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O BRINCAR LIVRE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DA DIVERSÃO À GARANTIA DE DIREITOS

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Academic year: 2020

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(1)O BRINCAR LIVRE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DA DIVERSÃO À GARANTIA DE DIREITOS. Ana Carolina Brandão Verissimo 1 Renata Santos da Silva 2 Andréia Mendes dos Santos 3. Resumo: Neste estudo, se toma como referência que a principal característica da infância é a singularidade das crianças e partindo da premissa que ao brincarem elas se desenvolvem, formam conceitos, criam, partilham, se expressam e sendo a Educação Infantil um espaço onde as crianças socializam, torna-se necessário refletir sobre a relação entre o brincar livre e a Educação Infantil. O trabalho tem como principal objetivo: analisar de que forma o direito ao brincar livre vem sendo garantido na proposta pedagógica da Educação Infantil, como prática significativa para o desenvolvimento da criança através de um olhar sobre uma rede de ensino da cidade de Porto Alegre. O referencial teórico apoia-se em Barbosa (2006); Fortuna (2014); Pinto e Sarmento (1997), Kishimoto (2013); Dornelles (2001) entre outros. A opção metodológica é a abordagem qualitativa do tipo exploratória, se utilizou como instrumentos para a coleta de dados, entrevistas semiestruturadas e análise documental dos planejamentos de professoras da rede. Os resultados apresentaram a valorização do brincar livre, entendendo este momento como de aprendizagens e formação. Além disso, foi possível perceber as concepções que essas professoras têm sobre a Educação Infantil enquanto espaço de experenciação, criação e socialização. Entretanto, percebe-se que ainda a mídia e o consumo são elementos fortemente marcantes no brincar infantil.. Palavras-chave: Brincar Livre. Infâncias. Direito da Criança. Educação Infantil.. Modalidade de Participação: Pós-Graduação. O BRINCAR LIVRE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DA DIVERSÃO À GARANTIA DE DIREITOS 1 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Autor principal 2 Aluna de pós-graduação. [email protected]. Co-autor 3 Docente. [email protected]. Orientador. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(2) O BRINCAR LIVRE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: DA DIVERSÃO À GARANTIA DE DIREITO(S) INTRODUÇÃO O escopo deste trabalho é um ensaio analítico a respeito das crianças e a importância da Educação Infantil como espaço onde roteiros pedagógicos orientam experiências que ³DSUHVHQWDP´ D FULDQoD SHTXHQD DR PXQGR. Partindo da premissa que a Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica e que conjuga muitas das primeiras experiências das crianças, envolvendo cuidados, afetos, desenvolvimento, interdições e descobertas e, assim, necessita de atenção desde a hora da chegada, nas atividades, no brincar, e nas práticas de alimentação, de higiene e de descanso, entre outras. O atual conceito de Educação Infantil dialoga com a inserção das crianças na sociedade, o que possibilita o reconhecimento e a especificidade das infâncias. Para justificar a SOXUDOLGDGH DGRWDGD QR FRQFHLWR ³LQIkQFLD´ DGRWDPRV a concepção de Pinto; Sarmento (1997) e Barbosa (2006) sabendo que a definição de infância no singular não daria conta da multiplicidade que existe neste conceito e nas diferentes formas de ser criança, a partir de uma visão social, cultural e geográfica, além disso a principal característica desta fase é a singularidade de cada criança e, sendo assim é preciso considerar que essa não é uma experiência universal, idêntica para todas as crianças, mas construída e vivida conforme a cultura e a história individual. Assim, as concepções da infância são resultantes de uma complexidade social e da heterogeneidade das condições de vida da população. Em relação às crianças, é preciso considerar que elas sempre existiram, pois é assim que se cumpre o ciclo vital humano, o que se modificou foi à compreensão de crianças como condição. Ainda que as crianças possuam diferentes características há algo que é comum a todas: a vulnerabilidade presente nesta faixa etária (SANTOS, 2009). As crianças pequenas necessitam de cuidado, alimentação, higiene, brincadeiras, afeto, proteção, segurança. Nos últimos anos especificamente, que as atenções sobre estes sujeitos, como grupo social, tiveram atenção da sociedade, bem como a preocupação com seus direitos. Dentre os direitos das crianças, há um que merece destaque neste estudo, segundo o ECA (1990), no capítulo II, art. 16, um dos aspectos relacionados ao direito à liberdade, ao respeito e a dignidade, encontra-se: o brincar. Pois, entende-se que brincando as crianças se desenvolvem, formam seus primeiros conceitos, estimulam a criatividade, imaginação, partilham, socializam, projetam