LIBRO DE ACTAS
Coordinadores:
María Isabel Martín Jiménez
Juán Ignacio Plaza Gutiérrez
David Ramos Pérez
Título:
XVII Coloquio Ibérico de Geografía. Nuevas fronteras y nuevos horizontes en la Geografía Ibérica: políticas y transformaciones territoriales. Libro de Actas.
Esta publicación digital contiene las comunicaciones seleccionadas para su presenta- ción y publicación en este libro de actas por el Comité Científico del XVII Coloquio Ibérico de Geografía (Salamanca 4-6 de julio de 2022)
Están organizadas por orden alfabético dentro de cada uno de los cinco ejes temáticos del Coloquio, de acuerdo con el índice.
Los editores y miembros del Comité Científico no se hacen responsables de los errores u omisiones que pudieran contener los textos en lo referente a las normas de edición solicitadas a los/las autores/as.
Coordinadores:
María Isabel Martín Jiménez, Juan Ignacio Plaza Gutiérrez y David Ramos Pérez.
Promueve:
Departamento de Geografía de la Universidad de Salamanca
Diseño y maquetación:
Marcos Munilla, Dpto. Marketing, Fundación General de la Universidad de Salamanca
© De esta edición AGE
© De los textos: los/las autores/as
© De las imágenes: los/las propietarios/as Primera edición: julio 2022
ISBN: 978-84-124962-5-3 Depósito Legal: M-20699-2022
Edita: Asociación Española de Geografía XVII COLÓQUIO IBÉRICO DE GEOGRAFIA Salamanca 4,5 e 6 de julho de 2022
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KEYWORDS: Sentinel 2, Time Series, NDVI, Vegetation Change, Fuel Management..
1. Introdução
Em Portugal, os incêndios florestais, são considerados pela proteção civil (ProCiv) como uma das catástrofes naturais mais graves devido a elevada frequência e extensão que podem abranger. Além disso estão relacionados com perdas econômicas, ambientais e constituem um perigo para a população e bens materiais.
No intuito de mitigar e reduzir o problema com incêndios o Decreto-Lei nº124/2006, de 28 de junho, implementou o Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios (SDFCI). Que define as redes de faixas de gestão de combustível, parcelas situadas em locais estratégicos para a remoção total ou parcial da biomassa, visando reduzir os efeitos de incêndios e proteger as vias de comunicação, infraestruturas e povoamentos florestais, assim como isolar potenciais focos de ignição.
De acordo com artigo 15º da referida legislação os aglomerados populacionais inseridos ou confinantes por florestas devem apresentar uma largura mínima de 100 metros de faixa de gestão. Neste sentido o objetivo deste trabalho é elaborar um modelo capaz de identificar a remoção da vegetação no entorno das áreas urbanas através do Normalized Difference Vegetation Index (NDVI).
Os métodos utilizados para o mapeamento de alteração da superfície baseados em imagens de satélite podem ser divididos em duas categorias (i) detecção da alteração de imagem para imagem; e (ii) detecção de alteração baseada em série temporal (Hirschmugl et al., 2017).
Aqui focamos apenas na série temporal, que utiliza dados adquiridos em muitas datas de observação (Coppin et al., 2004) Estas análises empregam a variação do sinal espectral ao longo de um determinado período para criação de métricas que auxiliam no monitoramento de um determinado local (Hostert et al., 2015). São utilizados os padrões temporais dos índices espectrais para determinar qualitativamente e quantitativamente as alterações que possam existir (Banskota et al., 2014).
Modelos como o LandTrendr (Kennedy et al., 2010) e o Vegetation Change Tracker (VCT) (Huang et al., 2010) são baseados em séries temporais e são muito utilizados para a detecção
ÍNDICE
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81
91
101
112 XVII COLÓQUIO IBÉRICO DE GEOGRAFIA
Salamanca 4,5 e 6 de julho de 2022
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KEYWORDS: Sentinel 2, Time Series, NDVI, Vegetation Change, Fuel Management..
1. Introdução
Em Portugal, os incêndios florestais, são considerados pela proteção civil (ProCiv) como uma das catástrofes naturais mais graves devido a elevada frequência e extensão que podem abranger. Além disso estão relacionados com perdas econômicas, ambientais e constituem um perigo para a população e bens materiais.
No intuito de mitigar e reduzir o problema com incêndios o Decreto-Lei nº124/2006, de 28 de junho, implementou o Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios (SDFCI). Que define as redes de faixas de gestão de combustível, parcelas situadas em locais estratégicos para a remoção total ou parcial da biomassa, visando reduzir os efeitos de incêndios e proteger as vias de comunicação, infraestruturas e povoamentos florestais, assim como isolar potenciais focos de ignição.
De acordo com artigo 15º da referida legislação os aglomerados populacionais inseridos ou confinantes por florestas devem apresentar uma largura mínima de 100 metros de faixa de gestão. Neste sentido o objetivo deste trabalho é elaborar um modelo capaz de identificar a remoção da vegetação no entorno das áreas urbanas através do Normalized Difference Vegetation Index (NDVI).
Os métodos utilizados para o mapeamento de alteração da superfície baseados em imagens de satélite podem ser divididos em duas categorias (i) detecção da alteração de imagem para imagem; e (ii) detecção de alteração baseada em série temporal (Hirschmugl et al., 2017).
Aqui focamos apenas na série temporal, que utiliza dados adquiridos em muitas datas de observação (Coppin et al., 2004) Estas análises empregam a variação do sinal espectral ao longo de um determinado período para criação de métricas que auxiliam no monitoramento de um determinado local (Hostert et al., 2015). São utilizados os padrões temporais dos índices espectrais para determinar qualitativamente e quantitativamente as alterações que possam existir (Banskota et al., 2014).
