcondes Lobo Filho, Walter Cardoso, Nádia Tomaschitz, Simone. amizade e firmeza nas observações em busca de um bom resultado;. Alves, Luiz Henrique de Barbosa Jorge, Helena Maria da Silveira V.. A Jacksson Depoli, pelo amor e auxílio, sempre disponível;. Santos, Mauro Cesar Kugler, Graziela Damaris da Cruz, Ren’na, Caroline Arisi, Elizeli Bertoloto, Helen Dalcomuni, Siluandra Haubert;. À minha família; meus pais, aos meus irmãos, à minha querida avó, a minha eterna gratidão pelo constante estímulo;. Aos funcionários da Universidade Mackenzie, em especial a Fernanda Freire, secretária do PPGAU-MACK, e aos bibliotecários. Ao prof. Dr. Luis Salvador Gnoato e prof. Dr. Abilio Guerra, pela. Maria Luiza da FAU-MACK e Lucas Oliveira da FAU-USP Maranhão;. constante ajuda na minha pesquisa, considerações importantes e pela estimada presença em minha banca de mestrado;. À Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível Superior (CAPES) - pela bolsa PROSUP concedida, o que auxiliou na. Aos arquitetos Luiz Forte Netto, Joel Ramalho Jr, Roberto Luis. manutenção de minha pesquisa na Universidade Mackenzie;. Gandolfi e Francisco Petracco que disponibilizaram seu tempo ao me receber, obrigada pelos valiosos depoimentos; agradeço. Ao Fundo Mackenzie de Pesquisa – Mackpesquisa - pela reserva. também aos arquitetos Orlando e Dilva Busarello pela atenção e por. técnica concedida, auxílio imprescindível na conclusão da pesquisa;. seus importantes depoimentos;. A todos aqueles que colaboraram e não se encontram aqui citados..
(8) A arquitetura eterniza e glorifica alguma coisa. Por isso, não pode haver arquitetura onde não há nada a glorificar. (Ludwig Wittgenstein).
(9) Resumo. Abstract. A circulação de jovens arquitetos constituiu um vetor de expansão. The circulation of young architects became an important vector on. de novas idéias no Brasil em meados do século XX, o que. the expansion of new ideas in Brazil mid XX Century, what. impulsionou o aparecimento de importantes obras modernas. A. improved the sprouting of important modern architecture. partir da década de 1960 a capital do estado do Paraná, Curitiba, foi. buildings. Since 1960 Curitiba, capital of Parana, was also. também “permeada” por arquitetos originários de várias regiões;. “permeated” by architects coming from other regions; prominence. com destaque para um grupo de egressos da Universidade. to a group of architects graduated at Mackenzie University in São. Mackenzie, em São Paulo, que percebeu uma oportunidade única e. Paulo, who recognized an unique opportunity and intended there a. buscou ali o reconhecimento do meio intelectual e arquitetônico,. professional and intellectual recognition, mainly through a frequent. principalmente. de. participation in architectural competitions. Luiz Forte Netto, José. arquitetura. Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi e Roberto Luis. Maria Gandolfi e Roberto Luis Gandolfi had an important role in the. Gandolfi tiveram um importante papel no cenário arquitetônico. architectural scene in Paraná which is consolidated in Curitiba in. paranaense, em especial durante sua sociedade no escritório Forte. 1962. This research aims to analyze their architecture and intends. Gandolfi, que se consolida em Curitiba a partir de 1962. Esta. to show how this architects and their work helped on the. pesquisa busca analisar sua produção arquitetônica e pretende. development of Brazilian modern architecture by that moment.. através da. participação. em. concursos. mostrar a contribuição dos arquitetos e de suas obras na ampliação do panorama da arquitetura moderna brasileira desse período.. Keywords: Modern Architecture in Parana, Brazilian Modern Architecture, Brutalist Architecture.. Palavras-chave: Arquitetura Moderna Paranaense, Arquitetura Moderna Brasileira, Arquitetura Brutalista..
(10) LISTA DE SIGLAS. ACARPA. Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná. APPUC. Assessoria de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. BNDE. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. COHAB-CT. Companhia de Habitação Popular de Curitiba. COMEC. Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba. CODEPAR. Companhia de Desenvolvimento do Estado do Paraná.. EDISE. Edifício Sede da Petrobrás. FAU -MACK. Faculdade de Arquitetura Universidade Mackenzie. e. Urbanismo. da. FAU -USP. Faculdade de Arquitetura Universidade de São Paulo.. e. Urbanismo. da. IAB-SP. Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento São Paulo. IPPUC. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba.. NOVACAP. Companhia Urbanizadora da Nova Capital. SESC-ARGB. Serviço Social do Comércio da Guanabara (RJ). UFPR. Universidade Federal do Paraná.
(11) APRESENTAÇÃO. por esta obra contribuiu para meu interesse pela obra dos arquitetos Luiz Forte Netto e dos irmãos Gandolfi e que, após o. Quase sempre que aparece uma pesquisa sobre Curitiba, esta trata. estudo da arquitetura paranaense, este trabalho de pós-graduação. do seu plano urbanístico e seu bem-sucedido desenvolvimento. É. irá aprofundar com mais acuidade. Quando resolvi pelo mestrado. ainda intrincado o fato de poucas pesquisas tratarem de seu. em arquitetura na Universidade Mackenzie, acreditei que poderia. panorama arquitetônico, de seus principais personagens e obras. então estudar a obra deste grupo de arquitetos, evidenciando sua. referenciais. A fim de contribuir e acrescentar um novo estudo sobre. formação nesta instituição, bem como o período em que puderam. a arquitetura paranaense me decidi pela pesquisa sobre a produção. absorver idéias e ideais de professores e colegas, algumas figuras da. arquitetônica do escritório Forte Gandolfi (1962-1973).. arquitetura paulista; talvez um período já esquecido para eles, mas que é de extrema relevância para o entendimento de sua obra.. Dento das obras estudadas está o edifício do IPE, pelo qual tenho imenso apreço. Sempre que voltava de um shopping na cidade,. Ao estudar mais profundamente a produção destes arquitetos,. seguindo pela Rua Inácio Lustosa, eu olhava atentamente e. enfocando a sua arquitetura como fonte de inspiração, eu me. admirava o edifício sede do Paraná Previdência, antigo Instituto da. aproximei e conheci melhor os arquitetos e colaboradores que. Previdência do Estado. Inserido em um lote de formato peculiar. contribuíram na produção de Forte e Gandolfi, como o arquiteto. surge na paisagem, imponente, um grande edifício de concreto. Joel Ramalho Junior, colega de universidade e assíduo colaborador. aparente; para muitos transeuntes desavisados ele pode ser. em projetos e concursos de arquitetura dentro do período desta. ofensivo e frio, mas para mim ele fulge de maneira monumental e. pesquisa, e também o casal de arquitetos Dilva Slomp e Orlando. extraordinária. A expressão de suas superfícies e o contraste com o. Busarello, os quais foram estagiários do escritório Forte Gandolfi e. entorno, ainda tímido com edifícios recobertos por camadas e. que, após 1973, se tornaram sócios de Luiz Forte Netto.. camadas de revestimento que escondem a essência de sua solução. Sendo assim, sinto-me feliz por poder colaborar para a divulgação. tectônica, evidencia a ousadia dos seus criadores, até hoje pouco. da obra destes arquitetos, pelos quais tenho admiração e respeito,. explorada e valorizada. É de fato um edifício imponente, ainda que. visto que muitos estudantes e arquitetos ainda desconhecem o. cause aversão em alguns observadores. Acredito que a admiração. trabalho deste grupo pioneiro na arquitetura no Paraná..
