A MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA REFLEXÃO
A PARTIR DOS RESUMOS DOS RELATOS DE EXPERIÊNCIAS DO V EPMEM1
Wellington Piveta Oliveira CTESOP, Assis Chateaubriand – PR [email protected]
Taylana Piveta de Oliveira CTESOP, Assis Chateaubriand – PR [email protected]
Vilma Rinaldi Bisconsini Núcleo Regional de Educação de Assis Chateaubriand – PR [email protected]
Resumo: Este trabalho emerge das discussões referentes à Modelagem Matemática no contexto da Educação Básica em um curso de Licenciatura em Matemática. Nesse sentido, essa pesquisa, ainda de cunho exploratório analisa alguns aspectos revelados nos resumos dos trabalhos publicados na modalidade de relatos de experiências, nos anais do V Encontro Paranaense de Modelagem em Educação Matemática (V EPMEM). Se trata de uma pesquisa de abordagem qualitativa, em que busca refletir sobre as atividades de Modelagem Matemática que foram desenvolvidas no contexto do ensino da Matemática na Educação Básica. Os resultados mostram uma incursão da Modelagem Matemática na Educação Básica enquanto tendência para o ensino da Matemática.
Palavras-chave: Atividades; Modelagem Matemática; Educação Básica.
Introdução
Este trabalho emerge das discussões de uma disciplina intitulada “Prática de Ensino e Estágio Supervisionado I”, de um curso de Licenciatura em Matemática e do interesse dos autores nos estudos sobre a Modelagem enquanto tendência, sua inserção e contribuição para a Educação Básica.
A partir dessa perspectiva, compreendemos que a Modelagem Matemática2 é uma das tendências em Educação Matemática que tem se destacado no Brasil, juntamente com outras linhas de investigação desde a década de 70 (BARBOSA, 2011), e vem sendo
1 V Encontro Paranaense de Modelagem em Educação Matemática – V EPMEM.
utilizada tanto por professores, quanto por pesquisadores que a assumem, como metodologia de ensino, bem como, linha de pesquisa. Segundo esse autor (2007), essas e outras3 considerações é o têm justificado a emergência de uma comunidade brasileira de pesquisadores em Modelagem.
A Modelagem enquanto metodologia de ensino tende a romper com as práticas vigentes de ensino da Matemática na sala de aula, propicia o desenvolvimento de atividades contextualizadas, além de despertar nos estudantes o interesse para buscarem caminhos que visam à resolução de situações-problema (KLÜBER; BURAK, 2007). Segundo esses mesmos autores, as atividades de Modelagem desenvolvidas em grupos, favorecem as articulações de ideias e a produção do conhecimento matemático de forma criativa, dinâmica, permitindo ainda o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar na integração de diferentes áreas do conhecimento.
É nesse sentido que a implementação da Modelagem não só no contexto da Educação Básica, mas também em outros níveis de ensino têm se mostrado como uma prática significativa, indicando um avanço tanto para as propostas metodológicas de ensino, como uma abertura para novas investigações e reflexões a cerca dessa tendência, o que converge para a temática enunciada “Rumos e Avanços da Modelagem Matemática na Educação Matemática” do evento em questão. Considerando essas breves elucidações sobre algumas potencialidades da Modelagem, buscamos com esse estudo compreender alguns aspectos da efetivação da Modelagem no contexto da Educação Básica, a partir de uma análise dos resumos dos Relatos de Experiência, que foram publicados nos anais do V EPMEM.
A quinta edição do EPMEM ocorreu na cidade de Toledo, Estado do Paraná, no ano de 2012. Nesse evento foram submetidos cerca de trinta trabalhos, sendo, treze deles aprovados segundo a modalidade, Comunicação Científica (CC); quatorze na modalidade Relato de Experiência (RE), os quais constituem o solo de nossa análise e, três na modalidade Pôster (PO).
Delineado nosso objeto de pesquisa, práticas de Modelagem no contexto da Educação Básica, bem como, alguns entendimentos sobre a Modelagem, abordaremos na
3 Outras considerações que justificam a argumentação de Barbosa podem ser aprofundadas em Klüber, 2012.
próxima seção alguns aspectos metodológicos, em que nos embasamos para elaboração e apresentação dos possíveis resultados dessa pesquisa.
Delineamento metodológico
Esse estudo de abordagem qualitativa caracteriza-se como uma pesquisa exploratória4. "Este tipo de pesquisa objetiva dar uma explicação geral sobre determinado fato, através da delimitação do estudo, levantamento bibliográfico, leitura e análise de documentos" (OLIVEIRA, 2012, p.65).
Desse modo, tomamos os resumos dos trabalhos publicados nos anais do referido evento, na modalidade “Relatos de Experiência”. Efetuamos a leitura de todos os resumos dos trabalhos e selecionamos aqueles que discutem a Modelagem Matemática no contexto da Educação Básica. Selecionados tais resumos, na releitura desses verificamos a falta de informações mais precisas em alguns deles. Nesses casos buscamos no trabalho completo algumas informações que revelassem mais claramente a inserção e a relação da Modelagem com a Educação Básica.
Com relação aos dados obtidos pela pesquisa, dentre os quatorze trabalhos publicados na modalidade (RE), seis foram analisados. Assim, estruturamos abaixo em um quadro explicativo referente à algumas características das atividades desenvolvidas com Modelagem na Educação Básica.
Quadro 1 - Características gerais dos resumos apresentados e publicados no V EPMEM.
Títulos dos Trabalhos Descrições Códigos5
As embalagens como alternativa para o estudo de conceitos de geometria euclidiana: uma prática fundamentada na Modelagem Matemática.
