ESTUDO DA EQUAÇÃO DE NAVIER STOKES UTILIZADA NA EQUAÇÃO DA ENERGIA CINÉTICA TURBULENTA DA CLC

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(1)ESTUDO DA EQUAÇÃO DE NAVIER-STOKES UTILIZADA NA EQUAÇÃO DA ENERGIA CINÉTICA TURBULENTA DA CLC.. Lauane Gonçalves Cordeiro da Silva 1 Lauane Gonçalves Cordeiro da Silva 2 Carla Judite Kipper 3. Resumo: No projeto de pesquisa a derivação de um modelo teórico para o decaimento da turbulência em uma camada limite planetária convectiva (CLC) é ponderado. Considera-se a característica e a estrutura do decaimento da CLC para o período de transição dia-noite, durante a mudança do regime turbulento que ocorre entre a CLC e a camada limite estável. O modelo baseia-se em uma equação dinâmica homogênea e não isotrópica para o espectro densidade de energia cinética turbulenta (TKE), em que os termos de transferência devido ao empuxo, atrito e inércia, são retidos. Neste modelo teórico, do espectro de energia encontrado e sua evolução temporal, busca-se relacionar as variáveis atmosféricas com os parâmetros meteorológicos. Como parâmetros têm-se a pressão atmosférica, a temperatura, a umidade relativa do ar, a precipitação, a radiação solar, a direção e a velocidade do vento, que são obtidos pelas estações de dados automáticas e convencionais da cidade de Bagé, região da campanha do Rio Grande do Sul. Estes dados encontram-se no site do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). No estudo preliminar da equação TKE, deve-se modelar o movimento dos fluidos incompressíveis, newtonianos no escoamento turbulento transitório através da equação de Navier-Stokes. Este trabalho se propôs a tornar a dedução apresentada uma alternativa para o estudo de mecânica dos fluidos. Na metodologia foi realizada uma pesquisa bibliográfica para a fundamentação teórica do trabalho de pesquisa, visando uma pesquisa descritiva. Como o projeto está em andamento, considera-se que apenas uma etapa foi superada e que o desenvolvimento das equações, que modelam a equação dinâmica para a TKE na CLC, precisa ser alcançado.. Palavras-chave: Equação de Navier-Stokes, Camada Limite Planetária, Espectro de Energia.. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. ESTUDO DA EQUAÇÃO DE NAVIER-STOKES UTILIZADA NA EQUAÇÃO DA ENERGIA CINÉTICA TURBULENTA DA CLC. 1 Aluno de graduação. lauane.goncalves203@gmail.com. Autor principal 2 Aluno de graduação. lauane.goncalves203@gmail.com. Apresentador 3 Docente. carlakipper@unipampa.edu.br. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(2) ESTUDO DA EQUAÇÃO DE NAVIER-STOKES UTILIZADA NA EQUAÇÃO DA ENERGIA CINÉTICA TURBULENTA DA CLC.1 1. INTRODUÇÃO Este trabalho é um estudo preliminar, através de uma bolsa de Iniciação à Pesquisa1, das equações que descrevem o movimento dos fluidos (MUNSON, 2004), levando-se em conta as suposições físicas e definições matemáticas, usadas para descrever o sistema, fluido, de maneira mais simples e de fácil entendimento para os estudantes. A equação dinâmica para a densidade espectral de energia cinética turbulenta (TKE) na Camada Limite Convectiva (CLC) (KIPPER, 2011), que modela o movimento do ar na atmosfera, é obtida de forma clássica através da equação de Navier-Stokes. Esta equação expressa à conservação de momento introduzida pela segunda Lei de Newton. A equação de NavierStokes descreve a velocidade de um fluido, em um ponto no tempo (POTTER, 2004). Ela iguala a aceleração de uma partícula do fluido com a força resultante exercida na partícula, devido ao gradiente de pressão, a viscosidade do fluido e a gravidade, por unidade de volume (BRUNETTI, 2008). No estudo inicial de mecânica dos fluídos, nos livros de engenharia, nos deparamos com a dificuldade encontrada na dedução e obtenção da equação de Navier-Stokes. Este trabalho visa facilitar o entendimento dos conceitos utilizados para a obtenção desta equação. Este projeto de estudo ainda está em andamento e pretende avaliar as variáveis atmosféricas na região da campanha do Rio Grande do Sul estudando o fenômeno de decaimento da turbulência na CLC, baseando-se na equação dinâmica TKE (GOULART et al. 2003). 2. METODOLOGIA Na metodologia foi realizada uma pesquisa bibliográfica para a fundamentação teórica do trabalho de pesquisa, visando uma pesquisa descritiva. Essa investigação se deu em várias literaturas de mecânica dos fluidos, onde selecionamos os livros: Fundamentos da Mecânica dos Fluidos (MUNSON, 2004) e Mecânica dos Fluidos (POTTER, 2004). Como método utilizado para o estudo, destacamos a detecção da publicação que seria utilizada para a obtenção da equação de Navier-Stokes (N-S), objetivando o domínio sobre o tema. Para descrever o escoamento de fluidos utiliza-se a equação N-S, a qual nos permite explicitar os campos de velocidade, determinando no escoamento a sua distribuição de velocidade em cada ponto e em cada instante de tempo, e determinar a pressão em uma 1. Pesquisa financiada pelo Programa de Desenvolvimento Acadêmico (PDA) da Unipampa..

