OCORRÊNCIA DE ALUMÍNIO E FERRO NO MATERIAL PARTICULADO ATMOSFÉRICO EM CIDADE DE CAÇAPAVA DO SUL RS
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(2) OCORRÊNCIA DE ALUMÍNIO E FERRO NO MATERIAL PARTICULADO ATMOSFÉRICO EM CIDADE DE CAÇAPAVA DO SUL ± RS 1. INTRODUÇÃO A poluição atmosférica urbana vem sendo um dos maiores problemas que assolam a sociedade, não só dos países industrializados, mas também daqueles em desenvolvimento. Com o aumento das emissões atmosféricas nas últimas décadas, são notáveis os impactos causados pela poluição atmosférica nas comunidades e no meio ambiente, que são afetados negativamente de modo constante pelos níveis elevados de poluição do ar, visto que a qualidade do ar é diretamente influenciada pela distribuição de emissões veiculares e industriais, bem como a intensidade das mesmas revela-se de crucial importância para estudo destas emissões (CETESB, 2011). Esta pode ser originada também por fontes naturais como queima acidental de biomassa (material derivado de plantas ou animais) e erupções vulcânicas (Gonçalves et al., 2010). Tendo em vista a situação, o presente trabalho tem como objetivo apresentar a concentração dos elementos Alumínio e Ferro no material particulado retido nos amostradores, utilizando-se a técnica de Espectrometria de Fluorescência de RaiosX por Energia Dispersiva (EDXRF). 2. METODOLOGIA 2.1. Caracterização da área de estudo O município de Caçapava do Sul está situado no Sul do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, na latitude 30º30'44" sul e longitude 53º29'29" oeste, com altitude de 444 metros do nível do mar. Corresponde a uma área de 3.047,20 km² e com população de 33.650 habitantes. Os amostradores foram distribuídos na área urbana do município onde trafegam 11.026 veículos entre ônibus a caminhões, de acordo o IBGE, 2016. É um município sustentado principalmente pelos setores da agricultura e mineração, sendo esse último representado por cerca de 80% do calcário produzido no estado. 2.2. Localização dos pontos de amostragem e coleta das amostras.
(3) Definiu-se a distribuição dos amostradores a partir das localidades que apresentavam intenso fluxo de veículos e locais com atividade de extração mineral no município. Ao todo foram escolhidos 5 pontos de coleta. As principais características dos pontos selecionados estão apresentadas na Tabela 1. O ponto P01 foi selecionado como ponto branco, tendo em vista sua localidade pouco próxima à circulação de veículos. Tabela 1: Características sobre a área de estudo. Pontos Características P01 Ambiente de lazer comunitário, pouco tráfego P02 Avenida de intenso tráfego, próximo ao termômetro e a um posto de gasolina P03 Avenida de intenso tráfego, próximo a igreja principal da cidade P04 Área próxima à atividade de extração mineral, BR 392 KM 252,5 em frente indústria de produção de Cal P05 Trecho em avenida da entrada do Município.. As coletas ocorreram a cada troca de estação, totalizando 6 meses de estudo correspondentes as estações de primavera a. verão de 2016. Cada amostra foi. armazenada após a coleta em uma folha de ofício A4 e recebeu identificação correspondente à localização do ponto de amostragem e a semana da coleta. 2.3. Preparo das amostras e dos pontos de coleta Para coleta do material particulado em suspensão, foi usado dois tipos de materiais alternativos como amostradores. Os materiais foram: algodão hidrófilo e esponja de poliuretano, sendo eles adaptados para serem fixados nos pontos, como demonstra a figura 1.. (a). (b). Figura 1. Amostradores alternativos: (a) algodão hidrófilo e (b) esponja de poliuretano..
