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Avaliação Cognitiva em idosos: contribuições do Modelo CHC

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Academic year: 2020

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AVALIAÇÃO COGNITIVA EM IDOSOS: CONTRIBUIÇÕES DO

MODELO CHC

Cognitive assessment in elderly: contributions of CHC Model

Evaluación Cognitiva en ancianos: contribuciones del Modelo CHC

Marcia Coutinho de Robertis Azevedo - Unasp – São Paulo Daniel Bartholomeu - Nexo – IPADe

José Maria Montiel - Nexo – IPADe Rafael Bartholomeu - Ceunsp – Itu

Marcia Coutinho de Robertis Azevedo é docente da Unasp e mestre em psicologia educacional pelo UNIFIEO

Daniel Bartholomeu Docente do Nexo Instituto de Psicologia Aplicada, Doutor em Avaliação Psicológica pela USF e PósDoutorado em Desenvolvimento Humano e tecnologias pela UNESP.

José Maria Montiel Docente do Nexo Instituto de Psicologia Aplicada, Doutor em Avaliação Psicológica pela USF e PósDoutorado em Desenvolvimento Humano e tecnologias pela UNESP.

Rafael Bartholomeu Docente do Ceunsp de Itu e especialista em educação

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Resumo

O objetivo deste estudo foi analisar fatorialmente uma bateria de avaliação cognitiva de idosos buscando identificar e interpretar os fatores obtidos a partir do modelo CHC. Foram coletadas informações de 58 idosos de ambos os sexos. Aplicou-se os testes de cancelamento, trilhas, símbolos e dígitos, cinco pontos, MEEM e Moca. Os resultados revelaram 4 fatores, sendo que só o primeiro fator explicou mais de 57% de variância. Esta quantidade de variância é bastante elevada, e indica que estas provas avaliam aspectos atrelados à cognição dos idosos. Os resultados foram interpretados a partir do Modelo CHC.

Palavras chave: Avaliação psicológica; neuropsicologia; envelhecimento Abstract

The objective of this study was to formally examine a battery of cognitive assessment of elderly people seeking to identify and interpretthe factors obtained from theCHC model. Informationof 58elderlywere collected fromboth genders.Appliedcancellationtests,tracks, symbols anddigits, five points, MMSE and Moca. The results revealed 4 factors, and wherein only the first factor explainedmore than 57% of the variance. This amount ofvarianceis quite highand indicates that these testsevaluateaspectslinked to cognitionin the elderly.The results were interpreted from the CHCmodel.

Keywords: Psychological assessment; neuropsychology; aging

Resumen

El objetivo de este estudio es analizar factorialmente una batería de evaluación cognitiva de personas mayores buscando identificar e interpretar los factores obtenidos a partir del modelo CHC. Se obtuvo información de 58 personas mayores de ambos sexos. Se aplicaron los test de cancelamento, trilhas, símbolos y dígitos, cinco pontos, MEEM y Moca. Los resultados revelan 4 factores, siendo que solo el primer factor explicó más del 57% de varianza. Esta cantidad de varianza es bastante elevada, e indica que estas pruebas avalan aspectos relacionados com la cognición de los ancianos. Los resultados son interpretados a partir del modelo CHC.

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Introdução

O envelhecimento populacional é uma preocupação mundial e exige estratégias de

prevenção de saúde a serem adotadas com a maior brevidade possível. Esse processo é

acompanhado pelo declínio das habilidades cognitivas, como a memória e as funções

executivas (Paulo & Yassuda, 2010). A disfunção cognitiva ocasiona consequências diretas

sobre a qualidade de vida dos idosos, sendo que o menor nível de escolaridade apresenta

associação direta com a perda da função cognitiva (Akbarian, Beeri, Haroutunian, 2013).

Diante disso, avaliações para a detecção do declínio cognitivo em sua fase inicial podem

proporcionar à população idosa uma melhor qualidade de vida (Crimmins, et al., 2011).

Assim, de forma a identificar precocemente o declínio cognitivo nesta faixa etária,

sugere-se rastrear as funções executivas que envolvem habilidades cognitivas como a iniciativa,

planejamento, sequência e monitoramento de comportamentos complexos dirigidos a um

objetivo (Lopes & Argimon, 2010).

Como mencionado, o processo de envelhecimento é associado a um declínio nas

funções cognitivas e biológicas, bem como ao aumento da dependência em recursos sociais,

o que sugere que este processo é uma experiência individual heterogênea (Neri & Freire,

2000). Em relação à cognição, Bee (1997), afirma que entre os 65-75 anos, existem

algumas mudanças cognitivas leves. A perda da cognição ou incapacidade cognitiva

traduz-se no desmoronamento da identidade que nos distingue como traduz-seres pensantes. A

incapacidade cognitiva torna-se, assim, resultante desta perda de habilidades cognitivas

essenciais para uma vida independente (Moraes & Daker, 2008).

