TítuloComo sair do cerco A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero e a génese da sua centralidade no campo da crítica literária

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(1)Hctasdo. S. Ricardo. i. m Carual. m e m o r i a. d. ºs é. e u. Os i. o. Ocalero 10. Edición de Teresa lópez e francisco Salinas. UNl\'EKSQ)ADE DA COllU�A llEA 1>E fJLOLoxiAs G.\LEG E l'OllftlCU�.

(2) Editan:. © Departamento de Galego-Portugués, Francés e Lingiiística da Universidade da Coruña Campus de Elviña, s/n. A Coruña © Asociación Sócio-Pedagóxica Galega r/ Laracha, 9, entrechán 1501 O A Coruña Teléfono e fax: 981 27 82 59 Deseño gráfico do Simposio: Torné Asociados De�eño da edición e maquetación: Antonio Souto Impresión: lmprenta Provincial Dep. Legal: C-617-02. I.S.B.N.: 84-89679-66-5 I.S.B.N.: 978-84-9749-767-1 (electrónico). DOI: https://doi.org/10.17979/spudc.9788497497671.

(3) HctasdoS Ricard� m. i. m Carual. e m o r la. d. ºs é. e u. i. o. Ocalero lo. Edición de Teresa lópez e francisco Salinas. Organizan:. Colaboran:.

(4) Organización 11. B•IHlllll 1 J[][. [ff[]. 11. 11 11 rnr 11. rnn 1 1 11. Departamento de Galego-Portugués, Francés e LingOística da Universidade da Coruña Asociación Sócio-Pedagóxica Galega. Presidencia de Honra Mª lgnacia Ramos.. Comité Científico Profª Doutora Mª Victoria Carballo-Calero Ramos (Universidade de Vigo). lsaac Díaz Pardo. Francisco Fernández del Riego. Prof. Doutor Justo González Beramendi (Universidade de Santiago de Compostela). Prof. Doutor Basilio Losada Castro (Universitat de Barcelona). Profª Doutora María Camino Noia Campos (Universidade de Vigo). Prof. Doutor José Luis Rodríguez Fernández (Universidade de Santiago de Compostela). Prof. Doutor Jurjo Torres Santomé (Universidade da Coruña).. Comité Organizador Coordenación: Teresa López (Universidade da Coruña), Francisco Salinas Portugal (Universidade da Coruña).. Presidente: Carlos Paulo Martínez Pereiro (Universidade da Coruña). Vicepresidente: Alberte Ansede (Asociación Sócio-Pedagóxica Galega). Vogais: Pola Universidade da Coruña: Manuel Ferreiro, Xosé Ramón Freixeiro, Elisardo López Varela, Luciano Rodríguez, Goretti Sanmartín e Laura Tato. Pola Asociación Sócio-Pedagóxica Galega: Xoán Costa, Teresa Fiaño, Anxo Gómez Sánchez e Mª Xosé Bravo.. Secretaria: Xosé Manuel Sánchez Rei (Universidade da Coruña) Secretaría do Simposio: María Calvo, Xoán Carlos Lagares..

(5) ;. lndice. Presentación. 7. Prólogo José Luis Meilán Gil. ....................................................................................................................... 9. Conferencia Inaugural Ricardo Carvalho Calero, Gallaecia Magna. José Luís Rodrígez. A investigación lingiiística e literaria. .. ................................... .......... 11 29. ------. Como sair do cerco. A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero e a génese da sua centralidade no campo da crítica literária. Elias J. Torres Feijó. ..... 31. A obra lingiiística de Carvalho Calero. Ramón Mariño Paz ...................................................... 67. A narrativa. 107. A narrativa de Carvalho Calero na encrucillada dos anos cincuenta. Manuel Forcadela ...... 109 A descrición na obra narrativa de Carvalho Calero. Análise retórica e hermenéutica. Arturo Casas. 119. Do carácter híbrido na narrativa breve de Carvalho Calero. (Da ambígua verdade intempestiva de Aos amores seródios). Carlos Paulo Martínez Pereiro. 137. ..................................................................................................... ................................... 161 O discurso metapoético de Ricardo Carvalho Calero. Xosé María Álvarez Cáccamo. ............. ..... 171. ............................................................. 183. As pegadas de Manoel Antonio na poesía de Ricardo Carvalho Calero. Kathleen March Carvalho Calero. Mitos para un exílio. Pilar Pallarés. 163. O teatro. 203. Carvalho Calero: o Teatro e a Vida. João Guisan Seixas . ... .......... . . . ...... .............. ....... .............. Carvallo Calero no diagrama da comunicación dramática. Carballo, poeta dramático e ironista. Araceli Herrero Figueroa. ............................................................... A intervención política e cultural. 205 227 249. O compromiso cultural de Carvalho Calero: a reintegração lingiiística galego-portuguesa. José-Martinho Montero Santalha. ............................................................. Reflexións sobre a Segunda República. Xosé Ramón Barreira Fernández Carballo Calero, un xove nacionalista. 1926-1936. Justo Beramendi.. .......... 263. ............................ 281. ..... . . . ........... .. .. ........ 251. O home. 295. Algúns recordos de Carvalho Calero. lsaac Díaz Pardo. ............ . .............................................. Ricardo Carvalho Calero: a elegancia do intelectual comprometido. Miguel Anxo Fernán-Vello. ........................................................................................................... O professor, o mestre, o amigo: evocaçom saudosa. Aurora Marco. .. 297 301. ........................ 309. ........... .................................................... 323. ............... Cla_usura do Simposio Carvalho Calero novelista. Darío Villanueva. .............. .. Apéndices. 341. Apéndice fotográfico ............................................................................................................... 343 Ricardo Carvalho Calero escribe a Xosé Filgueira Valverde. Dados para a antoloxía da poesía galega do ano 1936. Teresa López. ............ ............................................................... 349. 367.

(6) l. Como sair do cerco. A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero e a génese da sua centralidade no campo da crítica literária1. 1111m11111J11tt111•1111m1m•1m111111mu t 1U1111111ru1111J1111ru11111111. illli illllH. Elias J. Torres Feijó Universidade de Santiago de Compostela. DOI: https://doi.org/10.17979/spudc.9788497497671.031. CARVALHO CALERO NO PROTOSSISTEMA ; ;. LITERARIO GALEGUISTA NO APOS-GUERRA. Denom i no protoss i stem a l iterá r i o gal ego, tomando como base a Na minha intervençom no Simpósio Carvalho Calero celebrado na Universidade da Corunha e orige das presentes Actas, dediquei aquele espaço a fazer umha caracterizaçom geral do labor crítico e historiográfico exercido por Ricardo Carvalho Calero até a publicaçom da sua Historia da Literatura Galega Contemporánea. Opto, agora, por um assunto mais restrito, qual é a aproximaçom dos primeiros anos de cinqlienta do passado século, em que está parte importante da génese da centralidade do futuro Professor da Universidade compostelana, tomando como objecto o seu texto "Algo sóbor da poesía de Curros" e, mui principalmente "Arredor de Rosalía" . Neles estám já os nutrientes que vertebrarám os seus livros e intervençons posteriores, explicáveis, em boa medida, a partir do estado do campo da crítica literária na altura. 2. Nom se faga equivaler isto à questom simples de se há ou nom "literatura galega" e se ela é, ou nom é, a escrita em galego. Para veicular umha ou outra alternativa, fai falta precisamente umha rede de instituiçons, mercados,. noçom de s i stem a de Even-Zoh a r. (1990),. à rede de actividades. l iterá r i as q u e se desenvo l vem n a G a l iza e noutros espaços soc i a i s v i ncu l ados a e l a (en c l aves, como o bon aere n se o u o c u bano) e q ue, seg u n d o os i nterve n i entes, v i sam a constitu içom d u m s i stema galego autónomo ou d u m s u b s i stema do s i stem a espa n h o l. Para u n s, aq u i norma l mente o sector ga l egu i sta, h averá u m ha sér i e d e bal izas q u e d ifere n c i a m e s ing u l a r i z a m e s s e s i stem a ( l ín g u a e/o u ass u ntos, fu ndamenta l mente) e que j u stif i cam a s u a v i ab i l i d ade e autonom i a ; para outros essas bal izas s o m ou i m pe rti nentes ou i nex i stentes como ta is, nom passando de part i c u l a ridades, ou entom ex i sti ndo outras, como o l ugar de nasc i mento e/ou os temas tratados, q u e constituem um s u b s i stema, u m h a parte de um todo, neste caso o s i stema espa n h o l 2. Como se sabe, essas asp i raçon s nom se p rod uzem de m a ne i ra pac íf i ca.. É q u ase u m u n i ve r s a l q u e aq u e l es g r u pos q u e p rete n d e m a constitu içom de s i stemas l iterários/c u ltu ra i s i ndependentes, de regra a parti r d a s u a pertença a o utros de m a i o r capac i d ade, encontram como resposta dos gru pos dom i na ntes, e nom só, ataq ues tanto ao carácter. 31.

