E L P A D R E JOSÉ DE ACOSTA,
CRONISTA DE INDIAS
F r a n c i s I V A N H O E
R E S U L T A S I E M P R E u n tanto sorpresiva la constatación de ciertas limitaciones del genio español del Renacimiento y de la época inmediata posterior. España, al fin y al cabo, dominó el siglo XV!, en E u r o p a como en las Indias, en la cultura y en las armas, de u n a manera hasta entonces comparable sólo con el poderío de los antiguos romanos. N o es una simple coincidencia, por ejemplo, que aun los ingleses isabelinos, mortales enemigos de sus majestades católicas, se aproximaran mucho más en su temperamento al modo de ser —tradicionalmente denominado l a -f i n o - de sus contemporáneos españoles que al de sus propios bisnietos V i c t o r i a n o s . E n el siglo x v i , se mitaba a España, a ve-ees de la manera más g r o t e s c f , comó hoy día se copia" a Estados Unidos. Pero el inventario cultural de aquella España recién liberada de los moros no incluía ciertos elementos que en u n f u -turo más o menos próximo resultarían ser de importancia capi-tal en la conciencia del occidente moderno; como, por ejemplo, la R e f o r m a religiosa, algunos aspectos de la revolución científica y filosófica. N o debemos, en esta gran generalización, olvidarnos del trágico caso de M i g u e l Servet; pero él, inteligencia de las más adelantadas de su época, constituye l a excepción gloriosa. José de Acosta c o n s t i p e más b i e / l a regla d'el hombre de ideas de l a España del x v i . Ciertos autores, como Carracido, o
como el padre jesuíta Lopetegui,1 han traído a la luz estudios
sobre la v i d a de nuestro historiador en los cuales se estima que Acosta fue, para el uno, gran patriarca de la ciencia natural, injustamente olvidado por ser español; y para el otro, nada me-, nos que u n bienaventurado, u n verdadero santo. Afortunada-mente para el historiólogo, l a v i d a de Acosta se encuentra bien documentada: lo suficiente, por lo menos, para permitir formar-se una idea menos apologética de su papel como testigo y como escritor de historia. Nació José de Acosta en 1540, e n M e d i n a del C a m p o , y murió e n Salamanca a los 60 años de edad. Desde los 11 años hasta la muerte fue jesuíta, y subió gradualmente en l a jerarquía de su orden hasta ocupar cargos de considerable
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autoridad administrativa; con u n pequeño contratiempo, es cier-to, a partir de 1591, en que capitaneó sin suerte una especie de rebelión que buscaba independizar a las congregaciones españo-las, incluyendo las del N u e v o M u n d o , del resto de la Compañía. Desde el principio de su larga carrera religiosa sus especialidades fueron l a teología y l a ley canónica: a los 27 años era profesor de teología en el colegio jesuíta de Ocaña; también desempeñó este cargo en el Perú, donde, además, sirvió durante cinco años
— > 3 ¡ £ $ g ? ¿ SSS ^ s t - t s — d e ^ tas mismas materias; y casi todo lo que dejó escrito ( C a t e c h i s m o y exposición d e la d o c t r i n a C h r i s t i a n a , C o n c i l i u m p r o v i n c i a l e Límense c e l e b r a t u m in c i v i t a t e m R e g u m , C o n d o n e s , C o n f e s i o -n a r i o p u r a l o s c u r a s d e I -n d i o s D e C h r i s t o R e v e l a t o D e -n a t u r a
i i
L A P R I M E R A pregunta que debemos hacernos para entender l a obra de Acosta es, precisamente, ¿qué es para él la historia? ¿ Q u é cosa entendían Acosta y su público por este término? A l g o ciertamente bastante distinto de lo que hoy día se aceptaría. Veamos el texto. L a teoría historiográfica de Acosta referente a la aventura americana se encuentra resumida en el último capí-tulo de l a obra, titulado " D e l a disposición que l a D i v i n a Pro-videncia ordenó en Indias para la entrada de la religión cristia-na en ellas".3
Q u i e r o . . . declarar l a a d m i r a b l e traza con que D i o s d i s p u s o y y preparó l a entrada d e l E v a n g e l i o . . . que es m u c h o de considerar
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p a r a alabar y engrandecer e l saber y b o n d a d d e l C r e a d o r . . . A este t i e m p o j u z g ó e l A l t í s i m o q u e a q u e l l a p i e d r a d e D a n i e l , q u e q u e b r a n -tó los reinos y monarquías d e l m u n d o , quebrantase también los de este otro M u n d o N u e v o ; y así c o m o l a ley de C r i s t o v i n o , c u a n d o l a m o n a r q u í a de R o m a había l l e g a d o a s u c u m b r e , así también fué e n las I n d i a s O c c i d e n t a l e s . Y v e r d a d e r a m e n t e fué s u m a p r o v i d e n c i a d e l Señor; p o r q u e e l haber en e l o r b e u n a cabeza y u n señor t e m p o r a l . . . h i z o q u e e l E v a n g e l i o se p u d i e s e c o m u n i c a r c o n f a c i l i d a d . . . Y l o * m i s m o sucedió e n las I n d i a s . . . Y eso m i s m o es traza d e D i o s . . .
q u e h a y a mercaderes y soldados q u e c o n e l c a l o r de l a c u d i c i a y e l m a n d o , b u s q u e n y h a l l e n nuevas gentes d o n d e pasemos c o n nuestra mercadería; pues c o m o S a n A g u s t í n dice, l a profecía de Esaías se c u m p l i ó e n d i l a t a r s e l a I g l e s i a de C r i s t o n o sólo a l a d i e s t r a , s i n o también a l a siniestra . . . Fué también g r a n p r o v i d e n c i a d e l Señor, q u e c u a n d o f u e r o n los p r i m e r o s españoles, h a l l a r o n a y u d a e n los m i s -m o s i n d i o s , p o r haber p a r c i a l i d a d e s y grandes d i v i s i o n e s . E n e l Pirú . . . A t a h u a l p a y G u a s c a r . . . E n l a N u e v a España . . . T l a s c a -la . . . Atribúyase l a g l o r i a a q u i e n se debe, q u e es p r i n c i p a l m e n t e a D i o s y a. s u a d m i r a b l e disposición . . . Fué también . . . a y u d a . . . l a g r a n sujeción q u e t u v i e r o n a sus reyes . . . y . . . a l d e m o n i o y sus tiranías, y y u g o tan pesado, fué excelente disposición de l a D i v i n a Sabiduría, que de los m i s m o s m a l e s se a p r o v e c h a p a r a bienes . . . F i -n a l m e -n t e , q u i s o -nuestro D i o s . . . hacer q u e los m i s m o s d e m o -n i o s . . . d i e s e n a su pesar t e s t i m o n i o de l a v e n i d a de l a v e r d a d e r a L e y . . . de C r i s t o y . . de s u c r u z , c o m o p o r los a n u n c i o s , y profecías y p r o d i g i o s .
