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Consumo alimentar de crianças com um ano de vida num serviço de atenção primária em saúde

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w w w . e l s e v i e r . p t / r p s p

Artigo

original

Consumo

alimentar

de

crianc¸as

com

um

ano

de

vida

num

servic¸o

de

atenc¸ão

primária

em

saúde

Laura

Garcia

de

Freitas

a,∗

,

Renata

de

Souza

Escobar

b

,

Margarita

Alexandra

Pe ˜na

Cortés

c

e

Daniel

Demétrio

Faustino-Silva

b,d aProgramadeResidênciaIntegradaemSaúdedoGrupoHospitalarConceic¸ão,PortoAlegre/RS,Brasil bServic¸odeSaúdeComunitáriadoGrupoHospitalarConceic¸ão,PortoAlegre/RS,Brasil

cProgramadePós-Graduac¸ãoemBiologiaCelulareMoleculardaPontifíciaUniversidadeCatólicadoRioGrandedoSul,PortoAlegre/RS,

Brasil

dProgramadePós-Graduac¸ãoemOdontologiadaUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul,PortoAlegre/RS,Brasil

informação

sobre

o

artigo

Historialdoartigo: Recebidoa18deabrilde2015 Aceitea16deoutubrode2015 On-linea22dejaneirode2016 Palavras-chave: Consumodealimentos Nutric¸ãodacrianc¸a Primeiroanodevida Hábitosalimentares

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Descreveroconsumoalimentardecrianc¸ascomumanodeidadeatendidasno Servic¸odeSaúdeComunitáriadoGrupoHospitalarConceic¸ão,localizadonomunicípiode PortoAlegre–RS.

Métodos:Foramanalisadosdadosde 83crianc¸asatendidasno territóriode abrangência doServic¸ode SaúdeComunitária doGrupoHospitalar Conceic¸ão,nascidasno período entre2012-2013.Asmãesquepermitiramaparticipac¸ãodascrianc¸asnoestudo respon-deramaquestionáriodeconsumoalimentar,cujasvariáveisforamoshábitosalimentares (tempodealeitamento maternoexclusivo [AME],tempoxdealeitamento maternototal, introduc¸ãodeac¸úcar,carne,vegetaisesuplementac¸ãodesulfatoferroso).

Resultados:Ascrianc¸aserampredominantementedosexofeminino(54,2%),comamédia deidadede13,3±1,2meses,permanecendo41%emaleitamentoexclusivoatéaos6meses e48%tinhamrecebidoleitedepeitonodiaanterioraentrevista.Foisignificativaa percenta-gemdecrianc¸as(66%)quenãorecebeumel/melado/ac¸úcarourapaduraantesdos6meses; noentanto,foievidenciadoconsumoelevadodesucoempó(63,9%)erefrigerante(55,4%). Amédiadeidadeentreasmãesfoide30,4±9,9anos.Ainsatisfac¸ãocomarendafamiliar atingiuumpercentualde68,7%noúltimomês.

Conclusão:Os achados do estudo demonstraram dados positivos na qualidade da alimentac¸ãonafaixaetáriaavaliada.Educac¸ão nutricionale promoc¸ãoda alimentac¸ão saudáveldevemserestimuladasnosservic¸osdesaúdeemtodososciclosdavida.

©2015TheAuthors.PublicadoporElsevierEspaña,S.L.U.emnomedaEscolaNacional deSaúdePública.EsteéumartigoOpenAccesssobalicençadeCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

Correioeletrónico:[email protected](L.GarciadeFreitas). http://dx.doi.org/10.1016/j.rpsp.2015.10.001

0870-9025/©2015TheAuthors.PublicadoporElsevierEspaña,S.L.U.emnomedaEscolaNacionaldeSaúdePública.EsteéumartigoOpen AccesssobalicençadeCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

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Children’s

food

consumption

in

the

first

year

of

life

in

a

primary

health

care

service

Keywords:

Foodconsumption Childnutrition Firstyearoflife Foodhabits

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective: Theaimofthisstudywastodescribethedietaryintakeofoneyearoldchildren treatedbytheCommunityHealthServiceofGrupoHospitalarConceic¸ãoplacedinPorto Alegre.

