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Efeito de dexmedetomidina sobre lesão pulmonar aguda em modelo experimental de isquemia‐reperfusão

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Academic year: 2021

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Efeito

de

dexmedetomidina

sobre

lesão

pulmonar

aguda

em

modelo

experimental

de

isquemia-reperfusão

Ömer

Burak

Küc

¸ükebe

a

,

Deniz

Özzeybek

b

,

Ruslan

Abdullayev

a,∗

,

Adil

Ustao˘

glu

c

,

Is

¸ıl

Tekmen

d

e

Tuncay

Küme

e

aAdıyamanUniversityResearchandEducationalHospital,DepartmentofAnesthesiologyandReanimation,Adıyaman,Turquia bDokuzEylülUniversityMedicalFaculty,DepartmentofAnesthesiologyandReanimation, ˙Izmir,Turquia

cZonguldakAtatürkHospital,DepartmentofAnesthesiologyandReanimation,Zonguldak,Turquia dDokuzEylülUniversityMedicalFaculty,DepartmentofHistologyandEmbryology, ˙Izmir,Turquia eDokuzEylülUniversityMedicalFaculty,DepartmentofMedicalBiochemistry, ˙Izmir,Turquia

Recebidoem1demarçode2015;aceitoem17deagostode2015

PALAVRAS-CHAVE Experimental; Dexmedetomidina; Lesãodereperfusão; Lesãopulmonar aguda Resumo

Objetivo: Alesãodeisquemia-reperfusãoéumadasconsequênciasdaaplicac¸ãodotorniquete emcirurgiasdeextremidades.Oobjetivodoestudofoideterminaroefeitodedexmedetomidina emlesãopulmonaragudaapósmodeloexperimentaldeisquemia-reperfusãoemextremidade inferiorderatos.

Métodos: VinteeoitoratosalbinosWistarforamrecrutadosapósaprovac¸ãodoComitêdeÉtica ealocadosemquatrogrupos,cadaumcomseteindivíduos.OGrupo1(Sham)recebeuapenas anestesia.OGrupo2(IR)foisubmetidoa3horasdeisquemiae3horasdereperfusãocomo usodetorniqueteemextremidadeinferiorapósaaplicac¸ãodaanestesia.Osgrupos3(D-50) e4(D-100)foramsubmetidosaosmesmosprocedimentosdoGrupo2,excetoporreceberem 50 e 100mg.kg−1 dedexmedetomidina, respectivamente, porviaintraperitoneal uma hora

antesdaliberac¸ãodotorniquete.AmostrasdesangueforamcoletadasparaanálisedeTNF-␣ eInterleucina-6(IL-6).Amostrasdetecidopulmonarforamcoletadasparaanálisehistológica. Resultados: Nãohouvediferenc¸asignificativaquantoaosvaloressanguíneosdeTNF-␣eIL-6 entre osgrupos, enquanto osescores delesão em tecidos pulmonaresrevelaramdiferenc¸a significativa.OsescoreshistológicosobtidosnoGrupo2foramsignificativamentemaioresdo que osdos grupos1, 3e 4,com valores-pde 0,001para cadacomparac¸ão.Alémdisso, os escoresdoGrupo1foramsignificativamentemenoresdoqueosdosgrupos3e4,comvalores-p de0,001e0,011,respectivamente.Nãohouvediferenc¸asignificativaentreosgrupos3e4.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](R.Abdullayev).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.09.004

0034-7094/©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸a

(2)

Conclusão:Dexmedetomidinamostroueficácianareduc¸ãodelesãoemtecidopulmonar indu-zidaporisquemia-reperfusãoexperimentalemratos,ocasionadaporaplicac¸ãodetorniquete emextremidade.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Experimental; Dexmedetomidine;

Reperfusioninjury;

Acutelunginjury

Effectofdexmedetomidineonacutelunginjuryinexperimental ischemia---reperfusionmodel