(7) Hchs110S. Elias J. Torres Feijó. 1 D Os 1 O Ricardo Carualfiocalero m. a rtísti co das suas p rod uçons como à i n v i ab i l i d ade do seu p rojecto. e m ori a. d ºs é e u ¡ 11. ( l i ng u ísti ca, pol iticamente, etc . ) e à i l egiti m idad e da s u a p roposta . A precariedade em q u e esses p rotoss i stemas se desenvo l vem reforça a i nda esse conj u nto d e ataq u es, tam bém aos o l hos d a com u n i d ade a q u e se d i r i ge m , te nta n d o mostrar os a l egados per i gos q u e d a auto no m i a s e derivari a m . D iga-se, i g u a l mente, q ue, de e ntre esses gru pos dom i nantes, os i nterven i e ntes, po l o menos s i stem aticamente, costu mam ser elementos periféri cos, dom i n ados dentro do gru po dom i na nte, porq u e som as suas fu nçons e pos içons as rea l m ente ameaçadas. por. esse. p rotoss i ste m a ,. que. l he. d i s p u ta. te r re n o. i nstitu c i o n a l , de mercado, p ú b l i co, etc . , o q u e os f a r i a f i ca r sem recon hec i mento i m po rtante tanto no espaço po l i s s i stém ico espan h o l , de q u e normal mente carecem já, como n o s u b-/p rotoss i stema galego. Argu i -se f re nte a esse carácter d ifere n c i a l ou à s u a perti né n c i a o facto de ele apresentar u m repertório red u z ido (em boa med i d a po l a ten dé n c i a d o s gru pos p rotoss i sté m i cos a d efenderem de p referé n c i a repertór i os essenc i a l i stas) e red utor, de tender para a d i sg regaçom q u ando todo tende à u n i d ade, de n egar(-se a) a u n ive rsa l i dade e n u m e r a n d o os p rej u ízos q u e atitudes desses t i po,. i so l adas, à. com u n idade própria vam trazer (e q u e outros escrito res, para consegu i r o seu a l to n íve l d e consagraçom n o s i stema espa n h o l e i nternac i o n a l ter i a m s a b i d o corri g i r, casos d e Pardo B a z á n , Va l l e- l nc l á n o u , n aq ue l e, momento, Cam i l o J . Ce la) O ataq ue, e o caso gal ego é parad igmáti co, d i ri ge-se contra todos os factores que constitue m o s i stema: contra a sua precariedade ou i n ex i sté n c i a ;. contra. a. i n ex i sté n c i a. dumha. trad i ç o m. canón ica. a m p l amente reco n h ec i da, contra a s u a modern i d ade, entendendo como cau sas nom o utras q u e a i nexorab i l i d ade e a ten dé n c i a à u n idade. Ass i m , por exem p l o, é atacada a a u sé n c i a de Trad i çom l eg i t i madora 'de q u a l i d ade' ou ento m , se se reco n h ecer a sua ex i sté n c i a, j u l ga-se p roduto d o passado n a actu a l i dade l onge d u m a l egado p rogresso rec l amado po l a altu ra dos tem pos. Para contrarrestar estes ataq ues, os gru pos promotores do p rotoss i stema costu m a m , como facto i rremed i áve l , aceitar essas normas de jogo i m postas po los grupos dom i na ntes, tendo q u e demonstrar q u e se reu ne m todos os req u i s itos em causa . A sua de b il idade ( n o rm a l m ente prod u z i da po los g r u pos dom i n antes) no m lhes perm i te i m po r outras regras. O rec u rso ao essenc i a l i smo, à consideraçom, d a existénc i a d e marcas caracteriológicas d o s e u ser, aq u i do. ser. galego, a que, p o r sé­. l o, d eve gu ardar-se obed ié n c i a, costu m a tam bém ser u m recu rso. 32. produtores, emissores, repertórios, etc que garantam a sua existência de maneira suficiente; e isto unido a bali­ zas diferenciais, ou normas sistémicas (a língua usada, a orige, o assunto, o tratamento, etc) que as diferenciem, Garantia e diferenciaçom que, no espaço social em que se inserem, deverám ser predominantes para a sua viabilidade, Nessa garantia, nessa dife­ renciaçom, na aceitaçom ou nom dumhas ou doutras normas sistémicas e na predomináncia que o o conjunto produza radica a existência dum siste­ ma literário como consolidado, frente a um subsistema ou protossistema. lsso é o que está em jogo em processos como o aqui tratado,.

(8) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carva1ho Calero. habitu a l , e m bo ra, se no m fo r tratado com hab i l i d ade, se apresente vu l neráve l à i m pu g n aço m po r red uto r o u loca l i sta . O caso galego será n i sto exem p l a r na s u a i nvo caço m da saudade co mo no rma de repertório3 • Quem repassar a i m p rensa d aq ue l es ano s pode mui bem verificar estes aspecto s . De resto , e l e apresenta-se, n o após-guerra, co mo care n c i ado em todos o s seu s facto res, co m no rmas s i stém icas i nstáve i s e co nti n u adamente d i scutidas,. a balo u çar e ntre s u b s i stema e proto s s i stem a . O p rocesso repress i vo d a guerra e o após-guerra refo rçará essa carê n c i a, q u e o. co loca ao bo rdo q u ase do desaparec i mento n a década de q uare nta . E q u ando tentada a s u a p recária rec u pe raço m nada do ante r io rmente. a vançado tem praticamente valo r. É q u ase tam bém um u n iversal q u e em p ro cesso s de e m a n c i paço m co mo o gal egu i sta, a ex i stê n c i a de ruptu ras d rásticas mais ou meno s d i l atad as no tem po (co mo a gerad a po l a G u e rra de 36- 3 9 e a derrota da Rep ú b l ica e a rep resso m posterio r) gera co n stantes perdas de memória e desconexons, q u e co nvertem em c íc l icas as d i sputas s i stém i cas, desfazendo i d e i as p rev i a m ente assentes nos espaço s soci a i s em q u e fu n c io na m . Quem o l har, mesmo que de passage, o pano rama l iterário da G a l iza de fi n a i s d e q u a re nt a poderá detectar entre o utras co u sas, esse fenómeno . N essas co nd i ço ns, o membro do Partido G a l egu i sta e esc rito r em g a l ego. R i ca rdo. C a r b a l lo4 C a l e ro. to r n a. à. act i v i d ad e. públ ica.. Co nden ado a doze ano s de p r i so m , ferro l ao de o ri ge b u rguesa, ofi c i a l m i l i c i ano do Exérc ito Repu b l i cano ( e m q u e i ngressara em Mad ri d em J u l ho d e 36, o nde estava co ncu rsa n do p a ra p rofesso r ofi c i a l de l icéu), fu n c io n ário m u n i c i pa l co mo a u x i l i a r ad m i n i strativo em 1 9 3 3 n a Cámara de Ferro l , desde essa altu ra membro d o s i n d icato UGT e casado co m Mª Vi cto ri a Ramos, estudante de F i losofi a e Letras tam bém 3. 4. 5. Denomino "norma de repertório" àqueles materiais que se considera fam mais genuína umha literatura num dado estado de campo. Para nom criarmos confusom, utilizaremos em adiante apenas a forma Carvalho para o primeiro apelido do autor em foco mas deve pensar-se que, na altura, a forma por ele usada era a de Carballo, assim até aos finais de 70 do século passado. Nom é banal esta questom porque poderia levar a algum leitor nom conhecedor deste facto a indesejadas leituras erróneas. Para as noçons de campo, capital simbólico e capital cultural veja-se Bourdieu (1991).. na U n i vers i dade de Santi ago e desde Dezem b ro de 35 em exced ê n c i a exercendo docê n c i a n u m centro privado d a m e s m a c i d ade vo lta a Ferro l , n a Pri mavera de 4 1 , em l i berdade co n d i c io n ada, desde a priso m de Jaén, o nde o apa n h ara o fi n a l da guerra c i v i l e a ren d i ço m do Exérc ito de Anda l u z i a rep u b l icano . Mesmo antes d a guerra, Ricardo Carval ho Calero era u m jovem i nte l ectu a l fo rm ado, b r i l h a ntemente, em D i re ito n a U n ivers i dade de Santiago , em q u e fo ra destacado l íder estu d i anti l , e, d esde 1 9 35 e po r Cu rso L i v re, em Fi losof i a e Letras . Detenta po i s u m rel ativamente alto cap ita l c u ltu ra l e s i m bó l i co5 , part i c u l armente nos m e io s g a l eg u i stas, em que é con hec i do parti c u l a rmente co mo auto r de vário s l ivro s de poemas, p r i me i ro em caste l hano, depo i s em gal ego , d e vários arti gos. 33.