O comprometimento da cognição pode ocorrer de diversas formas, que vão desde as

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transição entre o envelhecimento normal e a demência, até à incapacidade cognitiva

propriamente dita, na qual a pessoa apresenta baixo desempenho, perda, parcial ou total, da

sua independência e autonomia (Banhato & Nascimento, 2007; Moraes & Daker, 2008).

Segundo critérios de diagnóstico para a investigação da Doença de Alzheimer, o uso de

testes neuropsicológicos pode aumentar a compreensão sobre as capacidades preservadas

desses idosos, ajudando a ajustar o tratamento (Nasreddine et al ,2005).

Dentro desse contexto, o MoCA tem sido sugerido como instrumento eficaz para

auxiliar no rastreamento (Cecato, et al, 2014). De acordo com Brito (2012), o MoCA

cumpri uma necessidade urgente que não tinha sido respondida por outros instrumentos

porque ele permite o rastreamento disponíveis para diferenciar pacientes idosos normais

daqueles com comprometimentos como na Doença de Alzheimer, por exemplo, nos

estágios iniciais da doença, há alterações nas funções executivas, o que faz com que o

processamento de expressões seja prejudicado, (Kuhlmann, 2013). Rinaldi et al. (2008)

aponta que pacientes com Demência de Alzheimer não são bem-sucedidos em tarefas de

interpretação e memorização das narrativas porque, desde o estágio inicial, falhas ocorrem

nas funções cognitivas essenciais.

Estudos brasileiros sobre aspectos cognitivos em idosos, como Ventura e Botino

(2002); Kuhlmann (2013), Martinelli et al (2015), Montiel, et al. (2014) apontam que

pacientes demenciados tem evidenciado correlações entre as medidas de testes cognitivos

que têm se configurado até idosos com mais de 90 anos. Apesar disso, não foram

analisados os agrupamentos destas medidas para identificar os grandes fatores de aspectos

cognitivos que estão configurados nestas avaliações, nem se investigou, a possibilidade de

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das mais atualizadas em relação à avaliação do desempenho cognitivo. Esta análise

indicaria as grandes dimensões do aspecto cognitivo que estariam sendo avaliadas nestes

instrumentos em idosos e contribuiria para uma compreensão diferenciada das intepretações

destas provas quando usadas em conjunto podendo complementar às aptidões cognitivas

aferidas. Isto é particularmente importante ao se considerar um agrupamento de escores que

poderia produzir medidas mais homogêneas e complementares nas avaliações de quadros

demenciais e de idosos no curso de envelhecimento normal (Carroll, 1993).

Desde o reconhecimento do modelo Cattell-Horn-Carroll (CHC) como a primeira

taxonomia baseada no consenso empiricamente validados de trabalho de elementos

cognitivos humanos (Mcgrew, 1997, Mcgrew 2005), formando a base para a maioria dos

testes de QI contemporâneos (Kaufman, 2009). O modelo Cattell-Horn-Carroll (CHC) tem

servido como o principal modelo de teste para a maioria das baterias de testes de

inteligência contemporânea. O modelo CHC de Habilidades Cognitivas consiste numa

visão multidimensional com dezesseis fatores ligados a áreas amplas do funcionamento

cognitivo. Estas capacidades associam-se aos domínios da linguagem, raciocínio, memória,

percepção visual, recepção auditiva, produção de ideias, velocidade cognitiva,

conhecimento e rendimento acadêmico (Carroll, 1997, Mcgrew, 2014; Pessotto, 2014).

Estas dezesseis capacidades são chamadas de fatores amplos e organizam-se no

segundo nível de uma hierarquia de três níveis. Em uma camada abaixo deste nível existem

mais de 70 fatores específicos subdividindo os dez fatores amplos. Estes fatores estão

ligados às capacidades específicas avaliadas pelos testes de inteligência. Acima dos fatores

amplos existe o “fator g” de Spearman representando existência de uma associação geral

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g) ao nível mais baixo (fatores específicos) indica o progressivo aumento da especialização

das capacidades cognitivas (Mcgrew & Flanagan, 1998).

Como pode ser notado o modelo CHC enfatiza a natureza multidimensional da

inteligência ao invés da visão unidimensional que dominou o início do desenvolvimento

dos testes psicométricos. Ao mesmo tempo reconhece a existência do fator g, mas, em

termos práticos, enfatiza as capacidades amplas. O modelo CHC vem sendo usada para

analisar os principais instrumentos e baterias existentes para entender melhor a natureza das

funções cognitivas que eles avaliam (Flanagan & Ortiz, 2001), sendo usada como uma

nomenclatura padrão entre profissionais e pesquisadores no entendimento da inteligência.