Modelos como o LandTrendr (Kennedy et al., 2010) e o Vegetation Change Tracker (VCT) (Huang et al., 2010) são baseados em séries temporais e são muito utilizados para a detecção
EJE/EIXO TEMÁTICO 1: DINÁMICAS NATURALES, RETOS AMBIENTALES, PAISAJES Y ORDENACIÓN DEL TERRITORIO / DINÂMICAS NATURAIS, DE- SAFIOS AMBIENTAIS, PAISAGENS E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO Barbosa, Bruno; Costa, Hugo; Rocha, Jorge y Caetano, Mário
Detecção automática de alterações de coberto vegetal em áreas de interface urbano-rural
Betco, Iuria; David, Melissa; Rocha, Jorge; Nogueira, Paulo
A importância do espaço urbano para o sentimento: análise baseada em redes sociais
Carruana-Herrera, David y Martínez-Murillo, Juan Francisco
Delimitación de unidades ecogeográficas originales y comparación con la zoni- ficación del parque natural y geoparque Sierras Subbéticas (Córdoba)
Correia, Fernando y Tedim, Fantina
O contributo dos municípios na preparação das populações para prevenir e mitigar os impactos dos incêndios rurais em Portugal
Cruz Lopes, José da
Didactica de uma microreserva e a sua biodiversidade no sistema infoterritorial da Serra da Peneda, no Alto Minho (norte de Portugal)
Gallardo, Marta; Martínez-Vega, Javier y Mili, Samir
Procesos de cambio en los usos del suelo de los ecosistemas agrícolas del sur español
García-Álvarez, David y Nanu, Sabina Florina
Incertidumbres de la serie temporal de corine land cover (1990-2018) para el estudio de los cambios de usos y coberturas del suelo a escala europea Giménez-García, Rubén; Ruiz-Álvarez, Víctor y Marín, Ramón
Relevancia de las transformaciones territoriales en los eventos de inundación experimentados en el sureste peninsular (Vega Baja – Mar Menor)
González-Pacheco, Mauricio; Olivares-Solís, Angelo; Francos, Marcos y Cor- vacho-Ganahin, Oscar
Factores socioeconómicos y ambientales clave en la reaparición del mosquito Aedes aegypti en la ciudad de Arica (desierto de Atacama) y medidas de miti- gación del riesgo
Hassamo, Ussene Issufo Remane
O saneamento do meio e o seu impacto na saúde pública das comunidades: o caso da região do litoral do distrito de Inharrime, Moçambique
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257 Illán-Fernández, Emilio José; Pérez-Morales, Alfredo y Romero-Díaz, Asun- ciónEstimación y evolución del sellado antropogénico del suelo en los municipios de Murcia y Alcantarilla (sureste de España)
Leal, Miguel; Moreira, Francisco; Bergonse, Rafaello y Oliveira, Sandra Regimes de fogo na região centro de Portugal: tendências recentes e caracte- rísticas territoriais
Leal, Miguel; Pinto Santos, Pedro y Reis, Eusébio
Análise espacial de cheias rápidas com recurso aos sistemas de informação geográfica: relações entre características dos canais fluviais e componentes do escoamento
Liñán-Chacón, Javier y Frolova-Ignatieva, Marina
La transición energética en la Península Ibérica: malas prácticas en los parques eólicos en España
López-Fernández, José Antonio
Subsistencia de paisajes tradicionales del agua generados por galerías drenan- tes en el sureste de la Península Ibérica
Madeira, Paulo Miguel; Guerra, João; Duque dos Santos, Madalena y Fe- rrão, João
Seleção e adaptação de metas para a escala local – um ponto de partida para a aplicação dos ods das nações unidas ao nível municipal
Menjíbar-Romero, Mario y Martínez-Murillo, Juan Francisco
Aproximación a la dinámica del paisaje y las presiones territoriales en el ámbito del parque natural y geoparque Sierras Subbéticas (provincia de Córdoba) Modesto dos Passos, Messias; Laércio Gonçalves, Diogo y Maistro, Juliane Quais Amazonias?
Nebot-Meneu, Sara; Pitarch-Garrido, María Dolores y Camarasa-Belmonte, Ana M.
Evolución de la percepción del riesgo de inundación en el municipio de Taver- nes Blanques (Valencia)
Oliveira, Sandra; Capinha, César y Rocha, Jorge
Análise da relação entre o comércio internacional de plantas e pneus e a po- tencial dispersão do mosquito-tigre
Pina, Helena y Martins, Felisbela
As águas frize: uma componente para a revitalização e desenvolvimento susten- tável de Vila Flor
Ruiz-Álvarez, Víctor; Giménez-García, Rubén y García-Marín, Ramón
Análisis de la influencia de los patrones de teleconexión (nao, wemo y mo) en la ocurrencia de sequías en el sureste de España
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380 Samora-Arvela, André; Vázquez Varela, Carmen; Martínez Navarro, José
María y Tedim, Fantina
Ordenamento do território e incêndios rurais: articulação ou desarticulação de políticas públicas? Estudo comparativo entre o caso de Portugal e da comuni- dade autónoma de Castilla-la-Mancha (Espanha)
Serrano-Montes, José Luis y Arias-García, Jonatan
El estudio de la ganadería en la investigación geográfica española: estado de la cuestión
Silva, Melissa; Betco, Iuria; Capinha, César y Rocha, Jorge
Sistema inteligente de predição espaciotemporal para avaliação de risco no combate ao sars-cov-2 em Portugal continental
Tedim, Fantina; Pinto, Diogo Miguel y Correia, Fernando
A segurança das populações aos incêndios rurais em Portugal: as potencialida- des e fragilidades dos programas “aldeia segura” e “pessoas seguras”
Torres-Ramírez, Raisa y Freire-Quintanilla, Karla
Vehículos aéreos no tripulados en el análisis y monitoreo de eventos adversos en la zona centro de la cuenca del río Paute, Ecuador
Torres-Ramírez, Raisa; Sánchez-Almodóvar, Esther y Marco-Molina, Juan Antonio
