Os determinantes da capacidade regional de inovação nas Regiões Periféricas da União Europeia

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Texto completo

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UNIVERSIDADE DOS AÇORES

OS DETERMINANTES DA CAPACIDADE

REGIONAL DE INOVAÇÃO NAS REGIÕES

PERIFÉRICAS DA UNIÃO EUROPEIA

Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Gestão de Empresas

(MBA) sob orientação do Prof. Doutor João Pedro Almeida Couto

Pedro Nuno Rebelo Pavão

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i A meus pais, Carlos e Gilberta

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Agradecimentos

Ao Professor Doutor João Pedro Almeida Couto por ter aceitado orientar este trabalho e toda a sua disponibilidade, empenho e apoio prestado ao longo deste percurso. O meu muito obrigado.

Ao Professor Hollanders pelo seu contributo ao disponibilizar o ficheiro com a base de dados do Painel de Avaliação da Inovação Regional de 2014

Um especial agradecimento aos meus pais pela revisão deste trabalho e por estarem sempre presentes, apoiando-me e incentivando-me, ao longo da minha vida.

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Resumo

A presente dissertação, à luz dos conceitos de sistemas de inovação, teve como objetivo a avaliação dos determinantes que afetam a capacidade de inovação ao nível regional com enfoque nas regiões periféricas da Europa, baseado no Painel Avaliação da Inovação Regional (RIS) de 2014.

Através do método quantitativo, de análise de clusters aplicada para verificar como as diferentes regiões se posicionam em termos de resultados de inovação e determinar que fatores as distinguem em termos de capacidade de inovação.

Os resultados apontam para a existência de quatro grupos de regiões. Os fatores identificados estão relacionados com a autonomia regional, nomeadamente o grau de autonomia, as competências regionais em matéria de política de inovação e a capacidade para influenciar a afetação de fundos estruturais. A centralidade apresenta-se como um fator relevante havendo distinção entre regiões periféricas e centrais. A localização geográfica em termos de latitude demonstrou ser um fator distintivo relevante e por último os critérios da política de coesão que a sua distinção permite identificar devidamente as regiões menos e mais desenvolvidas de acordo com sua capacidade de inovação, demonstrando a adequação do novo período de programação desta política regional europeia em matérias de política de inovação.

Palavras-chave: Sistema Regional de Inovação, Regiões Periféricas; Capacidade Regional de Inovação; Autonomia; Localização

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Abstract

This dissertation based on the innovation systems concepts aimed to evaluate the determinants affecting the innovation capacity at regional level focusing on the peripheral regions of Europe, based on the Regional Innovation Scoreboard.

Through the quantitative method, this dissertation is based on a cluster analysis applied to see how different regions stand in terms of innovation output and determine what factors distinguish them in terms of innovation capacity.

The results point for the existence of four groups of regions. The factors identified are related to regional level, namely the degree of regional autonomy, regional expertise on innovation policy and the ability to influence the allocation of structural funds. The centrality presents itself as a relevant factor having distinction between peripheral and central regions. The geographic location in terms of latitude shown to be an important distinguishing factor. Finally the criteria of cohesion policy that allows its distinction properly identify less and more developed regions according to their capacity for innovation, demonstrating the suitability of the new programming period of this European regional policy in matters of innovation policy.

Tabs: Regional Innovation systems, Peripheral Regions, Regional Innovation Capacity; Autonomy; localization;

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v Índice

Lista de Tabelas ... viii

Lista de Figuras ... x

Lista de Abreviaturas ... xii

INTRODUÇÃO ... 1

Capítulo I. Revisão da Literatura ... 5

1 Sistema Regional de Inovação ... 5

1.1 Origem e Relevância ... 5

1.1.1 Delimitação do conceito de Região ... 7

1.1.2 Fundamentação teórica ... 8

1.1.2.1 Definição de SRI ... 10

1.1.2.2 Elementos ... 13

1.1.2.3 Clusters Regionais ... 15

1.1.2.4 Clusters versus Sistemas Regionais de Inovação ... 16

1.2 Modelos de Produção de Conhecimento ... 18

1.3 Dinâmicas do Sistema Regional Inovação ... 20

1.3.1 Modelo da Tripla Hélice ... 20

1.3.2 Modelo da Quádrupla Hélice ... 22

1.3.3 Modelo da Quíntupla Hélice ... 23

1.3.4 Espaços de Inovação ou ambientes regionais de inovação ... 24

1.3.5 Inovação Aberta ... 24

1.3.5.1 Inovação aberta no nível regional ... 25

1.4 Importância do funcionamento em rede para as políticas públicas europeias atuais .. 25

1.5 Delimitação do Sistema Regional de Inovação ... 28

1.6 Importância da questão da localização na abordagem do SRI ... 29

1.7 O que explica as diferenças no desempenho regional? ... 29

1.7.1 Sistemas Regionais de Inovação em regiões periféricas ... 30

2 Capacidade de Inovação ... 34

2.1 Evolução concetual ... 35

2.1.1 Capacidade Nacional de Inovação ... 36

2.1.1.1 Abordagem Managerial ... 37

2.1.1.2 Abordagem organizacional... 37

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vi

2.1.1.4 Abordagem Institucional ... 37

2.2 Barreiras à Capacidade de Inovação ... 38

2.3 Determinantes da Capacidade Nacional de Inovação ... 39

2.3.1 O Modelo de Furman ... 39

2.3.2 Requisitos para uma boa capacidade nacional de inovação ... 41

2.3.3 Principais contributos dos estudos na área ... 42

2.4 Capacidade Regional/Territorial de Inovação ... 45

2.4.1 Caracterização da Capacidade Regional de Inovação ... 45

2.4.2 Determinantes da Capacidade Regional de Inovação ... 50

2.4.3 Determinantes da Capacidade Regional de Inovação na Periferia ... 52

Capítulo II. Modelo Conceptual e Hipóteses ... 54

Capítulo III. Metodologia ... 60

3.1 Fases do Trabalho... 60

3.2 Medição da Inovação ... 61

3.2.1 Medição do Sistema Regional de Inovação ... 64

3.2.2 Instrumentos de mensuração da inovação regional ... 64

3.2.2.1 A Estratégia 2020 e a Iniciativa União da Inovação ... 64

3.2.2.2 A Dimensão regional da União da Inovação ... 65

3.2.2.3 Os instrumentos de medição da Inovação Regional na U.E. ... 65

3.2.2.3.1 Importância do Painel Regional de Inovação ... 66

3.3 Desenvolvimento da Metodologia... 67

3.3.1 Seleção das Variáveis do Modelo ... 67

3.3.2 Fontes dos Dados ... 68

3.3.3 Variáveis Utilizadas ... 71

3.3.4 Métodos e Técnicas Aplicados ... 74

1ª Fase – Escolha e Caraterização da Variável Dependente ... 74

2ª Fase – Estatística Descritiva: Caraterizar as Variáveis Independentes ... 74

3ª Fase – Análise Multivariada: Análise de Clusters... 75

4ª Fase – Análise Multivariada: Testes de diferenças médias ... 75

5ª Fase – Tratamento de dados: Testes do Qui-Quadrado ... 75

6ª Fase – Tratamento de dados e interpretação dos resultados ... 75

Capítulo IV. Tratamento de Dados e Resultados ... 77

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vii

4.2 Variáveis Explicativas Introduzidas no Modelo ... 86

4.3 Análise de Clusters ... 94

4.4 Testes de Comparação Múltipla das Médias dos Grupos ... 98

4.5 Testes do Chi-Quadrado ... 99

4.6 Análise das regiões classificadas como periféricas e centrais face aos indicadores de clusters, latitude e coesão ... 104

4.7 Síntese ... 108

Discussão e Conclusões ... 110

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 115

ANEXOS... 121

Apêndice 1. Índices do RIS 2014 ... 122

Apêndice 2. Índice de Autonomia Regional ... 124

Apêndice 3. Índice de Acessibilidade ... 126

Apêndice 4. Índice Localização ... 127

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viii Lista de Tabelas

Tabela 1. Contributos das abordagens que suportam a teoria dos SRI ... 8

Tabela 2. Comparação sinótica entre cluster e sistema regional de inovação ... 17

