ANÁLISE GRANULOMÉTRICA E CARBONO ORGÂNICO DE OLIVAIS DA METADE SUL DO RIO GRANDE DO SUL

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(1)ANÁLISE GRANULOMÉTRICA E CARBONO ORGÂNICO DE OLIVAIS DA METADE SUL DO RIO GRANDE DO SUL.. Letiéri da Rosa Freitas 1 Luan Luongo Gonçalves 2 Querina Ramos de Góes 3 Darlize Déglan Borges Beulck Bender 4 Mirla Andrade Weber 5 Frederico da Costa Beber Vieira 6. Resumo: A oliveira (Olea europaea L.) é uma espécie arbórea exótica da família botânica Oleaceae, cultivada há milhares de anos em países mediterrâneos e posteriormente em outros locais, como no continente americano. A produção brasileira de azeitonas e azeite de oliva não é suficiente para atender a demanda do mercado interno, sendo assim, é necessária importação de outros países, principalmente, europeus. São necessários estudos que sejam específicos para nossas condições, avaliando, descrevendo e caracterizando o cultivo na nossa região, para que a produção seja maximizada. O objetivo geral deste trabalho foi avaliar a granulometria e o carbono orgânico do solo de olivais da metade sul do Rio Grande do Sul. Como objetivos específicos, caracterizar as áreas plantadas e servir de apoio para estudos posteriores sobre oliveiras no Rio Grande do Sul. O estudo foi realizado em 11 pomares de oliveiras localizados na Metade Sul do Rio Grande do Sul, nos municípios de Caçapava do Sul e Cachoeira do Sul. As coletas ocorreram de julho a setembro de 2016. Coletou-se amostras deformadas de solo nas profundidades de 0-5 cm, 7,5-12,5 cm e 17,5-22,5 cm. As amostras foram secas ao ar, peneiradas em peneira 2mm, e devido alguns pomares apresentarem uma elevada pedregosidade, as amostras foram separadas em dois sacos plásticos: um com a amostra de solo e outro com a amostra contendo fragmentos de rocha com diâmetro maior que 2 mm. As amostras peneiradas de solo foram moídas no moinho de solos com rotor vertical. A metodologia utilizada para a análise granulométrica da fração mineral do solo foi realizada pelo Método da Pipeta com algumas modificações (EMBRAPA, 1997). O carbono orgânico foi analisado através de uma adaptação da metodologia descrita em Yeomans & Bremner (1988). Dos 11 pomares, 7 apresentaram fragmentos. Os pomares apresentaram diferentes granulometrias, sendo que dos onze pomares, sete apresentaram a presença de fragmentos de rocha. Observou-se que o maior teor de areia foi encontrado no pomar 5. Os maiores teores de silte foram encontrados nos pomares 3, 1 e 4, e de argila nos pomares 1, 2 e 11. Todos os pomares apresentaram os maiores teores de carbono orgânico na camada de 0-5 cm, seguidos da camada de 5-15cm e 15-25cm. Esse resultado está de acordo com a literatura, já que espera-se maiores teores de matéria orgânica na camada mais superficial do solo. Os pomares que apresentaram os maiores teores de carbono orgânico foram também os pomares que apresentaram granulometrias com maiores valores de silte e argila. Os teores de carbono variaram de 7,59 g kg-1 à 48,85 g kg-1. A granulometria do solo provavelmente foi o maior motivo para explicar a diferença nos teores de carbono orgânico do solo já que o manejo é semelhante entre os pomares, por ser uma cultura perene.. Palavras-chave: Olea europaea, matéria orgânica do solo, textura..

(2) Modalidade de Participação: Iniciação Científica. ANÁLISE GRANULOMÉTRICA E CARBONO ORGÂNICO DE OLIVAIS DA METADE SUL DO RIO GRANDE DO SUL. 1 Aluno de graduação. letierifreitas@gmail.com. Autor principal 2 Outro. luan.luongo.unipampa@gmail.com. Co-autor 3 Outro. querinagoes@gmail.com. Co-autor 4 Aluno de pós-graduação. darlizebender@gmail.com. Co-autor 5 Docente. mirlaweber@unipampa.edu.br. Orientador 6 Docente. fredericovieira@unipampa.edu.br. Co-orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE.