Abstract

Objectiv:Ischemia-reperfusioninjuryisoneoftheconsequencesoftourniquetapplicationfor extremitysurgery.Theaimofthestudywastoestablishtheeffectofdexmedetomidineonthe acutelunginjuryfollowinglowerextremityexperimentalischemia---reperfusionmodelinrats. Methods:Twenty-eightWistar-AlbinobreedratswererecruitedafterEthicsCommittee appro-valandallocatedinto4groups,eachwith7subjects.Group1(SHAM)receivedonlyanesthesia. Group2(IR)hadexperienced3hofischemiaand3hofreperfusionusingleftlowerextremity tourniquetafteranesthesiaapplication.Groups3(D-50)and4(D-100)hadundergonethesame proceduresasintheGroup2,exceptforreceiving50and100mg.kg−1,respectively,

dexme-detomidineintraperitoneally1hbeforethetourniquetrelease.Bloodsampleswereobtained fortheanalysisoftumornecrosingfactor-␣andinterleukin-6.Pulmonarytissuesampleswere obtainedforhistologicalanalysis.

Results:Nosignificantdifferenceregardingbloodtumornecrosingfactor-␣andinterleukin-6 valueswasfoundamongthegroups,whereaspulmonarytissueinjuryscoresrevealedsignificant difference.HistologicalscoresobtainedfromtheGroup2weresignificantlyhigherfromthose intheGroups1,3and4withp-values0.001foreachcomparison.Moreover,Group1scores werefoundtobesignificantlylowerthanthoseintheGroups3and4withp-values0.001and 0.011,respectively.NosignificantdifferencewasobservedbetweentheGroups3and4. Conclusion:Dexmedetomidine is effective in reduction of the experimental ischemia---reperfusioninducedpulmonarytissueinjuryinrats,formedbyextremitytourniquet application.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

A suspensão do fluxo sanguíneo, isto é, isquemia teci-dual, e a reperfusão após um período de tempo são os principais mecanismos fisiopatológicos responsáveis por lesionarórgãos apósalgunsprocedimentos médicos,como transplante de órgãos, isquemia cerebral, acidente vas-cular cerebral, infarto do miocárdio, tromboembolismo, circulac¸ão extracorpórea e cirurgias vasculares, grande traumatismoechoquehemorrágico,bemcomo procedimen-toscirúrgicoscomousodetorniquete.1,2Alesãoisquêmica resulta principalmente da necrose celular devido à sus-pensãodeoxigênio.Ofornecimentodeoxigêniodurantea isquemianão é suficiente parasatisfazer asnecessidades metabólicasdascélulaseessacondic¸ãoresultanaativac¸ão do metabolismo anaeróbico.3 Quando o fluxo sanguíneo retorna novamente ao tecido, isto é, quando a reperfu-sãoteminício,oretornodofluxoparadoxalmenteaumenta o dano aos tecidos locais, juntamente com a resposta inflamatória,oqueresultaemdanosaórgãosdistantes.2,3 Muitosagentesinflamatóriosdemonstraramserresponsáveis poressesdanos,entreelesalesãodeisquemia-reperfusão

(LIR).2 As citocinas foram responsabilizadas por danos a órgãos distantes devido à LIR.4 Relatou-se que os níveis plasmáticosdofator-␣denecrosetumoral(TNF-␣), interleucina-1(IL-1)eIL-6estavamelevadosemtecidorenal epulmonarapósisquemiaemmembroposterior.5Os medi-adoresliberadosapósisquemia-reperfusão(IR)resultamem lesõesorgânicaslocaisedistantespormeioderadicaislivres deoxigênioeleucócitos.6,7Efeitosimunorreguladores nega-tivos de noradrenalina foram demonstrados na formac¸ão demediadoresdeorigemmonocítica/macrofágica(TNF-␣, IL-1, IL-6)eessesefeitosestavamligadosa adrenorrecep-tores␤e␣2.8

Dexmedetomidinaéumagonista␣2-adrenérgicopotente eseletivo,od-isômerofarmacologicamenteativoda mede-tomidina, que é metabolizado no fígado. Seu uso foi aprovado para sedac¸ão em unidade de terapia intensiva e tem propriedades sedativas e analgésicas.9,10 pou-cosestudosnaliteraturasobreosefeitosanti-inflamatórios dedexmedetomidina.11---16Yagmurduretal.14demonstraram quedexmedetomidinadiminuiosníveisdemalondialdeídoe hipoxantina(quesãoformadosapósaIR),apósaaplicac¸ão detorniqueteparacirurgiadeextremidadesuperior.Embora

(3)

tenhasidodemonstrado quedexmedetomidinatemalguns efeitosprotetoresem LIRlocalizada,nãoencontramosum estudodeseusefeitossobrearespostainflamatória sistê-micaedanosemórgãosdistantes.