Ainda é possível inferir que o avanço da área depende do desenvolvimento de novas

baterias oriundas do Modelo CHC que representem mais equilibradamente os vários fatores

cognitivos (Mcgrew, 1997; Mcgrew & Flanagan, 1998). Isso denota também a necessidade

de realização de estudos com este modelo e em diversas populações e baterias de provas

cognitivas, visando a identificação deste modelo. Em idosos, foco desta pesquisa, os

estudos que buscaram obter os fatores do CHC em provas cognitivas os têm encontrado

com alguma regularidade.

Niileksela e Reynolds (2013) com o uso do modelo CHC em idosos, descreve que

este modelo é uma alternativa para evidências de que este modelo pode ser utilizado para

analisar as estruturas de fatores de avaliação cognitiva diferentes para adultos e idosos.

Kaufman, Johnson e Xin (2008), descrevem em seu estudo a vulnerabilidade da inteligência

fluida e a manutenção da inteligência cristalizada, com base no envelhecimento ao longo da

vida; a influência da inteligência fluida reduzida na medida em que a inteligência

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inteligência cristalizada, aparente em idades de 75 anos a acima, em alguns inquéritos

anteriores também pode ser um artefato da inteligência fluida descontrolada.

Consequentemente, a robustez da inteligência fluida, em explicar declínios relacionados

com a idade em escores médios para diferentes faixas etárias nos não necessariamente pode

ser atribuída a uma diminuição da velocidade de processamento de informações.

Cabe ressaltar que o modelo CHC não deve ser vista como algo estático. Não se

deve sucumbir ao endurecimento das categorias CHC (McGrew, 2005). Alguns

pesquisadores contemporâneos (Primi, 2003; Schelini, 2006; Souza, 2013; Jardim;

Wecheler, 2011) estão examinando modelos de CHC dinâmicos que coloquem esta

estrutura no âmbito das modelos de processo de informação e pesquisa, para compreender

as relações entre capacidade humana e taxonomia, apesar de ser relativamente novo em

cena. Neste contexto, evidencia-se que o modelo CHC é uma das principais e mais atuais

para a compreensão do desempenho cognitivo humano, e inúmeros estudos da literatura

tem enfatizado a necessidade de se estender este modelo à diferentes populações e culturas.

Além disso, no Brasil, embora já se tenha sido feitos estudos com este modelo em

idosos, estes não foram feitos com as baterias de avaliação cognitivas frequentemente

empregadas na avaliação de quadros demenciais, tornando relevante pesquisas nesta área

(Mcgrew, 1997; Mcgrew & Flanagan, 1998; Kaufman; Johson & Xin, 2008). Este tipo de

investigação também favoreceria para uma melhor compreensão do significado e

interpretação destas provas fornecendo tanto um agrupamento mais intuitivo das

habilidades avaliadas nestas provas, como uma maior clareza dos processos cognitivos

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bateria de avaliação cognitiva de idosos buscando identificar e interpretar os fatores obtidos

a partir do modelo CHC.

Método Participantes

Foram coletadas informações de 58 idosos de ambos os sexos, sendo 89% do sexo

feminino. A média de idade foi 65 anos (DP=7,35) sendo, a idade mínima, 61 anos e a

máxima 84. Quanto à escolaridade, 6,4% eram analfabetos, 35% tiveram até quarto anos de

escolarização, 24,2% de cinco a oito anos e 21% de nove anos em diante de escolarização.

Os participantes frequentavam faculdades de terceira idade do interior do estado de São

Paulo (54%) e UBSs de cidades do interior do estado de São Paulo. Nenhum dos pacientes

apresentava diagnóstico formado para qualquer síndrome demencial apesar de não se poder

afirmar a ausência desta em muitos dos casos examinados, já que houve 4 participantes

com pontuações abaixo de 20 no MEEM, ponto de corte de pessoas com baixa escolaridade

para Doença de Alzheimer. Assim, não se pode excluir esta possibilidade, e, apesar da

suspeita por este diagnóstico nestes participantes, optou-se por mantê-los na análise para

aumentar a variabilidade da medida, já que os objetivos eram centrados na interpretação

dos testes em questão e a validade das medidas testadas, considerando diferentes níveis da

medida. Além disso, a variabilidade afeta estudos baseados em correlação, como é o caso

deste trabalho (Anastasi & Urbina, 2000; Uhlmann & Larson, 1991).