Atividades desenvolvidas com os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, em que o objetivo foi explorar conceitos de geometria espacial e de geometria plana por meio de
embalagens presentes no cotidiano dos alunos. RE 01
4 Consideramos como um estudo exploratório, porque permitirá o aprofundamento no tema em pesquisa a ser realizada futuramente.
Modelagem Matemática para o ensino e aprendizagem do Cálculo de área em um 7º ano do ensino Fundamental.
Descreve a experiência com a atividade de Modelagem em sala de aula envolvendo os alunos do 7 º ano, quando foi proposto que analisassem uma caixa de papelão, embalagem das provas das Olimpíadas Brasileiras de Matemática, quando eles tinham que responder a questão: “Quanto papelão foi utilizado para a fabricação da caixa?”, com o objetivo de ensino do cálculo de área.
RE 02
Uma atividade de Modelagem Matemática envolvendo os conceitos de perímetro e área.
Envolveu atividades de Modelagem em sala de aula com os alunos de 9º anos em que trabalharam com perímetro e área dos projetos de plantas baixas dos móveis e da casa de cada
um. RE 06
Algumas considerações sobre a construção do modelo matemático em atividades de Modelagem
Relatam a experiência em um curso de Formação de Docentes envolvendo a Modelagem, quando comparam duas orientações para o desenvolvimento da Modelagem, uma voltada para o desenvolvimento do modelo e outra enfatizando o processo.
RE08
Modelagem Matemática e a Educação Financeira: em qual banco abrir uma conta de poupança?
Atividade de Modelagem foi desenvolvida com alunos do 1º ano do Ensino Médio, a partir do conteúdo de matemática financeira, explorando as diversas taxas de juros aplicadas por
diferentes bancos. RE 09
Modelagem Matemática na sala de aula: um trabalho envolvendo Funções Afim e discussões a respeito do uso consciente de energia elétrica.
A partir do tema consumo de energia elétrica, foram desenvolvidas atividades de Modelagem envolvendo conteúdo de função afim com alunos do 9º ano, objetivando à formação
para o consumo racional de energia elétrica. RE 10
Modelagem Matemática em salas de apoio á aprendizagem: uma metodologia possível.
Trabalho desenvolvido com um grupo de alunos participantes do programa de sala de apoio à aprendizagem Envolvendo atividades de Modelagem como metodologia no ensino do
conteúdo de tabelas e gráficos. RE 13
Algumas interpretações
De modo geral, a análise inicial dos resumos dos trabalhados mostram que as atividades no contexto da Educação Básica têm ocorrido nos diferentes níveis de ensino, seja no Ensino Fundamental – anos finais e Ensino Médio.
Hein (2005) e Barbosa (2001) no RE08; Barbosa (2004) no RE09; Barbosa (2003) no RE10; Biembengut e Hein (2007) no RE13.
A partir dessa evidência de autores e suas concepções, compreendemos que a Modelagem esta sendo implementada nas perspectivas de, ora na busca de um modelo matemático defendido por Biembengut e Hein (2007), ora com ênfase no processo como defende Barbosa (2004), na perspectiva de ambiente de aprendizagem.
Esses dados revelam que a inserção da Modelagem na Educação Básica possibilitou a abordagem de uma pluralidade de conteúdos matemáticos, embora todos os trabalhos voltam-se para a preocupação de uma abordagem contextualizada e significativa visando melhorias no processo de ensino e aprendizagem da Matemática.
Percebemos que a Modelagem tem sido buscada como alternativa diferenciada para o ensino da Matemática, auxiliando o professor nos trabalhos com os alunos e facilitando o processo de ensino e a aprendizagem.
Os trabalhos mostram que a Modelagem está se inserindo na Educação Básica conforme apontam as perspectivas de Klüber e Burak (2007) quando discutem que a Modelagem enquanto proposta metodológica a ser desenvolvida nesse contexto, propicia o desenvolvimento de conceitos e conteúdos matemáticos, a contextualização, a integração com outras áreas do conhecimento, a socialização pelo trabalho em grupo e a ruptura com currículo linear.
Considerações finais
Por meio da análise dos relatos, percebemos que os professores têm buscado na Modelagem, caminhos que contribuam para que a Matemática se torne mais significativa e motivadora aos alunos, assim como, uma possibilidade metodológica diferenciada buscando melhoria do processo de ensino e aprendizagem da Matemática.
Referências
ALMEIDA, W. L. et.al. Modelagem Matemática na educação básica. São Paulo: Contexto, 2012.
BARBOSA, J. C. Modelagem matemática: concepções e experiências de futuros professores. Tese de Doutorado – Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2001b.
_____. Modelagem Matemática na sala de aula. Perspectiva, Erechim (RS), v. 27, n. 98, p. 65-74, junho/2003.
_____. Modelagem Matemática: O que é? Por que? Como? Veritati, n. 4, p. 73-80, 2004.
_____. Sobre a pesquisa em modelagem matemática no Brasil. In: Conferência Nacional sobre Modelagem na Educação Matemática, 5, 2007, Ouro Preto. Anais... Ouro Preto: UFMG, 2007.
_____. Integrando Modelagem Matemática nas práticas pedagógicas. Educação Matemática em Revista. Ano 14, nº 26, 2009.
_____. Prefácio. In: ALMEIDA, L. M. W. de; ARAÚJO, J. de L.; BISOGNIN, E. (org.) Práticas de Modelagem Matemática na Educação Matemática: Relatos de Experiências e Propostas Pedagógicas. Londrina: Eduel, 2011.
BIEMBENGUT, M. S.; HEIN, N. Modelagem Matemática no ensino. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2005.
_____. Modelagem matemática no ensino. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2007.
KLÚBER, T. E.; BURAK, D. Modelagem Matemática: Pontos que justificam a sua utilização no Ensino. IX ENEM - Encontro Nacional de Educação Matemática, p. 1-19, 2007.