Análisis de la dinámica fluvial del río Burgay al norte de la ciudad de Azogues (Ecuador) y su influencia en el medio urbano mediante técnicas fotogramétricas y twitter api
EJE/EIXO TEMÁTICO 2: DESPOBLACIÓN, FRAGILIDAD Y NUEVAS ORIEN- TACIONES DEL MEDIO RURAL / DESPOVOAMENTO, FRAGILIDADE E NO- VAS ORIENTAÇÕES DO MEIO RURAL
Baraja-Rodríguez, Eugenio; Martínez-Arnáiz, Marta y Herrero-Luque, Daniel Sistemas agroalimentarios territorializados y multifuncionales: nuevos modelos agrarios frente a la desvitalización rural de Castilla y León (España)
Casas Casas, Daniel
La involución demográfica en la Campana de Oropesa y Cuatro Villas (Toledo), escasa vitalidad, elevado envejecimiento y laxa ocupación territorial
Cutillas Orgilés, E.; Cortés Samper, C.; Sempere Souvannavong, J.D.; Vale- ro Escandell, J.R. y Martínez Puche, A
Las tendencias geodemográficas recientes en los municipios rurales valencia- nos: una propuesta de agrupación territorial
De Jaime-Lorén, Chabier
El parque cultural del Chopo Cabecero del Alto Alfambra. Reinventar un valle de montaña de Teruel desde el saber campesino
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537 Dimas de Oliveira, Estevam; Caroline da Graça, Jacques y Max Richard
Coelho, Verginio
Despovoamento em regiões fronteiriças e o fenômeno da litoralização em San- ta Catarina (Brasil) e em Portugal
Fernández-Enríquez, Alfredo; Ramírez-Guerrero, Gema y Ruiz-Pilares, Enri- que José
Contexto geográfico, raíces históricas y potencial turístico de la ganadería de lidia en la comarca de La Janda (Cádiz)
Fernández-Sangrador, Lía
La comarca Saldaña-Valdavia en el marco de los territorios olvidados: el signifi- cado de las zonas de transición ante los retos de futuro
Franco, Pedro y Marques da Costa, Eduarda
Serviços de interesse geral e as regiões europeias – condições que levam à oferta e comportamento regional
Franco, Pedro y Marques da Costa, Eduarda
Serviços de saúde no quotidiano de uma população transfronteiriça. o exemplo do Alto Alentejo
Hortelano Mínguez, Luís Alfonso y Fernández Sangrador, Lía
Los servicios esenciales, puntos clave del reto demográfico en la «Raya Hispa- nolusa» de Castilla y León
López-Fernández, José Antonio
Despoblación y polarización demográfica en el interior de la región de Murcia (España)
Martín-Delgado, Luz María y Rengifo-Gallego, Juan Ignacio Caza y desarrollo rural en la raya luso-cacereña.
Martín-Jiménez, María Isabel y Fernández-Sangrador, Lía
Crónica del retroceso demográfico en la Raya Central Ibérica (2000-2021) Martínez-Puche, Antonio, Martínez Puche, Salvador y Cutillas Orgilés, Er- nesto
Migración rural y urbana: representación ficcionalizada del proceso a través de la comedia
Mayordomo-Maya, Sandra y Hermosilla-Pla, Jorge
Políticas públicas de empleo en el interior valenciano: los proyectos experimen- tales de labora-gva en el Rincón de Ademuz
Morales-Yago, Francisco José
El noroeste de Murcia: ¿una comarca en proceso de despoblación?
Moreno-Arriba, Jesús
Agotamiento demográfico rural en áreas de montaña ibéricas con desventaja territorial y alternativas para su sustentabilidad integral: el caso del Alto Tormes en las sierras de Gredos
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662 Nossa, Paulo N.; Mota-Pinto, Anabela y Lima, Margarida P.
Envelhecimento em territórios de baixa densidade: proposta de investigação num município da região centro de Portugal para construção de comunidades participativas
Palma Pinar, Gisela y Mecha López, Rosa
Las nuevas acciones para el desarrollo rural en Europa: análisis de la iniciativa smart rural 21 en Castilla-León (España) y Portugal centro
Pereira-Martins, João Emanuel; Jurado-Almonte, José Manuel y Jaraíz-Ca- banillas, Francisco Javier
A promoção do turismo rural na área territorial de Alqueva (Portugal) Sánchez Martínez, José Domingo y Garrido Almonacid, Antonio
Retroceso demográfico y recomposición del poblamiento rural en la provincia de Jaén
Silva, Katielle; Silva Gaspar, Diogo e Malheiros, Jorge
Revisitar o dualismo sociodemográfico e económico português: significado, tendências e estratégias face às desigualdades entre territórios de alta e baixa densidade
EJE/EIXO TEMÁTICO 3: GOBIERNO Y PERSPECTIVAS MULTIESCALARES / GOVERNO E PERSPECTIVAS MULTIESCALARES
Domínguez-Mujica, Josefina; Fonseca, Lucinda; Rodríguez-Rodríguez, Mer- cedes; Esteves, Alina; Moreno-Medina, Claudio; Parreño-Castellano, Juan y McGarrigle Jennifer
La movilidad de estudiantes universitarios erasmus+ entre países vecinos: los casos de Portugal y España
Farinós-Dasí, Joaquín
Las energías renovables como fuente de un nuevo conflicto territorial e interins- titucional
Flamarich Tarrasa, Miquel
Una lectura crítica en clave territorial y democrática de la carta municipal de Barcelona. ,Municipalismo transformador contra neoliberalismo globalizador Jover-Martí, Francisco Javier y Martínez Cano, Adrián Fermín
Hacia una educación de calidad en la unión europea. Un análisis a partir de los indicadores de los objetivos de desarrollo sostenible
Latasa-Zaballos, Itxaro y Farinós-Dasí, Joaquín El reto de una infraestructura verde multinivel
Medina-Chavarría, Maria E; Saladié, Òscar y Gutiérrez, Aaron
Gestión de flujos de visitantes en los espacios naturales protegidos de la pro- vincia de Tarragona en tiempos de pandemia
Saladié, Òscar y Bustamante, Edgar
Covid-19 y rescates en espacios naturales en Cataluña durante los meses de julio y agosto de los años 2019, 2020 y 2021
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814 Salvador, Regina; Antunes, Gonçalo y Brito, Susana S.