(9) Elias J. Torres Feijó. de crítica literária p u b licados na galeguista revista Nós6 e como membro do Seminário de Estu dos G a l egos desde finais da década de 20, intimamente ligado ao projecto c u ltural que a denominada G eraçom Nós, por ser essa revista o l ugar convergente, naq u e l a altura conso lidava, e onde sa lientavam os nomes de Danie l Caste l ao, Otero Pedrayo e Vicente Risco, naq u e l e 1 94 1 , o pri meiro no exí lio, o segundo s u mido no si l êncio do i mediato após-guerra em termos. 6. Entre outros textos, publicara em castelhano o poemário Trinitarias, El Correo Gallego, Ferrol, 1928 e na mesma Tipografia e cidade a conferência "En torno a las ideas comunistas de Platón" (1929). "Como via a Aristóteles o Pae Feijoo" nos Arquivos do Seminario d'Estudos Galegos, V, 193 0, "Ollada encol da poesía lírica galega contemporánea", Nós, 87, 193 1; "la fuerza pública en la Universidad de Santiago (29-1-3 1): Datos y documentos", El Eco de Santiago, Santiago, 193 1; o poemário Vieiros, Nós, A Corunha, 193 1; Anteproyeito do Estatuto da Galiza que presentou a poñenza, Seminario de Estudos Galegos, Santiago, 193 1 (autores: luis Tobio e Ricardo Carvalho); o poemário em espanhol La Soledad confusa (1929-1930), Nós, Santiago, 1932; "Balance e inventario da nosa literatura", Nós, 108, 1932; "Grorias e perigos da poesía de Bouza Brey", Nós, 13 0, 1934; "A xeneración de Risco", Nós, 13 1-13 2 e o poemário O si/enzo axian/lado (1931-1934), Nós, Santiago, 193 4. Para umha exaustiva, ainda que naturalmente incompleta, relaçom da bibliografia carvalhana vid. Montero Santalha (1994) e Rodríguez (2000).. 7. De todo isto som significativa expressom as cartas de Piñeiro a Del Riego (vid . , por exemplo, as datadas em 17 de Novembro (p. 28 ) e 27 de Dezembro de 4 9 (p. 3 1); nesta última Piñeiro alude a que Carvalho "volverá ocupar o posto relevante que lle corresponde dentro do noso rexurdimento cultural" . Quanto ao enclave bonaerense, sirva como exemplo o livro, Dos mil nombres gal/egos, de Francisco lanza, que sabemos concluído em 1950 mas impresso em 53 , expressom dicionarial das glórias do país, e que recolhe a páginas 51 a Carvalho numha dupla vertente de autor literário (aludindo à sua tarefa crítica) e de activista político:. po líticos ou gal eguistas, e o terceiro do l ado franq uista, abertamente. Todo o sistema cu ltural gal eguista fora banido. As p u b licaçons a e l a ou à esq uerda vincu l adas em território galego cessam; as s u as associaçons som encerradas ou. proi bidas. O Seminario de Estu dos G a l egos. desaparece s u mido n u m Instituto de Estudios G a l l egos Padre Sar miento em q u e nem contin u a o gal eguismo nem o grosso dos gal eguistas do pré-guerra. N a G a liza d a década de q u arenta o sistema literário ga l eguista é, pois, q u ase inexistente, con hecendo u m h a precariedade extraordinária e em q u e q u a l q u er expressom gal ega é passíve l de ser interpretada como s u speita. Desde 1 9 35 a Ricardo Carva l ho nom se l he con h ecerá actividade p ú b lica, nem " p u b licadora" até finais d a década. Entre as pri meiras p u b licaçons da sua autoria no após-guerra contam-se as de La Noche, em 49. Escrevo da sua autoria porq ue o seu nome nom aparece, mas o pseudóni mo Fernando Cadaval, adoptado polos vistos para proteger a sua pessoa e o jornal. Os pri meiros temas som referidos ao po lítico liberal l u guês do séc u l o XIX Augusto U l loa Castañón, q u e fora a l vo d u m h a pretendida Tese em História antes da G u erra; depois os temas serám " E l motivo del c l avo en Rosa lía" ou " Prob lemas de la poesía ga l l ega" (em que j u l ga existir um fundamenta l prob lema de renovaçom) aspectos agora rel ativos ao sistema literário galeguista escritos em caste l h ano. A sua instabi lidade l aboral conhece u m h a virage tam bém em 1 950, q u ando é convidado para ser professor e director (em bora nom. figurasse. ofici a l m ente. como. tal. dada. a. sua. liberdade. condicionada, im pedido de exercer como professor oficial, fosse em centro p ú b lico ou privado) do Col égio Fingoy por Antonio Fernández López, seu proprietário, n u m centro q ue pretendia u m ha renovaçom pedagógica nos rígidos esq uemas ed ucativos da altura. N essa época, e com q u arenta anos, Carva l ho mantém, e agora acrescenta, no interior do sistema gal eguista, a l g u m prestígio como autor literário e, menos, como crítico literário7• Aparecem, q u e saibamos, os primeiros textos assinados com o seu nome e em gal ego desde 1 9 35: em La Noche assina a recensom de 3 de Fevereiro "Teatro G a lego. Pi/ara de Comei las Coim bra", seu mestre na j u ventude; vê a l uz Anxo de terra, na. 34. Escritor contemporáneo, autor de Vieiros, O Si/enzo Axian/lado, Anxo de Terra, colecciones de poemas líricos, y de la novela A xente da Barreira y de varios estudios de crítica !iteraria. Colaborá en la redacción del anteproyecto de Estatuto Autónomo presentado por el Seminario de Estudios Gallegos..

(10) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. pontevedresa col ecçom Benito Sota e na revista Alba, nº 5 o breve rel ato "Os tum bos" ; som lidas as suas crónicas sobre poesia galega na B BCª e gan h a o concurso da Editorial de Bibliófi los Gal l egos9 destinado a premiar um romance de am biente gal ego escrito q u er em espanhol q u er em galego, com A xente da Barreira p u b licado no 1 95 1 , na Col ecçom " Bib lioteca de G alicia", nº 3. O autor goza de recon h eci mento pessoa l e inte l ectu a l no seio do sistema galeg uista, entre outros motivos po l a mesma trajectória q u e o conduz ao ostracismo soci a l na sociedade franq uista. Em território gal ego h a bitam a l g uns dos seus antigos com pan h eiros, como o a l u dido Del Riego (por cuja mediaçom entra a p u b licar no La Noche) ou Aq ui lino. l g l esia A l vari ñ o,. q u e contin u a m. activos,. d entro das. possibi lidades, no sistema ga l eguista. I g u a l m ente Otero Pedrayo, o seu ad mirado com pan h eiro galeguista, e Á l varo C unq u eiro, com quem tin ha já amizade desde a época de estu d antes, na a ltura mais virado para posiçons conservadoras. N essa a l tura aparece a l g u m h a revista literária bi lingue (mas sempre com preponderáncia m aciça de textos em espan h o l: Alba e A turuxo), mantem-se a editora B enito Sota de Ponte-Vedra a editar a l g u m poe mário e m galego d e s d e fin ai s d e 4 0 , e v a m a p arecen d o progressivamente referências, comentários ou recensons no j orna l La. Noche d e obras em gal ego. Editoras c o m o Bib liófi los G a l l egos ( e m q u e é activo u m significado g a l eguista d e direita agora c o l a borador do regime franq uista, Fi l g u eira Va l verde) o u Moret dedicará m a l gu m h a secçom a p u b licar livros rel acionados c o m a G a liza e até a l g u m, como o romance de Carva l h o, em galego. E pouco m ais, e nada significativo. Poucos som os escritores gal eguistas que dam ao prelo livro em ga l ego e, si m, em espan h o l, caso dos romances de Otero Pedrayo Adolescencia ( 1 944) p u b licado em. B u enos Aires e La. vocación de Adrián Silva, que abre a "Col ección de Escritores G al l egos" d a Moret, precisamente. Mais poderoso é o enc l ave bonaerense, onde aos n ú c l eos gal eguistas emigrados se unem agora os 8. 9. Por exemplo, já em 13 de novembro de 1950 é lido na secçom galega do "Spanish Programme" da BBC "Poesías paralelas", texto dedicado ao paralelis­ mo por ele considerado na poesia de Amado Carballo e Aquilino lglesia dumha parte e de Manuel Antonio e Álvaro Cunqueiro doutra. Fam parte do júri do prémio: Ramón Otero, Ramón Cabanillas, Del Riego, Borobó, José Guerra Campos e Francisco Serrano Castilla.. exi l ados po l a G u erra Civi l, e q u e serve mesmo de p l atafor ma para a ediçom e dif u som de textos prod uzidos polos gal eguistas da G a liza, de q Ú e é caso exem p l ar Cos ollos do noso esprito de Fernández del Riego ( 1 949), a l é m dos produzidos po los próprios gal eguistas a li radicados: a prod uçom e o grau de institu ciona lizaçom é nesse enc l ave m aior, m as as condiçons po líticas no Estado Espan h o l nom permitem um tránsito f l u ente de ideias e prod utos, e o desencontro táctico e até estratégico entre os e l e m entos do Partido G a l eguista no interior d a G a liza com os seus compan h eiros de mi litança no exí lio. 35.

