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EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA LICENCIATURA: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A PARTIR DA EXPEDIÇÃO MISSÕES DERRUBADAS

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Academic year: 2020

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(1)EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA LICENCIATURA: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A PARTIR DA EXPEDIÇÃO MISSÕES DERRUBADAS. Jose Ferreira 1 José Antonio da Silva Ferreira Junior 2 Alvaro Luis Avila Da Cunha 3 Vera Lúcia Gainssa Balinhas 4. Resumo: Este estudo surgiu da expedição à São Miguel das Missões e Derrubadas RS, organizadas pelo Grupo de Estudos Movimento e Ambiente (GEMA). O trabalho realizado se pauta pela importância do desenvolvimento da Educação Ambiental (EA) em todos os níveis de ensino e como esse envolvimento se dá com o docente em formação durante sua trajetória acadêmica. Partimos das análises dos relatórios desenvolvidos pelos acadêmicos participantes das expedições. Nesta investigação objetivamos: identificar nos relatos dos acadêmicos a importância de atividades que integrem o sujeito ao ambiente do qual ele faz parte; reconhecer a dimensão ambiental na formação do profissional de Educação de Física; instigar a reflexão e integração dos acadêmicos do curso de EF com os colegas de universidade. Acreditamos que a Expedição de Estudos Missões-Derrubadas, assim como as outras vivências proporcionadas pelo grupo GEMA são indispensáveis a formação acadêmica, independente do curso ou área de atuação, uma vez que todos nós pertencemos ao ambiente e, assim, somos responsáveis por manter, reconstruir e transformar o que gradativamente fomos destruindo com a dita "evolução humana". Percebemos que houve reconhecimento por parte dos participantes da Expedição quanto à relevância sócio histórica e ambiental dos lugares e biomas visitados. Além disso, a constatação de como este tipo de espaço pedagógico enriquece culturalmente a formação docente, desenvolve e constrói conhecimentos a partir do contato direto com realidades por um processo em que a socialização emerge de forma intensa e espontânea, bastante diferente de processos educativos convencionais.. Palavras-chave: Formação de professores/as, Educação Física, Educação Ambiental.

(2) Modalidade de Participação: Iniciação Científica. EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA LICENCIATURA: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A PARTIR DA EXPEDIÇÃO MISSÕES DERRUBADAS 1 Aluno de graduação. [email protected]. Autor principal 2 Aluno de graduação. [email protected]. Apresentador 3 Docente. [email protected]. Orientador 4 Docente. [email protected]. Co-orientador. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(3) EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA LICENCIATURA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO A PARTIR DA EXPEDIÇÃO DE ESTUDOS MISSÕES DERRUBADAS 1 INTRODUÇÃO Este estudo foi elaborado a partir das vivências obtidas da expedição a São Miguel das Missões e Derrubadas RS, organizadas pelo Grupo de Estudos Movimento e Ambiente (GEMA), que tem como propósito propiciar aos discentes do Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana, uma relação mais direta de (re) conhecimento do ambiente em que está inserido, fomentando o seu senso ambientalista que para além do preservar, valorize todo o ecossistema do qual o mesmo integra, buscando desempenhar uma ação nas futuras atuações profissionais, como docentes da rede de ensino. Desperta, assim, um olhar de como se faz necessário preservar, valorizar e transformar nossa relação com a natureza, os ecossistemas, os biomas, a fauna, a flora e os demais segmentos que compõem o nosso ambiente; construindo talvez, como nos diz Leff uma racionalidade ambiental: A problemática ecológica questiona os custos socioambientais derivados de uma racionalidade produtiva fundada no cálculo econômico, na eficácia dos sistemas de controle e previsão, na uniformização dos comportamentos sociais e na eficiência de seus meios tecnológicos... A racionalidade ambiental incorpora um conjunto de valores e critérios que não podem ser avaliados em termos de modelo de racionalidade econômica, nem reduzidos a uma medida de mercado. LEFF. 2001, p.133-136 Partindo disso, o trabalhado