(12) SUMÁRIO. Introdução. 7. PARTE I 1.. Formação – 1954 a 1961. 1.1. 1.2. 1.3. 1.4.. Os Arquitetos Formação: Universidade Mackenzie O início da atividade profissional em São Paulo Arquitetura de tendência brutalista. 2.. Estabelecimento – 1962 a 1965. 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.5. 2.6. 2.7. 2.8. 2.9.. Antecedentes paranaenses: os “pré-modernos” Curitiba, um destino Afirmação: Clube de Campo Santa Mônica (1962) O movimento de 1964: Monumento à Fundação de Goiânia (1964) Conquistando o território: Residência Mário Petrelli (1964) Ensino de Arquitetura: Universidade Federal do Paraná Desenho da Cidade: IPPUC (1965) Alcançando o litoral: Residência Guido Weber em Caiobá (1965) Os Concursos de Arquitetura: Centro Turístico Euro Kursaal (1965). 3.. Reconhecimento e Dispersão – 1966 a 1973. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. 3.8.. Frutos do reconhecimento: Clube Curitibano (1966) e Clube Círculo Militar (1966) Contribuição à Habitação Coletiva: Edifício Panorama (1966) e Edifício Itapoã (1966) Auge: Concurso Edifício Sede da Petrobrás no Rio de Janeiro (1966-67) Pragmatismo Projetual: Instituto da Previdência do Estado (1967) Moderno como Matriz: Academia da Polícia Militar do Paraná (1968) A participação da Bienal de Arquitetura de Paris (1969) A escassez dos concursos: Banco do Brasil de Caxias do Sul (1970) Dispersão do grupo: Clínica de Repouso João 23 (1973). 12 16 22 30. 36 46 49 59 64 69 71 76 80. 89 97 103 117 127 131 135 144.
(13) PARTE II 4.. Produção Arquitetônica. 4.1. 4.2.. Lista de Obras Fichamento das Obras. 154. Santa Mônica Clube de Campo (1ª Proposta), Curitiba (1962) Santa Mônica Clube de Campo (2ª Proposta), Curitiba (1962) Sede da Peugeot, Buenos Aires (1962) Res. José Freitas Neto, Curitiba (1962) Monumento à Fundação de Goiânia, Goiânia (1964) Centro Comercial Portão, Curitiba (1964) Res. Mário Petrelli, Curitiba (1964) Res. Erley Volpi, Caiobá (1964) Res. Augusto e Eloína Prolik, Curitiba (1964) Centro Turístico Euro Kursaal (1ª Prop.),San Sebastian (1965) Res. Ayrton Araujo, Curitiba (1965) Res. Guido Weber, Curitiba (1965) Res. Jacks Zitronenblatt, Curitiba (1965) Res. Guido Weber, Caiobá (1965) Sede Social Clube Curitibano, Curitiba (1966) Ginásio Círculo Militar, Curitiba (1966) Edifício Panorama, Curitiba (1966) Edifício Itapoã, Curitiba (1966) Edifício Sede da Petrobrás (1ª Prop.), Rio de Janeiro (1966-67) Edifício Sede da Petrobrás (2ª Prop.), Rio de Janeiro (1967) Instituto Previdenciário do Estado, Curitiba (1967) Mercado Municipal de Porto Alegre, Porto Alegre (1967) Penitenciária do Estado da Guanabara, Rio de Janeiro (1968) Academia Policia Militar do Paraná, Curitiba (1968) Pavilhão das Piscinas Clube Curitibano, Curitiba (1969) Centro Eletrônico Bamerindus, Curitiba (1970) Sede do Banco do Brasil, Caxias do Sul (1970) Estádio de Futebol do Paraná, Curitiba (1970) Res. Luyr Isfer, Curitiba (1970). 155 158 162 163 166 169 171 176 179 183 187 190 192 195 198 201 205 208 213 216 221 226 228 230 232 235 238 243 245.
(14) Casa da Moeda, Rio de Janeiro (1971) Edifício Mikare Thá, Curitiba (1971) Edifício Pussoli, Curitiba (1972) Centro Turístico Euro Kursaal (2ª Prop.),San Sebastian (1972) Sede do BNDES, Brasília (1973) Clinica de Repouso João 23, Curitiba (1973). 249 253 256 260 264 268. Conclusões. 273. Referências Bibliográficas. 284. Apêndices APÊNCICE A. Lista completa de obras em ordem cronológica APÊNDICE B. Lista de obras completa APÊNDICE C. Lista de obras: Fichamento APÊNDICE D. Biografia dos arquitetos APÊNDICE E. Linha do tempo. 291. Anexos ANEXO A. Currículo de Disciplinas FAU-MACK (1954-1958) ANEXO B. Mapa de Influências (professores UFPR). 321.
(15) introdução.
(16) 7. INTRODUÇÃO Objetivos A presente pesquisa pretende colaborar na compreensão da. Este trabalho abordará a obra do escritório Forte e Gandolfi. produção arquitetônica brasileira através do estudo das obras dos. Arquitetos Associados - composto por Luiz Forte Netto, José Maria. arquitetos paulistas formados na Universidade Mackenzie em São. e, em alguns momentos, Roberto Luis Gandolfi e Joel Ramalho Jr. No. Paulo ao final de 1950, em especial de Luiz Forte Netto, José Maria e. período em que esteve em atuação, de 1962 a 1973, foi um. Roberto Gandolfi, e confirmar a sua contribuição ao panorama. importante escritório tendo produzido numerosas obras de. arquitetônico brasileiro. Estes arquitetos se transferiram para. qualidade. Além disso, estes arquitetos contribuíram com a. Curitiba, no início da década de 1960, onde fundaram o escritório. fundação do curso de arquitetura na Universidade Federal do. Forte Gandolfi Arquitetos Associados que reuniu, esporadicamente,. Paraná e com órgãos de planejamento urbano, como o IPPUC.. vários outros profissionais e ali passaram a ter um papel ativo e. Dentre as obras desse período destacam-se a sede do Clube de. referencial na produção arquitetônica paranaense e brasileira.. Campo Santa Mônica (Concurso Fechado, 1962), o Monumento à Fundação de Goiânia (Concurso Nacional, 1964, não construído), a. A partir da década de 1960, a difusão do papel do arquiteto tornouse mais efetiva em Curitiba, obtendo. sobretudo o. seu. reconhecimento profissional pela sociedade. Nesse processo foi de grande importância a presença de profissionais vindos de outras regiões, em especial, de São Paulo: “A cidade de Curitiba abrigou a derivação mais eloqüente do pensamento de São Paulo […] A. sede do Clube Curitibano (1966), o Ginásio do Círculo Militar (1966), o Instituto Previdenciário do Estado do Paraná (Concurso Fechado, 1967), o edifício-sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro (Concurso Nacional, 1966-67), a Academia da Polícia Militar do Paraná (1968), Sede do Banco do Brasil, em Caxias do Sul (Concurso Nacional, 1970) e a Clínica de Repouso João 23, em Curitiba (1973).. vizinhança entre os estados assegurou um intenso intercâmbio e influência profissional”. 1. Por meio de coleta de dados primários e secundários sobre as edificações selecionadas e sobre os arquitetos procurou-se realizar a análise e interpretação e aportar estudos de caso de algumas obras. 1. SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2ª ed. São Paulo: EDUSP, 1999.p. 152, grifo nosso.. a que se teve maior acesso, a partir de uma base teórica-conceitual,.
(17) 8. enfatizando as questões culturais e de projeto.. considerado por alguns comentadores (dentre eles DUDEQUE, 2001;. Pretende-se que este estudo torne possível, com a colaboração de novas pesquisas, uma mais ampla compreensão do panorama da arquitetura paranaense desse período, agregando-se o trabalho de outros arquitetos que também auxiliaram na busca por uma identidade arquitetônica paranaense, tanto quanto a essencial. GNOATO, 2002; PACHECO, 2004) como um momento de intensas transformações em Curitiba e no Paraná. Trata-se de um período importante para o desenvolvimento da arquitetura em Curitiba, cuja paisagem já vinha passando por transformações iniciadas pelas obras realizadas nos anos 1940 e 1950, quando engenheirosarquitetos locais e forasteiros transitaram e produziram pela cidade.. contribuição deste grupo pioneiro.. Alguns deles tinham formação no Rio de Janeiro e São Paulo, tendo auxiliado a prover alguma informação sobre a “nova arquitetura” à Recorte Temporal O período de estudo está focado nos anos de 1962 até 1973, datas de fundação do escritório Forte Gandolfi e do princípio da produção desses arquitetos no Paraná e data da separação destes arquitetos que, a partir de 1973, já não trabalham mais em conjunto, seguindo. sociedade curitibana, rompendo sua relutância inicial em aceitar as transformações em curso na arquitetura brasileira. Alguns dos principais personagens deste período citados nesta pesquisa são Rubens Meister, Ayrton Lolô Cornelsen e Elgson Ribeiro Gomes e, ainda que pontualmente, Vilanova Artigas e Oswaldo Bratke.. carreiras solo. A pesquisa também considerou a evolução da. O primeiro trabalho do escritório Forte Gandolfi foi a vitoriosa. arquitetura no período estudado, bem como algumas questões. proposta para a sede do Santa Mônica Clube de Campo, em 1962 -. proeminentes do cenário arquitetônico brasileiro e internacional,. tido, neste estudo, como primeiro projeto do grupo. Entre louros e. especialmente da arquitetura paulista de meados da década de. desventuras, o escritório, ainda com os arquitetos principais, José. 1950, em diante, que podem ser consideradas como de vital. Maria Gandolfi e Luiz Forte Netto, funcionou até 1973, momento de. importância para a compreensão da produção dos arquitetos. grande afirmação da arquitetura paranaense no cenário nacional.. estudados.. Neste ano encerra-se o recorte temporal desta pesquisa, totalizando. O recorte temporal desta pesquisa, ou seja, de 1962 a 1973, é. onze anos de produção em conjunto..