Instrumentos

Mini-Exame do Estado Mental (MEEM)

Desenvolvido por Folstein et al., (1975) apresentam uma pontuação máxima de 30

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corte para quadros demenciais sugeridos por Brucki et al., (2003) são analfabetos = 20

pontos, de 1 a 4 anos de estudo = 25 pontos, de 5 a 8 anos de estudo = 26 pontos e entre 9 e

11 anos = 28 pontos, para idosos com escolaridade acima de 11 anos, o ponto de corte é

igual a 29 pontos. Cabe ressaltar que o MEEMmensura a orientação temporal e espacial,

registro (memória imediata), cálculo, memória recente e linguagem (agnosia, afasia,

apraxia e habilidade construtiva). É considerado um instrumento mundialmente utilizado

para rastreamento das funções cognitivas.

Montreal Cognitive Assessment - MoCA

O Montreal Cognitive Assessment(MoCA) foi concebido como um instrumento de

rastreio breve da disfunção cognitiva ligeira. Este instrumento avalia diferentes domínios

cognitivos: função executiva; capacidade visuo-espacial; memória; atenção, concentração e

memória de trabalho; linguagem; e orientação temporal e espacial, (Simões et al., 2008). O

MoCA é constituído por um protocolo de uma página, cujo tempo de aplicação é de

aproximadamente 10 minutos. Com uma pontuação máxima de 30 (pontos), o MoCA

avalia oito domínios cognitivos contemplando diversas tarefas em cada domínio (Shulman

et al, 2006). O MoCA avalia funções cognitivas e apresenta itens com maior nível de

complexidade (Freitas, Simões & Santana, 2008; Luis, Keegan & Mullan, 2009).

Teste de Símbolos e Dígitos (Montiel, Bartholomeu & Bueno, não publicado)

Esse teste é usado na avaliação da atenção dividida assim como na avaliação do

rastreamento visual e velocidade de execução motora. Apresenta na parte superior da folha

símbolos na linha de cima e números na linha de baixo de 1 a 9 que são associados, cada

um a um símbolo. É computado o item que a pessoa faz até o terceiro minuto e o tempo

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composta por 8 colunas de 15 linhas cada. Na correção são atribuídos um ponto para os

acertos e zero para os erros que são computados nos três minutos e no tempo final,

estabelecendo-se uma medida de atenção e outra de aprendizagem. Essa última, tomada

pela subtração dos acertos que a pessoa consegue obter nos primeiros três minutos, período

em que ela não memorizou ainda os estímulos; e final, após a memorização.

Teste dos Cinco Pontos (Bartholomeu, Montiel & Bueno, não publicado)

O teste dos cinco pontos é uma prova de Fluência figural, usada como análoga à

fluência verbal. É apresentado ao examinando uma folha com oito linhas e cinco colunas

sendo que, em cada célula cinco pontos são apresentados, um em cada extremidade e um ao

centro. É solicitado ao sujeito que produza o máximo de desenhos possível unindo os

pontos com retas não sendo recomendado que repita as figuras em três minutos. A instrução

é lida com os examinandos e dois exemplos dados antes do início, sendo que o examinando

pode repetir esses desenhos. Na correção, serão computados o total de desenhos feitos, o

total de desenhos únicos e a quantidade de repetições de desenhos.

Teste de Trilhas B (Montiel & Capovilla, 2009a)

O Trail Making B ou Teste de Trilhas Parte B permite identificar os processos de

atenção dividida (Gil, 2002). Para o presente estudo foi desenvolvida uma versão com 24

itens, sendo 12 números (1 a 12) e 12 letras (A a M), espalhados numa folha. A tarefa

consiste em ligar os números e as letras, alternando entre as ordens numéricas e alfabéticas,

sendo o participante orientado a realizar a atividade “o mais rápido que puder”. O tempo

máximo para resposta é de um minuto, porém o participante pode finalizar a tarefa em um

tempo menor. São computados o tempo de duração para a realização da tarefa e três tipos

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em sequência; O segundo escore corresponde ao número de ligações ou conexões corretas

entre dois itens; O terceiro escore, ou escore total, corresponde à soma dos acertos em

conexões corretas e em sequências. Pacientes com demência tendem a apresentar

desempenhos rebaixados, assim como pacientes com distúrbios emocionais, como

depressão e esquizofrenia (Lezak, 1995).

Teste de Cancelamento (Montiel & Capovilla, 2009b)

O Teste de Cancelamento, consiste em três matrizes impressas com diferentes tipos

de estímulos, sendo a tarefa do sujeito assinalar todos os estímulos iguais ao estímulo-alvo

previamente determinado. Na primeira parte do teste o objetivo é avaliar a atenção seletiva.