Nossoobjetivofoiavaliarosefeitosdeduasdoses dife-rentesdedexmedetomidinasobrealesãopulmonaraguda apósmodeloexperimentaldeisquemia-reperfusãoem mem-bros inferiores de ratos. A hipótese teve como base os possíveisefeitosprotetoresdedexmedetomidinaelevouem considerac¸ãoseusefeitosanti-inflamatórios.

Métodos

EsteestudofoiconduzidonoLaboratóriodeExperimentac¸ão Animal da Faculdade de Medicina da Universidade Dokuz Eylul entre 01/01/2009 e 31/05/2009, após obter a aprovac¸ão doComitêdeÉticapara EstudosExperimentais emAnimaisdaUniversidadeDokuzEylul,Esmirna,Turquia (24/11/2008, n◦ 134, Presidente Prof. M. Olguner). Vinte eoitoratos, fêmeasadultas,darac¸aWistar-Albino,entre 250-340g, foramusados para o estudo. Osanimais foram alimentadoscomrac¸ãopadrãoeáguaemantidosemciclos de12horasdeclaro/escuroparaadaptac¸ãoantesdoinício doestudo.Temperaturaeumidadetambémforam padroni-zadas.

Osratosforammantidosemjejumpor12hantesdo pro-cedimentocirúrgico, receberamsomente água. Cadarato foi pesado antes da experiência e as doses de dexmede-tomidina foramcalculadas.A distribuic¸ão dos animaisem quatro grupos foi feita de modo aleatório com o método deenvelopelacrado:Grupo1(Sham,n=7)recebeuapenas anestesia,comobtenc¸ãodeamostradesanguenaprimeira horade reperfusãoe amostras desangue e tecidono fim dareperfusão;Grupo 2s (IR, n=7) foisubmetidoa 3h de isquemiae3hdereperfusãoeusoutorniqueteemmembro posterioresquerdoapósaaplicac¸ãodaanestesia.Amostras desangueforamcolhidasnaprimeirahoradereperfusãoe amostrasde sanguee tecido nofimdareperfusão;Grupo 3(D-50,n=7)foisubmetidoaosmesmosprocedimentosdo Grupo2,excetoporreceber50␮g.kg-1dedexmedetomidina

(Precedex, Abbott Laboratories Ltd., North Chicago ABD, 100␮g.mL-1)porviaintraperitoneal1h antesdaliberac¸ão

do torniquete; Grupo 4 (D-100, n=7) foi submetido aos mesmos procedimentos do Grupo 2, exceto por receber 100␮g.kg-1dedexmedetomidinaporviaintraperitoneal1h

antes da libertac¸ão do torniquete. Novamente, amostras desangueforamobtidasnaprimeirahoradereperfusãoe amostrasdesanguee tecidonofim dareperfusãoparaos grupos3e4.

Aanestesiafoiadministradaporviaintraperitonealcom mistura de50mg.kg−1decetamina (PfizerPharmaGmbH,

Alemanha)e10mg.kg−1decloridratodexilazina(Alfazine,

2%,Egevet).Aisquemiafoifeitacomgarroteelástico(1cm delargurae30cmdecomprimento)aplicadoàregião ingui-naldomembroposterioresquerdo.Otorniquetefoiliberado para estabelecer a reperfusão após o período de tempo determinado.Atemperaturaambientefoimantidaestável, a mesa de operac¸ão foi aquecida para proteger os ratos de hipotermia e a temperatura corporal dos animais foi mantida entre 36,8◦C e 37,5◦C. Os ratos foram hidrata-doscom3mL.kg-1.h-1decloretodesódioisotônico,porvia

subcutânea,durantetodooprocedimentodeIRparaevitara desidratac¸ão.Osanimaisforamsacrificadosapósaobtenc¸ão dasamostrasdesangueetecido.Adurac¸ãodoprocedimento foiigualemtodososgrupos.