O papel das mulheres na comunidade piscatória da Costa da Caparica Silva, Diogo Gaspar y Frago, Lluís
Políticas de revitalização urbana em movimento: territorialização de business improvement districts em Barcelona
Silva, Diogo Gaspar y Oliveira, Francisco Roque de
Urbanismo móvel: os planos de forestier para Lisboa (1927) vistos à luz dos seus principais projetos urbanísticos na América Latina, Espanha e Marrocos
EJE/EIXO TEMÁTICO 4: LAS TRAYECTORIAS URBANAS Y EL ESPACIO ECONÓMICO IBÉRICO / AS TRAJECTÓRIAS URBANAS E O ESPAÇO ECO- NÓMICO IBÉRICO
Castro-Noblejas, Hugo; Sortino-Barrionuevo, Francisco y Mérida-Rodrí- guez, Matías Francisco
Análisis de las tipologías constructivas dominantes en la evolución de los mo- delos de oferta turística. Los casos de Marbella, Benalmádena y Manilva (Costa del Sol)
Garzón-García, Rafael; Vega-Pozuelo, Rafael y Ramírez-López, María Luisa La infraestructura verde como elemento de articulación del espacio urbano y periurbano: una propuesta para Córdoba (España)
González Pérez, Jesús M. y Yrigoy, Ismael
Descubriendo la ciudad de Ibiza. Desigualdad urbana y segregación étnica Gusman, Inês; Lois González, Rubén Camilo y Rio Fernandes, José Alberto Variações do norte de Portugal: entre os espaços formais e os imaginários terri- toriais
Lúcio, José; Marques, Bruno Pereira y Moita, Nuno Quelhas
Desarrollo turístico y el nuevo aeropuerto de la área metropolitana de Lisboa:
el caso del enoturismo en Palmela Macedo, Marlene y Antunes, Gonçalo
A pressão imobiliária na região autónoma da Madeira
Mancha Cáceres, Olga; Mecha López, Rosa y Ramírez García, Susana Sistemas productivos locales agroalimentarios tradicionales ligados al patrimo- nio turístico vitivinícola: Valdepeñas y São João da Pesqueira y sus museos del vino, una comparativa
Martínez-Rivas, Angela; Martínez-Ruiz, Jaime y Sánchez-Aguilera, Dolores
¿Hacia una movilidad urbana sostenible metropolitana? El caso del sistema público de bicicletas en ciudades españolas
Obeso Muñiz, Ícaro
Los nuevos desarrollos urbanos de las ciudades medias de la Península Ibérica (2000 – 2020)
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956 Parreño-Castellano, Juan Manuel; Armengol-Martín, Maite; Ortiz-García,
Cristian y Santana-Rivero, Cecilia
Procedimientos judiciales de pérdida de vivienda durante la pandemia. El caso de las Palmas de Gran Canaria
Pérez-Pintor, José Manuel y Garrinhas, João
EUROBEC: constituição, enquadramento socioeconómico e estratégia Sánchez-Moral, Simón; Arellano, Alfonso y Méndez, Ricardo
Teletrabajo y pandemia: un análisis exploratorio en la región metropolitana de Madrid
Serafim Gomes, Maria Terezinha
A geografia da inovação e a formação de ambientes inovadores na região oes- te do estado de São Paulo - Brasil
Sperotto, Fernanda Q. y Tartaruga, Iván G. P.
Industrialização inclusiva e sustentável – panorama da inovação na Espanha e Portugal na perspetiva dos objetivos do desenvolvimento sustentável
Tartaruga, Iván G. Peyré y Sperotto, Fernanda Queiroz
Mudanças tecnológicas no setor agroalimentar ibérico: possibilidades de ino- vação inclusiva e desenvolvimento territorial
EJE/EIXO TEMÁTICO 5: EXPLICAR EL TERRITORIO. LA ENSEÑANZA DE LA GEOGRAFÍA / EXPLIQUE O TERRITÓRIO. ENSINO DE GEOGRAFIA
Andrés López, Gonzalo; Herrero Luque, Daniel y Martínez Arnáiz, Marta Cartografía Covid-19 en Castilla y León (España): un análisis de dos años de pandemia a escala de zona básica de salud (2020-2022)
Arias-García, Jonatan; Serrano-Montes, José Luis y Rodríguez-Lachica, José LuisLa despoblación y reconfiguración de los espacios rurales españoles en la ense- ñanza de la geografía: una propuesta didáctica en la “Granada vaciada”
Azevedo, Luísa; Osório, António y Ribeiro, Vítor
Olhares pedagógicos de professores portugueses de educação básica sobre o potencial didático das tig na promoção de processos educativos interdisciplina- res
Canosa Zamora, Elia; García Carballo, Ángela; Madrazo García de Lomana, Gonzalo y Sáez Pombo, Ester
El mapeo colectivo de las periferias urbanas como herramienta de enseñanza aprendizaje en los estudios universitarios
Corsi, Primetta y Rodríguez-Domenech, Mª Ángeles
El valor de la geografía en la educación inclusiva: la orientación en el aprendi- zaje espacial de alumnos con trastornos autistas (TEA)
Esteban-Rodríguez, Samuel y Climent-López, Eugenio
La toponimia como fuente de información territorial en entornos plurilingües: el viñedo como caso de estudio
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1087 García-Álvarez, David
Un análisis de las pruebas de acceso a la universidad en geografía pre y post pandemia Covid-19
Gonçalves Fernandes, Mário
Os levantamentos cartográficos urbanos no Portugal oitocentista Madaleno, Isabel Maria
Más allá de la Península Ibérica – Magallanes y Elcano, y sus contribuciones al conocimiento de la geografía del planeta tierra
Martinha, Cristiana y Sarmento, João
O pensamento espacial e o “conhecimento poderoso” nos manuais escolares de história e geografia da Guiné-Bissau
Mateo Girona, Mª Rosa
El trabajo de campo en la formación de profesores de educación primaria. Re- flexiones sobre una experiencia de trabajo colaborativo
Moreno-Arriba, Jesús
Innovación curricular en los planes de estudio de geografía: integrar despobla- ción rural ibérica, sustentabilidad integral y alfabetización mediática digital en el marco de los ODS
Pato, Isabel y Esteves, Maria Helena
Para uma cultura de território. Potencialidades e limites da cidadania curricular Queiroz, Antonia Márcia Duarte y Queiroz, Joyce Duarte
Espaço virtual e ensino de geografia no Brasil: uma análise a partir da educação mediada pelas TIC
Queiroz, Joyce Duarte y Ferreira, Andréia de Assis
Competências digitais e currículo: um estudo a partir da formação inicial de professores no Brasil