realizado se pauta na importância do desenvolvimento da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino, amparados pela lei e como esse envolvimento do docente em formação com a Educação Ambiental durante sua trajetória estudantil é significativamente importante para que em sua futura atuação docente dentro de um âmbito institucional de ensino, esse professor atente para com seus educandos sobre a importância do ambiente para a sociedade e assim, partindo de poucas e pequenas ações, seja possível recuperar aos poucos toda a riqueza que historicamente veem se perdendo da QDWXUH]D H WRGDV DV RXWUDV ³ErQomRV QDWXUDLV´ TXH HVWmR SRXFR D SRXFR VXPLQGR GR QRVVR planeta em razão da evolução humana; mas que evolução é essa que avança tanto em questões tecnológicas, inovações e descobertas fascinantes, mas que na face oposta destrói, desmata, extingue e polui sua única morada, o Planeta Terra. Sendo assim, porque não trabalhar a Educação Ambiental na Educação Física Escolar, uma vez que a Educação Física Escolar tem o papel de desenvolver o ser humano em sua integridade e suas inúmeras dimensões, a social, a motora/mecânica, cognitiva, afetivo social. Com isso, problematizamos aqui a importância do desenvolvimento da Educação Ambiental nas escolas, principalmente nos anos iniciais, na fase etária da infância do individuo onde o mesmo começa sua formação como sujeito social que futuramente será responsável por ações que afetarão de modo positivo ou negativo toda a sociedade e o meio em que vive. E assim mostramos de que forma a Educação Física Escolar pode e deve possibilitar tais vivências que ajudem na formação de um sujeito mais atento para as questões ambientais uma vez que: ³6RPRV SURILVVLRQDLV IRUPDGRV SDUD DWXDomR HP ³HVSDoR DEHUWR´ QRVVR ID]HU pedagógico se dá fora das salas e corredores, das divisórias e mobiliário, estamos no pátio e um chão riscado, dois postes, uma rede e a bola (nosso gizmultimídia) elemento mágico-lúdico nos permitem jogar, e jogar é uma Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(4) preciosa aprendizagem do corpo. Nosso alfabeto é corpóreo, a escrita, leitura e interpretação debruçam-se sobre o movimento, o movimentar-VH ´ &81+$ 2013, p.60. Queremos com o trabalho, refletir e analisar, a importância da Educação Ambiental ser trabalhada em um curso de licenciatura por meio da inter-relação do corpo com o ambiente, a relação intima de homem e natureza. Nossa intencionalidade foi conhecer a posição dos participantes desta saída. Teriam eles/as essa mesma compreensão acerca da importância de tais atividades na formação acadêmica? Qual seria relação da Educação Física com a Educação Ambiental? Qual a relevância da dimensão ambiental para o profissional de Educação Física? Assim objetivamos com essa pesquisa: - Identificar nos relatos dos acadêmicos a importância de atividades que integrem o sujeito ao ambiente do qual ele faz parte; - identificar a dimensão ambiental na formação do profissional de Educação de Física -Instigar a reflexão e integração dos acadêmicos do curso de Educação Física com os colegas de universidade. 2 METODOLOGIA Para subsídio referencial deste trabalho, partimos das experiências vividas no Grupo de Estudos Movimento e Ambientes (GEMA) e das análises dos relatórios e registros fotográficos desenvolvidos pelos acadêmicos participantes das expedições, identificando a relevância de tais atividades para os/as referidos/as discentes. Participaram desta Expedição de Estudos trinta e um acadêmicos e dois docentes. São autores dos relatos, os/as acadêmicos/as do Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), de distintos semestres, desde os calouros do 1º aos formandos do 7º semestre na época. As Expedições a São Miguel das Missões e Derrubadas ocorreram nos dias 18, 19, 20 de Agosto de 2017, com o intuito de, através da vivência, instigar a conscientização, reflexão e integração dos acadêmicos do curso de Educação Física com o ambiente e com os próprios colegas de universidade, pois, embora partilhem de componentes curriculares durante a graduação, não mantém nenhuma, ou quase que inexistente forma de relação interpessoal. Acreditamos que as vivências proporcionadas pelo grupo GEMA são indispensáveis na formação acadêmica, independente do curso ou área de atuação, uma vez que todos nós pertencemos ao ambiente e, assim, somos responsáveis por manter, reconstruir e transformar o que gradativamente fomos destruindo com a dita "evolução humana". 