No fimda primeira hora dastrês horas de reperfusão, 1,5mL de sangue foi coletado da veia da cauda dos ani-masparaanálisedeTNF-␣eIL-6,colocadoemtuboestéril comácidoetilenodiaminotetracético(EDTA)ecentrifugado por10min a umavelocidade de1.200rpm.O plasma das amostrasdesanguefoiseparadoecolocadoemtubos Eppen-dorf,congeladoemantidoa70◦Catéodiadaanálise.Os ratosreceberamcloretodesódioisotônicoporvia intrape-ritoneal,emquantidadeigualàextraídaparaamostragem. No fim da reperfusão, o tórax foi aberto por abordagem subdiafragmática.Aamostrade sanguepara TNF-␣ e IL-6 foi obtida em volume de 2mL diretamente docorac¸ão e acondicionadadamesmaformamencionadaacima.Nofim doprocedimento,5mLdeformola10%foramlentamente aplicadosatravésdoápexcardíacocomumadaagulhade calibre 20G e o corac¸ão e o leito pulmonar foram exci-sados após o sacrifício. Uma secc¸ão da zona média do pulmãodireitoetodoopulmãoesquerdoforamcolocados em formol a 10% e mantidos parafixac¸ão por no mínimo 24h.

Análisedemediadoresinflamatórios

Aanálisedosmediadoresinflamatórios(TNF-␣vs.IL-6)foi realizadacomotesteElisa(Enzyme-LinkedImmunosorbent Assay).Osvaloresdeabsorbânciaforamlidosa450nmno dispositivoparaElisa(OrganonTechnicaMicropoc¸osSystem Reader230S).Osresultadosforamexpressosempg.mL-1.

Análisehistopatológica

Os tecidos pulmonares obtidos dos animais foram cora-doscomométodohematoxilina-eosina eexaminadoscom microscópiodeluz(OlympusBH-2)emampliac¸ãode200×. Seisregiõesaleatóriasforamselecionadasdecadaamostra eumaclassificac¸ãode0-4pontosfoifeita.Levaram-seem considerac¸ãoosachadoshistopatológicos,comohemorragia intersticialealveolar,infiltradodeneutrófilosintersticiale alveolar, edema e atelectasia. A classificac¸ão foi feitade acordocom a proporc¸ão daárea lesionada:0 = nenhuma lesão;1=<25%delesão;2=25-50%delesão;3=50-75% delesão;4=lesãodifusa.

Análiseestatística

OsdadosobtidosforamavaliadoscomoprogramaSPSS11.0 (Statistical Package for Social Sciences,Chicago, Illinois). OstestesdeKruskall-Wallisedoqui-quadradoforamusados paracomparar os grupos. O teste Ude Mann-Whitney foi usadoparacompararosgruposseparadamenteeacorrec¸ão de Bonferroni foi usada quando necessário. Valores de p inferioresa0,05 foramconsideradosestatisticamente sig-nificativos.

(4)

Grupo 1 (

SHAM

)

Δ

---

---

--- n = 7

6. horas

4. horas

3. horas

0. hora

6. horas

4. horas

3. horas

0. hora

6. horas

4. horas

3. horas

2. hora

2. horas

0. hora

6. horas

4. horas

3. horas

0. hora

Histopatologia e

Bioquímica

Bioquímica

Histopatologia e

Bioquímica

Bioquímica

Histopatologia e

Bioquímica

Bioquímica

Grupo 2 (IR)

ISCHEMIA REPERFUSION

Δ

---

---

--- n=7

Grupo 3 (D 50)

ISCHEMIA REPERFUSION

Δ

---

---

--- n=7

Dexmedetomidina

50 µg.kg

-1

Histopatologia e

Bioquímica

Bioquímica

Dexmedetomidina

100 µg.kg

-1

Grupo 4 (D 100)

ISCHEMIA REPERFUSION

Δ

---

---

--- n=7

Figura1 Representac¸ãoesquemáticadoprotocolodoestudo.

Resultados

Esteestudofoiconcluídocom28ratos,cadagrupocomsete. Ointervalodetempoparaoestudofoiomesmodescritona sec¸ãoMétodos(fig.1).

