CONTROLE LEITEIRO: RESULTADOS DO PRIMERO ANO NO TAMBO DA UNIPAMPA – URUGUAIANA, RS

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(1)CONTROLE LEITEIRO: RESULTADOS DO PRIMERO ANO NO TAMBO DA UNIPAMPA - URUGUAIANA, RS. Andressa Bahu de Matos 1 Andressa Bahú de Matos 2 Édipo Alex Malavolta Ramao 3 Anna Vitória Hörbe 4 Lucas de Almeida 5 Gabriela Severo da Trindade 6 Deise Dalazen Castagnara 7. Resumo: O controle leiteiro é uma ferramenta de gestão de alta relevância dentro da bovinocultura de leite, a qual tem por objetivo acompanhar a situação produtiva das vacas de forma individual e de todo o lote, bem como estabelecer melhorias e diagnosticar erros. Este manejo permite ainda, obter um melhor resultado produtivo e econômico do rebanho. No presente estudo foi realizado o acompanhamento da produção leiteira no Tambo de leite da Unipampa, registrando diariamente os resultados e posteriormente comparando-as com o fornecimento de dietas distintas, a mesma iniciou no mês de maio e mantêm-se até ser realizada a secagem das vacas. Com essa monitoração percebeu-se um crescimento relevante na produção de leite. Quando comparada com a dieta fornecida, notou-se que este aumento se obteve nos meses em que a oferta forrageira foi maior e com valores nutricionais elevados. Estes resultados evidenciam a importância do manejo alimentar e gestão nas propriedades leiteiras para acrescer os índices produtivos da mesma, a qual o controle leiteiro é uma ferramenta de suma importância.. Palavras-chave: Bovinos Leite Gestão Nutrição. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. CONTROLE LEITEIRO: RESULTADOS DO PRIMERO ANO NO TAMBO DA UNIPAMPA - URUGUAIANA, RS 1 Aluno de graduação. andressabahu12@gmail.com. Autor principal 2 Aluno de graduação. andressabahu12@gmail.com. Apresentador 3 Aluno de graduação. ediporamao@gmail.com. Co-autor 4 Aluno de graduação. annvithorbe@gmail.com. Co-autor 5 Aluno de graduação. lucasalmeida1966@gmail.com. Co-autor 6 Aluno de graduação. gabistrindade7@gmail.com. Co-autor 7 Docente. deisecastagnara@gmail.com. Orientador.

(2) CONTROLE LEITEIRO: RESULTADOS DO PRIMERO ANO NO TAMBO DA UNIPAMPA ± URUGUAIANA, RS 1 INTRODUÇÃO A produção leiteira está sendo amplamente difundida no Brasil, em diferentes aspectos, gerando produtos para consumo próprio, movimentando a economia de pequenas cidades, ajuda na distribuição de renda e ainda gerando empregos permanentes, principalmente no meio rural. Há registro da atividade leiteira em 99% dos municípios brasileiros, com um rebanho de 23 milhões de vacas ordenhadas. Em toda a cadeia do leite estão envolvidos cerca de 4 milhões de trabalhadores, sendo 11 mil só no transporte do leite da fazenda para a indústria e dos lácteos processados nas indústrias para o mercado (Zoccal, 2016). Para acompanhar o crescimento desta produção, a gestão está sendo amplamente difundida, a qual é um processo circular e dinâmico que se iniciam com a análise e o diagnóstico dos resultados produtivos, econômicos, financeiros e patrimoniais do último exercício, as causas dos resultados e os recursos produtivos disponíveis (Rodriguez et al., 2007). Uma ferramenta de gestão de alta relevância na pecuária leiteira é o controle leiteiro, o qual consiste no registro da produção de leite de cada uma das vacas, permitindo assim o acompanhamento da real situação produtiva e individual dos animais existentes na propriedade. Com esse controle pode-se obter um melhor resultado produtivo e econômico do rebanho. Ele serve para orientar o manejo alimentar, auxiliar o controle e prevenção de mastite, para apontar diretrizes de descarte e de melhoramento genético e para a promoção comercial do rebanho (Rodrigues, 2016). Dentre as vantagens desta ferramenta, está o conhecimento de produção da vaca na lactação e na vida útil, fornecimento de concentrado de acordo com a produção, secagem das vacas de produção muito baixa, seleção de animais por produção, mensurar a produção mínima para descarte, conhecimento das vacas de lactação curta e de baixa persistência na produção, distinguir o potencial genético dos reprodutores usados nas fazendas, promovendo cruzamentos dirigidos: melhor vaca x melhor touro, aferição do efeito da introdução de novas técnicas e mostrar ao produtor o resultado do trabalho desenvolvido ao longo dos anos (Oliveira, 2017). Desta forma, objetiva-se com o presente estudo descrever o acompanhamento da produção leiteira das vacas em lactação do Tambo leiteiro da Unipampa durante a transição de dietas para posterior consideração sobre a importância desta ferramenta de gestão. 