EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NA ESCOLA: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL
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(2) Modalidade de Participação: Pós-Graduação. EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NA ESCOLA: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL 1 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Autor principal 2 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Co-autor 3 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Co-autor 4 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Co-autor 5 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Co-autor 6 Docente. [email protected]. Orientador. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE.
(3) EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NA ESCOLA: RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UMA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL 1 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas, vem ocorrendo uma transição nutricional no Brasil, passando a população de um estado de desnutrição para o de aumento do sobrepeso e da obesidade em todas as faixas etárias e grupos sociais. De acordo com os dados da última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o excesso de peso é prevalente a partir dos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras (IBGE, 2010). Frente a esse cenário, o excesso de peso tornou-se prioridade para o campo das políticas públicas no país, principalmente no campo da alimentação e nutrição (CAISAN, 2014). Especialmente se considerarmos a evolução de doenças crônicas relacionadas ao consumo em excesso de calorias e à oferta desequilibrada de nutrientes na alimentação, como a hipertensão, doenças coronarianas e certos tipos de câncer. Doenças que antes acometiam pessoas com idades avançadas, agora atingem também adultos jovens, adolescentes e crianças (BRASIL, 2014). A adolescência e a infância são fases da vida muito importantes para a aquisição de hábitos alimentares adequados, pois podem influenciar positivamente nos hábitos alimentares futuros e serem mantidos ao longo da vida. Neste contexto, o ambiente escolar passa a ser considerado um cenário oportuno, não somente por promover ações educativas bem como para ampliar o acesso a uma alimentação saudável através de estratégias de intervenções nutricionais (CAISAN, 2014). A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que objetiva promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. O Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as políticas públicas destaca que para conduzir ações de EAN, é imprescindível adotar abordagens e recursos educacionais problematizadores e ativos. Estas estratégias contribuem para estabelecer o diálogo entre indivíduos, independente da fase da vida em que se encontram (BRASIL, 2012). A intervenção de EAN na escola justifica-se por este ser um ambiente de contínuo aprendizado e troca de saberes e experiências entre os escolares e professores. Bem como, um local que por sua rotina, disponibiliza tanto alimentos industrializados, que quando ingeridos em excesso são responsáveis por inúmeros prejuízos à saúde, quanto os alimentos in natura ou minimamente processados. A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) é uma das temáticas previstas pelo Programa Saúde na Escola (PSE), o qual tem a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de Educação Básica por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde (BRASIL, 2008). As ações são realizadas pelas Equipes de Saúde da Família e profissionais da educação (GOMES e VIEIRA, 2010). O objetivo do presente estudo foi relatar a experiência de uma atividade de EAN com escolares, realizada por uma equipe de residentes em saúde coletiva, visando o incentivo à alimentação saudável. 2 METODOLOGIA Trata-se de um relato de experiência elaborado a partir da realização de uma atividade pertencente ao PSE sobre SAN, desenvolvida pela equipe de residentes da Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Pampa, inserida em uma Estratégia de Saúde da Família (ESF) no município de Uruguaiana/RS. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(4) A atividade de EAN foi realizada em cinco turmas de 1° ano do Ensino Fundamental, com crianças de ambos os sexos e idade entre 6 e 7 anos, de duas escolas do Município de Uruguaiana/RS no mês de agosto de 2018. A atividade desenvolvida consistiu em utilizar os sentidos tato, olfato e paladar visando o incentivo à alimentação saudável. Foram preparadas caixas, nas quais foram colocadas frutas de diferentes tipos, sem que as crianças vissem as frutas e assim usassem apenas esses três sentidos para adivinhá-las. Com esse material foram montadas quatro estações, com uma fruta para cada um dos 3 sentidos. As frutas utilizadas para o tato foram abacaxi, kiwi, banana e pera. Para o olfato, manga, mamão, bergamota e limão. Já para o paladar foram utilizadas banana, laranja, maçã e morango. Inicialmente, foi explicado para a turma como seria desenvolvida a atividade e entregue a cada aluno uma folha que continha várias frutas em branco para serem coloridas, foi explicado que eles passariam pelas estações e sem falar qual fruta era deveriam identificar e pintar na folha. Após a organização das estações, as crianças foram separadas em filas, vendadas e passaram pelo primeiro sentido, tocando as frutas, logo retornaram aos seus lugares e foram orientadas a pintar a fruta que eles pensavam que era. Em seguida, foi organizado o segundo sentido, com suas quatro estações onde as crianças cheiraram as determinadas frutas, pintaram na folha e por último passaram pelo sentido paladar, onde degustaram o alimento da respectiva estação e também identificaram pintando a fruta na folha. Para finalizar a atividade houve uma conversa em que as frutas foram apresentadas aos escolares com seus respectivos nomes. As crianças foram questionadas sobre os seus hábitos alimentares, especialmente sobre o lanche levado para a escola e a merenda ofertada pela escola. Ainda, foi explicado sobre os benefícios das frutas, incentivado o consumo diário e esclarecidas dúvidas dos mesmos. 