(3) partícula de fluido durante o escoamento. Através da Segunda Lei de Newton, com a resultante de forças de pressão, forças de atrito e da força gravitacional, consegue-se deduzir a equação N-S para um escoamento transitório e laminar, ou seja, aquele escoamento em que as condições do fluido em alguns pontos ou regiões de pontos variam com o passar do tempo (BRUNETTI, 2008) e laminar, pois as partículas movem-se ao longo de trajetórias bem definidas. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO O momento de uma partícula é uma grandeza vetorial calculada pelo produto da massa pela sua velocidade. A fim de encontrar a equação da conservação do momento, podemos reescrever a Lei de Newton para o movimento em termos do momento. Para isso, escrevemos a aceleração como a taxa de variação da velocidade no tempo e consideramos. ×Ï ×:àäÏ; ×ã& ,,,,& & L Iä L L ×ç , onde mV é o momento p e FR a massa constante, de modo ( Ë L Iä = ×ç ×ç ,&. ,,,,&. é a resultante das forças que agem sobre a partícula do fluido. As forças que atuam sobre essa partícula são as forças de pressão, as forças de atrito e a força gravitacional. A. partícula do fluido poderá ser entendida como um elemento de fluido infinitesimal. A equação de N-S expressa a conservação de momento para um movimento de pequena escala, que ocorre em um fluido incompressível e irrotacional. O momento e a velocidade são grandezas vetoriais e descritas no espaço de coordenadas cartesiano tridimensional. FORÇA DO GRADIENTE DE PRESSÃO: Define-se a pressão P por uma força F que comprime uma superfície, que está distribuída sobre uma área A, isto é, a pressão é exercida pela força sobre essa superfície. Pressão é uma grandeza escalar e a sua unidade no Sistema Internacional de Unidades é o Pascal. Seja a pressão exercida na direção x e escrita como uma função f(x) em torno do ponto x=a, no centro do elemento de volume dv. Para descrever a pressão atuando em uma partícula de fluido em repouso, utiliza-se Expansão em Série de Taylor para funções analíticas, ou seja, representar a função por séries de potências, afim de que a função tenha derivada em todos os pontos. Devido a @T ser extremamente pequeno e, elevado a segunda potência ou mais, faz com que o mesmo se torne desprezível, de modo que a função terá apenas os termos de primeira ordem da !. série, na forma B:T; L B:=; E !ë B:=;:T F =;. Sendo os pontos. substituindo os termos na equação de f(x) = P(x), temos 2 @T E. TLTE. ×ë A 6. ×ë 6. e. = L T,. !. ×ë 6. L 2:T; E !ë 2:T;. .. Para a variação da pressão na coordenada x, utiliza-se o gradiente, que é uma derivada. parcial na coordenada cartesiana tridimensional, dada por Ï2 L @!ë Ḡ!ì ¸á !í Gà A 2, que !. aplicada a função, será Ï2 L 2 @T E. ×ë AF 6. 2 @T F. ×ë A, 6. !. !. !. que ficará Ï2 L 2:T; E !ë 2:T;. ×ë 6. F.