(18) 9. Metodologia. obtiveram alguma premiação e/ou que tivessem sido publicadas em algum veículo bibliográfico (livros e/ou periódicos). Com isso, foi. A coleta de dados primários sobre as obras do escritório Forte e Gandolfi foi realizada a partir do acervo do arquiteto Luiz Forte Netto, não sendo possível a coleta de material no escritório do arquiteto José Maria Gandolfi. A partir disso, a informação sobre os projetos foi complementada pelo acervo de outros arquitetos, como Paulo Cesar Pacheco e Orlando Busarello. Muitos dos projetos que foram analisados nesta pesquisa foram coletados nas próprias instituições como no caso do Clube Santa Mônica, Clube Curitibano e Instituto de Previdência do Estado do Paraná. Os dados secundários foram obtidos por meio de revisão bibliográfica existente sobre o assunto; ainda que escassa e dispersa.. possível confirmar a informação dos projetos, principalmente dados cronológicos e autorais. A pesquisa completa localizou um total de quarenta e um projetos para o período de 1962 a 1973. Foram consideradas prioritárias e analisadas em maior profundidade as obras mais importantes de acordo com comentadores e os próprios autores; aquelas em que foi possível dispor de maiores informações, tanto por permitirem uma maior facilidade de acesso, como por haver suficiente informação sobre elas nos acervos dos arquitetos, . As demais obras também foram incluídas no presente estudo, na maneira de fichas mais sumárias. As obras selecionadas são analisadas de acordo com suas principais características tectônicas,. Neste estudo, foram considerados e estudados, mas não incluídos,. formais e de inserção local, atendendo aos seguintes itens de. os trabalhos realizados em parceria ou colaboração com outros. análise: programa a atender, materiais e técnicas empregados,. arquitetos, quando ainda em sua fase paulista ou recém-formados.. resultados construtivos, geometria dos espaços e da composição,. O levantamento completo da produção arquitetônica para esta. relação com o lugar e com o entorno, e, por fim, relação com. dissertação se ateve apenas ao período em que durou a sociedade. precedentes e referências arquitetônicos nacionais e internacionais.. estabelecida por seus titulares. O material empregado nas análises das obras selecionadas foi coletado nas bases primárias e consta de projetos, desenhos e fotografias originais, que corroboram os depoimentos dos arquitetos e dos envolvidos com o escritório na época. A pesquisa procurou também englobar todas as obras que. A estrutura da dissertação foi dividida em duas partes. A primeira trata da formação dos arquitetos, das parcerias estabelecidas tanto em São Paulo quanto em Curitiba e da trajetória do escritório Forte Gandolfi ao longo de sua existência, observando-se as obras mais importantes produzidas por ele; considerando sua arquitetura em.
(19) 10. face do contexto socioeconômico e cultural do período. A segunda parte contém o fichamento das obras coletadas com suas principais informações e arquivos (fotos, plantas, croquis, etc.). O redesenho dos projetos foi uma importante ferramenta para o entendimento da resolução projetual das obras e para a verificação da sua situação atual foram utilizados relatórios técnicos de engenharia das instituições que disponibilizam deste serviço/ de manutenção. Os critérios de análise desta pesquisa seguem embasados em Ruth Verde Zein (2005), segundo a assertiva de que a pesquisa em arquitetura, enquanto processo sistemático e crítico, deve levar em consideração eventuais elementos e significados que lhes foram agregados ao longo do tempo por seus autores, usuários ou comentadores, mas que deve também e, principalmente, rever as obras em sua concepção essencialmente arquitetônica. Também se apóia nos conceitos de Cristián Fernandez Cox (2004), que aponta os vários fenômenos culturais que envolvem o processo arquitetônico, considerando-se todos os envolvidos: os arquitetos que projetaram os edifícios, os habitantes que o ocuparam e os vários agentes que viabilizaram sua realização..
(20) 1. formação. 1954 a 1961.
(21) 12. 1. Formação – 1954 a 1961. de formado, Luiz Forte Netto trabalha com Fábio Penteado em um escritório localizado no edifício da sede do IAB-SP, na Rua Bento de. 1.1. Os Arquitetos. Freitas. Em 1960, é convidado por Francisco Moreira, colega de Mackenzie e paranaense, para visitar o norte do Estado do Paraná e. O contexto é São Paulo e a geração é a mesma. Os arquitetos. a capital. Ao visitar Curitiba, Forte Netto observa o potencial que. estudados, Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi, Roberto Luis. esta cidade oferecia para transferir seu escritório para ali. Em 1961,. Gandolfi e Joel Ramalho Jr têm em comum a sua formação em. muda-se para Curitiba com sua família e em 1962 estabelece o. arquitetura na mesma instituição de ensino, Mackenzie, onde os. escritório Forte Gandolfi Arquitetos Associados, junto com José. interesses conviveram muito próximos e onde suas afinidades foram. Maria Gandolfi. No mesmo ano vencem o concurso de anteprojetos. se revelando ao longo de sua convivência acadêmica e, a seguir,. para o Santa Mônica Clube de Campo, fato que colabora com a. profissional. Cada um absorveu, à sua maneira, as informações do. divulgação de seu trabalho na cidade. Com a criação do curso de. seu contexto, da sua época e escolheu seus referenciais, que se. arquitetura na Universidade Federal do Paraná, em 1961, o. agregaram ao trabalho em conjunto, desde a graduação, numa. arquiteto é convidado para participar do quadro docente da. constante troca de idéias e ideais durante o período abordado neste. instituição na disciplina de Composição de Arquitetura. O ano de. estudo.. 1962 também é importante por sua atuação nas entidades de classe,. Luiz Forte Netto nasceu 19 de fevereiro de 1936, em São Paulo. Antes de se decidir pelo curso de arquitetura, Forte Netto havia se interessado pelo curso de engenharia civil. Convencido pelo colega de escola Francisco Petracco, ingressa na Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, onde se forma em 1958. Durante a faculdade obtinha as melhores notas em Composição de Arquitetura devido à qualidade de suas propostas. Pragmático e disciplinado, tem como principal atributo a habilidade de liderança. Logo depois. como na fundação da seção do Paraná do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-PR), da qual se torna primeiro presidente. Em 1965, colabora intensamente no Plano Preliminar Urbanístico de Curitiba do IPPUC, órgão do qual é nomeado Diretor Presidente em 1967. Permanece no cargo até 1969, ano em que representa o Brasil, junto com José Maria Gandolfi, Roberto Luis Gandolfi, Vicente de Castro, José Hermeto Sanchotene e Abraão Assad da VI Bienal de Paris. Após o encerramento da sociedade com José Maria Gandolfi, Forte.
