“FALTA TIEMPO, PERO

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(1)"FALTA TIEMPO, PERO... Nádia Carolina Chrispim dos Santos 1 Emelie Heer 2 Valesca Brasil Irala 3. Resumo: A presente pesquisa, desenvolvida no âmbito do Grupo de Estudos Linguagem e Currículo (GELC/cadastrado do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq), tem como objetivo geral analisar a noção de "tempo" construída por estagiários da área de Letras da UNIPAMPA/campus Bagé, em componentes curriculares de estágios supervisionados obrigatórios na área de Língua Espanhola. Logo, podemos afirmar que quando a noção de tempo "foge", implica emoções, originando nervosismos e sensação de inutilidade, por orientar-se de modo que houvesse uma "perda de tempo" em determinadas atividades, em que os aspectos subjetivos se sobressaiam, debilitando o processo contínuo da aula. Logo, os futuros docentes possuem dificuldades em como agir com essa noção de "falta de tempo", que ocorria na maior parte de suas aulas e também em relação em como cumprir sua planificação por meio do tempo pedagógico, tempo de aprendizagem e de tempo de ensino.. Palavras-chave: Tempo, distribuição, estagiários.. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. "FALTA TIEMPO, PERO.. 1 Aluno de graduação. nadiacarolina.c@gmail.com. Autor principal 2 Aluno de graduação. emelieh10@gmail.com. Co-autor 3 Docente. valesca.unipampa@gmail.com. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(2) ³)$/7$ 7,(032, PERO ´ $ 12d-2 '( 7(032 1$ 9,6-2 '( (67$*,È5,26 DE LÍNGUA ESPANHOLA 1. INTRODUÇÃO 0DV R TXH p R ³WHPSR´" 'HVGH TXDQGR QyV R UHFRQKHFHPRV" 2 ³WHPSR´ p D princípio, uma noção abstrata concebida por sujeitos que vivem em uma dada sociedade, estabelecendo padrões e experiências passados de geração em geração a respeito do seu significado (cf. ELIAS, 1998; PAULA, 2016). O que sabemos é que houve um momento inicial da constituição das relações humanas em que a noção de ³WHPSR´ HUD GLIXVD SRUpP QR PRPHQWR HP TXH IRL JDQKDQGR FRPSOH[LGDGH H JUDXV de abstração, ampliou-se o interesse e a mobilização, a partir de diferentes áreas do conhecimento, a respeito dessa noção. Hoje temos um padrão pautado pelo chronos (tempo cronológico) utilizado na sociedade em que vivemos, marcada por relógios, calendários, etc., que não passam de simbolizações afim de orientar os sujeitos por meio de ações ou fatos sequenciais que delimitam seu período, comumente a nós conhecidos como através de um início e de um fim. A presente pesquisa, desenvolvida no âmbito do Grupo de Estudos Linguagem e Currículo (GELC/cadastrado do Diretório dos Grupos de Pesquisa do &13T WHP FRPR REMHWLYR JHUDO DQDOLVDU D QRomR GH ³WHPSR´ FRQVWUXtGD SRU estagiários da área de Letras da UNIPAMPA/campus Bagé, em componentes curriculares de estágios supervisionados obrigatórios na área de Língua Espanhola. A partir disso, traçamos os seguintes objetivos específicos: a) estabelecer categorias DQDOtWLFDV VREUH D QRomR GH ³WHPSR´ D SDUWLU GH GDGRV JHrados oralmente ao término de cada estágio em rodas de conversa entre estagiários e orientadoras de estágio de Língua Espanhola; b) identificar possíveis diferenças nas representações a respeito da noção de tempo por estagiários de semestres letivos diferentes do curso de Letras/Línguas Adicionais da UNIPAMPA/campus Bagé; c) comparar UHSUHVHQWDo}HV D UHVSHLWR GD QRomR GH ³WHPSR´ GH DOXQRV VXEPHWLGRV D PDWUL]HV curriculares de Língua Espanhola diferentes, a saber, Curso de Letras ± Português/Espanhol (durante seu processo de extinção) e curso de Letras ± Línguas Adicionais (Inglês e Espanhol), em suas primeiras ofertas curriculares dos componentes de estágio relacionados ao Espanhol. Na perspectiva por nós DVVXPLGD D QRomR GH ³WHPSR´ HQYROYH DVSHFWRV VXEMetivos e objetivos que influenciam direta e indiretamente o futuro docente, como também o andamento de suas aulas. Nesse sentido, aprofundar a compreensão sobre a construção das experiências dos estagiários no que tange a essa noção é uma forma de vislumbrar possibilidades futuras de intervir positivamente na prática docente que começa a ser vivenciada por eles, evidenciando aspectos normalmente neglicenciados (por seu caráter predominantemente subjetivo) durante o processo formativo, de forma geral. 2. METODOLOGIA A presente pesquisa é de caráter bibliográfico e de natureza exploratória, ³TXH FRQVLVWH HP ³SURSRUFLRQDU visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado IDWR´ *,/, 2008, p.46). A pesquisa é de natureza qualitativa-explicativa, pois parte.