Na segunda parte do teste, o objetivo é avaliar a atenção seletiva por uma prova com maior

grau de dificuldade. Na terceira parte do teste, o objetivo é avaliar a atenção alternada, ou

seja, a capacidade do indivíduo de mudar o foco de atenção de tempos em tempos. Para

tanto também é usada uma prova de cancelamento de figuras, com uma matriz impressa

com seis diferentes tipos de estímulos, de cor preta em fundo branco. O número de vezes

que o estímulo-alvo aparece dentre as alternativas muda a cada linha, variando de 2 a 6

vezes. O tempo máximo para execução da tarefa é de um minuto.

Procedimentos

As avaliações aconteceram numa das sala das instituições cedidas previamente.

Todos os participantes passaram por anamnese clínica detalhada e pelas avaliações com os

instrumentos descritos anteriormente. O trabalho foi aprovado pelo comitê de ética da

UNIFIEO sob o número 853.742 e CAAEE 34669514.0.000.5435, na data de 28/10/2014.

Todos os participantes desta investigação foram voluntários e concordaram em participar

(12)

concordância dos familiares. As informações coletadas foram analisadas por meio do

programa SPSS 20. Para descrever o perfil da amostra foram feitas frequências das

variáveis categóricas sexo e estatísticas descritivas das variáveis contínuas (MEEM,

MoCA, Testes de Símbolos e Dígitos, Testes dos 5 pontos, Teste de Trilhas B e Teste de

Cancelamento), com valores de média e desvio padrão. Foram analisados ainda coeficientes

de correlação de Pearson (r) entre as medidas efetuadas.

Resultados e Discussão

Optou-se por explorar como as variáveis dos instrumentos cognitivos utilizados se

agrupariam visando interpretar os fatores obtidos pelo modelo CHC. De fato, as variáveis

apresentaram todas distribuições normais tomadas pela prova Kolmogorov Smirnov.

Considerando que as medidas são contínuas, todas avaliadas em níveis que implicam a

quantidade de acertos em cada tarefa e não são variáveis dicotômicas, não se utilizou

procedimentos com análise fatorial com correlações tetracóricas. Ao contrário,

empregou-se uma análiempregou-se de componentes principais, já que não havia conhecimento das fontes de

erro presentes nos dados em questão.

Em seguida, foram empregados procedimentos de rotação oblimin, já que se

supunha fatores correlacionados, não ortogonais, uma vez que se tratam de provas

cognitivas que, baseados no próprio modelo CHC, os aspectos cognitivos apresentam

relações entre si (Mcgrew,2005). Foram excluídos itens com cargas fatoriais abaixo de

0,40. A partir da análise do gráfico de sedimentação (Figura 1) foram mantidos 4 fatores

que apresentaram a solução melhor interpretável do ponto de vista teórico e que

mantiveram boas qualidades psicométricas quanto às cargas fatoriais e comunalidades

(13)

As comunalidades foram todas acima de 0,50, aspecto que indica a pertinência e

consistência das contribuições de cada medida para o modelo em questão, uma vez que a

amostra apresenta menos de 100 sujeitos um dos critérios relevantes para a recuperação dos

fatores populacionais que é compensado com valores elevados (acima de 0,50) de

comunalidades. A Tabela 1 apresenta tais resultados.

Figura 1. Gráfico de sedimentação das analises

Tabela 1. Analise fatorial dos componentes principais.

Pattern matrix Structure matrix

1 2 3 4 1 2 3 4 H2

Total 0,999 0,999 0,998

Total 0,998 0,998 0,996

MEEM Linguagem 1 0,998 0,998 0,996

MEEM Linguagem 6 0,998 0,998 0,996

Atenção2 0,998 0,998 0,996

MEEM Linguagem 5 0,998 0,998 0,996

(14)

MEEM Evocação 0,998 0,998 0,996

MEEM Atenção e

calculo

0,998 0,998

0,996

MEEM Orientação 0,998 0,998 0,996

MEEM Registro 0,998 0,998 0,996

Orientação 0,998 0,998 0,996

MEEM Linguagem 2 0,991 0,991 0,982

MEEM Linguagem 4 0,988 0,988 0,977

Nomeação 0,973 0,974 0,954

Linguagem1 0,955 0,952 0,908

V160 0,915 0,920

-0,113

0,852

Abstração 0,907 0,914

-0,147

0,847

Visuoespacial/Executi

va

0,899 0,894

0,814

MEEM Linguagem 3 0,878 0,882

-0,117

0,773

Evocação tardia 0,876 0,879 0,787

Atenção1 0,839 0,840 0,106 0,715

Linguagem2 0,801 0,793 0,646

TAC3erro -0,935 -0,857

-0,491

(15)