En relación ya no con l a Conquista propiamente dicha, sino
con el descubrimiento de América, opina de manera parecida
sobre el incidente del piloto anónimo y C o l ó n :4
c u a n d o a q u e l m a r i n e r o ( c u y o n o m b r e aún no sabemos, p a r a q u e ne-g o c i o t a n ne-g r a n d e no se a t r i b u y a a o t r o a u t o r q u e D i o s ) . . . d e j ó p o r p a g a d e l b u e n hospedaje . . . l a n o t i c i a d e cosa t a n g r a n d e
y remata el capítulo diciendo5
Las más de las yerbas saludables, las más de las p i e d r a s , las p l a n t a s , l o s metales, las p e r l a s , e l o r o , e l imán, e l ámbar, e l d i a m a n t e y las demás cosas semejantes, y así sus p r o p i e d a d e s y provechos, cierto más se h a n v e n i d o a saber p o r casuales acontecimientos, q u e no p o r arte e i n d u s t r i a d e h o m b r e s , p a r a q u e se vea q u e e l l o o r y g l o r i a d e tales m a r a v i l l a s se debe a l a p r o v i d e n c i a d e l C r e a d o r y n o a l i n g e n i o d e l o s h o m b r e s . P o r q u e l o q u e a nuestro parecer sucede acaso, eso m i s m o l o o r d e n a D i o s m u y sobre p e n s a d o .
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L a evidencia textual nos permite aseverar, pues, que p a r a Acosta l a historia es la m i s e - e n - s c e n e del gran drama de la sal-vación de l a humanidad por el supremo sacrificio de Cristo en la cruz — e n América igual que en E u r o p a — por la infinita gracia de Dios. Se trata nada más nada menos que de l a tesis providencialista propuesta originalmente por Agustín de H i p o n a en el siglo v ; reiterada por su discípulo Orosio; ligeramente mo-dificada por Anselmo en el siglo x i ; y presentada en su nueva forma doctrinal inmejorable por Tomás de A q u i n o en el XIII. T o d o lo que hace Acosta, en efecto, es aplicar esta tradición historiografía a l Nuevo M u n d o , y lo hace I o n gran habilidad y conocimiento de causa. E l universalismo de nuestro cronista, por ejemplo, a primera vista parece u n elemento nuevo en su amplio desarrollo: pero, en rea dad, para Acosta, como para sus antecesores, toda la creación es u ñ a d l a u r d i m b r e ; lejos de ser novedoso, este universalismo desaforado del historiador je¬ suita es una necesidad lógica que se desprende de la vieja pre-misa providencial.
O t r o detalle típicamente medieval de Acosta es su jerarqui-zación de la realidad. Su obra, de hecho, está estructurada por niveles de existencia perfectamente lógicos en la W e l t a n s c h a u u n g cristiana: de lo más general a lo más específico, de lo más lejos de la D i v i n i d a d a lo más cerca; de la nada a l a existencia, de lo inanimado a lo animado, de lo animado a l a planta, de la p l a n
-ta al animal, del a n i m a l al hombre, del hombre a Dios. Así pues, su L i b r o r aborda el cosmos - s i s t e m a del universo, geografk del globo, origen de l a v i d a y de los hombres— y enfoca la pre-sentación, como siempre, específicamente a l Nuevo M u n d o ^ l L i b r o n se refiere a l a Tórrida, es decir, la zona ecuatorial del planeta, y en particular al clima de América. E l L i b r o n i habla de los cuatro elementos del Nuevo M u n d o , cuyas manifestacio-nes se estiman palpablemente similares a las del V i e j o : vientos
(aire) ; mares, ríos y lagunas ( a g u a ) ; continentes e islas (tie-rra) ; volcanes y temblores (fuego) Luego se discuten los me¬ Es importante insistir, sin embargo, que tal estructuración lógica del universo y de la historia no implica, para Acosta, l a
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imposibilidad de interferencias divinas a cada paso. Alguien h a
dicho que no ha habido milagros en Occidente después del xn.
Acosta estaría en total desacuerdo con este parecer. Nuestro au¬ tor cree fervorosamente en los m i l a g r o s :6
L a s relaciones d e los españoles y las de los i n d i o s c o n c u e r d a n e n q u e aquí les libró N u e s t r o Señor p o r m i l a g r o , defendiéndoles l a M a d r e d e M i s e r i c o r d i a y R e i n a d e l C i e l o , María, m a r a v i l l o s a m e n t e e n u n c e r r i l l o d o n d e a tres leguas de M é x i c o está el día d e hoy f u n d a d a u n a i g l e s i a en m e m o r i a de esto . . .
e insiste u n poco adelante:7
S u c e d i e r o n e n esta c o n q u i s t a d e M é x i c o m u c h a s cosas m a r a v i l l o s a s , y no tengo p o r m e n t i r a n i p o r e n c a r e c i m i e n t o , l o q u e d i c e n los q u e e s c r i b e n , q u e favoreció D i o s e l n e g o c i o d e los españoles c o n m u c h o s m i l a g r o s , y s i n el f a v o r d e l c i e l o era i m p o s i b l e vencerse tantas d i f i -cultades y a l l a n a r s e t o d a l a t i e r r a a l m a n d o de tan pocos h o m b r e s . . . b i e n d é tantos m i l l a r e s de a l m a s c o m o de aquellas naciones tenía e l Señor predestinadas, requería q u e p a r a l a m u d a n z a q u e vemos, se p u s i e s e n m e d i o s sobrenaturales.
E l penúltimo capítulo de la obra menciona, detalladamente,
visiones:*
P o r relaciones d e m u c h o s y p o r h i s t o r i a s q u e hay, se sabe de cierto q u e e n diversas batallas q u e los españoles, así en l a N u e v a España c o m o en e l Pirú, v i e r o n los i n d i o s c o n t r a r i o s , en e l aire, u n c a b a l l e r o c o n l a espada e n l a m a n o , e n u n c a b a l l o b l a n c o , p e l e a n d o p o r l o s españoles . . . g l o r i o s o A p ó s t o l S a n t i a g o . O t r a s veces v i e r o n e n tales c o n f l i c t o s l a i m a g e n d e N u e s t r a Señora.
E n un capítulo anterior, " D e los presagios y prodigios extraños
que acaecieron en México, antes d'e f e n e c e r á n i b e r i o " , que reúne las bien conocidas anécdotas sobre el cometa, el pájaro
con cabeza de espejo, etc., encontramos estas palabras:9
E l m i s m o Señor de los cielos y de l a tierra, ordena semejantes extrañezas y novedades e n e l c i e l o y elementos a n i m a l e s , y otras c r i a -turas suyas, p a r a q u e en parte sean aviso a los hombres, y e n parte p r i n c i p i o de castigo c o n el temor y espanto que p o n e n .
