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Artigo
de
Atualizac¸ão
Talalgias:
fascite
plantar
Ricardo
Cardenuto
Ferreira
DepartamentodeOrtopediaeTraumatologiadaSantaCasadeSãoPaulo,FaculdadedeCiênciasMédicas,SãoPaulo,SP,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo: Recebidoem7dejunhode2013 Aceitoem14dejunhode2013 On-lineem26defevereirode2014 Palavras-chave: Fasciteplantar/etiologia Fasciteplantar/diagnóstico Fasciteplantar/terapia
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Afasciteplantaréumasíndromedolorosamuitofrequente,massuaexataetiologiaainda permaneceobscura.Odiagnósticoéessencialmenteclínicoetemcomobaseahistóriae oexamefísico.Examescomplementareslaboratoriaisedeimagempodemserúteisno diagnósticodiferencial.Otratamentoéessencialmenteconservador,comelevadataxade sucesso(aoredorde90%).Aessênciadotratamentoconservadoréoprogramadomiciliar comexercíciosparaalongamentodafásciaplantar.Aindicac¸ãodotratamentocirúrgico somenteéfeitaquandoossintomaspersistemsemmelhoriasignificativa,apóspelomenos seismesesdetratamentoconservadorsupervisionadodiretamentepelomédico.
©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.
Talalgia:
plantar
fasciitis
Keywords:
Plantarfasciitis/etiology Plantarfasciitis/diagnosis Plantarfasciitis/therapy
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Plantarfasciitisisaverycommonpainfulsyndrome,butitsexactetiologystillremains obs-cure.Thediagnosisisessentiallyclinical,basedonhistory-takingandphysicalexamination. Complementarylaboratorytestsandimagingexaminationsmaybeusefulfordifferential diagnoses.Thetreatmentisessentiallyconservative,withahighsuccessrate(around90%). Theessenceoftheconservativetreatmentisthehome-basedprogramofexercisestostretch theplantarfascia.Indicationsforsurgicaltreatmentareonlymadewhenthesymptoms per-sistwithoutsignificantimprovement,afteratleastsixmonthsofconservativetreatment superviseddirectlybythedoctor.
©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.
Introduc¸ão
Asíndromedolorosasubcalcânea,maisconhecidacomo fas-citeplantarouesporãodocalcâneo,foidescritainicialmente em1812.1Constituiumproblemaortopédicobastantecomum eafetaprincipalmentehomensentre40e70anos.Afascite plantaracometetambématletas,especialmentecorredores.
E-mail:[email protected]
Acausaexatadessasíndromeédesconhecida.Entretanto, váriosfatorespodemestarenvolvidos:inflamac¸ãodafáscia plantarprovocadaporeventotraumáticoqueenvolvaforc¸as detrac¸ãooucizalhamento,2avulsãodafásciaplantar,fratura deestressedocalcâneo,neuropatiacompressivadosnervos plantares,3 esporão plantar do calcâneo e atrofia senil do coximgordurosoplantar.
0102-3616 ©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2014.02.004
Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND
Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND
Etiologia
Afascite plantaré acausa maiscomum dedor na região plantar docalcanhar. Estima-se que umade cada 10 pes-soasexperimentemdornaregiãosubcalcânea aolongoda vida.4Apeculiaranatomiadafásciaplantarlheconferepouca elasticidade.5Duranteafasedeapoiodamarchaocorre com-pressãonaplantadopé eumaforc¸adetrac¸ãoégeradaao longo da fáscia. Durante o caminhar, a cada passo a fás-ciaésubmetidaarepetitivasforc¸asdetrac¸ão.Quandoessas forc¸assãoaplicadassucessivamente,comfrequênciae inten-sidadeaumentadas,podeocorrerdegenerac¸ãoprogressivana origemdafásciaplantar,juntoàporc¸ãomedialda tuberosi-dadecalcanear.Essesmicrotraumasrepetitivosnaorigemda fásciaplantarcorrelacionam-se como desenvolvimentode periostiteportrac¸ãoemicrorrupturasdaprópriafásciaque resultameminflamac¸ãoedorcrônica.Oprocesso inflamató-riopodeocorrerespecificamentenaorigemdafásciaplantar enotubérculomedialdocalcâneooupodeenvolveroutras estruturas,comoo nervomedialdocalcâneoeo nervodo músculo abdutordoquintodedo.6 Também podeocorrero encarceramentodonervotibialposterior.
