RELATO DE EXPERIÊNCIA: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO DE CIÊNCIAS

Texto completo

(1)RELATO DE EXPERIÊNCIA: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO DE CIÊNCIAS. Dyessyca Luis Silveira 1 Angela Maria Hartmann 2. Resumo: O presente trabalho trata da inclusão, sob a perspectiva da interação universidade-escola. Para tanto, procura através do relato de experiência de uma acadêmica de Licenciatura em Ciências Exatas da Universidade Federal do Pampa - Campus Caçapava do Sul que possui deficiências múltiplas e enfrenta diariamente os desafios para a inclusão, apontar os desafios da inclusão na sua vivência na universidade, bem como de sua formação inicial através práticas pedagógicas na APAE de Caçapava do Sul. Trazendo reflexões sobre o ensino de ciências para alunos especiais. Através da reflexão da minha vivência na universidade e na APAE, remonto uma história de vitórias diárias que nós deficientes conquistamos e também de muita luta e barreiras sociais e físicas. Me sinto vitoriosa por estar na universidade, mais ainda por ter esta vivência na escola e poder pensar sobre o ensino de ciências com vistas à inclusão e verificar que atividades planejadas e com práticas assistivas contribuem significativamente para a aprendizagem destes . Há pouca sensibilização sobre educação especial nos cursos de formação de professores, precisamos falar mais sobre o assunto, e promover a Educação Inclusiva é sem dúvida, um desafio para a sociedade do futuro.. Palavras-chave: educação inclusiva, ensino de ciências, formação inicial.. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. RELATO DE EXPERIÊNCIA: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO DE CIÊNCIAS 1 Aluno de graduação. dyessicaluiz@gmail.com. Autor principal 2 Docente. angelahart2010@gmail.com. Orientador. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(2) RELATO DE EXPERIÊNCIA: DA UNIVERSIDADE À ESCOLA, OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA. 1 INTRODUÇÃO Educação Inclusiva é um tema ainda novo no que se refere à educação. A inclusão só ganhou força mundialmente após a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994). Passando a influenciar a formulação das políticas públicas associadas à Educação Inclusiva, a Declaração destaca que os alunos especiais devem ter acesso às escolas regulares e que essas instituições devem buscar adequação à QRYD GHPDQGD SRLV ³FRQVWLWXHP RV PHLRV PDLV FDSD]HV SDUD combater as atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos´ S -9). No Brasil, não muito tarde é aprovada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN 9394/ 96), que determina que pessoas com necessidades educacionais especiais sejam incluídas em escolas de Ensino Regular. (BRASIL, 1998). A constituição brasileira de 1988, no artigo 208 Já fazia referência ao atendimento de alunos FRP QHFHVVLGDGHV HVSHFLDLV ³SUHIHUHQFLDOPHQWH´ HP WXUPDV GH (QVLQR 5HJXODU A LDB reafirma o direito à educação pública e gratuita para as pessoas portadoras de necessidades especiais e se estabelece em seu capítulo V que: Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. (BRASIL,1996) Desde então a educação no Brasil vem passando por grandes transformações e tem conseguido cada vez mais conceber a inclusão e a diversidade. Ao passo que alunos com necessidades especiais têm conseguido conquistar cada vez mais seu espaço em ambientes escolares. É um desafio tanto para as escolar se adaptarem em seus espaços físicos , quanto para as universidades no que se refere à formação docente. O presente artigo trata da inclusão, sob a perspectiva da interação universidade-escola. Para tanto, procura através do relato da minha experiência apontar os desafios da inclusão da perspectiva de uma acadêmica de Licenciatura em Ciências Exatas da Universidade Federal do Pampa ± Campus Caçapava do Sul, que possui deficiências múltiplas e enfrenta diariamente os desafios para a inclusão. Tanto na Universidade, quanto na escola onde desenvolvo práticas pedagógicas relativas às atividades de graduação, me encontro no papel de incluída e ao mesmo tempo no papel de promover a inclusão e, discutir melhores maneiras de conquistar novas formas inclusivas de aprender e ensinar. Estudo na Unipampa deste 2015, e o meu ingresso na universidade foi um desafio tanto para mim, quanto mais para a universidade que ainda não estava preparada para receber uma aluna cadeirante. Não havia acessibilidade, foi preciso adaptar o acesso ao prédio principal. Todo início de semestre é Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(3) complicado porque algumas das disciplinas que eu me inscrevo localizam-se no segundo piso, como eu não consigo acessar é preciso que mudem as aulas para o térreo. Aos poucos o curso foi se adaptando às minhas necessidades. Porém ainda não me sinto incluída totalmente, pois gostaria de acessar todas as dependências da universidade, assim como os demais acadêmicos acessam. Ainda não consigo acessar o Restaurante Universitário, pois não há acessibilidade; e nem o segundo piso da Universidade, onde ficam o Núcleo de Educação e a Coordenação do meu curso, pois não há elevador. Porém há de se reconhecer que este é um processo lento, que requer uma transformação social e estrutural muito grande, é preciso que as pessoas com deficiência queiram estar dentro da universidade, conquistem estes espaços para que assim sejam notadas e valorizadas. E só assim estes espaços serão transformados efetivamente. Porém a complexidade da educação inclusiva vai muito além das barreiras físicas, há obstáculos pedagógicos muito grandes. Muitos professores não estão sensibilizados para a inclusão. Há muito pouco tempo que os cursos de licenciatura estão tendo este cuidado. Embora eu enfrente algumas barreiras físicas na universidade, há uma preocupação muito grande por parte da coordenação do meu curso em contribuir ao máximo com a minha formação e a promoção do meu bem-estar dentro da universidade, bem como o Núcleo de Inclusão e Acessibilidade (NINA) da referida Universidade. Ambos sempre estão muitos