Methods: Dataof83childrentreatedintheterritorycoveredbytheCommunityHealth ServiceofGrupoHospitalarConceic¸ãobornduringtheperiodbetween2012and2013was analyzed.Mothersthatallowedtheparticipationoftheirchildreninthestudyhave answe-redaconsumptionoffoodquestionnairewhosevariableswerehabitsfood(durationof breastfeedingexclusive-BE,thetotaldurationofbreastfeeding,introductionofsugar,meat, vegetablesandferroussulfatesupplementation).

Results: Childrenwerepredominantlyfemale(54.2%),withmeanageof13.3±1.2months, remaining41%exclusivebreastfeedingupto06monthsand48%hadreceivedbreastmilk ontheinterviewday.Itwasfoundsignificantpercentageofchildren(66%)whodidnot receivehoney/molasses/sugarorbrownsugarbefore6monthshoweverevidencedhigh consumptionofjuicepowder(63.9%)andsoftdrinks(55.4%).Themothers’meanagewas 30.4±9.9yearsold.Dissatisfactionwithfamilyincomelastmonthreachedapercentageof 68.7%.

Conclusion: Thefindingsofthestudyshowedpositivedataonfoodqualityinthestudied agegroup.Nutritioneducationandhealthyeatingpromotionshouldbeencouragedinthe healthservicesinallcyclesoflife.

©2015TheAuthors.PublishedbyElsevierEspaña,S.L.U.onbehalfofEscolaNacional deSaúdePública.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Oestudosobreconsumoalimentarnoprimeiroanodevida éde grande relevância paranortear asac¸ões eo entendi-mentodarelac¸ãosaúdeversusdoenc¸anosservic¸osdesaúde pública.Nessaidade oshábitos alimentarescomec¸am ase formar,constituindoassimoperíodoidealparaintervenc¸ões educativasemnutric¸ãoquevisemapromoc¸ãoeprevenc¸ãoem saúde1.Hábitosalimentaresinadequadosnoinícioda

infân-ciarelacionam-secomexcessodepesoesurgimentonavida adultadedoenc¸ascrônicasnãotransmissíveis(DCNT),hoje umadasprincipaiscausasdemortalidadenoBrasil2.

Diantedesseproblema,ogovernofederalbrasileiro, atra-vés da Rede de Atenc¸ão à Saúde, coordena e identifica as necessidades dos utilizadores para garantir uma ade-quadaorganizac¸ãodoscuidadosnutricionaisda populac¸ão brasileira3.Aatenc¸ãobásicaéaportadeentradados

utiliza-doresdoSistemaÚnicodeSaúde(SUS),tornando-seoespac¸o adequadoparaac¸õesdepromoc¸ãodesaúderelacionadas a alimentac¸ãoeaoexcessodepeso4.

Aalimentac¸ãosaudáveléumaformade prevenc¸ãoque acarretará efeitos positivos na saúde ao longo da vida. Sãodiversasaspublicac¸õessobreoassunto, destacando-se odocumentodoMinistérioda Saúde(MS)brasileiro intitu-lado«10passosparaumaalimentac¸ãosaudávelparacrianc¸as brasileiras menores de 2 anos», no qual estão resumidas orientac¸õesalimentaresparaessafaixaetáriaem10itens1.

OSistemadeVigilânciaAlimentareNutricional(SISVAN) éumadas ferramentasutilizadas peloMS visandorealizar o diagnóstico descritivo e analítico da situac¸ão alimentar

e nutricional da populac¸ão brasileira, contribuindo para formulac¸ão e revisão de políticas públicas, identificando áreasgeográficas,segmentossociaisegrupospopulacionais de maiorrisco aosdistúrbiosnutricionais5. Diantedisso, o

objetivodesseestudofoidescreveroconsumoalimentarde crianc¸as com umano de idade, atendidas por umservic¸o decuidadosdesaúdeprimáriosdePortoAlegre–RS/Brasil, econtribuirparaoconhecimentodoestadonutricionaldesse grupopopulacional.

Métodos

Trata-sedeumestudotransversaldescritivo6,inseridonuma

pesquisa decoorte deacompanhamento desaúdeinfantil. Oestudofoirealizadonas12unidadesdesaúde pertencen-tes ao Servic¸o de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceic¸ão(SSC-GHC),localizadasnazonanortedePorto Ale-gre–RS/Brasil.

Participaramdoestudo83crianc¸aspertencentesao terri-tóriodeabrangênciadoSSC-GHC,nascidasnoperíodoentre 2012-2013.Acoletadedadosfoirealizadaatravésdaaplicac¸ão deumquestionáriodeconsumoalimentaràsmãesque per-mitiram a participac¸ão das crianc¸as, através da assinatura doTermodeConsentimentoLivreeEsclarecidoantesdesua inclusãonaamostra.