A tabela 1 mostra os valores de TNF-␣ e IL-6 e as classificac¸ões histológicas do tecido pulmonar. A análise intergrupos não revelou diferenc¸a estatisticamente signi-ficativa em relac¸ão aosvaloresde TNF-␣ e IL-6, tanto na primeiraquantonaterceirahoradereperfusão.

Aanálise estatísticadasalterac¸ões histológicas pulmo-nares foi feita com os valores médios das classificac¸ões obtidas a partir de seis áreas microscópicas examinadas. Houvediferenc¸aestatisticamentesignificativaentreos gru-posnaclassificac¸ãodaslesõespulmonares(p=0,001).Lesão difusa(classificac¸ão4)em todososespécimesdoGrupo2. Asclassificac¸õeshistológicasobtidasparaoGrupo2foram significativamente diferentes daquelas para os grupos 1, 3 e 4 (p=0,001 para cada comparac¸ão). Além disso, as

classificac¸õesdoGrupo1foramsignificativamentediferente daquelas dos grupos 3 e 4 (p=0,001e0,011, respectiva-mente). Nãohouve diferenc¸asignificativaentreosgrupos trêsequatro.

No exame microscópico, as amostras do Grupo 1 apresentaram sequência alveolar, estruturas perialveolar e células normais e áreas intersticiais também normais (fig. 2).As amostrasdo Grupo 2 apresentaram infiltrac¸ão de neutrófilos intersticial e interalveolar, hemorragia, espessamento dos septos interalveolares, edema inters-ticial, áreas enfisematosas difusas e congestão. Grande ampliac¸ão revelou áreas mais atelectásicas e áreas com estase capilar com ventilac¸ão diminuída, alvéolos colap-sados, áreas parenquimatosas não funcionais, neutrófilos parenquimatosos densos e infiltrac¸ão macrofágica nes-sas regiões, hemorragia interalveolar difusa nas áreas de estase capilar e áreas irregulares de fibrose, jun-tamente com campos esparsos normalmente ventilados (figs. 3e 4). As amostras doGrupo 3, ainfiltrac¸ão difusa

(5)

Tabela1 ValoresdeTNF-␣eIL-6epontuac¸õeshistológicas Grupo1 (Sham) n=7 Grupo2 (IR) n=7 Grupo3 (D50) n=7 Grupo4 (D100) n=7 p TNF-˛(pg.mL-1) Reperfusão1h 9,40 (7,40-11,50) 10,10 (9,10-25,30) 9,70 (8,30-10,90) 9,70 (7,70-10,60) 0,55 Reperfusão3h 9,30 (8,20-10,90) 9,80 (9,30-22,90) 10,20 (8,70-11,80) 9,00 (8,90-12,10) 0,26 IL-6(pg.mL-1) Reperfusão1h 27,10 (21,60-41,30) 17,30 (13,20-52,60) 19,00 (15,80-58,00) 25,20 (20,00-48,90) 0,11 Reperfusão3h 32,70 (21,60-64,70) 61,20 (17,40-120,30) 24,40 (14,00-91,80) 31,80 (21,40-47,70) 0,83

Pontuac¸ãohistológica 0,5b (0,0-1,0) 4,0a (4,0-4,0) 2,5 (2,0-3,0) 2,0 (0,5-3,5) 0,001

a Diferenc¸asignificativanoGrupo2,emcomparac¸ãocomosgrupos1,3e4,p<0,05.

b Diferenc¸asignificativanoGrupo1,emcomparac¸ãocomosgrupos3e4,p<0,05.

Valoresexpressosemmediana(mínimo-máximo).

Figura2 Grupo1:estruturanormaldetecidopulmonar ven-tilado.

Figura3 Grupo2:aestruturaalveolarperdeuoseupadrão (), alterac¸õesenfisematosas (A),infiltrac¸ãode células infla-matóriasnoparênquima(P˙I).