(11) R. Elias J. Torres Feijó. sdoS. D Os i O 1 Ricard" Carualfiocalero m. contrib ui aind a mais para esse i m pedi m ento, defensores os segundos. e m o ri a. d ºs é. e u. 10. d a acçom política, virados os pri meiros para a acçom c u l tural, q u e j ulgam a única política possíve l. Nos inícios da década, e atendendo o sector dos q u e d efendem u m h a autonomia sistémica d a c ultura galega, apenas d o u s á m bitos d e actu açom p ú blica c o m algu m h a consistência e per m anência (a m ui pouca q u e releva do estado ditatorial d as cou sas) existem: a editorial G alaxia e o j ornal La Noche. Este, dentro da precariedade da altura, e sem afastar-se nas suas lin h as centrais d a adesom ao regi m e de Franco nem nas c ulturais d a m aciça presença e defesa da unidade sistémica espan h ol a, tem no entanto algu m h as fendas abertas a críticos galeguistas, princi pal m ente Del Riego, a outros fila-galeguistas, caso de Aq uilino. l glesia A l vari ñ o e,. progressivamente,. aos. estu d antes. universitários com postelaos q u e acompan h a m a tendência galeguista. Entre os seus redactores destaca Borobó, Rai m undo G arda Fernández, q u e nom se mostra polo geral hostil a essas posiçons e aind a nalguns casos as promove. G al axia é, desde a sua f undaçom em 5 0, o exc l u sivo campo de j ogo semi-institu cional em q u e alg u m sector galeguista pode encontrar expressom no espaço social da G aliza. N el ref l ectem-se m ui precariamente alguns dos debates f u l crais da época, todos na realidade convergentes n u m: na l egiti midade, viabi lidade e sistemizaçom d u m sistema gal ego diferencial. E é nessa c h ave e m q u e cabe a leitura d a m aior. parte. dos. d e b ates. que. sobre. repertórios,. ele m entos. essenciais/identitários/nor m as do repertório se prod uzem. No m ais concreto á m bito dos estu dos literários, a situaçom nos inícios de cin q u enta é igu al m ente precária. Desde 36, nom é editado, por exe m plo, u m man u a l d edicado a historiar a literatura galega, tendo q u e recorrer-se neste sentido à obra de Carré ou de Couceiro Freijomil. Puhlicam-se al guns estu dos parcelares, f undamental mente dedicados a Rosalia (casos do regionalista G arda M artí ou do director de Posío o filofranq uista josé L uis Varela1º) e nom se conta com nengu m órgao estável de p u b licaçom de nítida vincu l açom galeguista (praticamente a única plataforma galega para a p u blicaçom de investigaçons de m atéria igual mente galega é na altura os Cuadernos de Estudios. Gal/egos, vinc u l ados ao Instituto Padre Sar miento). A situ açom ditatorial oferece a i m pressom d u m h a relativa estabi lidade e só u m ha visom m ais de perto per mite reparar na emergência de a l g uns fenómenos que mostram controvérsias de vários níveis e nom apenas repertoriais, e ainda detectar tensons culturais e políticas por trás de conflitos só na aparência de índole estética.. 36. 10 Por exemplo, "Rosalía o la Saudade" (Cuadernos de Literatura, 1950, 20-22: 145-167), onde, por sinal, realiza um longo excurso sobre o celtismo da saudade..

(12) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. No ano 1 95 1 som p u b licadas igu a l m ente d u as obras destinadas ao estudo da 1 iteratura gal ega, u m h a apresentando-se como man u a l infor m ativo. e o u tra c o m o u m h a Histori a c o m vocaçom d e exau stivid ade. A pri meira sai eni G a l axia, é d a autoria de D e l Riego e é recebida em geral com e l ogios destinados a pór em destaq u e a s u a. novidade n o s estudos literários gal egos mas c o m críticas po l o q u e s e considera o s e u esq uematismo e falta d e profundidade, e isto mesmo de fi l eiras gal eguistas, como a crítica que N e u m andro ( Ánge l Fole) assina no segundo caderno de Criai, para a l é m d u m h a censura m ui habitual ao gal eguismo na a ltura: a de compadrio. G erará ademais debate sobre a pertinéncia de entender a literatura gal ega como a escrita em gal ego ou como a prod uzida, tam bém, em espan h o l. Del Riego, nom exp licitando a s u a posiçom, configura o seu man u a l sobre a base dos autores q u e p u b licarom em gal ego. Ao encontro desse critério virá, meses mais tarde, a a l u dida Historia de. la L iteratura gallega de Benito Var e l a Jácome na editora Porto, de Santiago, e que apresenta um a l argado conj unto de autores, desde o Medievo até à actu a lidade, com independéncia da língua u sada mas sendo com u m a todos a orige gal ega. A recepçom é, em termos gerais, m e l h or q u e a dedicada a Del Riego, em bora desde o gal eguismo N e u m andro, agora desde o nº 4 d a Criai, em Março de 5 2 , vej a ne l a u m h a espécie de catá l ogo e criti q u e d uramente o tratamento de autores como Otero, Caste l ao ou Dieste. Nos á m bitos indicados, debate-se com a l gu m h a freq uéncia sobre o ser e a identidade gal egos: interditos al guns, como o da defesa do u so e norma lizaçom do gal ego (im pensáve l, até para esferas em q u e, como no caso da literatura, pudesse ser p l a u síve l entender que nom passaria d u m h a mera expressom artística, sem pre q u e nom focando tema conf litivo, natur a l m ente), o carácter céltico da G a liza ( q u e i m p licava tam bém ao campo dos historiadores) e, m ui principa l mente, da saudade como senti mento diferencial gal ego(- portu gués) som objectos fundamentais. Os do u s, o l hados como confor m açom histórico-racial ven h e m já de épocas anteriores, um das raízes do movimento ga leguista, o outro particu l ar m ente desenvo l vido como ref l exom identitária, a partir d a d écada de vinte, com a transferéncia prod uzida desde o Saudosismo de Teixeira de Pascoaes por, sobretodo, Vicente Risco. A q u estom da saudade e as particu l arid ades q u e d e l a se derivem é,. a liás,. assunto viv a m ente. pro m ovi d o, n a. medi d a. das. suas. possi bi lidades, po l o gru po G a l axia. N o m por acaso o artigo mais comentado de Presencia de Calicia, o pri meiro n ú mero que de Criai c om o c o l ecçom pom na r u a G a l axi a (enfi m, a s u a presença. 37.

(13) Elias J. Torres Feijó. programática), em 1 95 1 , é "Si ñificado metafísica da Saudade", de Ramón Pi ñeiro, ideól ogo do gru po, co-autor, no mesmo ano, de. Cancioeiro da poesía céltiga, trad uçom d a obra d e J. Pokorny. N e l e su stém ser a saudade " propia d a espritoalidade galicián" e "resu ltado da evo l u ción da fi l osofía europea", cujo desenvo l vi m ento "ten un intrés ver d a d eiram ente. universa l. poi s non. soio nos. per mitirá. com prender mi l lar o noso propio ser sinón q u e representará unh a contrib u ción fund amenta l na evo l u ción do pensamento fio losófico europea". O debate q u e se produz, e a s u a determinaçom na literatura, situa para. os gal eguistas saudade e celtismo como normas de repertório gal ego (e, por variadas vias, universa l). O celtismo nom é u sado como elemento repertorial em si, ao modo, por exem p l o em q u e se podia interpretar o bardismo pond aliano, mas à sua conseq u ência se atribuem materiais repertoriais : paisagismo, inti mismo, m e l anco lia, etc. como gen uínos do ser gal ego, caracterizadores d a raça, cuja projecçom na 1 iteratura. genuinizaria, galeguizaria esta e faria-a partícipe do conj unto das denominadas literaturas das naçons cel tas11• E a saudade nom é u sada como mero e l emento repertorial, mas abridora d u m modo d e pensar e sentir g a l aico. Este e l enco temático constitui u m conj unto de ba lizas repertoriais q ue fam aparecer o u so d o gal ego como um correl ato l ógico e coerente com e l as; u so q u e é, na realid ade, o q u e se q u er desprestigiar, i m pedir, proibir, segundo os casos d esde as posiçons dominantes contrárias a esta aspiraçom sistémica galeguista. Ora, esta d efesa. de va l ores g a l egos ( c u j a. práti c a. ou. ad scriçom f ari a m. gal eguistas), n o m s e apresentava (seria u m ha contraditio in terminis) como constr u çom ex nihilo, conj unto de ref l exons sem referente histórico nem antecendente genético. Polo contrário, entendendo-se essen ci a l. ao ser g a l e go,. o l h a d a a G a liza d u m h a. per s pectiva. naciona litária orgánico- historicista, fai-se aparecer como expressom perm anente desse ser q ue encontra na literatura locus privi l egiado, e ne l a o seu e m b l e m a na figura d e l a considerada m ais representativa, precisamente como portadora e recriadora desses va l ores, Rosal ia de Castro, a Santa Rosa/ia da Saudade na expressom de Teixeira. Esse conj unto de po l é micas nom ref l ecte u m h a intençom meramente er u dita ou o epité lio d u m has deter minadas lin has de investigaçom. Língua, saud ade, celtismo, os va lores q u e daí derivem, está m na arena porq u e à s u a domináncia como essenciais ao ser gal ego fia o gru po galeguista na altura o m anti mento do protosistem a literário gal eguista. Q u er dizer-se : ten h e m u m h a importáncia radical na l egiti m açom da identidade gal ega, dum l ado, e da s u a prática c u ltural doutro. A e l es. 38. 11 O celtismo como elemento estratégico e o elo com a época Nós pode verificar-se, por exemplo, nos mesmos cadernos Criai da altura: no nº 3 López Cuevillas escreve "Celtas contra Ligures", a propósito do livro de Russel Cortez; Otero, por sua vez, trata sobre "O Celtismo de Chateaubriand" no nº 4, último dos cadernos, até à sua proibiçom, que mantinham umha secçom fixa subordinada ao título "Busola Céltica" ..