Entrevistadorespreviamentetreinadosaplicaramo questi-onárioquecontinhaquestõesdoinstrumentodemarcadores doconsumoalimentarparacrianc¸asdoSISVANdoMS5,cujas

variáveisforamoshábitosalimentares(tempodealeitamento materno exclusivo [AME], tempo de aleitamento materno

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Tabela1–Característicassociodemográficasdaamostra. PortoAlegre–RS,2014

Variáveis n=83

Dadosdacrianc¸a

Idade(meses)–média±DP 13,3±1,2

Sexo–n(%)

Masculino 38(45,8)

Feminino 45(54,2)

Dadosdamãe Escolaridade–n(%)

Ensinofundamentalincompleto 17(20,5) Ensinofundamentalcompleto 7(8,4) Ensinomédioincompleto 18(21,7) Ensinomédiocompleto 25(30,1) Ensinosuperioroumais 16(19,3) Idadedamãe(anos)–média±DP 30,4±9,9 Númerodefilhos–n(%) 1 46(55,4) 2 16(19,3) 3oumais 21(25,3) Rendasuficiente–n(%) Sim 26(31,3) Não 57(68,7)

total,introduc¸ãodeac¸úcar,carne,vegetaisesuplementac¸ão comsulfatoferroso).

OSISVANrecomendaaaplicac¸ãodessequestionário,pois permite qualificar de forma geral o padrão alimentar da crianc¸asemapreocupac¸ãodequantificaradietaemtermosde nutrientesevalorenergético.Suadivisãoporfaixaetária pos-sibilitaaidentificac¸ãodaprevalênciaeotipodealeitamento materno,alémdecaracterizarmelhoroperíododeintroduc¸ão de alimentos,tãoimportante para asaúde demenores de 5anos7.

ApesquisafoiaprovadapeloComitêdeÉticaePesquisado GHC(CAAEn.◦26100013.0.0000.5530eParecern.◦610.81).

Resultados

Foram avaliadas 83 crianc¸as com predominância do sexo feminino(54,2%). Amédiade idadefoide 13,3±1,2meses. Analisandoasvariáveismaternas,observou-secomrelac¸ãoa escolaridademaiorpercentagemdemãescomensinomédio concluído.Amédiadeidadedasmãesfoide30,4±9,9anos. Predominouainsatisfac¸ãocomarendafamiliar(68,7%).As característicassociodemográficasdaamostraestudadaestão representadasnatabela1.

Napopulac¸ãoestudada,41%permaneceuemaleitamento exclusivo até os 6 meses de idade e 48% das crianc¸as tinhamrecebidoleite depeitono diaanteriora entrevista. Aqualificac¸ãodadietaoferecida(introduc¸ãodeac¸úcar,carne, vegetais,frutasesuplementac¸ãocomsulfatoferroso)podeser analisadanatabela2.

Éimportanteressaltarqueumaelevadapercentagemde crianc¸as(79,5%)nãorecebeumel/melado/ac¸úcarourapadura antesdos6meses,noentanto,foievidenciadoconsumo signi-ficativodesumoempó(63,9%)erefrigerante(55,4%)noúltimo mês.

Tabela2–Consumoalimentardeumaamostrade crianc¸asdeumanodevida.PortoAlegre–RS,2014

Variáveis n=83

n(%) Acrianc¸aontemrecebeuleitedepeito?

Não 43(51,8)

Sim 40(48,2)

Senão,atéqueidadeseufilhomamounopeito

Nunca 4(9,3)

<120dias 14(32,6)

≥120dias 25(58,1)

Atéqueidadeseufilhoficouemaleitamentomaternoexclusivo? <1mêsoununca 9(10,8) Até1mês 4(4,8) Até2meses 9(10,8) Até3meses 7(8,4) Até4meses 12(14,5) Até5meses 8(9,6) Até6meses 34(41,0)

Ontemquantaspreparac¸õesdeleiteacrianc¸atomou?

Nãotomou 12(14,5)

Até2copos 47(56,6)

Maisque2copos 24(28,9) Ontemacrianc¸acomeuverduras/legumes?

Não 15(18,1)

Sim 68(81,9)

Ontemacrianc¸acomeufruta?