L a estructuración lógica cristiana del universo tampoco ex-cluye, para Acosta, al Demonio (Mefistófeles de carne y hueso) ;
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dice nuestro autor de su presencia física en el Nuevo M u n d o , entre otras cosas, refiriéndose a veces a M é x i c o :1 0
Y es así e n efecto de v e r d a d , que en m u c h a s de estas guacas o ídolos, el d e m o n i o h a b l a b a o respondía . . . o r d i n a r i a m e n t e era de noche, y e n t r a b a n las espaldas vueltas a l í d o l o . . . poníanse e n u n a postura fea . . . L a respuesta de o r d i n a r i o era u n a m a n e r a de s i l v o temeroso, o c o n u n c h i l l i d o
a veces al P e r ú :1 1
Señaladamente h u b o u n género de hechiceros entre aquellos i n d i o s , p e r m i t i d o p o r los reyes ingas, q u e son c o m o b r u j o s y t o m a n l a f i g u r a q u e q u i e r e n , y v a n p o r e l a i r e . . . y v e n l o q u e pasa, h a b l a n c o n el d e m o n i o , e l c u a l les responde en ciertas piedras o e n otras cosas q u e e l l o s v e n e r a n m u c h o .
O t r a característica historiográfica medieval de Acosta es su aceptación consciente y humilde de l a condición de eterna igno-rancia sobre hechos fundamentales a que se encuentra atado. L o dice muy bien en u n comentario relacionado con su teoría de los vientos (ésta, por cierto, termina dejando más por explicar que explicado) :1 2
E l espíritu o v i e n t o s o p l a d o n d e le parece, y b i e n q u e sientes su s o p ó l o , mas n o sabes de d o n d e p r o c e d i ó n i a d o n d e h a d e l l e g a r . P a r a q u e e n t e n d a m o s q u e e n t e n d i e n d o tan p o c o en cosa q u e t a n presente y c o t i d i a n a nos es, n o hemos d e p r e s u m i r d e c o m p r e n d e r l o q u e tan a l t o y tan o c u l t o es, c o m o las causas y m o t i v o s d e l Espíritu Santo. Bástanos c o n o c e r sus operaciones y efectos, q u e e n su g r a n d e z a y p u r e z a se nos descubre bastantemente.
L a historia, el p l a n de Dios, es y siempre será u n plan secreto, hasta el f i n del mundo y el Juicio F i n a l , cuando todas sus apa-rentes contradicciones se entenderán.
Estrechamente relacionadas con l a pregunta fundamental se encuentran otras dos cuestiones: a) ¿ Q u é es verdad histórica para Acosta? y b) ¿ Q u é objetividad histórica hay en su obra? P a r a nuestro historiador, lo que da valor real a u n aconteci-miento en el pasado de u n pueblo es el lugar que ocupa en el plan de D i o s : Dios es su única v e r d a d ; verdad, acabamos de ver, hermética e inescrutable; verdad de fe, verdad cristiana. L a lectura de Acosta deja l a impresión, por ejemplo, de que los m i -lagros fueron más importantes en l a Conquista que las victorias
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militares de sus compatriotas. Desde nuestro punto de vista ac-tual, esto demostraría u n a falta total de objetividad, pero no así dentro del W e l t a n s c h a u u n g consistentemente cristiano de nues-tro historiador.
Podemos abordar ahora nuestra segunda pregunta clave:
¿Quién es, para Acosta y su público, el sujeto de l a historia?
E l hombre, desde luego. T o d a historia se dedica a conocer el
pasado del hombre, concebido de maneras distintas según las
diferentes culturas y tiempos, a u n extremo el autor único de sus glorias o fracasos, a l otro títere o culminación de u n plan
trascendental; pero del hombre se trata siempre. Para Aconta,
acabamos de demostrar, l a historia es el d r a m a de l a salvación del hombre: Dios escribió el libreto, pero a l hombre le toca re-presentarlo, y a los pueblos gentiles en particular.
E n el Nuevo M u n d o del siglo x v i , el protagonista de l a his-toria en sentido cristiano medieval es el autóctono pagano. Des-de el principio, Acosta acepta a l indio en u n plan Des-de igualdad
con los antiguos idólatras europeos:1 3
Si a l g u n o se m a r a v i l l a r e d e a l g u n o s ritos y costumbres d e i n d i o s , y los despreciare p o r i n c i p i e n t e s y necios, o l o s detestare p o r i n h u m a -nos o diabólicos, m i r e q u e en los griegos y r o m a n o s q u e m a n d a r o n el m u n d o , se h a l l a n o l o s m i s m o s u otros semejantes, y a veces peores.
y de su h u m a n i d a d esencial -—mexicanos, peruanos y otros—
nuestro autor no tiene el menor asomo de d u d a :1 1
nos enseñan las D i v i n a s L e t r a s q u e todos l o s h o m b r e s d e l m u n d o d e s c i e n d e n d e l p r i m e r h o m b r e , q u e fué A d á n . . . h o m b r e s , q u e s o n a i m a g e n d e D i o s y f u e r o n criados p a r a g o z a r de D i o s .
E n el capítulo " Q u e en los indios hay algún conocimiento de D i o s " , dice nuestro a u t o r :1 5
a u n q u e l a s t i n i e b l a s d e l a i n f i d e l i d a d tienen escurecido e l e n t e n d i -m i e n t o d e a q u e l l a s naciones, pero e n -m u c h a s cosas n o d e j a l a l u z d e la v e r d a d y razón algún tanto de o b r a r e n e l l o s ; y así comúnmente s i e n t e n y c o n f i e s a n u n S u p r e m o S e ñ o r . . . q u e es creador d e l cielo y t i e r r a . . . Y l o m i s m o . . . e n s u m o d o e n l o s de M é x i c o .
y afirma, además, que "los mismos indios estaban cansados y no
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N o creas, padre que t o m a m o s l a ley de C r i s t o tan i n c o n s i d e r a d a m e n t e c o m o dices p o r q u e te hago saber q u e estábamos y a tan cansados y descontentos con las cosas que los ídolos nos m a n d a b a n que habíamos tratado d e dejarlos y tomar o t r a l e y . Y c o m o l a q u e vosotros nos predicasteis nos pareció q u e n o tenía crueldades y q u e era m u y a n u e s t r o propósito y t a n justa y b u e n a entendimos que era l a v e r d a -d e r a ley, y así l a r e c i b i m o s c o n g r a n v o l u n t a -d .
Con estas observaciones queda establecido, para Acosta, el punto fundamental de que el indio tiene no sólo alma inmortal, sino también religiosidad natural, entera e intacta. Cualquier^ posible contradicción entre esta aseveración y el paganismo i n -discutible de los indios se explica culpando al demonio. H a y u n capítulo intitulado " Q u e - l a causa de l a idolatría ha sido la soberbia y invidia del demonio". Siete capítulos del L i b r o v se refieren casi exclusivamente a los remedos sacrilegos de l a doc-trina y rituales y sacramentos de l a verdadera fe por el M a l i g n o , entre ellos l a comunión, la fiesta de Corpus Christi, l a confesión el santo crisma y l a unción, los baustismos, los matrimonios, l a procesiones, l a fiesta del jubileo, etc. Pregunta nuestro historia-dos retóricamente"
¿A quién no p o n d r á admiración que tuviese el d e m o n i o tanto c u i d a d o
d e hacerse a d o r a r y r e c i b i r a l m o d o q u e J e s u c r i s t o nuestro D i o s o r -d e n ó y enseñó, y c o m o l a Santa I g l e s i a l o a c o s t u m b r a ?