bem alinhados pensando alternativas de proporcionar o melhor conforto e desenvolvimento acadêmico dos alunos incluídos. Desta preocupação surge de ambos, a necessidade de pensar alternativas de me colocar em contato com a realidade escolar, visto que estou em um curso de licenciatura e estão previstas práticas pedagógicas nas escolas. A maioria das escolas da cidade não possui acessibilidade, o que acaba dificultando o meu acesso a estes locais. Sendo assim, a coordenação do meu curso sugeriu que eu desenvolvesse práticas pedagógicas na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), pois a escola conta com ampla acessibilidade e além do mais eu teria a oportunidade de propor práticas de inclusão na referida escola. Dentro deste contexto as eu deveria realizar intervenções em uma turma da referida instituição e propor atividades envolvendo ciências ou matemática. O ensino de ciências e matemática para alunos com deficiências é um desafio, pois temos nossas limitações. E em uma turma da APAE, por exemplo, cada aluno possui um tipo de deficiência. O ensino de ciências trata de uma complexidade de fenômenos, trata da observação da natureza, da vida cotidiana, muitos assuntos que envolvem experiências sensoriais (ver, ouvir, perceber visualmente muGDQoDV DEVWUDLU FRPSDUDU PHGLU DQDOLVDU« que são distintas a cada aluno com deficiência. Mantoan (2003) afirma que ao professor de ciências compete estar e se sentir preparado para a convivência de alunos com necessidades especiais, buscando nessa classe heterogênea todas as potencialidades inerentes a cada aluno, proporcionando crescimento, respeito, aprendizado e novos pontos de vista. A partir do exposto, os principais objetivos do meu trabalho são : elaborar materiais simples e de fácil compreensão visando à inclusão de todos os alunos da turma; promover a aprendizagem através de atividades lúdicosensoriais; despertar o interesse dos educandos pela ciência; promover discussões relativas à inclusão através desta ponte universidade-escola; (re)pensar a prática docente enquanto professora de ciência em formação inicial.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(4) 2 METODOLOGIA As práticas pedagógicas tiveram inicio em abril de 2018 na APAE de Caçapava do Sul, e ocorrem uma vez por semana com uma turma de alfabetização. A turma conta com oito alunos com diferentes tipos de deficiência tem uma professora regente que assiste minhas aulas e me auxilia nas atividades. Para a implementação das atividades fez-se um planejamento prévio, um plano de ensino, bem como o estudo do conteúdo a ser abordado e materiais a serem utilizados, para isso conto com auxilio de uma monitora do NINA que me auxilia no planejamento destas atividades na Universidade. Os conteúdos são elencados tendo uma relação com as disciplinas que curso na universidade, bem como com a vivência e os conhecimentos prévios dos alunos na escola. Até o momento foram realizadas atividades práticas envolvendo contas simples, utilizando as quatro operações matemáticas: através de jogos e problemas ilustrados; E atividades práticas sobre o reino vegetal, a importância das plantas para a manutenção da vida no planeta e as funções das estruturas das plantas: através do plantio de sementes, manuseio e colagem de diferentes estruturas das plantas, bem como a degustação de partes de plantas comestíveis (raiz, caule, folhas, flores, sementes e frutos). As atividades são previstas para que os alunos desenvolvam em grupo, e são avaliados de acordo com a sua participação e envolvimento. 3 RESULTADOS e DISCUSSÃO Cabe salientar que esta é o meu primeiro contato de formação inicial em uma escola, onde pude me ver no papel de professora, está sendo muito gratificante e vem afirmar a minha escolha pelo curso de licenciatura. O principal obstáculo que eu enfrentei é a baixa alfabetização científica. Falta de base dos alunos para compreenderem assuntos básicos como, por exemplo, o que é uma flor. Quase toda a turma teve dificuldade em explicar e reconhecer uma flor. Entendo que aprender o que é uma flor antecede a escola e a dificuldade dos alunos entenderem certos conteúdos de ciências está associada à sua vivência ou não da natureza. Sabe-se que alunos com deficiência acabam tendo seu contato com o meio limitado por inúmeros fatores. Encontrei bastante dificuldades de trabalhar contas de divisão e subtração . Os alunos estão mais adaptados à continhas de adição. Mas se interessam muito pelas atividades que proponho e são muito participativos. A turma é de alfabetização, porém muitos estão na mesma turma há alguns anos, devido à suas dificuldades. Verifiquei que alguns alunos têm potencial para estarem incluídos na escola regular, porém como maioria as escolas não está preparadas para receber estes alunos. Estes permanecem na APAE e acabam não tendo explorados os seus reais potenciais para aprender. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através da reflexão da minha vivência na universidade e na APAE, remonto uma história de vitórias diárias que nós deficientes conquistamos e também de muita luta e barreiras sociais e físicas. Me sinto vitoriosa por estar na universidade, mais ainda por ter esta vivência na escola e poder pensar sobre o ensino de ciências com vistas à inclusão e verificar que atividades planejadas e com práticas assistivas contribuem significativamente para a aprendizagem destes . Há pouca sensibilização sobre educação especial nos cursos de formação de professores, precisamos falar mais sobre o assunto, e promover a Educação Inclusiva é sem dúvida, um desafio para a sociedade do futuro. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(5) REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LDB 9.394, de 20 de dezembro de 1996. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: MEC/SEESP, 2001. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA: Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais, 1994, Salamanca-Espanha. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(6)

Figure

Actualización...

Referencias

Actualización...