DERMATOFITOSE EM EQUINOS NA REGIÃO DE DOM PEDRITO, RS

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(1)DERMATOFITOSE EM EQUINOS NA REGIÃO DE DOM PEDRITO, RS. Jucele de Oliveira Silveira 1 Cíntia Saydelles da Rosa 2 Lourdes Caruccio Hirschmann Prates 3 Larissa Picada Brum 4 Francielle Paz Moro 5 Anelise Afonso Martins 6. Resumo: A dermatofitose é uma enfermidade fúngica que se constituem, nas micoses cutâneas superficiais mais freqüentes em animais domésticos e humanos. São causadas por um grupo de fungos denominado dermatófitos, de caráter contagioso, os quais não invadem o tecido subcutâneo, ficando restritos aos tecidos queratinizado como pêlos, pele e anexos. Os principais dermatófitos envolvidos em micoses superficiais em grandes animais são do gênero Trichophyton sp e Microsporum sp que segundo seus reservatórios podem ser considerados zoofilicos ou geofílicos dependendo das espécies de fungos envolvidas urticária, com os pêlos nas regiões afetadas permanecendo eretos, muito rapidamente as lesões criam áreas definidamente demarcadas de perda de pêlos, descamação e formação de crostas. O presente trabalho tem por objetivo relatar casos de dermatofitose em equinos no município de Dom Pedrito, RS. Foram recebidas amostras de pêlos e crostas de 18 equinos, apresentando enfermidade cutânea, entre os meses de Fevereiro de 2016 a agosto de 2017, todos oriundos de propriedades pertencentes ao município de Dom Pedrito, RS. Os animais estavam sob criação extensiva e alimentação em campo nativo na sua maioria. Do total de amostras recebidas 11 pertenciam a equinos machos e 7 de fêmeas com idade variando entre 2 a 8 anos. As amostras de pêlos e crostas foram coletadas e encaminhadas ao laboratório de microbiologia da Universidade Federal do Pampa, campus Dom Pedrito, para realização do diagnóstico micológico. Foram realizados exame direto dos pêlos e cultivo em placas de Petri contendo agar Mycobiotic e incubadas a 25°C, por no mínimo 15 dias. Após o período de incubação as colônias foram analisadas quanto a suas características macromorfológicas e micromorfologias. Todas as amostras recebidas eram oriundas de cavalos com lesões cutâneas com presença de áreas alopécicas circunscritas ou coalescentes, descamativas e com formação de crostas de coloração branca a acinzentada, a presença de prurido foi relatado em 77% dos equinos. As lesões estavam localizadas principalmente na parte anterior da cauda em 61%, no terço anterior do pescoço em 72%, na cabeça em 50% e membros em 11%. A presença de fungos dermatófitos foi identificada em 61% (11/18) das amostras avaliadas, onde no exame direto de crostas e pêlos, foi verificada a presença de conídios em cadeias, os quais formavam bainhas de artroconídeos em torno dos pêlos, enquanto, no cultivo em meio de cultura observou-se a formação de colônias filamentosas, planas de aspecto algodonoso de coloração branca, creme a amarelada. Os dermatófitos encontrados nas amostras positivas foram Trichophyton equinum em 45% (5/11), Trichophyton mentagrophytes em 27% (3/11), Microsporum equinum em 18% (2/11), Microsporum gypseum em 9% (1/11). Foi possível observar que mesmo com um número pequeno de amostras a dermatofitose está presente em equinos da região de Dom Pedrito, RS. Essa enfermidade cutânea superficial afeta equinos em todas as idades e possui caráter contagioso ocorrendo em todos sistemas de criação. É imprescindível o diagnostico através do cultivo para confirmação da enfermidade e com isso instituir o tratamento correto, uma vez que as lesões são semelhantes a outras doenças..