A todo su público, desde luego, incluyendo uno que otro antro-pólogo actual. Pero no debemos jamás perder de vista el
verda-dero significado de tal situación:1 8
Y a u n q u e en m u c h a s ceremonias parece q u e c o n c u r r e n con las nues-tras, p e r o es m u y diferente p o r l a g r a n m e z c l a q u e s i e m p r e t i e n e n d e a b o m i n a c i o n e s . L o c o m ú n y g e n e r a l d e ellas, es tener u n a de tres cosas, q u e son o c r u e l d a d , o s u c i e d a d , u o c i o s i d a d . P o r q u e todas ellas o eran crueles o p e r j u d i c i a l e s , c o m o e l m a t a r h o m b r e s y d e r r a m a r sangre, o e r a n sucias y asquerosas, c o m o el c o m e r y beber en n o m b r e d e sus í d o l o s , y c o n ellos a cuestas, o r i n a r en n o m b r e d e l ídolo, y el untarse y e m b i j a r s e t a n feamente, y otras c i e n m i l bajezas; o p o r l o m e n o s e r a n vanas y r i d i c u l a s , y p u r a m e n t e ociosas, y más cosas d e niños q u e hechos de h o m b r e s L a razón de esto es l a p r o p r i a con-d i c i ó n con-d e l espíritu m a l i g n o , cuyo i n t e n t o es hacer m a l , p r o v o c a n con-d o a h o m i c i d i o s o a suciedades, o p o r l o menos a v a n i d a d e s y o c u p a c i o -nes i m p e r t i n e n t e s .
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H u m a n o desde el punto de vista religioso cristiano de la redención de su alma inmortal, el indio también lo es, para Acosta, en sus otras manifestaciones físicas y espirituales. E n el aspecto cultural, por eiemplo, en sus costumbres y p u l i d a y go-bierno," Acosta considera que se d e b e "
deshacer l a f a l s a o p i n i ó n que c o m ú n m e n t e se tiene d e ellos, c o m o de g e n t e b r u t a , y bestial y s i n e n t e n d i m i e n t o , o tan corto q u e apenas m e r e c e ese n o m b r e . . . Q u e es tan v u l g a r y tan p e r n i c i o s o engaño, c o m o saben b i e n los que c o n algún celo y consideración h a n andado entre e l l o s , y v i s t o y sabido sus secretos y avisos . . . que p u e d a m e -j o r deshacerse, q u e c o n d a r a entender e l o r d e n y m o d o de proceder q u e éstos tenían c u a n d o vivían e n su ley . . . se d e j a b i e n c o m p r e n d e r q u e t i e n e n n a t u r a l capacidad para ser b i e n enseñados, y a u n en g r a n p a r t e hacen ventaja a m u c h a s de nuestras repúblicas
y como prueba palpable de ello cita el calendario, los glifos mayas, quipos incas, escuelas v seminarios y conventos, matemá-ticas, correos; organización política y económica de los imperios americanos, sus sistemas de clases, su riqueza y poderío y extensión; sus códigos jurídicos, profesiones y oficios y órdenes m i l i -tares, códices, oratoria, tradiciones orales. D e hecho, cuando se trata de la habilidad aritmética de los indios. Acosta queda asombrado2 0
P o r q u e u n a cuenta m u y embarazosa, e n q u e tendrá u n m u y b u e n con-t a d o r q u e hacer p o r p l u m a y con-t i n con-t a , p a r a v e r a c ó m o les cabe encon-tre tantos, tanto de contribución, sacando t a n t o de acullá y añadiendo tanto de acá, c o n otras c i e n r e t a r t a l i l l a s , tomarán estos i n d i o s sus g r a n o s y pondrán u n o aquí, tres acullá, o c h o no sé d ó n d e ; pasarán un g r a n o de aquí, trocarán tres de acullá, y e n efecto ellos salen con su c u e n t a hecha puntualísimamenre, s i n e r r a r u n t i l d e ; y m u c h o me-j o r se saben e l l o s . . . q u e sabremos nosotros dárselo p o r p l u m a y t i n t a a v e r i g u a d o . S i esto n o es i n g e n i o y s i estos hombres son bestias, j ú z g u e l o q u i e n q u i s i e r e , que l o q u e yo j u z g o de cierto, es q u e en a q u e l l o a q u e se a p l i c a n nos hacen grandes ventajas.
E n otro contexto opina Acosta de la organización social de los q u e c h u a s :2 1
N i n g ú n h o m b r e de consideración habrá q u e no se a d m i r e de tan n o -table y p r ó v i d o g o b i e r n o , pues s i n ser r e l i g i o s o s n i cristianos, los • i n d i o s en su m a n e r a g u a r d a b a n a q u e l l a tan alta perfección de no te-n e r cosa p r o p r i a , y p r o v e e r a todos l o te-necesario, y sustete-ntar tate-n co-p i o s a m e n t e las cosas d e l a religión, y las d e s u rey y señor.
E L P A D R E JOSÉ D E A G O S T A 135
C u a n d o siente necesidad de mencionar algún detalle desfavora-ble a los indios, Acosta tiende a presentarlo bajo condiciones atenuantes, v. g r . el incesto practicado regularmente por los i n -dios peruanos. Insiste nuestro autor que sólo las clases gobernan-tes ejercían esta prerrogativa que era de introducción sumamen-te reciensumamen-te: y que de todos modos le había costado muy caro a l inca l a
abominación-Y c o m o a q u e l m a t r i m o n i o fué ilícito y c o n t r a l a ley n a t u r a l , así o r d e n ó D i o s q u e e n e l f r u t o q u e de él p r o c e d i ó . . . se acabase el r e i n o de los i n g a s .
Finalmente, dice Acosta refiriéndose al valor militar de los i n -dios, criterio de gran importancia para su público del x v i , nada pacifista2 3
Q u i e n e s t i m a en p o c o a los i n d i o s , y j u z g a q u e c o n l a ventaja q u e t i e n e n los españoles, de sus personas y caballos, y armas ofensivas y defensivas, p o d r á n c o n q u i s t a r c u a l q u i e r t i e r r a y nación d e i n d i o s , m u c h o menos se engaña. A l l í está C h i l e . . . A r a u c o y T u c a p e l . . . d o s v a l l e s q u e h a más de veinte y cinco años, q u e c o n pelear cada año y hacer t o d o s u p o s i b l e , no les h a n p o d i d o g a n a r nuestros espa-ñoles cuasi u n p i e de tierra, p o r q u e p e r d i d o u n a vez e l m i e d o a los caballos y arcabuses, y sabiendo que el español cae también c o n l a p e d r a d a y c o n l a f l e c h a , atrévense los bárbaros y éntranse p o r las p i -cas . . . en l a N u e v a España . . . los c h i c h i m e c o s , q u e s o n unos pocos d e i n d i o s desnudos, c o n sus arcos y flechas . . . cada día más a t r e v i -dos y desvergonza-dos los chuchos y c h i r i g u a n a s y p i l c o z o n e s N o p i e n s e n a d i e <jue d i c i e n d o i n d i o s , h a de entender h o m b r e s t r o n -c h o s ; y s i no, l l e g u e y p r u e b e .