Não 7(8,4)

Sim 76(91,6)

Ontemacrianc¸acomeucarne?

Não 10(12,0)

Sim 73(88,0)

Ontemacrianc¸acomeufeijão?

Não 11(13,3)

Sim 72(86,7)

Ontemacrianc¸acomeuassistindotelevisão?

Não 63(75,9)

Sim 20(24,1)

Ontemacrianc¸acomeucomidadepanela?

Não 9(10,8)

Sim 74(89,2)

Acrianc¸arecebeumel/melado/ac¸úcar/rapaduraantesde6meses deidade?

Não 66(79,5)

Sim 17(20,5)

Acrianc¸arecebeupapasalgada/comidadepanelaantesde6meses deidade?

Não 66(79,5)

Sim 17(20,5)

Acrianc¸atomousumoindustrializadoourefrescoempónoúltimomês?

Não 30(36,1)

Sim 53(63,9)

Acrianc¸atomourefrigerantenoúltimomês?

Não 37(44,6)

Sim 46(55,4)

Acrianc¸atomoumingaucomleiteouleiteengrossadocomfarinha ontem?*

Não 55(66,3)

Sim 28(33,7)

Acrianc¸atomousulfatoferrosoontemconformeprescric¸ãomédica?

Não 61(73,5)

Sim 22(26,5)

Preparadacomdeaveia,amidodemilho,farinhadetrigooude milhomisturadoscomleite.

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Discussão

As ac¸ões de promoc¸ão da saúde e prevenc¸ão das DCNT iniciam-senagravidez,promovendooscuidadospré-nataise anutric¸ãoadequada,passandopeloincentivoaoaleitamento maternoeestendendo-sedurantetodoociclovital, estimu-landofatoresprotetorescomoaalimentac¸ãosaudável,entre outros2.

Conforme dados da Pesquisa de Prevalência de Aleita-mento Materno em Municípios Brasileiros, a prevalência dealeitamentomaternoexclusivonosprimeiros6mesesde vida,noBrasil,éde41%8.Dadoidênticofoiencontradoneste

estudo(tabela2).Oleitematernoéoalimentoidealparaa crianc¸arecém-nascida.Seus benefíciosincluemreduc¸ãoda mortalidadeinfantiledaincidênciadediversasdoenc¸ascomo diarreia,infecc¸õesrespiratórias,alergias,hipertensão, coles-terolalto,diabeteseobesidade.Soma-seaissooefeitopositivo que acarreta no desenvolvimento neurológico e cognitivo, emelhordesenvolvimentoda cavidade oralda crianc¸a9–11.

Incluem-seoutrosbenefíciosnoqueserefereapraticidade, poisdispensaotrabalhodeesterilizarosbiberõeseferver, mis-turar,coar,dissolver,esfriaroleite12.Alémdisso,evitacustos

financeiroscomfórmulasinfantisindustrializadasououtros leites.Aamamentac¸ãotambémbeneficiaamãeao protegê--la contraaanemia, ocancro demamaede ovário.Outro aspectoimportanteéqueelereforc¸aovínculoafetivoentre mãeefilho9,12.AtravésdeumaparceriaentreOMS,UNICEF

eMS,foi criadoumdocumentoquepropõediretrizes para os«10passosparaosucessodoaleitamentomaterno»,cuja utilizac¸ão ecumprimento pelos hospitaisos intitula como AmigodaCrianc¸a.Asorientac¸õesfocamnacapacitac¸ãodas equipesparaorientac¸õesàsgestantesnapráticaadequadado aleitamento13,14.

Mesmoqueapenasmenosdametadedascrianc¸as avalia-das(41%)tenhampermanecidoemAMEatéos6meses,um percentualsignificativodemães(79,5%)referiuquenão ofe-receramdocesnemcomidadepanelaàscrianc¸asantesdesse período.Domeneetal.1analisarampráticasdeamamentac¸ão

de grupos vulneráveis, residentes no distrito noroeste da cidadedeCampinas, eviram que,entreo grupoestudado, amedianadealeitamentomaternoexclusivofoide4meses emaisde20%dascrianc¸asjárecebiamoutrosalimentosno primeiromêsdevida.Emumapesquisarealizadanacidade de Arac¸atuba – SP, cujo objetivo foi avaliar frequências e variáveisassociadasaoaleitamentomaternoemcrianc¸asaté 12meses,ospesquisadoresconcluíramquecrianc¸asque usa-vambiberãoechupetaestavammaispropensasàinterrupc¸ão daamamentac¸ãoeàintroduc¸ãodeoutrosalimentos16.Outras

causaspara ainterrupc¸ãoforam encontradasnoestudode Filamingoetal.17,realizadonacidadedeDoisCórregos(SP).