Rodríguez-Rodríguez, Mercedes; Parreño-Castellano, Juan Manuel y Jimé- nez-Barrado, Víctor
La competencia en la lectura de mapas de los estudiantes del grado en turis- mo: análisis y diagnóstico
Ruiz Conesa, Sonia
Del currículo al aula: las decisiones pedagógicas que se toman en el camino del conocimiento geográfico
Sánchez-Almodóvar, Esther; Gómez-Trigueros, Isabel María; Olcina-Cantos, Jorge y Martí-Talavera, Javier
Percepción del cambio climático y de los extremos atmosféricos asociados en el alumnado de eso y bachillerato
XVII COLÓQUIO IBÉRICO DE GEOGRAFIA Salamanca 4,5 e 6 de julho de 2022
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POLÍTICAS DE REVITALIZAÇÃO URBANA EM MOVIMENTO:
TERRITORIALIZAÇÃO DE BUSINESS IMPROVEMENT DISTRICTS EM BARCELONA1
Silva, Diogo Gaspar. CEG/IGOT-ULisboa, [email protected] Frago, Lluís. Department de Geografía, Universitat de Barcelona, [email protected]
RESUMO: Os Business Improvement Districts (BIDs)—áreas geograficamente delimitadas, autorizadas pelos governos locais, nas quais comerciantes e prestadores de serviços decidem democraticamente realizar uma contribuição obrigatória para revitalizar a sua área comercial—
têm sido apresentados, nos circuitos de conhecimento político internacionais, como uma política mais eficaz e eficiente na gestão dos espaços urbanos contemporâneos. Mobilizando as recentes conceptualizações relacionais/territoriais e as abordagens metodológicas de seguimento de políticas dos estudos de mobilidades-mutação de políticas urbanas, esta comunicação explora como os BIDs—ou Àreas de Promoció Econòmica Urbana (APEUs)—
foram selecionados como ‘modelo’ de revitalização urbana e como têm sido reterritorializados na comunidade autónoma da Catalunha. Os resultados sugerem, primeiro, que a contextualização de BIDs na Catalunha foi produzida através do diálogo comparativo e relacional que os decisores políticos barceloneses estabeleceram com as experiências inglesa e alemã de BIDs. Segundo, verificou-se que a reterritorialização de BIDs na Catalunha, além de responder à ineficácia de anteriores iniciativas público-privadas de gestão de áreas comerciais, envolveu mutações ao ‘modelo’ BID para garantir a sua adaptação a diferentes contextos territoriais. Esta comunicação expande o debate relacional/territorial no processo de formulação de políticas urbanas contemporâneas e provoca novos debates sobre a forma como políticas contemporâneas são, ou não, mobilizadas em diferentes contextos territoriais.
PALAVRAS CHAVE: Business improvement districts, Mobilidade de políticas, Revitalização urbana, Barcelona.
1 Investigação financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com as referências 2020.06080.BD e PTDC/GES-URB/31878/2017.
AAAA
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XVII COLÓQUIO IBÉRICO DE GEOGRAFIA Salamanca 4,5 e 6 de julho de 2022
~ 2 ~
ABSTRACT: Business Improvement Districts (BIDs)—geographically-bounded areas, authorized by local governments, in which retailers and service providers democratically decide to make a mandatory contribution to revitalize their shopping district—have been showcased as a more effective and efficient policy in the management of contemporary urban spaces through international policymaking circuits. Drawing on the relational/territorial conceptualizations and following techniques used on policy mobilities studies, this paper explores how BIDs—or Àreas de Promoció Econòmica Urbana (APEUs)—were selected as an urban revitalization policy ‘model’ and reterritorialized in the autonomous community of Catalonia. Findings suggest, first, that BIDs’ contextualization in Catalonia was produced through relational and comparative dialogues that Barcelona policymakers established with English and German BIDs. Second, BIDs’ reterritorialization in Catalonia, while responding to the ineffectiveness of former public-private initiatives in the management of town centers, encompassed some mutations in the BID ‘model’ to ensure its adaptation to different territorial contexts. This paper expands the relational/territorial debate in the making of urban policies and contributes to recent discussions on how contemporary policies are, or are not, mobilized in different territorial contexts.
KEYWORDS: Business improvement districts, Policy mobilities, Urban revitalization, Barcelona.
1. INTRODUÇÃO
A cidade de Barcelona tem, ao longo das últimas décadas, demonstrado a sua natureza relacional. Em agosto de 1992, Juan Antonio Samaranch—Presidente do Comité Olímpico Internacional—declarava que Barcelona estava a organizar “os melhores Jogos Olímpicos da História”. Desde então, nos circuitos de conhecimento político internacional, o célebre
‘Barcelona effect’ começou a ser disseminado e até visitado por decisores políticos contemporâneos, não só como um ‘modelo’ de regeneração urbana baseado na utilização estratégica das Olimpíadas de 1992, mas também como uma ‘fórmula’ de sucesso na combinação ‘cultura-turismo-requalificação urbana’ (González, 2011). Mais recentemente, porém, inúmeras áreas comerciais de Barcelona e da sua região, à semelhança das suas homólogas noutros contextos europeus, têm experienciado um declínio acentuado na sua viabilidade e vitalidade socioeconómica (Carreras et al., 2020). A suburbanização residencial,
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a progressiva diversificação e segmentação dos ambientes retalhistas, potenciada pelas operações de médias e grandes cadeias de distribuição de implantação periférica, e a progressiva omnicalização dos modelos de negócios, ampliada pela pandemia Covid-19, têm contribuído para a reestruturação de inúmeras áreas comerciais tradicionais e para o aprofundamento das suas vulnerabilidades competitivas com efeitos na progressiva obsolescência do seu ambiente físico e experiencial (Frago, 2021).