(3) ANÁLISE GRANULOMÉTRICA E CARBONO ORGÂNICO DE OLIVAIS DA METADE SUL DO RIO GRANDE DO SUL. 1. INTRODUÇÃO A oliveira (Olea europaea L.) é uma espécie arbórea exótica da família botânica Oleaceae, cultivada há milhares de anos em países mediterrâneos e posteriormente em outros locais, como no continente americano. Após tentativas fracassadas de plantios comerciais no Brasil nas décadas de 40 e 50, a partir dos anos 2000 as pesquisas foram retomadas e projetos de incentivo por parte do governo iniciaram. Alguns pomares começaram a ser implantados, principalmente nos estados de Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Nesses estados, a produção de oliveiras gera empregos e renda em diferentes segmentos de mercado, como o alimentício, farmacêutico e cosmético. A produção brasileira de azeitonas e azeite de oliva não é suficiente para atender a demanda do mercado interno, sendo assim, é necessária importação de outros países, principalmente, europeus. Existem poucas informações na literatura sobre o cultivo de oliveiras no Brasil, e várias práticas que foram introduzidas aqui vieram de outros países, como Espanha, Portugal e Itália. São necessários estudos que sejam específicos para nossas condições, avaliando, descrevendo e caracterizando o cultivo na nossa região, para que a produção seja maximizada. Muitos são os solos em que a oliveira pode ser cultivada, entretanto, a quantidade e tipo de nutrientes neles existentes influenciam diretamente no seu desenvolvimento (PAULUS, 2011). As características físicas do solo como granulometria e profundidade, práticas de manejo e condições climáticas determinam densidade e porosidade, que por sua vez alteram a estrutura, disponibilidade de água e fluxo de ar no solo; dependendo dessas condições, o crescimento radicular da oliveira é estimulado ou limitado (COUTINHO et al, 2009). A granulometria é uma característica do solo que representa as proporções relativas das frações areia, silte e argila, a qual não pode ser alterada, pois é inerente ao solo (KLEIN, 2014). A matéria orgânica tem sido mais utilizada, preferencialmente, como uma forma de alterar as características físicas do solo, especialmente na aeração em solos argilosos e na retenção de água em solos de textura mais arenosa (COUTINHO et al, 2015). Segundo o mesmo autor, os macronutrientes existentes na matéria orgânica não ocorrem em quantidades suficientes para sustentar o desenvolvimento de oliveiras adultas. O objetivo geral deste trabalho foi avaliar a granulometria e o carbono orgânico do solo de olivais da metade sul do Rio Grande do Sul. Como objetivos específicos, caracterizar as áreas plantadas e servir de apoio para estudos posteriores sobre oliveiras no Rio Grande do Sul. 2. METODOLOGIA O estudo foi realizado em 11 pomares de oliveiras localizados na Metade Sul do Rio Grande do Sul, nos municípios de Caçapava do Sul e Cachoeira do Sul (Figura 1). As coletas ocorreram de julho a setembro de 2016. Foram abertas cinco trincheiras por pomar, sendo que cada trincheira ficava na linha de plantio (quando possível) a um metro do tronco da planta. Coletou-se amostras deformadas de solo.

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(5) A quantidade de fragmentos de rocha maior que 2mm que foi separado do restante da amostra de solo coletada está apresentada na Figura 2. Dos 11 pomares, 7 apresentaram fragmentos. Segundo Santos et al (2005) a ocorrência de cascalhos deve ser registrada como qualificativo da granulometria, sendo muito cascalhenta (mais de 50%), cascalhenta (15-50%) e com cascalho (8-15%). Sendo assim, o pomar 6 é classificado com um qualitativo da granulometria sendo muito cascalhenta, e os demais pomares (1, 2, 3, 4, 7 e 8) como cascalhenta.. Figura 2: Quantidade de fragmentos de rocha em g kg-1. Fonte: Letiéri Freitas (2017). Quanto à granulometria (Figura 3), observou-se que o maior teor de areia foi encontrado no pomar 5. Os maiores teores de silte foram encontrados nos pomares 3, 1 e 4, e de argila nos pomares 1, 2 e 11. A granulometria do solo dos onze pomares foi distribuída em classes texturais que estão apresentadas na Tabela 1. Como a maioria dos pomares possui o termo franco, é importante explicar o que esse termo significa. Brady et al (2012) cita que o conceito de franco apresenta a propriedades de cada fração em proporções semelhantes, não significando que as três frações estão em quantidades iguais, já que uma pequena quantidade de argila pode ser suficiente para induzir propriedades argilosas, enquanto as quantidades de areia e silte tem pouca influência no comportamento do solo.. Figura 3: Granulometria do Solo. Fonte: Letiéri Freitas (2017)..