Figura4 Grupo 2: infiltrac¸ão densade neutrófilos, alarga-mentodoparênquima,áreaspulmonaresnãoventiladas( ) eáreasatelectásicas(A).

de neutrófilos no interstício, o espessamento de septos interalveolares,aatelectasia,acongestão,ahemorragiae oenfisemaforammenoresdoquenoGrupo2.Tecido pulmo-narnormalfoiobservadonasáreascontíguas,adespeitode levealargamentodoparênquima einfiltrac¸ão de neutrófi-los.Algumasregiõesapresentaramtecidopulmonarnormal juntamentecomhemorragiaparenquimatosaintensa,áreas enfisematosas e infiltrac¸ões peribrônquicas (fig. 5). No Grupo4,asamostrasapresentaramleveinfiltrac¸ãode neu-trófilosintersticial,espessamentodeseptosinteralveolares, atelectasia,congestãoehemorragiaemgraumuitoinferior doqueasamostrasdoGrupo2.Algumasregiões apresenta-ramtecidopulmonarcompletamentenormal(fig.6).

Discussão

Oprincipal resultado doestudo foique dexmedetomidina diminui as pontuac¸ões das lesões histológicas relaciona-das a IR em ratos submetidos à isquemia e reperfusão,

(6)

Figura 5 Grupo 3: leve alargamento do parênquima e infiltrac¸ãodeneutrófilos(*),juntamentecomestruturatecidual pulmonarnormaladjacente.

Figura 6 Grupo 4: leve infiltrac¸ão inflamatória e espessa-mentodos septosinteralveolares (*),juntamentecomtecido pulmonarnormal.

induzida pela aplicac¸ão de torniquete em extremidade. Embora não tenha havido diferenc¸as entre os grupos em relac¸ãoaosníveisplasmáticosdosmediadoresinflamatórios TNF-␣ e IL-6, uma diferenc¸a significativa foi observada nas alterac¸ões histológicas dos tecidos. A classificac¸ão histológicadoGrupo2foielevada,indicouefeitosdalesão de IRno tecido pulmonar. Os grupos 3 e 4 apresentaram pontuac¸õesmenoresdelesão,indicaramefeitoprotetorde dexmedetomidinacontraaLIR.

Embora alguns autores oferec¸am múltiplos métodos de ligac¸ão em vez da aplicac¸ão de torniquete devido à preocupac¸ãocomaobstruc¸ãovenosaelinfáticaelesão mus-cularapósacompressãomecânicaprolongada,17 ométodo deaplicac¸ãodetorniquetenãoéinvasivoeparecesermais práticonaaplicac¸ãoclínica.7,18

Diferentestemposdeisquemiaereperfusãoforam usa-dos para a induc¸ão de IR na literatura. Nós levamos em considerac¸ão a resistência do tecido contra a isque-mia.Por exemplo,alterac¸õesmorfológicasimportantesno tecidomuscular surgem após 2h deisquemia e, porisso, estudosque avaliaram tecidos musculares em LIR usaram temposmaislongosdeisquemia.19,20Umacorrelac¸ão impor-tante entre o tempo de isquemia e a lesão isquêmica foiobservada.21 Considerando osrelatos delesão histoló-gica irreversível20 e de infiltrac¸ão difusa de neutrófilos18

no tecidomuscular após 3h de isquemia em estudos que avaliaramaLIRemtecidomuscular,optamosporumtempo deisquemiade3hemestudo.

Observou-seque o tempodereperfusãotambémé um fator importante na formac¸ão dos efeitos locais e distan-tes da IR.2,7,19 Yasin et al.7 usaram tempos diferentes de reperfusãoapós 3hdeisquemiae descobriramcorrelac¸ão positiva entre o tempo de reperfusão e as disfunc¸ões orgânicas distantes. Também descobriram alterac¸ões his-tológicas após 3h de reperfusão que nãoeram aparentes nas primeiras 2h. Portanto, optamos por um tempo de reperfusão de 3h. Alterac¸ões histológicas proeminentes, comoinfiltrac¸ãodifusadeneutrófilos,distorc¸ãoda sequên-cia alveolar e edema no tecido pulmonar do grupo IR, sustentaram a nossa opc¸ão. Essesachados estão em con-formidade com os de estudos que usaram os mesmos tempos.7,18