(3) do que os futuros professores fizeram em seu estágio obrigatório, com ênfase em FRPR DSUHVHQWDP D QRomR GH ³WHPSR´ YLQFXODGD D HVVD H[SHULrQFLD. A soma total de horas transcritas ultrapassa seis horas de gravação, divididas em estágio supervisionado ofertados em três turmas diferentes: Letras Português/Espanhol (Noturno-Curso em extinção), gravadas no segundo semestre de 2016 (tempo de gravação: 01:10:10), Letras - Línguas Adicionais, gravadas no segundo semestre de 2016 (tempo de gravação: 02:35:53) e Letras-Línguas Adicionais, gravadas no primeiro semestre de 2017 (tempo de gravação: 02:25:18). Os dados foram transcritos de acordo com a proposta de transcrição realizada por Irala (2012). 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Segundo Alves (2008, p.2), ³o tempo é plural, portanto pode ser físico, psicológico, cronológico, histórico, linguístico, ficcional´ 3DUD D SHVTXLVDGRUD, o tempo físico é aquele que possui medidas, sendo um processo baseado em uma sequência regular. Enquanto no tempo psicológico as medidas são percebidas através do próprio sujeito, portanto são distintos. Então, na visão da autora, uma marca do tempo psicológico é que ele é impreciso, carece de objetividade e apresenta variação dependendo do sujeito. Já o tempo cronológico ³é um tempo público, socializado´ (op.cit., p.36). No que se refere ao tempo linguístico, entendese como aquele se diz respeito à fala, fazendo menção ao agora. Da classificação proposta pela autora, consideramos que essas três distinções são as mais relevantes para compreensão dos dados gerados nesta pesquisa. Para fins deste trabalho, foram construídas quatro FDWHJRULDV DQDOtWLFDV VREUH D QRomR GH ³WHPSR´ D partir dos dados gerados oralmente ao término de cada estágio, em uma roda de conversa entre estagiários e orientadoras de Língua Espanhola, a saber: a) tempo do professor; b) tempo do aluno; c) tempo da instituição/escola e d) tempo cronológico/linguístico. Conforme a tabela a seguir, podemos perceber a diferença de repetições ocorridas. Na gravação, observa-se que a turma de Letras-Línguas Adicionais de 2017 é a que possui uma alta habilidade em comunicar-se na língua-alvo. A língua espanhola flui de modo espontanêo e significativo em suas falas, ao contrário das demais turmas. Entretanto, é a que demostra uma maior dificuldade de cumprir o planejamento em relação a distribuição do tempo. 7DEHOD. 4XDQWLILFDomR GH ³WHPSR´. Repetições da palavra "tempo" Letras - Português/ Espanhol 2016 10 Letras - Línguas Adicionais 2016 29 Letras - Línguas Adicionais 2017 18 Total 57. A tabela a seguir está distribuída da seguinte forma: a) tempo do aluno, o qual diz respeito à aprendizagem durante as aulas ministradas; b) tempo do professor.