a realidade, expressam seus sentimentos e emoções, dialogam, e, portanto, que essa atividade é essencial para o desenvolvimento infantil. A brincadeira é algo de pertence à criança, à infância. Através do brincar a criança experimenta, organiza-se, regula-se, constrói normas para si e para o outro. Ele cria e recria, a cada nova brincadeira, o mundo que a cerca. O brincar é uma forma de linguagem que a criança usa para compreender e interagir consigo, com o outro, com o mundo. (DORNELLES, 2001, p. 106).. A escola e o professor têm papel fundamental na valorização e estimulação deste momento , pois: Ser criança requer tempo e imaginação, o que está disponível para a maioria das crianças. Mais importante, ser criativo requer autoconfiança, algum conhecimento, receptividade, senso de absurdo e a capacidade de brincar. Tudo isso faz parte da infância, e muito disso precisa ser estimulado com mais vigor no contexto da escola e da educação. (MOYLES, 2002, p. 93).. Sendo assim, prima-se para que a escola possa oportunizar tempos e espaços para que as crianças de forma criativa e exploratória possam experenciar momentos lúdicos através de Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(3) práticas pedagógicas brincantes. Este artigo tem como principal objetivo analisar de que forma o direito ao brincar livre vem sendo garantido na proposta pedagógica da Educação Infantil, como prática significativa para o desenvolvimento da criança através de um olhar sobre uma rede de ensino da cidade de Porto Alegre. CAMINHOS METODOLÓGICOS O estudo que se apresenta tem abordagem qualitativa do tipo exploratória e de cunho social. Como procedimento metodológico foram feitas entrevistas semi-estruturadas com as seis professoras das turmas denominadas N3, correspondente ao último ano da etapa da Educação Infantil e também análise documental a partir dos planejamentos semanais destas professoras. As informações qualitativas seguem a análise de conteúdo de Bardin, (2009) num processo dinâmico de constante confronto entre teoria e conteúdo que emerge a partir das estratégias selecionadas para essa pesquisa, o que origina novas concepções e, consequentemente, novos focos de interesse. ALGUNS APONTAMENTOS A partir das análises dos dados foi possível perceber alguns apontamentos. Dentro da rotina é importante que tenham momentos em que as crianças possam de forma criativa e autônoma experenciar a brincadeira livre. Pois, entende-se que se a brincadeira está ocorrendo de forma sadia e produtiva não há motivos para interrompê-la e que o professor atento, pode a partir dela criar elementos importantes do seu fazer pedagógico (FORTUNA, 2014). Um olhar flexível sobre o planejamento semanal, respeitando as individualidades de seus alunos, contribui para uma educação de qualidade, priorizando o protagonismo dos alunos quanto a sua aprendizagem bem como para a organização do grupo. Além disso, a exploração de diferentes espaços, materiais enriquecem as práticas pedagógicas destas professoras, corroborando com Kishimoto (2013, p. 30), que ressalta a importância deste tipo de organização: A educação requer a concepção de diferentes tempos e espaços, orquestrados por concepções sobre criança e sua educação. Portanto, tais culturas imateriais e materiais possibilitam uma educação de qualidade, que requer a coexistência do tempo e espaço para brincar livre e tempo e espaço para orientação e mediação do adulto.. Assim compreendendo que o brincar perpassa pelos tempos e espaços na rotina da Educação Infantil. Permitir que ele seja transversal ao cotidiano destas crianças é se comprometer com um currículo lúdico e formador. O olhar atento do adulto de referência faz com que além deste momento lúdico ter significado para criança, permite que ele saiba um pouco mais sobre a personalidade, o jeito de pensar, aprender, dialogar das crianças que estão envolvidas nesta vivência. O brincar livre favorece na construção da personalidade da criança, estimula a autonomia e organização das FULDQoDV DOpP GLVVR ³R EULQFDU p FRQVWUXWRU GH QRYDV DSUHQGL]DJHQV H GH LQWHUDo}HV PXLWR significativas na infância, uma etapa tão importante para o seu GHVHQYROYLPHQWR´ +251 SILVIA; POTHIM, 2014, p. 11). Entendendo que o brincar se faz presente no currículo da Educação Infantil como elemento fomentador de aprendizagem, é possível perceber ao questionar a professora 6 sobre a percepção do brincar enquanto cunho pedagógico. ³> @ WRGRV RV PDWHULDLV TXH D JHQWH WHP HP VDOD GH DXOD HOHV HVWmR DOL 3RUTXH D gente acredita neles, então uma prateleira cheia de sucata ela não tá ali por tá, tem toda uma questão. Eu sou prof de nível 3, toda uma questão visual, rótulo, Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(4) consciência fonológica, tem uma mensagem por trás que eu não preciso ficar dizendo pra eles. Mas eles tão fazendo leituras daqueles