Verificou-se que a influência cultural das mães e/ou avós e dificuldades como rachaduras e inflamac¸ões mamárias, tambémcontribuíramparaoinsucessodemães adolescen-tes na amamentac¸ão, mesmoque 87,2% das entrevistadas tenhamreferidoquereceberamorientac¸ãosobreoassunto duranteoperíodopré-natal.Muitasmães relatamem con-sultasainseguranc¸asobreoleitematernonãosersuficiente paranutrirseusbebêsemitoscomoessesobrealeitamento materno e composic¸ão do leite devem ser discutidos em

espac¸oseducativoscoletivoseemconsultasindividuais.Frigo et al.18, emrelato de experiência sobregrupo de gestante

em umaequipe de cuidados de saúdeprimários de Santa Maria(RS–Brasil),concluíramqueconhecerpreviamenteas expetativasesentimentosdasgestantes,considerandoseus conhecimentosanterioreseabordandopossíveisdificuldades, podedeixá-lasmaissegurasparasuperarasadversidadesda gestac¸ãoedaamamentac¸ão.

Resultadosdesteestudoapontaramque58,1%dascrianc¸as forma amamentadasaopeitomaisde120dias,oquedeve continuarsendoestimulado,vistoqueodireitolegalalicenc¸a maternidade égarantido por4 meses e isso muitas vezes influencianoabandonodoaleitamentomaterno,apesardas mulheres terem direito a 2 descansos de meia hora para amamentarquandoretornamaotrabalho19.VistoqueoMS

brasileirorecomendaaleitamentomaterno complementado atéos2anosoumais,éimportantecontinuarestimulando apráticaapósotérminodalicenc¸adematernidade.Amãe deve receber orientac¸ões de recolha e armazenamento do leite materno quando não estiver próxima ao bebê e de técnicas emanejodosprincipais problemasrelacionadosa amamentac¸ão9.Alémdisso,oapoiodafamíliaémuito

impor-tantenessemomentodaamamentac¸ão,especialmentepara asmães quetrabalhaminformalmentee,porisso,nãosão amparadaspelosbenefíciostrabalhistaslegais.São necessá-riasmedidas,tantodogovernocomodosservic¸osdesaúde pública,queviseminvestigarosdesafiosacercadotemae ela-borarac¸õescombasenasdificuldadesmaternasencontradas. A partir dos 6 meses deve-se introduzir a alimentac¸ão complementardeformagradualsemrigidezdehorário.Esta orientac¸ão éalteradasomentenoscasos emqueacrianc¸a estejarecebendo leite devaca oufórmulainfantil quando, então, a alimentac¸ão deve ser introduzida aos 4 meses. Devem ser oferecidos todos os grupos alimentares (cere-ais/tubérculos,leguminosas,carne/ovoelegumes/verdurase frutas)desdeoinícioevitandoaliquidificac¸ãodosalimentos, estimulandodestaformaamastigac¸ãoeoadequado desen-volvimentofacialdobebê.Nessafase,aalimentac¸ãoespessa auxilianasfunc¸õesdalíngua,damusculaturafacialena capa-cidadedemastigac¸ão.Alémdisso,acrianc¸atemcapacidade gástricareduzidaedeverecebermaiordensidadeenergética emmenorvolume.Aos12mesesacrianc¸ajápodesealimentar damesmamaneiraqueasuafamília1,9.

O guia alimentar para crianc¸asmenores de 2anos ori-enta para estimular o consumo diário de frutas, verduras elegumes(FVL),devidoàquantidade devitaminas,ferroe fibras desses alimentos1. Dadosdestapesquisa apontaram

que, nodia anterioràentrevista, essesgrupos alimentares estavam presentes visto que, do total de crianc¸as (n=83), 81,9% tinham consumido verduras/legumes e91,6% frutas. Esteresultadopodeestarrelacionadoadiversosfatores. Pode-moscitarentreelesomaioracessoaosalimentos,estímulo dosmédiaecampanhasdepolíticaspúblicasemrelac¸ãoà alimentac¸ãosaudável,juntamentecomotrabalhodas equi-pasdesaúdemultiprofissionaisquevisaaocuidadointegral. Háumprogramaespecíficoparasaúdedacrianc¸a,emquea assistênciaérealizadadeformaintegradaequeorientac¸ões sobrealimentac¸ãosaudávelestãopresentesnasconsultasde puericulturaedemaisac¸õesrealizadas.Porém,deve-sedar atenc¸ãoaoconsumodessesalimentosaolongodainfância