(4) 2:T; E. ! ×ë 2:T; , !ë 6. dado por Ï2 L. ! 2:T;@T. !ë. Dessa forma, calcula-se a força atuando no. volume de controle como o produto da pressão pela área da face perpendicular ao gradiente. Para a pressão na coordenada unidimensional x, temos (:T; L. ! 2:T;@T !ë. @U@V .. Assim, a função da força, nas coordenadas x, y e z pode ser expressa com o gradiente da pressão ( L Ï2 @R, de modo que ( L F!ë 2:T; E !ì 2:U; E !í 2:V;G :@T@U@V;ä !. !. !. FORÇA DE ATRITO: A força de atrito é a resistência ao movimento causada pela viscosidade. Essa resistência origina uma tensão de cisalhamento. Para entender o conceito, precisa-se perceber que a viscosidade p D ³DGHUrQFLD´ LQWHUQD GH XP IOXLGR H D taxa de deformação de um fluido, é diretamente ligada à viscosidade do fluido. Considere um escoamento no qual as partículas do fluido se movem, onde Q é a componente velocidade ao longo da coordenada T. O Gradiente de velocidade representa o estudo da variação da velocidade no meio fluido em relação a direção mais rápida desta variação. Os fluidos que se comportam dessa maneira são chamados de fluidos newtonianos. A quantidade. ×è ×ì. é o gradiente de velocidade na direção x e pode ser interpretado como taxa ×è. de deformação, na forma ììë @ ä ×ì sendo Q L Q:U;. Portanto, o atrito entre as camadas do fluido depende linearmente do cisalhamento de velocidade, dado por ( L ä. ºÏ , Á. sendo A a. área, V a velocidade, H a altura e ä o coeficiente de proporcionalidade relacionado com a ¿. Ï. viscosidade. A tensão responsável pela transferência de momento é ì L º L ä . Á Considerando uma superfície plana infinita, devido à espessura infinitesimal a tensão será !è. ììë @ ä !ì. No espaço tridimensional das velocidades (Qá Rá S) teremos nove tensões. diferentes correspondentes ao cisalhamento nas direções :Tá Uá V;, são elas derivadas da Série de Taylor, na forma ìë L :. ! ãã !ë. E. ! äã !ì. E. ! åã ;@T. !í. Através da equação da tensão, calcula-. se a força de atrito (ë L ìë #. Utiliza-se o operador laplaciano na forma unidimensional como !~è. Ï~Q L !ë~ E. !~è !ì~. !~è. E !í~ . Assim, para força de atrito na coordenada x, tem-se (ºÍë L. äÏ~Q @T@U@V. Para o espaço tridimensional utiliza-se: Q é a velocidade na coordenada T, R é a velocidade na coordenada U e S é a velocidade na coordenada V, sendo o vetor. ,1 L :Qá Rá S;, o Ï~8 L !~è E !~é E !~ê e força de atrito escrita como velocidade dado por 8 !ë~. !ì~. !í~. (ºÍ L äÏ~8 @T@U@V.. FORÇA GRAVITACIONAL: Sendo a aceleração dada pela gravidade C e a massa é@R L é@T@U@V pelo princípio de conservação de massa, sendo que o volume é estabelecido como @R. Obtém-se, para a coordenada x, (Àë L é@T@U@V Cë ..

(5) EQUAÇÃO NAVIER-STOKES: Através da Segunda Lei de Newton, têm-se o somatório das forças em x dado por à (ë L (ë E (ºÍë E (Àë L I=ë . Para convenção de sinais, as forças que atuam para dentro da partícula são negativas e as que estão para fora são positivas, na forma unidimensional em x, dada por F !ë 2:T;@T @U@V E ä @!ë . E !ì. E !í. A @T@U@V E é@T@U@V Cë L é@T@U@V ½ç . !. è. !. !. è. Como a massa específica é dada por é L. !. è. ×à , ×é. ½è. sendo o volume @R L @T@U@V, logo @I L é@R.. A equação acima é dividida pelo volume dxdydz, na forma F. ! 2:T; E !ë. ä@. !. è !ë .. E. !. è !ì .. E. !. è A E éCë !í .. L é. ½è . ½ç. Simplificando a equação acima se tem, para a coordenada x, a expressão F. ! 2:T; E !