(2) Palavras-chave: Fungos Dermatófitos. Micoses. Cavalos. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. DERMATOFITOSE EM EQUINOS NA REGIÃO DE DOM PEDRITO, RS 1 Aluno de graduação. juceledeoliveira@gmail.com. Autor principal 2 Técnico Administrativo em Educação. cintiarosa@unipampa.edu.br. Co-autor 3 Técnico Administrativo em Educação. lourdescaruccio@gmail.com. Co-autor 4 Docente. larissabrum@unipampa.edu.br. Co-autor 5 Aluno de graduação. franciellemoro.fpm@gmail.com. Co-autor 6 Técnico Administrativo em Educação. anelisemartins@unipampa.edu.br. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(3) DERMATOFITOSE EM EQUINOS NA REGIÃO DE DOM PEDRITO, RS 1. INTRODUÇÃO A dermatofitose é uma enfermidade fúngica que constituem-se, nas micoses cutâneas superficiais mais freqüentes em animais domésticos e humanos. São causadas por um grupo de fungos denominado dermatófitos, de caráter contagioso, os quais não invadem o tecido subcutâneo, ficando restritos aos tecidos queratinizado como pêlos, pele e anexos (WARTH et al., 2008). Os principais dermatófitos envolvidos em micoses superficiais em grandes animais são do gênero Trichophyton sp e Microsporum sp que segundo seus reservatórios podem ser considerados zoofilicos ou geofílicos dependendo das espécies de fungos envolvidas. Os animais assumem importância zoonótica, pois atuam como portadores de dermatófitos considerados zoofílicos, como, por exemplo, Microsporum canis, Trichophyton verrucosum, Trichophyton mentagrophytes e Trichophyton equinum. Em equinos o Trichophyton equinum é considerado o principal causador desta enfermidade (CABAÑES, 2000). Em cavalos e bovinos, as lesões comumente se localizam na cabeça, pescoço, lombo, paleta e garupa, podem ainda as dermatofitoses estar limitadas à face caudal da região da quartela porém com menos frequência. Em algumas situações a manifestação inicial da enfermidade ocorre de maneira similar à urticária, com os pêlos nas regiões afetadas permanecendo eretos, este quadro pode em alguns casos ser acompanhado por alguma contaminação bacteriana secundária. Contudo, muito rapidamente as lesões criam áreas definidamente demarcadas de perda de pêlos, descamação e formação de crostas (SMITH, 2006). O presente trabalho tem por objetivo relatar casos de dermatofitose em equinos no município de Dom Pedrito, RS, através de achados clínicos e laboratoriais. 2. METODOLOGIA Foram recebidas amostras de pêlos e crostas de 18 equinos, apresentando enfermidade cutânea, entre os meses de Fevereiro de 2016 a agosto de 2017, todos oriundos de propriedades pertencentes ao município de Dom Pedrito, RS. Os animais estavam sob criação extensiva e alimentação em campo nativo na sua maioria, no entanto, alguns recebiam suplementação alimentar em cocho. Do total de amostras recebidas 11 pertenciam a equinos machos e 7 de fêmeas com idade variando entre 2 a 8 anos. As amostras de pêlos e crostas foram coletadas com auxílio de lâmina de bisturi e acondicionadas em placa de Petri esterilizadas, as quais foram coletadas das bordas das lesões dos animais com intuito de otimizar isolamento fúngico, posteriormente foram encaminhadas ao laboratório de microbiologia da Universidade Federal do Pampa, campus Dom Pedrito, para realização de exame direto e cultivo micológico. O exame direto foi realizado com hidróxido de potássio a 30% como clarificador para pesquisa de conídeos fúngicos nos pêlos analisados, enquanto para o cultivo, as amostras foram semeadas em placas de Petri contendo agar Mycobiotic e incubadas a 25°C, por no mínimo 15 dias, sendo feita a inspeção diária para avaliação das características de crescimento das colônias. Após o período de.