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atéavidaadulta.Munizet al.20,empesquisacom 600

alu-nosde 15-20 anos nacidade deCaruaru, emPernambuco, constataramque10% dosentrevistados informaramnunca consumirfrutase30,7%nuncaconsumirverduras/legumes. OconsumodeFVLcontribuiparasaúdeemdiversosaspectos. Umarevisãosistemáticade ensaiosclínicosrandomizados, abrangendoa faixa etária de 5-18 anos, publicada no ano de 2011, concluiu que intervenc¸ões de educac¸ão nutricio-nal,como envolvimentodospais efornecimentode frutas everduras pelosservic¸os escolares, aumentamoconsumo dessesalimentoseauxiliamnareduc¸ãodosobrepesoeda obesidade21.Gomes22,emumarevisãocríticasobreconsumo

deFVL,concluiqueosprofissionaisdesaúdecostumam pro-moveraalimentac¸ãosaudávelapenasatravésdoestímuloao consumodenutrienteseprotec¸ãoàsdoenc¸asdemaneira téc-nicaecientífica;porém,deveserconsideradoosaberpopular naconstruc¸ãodeestratégiasparapráticasalimentares saudá-veisadequadasàrealidadedosindivíduosefamílias.

Oconsumoinsuficientedealimentosfontedeferroe/ou combaixadisponibilidadedomicronutrienteéumadas prin-cipais causas de anemia em crianc¸as, gerando retardo do crescimento,comprometimentocognitivoemotor,atrasode linguagem,problemasimunológicos,entreoutros.As princi-paisfontesalimentaresdeferrosãoascarnesvermelhas,aves, peixes,vísceraseleguminosas23,24.Tratando-sedos

alimen-tosfontedestenutrienteforamencontradosdadospositivos nestetrabalho,noqual88%dascrianc¸asconsumiramcarne nodiaanterioràaplicac¸ãodoquestionário e86,7%tinham consumidofeijão.Noentanto,emrelac¸ãoasuplementac¸ãode sulfatoferroso,cujoMSpreconizaparacrianc¸asde6-23meses deidade25,apenas26,5%dascrianc¸asavaliadastinham

rece-bidoosuplemento.Numarevisãosistemáticarecentesobrea efetividadedasuplementac¸ãodesulfatoferrosonaprevenc¸ão daanemiaemcrianc¸as,osautoresreferiramnãohaver evidên-ciacientíficaqueasuplementac¸ãocomsulfatoferrosoesteja associadanaprevalênciadeanemiaemcrianc¸asmenoresde 5anos26.Portanto,alémdoestímuloàsuplementac¸ão,é

impo-rtantequeasequipasdesaúdemonitorizemexamese este-jamatentasparaoconsumoalimentardasfamíliasemum conjuntodeac¸õesestratégicasdeprevenc¸ãodadoenc¸a,afim dediminuircomplicac¸õescausadasporela,relacionadasao desenvolvimentodacrianc¸a.

Artigo de revisão sobre deficiência de ferro na crianc¸a concluiqueháprevalênciadadoenc¸aemcrianc¸as, principal-mentelactentes,equeaprevenc¸ãodeveserpriorizadaatravés deac¸õescomosuplementac¸ãoefortificac¸ãodealimentospara ogrupoderisco,incentivoaoaleitamentomaternoexclusivo atéos6mesesdeidadeepromoc¸ãodesaúde27.