(14) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. fiam os promotores desse protossistema a sobrevivência e o progresso deste como autónomo, pretendendo incidir em todas as esferas do mesmo (e m ui particu l ar m ente nos novos prod utores). Ao l ad o destes debates, outros surgem conj untur a l m ente q u e se entrecruzam com aq u e les. Em 1 95 1 , c u m pria-se o primeiro centenário da morte de Emi lia Pardo Bazán e Curros Enríquez. I sto vai provocar u m acrésci mo de referências, sobretodo c o m rel açom a este ú ltimo, nos meios gal egos. O centenário de Curros prod uz concursos convocados sobre a sua figura, em Ce l a N ova, Madrid, H avana ou B u enos Aires, com sentido gal eguista estes dous ú lti mos. Mas esses centenários no campo literário na G a liza fam emergir assuntos com prometedores para o ga leguismo : dado o estado do cam po, a actualizaçom da Pardo Bazán colocava a consideraçom ou nom da sua obra como " literatura galega", cuja so l uçom negativa colocaria por sua vez os excludentes aos pés dos gru pos dominantes, como red ucionistas, inc u ltos e menospreciadores da glórias regionais e, por sua vez, a presença de C urros como objecto de estudo forçava ou a obviar ou a tratar obras do ce l anovês q u e em nada condiziam com o estado de cou sas da altura, tanto em termos po líticos como religiosos. l sso, para os ga l eguistas, e dada ademais a permanente l eitura essencialista e à l uz da situaçom presente q u e se fazia d a prod uçom e m gal ego da época conte m poránea, eram. handicaps i m portantes. Além disso, Curros afastaria-se da principal linha que o sector galeguista n u c l eado em G a l axia vem defendendo na obra de Rosalia. A Historia de la L iteratura Callega, da autoria de Del Riego e p u b licada por G a l axia nos começos do Verao d aq u e l e ano, com bate o politicismo c urrosiano, q uem j u l ga ( 1 95 1 :82) " un poco esc l avo de l as ideas po líticas de su tiem po", indicando q u e "el universalismo de C urros, s u progresismo, su liberalismo y otras vagued ades, l o mantuvieron siempre un poco a l ej ado de su exacta misión como poeta civi l de G a licia" e sentençando : Es. necesario. señ alar,. imparcialmente,. q ue. esta. rebeldía. fulminante y condenatoria en las letras gallegas, no se encuentra dentro de nuestro temperamento, que prefiere otras formas de acción y de discusión. En Curros es, primeramente, un asunto de republiquerías y papados : como se ve, cuestiones a las que no se les puede conceder trascendencia lírica12. 12 O texto em carregado desaparece significativamente da segunda ediçom de 1971. 13. E que manterá: vid. por exemplo a sua "Atalaya de Galicia" de 25 de Janeiro de 52 no La Noche.. " l sençom" esta q u e parece condicionada po l a situ açom do campo e po l a lin h a lírica q u e e l e defendia13• N os artigos p u b licados em La Noche sobre C urros e Pardo Bazán m anifestam-se. essas. ten sons.. Antonio. Snad,. com. títu l o s. tam. 39.

(15) Hctas110S. Elias J. Torres Feijó. 1 p Os 1 O Ricardo Carualfiocalero me. s i gn if i cat i vos como " E l h o m bre en l as zarzas" (3.8. 1 95 1 ), fai aparecer u m C urros contrad itór i o, q u e nom sabe dec i d ir nem decid ir-se no seu caos ideológi co, falto po i s de cred i b i l i dade. Varel a Jácome ( 1 5.9. 1 95 1 ) j u l ga carente de va l or poético nos poemas po líti cos o u e m O Divino. Sainete, valor izando apenas textos como A Virxe do Cristal, em q u e percebe u m o sent i m ento prof undamente rel i gi oso e u m emot i vo e bel o q u adro costu m i sta.. D o m e s m o m o d o q u e Snad n o m a prec i a. cred i b i l i d ade n o Curros 'po líti co,' q u e s ó por "al ardear" perante o s seu s com pan h e iros políti cos q u er i a aparecer como incréd u l o. N esse mesmo més, salvo erro, sai à luz a s u a Historia de la L iteratura Gallega, q u e reco l h e, q u ase ipsis verbis, estas valor i z açons -e ond e o destaq u e é d ado à Virxe do Cristal, passando O Divino Sainete para segundo p l ano e onde A ires da miña terra é l ivro praticamente inex i stente como conj unto poéti co.. ;. ·cARVALHO CALERO, 1952: "ALGO SOBOR DA ;. ;. POESIA DE CURROS" E "ARREDOR DE ROSALIA". Po i s bem ; os dous textos de m a i or fô l ego de Carva l ho C a l ero nesta a l tura vam responder em geral a este estado do campo focando, em concreto, os dous autores m a i s po l é m i cos ou po l e m i zados d a a ltura: Rosa l i a de Castro e C urros Enríquez. N os inícios de 5 2 sai à r u a o nº 3 de Criai, intitu l ado " Presen c i a de Curros y doña E m i l i a". M a i s u m h a vez ass i sti mos a u m h a intervençom colectiva d o gru po G a l ax i a, de q u e Carva l ho fai parte desde o pr i m e iro momento, e q ue ded i c a a o assunto trés arti gos e u m h a nota, a l go menos de metade do caderno, n u m ha intervençom q u e m a i s parece p u xad a po l o estado de campo ( m u i cond i c i onado, a l i ás, po l a tendénc i a a comemorar an i versár ios de produtores) que por vontade dec i d i d a de tom ar pos i çom sobre os autores focados. Q u anto aos part i c i pantes, parece h aver tam bém u m ha tendénc i a ao equ i líbr i o i deológico e de posiçons a q u e nom será al h e i a u m h a procura de l egiti m idade sobretodo perante a censura: ass i m pode exp l icar-se o caso do arti go de Varel a, partic u l armente. A presença de Pardo Bazán red uz-se a u m arti go, " E l rea l i smo de Doña E m i l i a Pardo Bazán", assinado por Pedro Abuín (Garda Sabei!) em q u e se pretende mostrar a inex i stênc i a d u m autêntico rea l ismo na escr i tora e, para o autor consequentemente, na G a l iza da altura. A de Curros a dous, "Al go sóbor da poesía de Curros" assinado por R i cardo Carba l l o Calero e "Curros o el Progreso", da autor i a de José L u i s Varela; a nota, ass inada por Xesú s. 40. moria d o�iécu !o.

(16) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. Alonso Montero, versa sobre "A Lingua G alega desde Curros". Na linha da va lorizaçom com u m na altura do poeta, o texto de Vare l a insiste em detectar um carácter contraditório e medíocre na obra currosiana. C l assifica as ideas do poeta cel anovês como "adocenadas y de origen d udoso o secundario" ; fa l a de "la inseguridad", do "remordimiento estéticorreligioso de C urros", "re ligioso con vergOenza y progresista con remordimiento" n u m h a tradiçom literária, a galega, q u e, ademais, j ulga problemática. "Algo turbio y torvo preside la creación !iteraria de Curros Enríquez", concl uirá. A l onso Montero, por sua vez, destina o seu texto a e o esf orço lingOísticos do poeta, e a "conceución. exa lçar os usos. elevada de Curros tratando de fuxir da cousa 'costu mista', 'ñoñista', anterior", todo com u m dec l arado intuito interventor no panorama literário. O texto de Carval h o tom a ru mos parce l ar m ente diferentes: "Curros e a crítica", "O q u e ven de fora", "O q u e ven de dentro", " Poesía lírica", " Poesía épica", " Lingoa" e "Métrica", som epígrafes d u m artigo q u e destina a sua pri meira parte a tentar desfazer o s j uízos críticos negativos sobre C urros, d e q u e apenas salvaria um ou outro isolado: "a crítica contem poránea d a obra do poeta carez xener a l m ente de valor", afir ma, ou se reproducen xu1c1os con todos os defeitos da crítica contemporánea do autor ( . . . ) ou ben, se nos hachamos en presenza de xulgadores con unha mentalidade do primeiro tercio do século XX, ousérvase unha inevitabre priguiza ante a tarefa proposta, como nem doada nen grata para quenes atópanse moi lonxe das ideas estéticas do poeta criticado. A contrastar com a extraordinária popu l aridade do ce l anovês em vida,. Carval h o j u lga Curros vítim a das expressons vanguardistas, q u e n unca atenderom nem entenderom a sua li n h a poética, e q u e procederom contra a s u a literatura realista. Após um er u dito repasse po l a s tendências críticas q u e, a s e u ver e por anti-ideológicas e for m a listas, obviarom ou m a l tratarom a obra e seu autor, sintetiza: ¿Cómo ía intresar un poeta patriótico, cívico, político, social, que falaba de trabucos, caciques, corrupción de funcionarias e inda de golpes de estado? Podía salvar a Rosalía a pureza do seu sentimento, a Pondal a pureza da súa conciencia elemental. Curros tiñ a de permanecer arredado de curiosidade dos eséxetas da arte. reclamando para. o. autor de Cel a- N ova u m novo entendimento,. contextu a lizado. E, precedido d u m h as lin has dedicadas à situaçom. 41.