(22) 13. Netto trabalha em escritório próprio com os arquitetos Orlando Busarello e Dilva Slomp Busarello, formados pela UFPR em 1970 – até então colaboradores do escritório Forte Gandolfi. Em 1979, Forte Netto é nomeado chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, cargo que ocupa até 1981, quando é designado Coordenador de Colegiado do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR. Em 1980, Forte Netto colaborou na implantação do Curso de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), onde se torna professor até se aposentar. Em 1982, atuou na Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, como coordenador geral da reavaliação do Plano de Desenvolvimento Integrado da região Metropolitana de Curitiba (PDI-COMEC). Forte Netto se mantém centrado no planejamento urbano durante a década de 1980, e em 1990 trabalha no Pré-Plano de Valorização Urbanística – Aterro Sanitário Norte – RMC. Neste mesmo ano, é nomeado cidadão honorário do Paraná; título conferido por unanimidade pela Assembléia Legislativa. Em 2003, passa a ter atividade políticopartidária constante tendo sido empossado, pelo então Governador Roberto Requião, como coordenador técnico do Plano de Desenvolvimento Urbano e Regional para o Estado do Paraná. Em 2005 é transferido para o cargo de Secretário de Desenvolvimento. onde apresentou os principais projetos de sua trajetória profissional. José Maria Gandolfi é natural de São Paulo, capital, onde nasceu em 1933. José Maria entrou no curso de arquitetura na Universidade Mackenzie em 1954 e durante a faculdade, obteve suas melhores notas nas disciplinas de projeto e desenho, que exigiam habilidade técnica; desde então já era conhecido como exímio detalhista.1 Obtém o título de arquiteto em 1958 e depois de formado atua em São Paulo como colaborador de importantes arquitetos como Carlos Millan e Jorge Wilheim, tendo colaborado no projeto vencedor do Concurso Público de Projetos para a Sede do Jockey Clube em São Paulo, em 1959. É freqüente a sua participação em concursos de arquitetura, com arquitetos de renome e colegas de Mackenzie, sendo que muitos dos seus projetos foram premiados como o Centro Evangélico de Porto Alegre, em 1959 (com Francisco Petracco e Luiz Forte Netto) e a Assembléia Legislativa de São Paulo, em 1961 (com Eduardo Kneese de Melo, Joel Ramalho Jr, Francisco Petracco e Luiz Forte Netto). Em 1961, José Maria é convidado por seus colegas Luiz Forte Netto e Francisco Moreira para visitar Curitiba e, em 1962, a participar do concurso de anteprojetos para a sede do Santa Mônica Clube de Campo, na capital paranaense. Como o grupo obtém o primeiro lugar, em 1962, José Maria decide. Urbano do Estado do Paraná, onde ainda atua. Neste mesmo ano, foi laureado com uma sala da Bienal de Arquitetura de São Paulo,. 1. Conforme depoimento a autora de Luiz Forte Netto (03-03-2010), Joel Ramalho Jr (03-02-2010) e Francisco Petracco (20-10-09), colegas do Mackenzie..
(23) 14. mudar-se para a cidade e, assim, estabelece com Luiz Forte Netto o. também como arquiteto contratado da Companhia de Habitação. escritório Forte Gandolfi Arquitetos Associados, no ano de 1962. Em. Popular de Curitiba (COHAB-CT), colaborando com projetos. 1965 é criado o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de. importantes como o primeiro conjunto habitacional de Curitiba, a. Curitiba e José Maria, juntamente a Luiz Forte Netto, participa como. Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em 1966. Foi membro da. colaborador no Plano Preliminar Urbanístico de Curitiba – IPPUC. Em. primeira diretoria do IAB-PR de 1966 a 1968, mesmo período em. 1971, é convidado por Jaime Lerner, na época nomeado prefeito,. que integrou o grupo de arquitetos do IPPUC. Em 1966, iniciou sua. para assumir o cargo de Diretor de Parques e Praças de Curitiba.. carreira docente na UFPR como professor de Plástica e Composição. Atuou neste setor até 1974 quando o escritório já havia sido. de Arquitetura. Durante o ano de 1968, foi contratado como. dissolvido. Atualmente José Maria Gandolfi mantém escritório em. professor da Universidade de Brasília (UnB) no enfrentamento ao. Curitiba.. chamado “Semestre de Emergência”.. Roberto Luis Gandolfi nasceu em 4 de outubro de 1936, em São Paulo. Roberto, irmão de José Maria, ingressa na Faculdade de Arquitetura na Universidade Mackenzie em 1956. Pode ser considerado como o mais “artista” de todos, devido a sua grande habilidade com o desenho artístico. Formou-se arquiteto em 1961 e permaneceu em São Paulo trabalhando com seus colegas de turma como Luiz Gobeth Filho, e freqüentemente tinha seus trabalhos premiados; como o terceiro prêmio para o projeto do Clube XV de Santos, em 1963, em co-autoria com Luiz Gobeth Filho e Rodney Guaraldo. Em 1964 decide se transferir para Curitiba, onde associase ao escritório Forte Gandolfi e permanece até 1969. Este período, em que permanece junto a José Maria e Forte Netto coincide com o momento mais profícuo da sociedade. De 1965 a 1967 atuou. 2. Em 1969, participou. juntamente com Forte Netto, José Maria Gandolfi e outros colegas já citados, da VI Bienal Internacional de Arquitetura de Paris e teve participação na Exposição Brasileira de Arquitetura Contemporânea no MAM do Rio de Janeiro. Em 1973 foi premiado na categoria “Edificações” na 1ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e logo no ano seguinte foi premiado como “melhor arquiteto” do Paraná pelo IAB-PR e como “arquiteto do ano” pelo Diário Popular – Edição Especial. Em 1977 é contratado como professor na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), onde permanece até 1999. Roberto foi o fundador e primeiro presidente do Sindicato dos Arquitetos do Paraná, de 1980 a 1982. Desde 2001 é professor 2. PEREIRA, Miguel Alves. Ensino de Arte e Arquitetura. Acrópole, n. 369/70. Janeiro/ fevereiro, 1970. (Edição Especial da Universidade de Brasília). p. 35..
(24) 15. titular no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tuiuti. em escritório próprio em Curitiba e é professor na PUC/PR.. e em 2005 foi nomeado Diretor de Projetos do IPPUC. Atualmente trabalha em escritório próprio em Curitiba e se mantém como professor na Universidade Tuiuti. Joel Ramalho Junior é colega de Forte e Gandolfi e colaborou com o escritório desde sua mudança para Curitiba, em 1967, até o início da década de 1970. Nasceu em Tombos, Minas Gerais, em 1934 e em 1939 mudou-se com sua família para São Paulo, capital. Diplomouse arquiteto em 1959, na Universidade Mackenzie, e logo depois de formado se associou ao arquiteto Eduardo Kneese de Melo, com o qual desenvolveu projetos significativos em sua carreira como o projeto para o alojamento dos estudantes na Cidade Universitária – USP, em 1961. Em 1967, se transfere com a família para Curitiba, a convite do colega Luiz Forte Netto, e no mesmo ano já participa do concurso para o Instituto de Previdência do Estado do Paraná, do. Fig. 1. Da esquerda para direita: Roberto Luis Gandolfi, Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi, Jaime Lerner e Lubomir Fiscinski Dunin (1965). Fonte: Arquivo Roberto Gandolfi.. qual são vencedores. Em 1970 foi convidado a integrar o quadro. Até o momento da conclusão desta dissertação não obtivemos. docente da Faculdade de Arquitetura da UFPR na disciplina de. informações biográficas suficientes sobre o arquiteto Francisco. Composição de Arquitetura, cargo que ocupou por vinte e cinco. Moreira, quem foi colega dos arquitetos Forte e Gandolfi, formou-se. anos. Em 1973, Joel liderou a equipe vencedora do concurso para o. arquiteto em 1958, na Universidade Mackenzie, é natural de. BNDES de Brasília. De 1976 a 1977 foi presidente do IAB-PR e em. Jacarezinho, Norte do Paraná, e talvez o responsável pela migração. 1980 foi contratado como professor de Projeto na PUC-PR. Foi. destes arquitetos paulistas para Curitiba. Atuou no escritório Forte. coordenador. Gandolfi em seu início, com quem participou de alguns projetos. geral. da COMEC. –. Coordenação. da. região. Metropolitana de Curitiba, na gestão 1983/84 e atualmente trabalha. como o Clube Santa Mônica e residência Mário Petrelli..