rótulos. Eu tenho uma prateleira que eu chamo de andar da matemática, eu tenho calculadora, régua, WUHQD WHP ³Q´ HOHPHQWRV GH PDWHPiWLFD TXH HVWmR DOL $ FULDQoD YDL H[SORUDQGR à medida que se sente chamada praquilo. Não tem um momento pra brincar de trena, então aí a criança que faz a ligação vai lá e pega pra trazer pro mercadinho, depois devolve lá, então nesse VHQWLGR DVVLP ´ A partir destas brincadeiras, como por exemplo do supermercado a criança pode explorar noções de números, medidas, explorar os rótulos, o reconhecimento de letras. Não necessariamente ela esteja brincando para aprender matemática ou se alfabetizando, mas sim de uma forma lúdica aprendendo sobre noções matemáticas bem como estando no mundo letrado, desta forma não só o brincar, mas também a literatura, devem ser disponibilizados para as crianças de forma prazerosa. Entretanto, devido à lógica capitalista na qual estamos inseridos, muitas vezes também, é durante o brincar que as relações de competições e comparações se estabelecem. As indústrias começaram a perceber que as crianças já são consumidoras e movem o mercado como outras economias, ³WHPRV HP QRVVDV FULDQoDV XP FRQVXPLGRU HP IRUPDomR H D PtGLD WHP VH DSURYHLWDGR GLVVR FRP XP IRUWH DSHOR j DIHWLYLGDGH j DYHQWXUD H DR SRGHU´ (DORNELLES, 2001, p. 108). Assim, entende-se que os pequenos são fortes consumidores e cabe aos adultos de referência oportunizar também um repertório brincante para além da lógica de consumo, para assim ampliar as possibilidades de jogos e brincadeiras. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo intencionou compreender de que forma o direito ao brincar livre vem sendo garantido na proposta pedagógica da EI, como prática significativa para o desenvolvimento da criança, a partir do olhar sobre a rede Marista na cidade de Porto Alegre/RS, ainda que as crianças sofrem desde cedo influência das mídias e sejam impulsionadas dentro de uma lógica consumista, cabe aos adultos de referência oportunizarem um repertório brincante para elas, através de diferentes materiais, para que de forma autônoma, livre e criativa as crianças possam se expor, expressar, projetar sua realidade, se constituir e se desenvolver, entendendo que são nestes momentos que a criança aprender a socializar, dialogar, resolver conflitos, expor suas opiniões, através do jogo simbólico ela é capaz de criar e representar a realidade na qual está inserida, estimular noções cognitivas, motoras que favoreçam o seu desenvolvimento. Respeitar o tempo das crianças de forma individual e coletiva, é um comprometimento político e pedagógico com a educação, para que ela se desenvolva de forma sadia ao mesmo tempo em que aprende regras, combinações e estabelece sua rotina, respeitando as diferentes infâncias que permeiam o cotidiano escolar da Educação Infantil. Além disso, a potencialização de espaços corrobora para uma educação de qualidade. Pensando em um currículo comprometido com o desenvolvimento e a aprendizagem de todas as crianças, despertando os seus diferentes potenciais, a fim de que elas se desenvolvam de forma integral, conhecendo e aprendendo sobre si, os outros e o mundo. REFERÊNCIAS BARBOSA, Maria. Por amor e por força: Rotinas na Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006. BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(5) Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil / Secretaria de Educação Básica. ± Brasília: MEC, SEB, 2010. Disponível em: <http://ndi.ufsc.br/files/2012/02/DiretrizesCurriculares-para-a-E-I.pdf>. Acesso em: 16/08/2018. ______. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm. DORNELLES, Leni. Na Escola Infantil todo mundo brinca de você brinca. In: CRAIDY, Maria; KAERCHER, Gládis. Educação Infantil pra que te quero. Porto Alegre: Artmed, 2001. FORTUNA. A importância de brincar na infância. In: HORN, Cláudia Inês et al. Pedagogia do Brincar. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014. p. 13-44 HORN, Cláudia; SILVA Jacqueline; POTHIN, Juliana. Jogar e brincar com materiais de baixo custo. In: HORN, Cláudia et al. Pedagogia do Brincar. Porto Alegre: Mediação, 2014. KISHIMOTO, Tizuko. Brincar, Letramento e Infância. In: KISHIMOTO, Tizuko; FORMOSINHO, Júlia. Em busca da Pedagogia da Infância: pertencer e participar. Porto Alegre: Penso, 2013. p. 21-53. MOYLES, Janet. Só brincar? O papel do Brincar na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2002. SANTOS, Andréia Mendes dos. Sociedade do consumo: criança e propaganda, uma relação que dá peso. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009. SARMENTO, Manoel; PINTO, Manoel. As crianças e a infância: definindo conceitos, delimitando o campo. Disponível em: https://pactuando.files.wordpress.com/2013/08/sarmento-manuel-10.pdf acesso: 16/08/2018.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

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