Oesporãodocalcâneo,localizadonaorigemdos múscu-los flexores curtosdo pé, foi inicialmente associado como causadadorsubcalcâneaem1915.Entretanto,essaassociac¸ão nunca foi firmemente estabelecida. Ele está presente em aproximadamente 50% dos pacientes com síndrome dolo-rosasubcalcânea.7,8Somente5,2%dospacientescomesporão do calcâneo referem sintomas relacionados com dor no calcanhar.9Apesardeesseestarpresenteemalgunspacientes portadoresdedorcrônicanocalcanhar,elenãoéconsiderado comoagentecausadordasíndromedolorosa.Provavelmente, oesporãodecalcâneoéconsequênciadainflamac¸ãocrônica provocadaportrac¸ãotraumáticarepetitivanaorigemdafáscia plantaredomúsculoflexorcurtodosdedos.
Algunsautoresacreditamqueacausadadornocalcanhar estejaassociadacomocoximgordurosodocalcanhar,uma importante estruturaresponsável pela absorc¸ãodochoque durante o apoio do calcanhar no solo. Com o envelheci-mento,alterac¸õesdegenerativasassociadasàreduc¸ãogradual decolágenoedelíquidoprovocamareduc¸ãonaelasticidade docoximgorduroso.Apósaproximadamente40anosocoxim gordurosoplantarcomec¸aasedeteriorar,comperdado colá-geno,dotecidoelásticoedeágua,oqueprovocadiminuic¸ão nasuaespessuraealtura.Essasalterac¸õesresultamno amole-cimentoeafilamentodagorduradocoximplantar,diminuem suacapacidadedeabsorverimpactoereduzemsuaac¸ão pro-tetoradatuberosidadeplantardocalcâneo.10
Váriosestudosassociamopesocorpóreocomocausada dorsubcalcâneaeobserva-seumaaltaincidêncianos pacien-tesobesosouacimadopeso.11,12
Nos pacientes com dor subcalcânea, deve-se investigar apossibilidadede outrosfatorescausais,tais como:artrite reumatoide, osteoartrite, espondilite ancilosante, síndrome de Reitere fratura de estresse docalcâneo. Nospacientes diabéticos,deve-sepesquisarapossibilidadedeabscesso pro-fundonas partes moles.Em crianc¸as maisnovas, a causa maiscomumde dorsubcalcânea éaapofisite docalcâneo (doenc¸adeSever).Outrascausas,comoaneuropraxiadoramo
calcâneomedialoudonervoabdutordoquintodedo,devem serpesquisadasnoscasosresistentesaotratamento.6
Quadro
clínico
Opacientenormalmentesequeixadedor,deinícioinsidiosa, nafaceinternadocalcanhar.Emrarasocasiõespodeocorrer dorintensa,cominícioabrupto,causadaporavulsão traumá-tica da fásciaplantarnasuainserc¸ãojunto àtuberosidade calcânea.Ainfiltrac¸ãolocalcomcorticosteroidepode preci-pitaressetipoderuptura.13,14Independentementedaforma como ossintomas seiniciam,ocursoclínicogeralmenteé similar.Adorépiorlogodemanhã,aoapoiaropénosolo pelaprimeiravez,etorna-semenosintensaapósiniciaros primeirospassos.Nofimdodiaadortorna-semaisintensa eéaliviadapelorepousodopé.Quandoadortorna-semais intensa,opacientenãoécapazdeapoiaropesodocorponos calcanhares.Edemaleveeeritemaeventualmenteestão pre-sentes.Ossintomaspodempersistirdurantepoucassemanas oumesmoatéalgunsanos.Noscasosnosquaisexiste encar-ceramentodoprimeiroramodonervoplantarlateral(nervo paraomúsculoabdutordoquintodedo),adorirradia-se tam-bémproximaledistalmenteaolongodopéesegueotrajeto donervo.