(17) Elias J. Torres Feijó. fh:tasdoS 1 m D Os i o Ricardo Carualfiocatero. após a Segunda G u erra M undial e, q uiçá, à própria G u erra Civi l, em q u e, entre outras cou sas, al ude à destr uiçom, à perseguiçom dos j ude us, f a l a d u m h a vo lta a ver a arte "como o que necesariamente é, como un h a espresión d a vida": De novo enche os ares unha canción vidal. Pouco importa que inda se escoiten as voces de falsete dos tenores de antonte, e que mozos frorecidos antre trebas remeden artificiosos sons que outrora foron novos. Apagaránse isas voces sen deixar un ronsel. A poesía norteamericá, xa lonxe do esteticismo de un Ezra Pound, é trunfal exempro do presente lírico. O home atópase nela, o home de todos os días, e nela hacha espello e conforto. Ha ser tamén así antre nós Curros Enríquez pode, pois, sere considerado de novo. Unha nova escola de eruditos traballa sóbor o poeta. 1 é probabre que dispoñamos pronto de estudos de critica ! iteraria solidos e sereas, sine ira et estudio, encol do noso autor. Non pretenden tanto istas paxinas, que conteñen so algunhas meditacions de centeario. "Curros ha ser considerado dentro das circunstancias en q u e desenrolóu a súa actividade !iteraria, se q u eremos intepretar con xu steza a súa obra", dirá ainda, introd uzindo a segunda parte do seu artigo. O sintetizado oc u pa u m quarto aproxi m adamente do conj unto do artigo; diga-se, igu a l m ente, q u e Carva l ho nom vai abandonar esta lin h a de intervençom sobre a recepçom de Curros; polo contrário, voltará em mais ocasions ao longo do artigo a reclamar mel h or aná lise do poeta e a s u a obra e a censurar a cr ítica em geral até a altura sobre e l e exercida. E constituem, sobretudo, u m h a reivindicaçom da obra de Curros, sec u n d arizada naq u e l e m o m ento, m e s m o indi can d o, bem q u e indirectamente, o s motivos ideol ógicos e po l íticos q u e está m por tras dos ataq ues ao poeta e à sua obra. E todo sem Carva l ho deixar de apontar q u e detecta contradiçons na obra do autor de O Divino. Sainete, desde a q uestom religiosa à lingu ística (com a s u a proc l a m a do gal ego como l íngua universa l), mas j u stificando-as como produto da efervescência da época e do envo lvi m ento de C urros ne l a, nom como sintoma de mediocridade ou inconsistência. Estabel ece u m h a lin h a comparatista q u e o l eva a románticos como H u go, ponto de partida transformado po l o ce l anovês, e assin a l a a proxi mid ade ideológica e literária de Antero de Q uentai, do G u erra J un q u eiro poeta c ívico, de Béranger, c olocando-o, no caso gal ego, e q u anto à s u a poesia social ao l ado de Lam as, mas j u l gando este nitidamente inferior. Romantismo e positivismo determinam o poeta c ívico q u e Curros é, na opiniom de Carva l ho. 42. m emoria h s é c!l!o.

(18) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. Advertindo q u e o seu trabal ho foi feito " un pouco a v i sta de paxaro", ("dende logo sen consultar n ingun l i bro, nen x i q u era os do prop i o poeta; consultando s ó e tratando de facer consc i ente a i maxe q u e d e Curros leva u n de s i. Craro q u e i sta i m axe deseñouse c o m o resultado de anter i ores lecturas do noso autor"), af irma estarem essas pág inas "lonxe de tod a inten c i ón eru d ita", censura, ind irectamente, os críti cos galegos anter iores de C urros: [ . . . ] compre abrir xa as obras de Curros e considerar máis de perto a sua poesía. Prescindamos do que teñen dito sobre Curros os seus críticos .. Sería intresante facer crítica da crítica .. Reaicionar sóbor dos xuicios de Saralegui e Medina, Pardo Bazán, Blanco Garda, Carré Aldao ou Couceiro Freijomil. Deita mao da teor i a da saudade de P i ñ e iro (o q u e reforça a sensaçom da intervençom dos m e m bros de G alax i a como produto colectivo) ao interrogar-se sobre o carácter lír ico da poes i a de C urros, q u e af irma, em q u e d etecta u m h a peq u ena parte de poemas ilu m ináve i s a essa l u z, caso de " N a morte de Rosalía" ; as outras d u as l in h as d a s u a poética, predom inantes, som poemas de t i po real i sta p intoresco, como " Un h a boda en E in i bó" e a q u e obedece á determiñ ante ideolóxica . Nil maniféstasenos un Curros violento, apostrofante e propagandista (A forza do verso é extraordinaria. A tensión continua. Dentro do grupo, incruimos os poemas que espoñen ideas máis xenerás, de carácter máis universal ou menos arraigañado na terra galega, como son Sobre unha foxa [ . . . ] Pero as dúas determiñantes indicadas fúndense nun terceiro grupo de poemas, que, sendo de temática enxebremente galega, están fortemente tinxidos da ideoloxía social do autor. Servan de exemplo O maio. Depoi s fai u m h a sér i e de consideraçons sobre O Divino Sainete e A Virxe. do Cristal, que j ulga pertencerem a u m ha particular épica galaica que someramente explora e q u e tomar i a raízes na lír ica med ieval e parangom, por exem plo, na Divina Comédia. F inalmente, real iza valor izaçons sobre a língua, "a má is r icaz i enxebre do seu tem po" e a métrica de Curros, aq u i dando uns m u i pormenor izados relatór io e classif icaçom das formas polo poeta util izadas, num texto que em geral, e frente ao hábito general izado na altura, carece de críticas, e menos do ponto de vista ideológico, para com o autor de O Divino Sainete. Convém s intetizar algu m h as característi cas do texto q u e res u m i mos. Man ifesta u m h a clara d i scordán c i a com as o p in i ons dom inantes sobre. 43.

(19) Elias J. Torres Feijó. ". C urros no cam po. Pretende entendê- l o à l uz do tem po do autor e do. s110S i. D Oslo. Ri cardo Caru a lfiocalero memori a d o século. se u próprio tem po. Desaparecem sobre o poeta j uízos morais de q u a l q u er género, e, sem obviar por isso a l u sons a outros assuntos objecto de po lémica, como contradiçons no poeta q ue Carva l ho tam bém detecta (mas nom como signo de fa lta de crédito, mas sinal do seu tem po e biografia arriscada), a va l orizaçom da o bra é, em gera l, a l tamente positiva. Desaparecem igu a l m ente j uízos negativos sobre a q u a lidade das obras unidos aos j uízos morais. De resto, e, ao situá- l o a o l ado doutros poetas prestigiados seu s antecessores o u coevos, a va l orizaçom de C urros resu lta ainda maior. Ora, para conseguir esses objectivos, Carva l ho n u tre o artigo de d etermin ados. recurso s.. N ote- se,. em. pri m eiro. l u g ar,. que. a. discordáncia manifestad a a respeito das opinions dominantes sobre C urros se realiza através d u m l ongo excurso sobre a história d a crítica literária que está na base d e tais apreciaçons negativas q u e circ u l am no cam po. Apesar d e o texto ser apresentado po l o seu autor como u m peq u eno ensaio i m pressionista, sem recurso a aparato crítico nem à l eitura actu a lizada das obras de Curros (carece de q u a l q u er referência bib liográfica), o artigo configura-se como u m h a d oc u m entada to mada de posiçom, tanto na esfera d a teoria, como d a crítica e d a história literárias m undiais e gal egas em concreto q u e aforta l a u m h a posiçom centr a l de Carva l ho no á mbito d a crítica literária na G a liza. Essa. captatio d e Carva l ho q u e é, aliás, f a l sa (além das citaçons de C urros, nom é concebíve l a exau stiva c l assificaçom métrica feita sem recurso às o bras d o celanovês) salienta aind a mais a sua er u diçom e os por menores a q u e atende, onde destacariam o domínio técnico e o rigor isento. O facto é q u e Carva l ho enfrentava u m assunto francamente me lindroso e espin hento e q u e, po l o pouco q u e con h ecemos, sai u bem su cedido14• N o m é estran ho: Carva l ho conseguia situar no campo a pri meira inter pretaçom actu a lizada de Curros do ponto de vista galeguista. E, nela e d e l a, um dos princi pais valores da Tradiçom da Literatura G a l ega em ga l ego saía beneficiado e louvado. Mais: conseguia pôr em causa a orige e carácter das censuras a Curros Enríq uez. Fazia-o, a liás, d ando sensaçom de forte rigor, isençom de j uízo e confor maçom er udita ; recorrendo à formas na moda da crítica literária d a época, como a interpretaçom de fontes, e, sobretodo, o recurso ao comparatismo. O q u e era, enfim, u m h a difíci l prova, d ado o estado de cam po, fora su perada com sucesso.. 44. 14 Escrevendo para Del Riego, Piñeiro afirma que desse nº 3 de Criai o trabalho que mais chamara a atençom fora o de Carvalho: "Produciu espléndida impresión", afirma (Carta de 14 de Fevereiro, Del Riego, 2000: 6 2).