Deve oferecer-se à crianc¸a uma alimentac¸ão variada e colorida,abrangendoomaiornúmerodenutrientespossível, evitandooferecerac¸úcar,café,enlatados,frituras, refrigeran-tes,rebuc¸ados,salgadinhoseoutrasguloseimas,bemcomo adicionarsalemexcesso,naalimentac¸ãodacrianc¸a.O con-sumodessesalimentoscausadesinteresseporoutros,irritam amucosagástrica,induzemàalergiaepodemlevaraoexcesso depeso1.Umestudocom270crianc¸asdecrechespúblicasde

São Paulo, no ano de 2007, apontou que 2/3 das crianc¸as estudadasconsumiram,antesdos12meses,alimentos indu-toresdeobesidade28.Aspropagandasdealimentosebebidas

ac¸ucaradasedocesgeramumreflexoderecompensaatravés

dover,lembrare,porconsequência,quererqueé especial-mentesuscetívelnafaixaetáriadascrianc¸as29.Alémdisso,

emsetratandodoconsumoexcessivoefrequentedeac¸úcar, oCadernodeAtenc¸ãoBásicadeSaúdeBucaldoMSaponta queohábitoéumdosmaioresfatoresderiscoparaacárie nainfância30.Aspercentagenssignificativasdeconsumono

último mês de refrigerante (55,4%) e suco em pó (63,9%) encontradonosquestionáriosanalisadossinalizaa necessi-dadedeestratégiasdereduc¸ãodosmesmos.Aaltadensidade energéticadebebidasadoc¸adasédesconhecidapelospaise familiares,principalmente emrelac¸ãoaossucosdesabores artificiaisdefruta.Noservic¸odecuidadosdesaúdeprimários ondeapresentepesquisafoidesenvolvidacostuma-seutilizar aexposic¸ãodemaquetescomasquantidadesreaisdeac¸úcar presentesnasbebidaseemoutrosalimentos,impactandoos usuáriosdoservic¸opois,aoconseguiremvisualizara quanti-dadedeac¸úcarexistenteemcadaproduto,passamaassimilar asorientac¸õesantesrecebidas.

Achados neste estudo mostram que poucas crianc¸as (28,9%) tomaram mais de 2 copos de leite no dia anterior da aplicac¸ãodoquestionário,evidenciando queoconsumo deste alimento não prejudicou o restante da alimentac¸ão. Recomenda-seevitaroleitedevacanoprimeiroanodevida, umavezqueseuconsumoestárelacionadoàsalergias alimen-tares,predisposic¸ãoàsanemias,distúrbioshidroeletrolíticos efuturoexcessodepeso.Apartirdeumanodeidadeo con-sumoépermitido,desdequenãosubstituaoutrosalimentos erefeic¸ões31.OliveiraeOsório32,emrevisãosobreconsumode

leite devacaeanemia,concluíram queoconsumode leite devacaemsubstituic¸ãoaalimentosricosemferro biodispo-nívelconstituiriscoparaanemia.Oquevaiaoencontroda revisãosistemática,realizadaem2006,sobrefatores associa-dosaoriscodeanemiaemcrianc¸asmenoresde6anos,que associouoconsumoenergéticodaalimentac¸ãodascrianc¸as provenientes do leite de vaca com a doenc¸a,emconjunto comoutrasvariáveis.Osautoresdesteestudodestacamcomo pontopositivoofatodequeamaioriadosentrevistadosnão engrossouoleitecomfarinhas,alimentoque,porapresentar excessodeac¸úcar,podeinduzirsobrepesoeobesidade33.

Tantoaofertaexcessivadeleite,comoadefarinhas enri-quecidas comac¸úcar,fazem partedeumcontextocultural de que esses alimentos são nutritivos e necessários para crianc¸adurantetodaainfância.Éresponsabilidadedas equi-pas desaúdedesconstruiressa ideia,atravésde atividades didáticas emateriaiseducativosquemostrem averdadeira recomendac¸ãoalimentarparacadafaixaetária.

Relativamente a questão sobre alimentar-se assistindo televisão nodia anterior aentrevista,poucas mães (24,1%) responderamque sim,oquepodeestarrelacionadocoma dependênciadacrianc¸aparacomerjuntoaumresponsável. Contudo,esteéumhábitoamplamenteestudadopela comu-nidadecientífica,aqualreferequecomerdiantedatelevisão influencianegativamentenaalimentac¸ão34,35.Rossietal.34,

emrevisãosistemáticaem2010,verificaramumaassociac¸ão de85%entreconsumoalimentarehábitodeassistir televi-sãonarotinadecrianc¸aseadolescentes,eassociac¸ãocom obesidadeem60%dosartigosrevistos.Concluiu-sequemaior tempodedicadoparatalhábitotendeadiminuiroconsumo defrutaseverduras,eaumentaroconsumodesalgadinhos, docesebebidascomelevadoteordeac¸úcar.Outroestudocom

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crianc¸asentre6-10anosdeidadeapresentoutemposuperior a3horasemfrenteatelevisãocomoumdosfatoresderisco paraosobrepesoinfantil35.