3 RESULTADOS e DISCUSSÃO Antes de adentrarmos e dialogarmos os relatos escritos que se tornaram objeto de embasamento para este estudo, ressaltamos que tais relatórios foram realizados pelos acadêmicos por solicitação do professor coordenador do GEMA, que tem por costume recolher esses materiais para análises e discussões dentro do grupo como forma de atentar à pontos encontrados pelos colegas de curso e propor a reflexão, construção e compartilhamento do conhecimento a partir das vivências obtidas nas expedições. Para realizarmos a análise, selecionamos sete relatórios de acadêmicos/as para dialogarmos sobre a problemática que evidenciamos com esse estudo que elencaremos e comentaremos no prosseguir do estudo. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(5) Ao analisar os registros algumas categorias emergem dos escritos, passamos agora a tentar entender como os/as acadêmicos enxergam ou que significados constroem à partir da expedição Missões Derrubadas para sua formação de professor/a. Nas primeiras aulas do curso um dos professores nos alertava para a existência de um currículo paralelo, ou seja, a possibilidade de complementar a matriz curricular oferecida. Parece que as Expedições de Estudo do GEMA cumprem com esta necessidade de buscarmos espaços de formação menos formais e escolhidos pelo próprio/a estudante como é relatado no seguinte registro: A grade curricular da universidade fornece aos acadêmicos conhecimentos essenciais para a formação de sua personalidade profissional. Entretanto, as atividades extracurriculares complementam esse processo de formação do profissional, pois desenvolvem habilidades motoras, afetivas, empatia e processamento de novos estímulos cerebrais. A.P.. Talvez estas aprendizagens sejam capazes de mobilizar e envolver os sujeitos do processo pedagógico de maneira mais integral, inteira; pois se trata de um processo de imersão em biomas e ecossistemas não familiares durante um período longo de tempo, três GLDV GH FRQYtYLR VRFLRDPELHQWDO ³0XLWDV YH]HV R DFDGrPLFR SHUGH R LQWHUHVVH SHOD iUHD porque o currículo é muito complexo, ou porque o professor falha em tornar o conteúdo intereVVDQWH ´ $ 3 Os/as estudantes reconhecem a qualidade destes processos, valorizando e relevando os saberes construídos para além da vida profissional: Essas saídas com o GEMA nos enriquecem de uma maneira sem igual, mesmo que lêssemos livros e livros contanto as histórias desses locais, não equiparia com a experiência de pisar nesses solos e sentir a verdadeira vibração positiva que ali existe. Poder dividir esses momentos junto a outros acadêmicos enobrece não só minha vida acadêmica, mas também a mim como ser humano. T.V.. Ainda sobre o registro anterior podemos reparar o caráter socializante apontada pela acadêmica, muitas vezes distante ou não presente em atividades de formação mais convencionais. Nas últimas décadas várias tendências pedagógicas e científicas vêm propondo a flexibilização das fronteiras entre as áreas do conhecimento, Apontando para a necessidade de saberes inter ou transdisciplinares. O que percebemos nestas saídas é que os ambientes trilhados apresentam conhecimentos desta natureza, além do específico no caso de nossa área: Como futura educadora física, logo penso nos benefícios que a atividade física ao ar livre nos traz para a saúde. Como o barulho das águas caindo no salto, por exemplo, pode aumentar a concentração durante um exercício. Como fazer trilhas no mato pode aumentar a capacidade cardíaca devido aos obstáculos da caminhada. D.F.. Ainda somos apresentados a outros contextos: Ao entardecer ocorreu o Espetáculo Som e Luz, que relatava toda história dos povos jesuítas e guaranis, de como tudo começou dos motivos da vinda dos padres jesuítas, da construção das rendições e principalmente os motivos que levaram a decadência destes povos. Mas o que fez refletir é como os Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(6) indígenas são vistos pela população local porque ao entrar no sítio, eu os vi em canto, como se estivessem aparentemente excluídos esperando os turistas para vender seus artesanatos, sendo que bem na entrada da secretária, tinham lojas bem equipadas e organizadas de venda de artesanato. A.G.. Dando prosseguimento nas discussões, podemos