(25) 16. 1.2. Formação: Universidade Mackenzie. virtude de sua boa reputação em São Paulo. O curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie foi. A formação dos arquitetos que migraram para Curitiba esteve imersa no entusiasmo sobre o modernismo e pontuado pelos inúmeros debates e a revisão dos seus princípios. Em meados de 1950, a formação em arquitetura em São Paulo apresentava o diálogo de duas escolas, FAU-Mackenzie e FAU-USP. Luiz Forte Netto e José Maria Gandolfi ingressaram no curso de arquitetura da Universidade Mackenzie em 1954, juntamente a Francisco Petracco. Forte Netto e Petracco eram colegas no Colégio Dante Aglieri e Petracco havia convencido Forte Netto para abandonar a idéia de cursar engenharia civil em troca da arquitetura, curso que tomara um rumo assertivo na capital paulista. No Dante, ambos já haviam se identificado com o professor Vicente Mecozzi, pintor e desenhista, que havia incentivado também outros a seguir o curso de arquitetura, como Telesforo Cristofani. Segundo Petracco, eles escolheram a Univeridade Mackenzie na época, pois as escolas públicas, em geral, eram menos recomendadas à “burguesia paulistana”.3 José Maria Gandolfi e. originário do currículo da Escola de Engenharia, assim como o curso da FAU-USP, mas a sua fundação é um pouco anterior, em 12 de agosto de 1947. A origem da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie é tema de dissertação de mestrado de Maria Teresa de Stockler Szolnoky, que mostra como o ensino se desenvolveu na instituição a partir de direção de Cristiano Stockler das Neves (18891982); quem apresentou um sistema de educação calcado nos moldes do curso que havia freqüentado (forma-se em 1911) na Universidade da Pensilvânia, EUA, baseado nas Beaux-Arts de Paris do final do século XIX. Freqüentemente taxado de “censor” do Modernismo, Sockler das Neves manteria essa posição até sua aposentadoria do curso, em 1956. Em 1912, ao retornar dos Estados Unidos, Christiano Stockler das Neves4, tornou-se professor da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo, e em 1917 instituiu o Departamento de Arquitetura na Escola, do qual foi designado diretor. O método de ensino que Stockler das Neves estabeleceu no. Roberto Gandolfi também vinham de uma família de classe médiaalta e, provavelmente, escolheram a Universidade Mackenzie em 3. PETRACCO, Francisco. Arquitetura: Desenho, Estrutura e Ritmo. (Tese de Doutorado). São Paulo: FAU-USP, 2004. p. 27.. 4. Além da curta gestão como prefeito de São Paulo (março a agosto de 1947), Stockler das Neves foi arquiteto respeitado no cenário paulista, tendo o seu projeto mais significativo, a Estação de Ferro Sorocabana (1922), atual Estação Júlio Prestes, recebido o prêmio de honra do 3º Congresso Pan-Americano de Arquitetura, realizado em Buenos Aires, em 1927. Foi também vice-reitor da Universidade Mackenzie de 1952 a 1955. Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural – Artes Visuais..
(26) 17. Mackenzie estava atrelado à educação das “Fine-Arts Schools”. A FAU-Mackenzie era repleta de professores preocupados com a. norte-americanas que, segundo Gustavo Pereira, seguia os preceitos. harmonia e o equilíbrio que dá ao desenho seu verdadeiro contexto. das Belas Artes de Paris5, por exemplo, na utilização de elementos. na produção da arquitetura7, como aponta Francisco Petracco.. arquitetônicos tradicionais e pela busca da composição clássica. Dentre os professores do seu quadro docente estavam Francisco. (regida pelos princípios de harmonia, equilíbrio, simetria). O ensino. Kosuta (de Técnicas), Roberto Zuccolo (de Estruturas), Elisário. nas Belas Artes tem o desenho como o centro em torno do qual. Bahiana (de Composição), Franscisco de Andrade (de História da. gravita a formação do artista, seja qual for a sua especialidade, e. Arquitetura) e Augusto Carlos de Vasconcelos (de Concreto. essa característica permeava tanto os cursos de engenharia como de. Protendido), o professor Pedro Corona aparece com destaque nos. arquitetura no caso do Mackenzie. Era vigorosa a ênfase dada ao. depoimentos dos arquitetos comentados. “Sua metodologia inseria. useful learning – método voltado à pesquisa e ao uso de novos. o desenho dentro de um critério de observação, crítica e criação”.8. materiais e técnicas construtivas – bem como a orientação seriada. Além disso, na FAU-Mackenzie o ensino de arquitetura era voltado. das disciplinas, o emprego do pragmatismo eficiente na formação. para o projeto de arquitetura, da edificação em si e sem muita. de novos profissionais e a obrigatoriedade da prática profissional. preocupação com o “sítio”. Segundo Petracco, a prancheta era o. (estágios) em escritórios de arquitetura. Em depoimento, Stockler. objetivo do curso, assim o aluno saía um especialista.9 Este. das Neves (1930) afirma que “o arquiteto é um artista e um técnico. depoimento é corroborado por seu colega, Joel Ramalho Jr, quando. que projeta e dirige suas obras, com exclusão de toda atividade. conta sobre as atividades das principais disciplinas: “nós éramos. comercial das mesmas”.6 Para ele, o arquiteto deveria se limitar às. obrigados a assistir aulas no SENAI, para aprender assentar tijolos,. funções do campo profissional - concepção, planejamento e. mexer no cimento […] estas atividades práticas eram muito. especificação - e deveria evitar ser empreiteiro de obras.. interessantes”.10. 5. PEREIRA, Gustavo. Christiano Stockler das Neves e a formação do curso de arquitetura no Mackenzie College. Um estudo sobre a disseminação dos métodos da "École des Beaux-Arts de Paris" e das "Fine-Arts Schools" Norte-americanas. Dissertação (mestrado em Arquitetura e Urbanismo). São Paulo: FAU-Mack, 2005. 6 Apud SZOLNOKY, Maria Tereza de S. B. O ensino de arquitetura e Christiano Stockler das Neves (dissertação de mestrado). São Paulo: FAU-Mackenzie, 1995.. 7. PETRACCO, Francisco. Op. cit. p. 28. Idem. p. 29. 9 Em depoimento a autora, em 20/10/09. 10 Em depoimento a autora, em 03/02/10. 8.
(27) 18. organizar o caminho para chegar lá. Ele queria este caminho; então estudemos os clássicos, e depois as coisas se 12 desencadeiam.. Em 1956, a união entre alguns estudantes, revoltados com a metodologia acadêmica ainda presente da formação no curso de Arquitetura. na. Universidade. Mackenzie,. ocasionou. uma. transformação da faculdade. Petracco, Joel e Forte Netto contam que seu grupo assumiu a linha de frente contra as doutrinas de Stockler das Neves e promoveu uma greve no edifício Chamberlain, de onde não poderia sair nem entrar ninguém até que a diretoria fosse destituída. E assim foi. Por este e, possivelmente, outros. Após a saída de Stockler das Neves, o professor e engenheiro Américo da Graça Martins assumiu a direção e, em 1958, Adolf Franz Heep entrou para o quadro docente da instituição, arquiteto suíço cujo trabalho despertava admiração dos alunos pelo rigor tecnológico e concisão projetual, aliados ao cuidado acurado aos detalhes e acabamento das obras.. motivos, Stockler das Neves deixou o cargo depois de nove anos como diretor da FAU-Mackenzie. Petracco afirma, hoje, que a turma agiu de maneira deliberada e que entende a posição do diretor que, apesar de ter uma visão rígida enquanto professor tinha muito afeto pela arquitetura e pela qualidade que, naquele momento, os alunos não entenderam bem.11 De acordo com depoimento de Paulo Mendes da Rocha, Cristiano Stockler das Neves não pode ser considerado um homem que não fosse inteligente, pois ele sabia que sua metodologia era um andamento histórico e que ele a compreendia muito bem. O caminho melhor seria compreender o gênesis de tudo isso; uma formação acadêmica ou uma formação meticulosa qualquer em relação à questão de aspectos formais de equilíbrio, de composição, que não impediriam que você se dedicasse ao que estava ocorrendo de fato no mundo. Acho que a idéia dele era. 11. Depoimento a autora, em 20/10/09.. O pragmatismo americano13 adquirido na graduação, os estágios e a prática profissional, logo depois de formados, possibilitaram o interesse dos arquitetos do Mackenzie pela sistemática projetual, com o objetivo maior de resolver adequadamente o programa estabelecido e com integração correta ao lugar específico. Isto foi muito importante para a exitosa participação desses arquitetos em concursos de arquitetura, como no caso de Forte e Gandolfi e outros colegas de Mackenzie. O currículo estabelecido por Stockler das Neves era imbuído de preceitos da arquitetura clássica – com aulas. 12. Depoimento em 02/03/05 publicado em MATERA, Sérgio. Carlos Millan: um estudo sobre a produção em arquitetura. Dissertação (Metrado em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo). São Paulo: FAU-USP, 2005. p. 26. 13 Sobre a organização e desenvolvimento do curso do Mackenzie, enquanto voltado à instrução pragmática americana, Cf. STEWART, Charles T. Mackenzie College – Escola Americana – notas sobre sua história e organização. São Paulo, s.e. 1932; PEREIRA, Gustavo. Op. Cit..
