El argumento de "Hamlet"

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El a r g u m e n t o d e " H a m l e t "

poi-Carlos E d u a r d o Z a v a l e t a

Pensar en vidas eminentes que hayan dejado huellas en países e i n d i v i d u o s y c o r r a n p o r ahí en volúmenes cargados de arte o h i s t o r i a , es siempre una ocasión para mezclar juicios que todos sabemos con o t r o s menos d i f u n d i d o s , y aun con otros que son apenas c o n j e t u r a s creadas por ia ausencia de noticias ciertas sobre pequeños hechos que, p o r f o r t u n a , son simples detalles borrosos en un m a r vasto y l i m p i o . Si asi sucede en pláticas callejeras o jugo-sos l i b r o s de ensayo, ahora debemos mezclar también juicios re-sabidos con o t r o s escondidos, aunque certeros, y además, con la confesión abierta de que todos, humildes y eruditos, ignoramos algunas m i n u c i a s sobre el h o m b r e (Shakespeare) o el personaje

( H a m l e t ) , sin que nuestra devoción por ambos se empañe en lo m í n i m o . Por lo demás, una Facultad de Letras c o m o ésta se n u t r e ya sea de la polifacética vida de los creadores, o ya de ia otra vida, no menos polifacética, de los personajes f o r j a d o s por aquéllos. H e r m o s a existencia de una i n s t i t u c i ó n en que la fantasía vale tanto c o m o la verdad. La nobleza e j e m p l a r del poeta o novelista exige que se hable más de sus c r i a t u r a s que de sí m i s m o ; cuanto más independiente sea un personaje, más feliz vive su a u t o r ; por ello, he de hablar más de Hamlet que de Shakespeare, como si este p r í n c i p e , pensando en la " i n m e n s a noche, que es para tantos el inmenso d í a " , al decir de Chocano, se hubiera libertado de Shakes-peare al p u n t o de convertirse, según d i j o la ironía de Joyce, en padre y no en h i j o de su dueño. He aquí la vida del h o m b r e a quien Ofe-lia (ella era " u n a rosa de m a y o " y "estaba hecha de esos hilos con que se tejen los s u e ñ o s " ) Mamó " e l o j o del cortesano, la lengua del letrado, la espada del g u e r r e r o : la rosa y la esperanza de este

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b e i l o país, el e s p e j o .te la rnccia, c i olne de la elegencia, el obser-v a d o de t o d o s los j o s e r obser-v a d o r e s t i ; , el p r i n c i p e que en obser-vez de su-f r i r c o n su-f l i c t o s po. ticos y de estado, s u su-f r i ó los más d u r o s consu-flictos c:ei c o r a z o n h u m a n o , y Sin p e r d e r j a m á s el j u i c i o , v i v i ó escenas

su-f i c i e n t e s p a r a volverse icco, c o m o el m a r y el v i e n t o , cuando se d i s p u t a n e n t r e si cual o mus f u e r t e . Y me place, en verdad, tocar el t e m a de este h o n . o r e y de su estirpe en una t r i b u n a ocupada a n t a ñ o p o r e s t u d í a m e , peruano., que _e v o l v i e r o n e r u d i t o s , asi c o m o los jóvene^ se vuelven h o m a r e s , leyendo a q u i sus palabras, tales c o m o C o n s t a n t i n o balazur y Luis MirO-Quesada, y p o r maes-t r o s e x maes-t r a n j e r o s corno Uerek Traversi, quienes c o m p r o b a r o n que, en San M a r c o s y tocia la i n t e l e c t u a l i d a d p e r u a n a , Hamlet es tenido a ia vez p o r un t r á g i c o poeta y un solido personaje.

Se nos ha d i c h o que ei n o m b r e y el a r g u m e n t o de H a m l e t reba-san la v i d a oe ShaKesjaeare y se h u n d e n m u y lejos, inclusive en el siglo X I I , en las páginas de ia Gesta dánica, escrita j:>or Saxo Gra-m á t i c o o S a j ó n el L e t r a d o , y que en la tercera y c u a r t a |oartes de ella hay una h i s t o r i a cié A i n l e t h ; y se nos ha a ñ a d i d o , sobre todo en los ú l t i m o s t i e m p o s , que la v e r s i ó n de Saxo G r a m á t i c o es sólo una de las dos versiones medievales que subsisten: ia o t r a sería la h i s t o r i a o " s a g e " de Aníbales, l l a m a d o t a m b i é n A m l o d i , que re-p r e s e n t a r í a un a r g u m e n t o más a n t i g u o que el de Saxo, s¡ bien cons-ta en m a n u s c r i t o s más o menos c o n t e m p o r á n e o s al H a m l e t de Sha-kespeare. A d e m á s , la v e r s i ó n ele Saxo revelaría el c o n o c i m i e n t o de " u n a h i s t o r i a análoga, la de L u c i o J u n i o B r u t o , el m í t i c o héroe ro-m a n o que e x p u l s ó a los t a r q u i n o s de Roro-ma y l i b e r t ó para siero-mpre a esa c i u d a d de la m o n a r q u í a " ( 2 ) ; la p r i m e r a v e r s i ó n de dicha histo-ria de B r u t o se h a l l a r í a en Las antigüedades r o m a n a s , de Dionisio de H a l i c a r n a s o , a u n q u e , en f o r m a a b r e v i a d a , aparecería tanto en los h i s t o r i a d o r e s T i t o L i v i o , O v i d i o y Dion Casio, c o m o en o t r o s h i s t o r i a d o r e s medievales. J u n t o a esos tres a r g u m e n t o s , sabemos

( 1 ) La m a y o r í a de ¡as cito;; de H a m l e t son tomadas de la traducción de A s t r a n a M a r í n , y sólo cíe vez en cuando he r e c u r r i d o a la versión de Salvador de Madariaga, o a uno adoptación m í a , sobre la base de am-bas versiones.