(6) Tabela 1: Classe textural dos pomares. POMAR CLASSE TEXTURAL 1 Franco siltosa cascalhenta 2 Franca cascalhenta 3 Franco siltosa cascalhenta 4 Franco siltosa cascalhenta 5 Areia franca 6 Franca muito cascalhenta 7 Franca cascalhenta 8 Franco arenosa cascalhenta 9 Franco arenosa 10 Franco arenosa 11 Franco arenosa Todos os pomares apresentaram os maiores teores de carbono orgânico na camada de 0-5 cm, seguidos da camada de 5-15cm e 15-25cm (Figura 4). Esse resultado está de acordo com a literatura, já que espera-se maiores teores de matéria orgânica na camada mais superficial do solo. Em um estudo conduzido com eucalipto cultivado em Minas Gerais, em cinco regiões estudadas, os maiores teores de carbono e o estoque de carbono no solo foram detectados na camada de 0±20 cm, decrescendo em profundidade, para todas as classes de solos (GATTO et al, 2010). Aita & Giacomini (2006) relatam que em um estudo desenvolvido na Universidade Federal de Santa Maria, o estoque de carbono foi maior na camada 02,5 cm do que nas outras duas camadas (2,5-5 e 5-7,5cm), o que está de acordo com o maior acúmulo de carbono na camada superficial. O maior teor de carbono encontrado na primeira camada foi no pomar 3, com 48,85 g kg-1. Na segunda e terceira camada o maior valor foi no pomar 2 com 34,33 g kg-1 e 29,36 g kg-1, respectivamente. O menor teor de carbono na primeira camada foi encontrado no pomar 8 com 17,93 g kg-1. Já na segunda e terceira camada os menores valores foram no pomar 5 com 10,92 g kg -1 e 7,59 g kg-1, respectivamente.. Figura 4: Carbono Orgânico do Solo. Fonte: Letiéri Freitas (2017). Os pomares que apresentaram os maiores teores de carbono orgânico foram também os pomares que apresentaram granulometrias com maiores valores de silte e argila. Isso pode indicar que o acúmulo de carbono foi favorecido por conta da.

(7) granulometria dos solos. Segundo Conceição (2006) o teor de argila do solo aumenta a proteção física da matéria orgânica; além disso, os produtos da decomposição da matéria orgânica são mais fortemente ligados aos minerais da fração argila. Além da granulometria, outro fator que favoreceu os teores de carbono é o fato que a oliveira é uma espécie perene. Desde a implantação dos pomares o solo não foi revolvido e manteve-se a cobertura do solo. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os pomares apresentaram diferentes granulometrias, sendo que dos onze pomares, sete apresentaram a presença de fragmentos de rocha. Os teores de carbono variaram de 7,59 g kg-1 à 48,85 g kg-1. A granulometria do solo provavelmente foi o maior motivo para explicar a diferença nos teores de carbono orgânico do solo já que o manejo é semelhante entre os pomares, por ser uma cultura perene. 5. REFERÊNCIAS AITA, C.; GIACOMINI, S. J. Plantas de cobertura de solo em sistemas agrícolas. In.: Manejo de Sistemas Agrícolas: Impacto no Sequestro de C e nas Emissões de Gases do Efeito Estufa. 216p. Embrapa, Porto Alegre, 2006. BRADY, N. C. et al. Elementos da natureza e propriedades dos solos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. 716p. CONCEIÇÃO, P. C. Agregação e proteção da matéria orgânica em dois solos do sul do Brasil. 138p. 2006. Tese (Doutorado em Ciência do Solo), Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2006. COUTINHO, E. F.; RIBEIRO, F. C.; CAPPELLARO , T. H. Cultivo de Oliveira (Olea europaea L.). Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2009. 125 p. ² (Embrapa Clima Temperado. Sistema de Produção, 16). ______. et al. Oliveira: Aspectos técnicos e cultivo no sul do Brasil. Brasília, DF: Embrapa, 2015. 181 p. EMBRAPA. Manual de métodos e análise de solo. 2 ed. Rio de Janeiro: CNPS, 1997. 212p. GATTO, A. et al. Estoques de Carbono no Solo e na Biomassa em Plantações de Eucalipto. R. Bras. Ci. Solo, 34:1069-1079, 2010. KLEIN, V.A. Física do Solo. Editora Universidade de Passo Fundo. 3° edição. 2014. 263 p. 3$8/86 ( $YDOLDomR GR FUHVFLPHQWR LQLFLDO GH ROLYHLUD ³DUEHTXLQD´ HP GLIerentes manejos do solo e dosagens de fósforo. 83 p. 2011. Dissertação (Mestrado em Ciência do Solo), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. 2011. SANTOS, R. D. et al. Manual de descrição e coleta de solo no campo. 5° ed. revista e ampliada. Viçosa, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2005. 100 p. YEOMANS, J.C., BREMNER, J.M. A rapid and precise method for routine determination of organic carbon in soil. Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 19, n.13, p; 1467-1476, Dec. 1988..

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