(28) 19. teóricas sobre arte, história da arquitetura – e ênfase na arquitetura. rebatimento diferente do pós 1964, segundo Petracco. “Mesmo em. neoclássica,14 mas os ex-alunos lembram que aprenderam a “fazer. trincheiras opostas se era fraterno [...] o Vianinha [Oduvaldo Vianna. arquitetura” aliando sua formação acadêmica com sua prática. Filho], comunista participativo, era carinhosamente chamado de. profissional. Luiz Forte Netto afirma que as principais referências da. Vermelhinho”. 17 Extraclasse, havia bastante movimentação entre os. arquitetura na época eram os próprios professores e os arquitetos. estudantes, sendo freqüentes as assembléias no DAFAM18, tanto. com quem eles trabalhavam. Forte Netto afirma que foram nos. para discussões acadêmicas quanto políticas, entre alunos do. estágios e na convivência com arquitetos como Carlos Millan, Fábio. Mackenzie e participação de alunos da FAU-USP. A própria relação. Penteado e Pedro Paulo de Melo Saraiva, todos egressos do. entre colegas da FAU-USP, localizada na Rua Maranhão, era. 15. Naquele. promovida em virtude da união e participação conjunta pela. tempo de poucos escritórios de arquitetura, e de poucos alunos. profissão. De acordo com Dalva Thomaz, a aglutinação promovida. também, era nos ateliers que realmente se aprendia a fazer. pelas Faculdades de Arquitetura em São Paulo, no início de 1950,. arquitetura. Por isso, o estágio em escritório de arquitetura fazia. estimulava a reunião entre ambas o que possibilitava, devido a. parte da grade curricular16 do curso desde o segundo ano. As. proximidade geográfica, certa troca entre professores e estudantes,. atividades paralelas ao curso eram intensas e de grande importância. cujas diferenças de formação acadêmica permitiam que se. para a formação pessoal e profissional; contribuíam para o desejo. estabelecesse ora o confronto, ora a paridade.19. de participação de atividades em grupo e promoviam uma disputa. segundo Fábio Penteado, mesmo com a proximidade entre ambas. salutar entre colegas.. instituições, o encontro entre os estudantes destas faculdades não. Mackenzie, que desenvolveu a prática da arquitetura.. Naquele período, os conceitos e a imagem política tinham. Entretanto,. era um fato real pois “havia na FAU-USP um radicalismo ideológico e político, às vezes até impossibilitando o relacionamento com. 14. Petracco conta que Christiano Stockler das Neves, quando professor da disciplina de Composição (Projeto) utilizava o critério de avaliação das Belas Artes e exigia a linguagem neoclássica, sendo que, caso o aluno fosse contrário, receberia nota abaixo de 4 e uma observação: FC – fora de concurso. 15 Depoimento a autora, em 03/0/10. 16 Verificar grade curricular da época nos anexos deste trabalho.. 17 18. PETRACCO, Francisco. Op. cit. p. 29.. Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura Mackenzie, criado por Carlos Millan, Jorge Wilheim e Luiz Roberto Carvalho Franco em 1949. 19 THOMAZ, Dalva E. Um Olhar sobre Vilanova Artigas e sua Contribuição à Arquitetura Brasileira. Dissertação (mestrado). São Paulo: FAU-USP, 1997, p. 241..
(29) 20. algumas personalidades que seriam necessárias para a sua. veemente divulgação da obra de Oscar Niemeyer, no Brasil e no. formação.”20. exterior, amplificando a atenção para o movimento moderno. Além. O grupo de arquitetos veteranos que já havia se unido enquanto estudantes, como Pedro Paulo de Melo Saraiva, Jorge Wilheim, Fábio Penteado, Alfredo Paesani, Paulo Mendes da Rocha e Carlos Millan, foi referência para Forte Netto e Gandolfi. Segundo Fernando Mendonça, estes arquitetos discutiam a arquitetura em paralelo, influenciados pelos grandes mestres da arquitetura moderna. da arquitetura racional de Gregori Warchavchik e Rino Levi, o interesse pela arquitetura norte-americana, no exemplo de Richard Neutra23, e a questão da industrialização da construção civil aparece em destaque. Naquele momento, a propagação da arquitetura moderna brasileira alcançou uma posição de prestígio, como defende Vilanova Artigas (1977), A década de 50 carcterizava-se para a história da arquitetura brasileira pela planificação e construção de Brasília. Note-se que arquitetura brasileira representada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer já gozava nacionalmente de prestígio suficiente para não ser necessária uma “cobertura” técnico-cultural estrangeira 24 para enfrentar tarefa desse tamanho.. brasileira e por seus manifestos marcantes como os de Lucio Costa (Razões da Nova Arquitetura, 1934) e de Artigas (Os Caminhos da Arquitetura Moderna, 1952).21 Nos anos 1950, o debate sobre as atribuições profissionais e sobre o. 25. ensino de arquitetura tornou-se mais evidente e intenso, em. João Batista Vilanova Artigas, na época professor na FAU-USP. ,. especial pelo interesse dos estudantes na Nova Arquitetura. A figura. aparece discretamente como referência na época, segundo Luiz. de Le Corbusier aparece como referência fundamental para os. Forte Netto. Artigas aparecia como liderança na proposta de uma. alunos da época22, fato confirmado em 1951, quando suas obras em. arquitetura nacional-desenvolvimentista e na defesa da participação. concreto aparente foram expostas nos painéis da I Bienal Internacional de São Paulo. Também permearia à sua formação a 20. Depoimento publicado em PENTEADO, Fábio. Ensaios de Arquitetura. São Paulo: Empresa das Artes, 1998. p. 19. 21 De acordo com MENDONÇA, Fernando de M. Pedro Paulo de Melo Saraiva: 50 Anos de Arquitetura. São Paulo: FAU-MACK, 2006. p. 13. 22 Conforme depoimento a autora de Luiz Forte Netto (03-03-2010), Joel Ramalho Jr (03-02-2010) e Francisco Petracco (20-10-09), estudantes do Mackenzie de 1954 a 1958.. 23. Segundo Mônica Junqueira de Camargo (Interlocução – Seminário PROCAD, Mackenzie 28/04/10), a Revista Pilotis n. 4 traz a publicação inédita da residência Treweek (1948), Silver Lake (EUA) de Richard Neutra. Esta revista teve poucos exemplares e era editada pelos alunos do Mackenzie, dentre eles Jorge Wilheim e Carlos Millan. 24 In: Sobre a História do Ensino de Arquitetura no Brasil. São Paulo: Associação Brasileira de Escolas de Arquitetura. P.31-38. Apud SEGAWA, 1998, p. 144. 25 Local onde permaneceu até 1969, quando afastado do cargo pelo regime militar, tendo retornado com a anistia no começo dos anos 1980.
(30) 21. ativa do arquiteto na formação social do país. Em 1956, no seu discurso Rumos do ensino de arquitetura, Artigas se demonstrava contra a metodologia da prática profissional exaustiva estabelecida nas escolas de arquitetura, muito devida aos vícios de origem. […] o erro fundamental do ensino da arquitetura repousa num vício de origem – na herança das escolas de engenharia, que, em épocas passadas, prepararam profissionais para a construção e donde ainda emanam os programas e os mestres para os cursos de hoje. Arquitetos preparados como se fossem engenheiros não poderiam responder às solicitações propostas pela prática sem desvios que os afastassem da profissão legítima, das evoluções e das soluções arquitetônicas puras, às quais a imaginação juvenil 26 atribui virtudes sobrenaturais.. No caso da formação dos arquitetos Forte e Gandolfi o ambiente de aprendizado era bastante variado. Os diálogos “extra classe” eram ricos e a importância para a linguagem arquitetônica se fazer entender no canteiro obrigava-os a um raciocínio construtivo, buscando uma fiel reprodução do projeto. “É importante frisar que, por se tratar de futuros colegas de profissão, nos diálogos é que se aprendia mais do que em muitas horas de aula.”. 27. Seja nas. atividades acadêmicas ou em reuniões na casa de colegas, como na casa de Francisco Petracco, o interesse pela parceria profissional e a postura de arquiteto instrutor prevaleciam. Até mesmo nos bares da. pedaços de papel, em meio a longas conversas de bar. Outro local freqüentado por esses arquitetos, ainda quando estudantes, era a sede do IAB-SP. Muito próximo das dependências da FAU-MACK, os encontros possibilitavam a convivência intensa com arquitetos como Eduardo Kneese de Melo, Carlos Millan, Pedro Paulo de Melo Saraiva e também Vilanova Artigas. Nesta época, final dos anos 1950 e início de 1960, o IAB estava sendo disputado pelas frentes políticas (direita e esquerda, comunista) como aponta Paulo Bastos, “o IAB foi a primeira entidade civil tomada pela direita” 28, mencionando a perda de Carlos Millan à presidência em 1963, para o arquiteto Alberto Botti (gestão 1963-65). Como tinham domínio das novas técnicas e materiais, ainda no Mackenzie, Forte Netto e Gandolfi, entre outros colegas, eram bastante requisitados para colaborar em concursos e em trabalhos dos grandes escritórios; muitas vezes sobrecarregados de encomendas. O convívio com uma geração de respeitados arquitetos do cenário paulista e brasileiro foi uma importante escola para estes jovens arquitetos que, na época, buscavam a experiência em projetar e se demonstravam interessados no ideário moderno, sua discussão e revisão, sem abandonar os seus princípios.. Rua Maria Antônia as idéias e novas propostas eram explicitadas em 28 26. In Caminhos da Arquitetura. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 65. 27 PETRACCO, Francisco. Op. cit. p.30.. Depoimento a Sergio Matera em 18/02/2005. Publicado em MATERA, Sérgio. Op. Cit. p. 93..