( 2 ) Charles W . E c k e r l , The Festival S t r u c t u r e of tlie Orestes-Hamlet Tradi-t i o n , C o m p a r a Tradi-t i v e L i Tradi-t e r a Tradi-t u r o . Vol. X V , N? 4, O Tradi-t o ñ o , 1 9 6 3 ) , 327.

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c i e r t a m e n t e q u e en 1582 se p u b l i c ó en París el q u i n t o v o l u m e n de las H i s t o r i a s t r á g i c a s , de B e l l e f o r e s t , v o l u m e n en q u e aparece la " h i s t o r i a t e r c e r a " , d o n d e el " r u s o A m l e t h , q u i e n f u e luego rey de D i n a m a r c a , v e n g ó la m u e r t e de su p a d r e H o r u u e n d i l l e , asesinado p o r F e n g o n , su h e r m a n o , y o t r o s sucesos de su h i s t o r i a " ( 3 ) . En r e s u m e n , a p a r t e de i n t e r m i n a b l e s f u e n t e s a d i c i o n a l e s q u e nos aho-g a r í a n e n c u m p l i d o s d e t a l l e s , p e r o no en deleites a r t í s t i c o s , existen c u a t r o f u e n t e s d i v e r s a s , o r d e n a d a s así, de la m á s a n t i g u a a la más r e c i e n t e : ( a ) la h i s t o r i a r o m a n a de B r u t o , ( b ) el a r g u m e n t o de A r r í b a l e s , ( c ) la h i s t o r i a de Sexo, y ( d ) la de B e l l e f o r e s t . Ellas j u n -tas p i n t a n el r e t r a t o de H a m l e t p r e - S h a k e s p e r í a n o , v i n c u l a d o , dice G i l b e r t M u r r a y , c o n m i t o s y r i t u a l e s del héroe g r i e g o O r e s t e s , ya q u e a m b o s a r g u m e n t o s t r a d i c i o n a l e s t e n d r í a n un o r i g e n c o m ú n en el

a n t i g u o r i t o del a s e s i n a t o p e r i ó d i c o de u n rey; o m e j o r , c o m o lo s e ñ a l a C h a r l e s W . E c k e r t ( 4 ) , " l o s tres héroes m á s i m p o r t a n t e s de a q u e l l a s h i s t o r i a s , o sean el g r i e g o O r e s t e s , el r o m a n o B r u t o y el e s c a n d i n a v o - c r i s t i a n o H a m l e t , se v i n c u l a r í a n t o d o s c o n los fes-t i v a l e s de A ñ o N u e v o , y e s p e c i a l m e n fes-t e c o n los r i fes-t o s p u r g a fes-t i v o s y de i n i c i a c i ó n q u e se e f e c t ú a n p o r este t i e m p o " .

E c k e r t ha a n a l i z a d o c o n m i n u c i o s i d a d estos a r g u m e n t o s y los lazos h a b i d o s e n t r e sí. He a q u í sus c o n c l u s i o n e s :

1 ) En todas las versiones, el padre del héroe ( o el padre del h e r m a n o) es asesinado p o r u n tío que h e r e d a el t r o n o y se casa c o n la m a d r e del héroe ( s ó l o en I? h i s t o r i a de B r u t o el t í o no se casa con la r e i n a ) . S a b i e n d o el héroe que, c o m o h i j o del rey d i f u n t o , está en p e l i g r o , se f i n g e loco y engaña a su t í o p r e s e n t á n d o s e c o m o alguien d e m a s i a d o i r r a z o n a b l e para c o n s t i t u i r u n a a m e n a z a . En las versiones de Saxo, Aníbales y B e l l e f o r e s t , llega a a d q u i r i r un estado casi a n i m a l , m i r a n d o o b l i c u a m e n t e c o m o u n m o n o , cacareando c o m o una g a l l i n a , y r o d a n d o s o b r e el f a n g o o la cenizo ele mocío o f e n s i v o aun a la v i s t a y o l f a t o de los s i r v i e n t e s .

2 ) Excepto en la de B r u t o , en las demás versiones es un h o m b r e d e m a s i a d o m i s ó g i n o , que a r r o j a f u e g o a las c r i a d a s — e n e! a r g u m e n t o de A n í b a l e s llega a l e v a n t a r en v i l o a su

m a d r e y sostenerla p o r s o b r e el f u e g o de la cocina. La

esce-( 3 ) S a l v a d o r ele M a d a r i a g a , El H a m l e t de Shakespeare ( B u e n o s Aires: E d i t o r i a l S u d a m e r i c a n a ) , p, 13,

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na del d o r m i t o r i o que aparece en Shakespeare, donde la reina es reprochada y reducida a lágrimas per su h i j o , aparece tam b;é n en las antiguas versiones, si bien en el a r g u m e n t o de Arrí-bales el hércrr se contenta con ser sarcástíco, hacer ruidos desagradables y amenazar a su m a d r e blandiendo un arpón.

3 ) En tedas las versiones (excepto en la de B r u t o ) , el héroe mata a uno de los consejeros del rey, escondido previa-mente en la alcoba de la reina a fin de espiar su plática con el h i j o y descubrir sí éste, en verdad, es insano o conspira c o n t r a el rey. En Arríbales, Saxo y Belleforcst, el consejero recibo una estocada en su escondite, es arrastrado fuera de la alcoba, y luego despedazado y h e r v i d o en agua, para ali-mentar a les cerdos.