TAC1erro -0,849 -0,854

-0,190

0,617

TAC1ausencia -0,788 0,824 0,443 0,760

TAC1acerto 0,771 -0,121 0,810 0,210 0,586 0,696

TAC3acerto 0,682 -0,750

-0,110

0,783

TAC2ausencia -0,529 0,454 0,661

-0,283

0,639

0,759

TAC2acerto 0,489 0,431 0,102 -0,661 0,436

-0,573

0,686

TAC2erro -0,475 0,202 -0,651

-0,168

-0,623

0,575

TAC3ausencia -0,473 -0,424 -0,102 -0,625 0,242

-0,570

0,636

Tcincopontostotal 0,824 -0,185 0,832 0,709

TcincopontosDesUnic

o

0,810 0,255 0,809 0,156 0,719

TrilhasConexão 0,965 0,300 0,923 0,862

TrilhasSequencia 0,942 0,297 0,900 0,825

total tns 0,488 0,122 0,522 0,102 0,615 0,500

Eigenvalues 21,271 6,440 1,809 1,574

(16)

Os dados do matriz padrão são apresentados juntamente com os da matriz estrutural

(que apresenta as correlações entre os fatores) aspecto relevante para a interpretação destes

fatores (Bartholomeu, Montiel & Machado, 2014). Os quatro fatores explicaram juntos

84% de variância, sendo que só o primeiro fator explicou mais de 57% de variância. Esta

quantidade de variância é bastante elevada e indica que estas provas avaliam aspectos

atrelados à cognição dos idosos. O primeiro fator agrupou os indicadores do MEEM e

MoCA. Trata-se de itens que apresentam um componente verbal importante, já que todas as

tarefas envolvem instrução verbal.

O componente verbal (linguagem) na avaliação cognitiva é o cerne da Inteligência

Cristalizada, embora listado como uma habilidade estreita distinta no modelo CHC. Sua

descrição e suas análises deixam claro que o desenvolvimento da linguagem é uma das

categorias intermediárias entre Inteligência Cristalizada e a habilidade de linguagem

relacionada mais específicas, como o conhecimento lexical, gramatical e a capacidade de

escuta (Scheneider & Mcgrew, 2013). A linguagem é considerada uma habilidade

cristalizada, pois com o passar dos anos, tende a evoluir com o aumento da idade, ao

contrário da fluida que parece declinar após a idade de 21 anos, devido á gradual

degeneração das estruturas fisiológicas (Sattler,2001).

A diminuição de algumas habilidades cognitivas na velhice pode influir no declínio

da linguagem no idoso. As evidências de déficits na memória de trabalho dão suporte a esta

ideia, pois a memória de trabalho exerce um papel importante no processo da linguagem

(Pareja, 2008). Além dessas evidências ocorre uma diminuição da velocidade no

funcionamento cognitivo que prevê uma piora no desempenho linguístico. A linguagem é o

(17)

além da memória como já mencionado. Assim, os testes MEEM e MoCA, ao serem

impregnados de linguagem e do aspecto cristalizado da inteligência, neste sentido, tendem a

ser mais sensíveis às variações cognitivas decorrentes da demência, explicando em partes

sua alta sensibilidade para detectar o declínio cognitivo e evidenciando sua utilidade no

auxílio ao diagnóstico da demência de Alzheimer.

Bartholomeu e colaboradores (2014), em sua pesquisa relatam que a eficácia do

MoCA, como um teste mais estruturado que o MEEM, com mais itens de memória, aspecto

relevante de linguagem e conta com avaliação das funções executivas, por ser um teste de

rasteio que abrange aspectos fundamentais da cognição e por permitir avaliação das funções

cognitivas. Existe a possibilidade de nas demais provas, evidenciadas nos outros fatores ora

obtidos, a constatação do declínio em níveis mais avançados da doença, já que se tratam de

provas não verbais para analisar as características cognitivas de idosos. Isto convida a

novas pesquisas. A Inteligência Cristalizada mistura diferentes habilidades avaliadas nos

instrumentos utilizados nos testes aplicados MEMM e MoCA, sendo mais vinculados à

linguagem. Aliás, esta é a diferença deste fator para os demais, já que atenção, por

exemplo, também é avaliada nos outros fatores, mas o componente é menos vinculado ao

aspecto não verbal. Este é um dos aspectos que diferencia estes fatores.