A complexidade multidimensional das mudanças dos sistemas comerciais urbanos tem-se traduzido num aprofundamento dos esforços que decisores políticos contemporâneos e stakeholders locais têm travado para reinventar os ‘modelos’ de governança das áreas comerciais urbanas num quadro de ascensão de uma nova ortodoxia da economia política urbana, caracterizada pela progressiva desregulação e empreendedorismo (Harvey, 1989). Tem sido neste contexto que, impulsionados pelo contributo da Asociación Española para la Gerencia de Centros Urbanos (AGECU) desde os anos 1990s, os decisores políticos espanhóis, incluindo do Governo Catalão, têm participado em conferências e viagens internacionais para, por um lado, conhecer novas formas de governança ‘bem-sucedidas’ na reconversão de centros urbanos inseguros, estagnados e não lucrativos em lugares dinâmicos, lucrativos e atrativos e, por outro lado, para examinar a exequibilidade de ‘transferir’ essas ‘boas práticas’ para as áreas comerciais catalãs (Ward & Cook, 2017).
Os Business Improvement Districts (BIDs)—área geograficamente delimitada onde arrendatários e/ou proprietários decidem democraticamente pagar um tributo obrigatório para financiar serviços públicos complementares, como atividades de limpeza, manutenção e marketing—têm sido apresentados, nos circuitos de conhecimento político, através de comparações relacionais, como uma política urbana localmente flexível e efetiva na gestão dos espaços urbanos (Briffault, 2010). Neste contexto, os decisores políticos barceloneses têm realizado viagens internacionais a outros contextos territoriais para conhecer o modus operandi dos BIDs e explorar a forma como estes podem ser reterritorializados nos seus contextos socio- espaciais e político-institucionais. Mobilizando os recentes debates sobre mobilidades-mutação de políticas urbanas e as abordagens metodológicas de seguimento de políticas, esta comunicação explora como os BIDs foram selecionados como um ‘modelo’ de política de revitalização urbana pelos decisores políticos e de que forma essa nova forma de governança foi desterritorializada e reterritorializada na Catalunha, onde os BIDs são juridicamente conhecidos, desde dezembro de 2020, como Àreas de Promoció Econòmica Urbana (APEUs).
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2. CIRCULAÇÃO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS CONTEMPORÂNEAS: UMA ABORDAGEM GEOGRÁFICA RELACIONAL E TERRITORIAL
Nas últimas décadas, as práticas dos processos de decisão política contemporâneos têm-se caracterizado pela sua natureza empreendedora. Essas práticas evidenciam que os decisores políticos contemporâneos se encontram social e politicamente pressionados em implementar, a um ritmo progressivamente mais rápido e regular, ‘fórmulas’ políticas diferenciadoras que se demonstraram adequadas na resolução de problemas locais noutros contextos territoriais e que, por isso, têm sido apresentadas como ‘bem-sucedidas’ e potencialmente ‘transferíveis’ para outros territórios (Peck & Theodore, 2015). Desde então, inúmeras cidades contemporâneas tornaram-se arenas comparativas onde os decisores políticos transnacionais têm estabelecido diálogos relacionais através dos quais ‘boas práticas’ políticas são avaliadas, aprendidas e selecionadas como ‘modelos’ a aplicar em diferentes contextos socio-espaciais e político- institucionais (Ward, 2018). Por exemplo, González (2011) verificou que as cidades de Barcelona, devido à organização dos Jogos Olímpicos de 1992, e de Bilbau, com a abertura do museu Guggenheim em 1997, se tornaram ‘modelos’ transnacionais de regeneração urbana ao serem visitadas por inúmeras delegações estrangeiras. Examinando a expansão transnacional dos BIDs, Ward & Cook (2017) demonstraram que os BIDs existentes na costa leste dos EUA foram selecionados pelos decisores políticos ingleses como ‘modelos’ de revitalização urbano- comercial, tendo-se multiplicado, desde então, o número de visitas de estudo para examinar in loco as conquistas e o modus operandi dessas formas de governança.
Apesar de constituídas mediante comparações relacionais estabelecidas em, e entre, múltiplos circuitos de conhecimento internacionais, as políticas urbanas contemporâneas, contrariamente ao que os estudos comparativos tradicionais produzidos pela ciência política ortodoxa têm postulado, não constituem ‘fórmulas’ completas que circulam linearmente entre paisagens socio-espaciais e político-institucionais isomórficas (Peck & Theodore, 2015; Ward, 2018).
Tem sido neste contexto que se têm vindo a criticar as conceptualizações ontológicas absolutas do espaço e escala geográficos consagrados pelos estudos comparativos tradicionais ao argumentar-se que a (re)formulação e (re)contextualização de políticas contemporâneas são, além de relacionais, processos profundamente locais e territoriais. Por conseguinte, os estudos das mobilidades-mutação de políticas urbanas entendem que a reterritorialização de uma política contemporânea, embora produzida relacionalmente com outras arenas urbanas, exige a
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reconfiguração ou mutação da sua forma ou conteúdo para garantir o pleno ajustamento dessa política noutro contexto territorial (Ward, 2018). Ward & Cook (2017) identificaram mutações ao ‘modelo’ BID norte-americano após a sua reterritorialização em Inglaterra. Por um lado, devido à natureza jurídica do regime fiscal inglês, são, de um modo geral, os arrendatários—e não os proprietários, como nos EUA ou na Alemanha—que contribuem para o financiamento dos BIDs (Eick, 2012). Por outro lado, a formação de um BID em Inglaterra depende da aprovação maioritária do número total de arrendatários e, também, do valor tributável previsto para a área do BID.