4) E n t o d a s l a s v e r s i o n e s ( e x c e p t o e n la d o B r u t o ) a la

m u e r t e del consejero sigue el destierro del hérce hacia uno corte amiga adonde viaja en compañía de dos sirvientes del rey, quienes llevan una c a r t a i n s t r u y e n d o al monarca e x t r a n j e r o pera darle m jorro El héroe descubre lo carta, lo substituye por o t r a p i d i e n d o la m u e r t e de sus acompañantes, y luego per-manece un año (según Saxo y Belleforest) o tres años (según A m b o l e s ) antes de volver. En la h i s t o r i a de B r u t o , donde no aparece la madre ni hay asesinato del consejero, se realiza el viaje con dos hijos del rey hasta Delfos, y aquí B r u t o t r i u n f a sobre sus acompañantes a! i n t e r p r e t a r correctamente un orácu-lo de la pitonisa y al c u m p l i r l o en secreto, con orácu-lo cual asegura su derecho de sucesión al t r o n o . Todas las versiones

compar-ten, c o m o se ve, el m o t i v o del viaje peligroso, de donde el héroe vuelve t r i u n f a n t e .

5 ) En Saxo y Belleforest el hérce vuelve a su hogar, reto-ma el t r a j e m u g r i e n t o que había usado, llega a lo sala en que se celebran sus propias exequias, y después de embriagar a

todo el m u n d o incendia la sala y mata al rey. En la histo-ria ele Arríbales o c u r r e lo m i s m o , excepto que el héroe no vuel-ve a un funeral sino a una celebración de Navidad, incendiando

después lo sala en !a noche de Año Nuevo. Por su parte, B r u t o subleva al pueblo de PsCma a f i n de cerrarle las puertas a T a r q u i n o , lanzándolo así al exilio.

De todos los argumentos, el de Ambales es el menos racio-nalizado aunque nos el indicio más seguro hacia una tradi-ción m u c h o más a m p l i a , que englobe a las demás. Durante la

locura ele Ambales, a veces f i n g i d a y a veces real, éste anima una increíble serie de aventuras, espanta enloquecido un rebaño de ovejas, vence a un gigante de las cavernas, levantándolo del suelo y aplastándolo, d o m i n a a o t r o ser salvaje cuya capa de gnomo usa después, s u m i n i s t r a c o m i d a diaria a sesenta m i l cerdos, y

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tiene por cada compañía a un mago enano. En gran parte, !-3s aventuras c!e este h i j o de la reina Amba son idénticas a las de Heracles, h i j a s t r o de la diosa Hera. El m i t o de Heracles es uno de los más notables y p r i m i t i v o s ele la antigüedad griega, y la tradición heroica que él representa d i b u j a el modelo para muchos otros herces, sean Dionisio, Ayax, Teseo, Odiseo, o en fin, cerrando el círculo, el propio Orestes. ( 5 )

En m e d i o de estas investigaciones, la crítica ha pasado a bus-car vínculos triangulares entre mitos, rituales y un específico pe-r í o d o festival, y t a m b i é n un f o n d o c o m ú n de los festivales de Año Nuevo, donde los ritos no sólo p u r i f i c a n , sino extirpan y recrean, a más de anular el pasado con sus males y culpas, modelando una nueva época. Al p r i n c i p i o y f i n de este largo recorrido, dable es c o t e j a r el Hamiet de Shakespeare con la Orestiada de Esquilo, en vista del c o m ú n i m p u l s o juvenil y moralizante, y de otras analo-gías del a r g u m e n t o , por más que haya profundas diferencias en la situación m u t u a de los personajes, hundidos c o m o están en pathos

trágicos diversos, c o m o diversas son las épocas y los vínculos en-tre h o m b r e s y dioses, reflejados en ambas obras.

Sin e m b a r g o , estas comparaciones sobre textos griegos, lati-nos y franceses no deben hacerlati-nos olvidar el e j e m p l o más directo de unas piezas teatrales contemporáneas a Shakespeare, donde el a r g u m e n t o tradicional había encarnado ya en una f ó r m u l a escénica, gustada y aplaudida por el público, y juzgada por los autores c o m o una convención más o menos respetable.

A ese p ú b l i c o isabelino le complacían los temas de venganza. El f a v o r i t o Thomas Kyd había escrito, es posible, antes de 1588, La tragedia española, esa madre de las piezas de venganza. Aquí el brazo, la espacia y el fuego de la justa venganza eran blandidos p o r el v i e j o J e r ó n i m o , un noble español que había perdido a su a m a d o h i j o Horacio, salvajemente asesinado cuando cortejaba a la princesa Belimpería. La pieza se abre con un prólogo a cargo del f a n t a s m a del joven, c o n t a n d o aquel pasado. La fiel princesa y el v i e j o deudo j u r a n d o vengarlo; la t r a m a discurre así en un doble p l a n o , el de la locura f i n g i d a de Jerónimo, ansioso de castigar el c r i m e n , y el de los nuevos pasos del asesino, quien todavía preten-de la m a n o preten-de Belimpería, obligada a preten-desposar al h o m b r e que la p r i v ó de su amante. En una solución feroz, mezclando el teatro ( 5 ) Eckert, op. cit., 324-325.

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c o n la v i d a real ( a r t i f i c i o t a m b i é n decisivo en el H a m l e t de Sha-kespeare, para i d e n t i f i c a r al c r i m i n a l ) , J e r ó n i m o p r o p o n e que en la b o d a se represente una tragedia Así, la suerte de los invitados se d e f i n e en un s a n g r i e n t o espectáculo en que ellos son m u e r t o s u o b l i g a d o s a m a t a r s e ; p e r o el d e s m e d i d o s a c r i f i c i o va más allá de la e x p i a c i ó n de los pecados: la a t m ó s f e r a de h o r r o r es una he-r e n c i a de las magnéticas páginas de Séneca.