Tabela 3. Emergência do Conceito de Capacidade de Inovação ... 34

Tabela 4. Evolução dos Indicadores de C&T e Inovação ... 63

Tabela 5. Cobertura Regional do PAIR (RIS) ... 70

Tabela 6. Variações de desempenho por grupos de desempenho regional ... 84

Tabela 7. Frequências do Grau de Autonomia Regional~ ... 88

Tabela 8. Frequências de Competências em Matéria de Política de Inovação ... 89

Tabela 9. Influência na Afetação de Fundos Estruturais ... 90

Tabela 10. Frequências por Latitude ... 91

Tabela 11. Frequências por Índice de Acessibilidade ... 92

Tabela 12. Frequências por Critérios de Elegibilidade para a Política de Coesão 2014-2020 .... 93

Tabela 13. Análise ANOVA Grupos de Regiões ... 94

Tabela 14. Médias dos Clusters dos Grupos de Regiões ... 95

Tabela 15. Distribuição das Regiões por Grupos de Aglomeração (Clusters) ... 97

Tabela 16. Diferenças Médias entre Grupos – Autonomia Regional ... 98

Tabela 17. Diferenças Médias entre Grupos – Coesão Económica ... 98

Tabela 18. Diferenças Médias entre Grupos – Geográfico-Espacial ... 99

Tabela 19. Latitude Versus Clusters ... 100

Tabela 20. Tabela de Contingência - Cluster Versus Latitude ... 100

Tabela 21. Chi-Quadrado Cluster vs. Latitude ... 101

Tabela 22. Centralidade versus Clusters ... 101

Tabela 23. Cluster Versus Centralidade ... 102

Tabela 24. Chi-Quadrado Cluster vs. Centralidade ... 102

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ix

Tabela 26. Cluster Versus Critérios de Coesão ... 103

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x Lista de Figuras

Figura 1. Abordagens que Suportam a Teoria dos Sistemas Regionais de Inovação ... 8

Figura 2. Análise Comparativa de Estudos em Sistemas Regionais de Inovação ... 12

Figura 3. Elementos do Sistema Regional de Inovação ... 13

Figura 4. Tipo ideal de Sistema Regional de Inovação ... 14

Figura 5. A Evolução dos Modelos da Criação do Conhecimento... 19

Figura 6. Modelo da Tripla Hélice ... 22

Figura 7. Modelo da Quádrupla hélice ... 23

Figura 8. Mapa das Regiões com Estratégias RIS3 ... 27

Figura 9. Modelização de um SRI Fragmentado: Regiões Menos Favorecidas ... 32

Figura 10. Abordagens que suportam o conceito de capacidade nacional de inovação ... 36

Figura 11. Abordagens da Capacidade de Inovação ... 36

Figura 12. Quadro capacidade nacional de inovação ... 40

Figura 13. Exemplos de estudos comparativos de capacidade regional de inovação... 46

Figura 14. Determinantes de Capacidade Regional de Inovação ... 55

Figura 15. Variáveis analisadas, tipos e fontes ... 74

Figura 16. Estrutura de Mensuração do Painel de Avaliação da União de Inovação ... 78

Figura 17. Comparação dos indicadores incluídos no IUS e no RIS ... 79

Figura 18. Distribuição dos grupos de desempenho regionais ... 80

Figura 19. Caraterísticas de desempenho dos grupos de desempenho regionais ... 81

Figura 20. Grupos de desempenho regionais PAIR 2014 ... 82

Figura 21. Ocorrência de grupos de desempenho regional por países ... 83

Figura 22. Variação dos grupos de desempenho regionais por países ... 84

Figura 23. Crescimento do desempenho regional de inovação ... 85

Figura 24. Médias variáveis do Painel de Avaliação do Inovação Regional 2014 ... 86

Figura 25. Índice Composto de Autonomia Regional ... 87

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xi

Figura 27. Competências em Matéria de Política de Inovação ... 89

Figura 28. Influência na Afetação de Fundos Estruturais ... 90

Figura 29. Classificação das Regiões NUTS2 por Latitude ... 91

Figura 30. Distribuição das regiões por Latitude ... 92

Figura 31. Distribuição das Regiões por Índice de Acessibilidade ... 93

Figura 32. Distribuição por Critérios de Elegibilidade para a Política de Coesão 2014-2020 .... 94

Figura 33. Regiões Associadas a cada Aglomerado (Cluster) ... 96

Figura 34. Centralidade face à Dimensão Localização Geográfica ... 104

Figura 35. Centralidade face à Dimensão Política de Desenvolvimento Regional ... 105

Figura 36. Centralidade face à Dimensão Autonomia Regional – Grau de Autonomia ... 106

Figura 37. Centralidade face à Dimensão Autonomia Regional – Competência regional em matéria de política de inovação ... 107

Figura 38. Centralidade face à Dimensão Autonomia Regional – Influência na afetação de recursos ... 107 .

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xii Lista de Abreviaturas

ANOVA Análise de Variância

C&T+I Ciência, Tecnologia e Inovação CI Capacidade de Inovação

CIS Inquérito Comunitário de Inovação (Community innovation survey)

CNI Capacidade Nacional de Inovação CRI Capacidade Regional de Inovação EPO Gabinete Europeu de Patentes ESS Inquérito Social Europeu EU2020 Agenda Europa 2020

FEDER Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional I&D Inovação e Desenvolvimento

IDE Investimento Direto Estrangeiro

NUTS Nomenclatura de Unidades Territoriais Para Fins Estatísticos OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico PAI/EIS Painel Avaliação da Inovação/European Innovation Scoreboard

PAIR/RIS Painel Regional de Inovação/Regional Innovation Scoreboard

PAUI/IUS Painel Avaliação da União de Inovação/Innovation Union Scoreboard

PIB Produto Interno Bruto

PME Pequenas e Médias Empresas QCA Quadro Comunitário de Apoio RMF Regiões Menos Favorecidas SI Sistema de Inovação

SNI Sistema Nacional de Inovação SPI Sociedade Portuguesa de Inovação SRI Sistema Regional de Inovação

TIC Tecnologias de Informação e Comunicação USPTO Gabinete de Patentes dos Estados Unidos

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1 INTRODUÇÃO

Nos modelos de desenvolvimento económico de economias abertas e de mercado é assumido pela generalidade dos autores, em especial para os discípulos da corrente neo-schumpeteriana, que a inovação é considerada como um elemento crucial e motriz do progresso. A inovação é vista como o fator chave para promover as dinâmicas que levam ao crescimento económico e emprego.

A capacidade de inovação (CI) tem um papel crucial na determinação sobre quem prospera na esfera global. Para as empresas, a inovação tem o poder para estabelecer vantagens competitivas no contexto do aumento da globalização.

Para países, a capacidade de inovação é a fonte da prosperidade e crescimento (Belitz; Clements; Schmidt-Ehmcke e Jens Werwatz, 2008). Deste modo, os objetivos nacionais podem ser alcançados aumentando a produtividade e atraindo investimentos para sustentar melhorias contínuas dos padrões e qualidade de vida.

Assim, a capacidade de inovação permite obter informações relevantes sobre as dinâmicas de invenção existentes na atividade económica. Pode ser um elemento precioso para políticos e estudiosos compreenderem melhor as alterações ocorridas nos padrões de invenção, tecnológicos e de competitividade de um dado território.

Mais recentemente, na abordagem territorial, o enfoque no conceito de inovação regional e sistemas regionais de inovação (SRI) tem vindo a ganhar terreno progressivamente, entendendo-se que a base local é fundamental para o desenvolvimento mais harmonioso. A capacidade regional de inovação (CRI) permite obter pistas sobre a relação que tem com os principais fatores de invenção. Deste modo, a capacidade de inovação de um dado território estará ligado às características específicas de cada território, com base num conjunto de fatores/dimensões desse processo.

