A TEORIA INSTITUCIONAL E SEUS DESDOBRAMENTOS: UM ENSAIO TEÓRICO

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(1)A TEORIA INSTITUCIONAL E SEUS DESDOBRAMENTOS: UM ENSAIO TEÓRICO. Isaque Guilhermando Koche 1 Debora Bobsin 2 Daiana de Marco 3 Gláucia Espinosa da Silveira 4. Resumo: Os estudos organizacionais têm passado por uma intensa expansão nos últimos anos e tem nos apresentado a diferentes perspectivas teóricas, nesse contexto se discute a Teoria Institucional. Essa Teoria é bem difundida academicamente, mas, nem tanto dentro das organizações. Desse modo, as organizações são levadas pelos contextos institucionais e relacionais e se transformam em isomórficas para possibilitar aprovação social (legitimidade), que fornece benefícios de manutenção, mesmo sendo as práticas institucionalizadas contrárias à eficiência (Greenwood et al., 2008). o presente estudo se caracteriza como um ensaio teórico, tem como finalidade investigar novas abordagens da temática. Ao aprofundar as leituras, ficou muito clara a capacidade da teoria institucional de transitar por diversas áreas do conhecimento. Cabe dizer que essa é formatada com a junção de diferentes empréstimos oriundos da sociologia, economia e da ciência política. Do mesmo modo, é possível também analisar que a teoria acolhe aos aspectos mais profundos da estrutura social. Um dos pontos que o institucionalismo dá pouca importância é a questão do poder nas organizações. Seria fundamental a teoria debater sobre essa temática para o entendimento do processo de institucionalização e da dinâmica social. No momento em que as relações de poder são vistas de maneira isolada corre-se o risco de aceitar a adaptabilidade, a mera evolução e a estabilidade como elementos centrais na constituição da sociedade.. Palavras-chave: Teoria Institucional. Isomorfismo.. Modalidade de Participação: Pesquisador. A TEORIA INSTITUCIONAL E SEUS DESDOBRAMENTOS: UM ENSAIO TEÓRICO 1 Aluno de pós-graduação. isaquegk@gmail.com. Autor principal 2 Docente. deborabobsin@gmail.com. Co-autor 3 Aluno de pós-graduação. daianademarco2017@gmail.com. Co-autor 4 Aluno de graduação. es.glaucia@gmail.com. Co-autor. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(2) A TEORIA INSTITUCIONAL E SEUS DESDOBRAMENTOS: UM ENSAIO TEÓRICO. 1. INTRODUÇÃO Os estudos organizacionais têm passado por uma intensa expansão nos últimos anos e tem nos apresentado a diferentes perspectivas teóricas. Segundo Dover e Lawrence (2010), a teoria institucional já dispõe de uma considerável disseminação junto à comunidade acadêmica, entretanto, ela ainda é praticamente desconhecida pelos gestores das organizações. Meyer e Rowan (1977) citam que os princípios institucionalizados na sociedade transpassam as estruturas e formas organizacionais, ressaltando que a observação de aspectos instrumentais deve ser mais complexa, incluindo a presença de elementos culturais e simbólicos no estudo organizacional. Desse modo, as organizações são levadas pelos contextos institucionais e relacionais e se transformam em isomórficas para possibilitar aprovação social (legitimidade), que fornece benefícios de manutenção, mesmo sendo as práticas institucionalizadas contrárias à eficiência (Greenwood et al., 2008). Inicialmente, é interessante expor a discussão que Selznick (1957) abordou sobre o novo institucionalismo. Esse é consistentemente diferente do velho institucionalismo americano militante firmado numa identidade de resistência ao pensamento neoclássico. No novo institucionalismo com viés econômico as transações são uma das principais unidades de análise e são, além disso, responsáveis pela definição dos mercados, das hierarquias e das formas híbridas das organizações. Todavia, tanto o velho como o novo institucionalismo se contrapõe aos modelos de organização baseados em concepções racionalistas e destacam as relações entre a organização e seu ambiente, ao mesmo tempo em que valorizaram o papel da cultura na formação das organizações. Para Powell e DiMaggio (2005) a institucionalização limita a racionalidade organizacional e identificam diferentes fontes para essas limitações. Entre as diferenças mais significantes das duas correntes pode-se destacar o enfoque político e a luta de interesses dentro e entre as organizações que vêm ganhando espaço na análise. A teoria contempla as mudanças ocorridas nos estudos organizacionais principalmente a partir dos anos 60, período no qual os trabalhos tinham uma perspectiva de sistemas abertos. Da mesma forma, as organizações passaram a ser vistas como sistemas abertos, ou seja, as trocas materiais e subjetivas começam a ser feitas também com o ambiente e não somente dentro das organizações. Conseqüentemente, essa ideia vai à contramão da noção clássica de ambiente, que via a entidade de forma externa à organização. Nesse contexto, a teoria institucional, em específico, vem ganhando notoriedade e pretende ser o objeto de estudo deste ensaio teórico. 2. METODOLOGIA.