(31) 22. 1.3. O início da atividade profissional dos arquitetos em São Paulo. Enquanto estudantes, Luiz Forte Netto e José Maria Gandolfi puderam trabalhar com grandes personalidades da arquitetura. “A arquitetura era a profissão mais importante do mundo”.29 Segundo depoimento de Joel Ramalho Jr., Oscar Niemeyer despontava como referência nas edições sobre Arquitetura. paulista, e brasileira, como Pedro Paulo de Melo Saraiva e Fábio Penteado. Com Pedro Paulo, José Maria e Forte Netto participaram do concurso para o Plano Piloto de Brasília, em 1957.. Brasileira, como nas publicações da revista francesa Architecture d’Aujourd’hui, entre outras. O projeto de Brasília aparecia como um marco na arquitetura brasileira e como ápice da profissão no país. O impacto que causou sua divulgação colaborou na potencialização da participação de arquitetos e urbanistas em projetos e planos diretores realizados em todo o país, num processo que permitiu ampla aceitação do papel e atribuições do arquiteto perante a sociedade. Havia uma esperança despertada por Juscelino Kubitschek e o crescimento do Brasil criou um cenário favorável para os arquitetos, em especial, os recém formados neste período.. Pedro Paulo de Melo Saraiva, formado em arquitetura pela Universidade Mackenzie em 1954, abriu seu primeiro escritório, ainda estudante, com os colegas Nelson Morse e Djalma Macedo de Soares.30 Em 1956, Saraiva estabeleceu escritório no Edifício Califórnia, dividindo a sala com os colegas Júlio Neves, Maurício Tuck Schneider, Alfredo Paesani, Hoover Américo Sampaio e Jorge Nasser. Ainda recém formado, decidiu participar do concurso para o Plano Piloto de Brasília, em parceria com o arquiteto Júlio Neves, os engenheiros Rubens Paiva e Carlos Kerr Anders. José Maria Gandolfi e Luiz Forte Netto aparecem como colaboradores no projeto, assim. Alguns exemplos dos trabalhos que os arquitetos Luiz Forte Netto,. como Maurício Tuck Schneider e Arthur de Moraes Cesar.. José Maria Gandolfi, Roberto Gandolfi e Joel Ramalho Jr, desenvolveram após a conclusão do curso na Universidade Mackenzie estão presentes neste subcapítulo, em especial a colaboração em projetos com Pedro Paulo de Melo Saraiva, Eduardo Kneese de Melo e Fábio Penteado.. O concurso para a nova capital brasileira ocorreu em 1956, cumprindo uma antiga proposição contida na Primeira Constituição Republicana de 1891, quando já era imposta a transferência da capital federal para o interior. No governo de Juscelino Kubitschek é que este fato histórico efetivamente toma um rumo, quando ele. 29. Depoimento a autora em 03-02-2010.. 30. MENDONÇA, Fernando de M. Op. cit. p. 19..
(32) 23. sanciona a Lei nº 2874, em 1956, criando a Companhia Urbanizadora. permanente da obra de Saraiva se caracteriza pela técnica. da Nova Capital (NOVACAP), então presidida pelo engenheiro. construtiva do concreto armado e pelo cuidado com a estrutura e. mineiro Israel Pinheiro. Em seguida, em setembro de 1956, foi. com a forma, sem prejuízo dos aspectos funcionais, o que pressupõe. aprovado o edital do Concurso do Plano Piloto, do qual. uma estreita relação entre geometria e cálculo. Ao adotar uma. participariam 26 equipes. Como vencedor, foi anunciado, em 15 de. permanente ênfase na experimentação, o arquiteto acredita que a. março de 1957, o projeto de autoria de Lucio Costa. Grande parte. criatividade é indispensável, mas se baseia sempre no conhecimento. das propostas apresentadas para o Plano Piloto de Brasília estava. construtivo estrutural.34. inserida nos moldes da Carta de Atenas (1933), cujo conceito de urbanismo implica no abandono do estetismo gratuito e coloca-se na ordem funcional, com três funções principais: habitar, trabalhar e recrear-se.31 O Plano de Lucio Costa não poderia ser diferente, mas também incorpora a heterogeneidade compatível com o tema da monumentalidade. A plena execução deste projeto é considerada por muitos arquitetos e teóricos como o coroamento de uma etapa do Movimento Moderno brasileiro32. A proposta da equipe de Pedro Paulo Saraiva tira partido da proximidade com o lago ao implantar o centro cívico, imerso nos ensinamentos urbanos e arquitetônicos de Le Corbusier.33. De. acordo com as conclusões de Fernando Mendonça, o traço. Fig. 2. Croquis da proposta, Pedro Paulo de M. Saraiva e equipe (1956). Fonte: MENDONÇA, 2006, p. 95. 31. Carta de Atenas, Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, novembro de 1933. Disponível em http://www.icomos.org.br/cartas/Carta_de_Atenas_ 1933 .pdf Acesso em 17-05-2010. 32 PEREIRA, Miguel. In: Arquitetura Brasileira após Brasília/ Depoimentos. Rio de Janeiro: IAB, 1978, p. 76.. 33. Idem. p. 20.. 34. MENDONÇA, Fernando de M. Op. cit. p. 159-60..
(33) 24. trabalhar no escritório de Fábio Penteado, tendo participado de alguns projetos premiados como o Paço Municipal de Campinas (1957, como colaborador), de Fábio Penteado, Alfredo Paesani e José Maria Gandolfi, e do concurso para a Sede do Clube Harmonia em São Paulo (1958), no qual obtiveram o primeiro prêmio. Em síntese, o programa para o clube Harmonia contemplava uma sede social com salas de jogos, restaurante e boate, um departamento esportivo e ginásio coberto com duas quadras. Em um terreno de aproximadamente 24.000 m², com acentuado aclive de seis metros, o projeto da equipe de Penteado propunha três edifícios, que seriam executados em etapas: sede social, pavilhão infantil e ginásio. O volume da sede social era um prisma retangular elevado por pilotis, onde o pavimento térreo recessivo viabilizaria a permeabilidade espacial, organizando um edifício com estrutura modular regular. Já o ginásio propunha uma solução formal mais Fig. 3. Capa projeto da equipe de SARAIVA (1957) Fonte: http://www.ppms.com.br/brasilia.swf . Acesso em 10/05/2009.. arrojada, em concreto protendido. A implantação do conjunto tomou partido da disposição proporcional do terreno e do posicionamento das quadras poliesportivas e áreas de lazer, independentes das edificações. Esta proposta, vencedora do concurso, para o Clube Harmonia não. Luiz Forte Netto já havia trabalhado com Carlos Millan e Jorge. foi construída, pois fora rejeitada pela diretoria na época. Em 1964,. Wilheim enquanto estudante e no final do ano de 1957 começou a. Fábio Penteado e os arquitetos Teru Tamaki e Alfredo Paesani elaboraram uma nova proposta que foi efetivamente edificada..