ë. ½è. äÏ~Q E éCë L é ½ç . As equações podem ser simplificadas em uma única equação que descreve essa variação nas três coordenadas. A equação geral de N-S é dada por ½Ï. FÏ2 E äÏ~8 E éC L é ½ç . EQUAÇÃO NAVIER-STOKES PARA UM ESCOAMENTO TURBULENTO: A diferença entre escoamento laminar e turbulento parte do comportamento desordenado dos parâmetros do escoamento turbulento. Estas variações ocorrem nas três componentes de onde há descrição de campo, tais como velocidade, pressão e tensão de cisalhamento (MUNSON, 2004). Um escoamento turbulento é caracterizado por violentas flutuações, surge então a dificuldade de se obter uma completa descrição do escoamento. (FREIRE, CRUZ, 2002) Para isso, escrevemos as propriedades de interesse em termos de valores médios. Os valores instantâneos são dados pela soma do valor médio com a flutuação % E Q, 8 L 8$ E R e 9 L 9 % E S; sendo U, V e W as velocidades nas coordenadas x, y 7L7 e z. A Pressão dada por 2 L 2$ E L e a massa específica sendo é L é§ E éä. A tensão turbulenta é dada pelas tensões de Reynolds $$$ Q~ ìÝÜ L QÜ QÝ L Fé N RQ $$$$ $$$$ SQ. $QR $$$ $$$ R~ $$$$ SR. QS $$$$ $$$$ O. RS $$$$ S~. Na matriz, os valores na diagonal referem-se às tensões normais e as demais as de cisalhamento. A tensão de cisalhamento total em uma localização particular seria devida a ambas, à viscosidade e à troca de quantidade de movimento descrita (POTTER, 2004). Ou seja, para escrever a tensão em termos de escoamento turbulento: ì§ L ì§ßÔà E ì§çèåÕ , onde % !è. ì§ëì L ä !ì F éQR $$$$. Da equação N-S, temos as propriedades escritas em termos de valores médios e para a equação N-S na coordenada x em um escoamento laminar tem-se:.

(6) F !ë 2:T; E ä @ !. ! ãã !ë. E. ! äã !ì. E. ! åã AE !í. As tensões de cisalhamento totais são dadas por: ! åã !í. L ä. % !~Î !í~. Fé. $$$$$ !èê . !í. ! ãã !ë. ½è. éCë L é ½ç . % !~Î. L ä !ë~ F é. $$$ ! äã !è~ , !ì !ë. % !~Î. L ä !ì~ F é. $$$$ !èé !ì. e. Substituindo os termos médios na equação N-S e colocando em. evidência os termos em comum, tem-se a equação N-S para um escoamento turbulento % % % ! !Î ! !Î ½Î ! $$$6 A E ! @ä !Î% F éQR $$$$A E !í @ä !í F éQS $$$$A E éCë L é ½ç . F !ë 2$ E !ë @ä !ë F éQ !ì !ì. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS No estudo proposto, nesse projeto de Iniciação á Pesquisa, alcançar a equação de N-S se mostrou um desafio a ser superado. Este trabalho se propôs a tornar a dedução aqui apresentada uma alternativa para o estudo de mecânica dos fluidos. Como o projeto está em andamento, considera-se que apenas uma etapa foi superada e que o desenvolvimento das equações, que modelam a equação dinâmica para a densidade espectral de energia cinética turbulenta na CLC, precisa ser alcançado. Portanto, este trabalho tem segmento com o estudo do decaimento da turbulência na Camada Limite Planetária. 5. REFERÊNCIAS BRUNETTI, F. Mecânica dos Fluidos - 2ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. 431p. FREIRE, A. P. S., CRUZ, D. O. As Equações do Movimento e Resultados Assintóticos Aplicados a Teoria de Camada Limite, em Turbulência, ABCM ± Associação Brasileira de Ciências Mecânicas. Rio de Janeiro, 2002. p 49-59. GOULART, A. G. O.; DEGRAZIA, G. A.; RIZZA, U. e ANFOSSI, D.; A theoretical model for the study of convective turbulence decay and comparison with large-eddy simulation data, Boundary-Layer Meteorology, Volume 107, p. 143-155, 2003 KIPPER, C. J., GOULART, A., DEGRAZIA, G., VILHENA, M. T., SOARES, P. M., Theorical study of the decaying convective turbulence in a shear-buoyancy PBL, Physica A, v 390, pg. 3320-3328, 2011 MUNSON, B. R., YONG, D. F., OKIISHI, T. H. Fundamentos da Mecânica dos Fluidos. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. 571p POTTER, M. C., WIGGERT, D. C. Mecânica dos Fluidos. São Paulo: Cangage Learning, 2004. 688p..

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