No caso do presente estudo, será aplicada a abordagem territorial na dimensão regional aplicada às regiões europeias, com posterior enfoque sobre as regiões periféricas, analisando-as à luz dos indicadores do RIS (Regional Innovation Scoreboard), para aferir em função destes o seu desempenho em termos de capacidade de inovação e compará-las entre si.

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2 Enquadramento e Relevância

O conceito de capacidade de inovação foi introduzido por Suarez-Villa (1990 ) com o intuito de medir o nível de invenção e o potencial para a inovação numa nação. De acordo com este autor, medir a capacidade de inovação pode fornecer informação importante acerca das dinâmicas de invenção na atividade económica. Este conhecimento pode ser utilizado pelos decisores políticos e académicos, para melhor compreenderem as mudanças nos padrões de invenção, tecnologia e competitividade. A capacidade nacional de inovação permite fornecer informação comparativa relativa ao processo evolucionista da atividade inventiva, assim como informação sobre as suas relações com os fatores primários da invenção. Deste modo, a capacidade de inovação de uma área territorial está ligada às dinâmicas territoriais de inovação, legais e/ou individuais, e está condicionada pelas características específicas de cada área, baseada nos cinco grupos de fatores/dimensões deste processo crucial.

Atualmente, estudos a nível regional são mais importantes para a economia global que os estudos ao nível nacional e tornaram-se um ponto central das atividades económicas (Zhou, 2012). Deste modo, para se compreender os determinantes da CNI (Capacidade Nacional de Inovação), é importante aprender sobre os fatores da capacidade de inovação ao nível regional, os quais por seu turno são os principais estimuladores da CNI. Desde que este conceito foi estabelecido, que muitos estudos surgiram para investigar os determinantes ao nível nacional (Furman, Porter e Stern 2002; Natário, Couto, Tiago e Braga 2007 , 2011 ). Zhou (2012) refere que, contudo, começaram a surgir estudos com enfoque no nível regional preocupados, inclusive, com regiões de diversos países, regiões fronteiriças com mais do que uma nação ou uma região de uma nação.

Propósitos e Objetivos do Estudo

Devido à crescente importância do nível regional nas políticas públicas da União Europeia, esta pesquisa incidirá nos determinantes da capacidade de inovação nas regiões da União Europeia, complementado com um enfoque na análise das regiões periféricas. As dinâmicas regionais de inovação requerem o funcionamento eficiente dos sistemas regionais de inovação (Natário, Couto, Braga e Tiago, 2011 , exemplificando os estudos de Doloreux, 2004; Asheim e Gertler, 2005; Trippl, 2006; Cooke, 2008), a articulação de

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redes dos agentes/atores presentes no território, as interações entre empresas, instituições públicas e de ensino superior, na estrutura do modelo da Tripla Hélice (Etzkowitz, 2003). Acrescentam que estas dinâmicas procuram mobilizar as fontes da inovação dentro e fora das empresas, assim como dentro e fora da região numa ótica de inovação aberta.

Para estimular a sua capacidade de inovação, os países necessitam de estabelecer um compromisso constante e envolver-se ativamente com as suas instituições e organizações, investir em educação e qualificação, valores de abertura e compromisso com o investimento e colaboração. Ao nível regional no estudo de Natário, Couto, Tiago (2012) provou-se que as variáveis educação, financiamento e processo de inovação são fatores relevantes. Assim, ao nível regional deve-se igualmente estimular aspetos educativos, promover uma política regional de financiamento público de I&D (Investigação e Desenvolvimento) e promover projetos de inovação com coordenação partilhada entre as companhias.

Mas que outros aspetos se devem ter em atenção como fatores relevantes com influência sobre a capacidade regional de inovação?

Com base em literatura e conceitos teóricos, um vasto leque de determinantes ou fatores explanatórios do grau de capacidade de inovação das regiões pode ser compilado. Partindo do pressuposto que o grau de inovação de uma região está refletido na sua capacidade de inovação e dinâmicas de inovação, este estudo visará avaliar os fatores que influenciam a capacidade regional de inovação entre as diferentes regiões da europa. Para tal procurar-se-á aferir padrões comuns nas diferentes regiões periféricas da europa no que respeita a capacidade de inovação face às restantes; verificar como as diferentes regiões periféricas se encontram posicionadas em termos de resultados de inovação; e determinar quais os fatores que distinguem a capacidade de inovação das diferentes regiões.

Ao nível regional, Natário, Couto, Tiago (2011), acrescentaram ao modelo de Furman et al (2002) mais algumas variáveis explicativas, nomeadamente a capacidade institucional e a cultura nacional.

O objetivo passa por comparar as regiões europeias para verificar os clusters subjacentes e aferir as características que as distinguem. Para tal, partindo do Painel Regional de Inovação, analisou-se a capacidade de inovação em termos de comportamento inovador

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das Pequenas e Médias Empresas e diversos fatores são analisados para identificar e diferenciar a capacidade de inovação das diversas regiões, com o objetivo último de diferenciar as regiões centrais das periféricas.

Estrutura da Dissertação

O presente estudo inicia-se com uma revisão de bibliográfica com a introdução dedicada ao enquadramento do tema da capacidade de inovação na literatura da inovação, apresentando a evolução do tema, as diversas ramificações abordadas e as tendências atuais.

Integrando a revisão da literatura, no capítulo I, partindo da abordagem territorial da inovação aborda-se o tema da capacidade de inovação em concreto. Parte-se da abordagem dos sistemas regionais de inovação para enquadrar a abordagem da capacidade de inovação, analisando este tema nas dimensões nacional e regional evidenciando-se as diferenças entre ambas, concluindo num último ponto com enfoque na questão das regiões periféricas

O capítulo II será dedicado à apresentação do modelo concetual da pesquisa e das hipóteses a testar, definidas com base na revisão bibliográfica efetuada.

No capítulo III será descrita a metodologia prosseguida no estudo, as diversas fases percorridas, as fontes dos dados recolhidos, a descrição das variáveis adotadas e por últimos os métodos e técnicas estatísticas utilizadas para tratar a informação.

De seguida, no capítulo IV, serão tratados os dados de acordo com o descrito no capítulo IV e analisados os resultados obtidos. O estudo será finalizado com a discussão dos resultados e conclusões

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5 Capítulo I. Revisão da Literatura

Este capítulo apresenta a revisão de literatura desta tese. Em primeiro lugar expõe alguns conceitos relacionados com a CRI, nomeadamente os sistemas regionais de inovação, que consistem na abordagem sistémica da teoria da inovação ao nível regional. Efetuou-se assim uma revisão da definição, estrutura e dinâmicas do SRI explorando os estudos de diversos autores nestas áreas, em especial os que aplicaram a temática à questão das regiões periféricas.

No ponto seguinte, dedicado à capacidade de inovação, efetuou-se uma revisão das definições e estrutura da CRI/CNI, e sua relação e enquadramento na teoria dos SRI. Analisou-se o conjunto de estudos comparativos dos determinantes da capacidade de inovação desenvolvidos por diversos autores, a maioria dos quais, aplicados ao nível nacional embora mais recentemente tenham começado a surgir estudos comparativos entre diversas regiões, contudo a aplicação do tema às periferias continua pouco explorada.

1 Sistema Regional de Inovação

Para enquadrar melhor a CRI é importante compreender as suas origens e neste aspeto o conceito de Sistema de Inovação, em especial, na sua dimensão regional, é fundamental.

1.1 Origem e Relevância

Segundo Asheim e Gertler (2006), este conceito emergiu numa época de enfoque das políticas em sistemas de promoção de processos de aprendizagem localizados para assegurar vantagens competitivas das regiões.