Oexamefísicodopérevelasensac¸ãodolorosaaolongoda tuberosidademedialdocalcâneo.Adorpodetercomoorigem aporc¸ãocentraldafásciaplantaroupodesermaisprofundae representarumainflamac¸ãodonervoabdutordoquintodedo. Afásciaplantardeveserpalpadaparasedeterminaraárea ondeadorselocalizaeapossívelpresenc¸adenodulac¸ões. Algumasvezesafásciatorna-semaisintensamentedolorosa quandosubmetidaatensãoedeveserpalpadacomosdedose otornozeloemdorsiflexão.Otúneldotarsotambémdeveser palpadoparapesquisadosinaldeTinelouprocesso inflama-tórioqueenvolva osnervostibial,plantarlateraloumedial e osnervoscalcâneos. Asarticulac¸ões dotornozeloe sub-talardevemserexaminadasativaepassivamente quantoà mobilidade.Aforc¸aativadosmúsculosquecruzamaáreana qualopacientereferedordeveserpesquisadaparaverificar seossintomassãoreproduzidoscomacontrac¸ãomuscular. Oexameneurológicodasporc¸õesremanescentesda extremi-dade,assimcomodacolunavertebrallombar,tambémdeve fazerpartedarotinadoexaminador.
Exames
complementares
Radiografiasdopéedotornozelo,comapoiodopesocorporal, devemserfeitasnasincidênciasanteroposterior(AP),perfile axialdocalcâneoparaverificarinformac¸õesrelacionadascom aestruturaósseaeoestadobiomecânicodopéedo torno-zelo,alémdedetectarapresenc¸adeesporãooucalcificac¸ão aolongodatuberosidademedialdocalcâneo.Oesporãodo calcâneopodeservistonasradiografiasdeperfildopéem aproximadamente 50%dospacientes comdorsubcalcânea, masoexatosignificadodissoéincerto.7,8
Acintilografiaósseapodeauxiliarnodiagnóstico diferen-cial da fratura de estresse do calcâneo em pacientes que apresentampersistênciada sintomatologiadolorosaapós o
tratamentoderotina.Normalmente,aáreadehipercaptac¸ão doisótopo radioativo localiza-se naregião anteroinferior e medialdocalcâneo. Esse exame podeserútil na detecc¸ão precocedafraturadeestressedocalcâneo.
Aressonâncianuclearmagnéticararamenteéindicadana avaliac¸ãodiagnósticadafasciteplantar.Eventualmente,pode revelarespessamentodafásciaplantarouauxiliarno diagnós-ticoprecocedefratura deestresse docalcâneo.Entretanto, émaisútilparaexcluiroutrascausascorrelacionadasàdor calcanear(fibromatoseplantar,tumoresouinfecc¸ão)doque diagnosticarafasciteplantarpropriamentedita.15
Oestudoeletroneuromiográficopodeauxiliarno diagnós-ticodiferencialda fasciteplantarcom neuropatiaperiférica oucomasíndromecompressivadotúneltarsal.Sintomasque levamasuspeitardoencarceramentodonervoplantarlateral pelomúsculoabdutordoquintodedo,conhecidocomo sín-dromedeBaxter„6nãopodemseradequadamenteavaliados peloexameeletroneuromiográfico.Asuspeitadiagnósticatem comobaseahistóriaclínicadopacientecomqueixadedor persistenteduranteváriassemanasoumeses,irradiadaem direc¸ãoàregiãoplantarelateraldocalcanhar.
Exames laboratoriais são úteis na avaliac¸ão de pacien-tes com suspeita de espondiloartropatias soronegativas e sãoindicadosespecialmente noscasos nosquais os sinto-massão persistentesebilaterais.Apesquisa de provasde atividade reumática, assim como a dosagem do antígeno leucocitáriohumanoHLA-B27(humanleucocyteantigen),pode serconclusiva com relac¸ão à associac¸ãoda fascite plantar comascolagenoses.16Outrosexamescomplementaresúteis nodiagnósticodiferencialdasdoenc¸asmetabólicasincluem: hemograma completo, velocidade de hemossedimentac¸ão (VHS),dosagemdeácidoúrico,pesquisadefatorreumatoide eanticorposantinucleares.
Adorreferidapelopacientecomoprovenientedo calca-nhartambémpodeestarcorrelacionadacomproblemasda colunavertebrallombar.Noscasosnosquaissesuspeitadessa etiologia,exameslaboratoriaiseestudoradiográfico apropri-adodevemserfeitos.