enxergar o papel fundamental de tais práticas serem realizadas no âmbito de formação acadêmica, uma vez que visa mostrar aos discentes novas possibilidades de inserção, atuação, mostrando-o novos horizontes de possibilidades que ampliam sua gama de capacidades e competências na futura profissão e contribuem para uma maior afeição pela área que cursa, como podemos analisar com o trecho a seguir: São diferentes as áreas de conhecimento e existe um processo de reciclagem e renovação das especializações profissionais. É necessário aumentar os conhecimentos para a consolidação da profissão e, nesse aspecto, a universidade tem importância primordial, pois para a formação de novos educadores a possibilidade de conhecer novos horizontes garante condições de apego a área de atuação e amplitude no processo de busca por condições de aprendizagem e pesquisa. P.A. E com a reflexão a cada trecho aqui mencionado, podemos analisar de como se faz importante à vivência em atividades e componentes extraclasses que oportunizem aos discentes novas experiências durante sua formação para que futuramente, torne-se um profissional mais completo e enriquecido de capacidades e conhecimentos que ultrapassam os já obtidos pelo senso comum, e nesse sentido, a academia é o âmbito mais propicio para oportunizar tais vivências aos acadêmicos juntamente com o desejo de formar não somente profissionais mais completos e preparados para uma futura atuação, mas sim, pessoas com novos olhares e novas perspectivas sobre a sociedade em que está inserido, nesse sentido podemos analisar o trecho relatado por um acadêmico: Entre tantos outros pontos e ideias que me surgem com as inúmeras possibilidades de adaptações dos espaços, perante as atividades. Sendo assim, vejo como extremamente importante o segmento extracurricular para a formação não apenas de futuros profissionais, mas também de novas pessoas para o mundo. B.T.. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Acreditamos que a Expedição de Estudos Missões-Derrubadas, assim como as outras vivências proporcionadas pelo grupo GEMA são indispensáveis na formação acadêmica, independente do curso ou área de atuação, uma vez que todos nós pertencemos ao ambiente e, assim, somos responsáveis por manter, reconstruir e transformar o que gradativamente fomos destruindo com a dita "evolução humana". Percebemos que houve reconhecimento por parte dos participantes da Expedição da relevância sócio histórica e ambiental dos lugares e biomas visitados e como este tipo de espaço pedagógico enriquece culturalmente a formação docente, ainda mais porque desenvolve e constrói conhecimentos a partir do contato direto com realidades e por um processo onde a socialização emerge de forma intensa e espontânea, bastante diferente de processos educativos convencionais. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(7) Assim, esperamos com essa pesquisa tenha sido reflexiva a ponto de atentarmos mais à questão das atividades e componentes extraclasses que oportunizem aos acadêmicos maiores vivências com as questões sócio históricas e ambientais, que a instituição vise a propagação e expansão de atividades semelhantes as que o grupo GEMA se propõe a realizar dentro de nossa universidade, para que assim, cada vez mais, consigamos construir maiores saberes, experiências e perspectivas que impactem de maneira positiva na formação profissional e pessoal do docente em formação que logo estará atuando nas instituições de ensino e possa plantar uma semente sobre o que foi refletido nesse trabalho, da importância e essencialidade da abordagem da Educação Ambiental na escola e como interligar a Educação Ambiental com a Educação Física, aprendendo sobre o corpo e o ambiente em conjunto, utilizando a interdisciplinidade como ferramenta de inovação na escola. REFERÊNCIAS LEFF, E. O Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade e poder. Petrópolis,RJ: Vozes, 2001. CUNHA, Álvaro Ávila da. Corpo-Ambiente-Cultura na formação de professores/as. In: Marta Iris Camargo Messias da Silveira; Paula Bianchi. (Org.) NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE EDUCAÇÃO: Articulaçoes de contextos & saberes nos (per)cursos de licenciatura da Unipampa. 01ed.Florianópolis: Tribo da Ilha, 2013, v. 1.000, p. 53-65.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

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