O segundo fator envolveu todas as medidas da prova de atenção. No CHC a atenção

envolve os fatores do processamento viso-espacial, onde a capacidade de gerar, armazenar,

recuperar e transformar imagens visuais e sensações e habilidades visuais, requer o fator

atenção. A visualização é a capacidade de aprender uma forma espacial, objeto ou cena e

combiná-lo com outro objeto espacial, requer a capacidade de imaginar mentalmente,

(18)

imaginar mentalmente, manipular ou transformar objetos ou padrões visuais, McGrew

(1997). O Fator 6 do modelo CHC, Armazenamento a Longo Prazo, também requer a

atenção, nele a capacidade de armazenar e consolidar novas informações na memória a

longo prazo e mais tarde recuperar a informação armazenada é desenvolvida através: da

memória associativa, da memória significativa, memória livre, da fluência de ideias e da

fluência associativa.

Nos testes de Trilha B, Símbolos e Dígitos, a atenção dividia o rastreamento visual e

a velocidade motora, são aspectos avaliados. No teste de atenção concentrada, a informação

de atenção concentrada, fornecida por este teste, está relacionada à capacidade de um

indivíduo em selecionar o que é relevante em meio a vários distratares, em um tempo

pré-estabelecido (Rueda, 2013). Na pesquisa de Van Erven e Janczura (2004), foi medido o

espaço de memória em função da idade, concluindo-se que a média de palavras recordadas

pelos jovens (com idades entre 18 e 29 anos) era maior do que a dos idosos (com idades

entre 58 e 87 anos). A explicação fornecida pelos autores para tal fato se justifica pela

constatação que idosos têm afetada a habilidade de processar a informação, principalmente

se esta é complexa, porque em tarefas de divisão de atenção, eles procuram atender as duas,

como numa negociação, dirigindo mais atenção à acurácia no julgamento que ao ensaio da

memorização. A mesma opinião é compartilhada por Yassuda et al. (2006), ao afirmarem

que com a idade o processamento de informações torna-se mais lento e dispendioso,

reforçando a importância do treino de estratégias que podem melhorar o desempenho em

tarefas de memória, com sua aplicação no cotidiano.

Segundo Benedites e Gomes (2007), falhas de memória são comuns no dia a dia

(19)

cognitivo devido à idade. Opinião semelhante é fornecida por Van Erven e Janczura (2004)

ao afirmarem que a complexidade da tarefa e o limite de tempo para realização poderiam

contribuir para a compreensão da dificuldade de memória observada em idosos, de forma

que estes se esquecem mais do que os indivíduos mais jovens. Ainda de acordo com estes

autores, quanto mais complexa a tarefa, maior a dificuldade apresentada por pessoas mais

velhas. De acordo com Almeida (1998), há várias evidências de que o desempenho

intelectual do idoso apresenta discreta deterioração em tarefas que exigem maior

velocidade e flexibilidade no processamento de informações. Com o passar do tempo a

memória também pode sofrer algum comprometimento em relação a fases anteriores da

vida.

Noronha e colaboradores (2006) que apontou para a influência da idade nos

resultados de teste de atenção sustentada, embora não tenham encontrado esta associação

para teste de atenção. Por sua vez, o estudo de Fonseca e colaboradores (2010), ao

analisarem o desempenho de algumas funções cognitivas, entre elas a atenção concentrada,

de adultos de 19 a 89 anos de idade, encontrou diferença significativa, com escores mais

baixos a partir dos 60 anos. A relação com idade também foi observada em estudos entre

atenção seletiva e idade, indicando que o aumento da idade corresponde a uma diminuição

da capacidade desta modalidade atencional. Rueda e Castro (2010), envolveram a atenção

alternada e verificou que o aumento da idade correspondeu a uma diminuição da pontuação

nesta modalidade de atenção. Além disso, nesse estudo, os autores evidenciarem a

existência de um decréscimo atencional, independentemente do tipo de atenção avaliado.

O terceiro fator foi associado ao teste dos cinco pontos que afere a fluência figural,

(20)

seus fatores a Fluência de Figuras, como sendo a capacidade para desenhar rapidamente ou

esboçar coisa, ou elaborações, quando apresentados com um estímulo visual. Quantidade é

enfatizada em detrimento da qualidade ou singularidade. A motricidade global é a área que

demostra maior grau de dificuldade, no aspecto motor. Esta área é responsável pela

regulação do equilíbrio e da atitude do indivíduo, desempenhando um importante papel na

melhora dos comandos nervosos e no afinamento das percepções e sensações. Os

movimentos de dissociação corporal, domínio lateral, coordenação de membros superiores

e inferiores, velocidade, agilidade, respiração, propriocepção, ritmo e memória corporal,

sempre são considerados os mais difíceis para os grupos de terceira idade, pois estão

associados à prática de exercícios físicos, motivação, qualidade de vida e, principalmente,

ao processo natural de envelhecimento (Rosa Neto, 2014).