El a r g u m e n t o de las piezas de venganza sigue un m o d e l o con-s a b i d o . Empieza con el c r i m e n , g e n e r a l m e n t e un acon-secon-sinato provo-c a d o p o r d i v e r s o s m ó v i l e s ; provo-c o n t i n ú a provo-con el " d e b e r de venganza"

r e c a í d o sobre el p a r i e n t e p r c / . i c, que se e n f r e n t a con el d i f í c i l p r o b l e m a de i d e n t i f i c a r al asesino y halla m u l t i t u d cié obstáculos en su m a r c h a , hasta que, en el ú l t i m o acto, ei c r i m i n a l recibe su e s p e c t a c u l a r m e r e c i d o , y puesto que el p ú b l i c o gozaba con las tra-gedias i m p r e s i o n a n t e s , el v e n g a d o r y sus cercanos c o l o b o r a d o r e s p e r e c í a n j u n t o s en un i n o l v i d a b l e b a ñ o de sangre, c a t á s t r o f e cuya f e r o c i d a d sólo p o d í a ser atenuada p o r la m a e s t r í a del a r t i s t a , para q u i e n , en el f o n d o de d i c h o espectáculo, había p o r c i e r t o una mo-r a l i d a d . La venganza, según esta c o s t u m b mo-r e escénica, emo-ra a la vez un d e b e r p i a d o s o y un acto de salvaje j u s t i c i a . Según G. B. H a r r í -sen í ó ) , no se buscaba seguir la ley del o j o p o r o j o y diente por

d i e n t e , sino los dos o j o s p o r u n o y toda la q u i j a d a p o r un diente, con el a ñ a d i d o ele t o r m e n t o s físicos y mentales para despachar al c u l p a b l e al i n f i e r n e , en una c o n d e n a c i ó n que fuera t a m b i é n espi-r i t u a l y e t e espi-r n a .

H a r r i s o n m i s m o recuerda el antecedente de dos piezas de John M a r s t o n , a m b a s escritas en 1599, cuyas s i m i l i t u d e s con H a m l e t se e x p l i c a n p o r q u e el tema f l o t a b a en el aire que respiraban los dra-m a t u r g o s de la época, aunque nos p o n g a n en la a l t e r n a t i v a de decir q u e c bien Shakespeare fue i n f l u i d o p o r M a r s t o n , o bien H a m l e t f u e e s c r i t o en su m a y o r p a r t e antes ele 1599.

Una o b r a de M a r s t o n , t i t u l a d a La venganza de A n t o n i o , es de veras i n t e r e s a n t e . A q u í el héroe Piero e n t r a en el escenario con sus a r m a s b a ñ a d a s en sangre, un p u ñ a l y una a n t o r c h a en las manos, s e g u i d o p o r su p r e d i l e c t o S t r o t z o , que lleva en las suyas una ex-( 6 ) El c a p í t u l o " H a m l e t " del l i b r o de H a r r i s o n , Shakespeare's Tragedles,

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p l ¡ c a t i v a soga. Piero ha t e n i d o una t a r d e m u y feliz: ha envenenado a su r i v a l A n d r u g i o , lia a p u ñ a l a d o al c o r t e s a n o Feliche, colgando el cadáver en la alcoba de su h i j a M e l i d a , y espera ansioso que a

la m a ñ a n a s i g u i e n t e llegue la duquesa M a r í a , ex m u j e r de A n d r u -gio, p a r a v i v i r d e f i n i t i v a m e n t e con ella. Apenas e n t i e r r a a la vícti-m a , Piero le hace f u g a z vícti-m e n t e el a vícti-m o r a M a r í a , sin saber que la venganza c o n t r a él ya e m p e z ó a tejer sus f i r m e s redes. Cuando A n t o n i o , el h i j o de A n d r u g i o , llegue a r e n d i r un t r i b u t o a la t u m b a de su p a d r e , se yergue el f a n t a s m a de éste, le revela su asesinato, c l a m a venganza y le a d v i e r t e que su m a d r e , la duquesa M a r í a , ha c e d i d o ante Piero.

En el escenario, A n t o n i o se c r u z a con el asesino y con su h i j o , J u l i o , q u i e n , p o r r c r a m i g o de aquél, se queda a platicar cordial-m e n t e ; p e r o A n t o n i o , p e n s a n d o que bien vale el c a cordial-m b i o de un h i j o p o r su p r o p i o p a d r e , le c o r t a a J u l i o la garganta, y sólo a medias satisfecho, esparce ¡a sangre sobre la t u m b a . Por la noche, M a r í a halla en su c a m a el f a n t a s m a de su d i f u n t o m a r i d o que le reprocha su l i v i a n d a d . Y p o r o t r a p a r t e , M e l i d a , h i j a de Piero, es acusada ele a d u l t e r i o p o r haberse h a l l a d o en su alcoba el cadáver del cor-tesano Feliche. En m e d i o del t e j i d o de asesinatos e intrigas, ella lucha p o r su h o n o r , p e r o le m i e n t e n diciéndole que A n t o n i o ha m u e r t o ; entonces la delicada e ingenua M e l i d a s u c u m b e de un ata-que al c o r a z ó n . Hasta ata-que llego la catástrofe f i n a l , la b u r l a maca-b r a que A n t o n i o p r e p a r a a Piero. Este supone que va a casarse con M a r í a en un baile de máscaras d o n d e unos cortesanos le piden de s ú b i t o que deje en l i b e r t a d a sus siervos, pues "desean h o n r a r l o ellos m i s m o s " ; en el p a r o x i s m o de f e l i c i d a d , Piero accede a todo y queda a m e r c e d de A n t o n i o y sus enmascarados secuaces, para quie-nes empieza el placer de una c a r n i c e r í a . Ellos atan a Piero, le arran-can la lengua, le presentan una v i a n d a con los m i e m b r o s de Julio ( a t r o c i d a d empleada ya p o r Shakespeare en T i t o A n d r ó n i c o ) , alzan sus estoques, lo persiguen y hieren con una l e n t i t u d estudiada y c u c h i l l e r a . Así, en el ú l t i m o instante, el f a n t a s m a de A n d r u g i o , que

ha c o n t e m p l a d o la escena, se r e t i r a c o m p l a c i d o .