(4) incubação as colônias crescidas foram analisadas quanto a suas características macromorfológicas e micromorfológicas. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Todas as amostras recebidas eram oriundas de cavalos com lesões cutâneas, as quais eram caracterizadas pela presença de áreas alopécicas circunscritas ou coalescentes, descamativas e com formação de crostas de coloração branca a acinzentada, a presença de prurido foi relatado em 77% (14/18) dos equinos. As lesões estavam localizadas principalmente na parte anterior da cauda em 61% (11/18), no terço anterior do pescoço em 72% (13/18), na cabeça em 50% (9/18) e membros em 11% (2/18). As lesões clínicas relatadas nos eqüinos foram semelhantes àquelas descritas por CONNOLE & PASCOE (1984). A presença de fungos dermatófitos foi identificada em 61% (11/18) das amostras avaliadas, onde no exame direto de crostas e pêlos, foi verificado a presença de conídios em cadeias, os quais, formavam bainhas de artroconídeos em torno dos pêlos, enquanto, no cultivo em meio de cultura observou-se a formação de colônias filamentosas, planas de aspecto algodonoso de coloração branca, creme a amarelada. Na micromorfologia dos isolados foi possível observar a presença de hifas hialinas com grande quantidade de microconídeos brotando ao longo das hifas e presença de macroconídeos de tamanhos variados que dependendo do isolado estavam presentes em maior ou menor quantidade. Segundo Avante e colaboradores (2009), o diagnóstico é baseado nos sinais clínicos característicos das lesões e no exame microscópico direto de pêlos e crostas infectados, além da cultura fúngica, por ser o método mais confiável para o diagnóstico pela análise das características micromorfológica e macromorfológica das colônias crescidas. Os dermatófitos encontrados nas amostras positivas foram Trichophyton equinum em 45% (5/11), Trichophyton mentagrophytes em 27% (3/11), Microsporum equinum em 18% (2/11), Microsporum gypseum em 9% (1/11). Em eqüinos a enfermidade não acarreta em mortalidade, uma vez que é praticamente inexistente, porém ocasiona conseqüências pelo fato dos animais apresentam lesões cutâneas que impedem de participar de exposições, feiras e remates devido ao caráter contagioso da doença. Da mesma forma por se tratar de uma enfermidade zoonótica, as pessoas que entram em contato direto com os animais infectados podem vir a desenvolver as lesões, que torna a enfermidade um problema de saúde pública (AMOR et al., 2001). O contagio dos fungos causadores da dermatofitose ocorre geralmente pelo contato direto, ou indiretamente através de fômites, utensílios utilizados nos animais, como esporas, comedouros, cama, arreios e raspadeiras. Os animais podem ser fontes de infecção mesmo não desenvolvendo lesões o que os caracteriza como portadores assintomáticos (SMITH, 2006). Das amostras recebidas dos animais cinco eram provenientes da mesma propriedade, e nessas foram diagnosticadas em três cavalos a mesma espécie fúngica. Segundo o proprietário os animais compartilhavam os mesmos utensílios como arreios, isso provavelmente pode ter favorecido o contagio entre os animais. De acordo com Reed e Bayly (2000) fatores ambientais como temperatura e luz, solar são menos importantes na transmissão da micose do que a proximidade dos animais em confinamento. Assim como há uma maior suscetibilidade do animal de acordo com seu estado imunológico, estado nutricional e uso continuo de.

(5) medicamentos imunossupressores. Da mesma forma a umidade ocasionada pela transpiração excessiva ou as agressões à barreira protetora da pele favorecem o aparecimento das dermatofitoses. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi possível observar que mesmo com um número pequeno de amostras a dermatofitose está presente em equinos da região de Dom Pedrito, RS. Essa enfermidade cutânea superficial afeta equinos em todas as idades e possui caráter contagioso ocorrendo em todos sistemas de criação. É imprescindível o diagnostico através do cultivo para confirmação da enfermidade e com isso instituir o tratamento correto, uma vez que as lesões são semelhantes a outras doenças. 5. REFERÊNCIAS AMOR, E. et al. Terbinafine treatment of Trichophytum equinum infection in a child. Clinical and Experimental Dermatology, v.26, p.276-278, 2001. AVANTE, M. L.; CAMPOS, C. P.; FERREIRA, M. M. G.; MARTINS, I. S.; ROSA, B. R. T.; SOUZA, G. D. P.; AVANZA, M. F. B. Dermatofitose em Grandes Animais. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano VII. n.12, janeiro de 2009 [acesso em 21 Set 2017]. Disponível em:http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/7FYvdxr2TAJgoef_ 2013-6-21-10-39-6.pdf. CABAÑES, F.J. Dermatophytes in domestic animals. Revista Iberoamericana de Micologia, v.17, p.104-108, 2000. CONNOLE, M.D.; PASCOE, R.R. Recognition of Trichophyton equinum var. equinum infection of horses. Australian Veterinary Journal, v.61, n.3, p.94, 1984. SMITH, B.P. In: Tratado de medicina interna de grandes animais. São Paulo: Manole, Cap.36, p.1736, 2006. REED, S. M. & BAYLY, W. M. Medicina Interna Eqüina. Ed. Guanabara: Rio de Janeiro, 2000. WARTH, J. F. G., KAMPA, D. L., RODRIGUES, C. S. Dermatofitose por Microsporum gypseum em Bovinos de Corte. Publicado no site http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/veterinary/article/viewFile/3809/3049, acessado em 10/05/2008..

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