2 METODOLOGIA O estudo foi desenvolvido na Fazenda Escola da Universidade Federal do Pampa ± campus Uruguaiana, com início no mês de maio do ano de 2018 e se mantem até o momento da secagem das vacas. Para tal, foram utilizadas inicialmente 4 vacas em lactação da raça Holandesa, no mês de julho foi realizada a secagem de uma das vacas, a partir de então, foram avaliadas 3 vacas, mesmas do lote do mês de junho. Todas as vacas eram identificadas com brinco e estavam aproximadamente entre os dias 210-300 de lactação (DEL). Todo o leite produzido é destinado ao aleitamento de bezerras, não sendo destinado à comercialização. Durante os meses de maio e junho a dieta das vacas era composta por campo nativo com oferta de matéria seca de 4% do peso vivo, 20 kg/dia de silagem, 4 kg/dia farelo de arroz e 90g de ureia, valores expressos com base na matéria seca. A ureia foi introduzida na dieta gradativamente para respeitar o período mínimo de 15 dias para adaptação dos microrganismos ruminais. Nos meses de julho e agosto a dieta foi alterada para uma nova Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(3) silagem de sorgo também com consumo estimado em 20kg/dia, 4 kg/dia de concentrado comercial e oferta de 12% do peso vivo em pastagem de cereais de inverno. Esta foi obtida por meio de consórcio entre aveia preta (Avena strigosa) e azevém (Lolium multiflorum), submetidas ao pastejo rotacionado, com altura de entrada e saída dos animais nos piquetes em 25 e 15 cm, respectivamente. As ordenhas foram realizadas diariamente pelos estagiários do Setor do Tambo de leite, em um número de 14 alunos que se revezam nas escalas semanais. São realizadas diariamente duas ordenhas nos horários das 8:30 e 16:30 horas. A coleta de dados referente a produção leiteira é realizada após cada ordenha pelo seu responsável mediante a informação no grupo de trabalho. O acadêmico responsável pelo monitoramento da produção tomava nota dos dados das ordenhas diárias, tabulava-os em Excel e semanalmente emitia relatório para conhecimento de todos os colegas sobre os resultados dos manejos nutricionais sobre a produção e leite. Os dados obtidos após tabulação em Excel foram analisados descritivamente. 3 RESULTADOS e DISCUSSÃO O monitoramento da produção de leite das vacas em lactação do Tambo de Leite da Unipampa proporcionou a oportunidade de visualizar na prática a importância de um manejo nutricional adequado para permitir que vacas expressem seu potencial de produção de leite. No início do acompanhamento, a média e produtividade por vaca foi de 6,0 litros, muito aquém do potencial genético produtivo de vacas holandesas (Figura 1). A baixa produtividade diária deve-se à escassez de alimentos ocorrida no período, especialmente à falta de disponibilidade de alimento concentrado e ao vazio forrageiro outonal que ocorre na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul (Malaguez et al., 2017). A indisponibilidade de alimento concentrado comercial para oferta às vacas ocorreu devido à problemas gerenciais de recursos institucionais, que devido à demora na sua liberação à nível institucional ocasionaram atraso de quatro meses na realização dos empenhos e na chegada das rações. Vazios forrageiros ocorrem em diversas regiões do Brasil devido à fatores climáticos (Tolentino et al., 2016). Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul o vazio forrageiro outonal deve-se à redução nas taxas de crescimento das pastagens tropicais devido à redução da temperatura e índice de luminosidade (Malaguez et al., 2017). Esse processo limita a oferta forrageira aos ruminantes em quantidade e também em qualidade, pois estimula as plantas a entrarem em fase reprodutiva, com o alongamento dos colmos. Simultaneamente ocorre a redução da proporção de folhas na massa seca de forragem ofertada, e como as folhas possuem maior valor nutricional, sua redução também prejudica a qualidade nutricional da forragem. Este vazio forrageiro pode ser contornado com uso de forragens conservadas como silagens e com o aumento do fornecimento de alimento concentrado neste período, além da utilização de pastagens de cereais de inverno. A silagem permite o armazenamento de alimentos volumosos ou concentrados para uso com a alimentação animal nos períodos de vazio forrageiro. A principal cultura utilizada para produção de silagens é o milho, porém, a cultura do sorgo é recomendada para regiões com limitações de fertilidade do solo e disponibilidade hídrica (Tolentino et al., 2016). Por este motivo o Tambo de Leite da Unipampa produz anualmente silagem de sorgo para utilização no vazio forrageiro, que no ano de 2018 esteve compreendido entre os meses de maio e junho. Neste período, após o encerramento do ciclo produtivo das pastagens de verão, a silagem de sorgo correspondeu à principal fonte alimentar das vacas o rebanho, contribuindo com os baixos índices produtivos observados. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(4) Entretanto, a silagem de sorgo utilizada possuía em sua composição 6,5% de proteína bruta e 55% de nutrientes digestíveis totais. Quantidades insuficientes para manutenção de vacas em lactação mesmo sob baixa produção. Desta forma, foi introduzido nas dietas o farelo de arroz como importante fonte energética e a ureia como fonte proteica. Estes ingredientes, ao serem introduzidos na dieta a partir do mês de maio, complementaram os nutrientes fornecidos pela silagem de sorgo, e em conjunto assegurara a produção e a mantença do estado corporal das vacas. Em decorrência disto, a produção elevou-se no segundo mês de utilização da dieta.. Produção (L/dia). Figura 1 ± Produção média diária, individual de leite por vacas da raça Holandês, do Tambo de Leite da Unipampa ± Uruguaiana. 2018. 16 14 12 10 8 6 4 2 0. Ô. [. 5ð. 14 10. 6. Maio. 7. Junho Julho Agosto Meses de acompanhamento. Fonte: Do autor, 2018. A partir do mês de julho as vacas passaram a ter acesso à pastagem consorciada de aveia com azevém, cuja oferta de 12% do peso vivo associada ao valor nutricional das mesmas, ocasionou aumento da produção leiteira (Figura 1). Esse aumento iniciado no mês de maio projetou-se até o mês de agosto, quando a participação do azevém na massa de forragem ofertada elevou-se devido às características de crescimento da cultura. Em se tratando dos cereais de inverno a aveia caracteriza-se com um cereal de inverno de elevado potencial de produção de forragem com qualidade nutricional desejável para todas as categorias de ruminantes. Entretanto, requer habilidade no seu manejo durante o pastoreio para evitar a elevação do meristema apical, prolongar o ciclo vegetativo da cultura e a produção de lâminas foliares e retardar a fase reprodutiva (Castagnara et al., 2010). Por se tratar de uma pastagem de rápido crescimento, nos cultivos consorciados, durante os primeiros pastejos representa a principal fonte de matéria seca. Com o avanço do período do inverno, o azevém têm seu crescimento estimulado pelas baixas temperaturas e menor luminosidade e passa a representar maior massa seca na forragem ofertada. Devido ao seu elevado valor nutricional, especialmente os teores protéicos, foi fundamental para a elevação da produção de leite observada no mês de agosto (Figura 1). Embora o aumento da produção leiteira possa ser justificado pela maior oferta e qualidade nutricional das dietas, apresentou comportamento contrário ao esperado uma curva de lactação normal em vacas leiteiras. Nesta, usualmente ocorre redução da produção leiteira após o pico, que ocorre dos 45 aos 60 dias em lactação. Os resultados obtidos evidenciam a Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.

(5) importância do planejamento forrageiro/alimentar em propriedades leiteiras, e o impacto que a escassez de alimentos possui no potencial produtivo dos animais. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista que a pecuária leiteira está totalmente ligada ao gerenciamento de custos e lucros, e que deve ser essencial a racionalização de gastos, o controle leiteiro deve ser usado como uma ferramenta auxiliar a produção, pois a mesma detecta problemas, promove melhorias no manejo e resolução de adversidades. REFERÊNCIAS CASTAGNARA, D.D.; RADIS, A.C.; SOUZA, L.C.; et al. Características estruturais e produtivas da aveia preta Comum em cinco idades de rebrota na região Oeste do Paraná. Cultivando o Saber, v.3, n.2, p.116-129, 2010. LOPES, M., et al. "Maneira Prática de Realizar Controle Reprodutivo em Gado Leiteiro em Propriedades com Economia Familiar." Boletim Técnico-n. º: 1-20. RODRIGUES, C. A. A importancia do controle leiteiro em pequenas propriedades. Jornada Científica e Tecnológica da FATEC de Botucatu, v. 5ª, p. 6, 24 a 27 de Outubro de 2016, 2016. Disponível em: < http://www.fatecbt.edu.br/ocs/index.php/VJTC/VJTC/paper/viewFile/843/1041 >. RODRIGUEZ, J. H. A.; MARTINES-FILHO, J.; GOLDSMITH, P. A importância da análise de gestão na agropecuária: controle de custos e aumento da rentabilidade. Boletim de pesquisa de soja, 2007. TOLENTINO, D. C.; et al. The quality of silage of different sorghum genotypes. Acta Scientiarum. Animal Science, v.38, n.2 p.143-149, 2016. ZOCCAL, R. Alguns números do leite. 2016. Disponível http://www.baldebranco.com.br/alguns-numeros-do-leite/ >. Acesso em: 05/09/18.. em:. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018. <.

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