Esta abordagem tem vindo a ganhar popularidade desde que Cooke, Uranga e Etxeberria (1997) se propuseram investigar os sistemas de inovação ao nível regional assim como nacional e global. De facto, como Zhou (2012) refere, com a emergência do conceito de Sistema Nacional de Inovação (SNI), os investigadores já haviam notado que as regiões dentro de uma nação podem igualmente apresentar sistemas de inovação distintos ou idiossincráticos exemplificando os casos dos estudos de Howells (1999) e Lundvall

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(1992). Com Sistemas de Inovação Regionais efetivos, o Sistema de Inovação Nacional de um país pode ser mais facilmente formado e implementado (Chung, 2002) especialmente em grandes países.

De acordo com SPI (2005), o conceito de Sistema Regional de Inovação desenvolvido na década de 90 por Philip Cooke, emerge como um instrumento analítico de grande utilidade para uma melhor compreensão dos processos territorializados de desenvolvimento socioeconómico. A evolução desde o Cluster Regional, para o Sistema Regional de Inovação, implica o reforço da cooperação e colaboração entre acores e a existência de uma infraestrutura institucional de apoio adequada. Adianta que o Sistema Regional de Inovação é um sistema social, o que significa que a Inovação é o resultado de interações sociais entre atores.

Zhou (2012) refere que alguns autores consideram SRI um subconjunto do SNI. Acrescenta que outros autores discordam pois considerarem que o SNI não é a simples soma de SRI’s dentro de um país e desta forma, o SRI é mais do que um mero subconjunto.

Sobre a importância do estudo a nível regional, Zhou (2012) destaca as seguintes razões: o SNI foca-se mais no papel das instituições nacionais nas atividades de inovação, enquanto o papel das regiões é enfatizado no fornecimento de facilidades locais e infraestrutura de conhecimento para o desenvolvimento da inovação. O autor acrescenta que a infraestrutura local é mais importante para os atores da inovação que se encontram incorporados localmente. Em segundo lugar, cita de la Mothe e Paquet (1998), os quais observam que se desejarmos identificar um sistema dinâmico que estimule a inovação, o SRI é o mais apropriado.

Asheim e Isaksen (1997) defendem igualmente que as regiões são a escala mais apropriada para aplicação da meso-análise do SI, nível de análise com popularidade crescente, com a emergência das atividades diferenciadas regionalmente e o surgimento das políticas de inovação regionais. Desta forma, o SRI pode prevenir contra o problema da concentração geográfica injusta de tecnologia e capacidade económicas, especialmente no caso de países centralizados. Para além disso, Zhou (2012) refere que a intensidade de inovação varia não só entre os países, mas também entre regiões subnacionais, tais como estados e províncias. Por último, refere que o recurso à análise regional permite reduzir a relevância e utilidade do conceito de sistemas de inovação nacionalmente demarcados.

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Este autor, com base em diversos exemplos, apresenta evidências que demonstram a importância da análise ao nível regional e que a diferença básica entre o SRI e o SNI consiste nos limites do Sistema de Inovação.

Dado ser esta a diferença básica, importa identificar os limites para clarificar o que entende por SRI e o porquê de este ser a abordagem apropriada para investigar a CRI.

1.1.1 Delimitação do conceito de Região

Cooke (2001) considera a região como um dos conceitos chave do SRI e a sua definição determina os limites do SRI. Ou seja, para definir o SRI é necessário clarificar o conceito de região. Zhou (2012) refere que na abordagem do SRI, o termo região foi aplicado em diversas escalas, apresentando diversos exemplos, como na Dinamarca (Cornett, 2009), província canadiana do Quebec (Doloreux, 2003), várias cidades (Simmie, 2001), distritos industriais (Asheim e Isaksen, 2002). Escolher a escala mais apropriada depende do objetivo do estudo.

Para definirem o conceito de região, Cooke e Memedovic (2003) apresentaram quatro critérios: (1) têm de ter determinado tamanho; (2) ser homogéneas em termos de critérios específicos, (3) ser distinguível das áreas fronteiriças por uma associação particular e (4) possuir algum tipo de coesão interna. Em consonância com estes critérios, Cooke e os colegas (1998) descreveram a região como um território menor que o estado soberano, possuindo um poder e coesão supralocal distintivo ao nível administrativo, cultural, político ou poder económico, diferenciando-a do estado e outras regiões. Cooke et al. (1997) referem que esta definição de região é uma unidade de nível meso, geograficamente definida, administrativamente suportada ao longo de diferentes trajetórias através da combinação de forças culturais, políticas e económicas que podem intervir e suportar o desenvolvimento da inovação.

Zhou (2012), fundamentando-se em estudos como o de Edquist (2004), considera que, quando, definindo região no que respeita aos processos de inovação, tanto as fronteiras administrativas como as áreas geográficas devem ser consideradas. Deste ponto de vista o termo “região” no SRI é uma questão de redes localizadas com elevada coerência e orientação para dentro de um dado território.

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1.1.2 Fundamentação teórica

Figura 1. Abordagens que Suportam a Teoria dos Sistemas Regionais de Inovação

Tabela 1. Contributos das abordagens que suportam a teoria dos SRI

Fonte: autor com base em Natário et al (2011)

A bor dag ens do SR I Teoria Economica Evolucionsita (Nelson e Winter (1982) Sistemas de Inovação (Cooke et al (1997)

Ciencia Regional (Doloreux e Parto (2005); Cooke e

Memedovic (2003)

Abordagem Autor Contributos

Teoria económica evolucionista

Nelson e Winter, 1982)

Destacam o papel da incerteza

Sistemas de Inovação Cooke et al (1997) Fornece a abordagem mais holística

Ciência Regional Doloreux e Parto, (2005), (Cooke e Memedovic, 2003)

Explicitação para o desenvolvimento do ambiente socioinstitucional Doloreux e Parto, (2005), tais como aglomeração, urbanização e industrialização (Cooke e Memedovic, 2003)

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Para Doloreux (2002), o SRI resulta da integração territorial, infraestrutura institucional e sistema de produção. Há que acrescentar que a raiz do desenvolvimento do SRI derivou quase inteiramente da ciência regional e da geografia económica (Philip Cooke, 2001). A esse respeito acrescenta que a teoria económica evolucionista, a ciência regional, o conceito de distritos industriais, a teorização de estratégias de racionalização e o conceito de governança são importantes elementos substantivos teóricos (Philip Cooke e Memedovic, 2003).

Segundo Zhou (2012), o SRI recai em três abordagens distintas: (1) a teoria económica evolucionista (Nelson e Winter, 1982), que enfatiza o papel da incerteza, (2) os Sistemas de Inovação (Cooke et al, 1997), que fornecem uma abordagem mais holística e (3) a ciência regional e as suas explicações do desenvolvimento do ambiente socioinstitucional (Doloreux e Parto, 2005), tais como a aglomeração, urbanização e industrialização (Cooke e Memedovic, 2003).

Zhou (2012) prossegue, avançando que não existe uma fundamentação implícita para o foco primário do SRI, o que leva a combinação das teorias existentes nos estudos do SRI. Exemplifica Dosi (1988), o qual refere que a inovação é um processo não linear e interdependente e é o resultado de interações entre inúmeras instituições, tais como as interações entre empresas incorporadas num contexto específico. Em tais situações a abordagem evolucionista é útil para compreender os padrões da mudança entre empresas e outras organizações, e consequentemente, regiões e nações. Em termos de disparidades geográficas do ambiente de inovação, a pesquisa e teoria em ciência regional ajudam a investigar a mudança de ambiente institucional.

Zhou (2012) afirma que até onde o SI está preocupado, ele reconhece explicitamente o complexo de interações entre vários elementos do processo de inovação. Desta forma, mais do que uma teoria, o SRI consiste numa abordagem analítica multidisciplinar que pretende retratar a forma como o desenvolvimento tecnológico ocorre dentro de um território.