(4) (neste caso, do estagiário) em relação a elaboração de conteúdos e materias, elaboração e concretização do plano de ensino e também tempo dedicado a mensagens, e-mails, orientações e outros meios de contatos com as suas orientadoras afim de relatar questões vinculadas à docência ou orientações sobre suas aulas. O tempo cronológico/linguístico, na tabela, refere-se ao tempo do relógio ou calendários, como exemplo, por meio dos áudios como quantificações de períodos que se passaram ou expressões temporais. Segundo a tabela a seguir: Tabela 2: Classificação do tempo utilizado na referente análise. Tempo Aluno Letras Português/ Espanhol 2016 Letras - Línguas Adicionais 2016 Letras - Línguas Adicionais 2017 Total. Tempo Professor. Tempo Escola/ Instituição. Tempo Cronológico/ linguístico. 2. 3. 6. -. 8. 13. 4. 5. 3. 15. 7. -. 13. 31. 17. 5. Os estagiários de Línguas Adicionais do ano de 2017 destacaram o tempo do professor em seus depoimentos, ou seja, ao seu próprio tempo, revelando sentirem LQVHJXUDQoDV HP UHODomR D ³SHUGD GH WHPSR´ DR HQFDPLQKDU H-mails afim de informar suas orientadoras sobres suas práticas. Além disso, para os estagiários, esse tempo poderia ser utilizado para preparar mais conteúdos, elaborar materiais e também promover um ensino mais adequado para seus alunos, pois alguns sentemse inseguros e sob pressão em relação ao método que vão utilizar ou se o conteúdo será o suficiente para aquele planejamento, como também a falta de distribuição e a dificultade de cumprir seus objetivos. Uma das consequências de os estagiários trabalharem sob pressão na entregas de relatórios e outros documentos faz com que sintam-se desmotivados a preparar aulas. Quando relatam D ³IDOWD GH WHPSR´ parecem estar esquivando-se de compreender de forma mais profunda o processo, no qual o tempo é demasiadamente dedicado a uma atividade que não é tão relevante comparada a outra, fugindo então de seus propósitos iniciais. Por outro lado, o curso de Letras Português/Espanhol possui uma dificultade maior no tempo da escola/instituição, como se os professores (estagiários em primeiro lugar e também os supervisores de estágio, professores universitários) tivessem que se adaptar a esse sistema fixo e fazer com que todo seu material seja adequado e consiga cumprir todo seu programa naquele período curto de tempo (20 horas-aula ministradas ao longo do semestre). Podemos perceber também que nos áudios das três turmas é revelada uma dificultade de adequar suas aulas nesse período fixado pelas instituições. A noção de tempo, conforme Elias S ³D expressão tempo remete a esse relacionamento de posições ou segmentos pertencentes a duas ou mais sequências de acontecimentos em evolução contínua´. Tanto para os futuros docentes como para a sociedade que possui interações sociais, o tempo é visto como um tempo simbólico, no qual uma sequência de pelo menos dois fatores delimita seu início e seu fim, orientando as relações de convívio social..