Com o envelhecimento, o equilíbrio é prejudicado em virtude dos problemas físicos

(sobrepeso, desvios posturais, sedentarismo, diminuição da massa muscular), problemas

neurológicos (vias vestibulares, cerebelo, órgãos do sentido), emocionais (família,

transtornos psiquiátricos). A presença de doenças crônicas no envelhecimento contribui

também para a limitação de muitos movimentos. Declínios tanto cognitivo como motor,

relacionados à idade, foram constatados no estudo de Rodrigues, Ferreira e Haase (2008)

que investigaram adultos neurologicamente saudáveis, de 18 a 90 anos e com escolaridade

entre um e 25 anos. Os resultados dos testes cognitivos e motores indicaram que quanto

maior a idade, menor o desempenho. Os testes que avaliam tanto a função cognitiva como

motora, indicando que altos níveis de instrução correspondem a melhores resultados nos

(21)

Finalmente, o quarto fator associou medidas do teste de trilhas e de símbolos e

dígitos, ambos envolvendo flexibilidade cognitiva, controle inibitório e rastreio visual. No

CHC o quarto fator é encontrado nos itens que abordam a Memória Curto Prazo,

capacidade de aprender a manter a consciência de elementos e informações em situações

imediatas. Dividida em Memória Span e Memória de Trabalho. O subfator Memória

Visual, também apresenta aspectos que identificam a capacidade para formar e armazenar

uma representação mental ou imagem de uma forma visual ou configuração, em pelo

menos alguns segundos e, em seguida reconhecer ou lembrar dela mais tarde na fase de

teste. Estes dois fatores no Modelo CHC, confirmam a correlação do modelo com os testes

aplicados. A utilização do Teste de Trilhas, como um dos testes neuropsicológicos mais

utilizados e sensíveis à disfunção cerebral e funções executivas (Spreen & Strauss, 1998).

Avalia a capacidade de manutenção do engajamento mental, rastreamento visual, destreza

motora, memória operacional, flexibilidade mental e capacidade inibitória (Lezak,

Howieson & Loring,2004).

O Teste de Trilhas, como o Mini-Mental, faz parte da bateria do Consortium to

Establish a Registry for Alzheimer’s Disease (CERAD), que é recomendado pelo

Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento, da Academia

Brasileira de Neurologia, para avaliação cognitiva no caso de suspeita de doença de

Alzheimer, principal causa das demências (Nitrini et al., 2005). Avalia a atenção,

sequenciamento, flexibilidade mental, busca visual e função motora. O Trilhas B exige

maior capacidade de atenção e habilidade para fazer mudanças conceituais alternadas. É

(22)

Considerações finais

A partir desta análise exploratória novas perspectivas podem surgir quanto ao

diagnóstico de idosos que pode ser interpretado com mais informações sobre o

funcionamento cognitivo quando interpretado a partir do modelo CHC, as provas realizadas

poderiam ser interpretadas de modo agrupado, sugerindo maior especificidade das funções

e regiões cerebrais envolvidas nos déficits cognitivos em idosos, o que é importante

particularmente em casos de demência de Alzheimer, por exemplo, já que poderia ter uma

ideia mais clara de quais são as funções em declínio. Também outros modelos estatísticos

como o Bifactor, e mesmo fatorial confirmatória poderiam ser usados em outros estudos

para se reafirmar e tentar estabelecer uma posição hierárquica nestes dados apresentados,

que aparentemente existe, já que o primeiro fator pareceu mais geral, dada a quantidade de

variância que ele explicou, mais de 50% do modelo final, sendo uma estrutura fatorial

semelhante ao modelo proposto por Spearman e pode sugerir uma tendência hierárquica

nos dados destes testes, reafirmando a existência e possibilidade de interpretação destes

aspectos pelo modelo CHC.

Dentre as limitações deste estudo pode-se indicar a quantidade ainda reduzida de

idosos. No entanto, os valores de comunalidades e cargas fatoriais encontradas sugerem

bons índices para recuperação de fatores populacionais, reafirmando a força do modelo e

sugerindo boa probabilidade de replicação. Sugere-se que esto modelo seja mais difundida

no Brasil, especificamente nas áreas da Neurologia, Psiquiatria, Gerontologia e demais que

tratam da assistência com população idosa e que ainda não empregam interpretações a

(23)

de qual repercussão que cada função cognitiva tem no todo do funcionamento cognitivo

desta população.

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Data de submissão: 19/11/2018

Última revisão: 30/11/2018

Referencias

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