Cooke, Uranga e Etxebarria (1997) identificam e analisam três formas institucionais chave do SRI facilitadoras da inovação sistemática a nível regional: a cultura produtiva; a capacidade financeira e a aprendizagem institucional

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10

1.1.2.1Definição de SRI

Para Cooke et al (1997), a visão sistémica do SRI/SNI pode ser vista de dois prismas. Este autor e seus colegas (1997, 1998) apontam que o SRI consiste em empresas e outras organizações sistematicamente comprometidas numa aprendizagem interativa que incorporam um ambiente institucional específico.

Cooke et al (1997) considera que intelectualmente é possível especificar o sistema de inovação em termos de modelos abstratos, para incluir elementos organizacionais chave e relações entre eles. Refere que as relações entre eles podem ser especificadas em termos de fluxos de conhecimento e informação, fluxos de fundos de investimento, fluxos de autoridade e arranjos ainda mais informais como redes, clubes, e parcerias. O autor acrescenta ainda que pode ser colocada em hipótese, a existência de tipos de interação que formam o sistema que podem ser fortes e fracos, regulares e irregulares, intenso ou relaxado. Estas hipóteses originarão tipologias de sistemas. Adianta que podem ser hierárquicos, heterárquicos (em forma de rede), policêntricos (bottom-up),ou dualistas. Asheim e Isaksen (1997) acrescentaram, que o SRI consiste numa estrutura de produção (estrutura tecno-económica) e infraestrutura institucional (estruturas político-institucionais).

Doloreux (2002) identifica três factos no SNI. É um sistema essencialmente social (1). Envolve interações (2) entre diferentes setores (públicos e privados) de forma sistémica. O padrão sistémico de interações (3) é expressado de forma a aumentar e salientar as capacidades de aprendizagem localizadas da região.

Chung (2002) definiu SRI como um complexo de atores e instituições de inovação de uma região que estão diretamente relacionados com a geração, difusão e apropriação de inovação tecnológica, assim como as inter-relações entre estes atores de inovação. Para SPI (2005), o processo de inovação faz intervir numerosos agentes, (empresas, centros de investigação, decisores políticos). Impõe também a criação de sinergias entre as várias políticas, (empresarial, de formação e investigação e desenvolvimento tecnológico). Este conjunto de atores e interações pode ser analisado como um Cluster regional, especializado nas áreas da Inovação, do conhecimento e da transferência de tecnologia. Assim, o SRI tem como base este Cluster, que resulta de processos mais ou

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11

menos espontâneos, aliando-se uma componente de planeamento, de estratégia e de suporte institucional Cooke (1998 ).

Segundo Cooke (1998) , o conceito de SRI, desenvolvido nos anos 90, emerge como um instrumento analítico de grande utilidade para uma melhor compreensão dos processos territorializados de desenvolvimento socioeconómico. A evolução deste Cluster para SRI implica o reforço da cooperação e colaboração entre atores e a existência de uma infraestrutura institucional de apoio adequada. A SPI (2005) acrescenta que o SRI é assim um sistema social, o que significa que a Inovação é o resultado de interações sociais entre atores.

De acordo com SPI (2005), SRI define-se como o conjunto de relações económicas, políticas ou institucionais entre empresas e destas com um leque alargado de instituições que as apoiam nas suas atividades de inovação. Estas relações ocorrem numa determinada área geográfica, proporcionam um processo de aprendizagem coletiva e conduzem a uma rápida disseminação de conhecimento e de boas práticas. Este sistema será a peça que define a eficiência e a eficácia do processo de inovação e de desenvolvimento e transferência de conhecimento entre os diferentes atores de uma região.

Analisando o conjunto dos contributos dos diversos atores acima descritos Zhou (2012) identifica que o SRI é (1) um sistema social; (2) envolve interação entre os diversos conjuntos de atores; (3) através das interações, permite estimular o desempenho de inovação da região. Assim, como elementos mais importantes do SRI considera o ambiente institucional, os atores de inovação e as atividades interativas que ligam estes dois elementos.

Sobre a questão das interações, Zhou (2012), na sequência do estudo, alargou a definição das interações na abordagem dos sistemas de inovação. Conclui que as interações entre os fatores influenciadores diretos, tais como investimento financeiro e IDE (Investimento Direto Estrangeiro), IDE e transferência de tecnologia doméstica, deveriam também ser incluídos na definição de interação.

Diversos estudos foram desenvolvidos no âmbito dos sistemas regionais de inovação, dos quais Doloreux e Parto (2005) sintetizaram os principais trabalhos e respetivos contributos (Figura 2)

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12

Figura 2. Análise Comparativa de Estudos em Sistemas Regionais de Inovação

Estudo (Autores) Regiões Objetivos Principais Resultados/Lições

Regional clusters-driven

Innovation in Canada (REGIS) (Cooke et al., 2000)

11 Regiões da U.E. e no leste e centro da europa (Baden-Wurttenberg, Valónia, Brabant, Tampere, Centro, Fejer, Baixa Silésia, País Basco, Friuli, Styria, Gales)

Explora teoricamente as

dimensões chave

organizacionais e institucionais que fornecem os sistemas regionais de inovação.

Alto detalhe das diferentes regiões em termos de desempenho de inovação potencial para regiões fortes e fracas.

European Regio-nal Innovation Survey (ERIS) (Stemberg, 2000) 11 Regiões europeias (Viena, Estocolmo, Barcelona, Alsácia, Baden, Baixa Saxónia, Gironde, Holanda sul, Saxónia, Eslovénia, Gales sul)

Estuda os pressupostos qualitativos e quantitativos dos determinantes para o potencial de inovação de qualquer região assim como as ligações inovadoras e as conexões em rede entre os diferentes atores

Atividades de inovação e processos de inovação empresariais podem ser vistos como processos em rede, nos quais negócios e interações com outros parceiros desem-penham um papel significativo

SME policy and the regional dimension of innovation (SMEPOL) Asheim et al. 2003; Todling e Kaufmann, 2001)

9 Regiões europeias (Norte da Noruega, Sudeste Nor-uega, Alta Austria, Região do Triângulo, Lombárdia, Limburgo, Valónia, Valên-cia, Herfordshire)

Investigam como as PME's inovam e em que extensão elas estão contado com ou-tras empresas e organizações em suas atividades de inovação

Atividades invoadoras das PME's estão re-lacionadas principalmente com a inovação incremental e estratégias defensivas; inter-ações são principalmente entre consumido-res e fornecedores; as ligações de inovação das PME's são mais confinadas para a região. Nordic SMEs and

Regional

Innovation systems

(Asheim et

al.,2003)

13 regiões nórdicas (Oslo, Estocolmo, Hensínquia, Gotemburgo, Malmo/Lund, Alborg, Stavanger, Linkoping, Jyvaskyla, Horten, Jaeren, Salling, Regiões Islandesas)

Exploram a existência de similaridades e diferenças entre os clusters regionais de PME's em diferentes regiões dos países nórdicos

No contexto do cluster nórdico, iniciativas nos arranjos sociais em rede, provaram especialmente ser um caminho de sucesso para alavancar e assegurar capital social e confiança. Além disso, as PME’s é que desenham, principalmente na base de conhecimento analítico e inovam através da ciência impulsionada pela I&D (por exemplo, biotecnologia) tendem a colaborar com parceiros globais em busca de novo e único conhecimento. PME’s que, principalmente desenvolvem numa base de conhecimento sintético e inovam por meio de base em engenharia pelo usuário-produtor tendem a aprender a colaborar mais com os parceiros regionais. Regional clusters-driven innovation in Canada (Wolfe, 2003; Holbrook e Wolfe, 2002)

Estudo de caso de clusters com 9 regiões (biomédico: Toronto, Montreal, Vancouver, Calgary; multimédia: Toronto, Montreal, Vancouver; indústria cultural: Toronto, Montreal, Vancouver; photonics e wireless: Otava, Waterloo, Calgary, Quebec; TIC: Otava, regiões atlânticas; produtos de madeira: Kelowna, Quebec, Canadá Atlântico; Comida e bebidas: Toronto, Okanagan, Quebec, Canadá Atlântico; automóvel e aço: Ontario sul; metalurgia: Beauce

Identificam a presença de

uma concentração

significativa de empresas na economia local e compreendem o processo

pelo qual estas

concentrações industria-região da atividade económica estão gerindo em transição para formas mais intensivas de conhecimento de produção.