Toda esta g r a n herencia de temas y espectáculos recibe Sha-kespeare. En sus m a n o s , la " v e n g a n z a " gana en riqueza, a m p l i t u d y p r o f u n d i d a d . El vengativo h i j o H a m l e t , m a t a n d o al nuevo rey, m a t a t a m b i é n a una especie ele padre; él m i s m o queda sujeto a la

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ley de venganza. No d i f i e r e del vengador Orestes, sujeto también a los t o r m e n t o s de la culpa. Pero esta m o d i f i c a c i ó n del terna cam-bia a s i m i s m o el n ú m e r o de vengadores: H a m l e t es el vengador que saltará sobre C l a u d i o , p e r o Laertes es el vengador que m a t a r á a H a m l e t . Las dos venganzas o c u r r e n al m i s m o t i e m p o , en una nue-va señal de la maestría de Shakespeare. Ya el Hamlet vengador, p o r eso, no se parece al vengador A n t o n i o de la o b r a de M a r s t o n ; A n t o n i o queda v i v o y libre, sin que lo persigan las f u r i a s o las som-bras de su c r i m e n , satisfecho y sonriente, c o m o héroe p r i m i t i v o y grosero que es. H a m l e t no podía q u e d a r vivo, pues el mal que había envuelto a sus padres, en una u o t r a f o r m a , debía aplastar i g u a l m e n t e a este nuevo regicida, c o m o había cié aplastar a Clau-d i o , o t r o regiciClau-da, y a Laertes, que osará levantarse c o n t r a el prín-cipe heredero.

Laertes exige una m e n c i ó n aparte. M i e m b r o de una f a m i l i a o t r o r a feliz, cuya desgracia empieza p o r un azar del destino ( H a m

-let m a t a sin p r e m e d i t a c i ó n a P o l o n i o ) y c o n t i n ú a con el desdichado espectáculo de su h e r m a n a demente, Laertes es personaje decisivo en la o b r a . " ¡ O h rosa de mayo, preciada niña, a m o r o s a h e r m a n a , dulce O f e l i a ! " , exclama al verla enloquecida. Su t e r n u r a es p r o f u n -da; su cólera, justa; su i n t r i g a , efectiva y t o r c i d a ; su arrepenti-m i e n t o , sincero. La arrepenti-m u e r t e de su h e r arrepenti-m a n a c o l arrepenti-m a para él todas las medidas; m u e r t e que la reina describe que sucedió " m i e n t r a s can-taba estrofas de antiguas t o n a d a s " , cuando sus " v e s t i d o s cargados con el peso del g i m i e n t e a r r o y o " adonde había caído, " a r r a s t r a -r o n p -r o n t o a la infeliz a una m u e -r t e cenagosa, en m e d i o de sus dul-ces c a n t o s " . V e r d a d que el i r a c u n d o y a su m o d o j u s t i c i e r o Laertes había lanzado ya su atroz g r i t o de f u r i a c o n t r a H a m l e t : " ¡ C o r -tarle e! cuello d e n t r o de la i g l e s i a ! " . Pero su cólera y sus maquina-ciones en c o m p a ñ í a de C l a u d i o para m a t a r al p r í n c i p e , su desleal-t a d en la escena del duelo a floredesleal-tazos, son culpas suficiendesleal-tes para ser a r r a s t r a d o t a m b i é n en la m o r t a n d a d .

Y p o r f i n , el m a n t o de la venganza se extiende aún más y c u b r e t a m b i é n a la reina, la m u j e r que t u v o un p r i m e r m a r i d o " tan a f e c t u o s o . . . que no p e r m i t í a a los vientos del cielo rozar con mu-cha v i o l e n c i a su c a r a " , y que, sin e m b a r g o , p o r su i n g r a t i t u d y su t r a i c i ó n al unirse con un " r i s u e ñ o y m a l d i t o i n f a m e " , es menos que un a n i m a l , pues " u n a bestia incapaz de r a c i o c i n i o h u b i e r a

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sen-t í d o un d o l o r más d u r a d e r o " , según dice el h i j o de ella. Por una sutil i r o n í a , puesto que la reina es menos perversa que débil ( " i n -decorosa, no c r i m i n a l " , la llama Eugenio María de Hostos), ella muere p o r un accidente, p o r un revés de f o r t u n a que sólo adquiere v i r t u d trágica cuando se parece a una intención — m é t o d o poco em-pleado en la antigüedad clásica. Recordad el e j e m p l o que nos evoca A l f o n s o Reyes, cuando la estatua de M y t i s , en Argos, cae durante un espectáculo sobre el responsable de la m u e r t e de Mvtis. De modo semejante, la copa envenenada llega p o r accidente, pero como si c u m p l i e r a una i n t e n c i ó n , a los labios de esa m u j e r que con sus des-viados actos q u i t ó " l a rosa de la hermosa frente de un amor p u r o " y puso ahí una llaga.