Estamos muy lejos del "buen salvaje", pero el protagonista de l a obra de Acosta que venimos analizando - e l indio pagano de América— es declarado hombre en todas las acepciones v extensiones de esta palabra y digno sujeto de historia cristiana.
L a tercera pregunta historiológica importante que debemos hacer sería: ¿ C ó m o se mueve l a historia para Acosta?; o, más específicamente: ¿Por cuál mecanismo se desarrolla en el Nuevo M u n d o el drama de salvación del indio? Ésta no l a contesta directamente nuestro autor, por limitaciones de t e m a que él mis-mo se i m p o n e :2 4
N o es de m i p r o p ó s i t o e s c r i b i r a h o r a l o q u e los españoles h i c i e r o n en aquellas partes, q u e e n eso hay hartos l i b r o s escritos, n i t a m p o c o
136 F R A N C I S I V A N H O E
lo que siervos del Señor han trabajado y fructificado, porque eso requiere otra nueva diligencia; sólo me contentaré con poner esta historia o relación a las puertas del Evangelio
y las consecuencias de este proceder para l a dinámica de l a cró-nica no pueden despreciarse Es del conocimiento común que l a historia cristiana medieval, el modelo de Acosta, se mueve por un proceso netamente dialéctico: Dios-demonió-paraíso; bien-mal-gracia, inocencia-pecado-misericordia, gloria-castigó-salva-ción. Pero l a obra del jesuíta resulta u n a especie de trozo de literatura que no se mueve — declamación, sermón, homilía, sí: pero completamente estática.
Relacionada con esta pregunta está l a cuestión de l a regula-ridad de l a historia y l a posible existencia de leyes históricas —leyes en el sentido estricto racionalista. Acosta no refiere el punto en particular, pero podemos afirmar que no hay tal tipo de normas en su visión. H a y plan divino, sí - i n c o m p r e n s i b l e en su desarrollo—, y hay progreso de la humanidad — p o r el método cataclísmico que acabamos de a d u c i r — hacia l a salva-ción eterna y el más allá; pero el proceso histórico no es
inteli-gible, para Acosta, en términos de leyes naturales.2 5
¿Adonde v a l a historia para Acosta? Esta es l a cuarta y úl-tima pregunta que nos haremos aquí, y de ella el texto y ciertas consideraciones afines facilitan u n a respuesta directa.
Según l a tradición historiográfica seguida por Acosta, siendo el fin de todo evento humano^ personal o comunal, la salvación eterna del alma inmortal, debemos buscar l a meta de la historia cristiana en el mundo sobrenatural, en el ámbito metafísico: es-pecíficamente, en aquella esfera espiritual colocada por los esco-lásticos más allá de nuestro m u n d o , o en el infierno situado en el centro inaccesible de l a Tierra'. Es seguro —como no podía no ser— que Acosta cree en u n cielo espiritual físico, cuya puerta
"tan cerca está . . . de Bretaña, como de Jerusalén" y en u n i n -fierno espiritual igualmente físico, con algunas reservas sobre la naturaleza de su f u e g o
-pero si el infierno está, como platican los teólogos, en el centro, y la tierra tiene de diámetro más de dos mil leguas, no se puede bien asentar que salga del centro aquel fuego, cuanto más que el fuego del infierno . . . no tiene luz y abrasa incomparablemente más . . .
O t r a característica de l a tradición historiográfica cristiana, en su versión original agustinana, fue el milenarismo — l a
creen-E L P A D R creen-E JOSÉ D creen-E A C O S T A 137
cia de que habría u n a gran convulsión apocalíptica en u n futuro relativamente próximo, a l a cual seguiría u n mundo completa-mente nuevo, libre de todo error y pecado: el milenio. Esperado ansiosamente el fin del mundo en el año 500, l a idea del mile-narismo, en su sentido literal, dejó de ser preocupación seria a partir del año 1000. E n el siglo xvt, sin embargo - p o r el descubrimiento de u n mundo realmente nuevo, entre otras r a z o n e s -cobró gran auge u n a variante metamorfoseada del milenarismo original, que se h a llamado utopismo. E l pensamiento histórico de Acosta no está lejos de esas ideas.
Y a tuvimos ocasión de mencionar l a manera elogiosa como se expresa nuestro autor en relación con l a organización econó-m i c a de los indios peruanos. L a bondad de aquel sisteeconó-ma, recor-demos, consistía en "no tener cosa propria, y proveer a todos lo necesario, y sustentar tan copiosamente las cosas de l a religión, y las de su rey y señor." Aseveración que está totalmente dé acuerdo con el retrato que pintan Acosta y otros observadores de la sociedad i n c a : sistema rígido de clases y castas (divididas por ocupación y por regiones), u n a especie de comunismo agrícola primitivo, u n a teocracia militar patrilineal; y que incluía, inci¬ dentalmente, detalles como los
siguientes:-l a m a y o r r i q u e z a de a q u e siguientes:-l siguientes:-l o s bárbaros reyes era ser sus escsiguientes:-lavos to-dos sus v a s a l l o s , de c u y o trabajo g o z a b a n a s u contento . . . c u a n d o c o n q u i s t a b a d e n u e v o u n a p r o v i n c i a , era s u aviso l u e g o l u e g o pasar l o p r i n c i p a l de los naturales a otras p r o v i n c i a s o a s u c o r t e . . . y en l u g a r de éstos p l a n t a b a los de s u nación de C u z c o . . .
o como las hecatombes anuales de mujeres y niños requeridas por el culto ordinario o l a salud flaqueante del emperador. Y
Acosta repite su elogio en otro c o n t e x t o : - P
A s í c o n c u e r d a n los q u e a l c a n z a r o n a l g o d e esto, q u e m e j o r g o b i e r n o p a r a los i n d i o s n o le p u e d e haber, n i más acertado . . .
por lo cual no creemos que se trate de u n a preocupación acci-dental de nuestro historiador.
A h o r a bien, el ideal social cristiano original era precisamente una especie de comunismo teocrático; desde luego lo menos m i -litarista posible. Acosta estaba plenamente conciente de este sor-prendente p a r a l e l i s m o :2 9
el v u l g o c o m ú n . . . cada u n o acudía a l o q u e habían menester e n s u casa, s i n q u e u n o pagase a o t r o p o r esto . . . p a r a las cosas d e s u casa
138 F R A N C I S I V A N H O B
y persona, c o m o es calzar y vestir, y hacer u n a casa, y s e m b r a r y coger, y hacer los aparejos y herramientas necesarios para e l l o . Y cuasi en esto i m i t a n los i n d i o s a los institutos de los monjes a n t i g u o s , q u e r e f i e r e n las v i d a s de los padres.
y lo a p r o b a b a :3 0
dijéramos q u e era v i d a de g r a n perfección, y no deja de tener h a r t o aparejo p a r a r e c i b i r l a d o c t r i n a d e l santo E v a n g e l i o , q u e tan e n e m i g a es de l a soberbia y c o d i c i a y r e g a l o .