(4) 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO A seguir, apresentado nas tabelas 2 e 3 os valores médios totais da concentração de Alumínio e Ferro para cada amostrador por ponto de monitoramento durante as duas estações em estudo, primavera e verão. Tabela 2: Concentrações de Ferro (Fe) e Alumínio (Al) em amostradores retirados dos cincos pontos de amostragem após sua exposição durante a Primavera de 2016. ID ALGODÃO ALGODÃO ESPONJA ESPONJA ESPONJA. ESTAÇÃO PRIMAVERA PRIMAVERA PRIMAVERA PRIMAVERA PRIMAVERA. LOCAL P1 P2 P2 P3 P5. Fe (mg kg -¹) 5 900 13 700 2 100 1 300 2 100. Al (mg kg -¹) 14 500 25 300 28 800 48 700 25 000. A partir da tabela acima nota-se que para alguns pontos não há presença de dados devido à perda dos amostradores por vândalos ou vento e chuva. O ponto P3 possui média da concentração de aproximadamente 25.000 mg kg-¹, o qual possui a maior média entre os dados dos amostradores do tipo enponja. Já a menor média entre os amsotradores do tipo algodão corresponde ao ponto P1 com cerca de 10.200 mg kg-¹. A respeito da eficácia dos amostradores, nessa situação o amostrador do tipo enponja reteu maiores concentrações dos elementos se comparado aos demais durante o período de exposição. Tabela 3: Concentrações de Ferro (Fe) e Alumínio (Al) em amostradores retirados dos cincos pontos de amostragem após sua exposição durante o Verão de 2016. ID ESPONJA ESPONJA ESPONJA ESPONJA ESPONJA ALGODÃO ALGODÃO ALGODÃO ALGODÃO ALGODÃO. ESTAÇÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO VERÃO. LOCAL P1 P2 P3 P4 P5 P1 P2 P3 P4 P5. Fe (mg kg -¹) 1 200 1 900 800 600 3 500 400 16 800 5 400 1 200 12 800. Al (mg kg -¹) 100 000 231 000 125 000 165 000 13 800 400 54 200 14 600 1200 27 400. A partir da tabela 3, observa-se que para o ponto P2 a média de concentrações de Alumínio dos amostradores foi de aproximadamente de 142,600 mg kg-1 o qual possui maior média. Já a menor média foi observada no ponto P1 com média de contrações aproximada de 51,000 mg kg-1 . Nesse caso também, a eficácia dos amostadores apresentou-se melhor nas esponjas de poliuretano.
(5) retendo portanto, maiores concentrações dos elementos durante o período de exposição. Com base nos dados oferecidos nas duas tabelas acima, pode-se afirmar que para o presente trabalho os amostradores do tipo esponja poliuretano apresentamse mais eficazes na retenção do material particulado em suspensão. As maiores concentrações dos elementos foram observadas nos pontos P2 e P3 cujo fluxo veicular no município é intenso. O fato das elevadas concentrações de Alumínio para as duas estações em estudo nos pontos P2 e P3, localizados em ponto com intenso movimento veicular, pode ser explicado pela queima de combustíveis fosseis e o transporte das partículas pelo vento. O material particulado, onde estão inclusos os metais pesados, é emitido por diversas fontes naturais e/ou antropogênicas, podendo ser classificado conforme o tamanho das partículas. Partículas grossas, de diâmetro VXSHULRU D. P UHVXOWDP GD GHsintegração de grandes partículas e podem ser. geradas pela ressuspensão do solo em áreas sem cobertura vegetal ou pelo cultivo da terra, sendo desta forma sua composição similar à da crosta terrestre (Magalhães, 2005). Watson et al. (1998), descreve como algumas das principais fontes de emissão de poluentes atmosféricos os veículos movidos a diesel (Ca e Fe), veículos movidos a gasolina com motor regulado (Fe, Si, S, Ca, Al e K) e veículos movidos a gasolina com motor desregulado (S, Ca e Fe). Cabe salientar que a quantidade de emissão de poluentes por fonte veicular depende de vários fatores, como o tipo de motor, sua regulagem, manutenção e o modo de dirigir. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista o estudo realizado, pode-se afirmar que os amostradores de esponja de poliuretano apresentam-se mais eficazes na retenção das partículas em suspensão. Os pontos de monitoramento com concentrações elevadas dos elementos em estudo foram os mesmos para as duas estações, sendo uma área caracterizada pelo intenso fluxo veicular o que indica a fonte de ocorrência do material em suspensão retido nos amostradores..
(6) 5. REFERÊNCIAS. CETESB. Qualidade do Ar no Estado de São Paulo. 2011. Governo do Estado de São Paulo ± Secretaria do Meio Ambiente, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. São Paulo, SP. GONÇALVES, T. L. F. et al. Modelagem dos processos de remoção sulfato e dióxido de enxofre presente no particulado em diferentes localidades da região metropolitana de São Paulo. Revista brasileira de Geofísica, v.28, p.109-19, 2010. KEMERICH, P. D. C. et al. Ocorrência de enxofre e ferro no material particulado atmosférico em perímetro urbano da cidade de Frederico Westphalen ± RS. Revista Ambiente & Água - An Interdisciplinary Journal of Applied Science: v. 6, n. 3, 2011. MAGALHÃES, L.C. Partículas totais em suspensão na cidade de Ouro Preto, MG. Ouro Preto, 2005, 60 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) ± Universidade Federal de Ouro Preto. WATSON, J.G.; FUJITA, E.M.; CHOW, J.C.; ZIELINSKA, B.Z.; RICHARDS, L.W.; NEFF, W.; DIETRICH, D. Northern Front Range Air Quality Study Final Report. Desert Research Institute, Reno, NV,Prepared for Colorado State University, Fort Collins, CO,1998..
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