TNF-␣mostrouterumpapel importantenapatogênese da síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SRIS) e falênciademúltiplosórgãos(FMO).5,22,23Mecanismos seme-lhantesforamsugeridosnosefeitoslocaisedistantesdaLIR e estudosmostraramqueTNF-␣desempenhaumpapelna patogênesedalesãoorgânica.3,7Similarmente,IL-6também mostroudesempenharumpapelnareac¸ãoinflamatória com-plexaassociadaaotrauma,choqueeinfecc¸ão.24Correlac¸ão positiva foi demonstrada entre as concentrac¸ões plasmá-ticas de IL-6e a magnitudeda lesãoem tecidos moles.24 EstudosqueavaliarammodelosdeIRemextremidades pos-terioresmostraramumaumentodeIL-6emcorrelac¸ãocom TNF-␣.5,6Yasinetal.7sugeriramquearesposta inflamató-ria relacionada àIRpodeser observadanos níveis séricos de TNF-␣ e IL-6 e que há correlac¸ão positiva entre esse aumentoelesõesdeórgãosdistantes.Osautoresavaliaram osníveissanguíneosdeTNF-␣eIL-6naprimeira,segundae terceirahoradereperfusãoapós3hdeisquemia. Descobriu--se que TNF-␣ aumentou deforma significativano fimda primeirahoraevoltouaosvaloresdecontrole nasegunda hora,enquantoosvaloresdeIL-6aumentaram progressiva-menteapósaprimeirahoradereperfusãocompiconofim daterceirahora.Portanto,avaliamososníveis sanguíneos deTNF-␣eIL-6,tantonofimdaprimeiraquantodaterceira hora.

Vários estudos clínicos e experimentais foram condu-zidos com dexmedetomidina devido às suas propriedades analgésicas, ansiolíticas e sedativas.25,26 Além disso, demonstrou-se que dexmedetomidina tem propriedades anti-inflamatórias em estudos que avaliaram seus efeitos em modelosdeinflamac¸ãoisquêmicae tóxica.11 Taniguchi

etal.11demonstraramquedexmedetomidinaatenuaalesão pulmonarediminuiastaxasdemortalidadeaodiminuiros níveisdeTNF-␣eIL-6eainfiltrac¸ãodeneutrófilosnas pare-desalveolaresemmodeloexperimentaldechoque séptico eendotoxêmico.Shen etal.27 avaliaramosníveis de TNF--␣ e IL-6em lesãopulmonar em modelo experimental de LIR intestinal e descobriram diminuic¸ão daproduc¸ão des-sas citocinas notecidopulmonarapós a administrac¸ão de dexmedetomidina.

Dexmedetomidinafoi administrada por via intraperito-neal antes28 ou durante12-14 a IR em modelos de IR em ratos. Embora os efeitos protetores de dexmedetomidina tenham sido demonstrados, independentemente de seu tempodeadministrac¸ão,nãoháestudosnaliteraturaque

(7)

comparem os tempos de aplicac¸ão. Além disso, alguns estudos que avaliaram os efeitos de dexmedetomidina administradaintraperitoneal mostraramqueostemposde IRnãoforammaislongosdoque ostemposdeeliminac¸ão dedexmedetomidina.13,28Comooprincipalresponsávelna formac¸ão delesãopulmonaréoprocesso dereperfusãoe osníveisdeTNF-␣comec¸amasubirpertodofimda isque-mia---comníveisdepiconaprimeirahoradereperfusão---,7 consideramosrelevanteadministrardexmedetomidinauma horaantesdareperfusão.

Nãoencontramosintervaloscertosdadosede dexmede-tomidinaparaseusefeitosanti-inflamatóriosnaliteratura.A dosededexmedetomidina,administradaporvia intraperito-neal,foiestabelecidaem100␮g.kg-1,adosemaiselevada

administrada de formasegura na literaturaatual,16,28 e a segundadose foiestabelecida em 50␮g.kg-1,para avaliar

seuspossíveisefeitosadependerdadose.