Oestabelecimentodebonshábitosalimentaresdacrianc¸a é,principalmente,deresponsabilidadedafamília.Uma pes-quisa na cidade de Vitória (ES) constatou que o grau de instruc¸ãodamãeeaparticipac¸ãodiretadopainarendada famíliapareceminfluenciarnaescolhadealgunsalimentos, comofrutasefeijão36.Tolonietal.28,emestudorealizadocom

270crianc¸asde8crechespúblicasdeSãoPaulo,constataram queabaixaescolaridadematernaeidadeinferiora20anos sãovariáveisassociadasaintroduc¸ãoprecocedesalgadinhos emacarrãoinstantâneo,equearendapercapitainferioraum saláriomínimorepresentariscos2vezesmaiordeintroduc¸ão precocedesalgadinhoerefrigerante.Empesquisarealizada porVeleda,SoareseCezar37 foianalisada umaamostrade

crianc¸asentre8-12meses,identificadascomoderiscosocial aonascer,sendodetetadoquearendafamiliaresteve associ-adaaoriscodetranstornosnodesenvolvimento.Amédiade idadedasmãesqueresponderamaosquestionáriosdeste tra-balhoéalta(30,4±9,9anos),sendoquemetadedelaspossui ensinomédiocompletooumais,oquepodeterinfluenciado asescolhasalimentarespositivasdescritasnotrabalho. Entre-tanto,aoseremquestionadassobrearendafamiliar,68,67% dasmãesdopresenteestudorelataramconsiderararendada famíliainsuficiente(tabela2).

Iniciativascomooprojeto«PapaBem»,implantadoem Por-tugaledesenvolvidopeloProgramaHarvardMedicalSchool38, cujoobjetivofoiaproduc¸ãoedisseminac¸ãodeinformac¸ão sobre obesidade infantil através da internet destinada ao públicogeral,éumexemplodeferramentaquepodeser uti-lizada paraauxiliar o incentivoda alimentac¸ãosaudável e desmistificarmitosrelacionadosaoassunto.

Arelevância dosachados através de dados depesquisa emservic¸osdecuidadosemsaúdeprimáriospodeser con-sideradacomoumpontopositivodestapesquisa.Noentanto, é necessário fazer algumas considerac¸ões com relac¸ão à limitac¸ãodesteestudo.Primeiramente,podemoscitaraquelas quesãointrínsecasàsanálisestransversais,como impossibi-lidadedeinferircausalidadedosachados.Contudo,mesmo sendoumestudotransversal,oestudoestáaninhadoauma coortemaiordesaúdeinfantil.Finalmente,aponta-seofato dosdadosutilizadosnotrabalhoseremdeumaregião especí-ficadacidade,oqueimpededeseremextrapoladosparatodo municípiodePortoAlegre–RS/Brasil.

Conclusão

Osresultadosencontradosdemonstraramdadospositivosna qualidadedaalimentac¸ãonafaixaetáriaestudada.Educac¸ão nutricionalepromoc¸ãodaalimentac¸ãosaudáveldevemser estimuladosnosservic¸osdesaúdeemtodososciclosdavida, visto que a literatura mostra piora da alimentac¸ãoe con-sequenteaumentocondic¸ões crônicasdesaúde(obesidade, hipertenc¸ão,diabetes)comoaumentodaidade. Emse tra-tando de aleitamento materno, deve ser continuadamente estimuladopelosservic¸osdesaúde,devidoaseusinúmeros benefíciosqueinfluenciamtantonainfância,comonavida adulta.

Financiamento

Essapesquisaépartedoprojetode tesededoutorado inti-tulado «Impacto de programas preventivos de saúdebucal infantilnaAtenc¸ãoPrimáriaaSaúde»,vinculadoaoPrograma dePós-graduac¸ãoemOdontologiadaUniversidadeFederaldo RioGrandedoSul,emparceriacomoGHCefinanciadopelo Edital02/2013PPSUS/FAPERGS.

Conflito

de

interesses

Osautoresdeclaramnãohaverconflitodeinteresses.

Agradecimentos

Ao Servic¸o de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceic¸ão,peladisponibilidadeeapoiopararealizac¸ãodeste estudo,àequipadepesquisaqueaplicouosquestionáriose àsmãesqueaceitaramrespondê-los.

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