(20) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. Mas, onde todas estas características e a l gl1 m h a outra, som levadas a p l eno f uncionamento é no texto "Arredor de Rosa lía" p u b licado em 7. Ensayos sobre Rosalía, po l a editoria l G a l axia, em 1 95 2. N aq u e l e panorama po lítico e c u ltural d a G a l iza de começos de cin q u enta, 7. Ensayos parece destinado a f uncionar como d efesa e i l u straçom d a literatura g a l ega e d e l a c o m o e x pressom d u m h a c o m unidade diferenciada. Nom só: tam bém e indirectamente (o q u e nom significa sec undariamente) como trinc h eira e parapeito d a l egiti midade do u so da língua gal ega, aq ui para a prod uçom inte l ectua l. Rotu l ado em caste l h ano e ainda aco l hendo três dos sete ensaios nessa língua (os de G arcía Sabe l l, Fernández de l a Vega e Rof Carbal l o) essa mesma materialidade manifesta a dificu l d ade e a m biguidade em q u e se movem os promotores d o sistema literário galeguista. É mais: a partici paçom de a l g u m d e l es parece ser efeito da s u a progressiva atracçom po lo ga l eguismo activo, ou, visto deste, da progressiva captaçom de elementos de prestígio para as suas fi l eiras. Todas, sim, veicu l adas no projecto col ectivo e convocadas, apesar das presu míveis disparidades, po l a figura e significaçom de Rosalia de Castro; tod as vincu l ad as ao gal eguismo (as gal egas e as d u as portu guesas q u e aparecem, Teixeira d e Pascoaes e J acinto do Prado Coe l h o). Rosa lia é a única figura d a literatura gal ega indiscutida q u e o galeguismo pode uti lizar para reforçar e j u stificar os seus objectivos. Está suficientemente l egiti m ad a e a s u a obra foi contin u ad amente estudada, tanto por e l ementos pertencentes ou procedentes a/de o sistem a literário gal eguista como a/de o espan h o l e a outros. A s u a obra con hece rel ativa unani midade em ser considerada de q u a lidade. Ora, nom está isenta de pro b l emas para o gal eguismo: o carácter bi lingue d a obra e a estendida i m age no campo d a poeta como m u l her c h oromiq u eira e senti m enta l oide som pontos fracos. N u m h a situ açom em q u e a bata l h a si m bó lica cobra especi a l va l or esse bi linguismo l egiti ma, à partida, as d u as posiçons em confronto: q u e a literatura gal ega é/deve ser bi lingue; e q u e a literatura gal ega pode ser (tendencia l m ente deve) feita em gal ego. Daí q u e o problema se d es l oq u e para o u tro á m bito, n o m aberta m ente c o l ocado, mas f undamenta l: qual a prod uçom mais gen uína, mais autêntica, mais verdadeira de Rosa lia ? Qual a s u a m e l h or prod uçom ? Q u er dizer-se, em termos mais cr u s: q u e é o q u e está no fundo da s u a (maior) universa lid ade, e q u e é o q u e mel hor expressa a G a liza: Ou Cantares. Gal/egos e/ou Follas Novas ou En las orillas del Sar de " l a cantara del Sar". É prescindíve l para a universalidade rosaliana u m h a ou outra obr a ?. 45.

(21) Elias J. Torres Feijó. fh:tíl s!! oS 1 m. A internaciona lizaçom de Rosalia como objecto de estu do e o facto de. i. P Os o Ricard(! Carualfiocalero e m. o r 1 a d ºS é e 11 1. 0. n unca d eixar de sê- l o, faziam com que o presente livro nom pod a aparecer como estran h o, menos n u m ano em q u e Rosa lia era especi a l m ente a l vo de críticos literários estrangeiros15 • Si m, em bora, como singu l ar, singu l aridade radicad a no seu carácter interveniente nos campos literário e c u ltural da altura; e q u e está, também, no seu carácter colectivo, q u e concita mesmo inte lectu ais de várias disci p linas e países: a G a liza e Portugal, c l aro, facto este mesmo gal ego-português q u e redunda na singu l aridade saudosista do livro; porq u e só G a liza e Portugal podem entender como próprio o senti mento d a saud ade. Eis a co l una vertebral de 7 Ensayos: a interpretaçom g a l eg uista de Rosa lia à l u z d a Saud ade, do Saudosismo como senti mento e ainda fi losofia gen uinamente gal ega-portugu esa frente a outras visons de Rosa lia, a Saudade e a G a liza q u e f uncionavam no cam po, cuja l ógica se c u m pre para este caso q u ase d e m aneira mecanicista. Ora, assi m sendo, Rosa lia "é descida" à arena do combate sistémico. 7 Ensayos som, com efeito, sete estudos sobre a obra rosaliana e a s u a. significaçom (ainda q u e o ú lti m o, de Del Riego, constitu a u m h a crítica d a crítica) ; mas é, sobretodo e naq u e l a a ltura, um instr u m ento de com bate po l a autono mia d o sistem a literário gal eguista que se d efende; e, antes, po l a s u a l egiti m açom. Se a obra rosaliana é legíti m a, e os va l ores q u e na actu alidade este gr u po defende podem encontrar ref l exo n e l a, tam bém esses va l ores será m l egíti mos e gen uínos. Do antedito é suficientemente explícito o " Li miar" do vol u me: Na evolución histórica da cultura galega, a figura de Rosalía ten unha doble siñificación : a de ser o verdadeiro punto de arrinque da nosa renacencia lírica i-a de ser a nosa voz poética máis universal. [. . .] Cada é poca cultural atopará en Rosalía o punto de arrinque para a sua propia interpretación da realidade espritoal de G alicia, e atopará, tamén, un exemplo conmovedor de lealdade ó seu pobo. Exemplo fecundo, pois tal foi o camiño que levou a Rosalía ó reino da autenticidad e (sic), mesmo por iso, da sua plenitude universal. Tamén nos nosos días a concencia cultural galega teima por descobrir un vieiro da sua propia siñificación. Tamén precura, n­ un novo contaito con Rosalía, acadar o verdadeiro ser de Galicia, para lle dar na nosa época, como ila dera na sua, a máis fiel espresión cultural (poética, filosófica ou artística) .. 46. 15 Em La Noche de 3 de )aneiro de 52 Celso Collazo, sob o rótulo "Presencia universal de Rosalia" dá conta de "dos libros dedicados a la cantara del Sar, en 1951", aludindo a estudos anteriores e aos presentes da, nas Ediciones )ura, M. Pierre Tirrell, freira estadounidense, que publicara em Madrid a sua tese de Doutoramento sob o título La mística de la Saudade, e a Gerald Brenan que no seu The Literature of Spanish Peop/e se referia elogiosamente à autora de Follas Novas..

(22) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. Ofrecemos hoxe istes SIETE ENSAYOS SOBRE ROSALÍA. en. refrexo das inquedanzas culturás que arastora se viven na nosa terra16•. O pró l ogo oferece u m ha Rosa lia motor do renasci mento c u ltural gal ego, e universal, mod e l ar,. porta-voz d a verdade sobre a Galiza e. mais a lta expressom de lealdade/fidelidade ao seu povo. E explicita u m ha vontade de transposiçom dos seus va l ores ao momento da prod uçom dos 7 Ensayos, q u e, de resto, som apresentados como renovad a visom sobre a autora e camin h o certo da contin uidade rosaliana, ap licada e ap licáve l ao seu momento presente. Rosa lia, o seu significado e interpretaçom como ga l ega e galeguista, é pois o j ogo17 em q u e o gr u po promotor gal eguista aposta em parte o futuro do sistema, respondendo e contestando ao estado do cam po1ª, e tendo como cartas os e l e m entos já citados. Ora, na realidade, e como no caso de Curros, o j ogo nom é proposto polos ga l eguistas: é i m posto por esse estado de campo q u ase abso l utamente mediatizado e presidido po las consideraçons sistémicas e repertoriais dominantes no sistema espan ho l ; é nessa interacçom que d eve ser entendido o seu efeito d o e no campo; os gal eguistas ten h e m que defender o sistema gal ego, mostrar a s u a l egiti midade e a s u a viabi lidade, com normas de j ogo i m postas por esse estado de forças dominante que exige para aceder à sua existência (sem entrar no modo nem na pertinência) demonstraçom de universa lidade, profundidade, riq u eza repertorial, nú mero suficiente de emissores e receptores, q u a l idades, etc., para mais n u m contexto ditatoria l como o d aq ue l e momento. E é q u e u m dos grandes pro b l emas dos protossistemas é o de terem q u e aceder a l utar com as regras do j ogo d eter minad as po los gru pos dominantes. Depois do pró l ogo venhem os poemas de Pimente l e Teixeira de Pascoaes. Os dous, éditos já na a ltura, constituem rasgados e l ogios à autora, sobretodo o de Teixeira. O de Pimente l, iniciado por "non convén c h orar máis/e l a c h orou por todos e para sem pre" pareceria u m ref orço de deteminado estereótipo sobre a figura de Rosalia, mas 16. rectificado precisamente por apresentar o facto de ne l a se concentrar a. O sublinhado é nosso.. 17 Ou repto, ou como se queira chamar: os grupos em luta utilizam diferentes assuntos de pugna (alguns nem tam sequer chegam a sê-lo) para atacar o. 18. dor h u mana e po l o perc urso sobre o i m pacto de Rosalia no poeta. O do l u sitano é u m sistemático reforço d u m h a Rosa lia exa l çada na mais req uintad a vivência d a Saudade, com l etra grande: " Divina Rosa lia ! o. contrário e legitimar as suas posiçons.. Santa protetora (sic)/ da terra da G a liza, a nosa (sic) terra Mae (sic)",. De resto, cabe apontar que a génese da. começa o poema, e por e l e vam aparecendo expressons como "virgem. obra está situada, polo menos,. no. Verao de 1951 (como deduzimos do comentário de Borobó).. d a tristeza", "sen h ora da Saudade e da M e l ancolia", "Al m a, só a l m a, apenas a l m a em f l or".. 47.