AdespeitodetempossemelhantesdeIRem estudosde LIR pulmonar após aplicac¸ão de torniquete em membros de ratos, resultados diferentes em relac¸ão aos níveis de TNF-␣ foramobservados.5,18,29 Seekampet al.5 relataram que os níveis de TNF-␣ não foram detectados no sangue durante todo o tempode quatro horas deisquemia, mas comec¸aramaseelevarnaprimeirahoradereperfusãocom declínioapósasegundahora.Alémdisso,osníveis deIL-6 comec¸aram ase elevarnotrigésimominuto, compico no fimdaquartahora. Yassinetal.7relataram que osníveis deTNF-␣ eIL-6atingemseuspicosna primeirae terceira hora de reperfusão, respectivamente; osníveis de TNF-␣ caíramabaixo dos níveis detectáveisapós asegunda hora dereperfusãoeIL-6atingiuníveisplasmáticosdetectáveis apartirdaprimeirahoradereperfusão.

Duru et al.,18 Harkin etal.30 e Gaines et al.31 usaram modelos e tempos semelhantes de IR e, embora tenham observado alterac¸ões histopatológicas devido à LIR, não conseguiram observar alterac¸ões nos níveis de TNF-␣. De forma semelhante, Welbourn et al.29 não observaram alterac¸õesnosníveisdeTNF-␣apósareperfusãoe concluí-ram que TNF-␣ desempenha um papel na patogênese da LIRporqueasalterac¸õeshistopatológicasdiminuíramcoma aplicac¸ãodeanti-TNF.Tambémnãoobservamosdiferenc¸as nos níveis de TNF-␣ e IL-6 nos grupos que receberam dexmedetomidina, em comparac¸ão com o grupo Sham, apesardasdiferenc¸ashistopatológicassignificativas.

Essacondic¸ãopodeseratribuídaaonúmeroinsuficiente deanimais.Duruetal.18 relataram quearazão pelaqual não conseguiram demonstrar alterac¸ões no nível de cito-cinas foiporque eles podemnãoteratingido osníveis de picodeTNF-␣,poisobtiveramasamostrasdesanguenofim dasegundahoradereperfusão.Gainesetal.31 atribuíram essacondic¸ãoàinsuficiência deamostrasdesangue. Wel-bournetal.29 propuseramqueTNF-podepermanecerno tecidoapósaproduc¸ãodemacrófagospulmonarese, por-tanto,nemsemprepoderiaserdetectadonosangue---TNF-␣ podemediaralesãotecidualpulmonareativaroendotélio localmente.

A LIRinduzida commodelo deaplicac¸ão detorniquete foi histopatologicamente demonstrada neste estudo. As alterac¸õesnoGrupoIRforamsignificativasemcomparac¸ão com o Grupo Sham e ambos os grupos de dexmedetomi-dina e isso demonstrou que o modelo foi conduzido de formaadequada.Asdiferenc¸assignificativasnosresultados

dos grupos de dexmedetomidina, em comparac¸ão com o Grupo IR, foram interpretadas como dexmedetomidina diminuiualesãopulmonar.

Embora as pontuac¸ões histopatológicas entre os gru-poscom dexmedetomidina (50 e 100␮g.kg-1) não tenham

sidosignificativamentediferentes,algumasáreasdetecido pulmonarnormal ao examemicroscópico noGrupo D-100 sugeriram que o medicamento pode ter agido de forma dependentedadose.Estudoscomtamanhoamostralmaior ediferentesdoses,temposeviasdeadministrac¸ãopodem serconduzidosparaavaliaresseefeito.

Em conclusão,em nossoestudo de modelo experimen-taldeIRinduzidoportorniqueteem membroposteriorde ratos, dexmedetomidina foi eficaz na prevenc¸ão de lesão pulmonarinduzidaporIR.Asdiferenc¸ashistopatológicasnos níveisdeIL-6entreosdoisgruposcomdiferentesdosesde dexmedetomidina,emboranãosejaestatisticamente signi-ficativa,sugereafeituradeestudoscomamostrasmaiores paraavaliarosefeitosdedosesdiferentes.

Declarac¸ãodeimplicac¸ão

Este estudo experimental demonstra a capacidade da dexmedetomidina de reduzir a lesão relacionada à isquemia-reperfusãoexperimentalem ratos.Estudos clíni-coscontroladospodemserfeitosemhumanosparaobservar osignificadoclínicodesseefeito.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Referencias

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