Tantos actos vengativos que abaten a un culpable cierto, como es C l a u d i o ; a una culpable incierta, amada y odiada por su víctima, c o m o la reina: a moralistas desaforados, más o menos pensativos, c o m o H a m l e t y Laertes: a un espía t o n t o , c o m o Polonio; a siervos indignos, c o m o Guildenstern y Rosencrantz; y a flores inocentes, c o m o Ofelia, precisaban de un orden civilizado de presentación, por más que al público isabelino le gustaron los espectáculos macabros. Unos debían m o r i r antes del acto f i n a l , donde hay muchos

cadáve-res. En el c a m i n o van quedándose yertos Polonio y ambos siervos; V además, dehía existir una dama joven, inevitable en las piezas de venganza. Uno de los excelentes aciertos de Shakespeare consiste en que la dama ¡oven sea hermana del h o m b r e que mata a Hamlet v en que ella muera antes del acto fina!, pues en esta clase de obras el a m o r no debía ser el tema p r i n c i p a l ; v es igualmente un acierto Que ella, envuelta en una " vaguedad d i v i n a " ( l o repite Hostos), enloquezca de veras, no f i n o i d a m e n t e c o m o H a m l e t , ya que siempre había locos en las piezas de venganza y ellos eran una parte del éxito.

Tantas modificaciones en la t r a m a y los personajes plantearon algunos problemas serios. El p r o b l e m a nacido de la coexistencia de dos vengadores fue resuelto, hemos dicho, hallando una misma escena para deshacerse de ambos; con el estoque envenenado la escena es repentina y efectiva. Casi al m i s m o tiempo, entre ironías y sorpresas, la reina bebe la copa destinada para su h i j o . Y en los m i n u t o s postreros de !a descomunal violencia mueren Claudio y H a m l e t . ¿Se habrá deshecho la f a m i l i a real de Dinamarca? ¿Se

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hun-d i r á el r e i n o en el caos'-' ¿Bastará que el " s e n c i l l o , noble y exce-lente H o r a c i o " , según palabras de Goethe, un simple amigo del b a n d o en m i n o r í a d e n t r o de la casa real, subsista para contar la

h i s t o r i a , ya que nc p a r a rev v r a un Y o o necesitamos a o t r c h o m b r e que nos ele u n a e n i e ' v - i n d u d a b l e de que el reino se man-tiene? M e n u d o p r o b l e m a r e - u e l r o sab arricete con la pre*encia del j o v e n F o r t i m b r á s y su e j é r c i t o , re n t;r ! o s ya desde el p r i m e r acto.

Así h a b r á alguien, con m a y o r a u t o r i d a d que H e - a r i o , para dirigirse a los espectadores y explicarles qué oasará después, alguien que o r d e n a r á grandes y justos funerales para Hamlet y dará la impre-sión de que el estado de D i n a m a r c a , en vez de h u n d i r s e , queda al f i n en buenas manes. Y el tercer p r o b l e m a , el de explicar c ó m o se e n t e r a el h i j o ele la m u e r t e de su padre, le ha r r - u e l t c ya la tradi-c i ó n del v i e j o a r g u m e n t o : él se entera del tradi-c r i m e n por el fantasma. N i n g u n a pieza de venganza podía ser c o m p l e t a sin un fantasma, por lo m e n o s .

Shakespeare, en una palabra, renueva y t r a n s f o r m a los ele-m e n t o s gastados de un vaste ele-m e l o d r a ele-m a . Sin eluda, sus principales a ñ a d i d o s al t e m a son:

( 1 ) los dos vengadores en vez ele u n o solo;

( 2 ) la h i s t o r i a de F o r t i n b r á s el joven, paralela al descubri-m i e n t o y castigo del c r i descubri-m e n ; he ahí el descubri-m u n d o p o l í t i c o de la o b r a ;

( 3 ) la mezcla de hechos perversos con los c o m e n t a r i o s c|ue de ellos hace H a m l e t , un intelectual con p r o f u n d a sensibilidad poé-tica: siendo en su m a y o r í a m o n ó l o g o s , dichos c o m e n t a r i o s sustitu-yen al a n t i g u o c o r o griego que subrayaba las acciones pasadas o presagiaba el f u t u r o , si bien surgen t a m b i é n en los diálogos con H o r a c i o , o t r o i n t e l e c t u a l ; d e b i d o al lenguaje rico, v i o l e n t o y t i e r n o de los c o m e n t a r i o s , el a r g u m e n t o a d q u i e r e una grandeza que en-g l o b a , además de los hechos perversos vistos en escena, la perver-s i d a d de t o d a la naturaleza h u m a n a , analizada p o r el gran juez de una época. La f i n g i d a l o c u r a del personaje no es más que una oca-sión p a r a que este juez a m a r g a d o y s a r d ó n i c o f u s t i g u e a los hom-bres y a su m e d i o ;

( 4 ) la o p o s i c i ó n e n t r e H a m l e t y la f a m i l i a de Polonio, aliado del rey, q u e t e r m i n a en la í n t i m a alianza del t í o asesino con Laer-tes, lo cual hace a u m e n t a r el p e l i g r o para H a m l e t ; y

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( ó ) f i n a l m e n t e , hay un c a m b i o en ia situación personal de la d a m a joven, quien ye r,o es la h i j a del asesino, c o m o en La ven-ganza de A n t o n i o , sino un m i e m b r o de esa f a m i l i a de Polonio que lia de c o n t r i b u i r a ia caída del héroe.