Tratamento
Na grande maioria dos pacientes o tratamento conserva-dor, sem cirurgia, é suficiente para permitir o alívio dos sintomas.17–19Naliteraturaalgumassériesdecasoalcanc¸am taxadesucessocomtratamentoconservadordafascite plan-tarquevariaentre73%e89%.17–19
O tratamento conservador deve ser direcionado para reduzir o processo inflamatório e inicialmente podemos recomendar um curto período de repouso acompanhado demedicamentosanti-inflamatóriosnãohormonais(AINH) duranteaproximadamentequatroaseissemanas.
Estudosrecentesreforc¸amqueaprimeiralinhado trata-mentoconservadordeveincluirumprogramadomiciliarcom exercíciospara alongamentoda fásciaplantar. O protocolo tradicionalenvolveexercíciosparaalongamentoecontrac¸ão excêntricadotendãode Aquiles,feitossimultaneamente a exercíciosparaalongarafásciaplantar20,21(fig.1).
Palmilhaspré-fabricadasouconfeccionadassobmedida, com desenho capaz de acomodar e dar suporte ao arco
Figura1–Desenhoquemostraaposic¸ãodopaciente duranteaexecuc¸ãodoprogramadeexercíciosdomiciliares preconizadoparatratamentodafasciteplantar.Noteque nestaposic¸ãoopacienteaplicaumaforc¸acontínua(seta escura)epromovesimultaneamenteoalongamentodo tendãodeAquileseacontrac¸ãoexcêntricadocomplexo gastrocnêmio-sóleoeocorretambémoalongamentoda fásciaplantar(setasbrancas).Sãopreconizadas10 repetic¸ões,quealternemaposic¸ãodospés(umàfrentee outroatrás),cadaumacomdurac¸ãode10segundos.O pacienteéinstruídoafazerpelomenostrêssériesde exercíciosaolongododia(manhã,tardeenoite)durante trêsaseissemanasconsecutivas.
longitudinal medial, além de acolchoar a região do calca-nharparareduzirapressãodoapoio,podemserúteiscomo forma complementar de tratamento, desde que associadas aoprogramadeexercíciosdomiciliaresparaalongamentoda fásciaplantar.Taispalmilhasdevemserconfeccionadascom material macio(destacam-se silicone, microespuma,feltro, plastazoteousimilares).22Recomenda-sequeapalmilhaseja usadadiariamenteduranteváriosmeses.Podeseracomodada dentrodoprópriocalc¸adodopaciente.
A diminuic¸ão no nível de atividade física é importante durantetodo operíododetratamentoconservador.Pessoas que trabalham de pé por mais de oito horas ao dia cos-tumam apresentar pior resultado com essa modalidadede tratamento.23 Como terapêutica coadjuvante pode-se tam-bémprescreverfisioterapiaformalnamodalidadeanalgésica,
emsessõescomaplicac¸ãolocaldeultrassomeiontoforese. Casoo pacientenão respondaa essamodalidadede trata-mento,podemosoferecerapossibilidadedeimobilizac¸ãoda extremidadenumabotagessadaoubotaremovívelpara mar-cha(tipowalkerboot)durante aproximadamenteseis aoito semanas.12,23
Umapequenaquantidadedepacientesquenãoconsegue alíviosatisfatóriodossintomasdolorososcomotratamento conservadorpreviamentedescritopodesebeneficiarcomo usodeórtesenoturna.Oprincípiodessamodalidadede tra-tamentoémanterafásciaplantaralongadadurantetodoo períododerepousonoturno,umavezqueotornozeloé posi-cionadoemdorsiflexãoenquantoopacientedorme.24–29
Ocasionalmenteainfiltrac¸ãocomesteroidespodeproduzir alíviotemporáriodadornamaioriadospacientes.Entretanto, seuusoindiscriminadopodeprovocarcomplicac¸ões,30,31com destaquepara arupturada fáscia plantar, esério riscode lesãopermanentenocoximgordurosoplantar,queprovoca substituic¸ãofibrosaeatrofia, o quepioraria aindamaisos sintomas.Dessaforma,écontroversoobenefíciopropiciado pelainfiltrac¸ãodecorticosteroidesnospacientesportadores defasciteplantar.