A estos textos que acabamos de revisar, cuyo contenido no deja lugar a dudas, debemos añadir ahora la condición de Acos¬ ta, igualmente incontradictoria, de jesuita, posiblemente aun en exceso — s i así entendemos su fracaso político en el Perú. Q u e las misiones jesuítas hicieron todo lo posible para implantar teo-cracias entre sus prosélitos en el Nuevo M u n d o , no es noticia reciente. E l ejemplo clásico v más dramático ocurrió en las Siete Misiones del Brasil y Paraguay, donde los guaraníes recién evan-gelizados formaron una sociedad agrícola comunista, de rígida estructuración social, y mandada por los padres, fuente última de autoridad. Recuérdese que este ensavo, visto como usurpación del poder de la corona, tuvo que ver con la expulsión de la C o m -pañía de todos los territorios de Portugal en el siglo x v m , v llevó a una guerra que costó miles de vidas.
L a conclusión se desprende de los hechos. Acosta aceptaba como ideal político la teocracia comunista cristiana preferida de su orden, y así lo indicó claramente en su obra. Podemos postu-lar que el establecimiento de esta utopía era, para nuestro autor, el objetivo final, en la tierra, de la sociedad cristiana de i n d i o ^
III
D E S P U É S D E H A B E R N O S ocupado en detalle de los fundamentos de la visión historiográfica de Acosta, es interesante indagar en seguida cómo conoce nuestro historiador, cuáles materiales v fuentes utiliza y de qué manera.
Acosta, de hecho, frecuentemente apela a la evidencia de los sentidos, al sentido común y a su propia lógica para demostrar algún error, imaginado o real, de los antiguos - e n especial si el error le parece enorme y el punto teológico involucrado es de importancia^ menor. Pero lo hace casi siempre tímidamente: ". . . no me determino a contradecir a Aristóteles sino en cosa
E L P A D R E JOSÉ D E A C O S T A 139
muy cierta y con grandes disculpas cuando se trata de u n p a -triarca de l a Santa Iglesia"; o bien ". . . Porque no se trata qué es lo que pudo hacer Dios, sino qué es conforme a razón y a l orden y estilo de las cosas h u m a n a s " .
-N o cabe duda, sin embargo, de que l a fuente soberana del conocimiento para Acosta —histórico y no histórico— es la pa-labra divina, la revelación. E n términos prácticos, esto quiere decir l a Sagrada Escritura, más Aristóteles, debidamente anota-dos y comentaanota-dos por los patriarcas y doctores que vinieran al caso; es decir, la versión aprobada por la autoridad. Para nues-tro autor, conocer quiere decir relacionar una realidad con la teología cristiana, con la revelación: sólo entonces adquiere u n
• •
L a autoridad a la que con mayor frecuencia ocurre Acostaes, en materia sacra, desde luego la Santa Bibilia (ambos tes-tamentos, versión católica) y lo hace con gran naturalidad, sin forzar el sentido de sus citas, sin aparentes descuidos en la trans-cripción, con inmejorable pertinencia y admirable imaginación, dejando al lector l a grata impresión que conoce a fondo su fuen-te principal. Agustín es el autor santo preferido de Acosta, y lo sabe usar también con discreción y efecto.
Desgraciadamente no puede decirse lo mismo de la manera como se sirve de los clásicos que constituyeron la autoridad en materia profana durante la E d a d M e d i a . Acosta da muestras de haber conocido a fondo, algunas en su lengua original, a las A r a s de Plinio (el M a y o r ) , Aristóteles, Herodoto, Platón, y aun i las de autores como Tolomeo y Estrabón, de poca importancia teológica. Pero aquí (podernos pensar que por razones de fe y le doctrina) Acosta desvirtúa a sus fuentes, sutilmente a veces , a veces burdamente, pero siempre de manera consciente y pre-neditada en favor de su argumento.
Veamos u n ejemplo de Plinio v Aristóteles. Según Acosta, el rran .naturalista romano del principio de nuestra era mantenía
140 F R A N C I S I V A N H O E
que l a v i d a no era posible entre los trópicos, y que en esta o p i -nión secundaba a l a d e l gran filósofo griego antecesor suyo. Dice nuestro a u t o r :3 2
L a razón que d a b a n , de ser esta Z o n a Tórrida, i n h a b i t a b l e , era e l a r d o r d e l s o l , q u e s i e m p r e a n d a e n c i m a t a n cercano y abrasa toda a q u e l l a región, y p o r c o n s i g u i e n t e , l a hace f a l t a de aguas y pastos.
Y u n poco adelante toma l a molestia de traducir, correctamente, el bien conocido pasaje pertinente de l a H i s t o r i a Natural,™ don-de el naturalista don-declara, adon-demás, que las dos zonas templadas del mundo no pueden comunicarse.
Eso no obstante, para quien quiera consultar a Plinio con cuidado, queda evidente que Acosta lo h a citado fuera de su contexto general; que lo más de que se puede acusar el natura-lista es de exageración metafórica, de retórica. Plinio sabe que sí se puede atravesar el e c u a d o r :3 4
D e Cádiz y los P i l a r e s de Hércules se navega h o y día p o r t o d o e l o c é a n o o c c i d e n t a l . . . H a n n o n , e n l a época d e l m a y o r p o d e r í o de C a r t a g o , circunnavegó a A f r i c a , de Cádiz hasta A r a b i a , y escribió un relato de este v i a j e .
Sabe, además, que l a zona ecuatorial está habitada por seres h u
-manos, tanto en África como en el sureste de A s i a .3 6
T a m b i é n en S i e n a , s i t u a d a cinco m i l estadios río a r r i b a de Alejandría, n o hay s o m b r a a l m e d i o día e n e l día d e l s o l s t i c i o . . . O n e s i c r i t o d e c l a r a q u e esto también se observa en l a I n d i a , más allá d e l río H i p a s o . . . C i n c o m i l estadios río a r r i b a d e S i e n a , en M e r o é , q u e es una i s l a d e l N i l o y l a c a p i t a l de los Etíopes, l a s o m b r a desaparece dos veces . . . E n e l país de los O r e t a s , e n l a I n d i a , e l m o n t e M a l e o t i e n e su s o m b r a al sur d u r a n t e e l v e r a n o y a l n o r t e d u r a n t e e l i n v i e r n o . . . A l a a l t u r a d e M e r o é , e l pasto se t o r n a más verde, h a y a l g u -nos bosques; se n o t a n trazas d e rinocerontes y elefantes.
Y sabe que los hombres y los animales de las tierras tórridas de África no son como los de E u r o p a .3 6
. . . E t í o p e s . . . d e tez q u e m a d a , b a r b a d a y cabello r i z a d o . . . A q u í encontrarás a n i m a l e s m o n s t r u o s o s . . . cuerpos gigantescos.