(3) O presente estudo tem como finalidade investigar novas abordagens da temática. Com relação aos procedimentos, realizou-se principalmente pesquisa bibliográfica e documental (Raupp & Beuren, 2009). Com a finalidade de atingir os objetivos apresentados, o trabalho foi dirigido na forma de um ensaio teórico, o qual, de acordo com Severino (2007), é uma exposição lógica e reflexiva, por meio de rigorosa argumentação e alto nível de interpretação e julgamento pessoal, oferecendo maior liberdade ao autor para defender determinada posição. Esse método possibilita investigar as pesquisas já publicadas sobre o tema e inferir colaborações a partir desses estudos e das constatações dos autores. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao aprofundar as leituras, ficou muito clara a capacidade da teoria institucional de transitar por diversas áreas do conhecimento. Cabe dizer que essa é formatada com a junção de diferentes empréstimos oriundos da sociologia, economia e da ciência política. Do mesmo modo, é possível também analisar que a teoria acolhe aos aspectos mais profundos da estrutura social. Selzinick (1957) é considerado pioneiro desta abordagem ao adotar as bases GH XP PRGHOR LQVWLWXFLRQDO H DR DQDOLVDU DV RUJDQL]Do}HV FRPR XPD ³H[SUHVVmR HVWUXWXUDO GD DomR UDFLRQDO´ HP TXH WRGDV DV QRVVDV RUJDQL]Do}HV HVWmR VXMHLWDV jV pressões do ambiente social e se transformam em sistemas orgânicos. Toda essa HYROXomR R DXWRU GHQRPLQD FRPR ³SURFHVVR GH LQVWLWXFLRQDOL]DomR´ R TXDO SRGH VHU analisado pelo aspecto seguinte: os valores substituem os fatores técnicos na determinação das tarefas organizacionais. Ainda nessa abordagem, as instituições são vistas como organismos adaptativos resultantes de um sistema natural de equilíbrio das pressões sociais. Podemos observar também que uma organização vai se tornando instituição na mesma proporção que a sociedade está incutindo valor, ou seja, a partir do momento em que a sociedade está legitimando determinada organização. É interessante que os principais autores institucionais (SELZINICK, 1957; DiMaggio e Powell, 2005; Meyer e Rowan, 1977), sinalizam que vivemos uma relação recíproca entre estruturas normativas e culturais com as organizações e campos organizacionais. Nessa visão é importante notar como os nossos valores institucionalizados transpõem as estruturas e formas organizacionais. O que os autores também vão nos esclarecer é que a institucionalização representa um processo que está em conformidade com as normas socialmente aceitas, assim como pela incorporação de conhecimentos construídos ao longo da interação social com o meio. Então, entendo que de alguma maneira toda organização está buscando a aceitação social e a legitimação. Devido a essa necessidade de legitimação (ligada à adequação e aceitabilidade dos valores sociais pela sociedade), não podemos afirmar que toda a organização se tornará uma instituição. O contrário também é válido, existe a possibilidade da instituição retornar a posição de organização devido à própria perda de legitimação perante a sociedade. Todos os fatores expostos justificam as necessidades que toda a instituição possui de se adaptar às mudanças que lhes sejam impostas. Entendo que existe um processo de institucionalização de uma organização. Entretanto, ao contrário que muitos pensam, esse processo não é feito de uma maneira simultânea ou que ocorre de uma hora para outra. Durante esse processo, as organizações vão se adaptando a determinado ambiente e as dimensões.