3 RESULTADOS e DISCUSSÃO Todos os alunos demonstraram conhecer e consumir frutas em casa e na merenda escolar. A maioria das crianças pintou corretamente a fruta que estava na estação pela qual passou, demonstrando que as mesmas têm conhecimento de grande parte das frutas. As que eles demonstraram maior dificuldade de identificar foram o kiwi (tato), a manga e o mamão (olfato). Essa dificuldade pode estar relacionada ao valor comercial um pouco mais elevado destas frutas quando comparada às demais, não fazendo parte do dia a dia de muitas famílias de baixa renda. Ainda, ao findar a atividade várias crianças demonstraram interesse em provar as demais frutas que não conheciam e foi ofertado esse momento a elas. Para Falkembach (2010), o uso de jogos e metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem serve como estímulo para o desenvolvimento do aluno, ele realiza aprendizagem e torna-se um agente transformador do ambiente em que vive. Os jogos educacionais se caracterizam por estimular a imaginação infantil, auxiliar no processo de integração em grupo, liberar a emoção infantil, facilitar a construção do conhecimento e auxiliar na aquisição da autoestima (Falkembach, 2010). Durante a conversa final da atividade, pode-se observar grande interesse dos escolares pelo assunto, sendo eles muito participativos e relatando que iriam trazer mais frutas, sucos de frutas natural e vitaminas de frutas (leite batido com fruta) para o lanche na escola, assim como evitariam trazer com frequência biscoitos recheados, salgadinhos, sucos artificiais e/ou refrigerantes e outras guloseimas. O Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) traz em suas recomendações que a base da alimentação adequada e saudável seja feita dos alimentos in natura e/ou minimamente processados, estes em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, garantem uma alimentação nutricionalmente balanceada e saborosa. Outra recomendação importante é evitar os alimentos ultraprocessados Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(5) como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e macarrão instantâneo, pois devido a seus ingredientes são nutricionalmente desbalanceados, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados (BRASIL, 2014). Em relação a experiência da equipe de residentes destaca-se a participação de uma residente nutricionista, que em sua formação participou de projetos de extensão com a temática de EAN e experienciou vários tipos de atividades com pré-escolares e escolares. Em sua visão, a atividade foi de extrema importância para as crianças e principalmente para os profissionais que a executaram, pois pode-se ter uma visão dos escolares da faixa etária em foco, das escolas do território da ESF. Esta atividade foi ao encontro do objetivo inicial em seu planejamento, que era incentivar o consumo de frutas de uma forma divertida para as crianças. Em uma revisão bibliográfica realizada por Araújo et al. (2017) esta revelou a predominância de atividades lúdicas em ações de EAN realizadas com escolares, tais ações tiveram um impacto positivo na prevenção do excesso de peso e da obesidade, uma vez que os escolares apresentaram mudanças de comportamento alimentar e melhoria de conhecimento sobre alimentação saudável. Dentre essas atividades lúdicas estavam pinturas, desenhos, histórias contadas com fantoches, dinâmicas, brincadeiras e jogos educativos, materiais educativos sobre alimentação e nutrição, teatro infantil, atividades de recorte e colagem, cartazes, vídeos, materiais de comunicação, seguidas de apresentações, encontros e palestras. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Atividades de intervenção com o objetivo de desenvolver EAN podem ser consideradas uma ferramenta de ação educativa na promoção de hábitos alimentares saudáveis, principalmente na infância. A EAN apresenta enorme relevância para promoção de estilos de vida saudáveis e a Residência Multiprofissional proporciona formação em serviço, como uma maneira de apoiar os profissionais da educação e saúde aliando o saber científico ao contexto do cenário de prática. A partir deste relato, sugere-se que mais ações de EAN sejam realizadas no ambiente escolar além das previstas no PSE. REFERÊNCIAS ARAÚJO, A. L.; FERREIRA, V. A.; NEUMANN, D.; MIRANDA, L. S.; PIRES, I. S. O impacto da educação alimentar e nutricional na prevenção do excesso de peso em escolares: uma revisão bibliográfica. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo, v.11, n.62, p.94-10, Mar/Abril, 2017. BRASIL. Ministério da Saúde; Ministério da Educação. Programa Saúde na Escola. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. ± Brasília, DF: MDS; Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, 2012. Disponível em: Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(6) <http://www.ideiasnamesa.unb.br/files/marco_EAN_visualizacao.pdf> Acesso em: 08 set. 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. ± 2. ed., 1. reimpr. ± Brasília: Ministério da Saúde, 2014. CAISAN. Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional. Estratégia Intersetorial de Prevenção e Controle da Obesidade: recomendações para estados e municípios. Brasília. 2014. FALKEMBACH, G. A. M. O Lúdico e os Jogos Educacionais. Universidade Federal do Rio Grande. do. Sul.. 2010.. Disponível:. <http://penta3.ufrgs.br/midiasedu/modulo13/etapa1/leituras/arquivos/Leitura_1.pdf>. Acesso. em: 16 set. 2018. GOMES, M. R.; VIEIRA, N. Saúde e Prevenção nas Escolas: promovendo a educação em sexualidade no Brasil. Revista Tempus Actas em Saúde Coletiva, v. 4, n. 2, 2010. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: antropometria e estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos no Brasil. Rio de Janeiro. IBGE. 2010.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
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