A t r i b u i r esa idea a Aristóteles tampoco es estrictamente co-rrecto. N o es lo mismo ignorar u n a cosa que negar su existencia.
E L P A D R E JOSÉ D E A C O S T A 141
Si nos tomamos l a molestia de leer el texto del Filósofo vemos que en ninguna parte de su obra referida y traducida por Acos-t a3 7 está dicho que l a v i d a sea imposible entre los trópicos o que
la zona ecuatorial sea infranqueable. L o que sí dice el texto es que, hasta donde Aristóteles tiene noticia cierta que se haya ex-plorado por hombres de l a cuenca mediterránea, l a tierra habi-t a d a se limihabi-ta, al norhabi-te, por los hielos ehabi-ternos, y al sur por los grandes desiertos. N o es lo m i s m o : condición y posibilidad son cosas m u y distintas. Aristóteles claramente se refería a su m u n -do, y además estaba hablando en términos muy generales; y no iba m u y lejos de l a verdad, si entendemos sus aseveraciones den-tro de sus límites reales.
E l caso de Herodoto también es demostrativo; Acosta no lo cita en referencia a l a discusión sobre que el Nuevo M u n d o no podía ser del conocimiento de los antiguos porque éstos no sa-bían marear en océano. D e hecho, su alusión a Herodoto no tiene nada que ver con las navegaciones antiguas, sino con la construcción de u n canal entre el M a r R o j o y el N i l o :3*
A esta plática n o f a l t a q u i e n d i g a q u e s e r i a anegar l a tierra, p o r q u e q u i e r e n d e c i r q u e e l u n m a r está más bajo que e l o t r o , c o m o en t i e m -p o s -pasados se h a l l a -p o r las historias haberse d e j a d o de c o n t i n u a r por l a m i s m a consideración e l M a r R o j o c o n el N i l o , en t i e m p o d e l rey Sesostris.
Acosta se opone terminantemente a l a construcción de u n canal en el Istmo de Panamá porque
sería a m i parecer m u y j u s t o t e m e r d e l castigo d e l c i e l o , q u e r e r e n -m e n d a r las obras q u e e l H a c e d o r , c o n s u -m o acuerdo y p r o v i d e n c i a , o r d e n ó en l a fábrica de este U n i v e r s o .
Por último, Platón, otro de los clásicos citados con bastante frecuencia por Acosta, sufre desvirtuaciones similares. S u T i m e o se encuentra aludido dos veces, haciendo burla de lo que al je-suíta parecen errores ridículos, y contradiciendo su idea de l a Atlántida (para lo que cita, por cierto erradamente, el famoso diálogo sin dar su referencia).
E n f i n , debemos insistir en que Acosta carecía totalmente de esa modalidad de pensamiento moderno empírico (científico), que se v a estableciendo cada vez más firmemente en el R e n a c i -miento y es ya u n hecho a partir de Descartes, cuyos puntos principales son l a observación controlada, l a descripción medida y l a explicación por regularidades matemáticas, aplicadas al
es-142 F R A N C I S I V A N H O E
tudio de u n fenómeno natural. Casi medio siglo después de l a aparición de D e r e v o l u t i o n i b u s o r b i u m c o e l e s t i u m nuestro jesuíta se desentiende totalmente de l a teoría copernicana que tanto le habría ayudado a comprender fenómenos para los que necesita construir teorías complicadísimas (v. gr. l a de los vientos) y alambicadas. L a explicación científica-matemática le es total-mente ajena, y así, al referirse a "lo que se dice de la Tórrida-zona", puede e s c r i b i r :3 9
. . . siendo así que en las causas naturales y físicas no se h a de p e d i r r e g l a i n f a l i b l e y matemática, s i n o que l o o r d i n a r i o y m u y común eso es l o que hace r e g l a . . .
I V
E N C O N C L U S I Ó N , Acosta es u n historiador estrechamente ligado a l a escolástica medieval cristiana, y en su intento de escribir una crónica de Indias según los principios de dicha filosofía historiográfica, logró su propósito admirablemente, aunque no haya s i el primero e n r i z a r tal t a r e a - Conceptamente obró con profundo conocimiento de causa; en l a ejecución mos-tró ingenio, mesura, y felicidad de expresión. Y es esta fidelidad total a su tradición justamente lo que otorga a Acosta su lugar privilegiado entre los cronistas menores de Indias: como histo-riador, por su seriedad teórica; como testigo histórico, por su sinceridad.
La visión histórica de Acosta es altamente subjetiva, cierta-mente; pero l a subjetividad es una propiedad s i n e q u a n o n de toda forma de pensar y saber, y más en l a historia, en donde el sujeto que estudia es el mismo sujeto estudiado. L a subjetivi-dad de Acosta es enteramente inteligible dentro de su W e l t a n ¬ s c h a u u n g cristiana. Sus pequeñas distorsiones de ciertos hechos
(conforme nosotros los conocemos ahora, cuatro siglos después) son perfectamente comprensibles — h a s t a previsibles— si parti-mos de las mismas premisas que nuestro autor; y nunca se salen de los límites generalmente admitidos de variabilidad personal entre observadores y relatores distintos con el mismo inventario cultural.
¿Podemos reclamar para nuestro autor originalidad definiti-va, imaginación, genio? Desgraciadamente no todos los soldados son héroes, no todos los cristianos son santos, no todos los h o m -bres de ideas son genios. Acosta dista mucho de ser u n innova-dor intelectual. A l contrario: hemos visto que nuestro autor,
E L P A D R E JOSÉ D E A G O S T A 143
tanto en su v i d a como en su obra, permanecía ligado a m u y viejas tradiciones filosóficas. D e todos modos, para e l : historió-logo más vale l a palabra de u n testigo mediocre que el silencio eterno de m i l Servetos.
Racionalidad, sinceridad, y consistencia de puntos de vista son sus cualidades como historiador. Y cabe considerar que Acos¬ ta, aun en su actitud conformista, nos ha legado mucho más. A l antropólogo en especial le interesa su defensa de l a unidad del hombre y de l a unidad de l a historia bajo el palio de u n solo Dios y su Iglesia, por el paralelismo conceptual que este punto de vista ideológico milenario presenta en relación con el moderno de l a unidad antropológica del hombre, en términos c u l -turales. D e esta nueva idea, Acosta podrá llamarse, con toda justificación, uno de los precursores más consistentes y más atra-yentes, no fuera más que por haber renovado, frente al problema que planteaba l a comprensión del nuevo mundo, las viejas tesis
N O T A S
1 J . R . C A R R A C I D O : E l P . José d e A c o s t a y su i m p o r t a n c i a en la l i t e r a
-t u r a cien-tífica española. M a d r i d , Salva-t, 1 8 9 9 ; L . L O P E T E G U I : E l P . José d e A c o s t a , S . I . y l a s m i s i o n e s . M a d r i d , C o n s e j o S u p e r i o r de Investigación
Científica, 1942.