Estos añadidos no son todos, claro está; por encima de ellos hay que subrayar la o r i g i n a l i d a d con que Shakespeare ordena y d i v i d e el tema en tres partes: la p r i m e r a , que d u r a todo el primer acto, donde el estado de vaga desconfianza cia paso a la sospecha, m e r c e d a la declaración del f a n t a s m a ; la segunda, que abarca el segundo y tercer actos, donde Hamlet prueba la culpabilidad de C l a u d i o ; y la tercera y ú l t i m a parte, donde Hamlet y Laertes se vengan m u t u a m e n t e . En la sucesión de estas partes diferenciadas, el a r g u m e n t o avanza a través de obstáculos que en la crítica

aristo-télica se l l a m a n accidentes; pues bien, a pesar de que tales inci-dentes se aiejan de los cánones aristotélicos, la o b r a en c o n j u n t o adquiere una caiidaci c o m p a r a b l e a ia alcanzada p o r la tragedia griega. V e r d a d p o r e j e m p l o , que Aristóteles aconsejaba que las peripecias no debían m u l t i p l i c a r s e , ni molestar la unidad ele acción, al c o n s p i r a r c o n t r a la p r o b a b i l i d a d ciei tema. V e r d a d que la apa-r i c i ó n del fantasma, hecho de poapa-r sí i m p apa-r o b a b l e , fue aceptada como una convención del teatro isabelino y es f á c i l m e n t e aceptada por nosotros desde ei p u n t o ele vista a r t í s t i c o y no, desde luego, ideo-lógico. Pero, una p o r una, las tres intervenciones del fantasma son d r a m á t i c a s , o p o r t u n a s y funcionales. Por o t r a parte, Aristóteles

afir-maba que la anagnórisis era un paso súbito de la ignorancia al c o n o c i m i e n t o , pero que, de todos los tipos de anagnórisis, el de declaración era uno de ios menos eficaces, puesto que no brotaba de la acción. Sin embargo, Shakespeare emplea esta anagnórisis de declaración c u a n d o el f a n t a s m a revela el c r i m e n a H a m l e t . Es una anagnórisis anticipada y p r e p a r a t o r i a , débil si se quiere, aunque en seguida en la escena de la representación del "Asesinato de Gon-z a g o " , tenemos la segunda y verdadera, esta veGon-z de! t i p o de choque p a t é t i c o , c u a n d o la m e m o r i a de Claudio lo vende c o m o a un cri-m i n a l . En c u a n t o a los s u f r i cri-m i e n t o s o pathos trágico, exhibiciones ele hechos patéticos tales c o m o muertes, t o r t u r a s , riñas y asaltos. Aristóteles pedía que se nos d i e r a n " h a s t a donde lo toleren la ma-t e r i a l i d a d escénica y la resisma-tencia media a la b r u ma-t a l i d a d del acma-to". Los s u f r i m i e n t o s pueden ser escénicos o extraescénicos, según se

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les e x h i b e o no f r e n t e ai p ú b l i c o . En r i a m l c t . t exhiben ab.erta-m e n t e , en una ab.erta-m u e s t r a de sangre y violencia que, bien c o n t r o l a d a c o m o está, es un espectáculo a s o m b r o s o de la ¡ n a c i o n a l i d a d

hu-m a n a en vaivén c o n t i n u o f r e n t e a la razón. Respecto a los coros, el ú l t i m o t i p o de incidentes, hemos d i c h o ya que Shakespeare los m o d e r n i z a , a p r o v e c h a n d o su c o n d i c i ó n de v á l v u l a de la catharsis que t e n í a n en ei t e a t r o griego, y en s u s t i t u c i ó n de ellos nos da los c o m e n t a r i o s poéticos e irónicos del p r o t a g o n i s t a .

Por lo demás, aquel p r i n c i p i o de j e r a r q u í a según ei cuai el ar-g u m e n t o es la esencia de ¡a traar-geoia y su p r i m e r e l e m e n t o inter-n o , s i t u a d o p o r e inter-n c i m a de los persointer-najes y peinter-nsamieinter-ntos, es res-p e t a d o a medias res-por Shakesjseare, aun c u a n d o a veces siga la ten-dencia renacentista a s o b r e s t i m a r el personaje.

Sabernos que lo revelación uel u r g u . n e n i o o io^ c-jjjectadores en una sala de teatro se cia un c . e r i o o r d e n , de lo e x t e r n o a lo i n t e r n o . P r i m e r o está el espectáculo, la representación m i s m a ; luego, ei lenguaje y ios p e n s a m i e n t o s , a través de los que conoce-m o s a los personajes; y f i n a l conoce-m e n t e , sólo p o r este c a conoce-m i n o podeconoce-mos a b a r c a r toda la t r a m a . Si la r e p r e s e n t a c i ó n v o r í a según las épocas, gustos y nacionalidades de p ú b l i c o s y d i r e c t o r e s de escena, hay algo más o menos i n m u t a b l e e n t r e los elementos externos, y ese es el lenguaje, en c u y o examen no p o d r é d e t e n e r m e c o m o q u i s i e r a . Debe señalarse que dic'na revelación del a r g u m e n t o (el c r i m e n y su ex-p i a c i ó n ex-p o r culex-pables e i n o c e n t e s ) se da m e d i a n t e imágenes y me-táforas referentes a e n f e r m e d a d e s , malestares, d e c a i m i e n t o corjao-ral y d e s c o m p o s i c i ó n del m u n d o f í s i c o y m o r a l . La ¡dea de una úlcera o t u m o r p o d r i d o d o m i n a t o d o ei lenguaje, lo ha d i c h o la perspicaz Caroiine S p u r g e o n . El g l o b o t e r r á q u e o está desquiciado, cree H a m l e t , no solamente p o r q u e su m a d r e es " l a más inicua de

las m u j e r e s " y ama a q u i e n es una " a d ú l t e r a b e s t i a . . . con pérfi-das m a ñ a s . . . mañas m a l d i t a s . . . ( e s ) ese sapo, ese m u r c i é l a g o . . . la b a s u r a " , sino p o r q u e e n t r e elegir al padre de H a m l e t , compa-rable a A p o l o y J ú p i t e r , ' y un asesino y m a l v a d o , un m i s e r a b l e . . . un rey de f a r s a ; un salteador del reino y el p o d e r , que r o b ó de un anaquel la preciosa d i a d e m a y se la m e t i ó en el b o l s i l l o " , ella p r e f i r i ó al segundo, a este " r e y de parches y r e m i e n d o s " , para v i v i r c o n él " e n t r e el h e d i o n d o s u d o r de un lecho i n f e c t o , ence-negado en la c o r r u p c i ó n " . H a m l e t ve en el seno ele su m a d r e " u n a