(23) Elias J. Torres Feijó. Quanto aos 7 Ensayos, é logicamente a saudade como expressom mais ínti m a e profunda da obra rosaliana, e daí considerada como genuíno e diferenciador sentimento galego(-português) da G a liza e Follas Novas a obra em destaq ue o elemento com u m a todos. N a l guns casos, como os de G arda Sabe l l, Piñeiro e Celestino F. de la Vega a fi losofia de H eidegger está presente como q uadro de entendimento desse sentimento identificador, o q u e empata esperável e coerentemente com o projecto l egiti mador q u e a s u a trad uçom para galego e a adopçom dos seu s postu l ados tem para estes galeguistas (Fernández del Riego 2000: 3 7). A outra lin h a de força, já expressa e i mediata conseq u ência (em parte) d este saudosismo é a de apresentar Rosal ia como (a) expressom d a G a liza e de universa lidade. E m parte, digo, porq u e outra di mensom dessa expressom d a ga l ecid ade aparece coberta por Cantares, no q u e d i respeito à expressom, co l ectiva, d o s anseios e prob l e m as do povo ga l ego, dos seu s hábitos e da s u a gen ui nidade como com unidade. Ao. l ad o. destes. dous. vectores,. um. terceiro,. já. niti d a m ente. intervencionista, aparece. A de pôr Rosalia por ci m a do seu tem po, particu l ar m ente com relaçom aos románticos espan h óis, negando a l egadas dependências ou inf l uências destes. Este está presente em G arda S a be l l,. Pra d o Coe l h o (q ue, e m ger a l , a presenta u m h a. perspectiva m ui próxima d a d e Carval ho Calero), Pi ñ eiro o u Cel estino F. de la Vega, com nitidez, censurando este ú lti m o a Pardo B azán po l a s u a incom preensom da autora de Follas Novas. Com u m a vários traba l hos, entre os q u ais destaca o de Rof Carbal l o, é a significaçom dada à presença em Rosalia do Romantismo a l e m ao e d a s u a comparaçom c o m autores germanos, particu l armente H eine (cuja inf l uênci a na autora é nalgu m caso negad a, como no de De l a Vega), H õ l d er lin, e tam bé m Ri l ke, e mesmo H eidegger19 • Daí aparece a reivindi c açom de. Rosalia como s u peradora d o. Rom antismo e d e q u a l q u er ba liza estética no camin h o d a s u a universa lizaçom e canonizaçom. Bom exem p l o d a conj unçom dos factores indicados é, além do de Carva l ho, o texto d e R. Pi ñeiro, "A Saudad e en Rosalía", d e q u e já as suas epígrafes som reve l adoras: " Rosa lía e G a licia", "A lírica rosa liá", "A saudade para Rosalía" "A Saudade en Rosa lía". O livro é encerrado por u m ba l anço, nom propriamente ensaístico, d a bibliografia sobre Rosa lia até à altura, "Xuicios críticos sobre Rosalía", assinado. por. S a lvador. Lorenzana,. con hecid o. p seud ónimo. de. Fernández del Riego, acom pan h ado d u m breve limiar em q u e torna. 48. 19 Será mui oportuno estudar as razons e, sobretodo, o funcionamento da germanofilia observável no grupo Galaxia da altura e, em geral, em vários elementos galeguistas, estrategia que parece clara como contestaçom ao referente de oposiçom espanhol. Para o caso da importaçom poética, lembre­ se que, na Primavera de 50, Cunqueiro dava a luz, saudadas por Piñeiro, traduçons para galego de Hõlderlin, na Imprensa de López Díaz, de Mondonhedo, "Caderno 1 das edizós do pescador de cana", reatando as já publicadas em Nós (130: 3 4), e que, no ano seguinte e na Colecçom Benito Soto, saía a Musa Alemá, com traduçons entre outros de Hõlderlin, Heine e Rilke realizadas por Blanco Freijeiro e Celso Emilio Ferreiro (Kabatek 1998). Hõlderlin goza de particular predilecçom, que vem já do Pré-guerra, como vemos, e a quem nom é alheia a figura de Otero Pedrayo: no mesmo nº 1 dos Cadernos Criai, Presencia de Galicia, de 1950, encontramos "Na lembranza de Hõlderlin" do autor de Trasalva..

(24) A legitimaçom galeguista da Literatura Galega por Carvalho Calero. sobre a singu l a ridade da poeta na s u a época frente ao "verso dec l a matorio, o retoricismo poético", q u e, pági nas adiante, legiti m a rá recorrend o a J. H. Perry, q u e m afirmava estar Rosalia tam distante d a atitu d e. " cíni c a. e. semifi l osófica. de. C a m po a m o r". como. da. "decramación a l go p rosaica" de N ú ñez d e Arce. Lorenzana defende. a. obra rosa liana como universal e expressom da G aliza, citando a visom de G a rda Martí sobre e l a como mostra de " l as inq uietudes del a l m a de la raza". Aproveitand o o aparato c rítico q u e trata, volta sobre com bate a u m h a excessiva fi liaçom. ao. o. rom antismo espan h o l. (particu l armente a Bécq uer) o u a H eine, d e q uem reconhece dívidas, tema a que dedica boa parte d a atençom, e mesmo de q u a l q uer Romantismo, censu rando neste aspecto o livro de M. Pierre Ti rrel l. Por fi m, Lorenzana coloca u m h a " N ota epi l oga !", de d u as pági n as. em. q ue sintetiza os objectivos do livro no seu conj unto, através do ba l anço crítico anterior em q u e d etecta unani midade na consideraçom de Rosa lia como gal ega e universa l, e d a sua poesia como autêntica e verdadei ra, anti r retórica e precu rsora do Modernismo, i n dicando haver disc u ssom sobre q u a l sej a a me l ho r obra, j u l gando i ndiscutíve l que em ga lego é Follas Novas e con c l uindo ser Rosalia " revel ación do ser espritu a l d a raza". A todos estes artigos antecede o de Carva l ho, Arredor de Rosalía: à. frente dos outros e d estinado a u m ha visom abrangente da figura e obra rosa lianas (os restantes focam assuntos espe c íficos d a obra ou a pessoalidade de Rosa lia) deve enfrentar, pois, problemas particu l ares como a q uestom linguística ou a caracterizaçom da t raj ectória da autora. E , na conformaçom estrutu ra l do vo l u me, com ci nco artigos sob re assunto particu l a r e u m ba l anço c rítico fi nal, cabe- l he, no seu carácter introd utor, a responsabi lidade po l a exegese col ectiva de Rosa lia. Mas há outros e l e m entos q u e singu l arizam a posiçom de Carva l ho: os restantes textos estám e l aborados por pessoas que nem tenhem capita l si mbó lico n utrido para o estud o literá rio (si m para outros, mas nengu m tem fo rmaçom universitária e m "literatu ra") nem possuem trajectória no campo nessa di recçom: aparecem como atraídas desde os seus cam pos (fil osófico, psicol ógico) po l a fig u ra em foco, o que e l eva aind a mais a consideraçom desta. Há, porém, d u as excepçons: a de Prado Coe l ho, q u e parti l ha. com. Carva l ho capita l. simból ico, mas nem tem trajectória no campo e, a l é m disso, nom é galego (o esperáve l é q u e seja u m galego, pola com ponente sim bó lica que isto tem, q uem dê i nterpretaçom d e/seja capaz de i nte rpretar Rosalia, excepto q u e Prado Coe l ho aparecesse como auctorítas s u pe r i o r no campo da c rítica, galega ou nom, o que nom é. o. caso); e. 49.

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