(5) No caso dos futuros professores, o tempo tem um caráter mais pedagógico, envolvendo tantos aspectos subjetivos como objetivos. Conforme Rodrigues (2009, p.39) através do tempo pedagógico que o futuro professor prepara materiais, conteúdos e a forma que o professor os utiliza na sala de aula e como elabora sua planificação, através da distribuição das atividades na busca da promoção da aprendizagem. Podemos analisar também que o tempo de aprendizagem e o tempo de ensino não são os mesmos (Cf. RODRIGUES, 2009), pois o tempo de aprendizagem não é o um tempo sequencial e não pode ser medido em quanto tempo, ou melhor, qual é a duração exata para uma aprendizagem do aluno, por exemplo. Entretanto, quando se trata de um tempo de ensino, está relacionado a algo mais palpável na vida do futuro-docente, já que consiste em elaborar sua aula, procurando novos métodos e conteúdos que poderão auxiliá-lo para a compreensão do aluno. Logo, o plano de ensino (obrigatório para os professores em condição de estágio na UNIPAMPA) comporta um tempo sequencial, um tempo que pode ser planejado e distribuído conforme a priorização das atividades escolhidas pelo futurodocente, sob supervisão de um professor mais experiente da própria universidade e, em algumas situações também pelo regente das turmas, na escola. A descoberta desse descompasso inevitável entre o tempo do ensino e o tempo da aprendizagem são evidenciados como um desconforto e fonte de angústia nos relatos. Percebe-se também que o iniciante possui um certo receio de não saber todo conteúdo a ser ministrado e que o tempo muitas vezes não estava a seu favor, portanto, não possuía uma organização, ou melhor, uma distribuição efetiva do plano ensino e dedicavam-se em atividades que às vezes não eram tão relevantes para o aprendizado daquele aluno ou ficavam confusos em como reagir a uma determinada atividade quando alguns alunos as terminavam e outros não. Há uma problemática também em relação a elaboração da planificação específica para cada turma. Os estagiários relatam não possuirem tempo suficiente para elaborar uma plano específico para um perfil de classe/aluno, porém os planos elaborados, embora preparados com uma boa intenção, não surgem os efeitos esperados, desmotivando-os. Não só para um estágio supervisionado, mas também qualquer preparação de aula é necessário que se consiga um encadeamento das atividades, com distribuições e organizações, permitindo que gerem significados. Segundo Paula (2016, p.1057) ³HQFDGHDU R WHPSR HUD ID]HU FRP TXH DV DWLYLGDGHV H VXD distribuição tivessem um sentido e um significado, tanto quanto uma forma de DPHQL]DU R VHQWLPHQWR GD IDOWD GH WHPSR´ 6H R IXWXUR SURIHVVRU FRQVHJXH PDQHMDU sua aula, orientando-se no tempo, conseguindo cumprir seus objetivos, mostrará um andamento contínuo das aulas, que poderá gerar uma ambiente confortável tanto para o estagiário quanto para os alunos. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se concluir que os futuros docentes tiveram dificultdes na distribuição do tempo, sendo este um motivo de desconforto em relação a sua prática pedagógica. Logo, podemos afirmar que quando a noção de tempo ³IRJH´ LPSOLFD emoções, originando nervosismos e sensação de inutilidade, por orientar-se de modo que houvesse uma ³perda de tempo´ em determinadas atividades, em que os aspectos subjetivos se sobressaiam, debilitando o processo contínuo da aula. Logo, os futuros docentes possuem dificuldades em como agir com essa noção de ³falta GH WHPSR´, que ocorria na maior parte de suas aulas e também em relação em como cumprir.

(6) sua planificação por meio do tempo pedagógico, tempo de aprendizagem e de tempo de ensino. 5. REFERÊNCIAS ALVES, C., Um estudo sobre o tempo em narradores de javé. SIGNUM: Estudos da Linguagem., Londrina, n.11/2, p. 33-50, dez. 2008. ELIAS, N. Sobre o Tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. Gil, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo : Atlas, 2008. IRALA, V.B. Produção oral em língua estrangeira: contornos identitários múltiplos no processo de avaliação. In: STURZA, E.; FERNANDES, I. & IRALA, V. (orgs.). Português e espanhol: esboços, percepções e entremeios,Santa Maria: UFSM, 2012. PAULA, F.A. Aspectos temporais na aula: cadência, ritmos e momento oportuno. Educação & Realidade, Porto Alegre., v.41, n. 4, p. 1049-1070, out/dez 2016. RODRIGUES, E.S.S., A organização do tempo padagógico no trabalho docente: relações entre o prescrito e o realizado, 117f, 2009, dissertação, Universidade Metododista de Piracicaba Faculdade de Ciências Humanas programa de pósgraduação em educação em educação, Piracicaba, 2009. Disponível em: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja& uact=8&ved=0ahUKEwiMxqL5m57WAhVCwYMKHbrQBasQFggnMAA&url=https%3 A%2F%2Fwww.unimep.br%2Fphpg%2Fbibdig%2Faluno%2Fdown.php%3Fcod%3D 526&usg=AFQjCNGIm_ZOwQsnsyBFRYovhg7XDiyFIA. Acesso : 09 set.2017..

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