Aterapiaporondasdechoquesurgiurecentementecomo uma nova tecnologia aplicada como modalidade de trata-mentoconservadorda fasciteplantar. Ométodotemcomo princípio a aplicac¸ão de poderosas ondas de choque com objetivode promoveracicatrizac¸ãodotecidoinflamadoda fásciaplantar.Algunsestudosnãocontroladosdemonstram resultadocom ampla variabilidadede sucessoclínico,com percentuaisqueseestendemde56%a94%desatisfac¸ão.32–39 Arecomendac¸ãoatualparaindicarotratamentocomondas dechoqueéapresenc¸adedorcrônica(maisdeseismesesde durac¸ão),resistenteapelomenostrêsdestasmodalidadesde tratamentoconservador:programadefisioterapiadomiciliar, palmilhas, medicac¸ão anti-inflamatória não hormonal e infiltrac¸ãolocalcom corticosteroide. Contraindicac¸õespara essamodalidadedetratamentoincluem:hemofilia, coagulo-patia,neoplasiaoupresenc¸adeplacadecrescimento.40
Seguindo asdiversas modalidadesde tratamento acima descritasapresentadas,Wolguinetal.17obtiveramresoluc¸ão completadadorsubcalcâneaem82%dospacientes;15%ainda apresentavamsintomadolorosoeventualapóstempomédio deseguimentode47meses,masadorresidualnãoprovocava limitac¸ãonasatividadesdavidadiáriaounotrabalho.Apenas 3%dospacientesapresentavamdorquelimitavaasatividades habituais.
Tratamento
cirúrgico
Asconsiderac¸ões para aindicac¸ão dotratamento cirúrgico devemserfeitassomentequandopersistiremossintomasque interferemnavidadiáriaouatividadeatléticadesejada,sem melhoriasignificativa,apóspelomenosseismesesdeusodas váriasmodalidadesdetratamentoconservador supervisiona-dasdiretamentepelomédico.Opacientedeveserinformado deque,mesmoapósacirurgia,existeapossibilidadedenão ocorrermelhoriadossintomas.
Antes da cirurgia é importante identificar a exata localizac¸ãoda doreo diagnóstico específicodasuacausa.
Nos casos em que o diagnóstico da causa da dor subcal-câneanãopuderserfeitocom exatidão,pode serindicada umacombinac¸ãodediferentesprocedimentoscirúrgicos,tais como:fasciotomiaplantarparcial,ressecc¸ãodoesporãoósseo docalcâneoouliberac¸ãodafásciaprofundadomúsculo abdu-tordoháluxcomneurólisedonervodomúsculoabdutordo quintodedo.
O tratamentocirúrgico dafasciteplantaratinge resulta-dossatisfatóriosemaproximadamente95%doscasos.23,41–44 O objetivo final da cirurgia é obter a descompressão ade-quadadaregiãosubcalcânea.Aliberac¸ãocirúrgicadafáscia plantar,tantoporabordagemincisionaldiretacomopor téc-nicaendoscópica,éométododetratamentocirúrgicomais frequentementeindicadoparatrataradorsubcalcânea refra-tária ao tratamento conservador. Entretanto, é importante ressaltarquealiberac¸ãodeveserapenasparcialeenvolver somente a porc¸ão medial da fáscia. A fasciotomiaplantar completapodeprovocarsobrecarganacolunalateraldopé (síndromedacolunalateral)edesencadearaplanamentodo arcolongitudinalmedial,comdesenvolvimentodepéplano adquirido.45Osautoresquerecomendamaliberac¸ão endos-cópicadafásciaplantardefendematesedequeessemétodo permite rápidorestabelecimentoeretornomaisprecoceàs atividadeshabituais.46–48Entretanto,essatécnicaaindaé con-troversaecomplicac¸õesinesperadaspodemocorrer,comoo desenvolvimentodopéplanovalgoadquiridocausadopela liberac¸ãocompletanãointencionaldetodaafásciaplantar. Outralimitac¸ãodatécnicaendoscópicaéofatodeelanão per-mitiradescompressãodonervoplantarlateralnemaremoc¸ão doesporãocalcanear.
Conflitos
de
interesse
Oautordeclaranãohaverconflitosdeinteresse.
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