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encallecida úlcera, m i e n t r a s la hedionda gangrena, m i n a n d o el in-t e r i o r , lo ( i n f e c in-t a ) in-tocio s o l a p a d a m e n in-t e " . Aun el m i s m o fanin-tasma dice que c u a n d o su h e r m a n o le v e r t i ó el veneno en el oído, sintió que " u n a lepra vil invadía m i carne delicada, cubriéndola por com-p l e t o de una infecía c o s t r a " . Para H a m l e t , Claudio es " l a com- podre-d u m b r e que contagió a su h e r m a n o bueno y s a n o " : el uno es " l a h e r m o s a c o l i n a " y el o t r o " e l cenagoso p a n t a n o " ; a Ofelia le acon-seja no ser m a d r e de pecadores, pues en " l a grosera sensualidad de los t i e m p o s " que viven, cada h o m b r e que nace sería un t r i u n f o del m a l . La concepción, según él, es un acto infame: " s i el sol en-gendra gusanos en un p e r r o m u e r t o , besando la carroña, siendo un d i o s . . . " ¿ c ó m o , entonces, la m u j e r concebirá más limpia-mente que el sol? Ante Polonio, entre burlas y veras, se queja de la decadencia m o r a l ele la época: " s e r h o n r a d o , tal corno anda hov el m u n d o , equivale a ser escogido uno entre diez m i l " .

Los discursos de H a m l e t refieren una lucha desigual entre el bien y el m a l , y la c o r r u p c i ó n y el hedor reinantes cuando t r i u n f a el segundo. En esta lucha entre un h o m b r e noble (su vencido p a d r e ) y un avispero de malvados, el más bellamente descrito de los ú l t i m o s no es un personaje de la o b r a , sino la atroz f i g u r a de P i r r o , el asesino de P r í a m o , un héroe legendario que brota en la competencia ele recitaciones entre Hamlet y uno de los ac-tores. P i r r o es, así, el a r q u e t i p o del héroe v i c t o r i o s o e i n j u s t o , ante el cual los personajes victoriosos e injustos que rodean a H a m l e t resultan ser pequeños y cobardes. He aquí el r e t r a t o de P i r r o , " c u y a s armas corvas, negras corno su intento, semejaban la noche c u a n d o yacía tendido sobre el fatal corcel; ahora muestra su h o r r e n d a y tenebrosa f i g u r a manchada de un blasón aún más f a t í d i c o . De pies a cabeza todo él es gules; teñido horriblemente con sangre de padres, madres, hijas e hijos, tostada y enfurecida p o r las hogueras de las calles incendiadas, que d i f u n d e n una sal-vaje y diabólica luz a la matanza de su señor. A r d i e n d o en cólera y fuego y así e m b a d u r n a d o de sangre coagulada, con unos ojos c o m o c a r b u n c l o s el infernal P i r r o corre en busca del anciano P r í a m o " .

El m u n d o del deudo Hamlet es sangriento ¿quién lo niega? Pero sobre este m u n d o que empezó con un c r i m e n y acabará en más crímenes, sobre cuya " m a s a i n m u n d a y tosca, con triste

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as-p e c t o b r i l l a h o r r o r i z a d o el s o l " , b r o t a la ironía c o m o la única at-m ó s f e r a en que puede sobrevivirse. E at-m b e b i d o el corazón en la i r o n í a , a más de la i n c r e d u l i d a d p o r los altos valores, la m u e r t e p i e r d e su s e n t i d o t r á g i c o y se vuelve una mueca o una b u r l a del d e s t i n o . H a m l e t sonríe al decirnos que las cenizas del héroe Ale-j a n d r o M a g n o sólo pueden servir para tapar un b a r r i l de cerveza. Q u i z á sea p o r su ánirno satírico que, si bien él m i s m o caiga va-rias veces en e! c r i m e n , no se manche c o m o los demás; "es pepita de o r o e n t r e un f i l ó n de vil m e t a l " ; a f i r m a su madre.

H a m l e t , debemos r e c o r d a r l o , sólo es una pieza de teatro; no es un t r a t a d o de f i l o s o f í a , ni de psicología, ni de p s i q u i a t r í a , ni de h i s t o r i a isabelina, ni de ética social. Pero en esta pieza teatral, a p r o v e c h a n d o el m é t o d o <u_ie!to y fácil de la época, en que un d r a m a t u r g o solía detener la acción para intercalar discursos sobre asuntos de interés general, Shakespeare se salió con frecuencia del tema para ciarnos sus ¡deas sobre el h o m b r e y el m u n d o . Y en esta d i s p e r s i ó n del tema reside lo fascinación intelectual y verbal de una o b r a c u y o c o n o c i m i e n t o divide nuestras vidas en dos: atrás queda la persona opaca que f u i m o s antes de su lectura o representación, y aquí está la persona d e s l u m h r a d a y henchida que somos después de conocerla.

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