Existem Dois Tipos de Modelos de Clusters Emergentes; (1) as regiões embutidas e as regiões ancoradas onde a base de conhecimento / ciência local representa a maior geradora de novos ativos de conhecimento exclusivo; (2) as regiões de entreposto onde grande parte da base de conhecimento necessária para a inovação e a produção é adquirida por meio de operações de mercado simples, muitas vezes a partir de fontes não-locais

Regional

innovative clusters (OECD, 2001)

10 Clusters regionais europeus: clusters regionais TIC na Finlândia, Irlanda, Dinamarca, Espanha, Flandres e Holanda; clusters regionais maduros: agroalimentar (Noruega) construção (Dinamarca, Holanda e Suíça)

Questiona, a relevância dos clusters regionais na política de inovação

Clusters regionais em todos os agrupamentos de país / região são ambientes de variação e seleção que são inerentemente diferentes; clusters regionais podem transcender níveis geográficos

Fonte: Doloreux e Parto (2005)

Com base nestes pressupostos, os ambientes institucionais são o contexto da inovação, no qual todas as atividades de inovação estão integradas; atores de inovação são onde as

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13

inovações tomam forma e os objetos para os quais os arranjos institucionais são feitos; e por último as interações são as atividades chave através das quais se ligam os atores de inovação com o ambiente institucional.

Figura 3. Elementos do Sistema Regional de Inovação

Fonte: Zhou, 2012

Zhou (2012) apresenta esta relação destes três elementos de forma sintética na Figura 3.

1.1.2.2Elementos

Para Chung (2002 ), tal como no caso do SNI, o SRI é composto por 3 grupos de atores: Universidades, empresas industriais e instituições públicas de investigação.

Por sua vez Asheim e Isaksen (1997), acerca dos elementos do SRI referem que este inclui diferentes atores e respetivas interações assim como, uma infraestrutura de suporte e de informação desenvolvida, envolvendo pequenas e grandes empresas, cadeias de valor setoriais, redes, consultores, instituições de apoio, centros tecnológicos, universidades, centros de formação, laboratórios, entidades financiadoras, agências de desenvolvimento, etc., que moldam a sua atividade de acordo com as necessidades específicas do tecido empresarial da Região. SPI (2005 ) refere especificamente que assim sendo, a inovação pode ser gerada, não só por universidades, centros de investigação, ou laboratórios, tradicionalmente associados à temática, mas também por outros atores, em diferentes processos de interação. O SRI é o que faz com que este “todo” seja maior do que a soma das partes individuais isoladas.

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14

Figura 4. Tipo ideal de Sistema Regional de Inovação

Fonte: Engelhardt (2012), adaptado de OCDE (2008) e Cooke e Piccaluga, 2004

SPI (2005) refere que o SRI gera ativos evidentes, que são fruto da atividade comum dos atores envolvidos. Estes ativos podem medir-se pelos níveis de conhecimento gerado ou pelo seu fluxo. Os atores do sistema dispõem de uma visão clara das tendências tecnológicas, permitindo uma mais rápida identificação de oportunidades de mercado para melhorias nos produtos ou nos processos.

Hollanders et al. (2014) acrescenta que não existe um padrão comum para definição do SRI. Refere que contudo, existe uma concordância na literatura que o sistema de inovação é feito de componentes que são atores (organizações e instituições) e as ligações ou relações entre os atores. Braczyk et al. (1998) e Cooke et al. (1992) propuseram o conceito de SRI para examinar como a governança, aprendizagem institucionalizada e cultura podem ter impacto na inovação ao nível regional. A abordagem dos sistemas de inovação foca-se no facto de que as empresas não inovam isoladamente, mas em colaboração e interdependência com outras organizações tais como outras empresas, universidades e institutos de investigação governamentais (Edquist, 2005). Os fatores explanatórios-chave são as combinações de instituições envolvidas - e as suas interações - que determinam os processos de acumulação de capital e tecnologia e criam crescimento (Uyarra, 2010). Existe uma clara ligação entre a definição dos sistemas nacionais de inovação e o SRI. Lundvall (1992) advoga que “ a estrutura de produção” e “ o alinhamento institucional” são duas das mais importantes dimensões que “conjuntamente

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15

definem o sistema de inovação”. Todtling e Trippl (2005) acrescentam uma dimensão política aos subsistemas existentes e mostra as ligações e fluxos entre subsistemas via difusão do conhecimento da inovação.

1.1.2.3Clusters Regionais

Segundo Ramos (2005), possuindo uma filiação industrial, a noção de cluster é um conjunto territorializado de empresas inter-relacionadas, de fornecedores especializados, de prestadores de serviços, de empresas pertencentes a industrias relacionadas e de instituições associadas, que desenvolvem as suas atividades, promovendo externalidades que se repercutem positivamente sobre os níveis de competitividade e de inovação do conjunto. A Comissão Europeia (2010b) acrescenta que muitas vezes partilham um conjunto de trabalhadores especializados, negócios e serviços financeiros, facilidades de I&D e de formação. Considera isto tudo um importante elemento para estratégias de especialização inteligente. Para Asheim, Smith e Oughton (2011), as definições de

clusters variam, mas é um elemento comum a todos, considerarem clusters como uma

concentração geográfica de empresas operando na mesma indústria ou relacionada com esta (Asheim e Coenen, 2005; Isaksen e Hauge, 2002; Cooke, 2001; Porter, 1998a, 1998b; Swann e Prevezer, 1996; Enright, 2003).

Asheim et al. (2011 ) acrescenta que em virtude da literatura dos distritos industriais ser um antecedente comum dos "clusters", "sistemas regionais de inovação" e as abordagens

dos milieux inovadores, não é surpreendente que haja um grau de comunalidade,

especialmente quanto à análise da cooperação, redes, instituições, a confiança, a aprendizagem inter-organizacional e transferência de conhecimento.

Ramos (2005) adianta que, nos processos de clusterização, o centro da gravidade das dinâmicas de densificação está colocado nas relações estabelecidas ao longo das cadeias diretas e indiretas de fornecimento. Em termos operativos, a noção de cluster revela grande interesse na estrita medida que permite identificar caminhos críticos para a consolidação de redes e de ligações-chave, visando a criação de maior valor acrescenta-do e acelerar a transição/aprofundamento para uma economia inovaacrescenta-dora baseada no conhecimento. A Comissão Europeia (2010b) acrescenta que eles fornecem um ambien-te favorável para estimular a competitividade e a inovação. Suportam para o seu desen-volvimento a concentração das necessidades em áreas com vantagens comparativas.

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16

1.1.2.4 Clusters versus Sistemas Regionais de Inovação

Para Ramos (2005), a ligação entre os conceitos de cluster e de sistema regional de inovação, radica na compreensão da dinâmica de inovação e dos processos territorialmente ancorados, procurando analisar a sua formação e os elementos que os estruturam e tipificam.

Ambas as abordagens pretendem responder ao objetivo de passar de um paradigma de vantagens comparativas (dotação fatorial) para um paradigma de vantagens competitivas (baseado na aprendizagem e no conhecimento).

Asheim et al (2011) refere que o RIS dá enfase ao capital social, networking e aprendizagem dentro de um quadro evolutivo que pode ser comparado com a literatura

dos clusters. Esta literatura está preocupada mais diretamente com a competitividade e

desempenho e mais fortemente influenciada pela corrente principal da teoria económica. Adianta que a literatura respeitante aos clusters, exemplificando os estudos de Porter, (1990, 1998a, 1998b); Baptista e Swann, (1998, 1999), incluindo o trabalho de Porter sobre vantagens competitivas, desenvolveu-se mais ou menos em paralelo com a abordagem dos sistemas e está relacionada com os modelos territoriais de inovação, mais notavelmente os distritos industriais e o Mileu inovador. No entanto, embora as ideias de

clusters e SRI estejam claramente relacionadas, é importante distinguir os dois conceitos

(Asheim et al., 2011). As definições dos clusters variam, mas um elemento comum respeita ao facto de que os clusters são concentrações geográficas de empresas operando na mesma ou em indústrias relacionadas.