(34) 25. Fábio Penteado, também formado pelo Mackenzie em 1953, já contava com três projetos realizados quando egresso da faculdade: a residência de Domingos Solha, em Campinas (1948) e dois edifícios, um na Rua Itacolomi (1951) e outro na Rua Peixoto Gomide (1953). Abriu seu primeiro escritório em 1954 numa sobreloja da Rua Riachuelo, em São Paulo. À convite de Kneese de Melo, Fábio Penteado mudou seu escritório para a sede paulista do Fig. 4. Implantação do Clube Harmonia (1958). Fonte: Revista Acrópole, n. 260. junho 1960. p. 195.. Instituto de Arquitetos em 1956. Este edifício fora ocupado pelos principais escritórios de arquitetura da época e tornou-se um foco de debate estimulante, onde aconteciam animadas reuniões de intelectuais, artistas, jornalistas e estudantes em geral, e não apenas de arquitetos.35 Além disso, a região era efervescente com vários equipamentos culturais como Teatro Itália, Biblioteca Municipal Mário de Andrade e Museu de Arte de São Paulo (antiga sede), e também por bares como Paddock, Paribar, Barba Azul e Redondo. Luiz Forte Netto permaneceu cerca de um ano associado a Fábio Penteado na sala do edifício do IAB-SP, entre 1959 e 1960. De acordo com Hayfa Sabbag, a sede do IAB-SP, na Rua Bento Freitas, no final dos anos 1950 era o reduto mais importante e mais freqüentado pela categoria; era o local onde ocorriam discussões e. Fig. 5. Maquete do Clube Harmonia (1958). Fonte: Revista Acrópole, n. 260. junho 1960. p. 194.. 35. PENTEADO, Fábio. Op. cit. p. 23..
(35) 26. troca de conhecimentos entre profissionais saídos das duas escolas. principal, e possuía um formato prismático regular recuado da. de arquitetura de São Paulo.36. cobertura – menção ao peristilo dos palácios de Brasília.. Os arquitetos Forte e Gandolfi e seus colegas de formação do Mackenzie realizavam seus trabalhos quase sempre em conjunto, inclusive os projetos para concursos de arquitetura. Segundo Forte Netto, eles visitavam os escritórios mais importantes daquela época, a fim de verificar se os arquitetos precisavam de auxílio na elaboração de propostas.. 37. Em 1961, Luiz Forte Netto e José Maria. Gandolfi participaram como colaboradores na proposta de Eduardo Kneese de Melo para o concurso da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, convidados pelo colega Joel Ramalho Jr que. Fig. 6. Croquis da proposta – Assembléia Legislativa de São Paulo (1961). Fonte: Revista Acrópole n. 273, agosto 1961. p. 311. trabalhava com Kneese de Melo. Também foram chamados para participar do certame os colegas Francisco Petracco, Roberto Luis Gandolfi e Luiz Gobeth Filho, ainda estudantes, e Sidney de Oliveira. O terreno estipulado para a sede do Legislativo situava-se no Parque Ibirapuera, próximo ao Monumento às Bandeiras, um local que não possuía nenhum marco vertical segundo Kneese de Melo. Assim, o projeto da equipe incluía uma torre alta, com planta-tipo em três pontas, onde se localizavam os 150 gabinetes dos deputados. O embasamento continha as tribunas e os plenários, além do acesso. A torre, elemento hierárquico mais importante da composição, não foi. projetada. SABBAG, Hayfa. Luiz Forte Netto: o moderno como matriz. Projeto Design, n. 284, São Paulo, out. 2003, p. 24-26. 37 Luiz Forte Netto em depoimento a autora em 03/03/10.. do. embasamento,. mas. posicionada. estrategicamente ao lado do acesso ao plenário e dependências privativas. Ambas as edificações seriam ligadas a uma passarela, até a altura do último pavimento do embasamento. A implantação do conjunto está ao sul do terreno junto a um grande espelho d’água; solução que preserva uma grande porção do terreno e cria uma praça cívica para manifestações públicas, além de valorizar o acesso ao edifício.. 36. acima.
(36) 27. Joel Ramalho Jr trabalhou associado à Kneese de Melo e Sidney de Oliveira até 1966, participando de projetos importantes como o dormitório de estudantes da Cidade Universitária da USP em 1961, o qual Joel afirma que foi planejado ainda muito influenciado pelo plano piloto de Brasília (1957).38. Fig. 7. Planta 1º Pavimento – Assembléia Legislativa de São Paulo (1961). Fonte: Revista Acrópole n. 273, agosto 1961. p. 312 Fig. 8. Vista aérea do conjunto com os primeiros blocos executados. Fonte: Acrópole, 1964, nº. 303, p. 94.. A proposta da equipe de Kneese de Melo recebeu o segundo prêmio, perdendo apenas para o grupo, também paulista, dos. De acordo com Aline Regino, este projeto era destinado à moradia. arquitetos Adolpho Rubio Morales, Ricardo Sievers e Rubens. estudantil e deveria ter capacidade para alojar de 2000 a 2500. Carneiro Vianna. Logo após este concurso, em 1961, Luiz Forte. alunos, totalizando 45 mil m². Para atingir o número de estudantes. Netto encerra suas atividades em São Paulo e muda-se para Curitiba.. 38. Em depoimento a autora em 02/03/2010..
(37) 28. foram projetados doze edifícios de seis pavimentos sobre pilotis,. No início de 1960, Gandolfi trabalhou com Pedro Paulo de Melo. com área livre entre os edifícios projetada para o lazer, como. Saraiva, tendo se destacado na participação do projeto, em co-. descanso para os estudantes.39. autoria, para o edifício residencial Solar do Conde (1962), na Rua. José Maria Gandolfi trabalhou com Carlos Millan e colaborou com o. Pará, em São Paulo.. projeto para o Jockey Clube de São Paulo, em 1958, junto a Maurício Tuck Schneider e Jorge Wilheim, quando premiados com 1º lugar no concurso nacional de anteprojetos para a nova sede.. Fig. 9. Sede Jockey Clube de São Paulo (1958): Carlos Millan e equipe. Fonte: MATERA, 2005. p.112. 39. REGINO, Aline N. Eduardo Kneese de Melo: Arquiteto. Análise de sua contribuição à habitação coletiva em São Paulo. Dissertação (Mestrado em Arquitetura). São Paulo: FAU-Mackenzie, 2006. p. 229.. Fig. 10. Edifício Solar do Conde (1962): Pedro Paulo de Melo Saraiva e José Maria Gandolfi. Fonte: MENDONÇA, F. M. 2006, p. 104..
(38) 29. Roberto Luis Gandolfi, logo depois de formado, em 1961, trabalhou freqüentemente com o colega Luiz Gobeth Filho. Em 1963, junto a Luiz Gobeth Filho e Rodney Guaraldo, teve sua proposta para o Clube XV de Santos premiada com o terceiro lugar. O concurso para a nova sede do clube de Santos teve com vencedora a proposta de Pedro Paulo de Melo Saraiva e Francisco Petracco. O projeto de Gandolfi, Gobeth e Guaraldo consistia em um edifício que Fig. 12. Croqui Clube XV (1963) – Proposta de Gandolfi, Gobeth e Guaraldo. Fonte: Revista Acrópole n. 294, maio 1963. p. 167. aproveitava a implantação no terreno triangular e que permitia a circulação de veículos e pedestres por uma via cortando transversalmente o lote. Para isso, o primeiro pavimento foi. É interessante verificar que a maioria dos projetos de que. elevado, ocupando a maior parte do terreno, que resultaria numa. participaram, em especial para concursos de arquitetura, tinham o. barra horizontal suspensa que interpenetraria a edificação mais alta.. uso voltado para clubes recreativos e de reuniões sociais. Desde a. No térreo encontrava-se o setor administrativo e nos demais. participação no projeto para o Clube Paulistano (1958). pavimentos, os ambientes de lazer e social do clube.. proposta para o Clube XV de Santos (1963), ano em que Forte Netto. 40. até a. e José Maria não habitavam mais São Paulo, foram cerca de onze projetos premiados em concursos de arquitetura, que envolviam os arquitetos estudados, sendo que seis projetos serviam ao programa de clubes recreativos. O primeiro projeto dos arquitetos Forte e Gandolfi a ser realizado em Curitiba não poderia ser diferente; tratase do Clube de Campo Santa Mônica (ver segundo capítulo).. 40. Fig. 11. Implantação Clube XV (1963) – Proposta de Gandolfi, Gobeth e Guaraldo. Fonte: Revista Acrópole n. 294, maio 1963. p. 167. Equipe de Pedro Paulo de Melo Saraiva, Júlio Neves, José Maria Gandolfi e Luiz Forte Netto, cujo projeto recebeu o segundo prêmio. Os vencedores deste concurso foram Paulo Mendes da Rocha e João Eduardo de Gennaro..
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