2 José de A C O S T A : H i s t o r i a natural y m o r a l d e las I n d i a s ( E d i c i ó n p r e
-p a r a d a -p o r E d m u n d o O ' G o r m a n ) . M é x i c o , F C E , 1962. T o d a s las referencias al texto en este artículo p r o v i e n e n de esta edición. A l g u n o s de los conceptos v e r t i d o s en e l P r ó l o g o d e l e d i t o r , y a l g u n o s datos contenidos e n sus tres apéndices, f a c i l i t a r o n en m u c h o el d e s a r r o l l o d e l análisis h i s t o r i o l ó g i c o q u e s i g u e .
3 I b i d . , p p . 3 7 3 - 3 7 6 . * I b i d . . p . 52. <¡ I b i d . , p. 53. 6 I b i d . , p . 3 7 0 . ' I b i d . , p. 3 7 1 . 8 I b i d . , p . 3 7 3 .
9 I b i d . , p . 3 5 9 . 1 0 I b i d . , p p . 231 y 2 3 6 . « I b i d . , p . 264.
12 I b i d . , p . 9 0 .
1 3 I b i d . , p. 2 1 6 . S i n e m b a r g o ( I b i d . , p . 2 1 8 ) , A c o s t a también es capaz
de d e c i r : " M a s en f i n , y a q u e l a idolatría f u e e x t i r p a d a de l a m e j o r y más n o b l e p a r t e d e l m u n d o , retiróse a l o más apartado, y reinó en esta otra
144 F R A N C I S I V A N H O E
p a r t e d e l m u n d o , que a u n q u e en n o b l e z a m u y i n f e r i o r , en g r a n d e z a y a n -c h u r a n o l o e s . "
" I b i d . , p p . 29 y 248. " lbid„ p . 219.
i « I b i d . , p . 254.
1 7 I b i d . , p . 2 5 9 .
i s Z ¿ ¿ ¿ , p p . 2 6 6 - 2 6 7 .
1 9 I b i d . , p . 2 8 0 . 2 0 I b i d . , p . 2 9 1 - 2 9 2 .
21 J t ó / . , p . 3 0 1 .
2 2 I b i d . , p . 304.
2 3 I W „ p . 3 7 5 . S i n e m b a r g o , a u n q u e l a simpatía de A c o s t a l o sitúa
f r a n c a m e n t e d e l l a d o de los i n d i o s , d i s t a m u c h o de p o n e r l o en c o n t r a de los suyos ( I b i d . , p . 3 7 3 ) : "es b i e n q u e n o se c o n d e n e n tan absolutamente todas las cosas de los p r i m e r o s conquistadores de las I n d i a s , c o m o a l g u n o s l e t r a d o s y r e l i g i o s o s h a n h e c h o , c o n b u e n celo s i n d u d a , pero d e m a s i a d o . P o r q u e a u n q u e p o r l a m a y o r p a r t e f u e r o n h o m b r e s cudiciosos y ásperos, y muy i g n o r a n t e s d e l m o d o d e proceder, q u e se había de tener entre i n f i e l e s , q u e jamás habían o f e n d i d o a los c r i s t i a n o s , pero tampoco se puede negar q u e de p a r t e de los i n f i e l e s h u b o m u c h a s m a l d a d e s contra D i o s y c o n t r a l o s nuestros, que les o b l i g a r o n a usar de r i g o r y castigo. Y l o q u e es más, el Señor d e todos, a u n q u e los fieles f u e r o n pecadores, q u i s o favorecer su causa y p a r t i d o p a r a b i e n de los m i s m o s i n f i e l e s q u e habían de c o n v e r t i r s e después p o r esa ocasión a l Santo E v a n g e l i o ; p o r q u e los caminos de D i o s s o n altos, y sus trazas, m a r a v i l l o s a s " .
2 i I b i d . , p . 2 1 5 .
2 5 I b i d . , p p . 305 y 3 2 3 . N o hemos o l v i d a d o e l e v o l u c i o n i s m o s o c i o p o
lítico i n v o c a d o p o r A c o s t a e n dos ocasiones d i s t i n t a s , según e l c u a l los i n -d i o s p a s a r o n p o r tres esta-dios: p r i m e r o , " c u a s i c o m o fieras s i n casa, n i techo n i sementera, n i ganado n i rey, n i ley n i D i o s n i r a z ó n " ; l u e g o , " p o r i n d u s t r i a y saber d e a l g u n o s p r i n c i p a l e s . . . c o m u n i d a d e s behetrías . . . i n t r o -d u j e r o n o r -d e n y p u l i -d a y m o -d o -de r e p ú b l i c a " ; y f i n a l m e n t e " h o m b r e s q u e t u v i e r o n más brío y m a ñ a . . . se d i e r o n a o p r i m i r y a sujetar los menos poderosos, hasta hacer r e i n o s e i m p e r i o s g r a n d e s . " C o n s i d e r a m o s , s i n e m -b a r g o , q u e esta especulación se a p l i c a no a l o p r o p i a m e n t e histórico e n e l e s q u e m a m e d i e v a l c r i s t i a n o , s i n o a su p r e h i s t o r i a , es decir a los t i e m p o s anteriores a C r i s t o . E l r e f e r i d o e v o l u c i o n i s m o n o excluye, tampoco, l a m e -tafísica p r o v i d e n c i a l i s t a o los m i l a g r o s .
2 6 I b i d . , p . 136. 2 7 I b i d . , p p . 299 y 2 9 6 .
2 8 I b i d . , p . 2 9 6 .
2 9 I b i d . , p . 3 0 1 . 3 0 I b i d . , p. 3 0 2 .
E L P A D R E JOSÉ D E A C O S T A 145
3 2 I b i d . , p . 3 1 .
3 3 I b i d . , p . 3 4 . A . de G R A N D S A G N E ( t r . ) : H i s t o i r e n a t u r e l l e d e P l i n e .
París, P a n c k o u c k e , 1 8 2 9 ; t o m o H : p p . 1 5 3 - 1 5 5 ( L i b r o II, capítulo 6 8 ) . 34 A . de G R A N D S A G N E ( t r . ) : o p . c i t . , t o m o n , p . 149 ( L i b r o n , capí-t u l o 6 7 ) .
3» I b i d . , p p . 1 6 5 - 1 6 7 . ( L i b r o II, capítulo 7 3 ) . I b i d . , t o m o v , p. 139
( L i b r o v i , capítulo 2 9 ) .
3« I b i d . , t o m o n , p. 1 7 1 . ( L i b r o I I , capítulo 7 8 ) .
3" A C O S T A : o p . c i t . , p p . 3 1 - 3 3 . A R I S T Ó T E L E S : Meteriología, L i b r o n ,
c a p í t u l o 5.
38 A C O S T A : op. cit., p . 1 0 8 .
39 A C O S T A : op. cit., p . 7 5 .
<« P o r e j e m p l o F r a n c i s c o L Ó P E Z D E G O M A R A en s u H i s t o r i a G e n e r a l d e