Ramos (2005), partindo da análise comparativa que efetuou entre os dois modelos elaborou Tabela 2.

O autor conclui que os contributos destas duas abordagens, de caraterísticas complementares vieram enriquecer as leituras das dinâmicas de desenvolvimento regional. A existência de competências específicas, a capacidade de cooperação entre os atores, a solidariedade institucional, os processos coletivos de aprendizagem e o fomento do potencial de inovação constituem, afinal, ingredientes fundamentais do desenvolvimento empresarial e territorial.

(30)

17

Segundo Asheim et al (2011), clusters são normalmente incluídos como um componente importante de um SRI. O autor acrescenta que eles podem ser vistos como uma concentração de empresas interdependentes dentro das mesmas ou adjacente (ou integrados) setores industriais numa pequena área geográfica, enquanto no SRI consiste em subsistemas de geração de conhecimento e exploração interagindo ligados a sistemas globais, nacionais e outros sistemas regionais que pode se estender por vários setores da economia regional. Por isso, o SRI é um conceito mais genérico do que os clusters e fornece uma estrutura política mais abrangente: os clusters são importantes, mas assim também são uma série de outros fatores, os agentes e instituições que se combinam para promover a inovação e difundi-la dentro de uma região.

Tabela 2. Comparação sinótica entre cluster e sistema regional de inovação

Cluster Sistema Regional de Inovação

Surgimento Espontâneo, parte do sistema produtivo

local

Induzido, como entidade organizacional

Clima predominante Atmosfera industrial Cultural empresarial e científica

Sistema Produtivo

Industrial e terciário; especialização produ-tiva numa ótica de divisão sectorial do trabalho; verticalmente desintegrado ou in-tegração quase- vertical; aberto

Industrial e terciário; diversificação produ-tiva numa ótica de divisão intra-setorial do trabalho; grandes empresas e PME’s; integração quase-vertical; aberto

Relações não mercantis entre as empresas

Redes interpessoais informais de circu-lação da informação; forte mobilidade horizontal e vertical da mão-de-obra

Intensidade das relações extra-produção; importância e diversidade das relações não-mercantis formalizadas (redes de coope-ração, parcerias estratégicas, etc.)

Relações das empresas com a envolvente institucional

de apoio especializado

Elevada intensidade de contactos; casuísticas ou estratégicas

Elevada intensidade de contatos; estratégicas

Relações com o exterior

Forte abertura ao exterior; inserção nos circuitos internacionais de transferência de informação e conhecimento

Forte abertura ao exterior; inserção nos circuitos internacionais de transferência de informação e conhecimento

Estruturas reticulares Compactas, com empresas-líder ou com

sector-pivot

Com empresa-pivot ou instituição-pivot (universidade, centro tecnológico, etc.)

Lógica

De parceria; criação de mecanismos colec-tivos de aprendizagem como motos da re-novação competitiva da base produtiva; fomento do potencial de inovação

De parceria; arquitetura institucional como alavanca da competitividade empresarial e territorial; fomento do potencial de inova-ção; afirmação de uma estratégia regional de inovação

Formas dominantes de conhecimento

Tácito e/ou codificado; global Codificado; global

Formas dominantes de aprendizagem

By doing, by interacting, by networking Bu searching, by networking

Modalidades dominantes de inovação

Incremental, adaptativa e radical - first of its kind; do produto, do processo e organizacionais

Incremental e radical - first of its kind, do produto, do processo e organizacionais

Dinâmica de crescimento

Concorrência-cooperação; induzida pela ativação dos circuitos de informação e conhecimento

Fertilização cruzada; fortemente induzida pelo universo institucional e de apoio; ajus-tamento dinâmico entre as esferas empre-sarial e institucional; risco empreempre-sarial am-parado institucionalmente.

Riscos Potenciais

Lock-in tecnológico; crescimento dos fenó-menos de hierarquização empresarial; lógica de promoção empresarial baseada na divisão internacional do trabalho

Lock-in relacional e tecnológico; barrreira à saída; esclerose institucional; estatização das redes de cooperação

(31)

18

Hollanders et al (2014), por seu turno consideram que o conceito de Sistema Regional de Inovação (SRI) é muito popular devido à emergência de clusters regionais identificáveis da atividade industrial, e no aumento das competências e responsabilidades na formulação de políticas afeta às regiões, políticas essas avançadas pela U.E. para o desenvolvimento regional tais como a Politica de Coesão assim como a globalização e desafios societais acrescidos que constituem questões de maior relevância nas agendas políticas das regiões. Junbo Yu e Randall Jackson (2011), consideram que ao contrario dos clusters

tradicionais, os clusters regionais de inovação representam não apenas as eficiências económicas que existem a partir da localização de indústrias fornecedoras semelhantes, mas também constituída pelas redes ativas de organizações sinérgicas que se envolvem com várias empresas dentro de um determinado setor industrial, os ativos regionais que existem dentro da região geográfica, e os nós que são fundamentais para apoiar o trabalho de inovação no setor da indústria, tais como centros de I&D, capitalistas de risco, universidades e faculdades, laboratórios nacionais e redes de empreendedores.

1.2 Modelos de Produção de Conhecimento

Segundo Ferreira (2013), nos modelos não lineares de inovação ocorre o desenvolvi-mento paralelo da investigação fundamental, investigação aplicada e desenvolvidesenvolvi-mento experimental. É da opinião que nas sociedades e economias do conhecimento avança-das, os diferentes modelos coexistem. Argumenta ainda a favor da coexistência e coevo-lução de diferentes paradigmas e modos de produção e utilização do conhecimento.

Ferreira (2013) exemplifica o estudo de Carayannis e Campbell (2011), os quais identificam três modelos analíticos que procuram explicar o sistema de produção de conhecimento: O Mode-1 é onde a produção ocorre essencialmente através da investigação fundamental praticada nas universidades ou noutras instituições de ensino superior, numa lógica de separação dos domínios científicos, organizados numa estrutura disciplinar. Refere que estes autores associam este modelo ao Modelo Linear de Inovação. Os defensores do Mode-2 argumentam que a transição que se verificou ao nível do sistema social alterou o modo de produzir o conhecimento. Acrescenta que defendem que o conhecimento baseado em disciplinas científicas se tornou obsoleto devendo ser

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19

substituído pelo conhecimento técnico-científico gerado através de projetos neoliberais que fomentam o empreendedorismo, articuladas com a economia de mercado e o seu regime de acumulação. Foca-se na aplicação do conhecimento tendo em vista a resolução de problemas. Caracteriza-se pela interdisciplinaridade, pluralismo e trabalho em rede, o que resulta da crescente complexidade e diversidade dos inputs de conhecimento necessários para o processo de inovação (Ferreira, 2013).

Figura 5. A Evolução dos Modelos da Criação do Conhecimento

Fonte: Carayannis, Barth e Campbell (2012)

Ferreira (2013) refere que Carayannis e Campbell desenvolveram, a partir de 2003, a noção de sistema de produção de conhecimento Mode-3, advogando que as redes de inovação e os clusters de conhecimento são componentes chave para a compreensão das dinâmicas dos stocks e fluxos de conhecimento. Acrescentam que através de redes de configurações variáveis e de plataformas, as universidades e demais instituições de ensino superior e as empresas interligam-se criando redes de inovação e clusters de conhecimento. Estes últimos, à luz da Teoria de Sistemas, podem ser comparados aos elementos do sistema, enquanto as redes constituem as relações que unem os elementos de um mesmo sistema ou de sistemas diferentes. O autor refere que o modelo que propõem é multinível (abrangendo as escalas global, transnacional, nacional, regional, local), multimodal e composto por múltiplos nós ligados por relações multilaterais. Consiste em capital humano e intelectual, moldado pelo capital social e suportado pelo capital financeiro. Citando as palavras dos autores, conclui que neste ecossistema de inovação, pessoas, cultura e tecnologia interagem de forma a produzir criatividade, invenção e inovação através das disciplinas científicas e tecnológicas, dos setores público e privado e demais entidades da sociedade civil produtoras e utilizadoras de conhecimento. As tendências e condições socioeconómicas, políticas, tecnológicas e

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20

culturais moldam a coevolução do conhecimento com a economia e a sociedade globalizadas (Ferreira, 2013).