3. BUSINESS IMPROVEMENT DISTRICTS EM BARCELONA: ÀREAS DE PROMOCIÓ ECONÒMICA URBANA (APEUs)
3.1. Uma resenha do contexto territorial para a contextualização de Business Improvement Districts em Barcelona
Em Espanha, o debate sobre a territorialização de BIDs como nova forma de governança urbana remonta ao final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Por um lado, o debate académico, iniciado em 1989, já discutia a relevância desta forma de colaboração público-privada como um ‘modelo’ adequado para inverter as situações de declínio na vitalidade e viabilidade económica experienciadas por algumas áreas comerciais do município de Barcelona (Carreras, 1989). Por outro, o interesse dos decisores políticos foi amplamente promovido pela influência que a AGECU—e, mais tarde, a Confederación Española de Comercio—exerceu, desde 1999, para formular os quadros jurídicos nacional e autonómicos que permitissem a territorialização de novas formas de gestão de áreas comerciais internacionalmente reconhecidas, designadamente os BIDs (Galende, 2014). Desde então, a AGECU, tal como a Association of Town Center Management (ATCM) no Reino Unido, organizou viagens internacionais nas quais os decisores políticos visitaram alguns BIDs e dialogaram com os seus diretores executivos. O objetivo destas iniciativas era divulgar as ‘boas práticas’ dos BIDs na revitalização da dinâmica empresarial das áreas de intervenção, legitimar e impulsionar a sua contextualização nas diferentes comunidades autónomas.
Apesar dos debates académicos e políticos terem reconhecido—mesmo precocemente—o contributo dos BIDs como ‘fórmulas’ inovadoras de organização público-privada dotadas de financiamento obrigatório, a sua contextualização político-institucional tem-se revelado particularmente demorada, implicando, por um lado, uma adaptação legislativa ao nível central,
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competência do governo espanhol, e, por outro, a subsequente redação da legislação pública habilitante por parte das comunidades autónomas. Contudo, o contexto territorial que impulsionou o interesse transversal pelos BIDs em várias comunidades autónomas decorreu da prevalência de outras iniciativas de colaboração público-privadas, que combinavam associações de comerciantes tradicionais e autoridades públicas, e que se revelaram ineficazes na revitalização da dinâmica urbano-comercial: os Centros Comerciales Abiertos (CCAs)—
correspondentes aos Town Center Management ingleses—e as Áreas Comerciales Urbanas (ACUs). A maioria destas iniciativas caracteriza-se por estruturas de financiamento misto que combinam contribuições voluntárias de alguns membros de associações de comerciantes, traduzindo-se numa elevada prevalência de free-riders, e apoios económicos das administrações autonómicas e locais, progressivamente mais reduzidos (Pardo, 2015).
Na comunidade autónoma da Catalunha, os mecanismos de financiamento do CCA de Terrassa Centre, por exemplo, demonstraram o esgotamento e a insustentabilidade das formas de governança baseadas em estruturas voluntárias e associativas. Criado em 2007 mediante um convénio com o município de Terrassa para elaborar um acordo pré-BID com o objetivo de melhorar a gestão e a competitividade locais, o Terrassa Centre tinha, em 2009, um orçamento global de 150.000€, sendo que uma metade provinha de quotas voluntárias da associação de comerciantes e a outra metade dependia de contribuições públicas, designadamente da Generalitat de Catalunya (40%), da Câmara Municipal (8%) e da Câmara do Comércio (2%) (Coca-Stefaniak et al., 2009). Foi neste contexto que os decisores políticos e alguns stakeholders barceloneses advogaram a necessidade de substituir formas de governança de natureza voluntária por outras com um sistema de financiamento mais eficaz, como os BIDs.
3.2. De Inglaterra e da Alemanha para Barcelona: uma leitura relacional e territorial Nas últimas duas décadas, consolidou-se, em diversas comunidades autónomas de Espanha, a relevância dos locais de aprendizagem e intercâmbio, como conferências e congressos, e dos think-thanks que neles participam na legitimação sociopolítica dos BIDs como um ‘modelo’
inovador de revitalização urbano-comercial. Por exemplo, no verão de 2010, a Confederación Regional de Comércio organizou o VI Encontro do Comércio Espanhol para o qual foi convidado Jerry Mitchell, académico da Universidade de Nova Iorque e ‘BID guru’, e onde se discutiu a ‘transferência’ do ‘modelo’ para Espanha. No mesmo ano, constituiu-se um grupo de trabalho para examinar as experiências internacionais de BIDs no Canadá, EUA, Reino Unido e Alemanha (Gallende, 2014).
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Por conseguinte, na última década e em diferentes comunidades autónomas, multiplicaram-se as propostas de regulamentação jurídica, provenientes de um alargado espetro político- partidário, para a introdução de BIDs: País Basco (2012), Madrid (Proyecto Inicial de la Ordenanza de Dinamización de Actividades Comerciales em Domínio Público, 2014), Comunidade Valenciana (2018), Comunidade Foral de Navarra e, também, Aragão (2019). Os antecedentes legislativos dos BIDs na comunidade autónoma da Catalunha remontam a fevereiro de 2012 quando o PSC-PSOE apresentou uma proposta de lei para regulamentar a criação de BIDs. Tal como nas restantes comunidades autónomas, a contextualização legislativa da figura das APEUs—designação para os BIDs na Catalunha—foi produzida relacionalmente através dos ‘modelos’ existentes na Inglaterra/País de Gales e Alemanha. Por exemplo, em 2005, o Governo Provincial de Barcelona convidou Martin Blackwell—então CEO da ATCM, entidade responsável pela coordenação de 22 projetos-piloto de BIDs em Inglaterra e Gales entre janeiro 2003 e junho de 2005—para discutir diferentes mecanismos de financiamento dos BIDs (Blackwell, 2005). No ano seguinte, o Governo Provincial de Barcelona organizou uma viagem de estudo às cidades inglesas de Londres e Birmingham onde os decisores políticos tiveram a oportunidade de conhecer os diretores executivos e observar as práticas quotidianas de alguns dos mais destacados BIDs ingleses. Por outro lado, o diálogo comparativo e relacional que os decisores políticos barceloneses estabeleceram com a experiência de BIDs alemã decorreu da maior proximidade entre os dois sistemas jurídicos. Pardo (2015) verificou que as idiossincrasias jurídicas da introdução de BIDs no direito espanhol seriam semelhantes aos problemas jurídico-constitucionais suscitados aquando da contextualização dos primeiros BIDs na Alemanha, em 2005 na cidade-estado de Hamburgo (Eick, 2012).