(4) políticas e culturais inerentes ao contexto, assim são institucionalizadas pela sociedade. Ou também procuram homogeneizar através do isomorfismo (DIMAGGIO e Powell, 2005). É possível observar que o processo de se institucionalizar vem acompanhado de uma transformação de crenças em regras de conduta, da oficialização de normas e comportamentos, e também da transformação do amador em profissional. Assim, podemos observar que as instituições se tornam como organismos adaptativos originados de um processo natural de equilíbrio das pressões sociais. 2V DXWRUHV 'LPDJJLR H 3RZHOO YmR DILUPDU TXH R LVRPRUILVPR ³FRQVWLWXL um processo de restrição que força uma unidade, em uma população, a se assemelhar a outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condições DPELHQWDLV´ $GHPDLV HOHV DSUHVHQWDP WUrV PHFDQLVPRV SRU PHLR GRV TXDLV acontecem as mudanças isomórficas institucionais. O primeiro é denominado de isomorfismo coercitivo, que deriva de pressões e processos externos, tanto explícitos como implícitos. As pressões sobre uma organização podem ser formais ou informais e exercidas pelo estado, por outra organização, ou até pelas expectativas culturais da sociedade na qual a organização está inserida. Como consequência, a organização é levada a adotar estratégias similares às outras do mesmo setor, decorrentes de pressões e expectativas dessas entidades, as quais impõem mecanismos de regulação (regras, leis e sanções) sobre suas atividades. O segundo mecanismo é o do isomorfismo mimético, o qual se origina de soluções para enfrentar a incerteza. Sua ação se dá por meio da imitação de procedimentos comprovadamente bem-sucedidos e tecnologias reconhecidas que aumentam a legitimidade organizacional e as pretensões de sobrevivência, além da propensão de provocar menor nível de análises profundas. O terceiro mecanismo isomórfico é o normativo, que tem sua origem nas interações que os integrantes da organização possuem com entidades acadêmicas, profissionais e comerciais. Esse mecanismo está vinculado com a concepção de que quanto mais elaboradas forem as redes de relacionamentos entre as organizações e seus componentes, maior será a estrutura coletiva do meio que as rodeia e a tendência de uma organização para ser semelhante a outras que também atuem em seu campo. Fica muito claro que no mecanismo isomórfico normativo a profissionalização, ou seja, o indivíduo obter certa ocupação que induza o compartilhamento de normas e conhecimentos com outras pessoas podem ser definida como uma maneira de pressão normativa. As universidades em que se formam a maior parte dos profissionais podem ser consideradas como veículos privilegiados dos conjuntos de normas, regulamentos e práticas comuns a uma profissão. 4. CONCLUSÕES Um dos pontos que o institucionalismo dá pouca importância é a questão do poder nas organizações. Seria fundamental a teoria debater sobre essa temática para o entendimento do processo de institucionalização e da dinâmica social. No momento em que as relações de poder são vistas de maneira isolada corre-se o risco de aceitar a adaptabilidade, a mera evolução e a estabilidade como elementos centrais na constituição da sociedade. Além disso, é corriqueiro ver que os gestores são propensos a adotar somente o que já foi legitimado por outras instituições. Por isso é que as.

(5) organizações que enfrentam situações ambientais similares tendem a apresentar estruturas e práticas também similares. Por se tratar de um ensaio teórico o estudo teve o objetivo de contribuir com a literatura referente ao tema. Entretanto, como limitação do trabalho, destaca-se a ausência de aplicabilidade empírica do tema proposto e do fornecimento de conclusões definitivas sobre o institucionalismo. Ademais, sugere-se para futuros estudos, que sejam realizadas pesquisas empíricas, de natureza qualitativa e quantitativa, para proporcionar a análise do contexto da teoria institucional. 5. REFERÊNCIAS CARVALHO, Cristina Amélia. Organizações, instituições e poder no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2003. p. 29-45 CARVALHO, Cristina Amélia; VIEIRA, Marcelo Milano Falcão. Contribuições da perspectiva institucional para a análise das organizações: possibilidades teóricas, empíricas e de aplicação. In: CARVALHO, Cristina Amélia; VIEIRA, Marcelo Milano Falcão (Orgs.). Organizações, cultura e desenvolvimento local: a agenda de pesquisa do Observatório da Realidade Organizacional. Recife: Editora UFPE, 2003. DIMAGGIO, Paul J., POWELL, Walter W. A gaiola de ferro revisitada: isomorfismo institucional e racionalidade coletiva nos campos organizacionais. Revista de Administração de Empresas, v.45, n.2, p.74-89, 2005. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23 ed. São Paulo: Cortez, 2007. RAUPP, F. M.; BEUREN, I. M. Metodologia da pesquisa aplicável às ciências sociais. In: Beuren, Ilse M. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática, p. 76-97 São Paulo: Atlas, 2009. DOVER, G.; LAWRENCE, T. B. A gap year for institutional theory: integrating the study of institutional work and participatory action research. In: Journal of Management Inquiry, v. 19, n. 4, p. 305-316, 2010. MEYER, J. W.; ROWAN, B. Institutionalized organizations: formal structure as myth and ceremony. In: American Journal of Sociology, v. 83, n. 2, p. 340-363, 1977. GREENWOOD, Royston, et al. The Sage handbook of organizational institutionalism. Los Angeles: Sage, 2008. p. 1-46..

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