A evolução dos modelos de criação de conhecimento está representada na Figura 5.

1.3 Dinâmicas do Sistema Regional Inovação

Segundo Natário, Couto, Braga e Tiago (2011), diversos autores estudaram igualmente as dinâmicas de inovação que tem particular importância para o eficiente funcionamento do sistema regional de inovação: (Cooke 1992, 2003, 2008; Autio 1998; De la Mothe e Paquet 1998; Howells 1999; Cooke et al., 2000; Doloreux, 2003, 2004; Asheim e Gertler 2005; Doloreux e Parto, 2005; Todtlinng e Trippl, 2005; Trippl 2006; Asheim e Coenen 2006).

As regiões têm igualmente caraterísticas governamentais e culturais distintivas tornando-as singulares e únictornando-as. Assim, o sistema de inovação a nível regional ou sistema regional de inovação permite um formato mais largo e adaptação das políticas nacionais em ambientes regionais, dado que ali há maior proximidade entre os vários agentes, uma maior homogeneidade cultural e também porque as intensidades e dinâmicas de inovação são às vezes mais díspares entre regiões do que entre nações (M. M. Natário, Couto, Braga, et al., 2011).

Com início na década de 90, as dinâmicas da inovação foram associadas com a rede de atores (hélices) – instituições de ensino superior – Empresas – Governo – no âmbito do modelo da Hélice Tripla (Natário et al., 2011), como estimuladores da dinâmica de negócios e desenvolvimento regional. Por oposição ao modelo linear onde o sentido de inovação é único, este modelo é baseado numa espiral de interações entre as três hélices.

1.3.1 Modelo da Tripla Hélice

É um modelo baseado na hipótese de que a economia suporta o conhecimento; que a inovação deriva das interações entre empresas; instituições públicas e de ensino superior, com reflexo na produção das empresas e fonte do conhecimento e tecnologia, especialmente do ensino superior e instituições públicas fornecendo relações contratuais e garantindo estabilidade nas suas interações e trocas (Etzkowitz, 2003).

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21

Este modelo tem sido utilizado por diversos autores, que aplicam métodos de análise relacionados principalmente com a econometria e cienciometria e recorrem sobretudo a duas perspetivas de abordagem: a comparação de territórios ou de áreas do conhecimento (Ferreira, 2013).

O modelo recai em três alicerces: o papel proeminente do ensino superior na inovação, partilhado com companhias e com o governo numa sociedade baseada no conhecimento; a colaboração entre as três esferas institucionais principais, onde o contexto de inovação tem vindo a tornar-se de forma crescente no resultado da interação, em vez de um recetáculo das iniciativas governamentais; e, as funções que cada institucional tem no processo da inovação como um agente inovador: governo, empresas e instituições do ensino superior trocam de papéis em alguns aspetos (Ferreira 2013).

Este autor acrescenta que as universidades representam o capital intelectual e a criação de conhecimento científico e refletem a liderança académica. A indústria representa a criação de riqueza económica e reflete as estratégias empresariais ou corporativas. As instituições públicas representam os mecanismos de controlo e regulação da esfera pública e refletem os regulamentos, as políticas, as estratégias e a ação dos planeadores. Os diferentes agentes vão agindo de forma reflexiva, como resposta às ações uns dos outros. Exemplifica os estudos de diversos autores (Leydesdorff, Dolfsma et al. 2006, Leydesdorff e Meyer 2006, Leydesdorff e Meyer 2007), que concluíram que os sistemas de inovação evoluem em função dessas ações e ajustamentos recíprocos.

Ranga e Etzkowitz (2013) introduzem o conceito de sistemas de tripla hélice como um constructo analítico definido a partir da perspetiva da teoria dos sistemas como um conjunto de Componentes (1): a esfera institucional da Universidade, Indústria e Governo, cada qual compreendendo um vasto leque de atores; Relações entre componentes (2): colaboração e moderação de conflito, liderança colaborativa, substituição e funcionamento em rede; Funções (3): descrito como um conjunto de atividades específicas dos “Espaços de Tripla Hélice”: o Conhecimento, Inovação e Espaços de Consenso.

No contexto da Tripla Hélice, as dinâmicas dos espaços da inovação (Etzkowitz, 2003), vistas nos níveis internacional, nacional e regional têm um papel dinamizador na inovação regional. No nível regional, a sobreposição entre as esferas da educação-empresa-estado permite a troca de conhecimento, consenso e espaços de inovação Etzkowitz (2003),

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22

afirma que tais espaços de inovação são criados como consequência de uma mudança de valores entre os promotores do desenvolvimento económico e regional.

Figura 6. Modelo da Tripla Hélice

Fonte: Adaptado de Ranga e Etzkowitz (2013)

Ferreira (2013) refere que o Modelo da Tripla Hélice constitui um quadro de referência para compreender o Mode-2 (ver ponto 1.2) enquanto estrutura historicamente emergente de produção de conhecimento científico.

Desenvolvendo este modelo analítico, Carayannis e Campbell (2011), apresentam dois modelos mais abrangentes para explicar os sistemas de inovação avançados, com uma Quarta e Quinta Hélices.

1.3.2 Modelo da Quádrupla Hélice

Segundo Ferreira (2013) este modelo acrescenta à universidade, indústria e instituições governativas, a sociedade civil e o público, moldado pela cultura e pelos media. Atribui importância à cultura do conhecimento e ao conhecimento da cultura, aos valores e estilos de vida, à heterogeneidade e diversidade dos modos de produção de conhecimento e inovação.

Afonso, Monteiro e Thompson (2010), consideram que a interação entre empresas, universidade, governo e sociedade civil são o requerimento necessário para o crescimento sustentável.

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23

Coloca em igualdade as ciências e as artes e envolve o conceito de democracia do

conhecimento. Ferreira (2013) acrescenta que, no desenho das estratégias e políticas de

conhecimento e inovação, deve, na opinião dos autores, ser reconhecido o contributo do público e as dinâmicas dos media para a bem-sucedida prossecução de metas e objetivos.

Figura 7. Modelo da Quádrupla hélice

Afonso et al (2010), sobre a teoria da inovação da Quadrupla Hélice consideram um tipo de organizações que lideram as estruturas da quádrupla hélice que consistem em entidades independentes, não lucrativas, organizações baseadas nos membros que combinam fundos governamentais e privados. Têm um papel importante na translação e coordenação, nos campos emergentes do conhecimento, entre as quatro hélices.

1.3.3 Modelo da Quíntupla Hélice

Ferreira (2013) aqui enfatiza o papel do ambiente das sociedades e das economias como condutor de maiores avanços nos processos de produção de conhecimento e nos sistemas de inovação. Este modelo compreende a Quádrupla Hélice, o qual por sua vez compreende a Tripla Hélice. O ecossistema de inovação, considerado no Mode-3, enquadra os modelos da Quádrupla e Quíntupla Hélice e equilibra os modelos não-lineares no contexto dos sistemas de inovação, espelhando a coexistência e coevolução de diferentes paradigmas do conhecimento e da inovação. No âmbito dos Modelos da Quádrupla e Quíntupla Hélices, o conceito de Open Innovation Diplomacy surge como uma nova estratégia, forma de fazer política e abordagem em termos de governança, consistindo no essencial em encurtar distâncias e promover iniciativas para interligar agentes, ideias, mercados e soluções (Ferreira, 2013).

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