Mais recentemente, ainda antes da aprovação da legislação habilitante que possibilitou a contextualização das APEUs em Barcelona, os discursos e as ‘boas práticas’ dos BIDs ingleses e alemães estiveram novamente presentes nas mesas redondas e nos debates que decorreram na Semana do Comércio, organizada pela Generalitat. Por um lado, os representantes ingleses foram Hasanul Hoque—diretor de operações da Camden Town Limited—e Natalie Raben—
diretora executiva do WeAreWaterloo BID. Por outro lado, o ‘modelo’ alemão foi apresentado por Frithjof Büttner, da Divisão de Habitação e Desenvolvimento de Hamburgo. Numa subsequente viagem de intercâmbio, em abril de 2019, Muntsa Vilalta— diretora do Comércio da Generalitat de Catalunya—, acompanhada por Frithjof Büttner e por representantes da Câmara de Comércio alemã, visitou diferentes BIDs em Hamburgo. Finalmente, em novembro
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de 2020, Matthew Davis—gestor de marketing na The BID Foundation, UK—participou na jornada virtual Les Àrees de Promociò Econòmica Urbana (APEUs). Instrument per una nova agenda urbana, organizada pelo Governo Provincial de Barcelona, para discutir a experiência dos BIDs ingleses.
A aprovação da iniciativa legislativa para a constituição de BIDs em Barcelona, em dezembro de 2020, além de ter beneficiado de um amplo consenso político-partidário2, implicou algumas adaptações ao contexto socio-espacial e político-institucional da Catalunha. Primeiro, a proposta de criação de uma APEU3—que pode derivar, tal como noutros contextos internacionais, de uma associação empresarial local ou de um município—implica, caso o grupo proponente sejam comerciantes ou prestadores de serviços locais, a aprovação de, pelo menos, 25% do total de titulares do direito de propriedade das parcelas comerciais da área prevista para a APEU e que representem simultaneamente 25% do número total de votos favoráveis segundo a superfície cadastral. Segundo, a aprovação da formação de uma APEU, realizada mediante ato eleitoral e no qual têm de participar, pelo menos, 50% das parcelas comerciais—sendo esta taxa de participação considerada elevada, constituindo uma mutação da política relativamente a outros contextos internacionais—, só é possível com a aprovação maioritária dos votantes segundo um doble-test que combina o número total de parcelas comerciais da APEU e simultaneamente o respetivo valor cadastral, tal como em Inglaterra e em alguns länders alemães. Porém, na Catalunha, são definidas tipologias cadastrais segundo a superfície de construção das parcelas comerciais—e não sobre o valor cadastral—que determinam o volume de votos correspondentes. Por exemplo, estabelecimentos com uma superfície <300m2 contribuem com 1 voto enquanto às parcelas comerciais com 300 a 800m2 correspondem 1,5 votos. Terceiro, a natureza territorial das APEUs é ainda demonstrada pela realização de 18 iniciativas-piloto promovidas pelo Governo Provincial da Barcelona: 11 implementadas em áreas comerciais e 7 em áreas industriais ou terciárias. Porém, devido ao insucesso de todas as formas de experimentação de APEUs no município de Masnou (23.848 habitantes), o número de provas-piloto reduziu-se para 10, situação que sublinha, uma vez mais,
a relevância das contingências socio-espaciais para a territorialização de BIDs.
2 Todavia, em várias comunidades autónomas, incluindo na Catalunha, têm-se assinalado algumas divergências que distinguem os espetros político-partidários de direita, cujo debate se tem centrado no modus operandi dos BIDs e, sobretudo, na natureza obrigatória do tributo financeiro, e da esquerda, com discursos centrados nas práticas de privatização do espaço urbano (Eick, 2012).
3 Enquanto em Inglaterra não são definidos critérios de apoio à proposta de criação de um BID, em Hamburgo requere-se que, pelo menos, 15% dos proprietários apoiem a sua constituição (Pardo, 2015).
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta comunicação examinou a natureza simultaneamente relacional/territorial das políticas contemporâneas a partir da recente reterritorialização de BIDs na comunidade autónoma da Catalunha. Os resultados demonstraram que os BIDs na Catalunha foram relacionalmente produzidos através do diálogo comparativo estabelecido entre Barcelona e alguns BIDs ingleses e alemães. Primeiro, a apologia sociopolítica catalã pelos BIDs decorreu da necessidade de substituir formas de governança de natureza voluntária (CCAs e ACUs) por outras que promoveram, desde o início dos anos 2000s, a revitalização estratégica da dinâmica comercial de inúmeras cidades inglesas, resultando numa multiplicação das relações de intercâmbio e aprendizagem entre Barcelona e os BIDs ingleses. Segundo, o diálogo relacional com os BIDs alemães derivou, sobretudo, da similaridade entre os dois sistemas jurídico-constitucionais.
No entanto, a territorialização de APEUs na Catalunha implicou adaptações ao ‘modelo’ BID.
Primeiro, para que a votação seja elegível, é requerido que a maioria das parcelas comerciais participe no ato eleitoral. Segundo, apesar da constituição de uma APEU requerer aprovação maioritária em número de votos das parcelas comerciais, é igualmente exigida a sua aprovação maioritária segundo a correspondência de votos definida nas tipologias cadastrais a partir dos valores de superfície de construção. Terceiro, a pré-constituição de APEUs—processo que antecede o processo eleitoral—tem sido politicamente incentivada graças à facilidade em alcançar qualquer um dos critérios para a aprovação da sua proposta de criação (25% de indivíduos com direitos de uso das parcelas comerciais/superfície cadastral, uma associação empresarial ou governo local) e à reduzida informação exigida: superfície ocupada por cada parcela comercial e o plano de ação. Assim, por um lado, os 25% de parcelas comerciais necessários para a aprovação da proposta de criação de uma APEU são uma adaptação ao contexto empresarial mediterrâneo, pequeno, descapitalizado e onde a colaboração interempresarial é reduzida. Por outro, as APEUs, podendo ser promovidas por uma associação comercial ou câmara municipal, podem reproduzir as lógicas assistencialistas e de matriz top- down que outrora se demonstraram ineficazes na revitalização estratégica das áreas comerciais catalãs.
REFERÊNCIAS
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