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Estresse ocupacional em profissionais de Tecnologia de Informação

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Revista Sul Americana de Psicologia, v5, n2, Jul/Dez, 2017

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ESTRESSE OCUPACIONAL EM PROFISSIONAIS DE

TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO

Occupational Stress among Information Technology professionals

Estrés ocupacional en profesionales de Tecnología de Información

Ariane Vicinaça Fornasin – Centro Universitário Salesiano de São Paulo Fernando Pessotto – Centro Universitário Salesiano de São Paulo João Carlos Caselli Messias– Centro Universitário Salesiano de São Paulo

Endereço para contato Ariane VicinaçaFornasin - [email protected]

Fernando Pessotto– [email protected]

João Carlos Caselli Messias– [email protected]

Ariane VicinaçaFornasin

Psicóloga (PUCC), com Mestrado em Psicologia (PUCC), com ênfase em stress e especialização em Psicologia Comportamental (USP). Atualmente é professora no Centro Universitário Salesiano (UNISAL), com disciplinas nos cursos de Psicologia e Sistema de Informação, na área da Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas. Atua como psicóloga, prestando consultoria em Gestão do Stress em empresas.

Fernando Pessotto

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade São Francisco com ênfase em avaliação psicológica. É docente do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL) coordenador do Laboratório de Psicodiagnóstico e Neurociência Cognitiva (LaPeNC).

João Carlos Caselli Messias

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Resumo

O estresse acontece em 3 fases, sendo elas, alerta, resistência e exaustão e pode ser compreendido como um desequilíbrio do organismo desencadeado por elementos negativos ou positivos, resultante da interação entre a pessoa e o ambiente, variando as formas como essa interação é enfocada. O presente estudo teve como objetivo verificar a relação entre estresse e qualidade de vida em trabalhadores da área de TI e em que grau elementos do contexto laboral contribuem na vivência do estresse. Participaram 61 estudantes de graduação de sistemas de informação, sendo 63,9% trabalhadores da área de TI. A idade variou entre 19 e 49 anos (M=22,26; DP=5,52), sendo 72,1% do sexo feminino. Todos os participantes responderam o Inventário de sintomas de stress para adultos de Lipp, o Inventário de Qualidade de Vida e um questionário contendo situações relacionadas ao cotidiano do trabalho. Os resultados indicaram que 56,6% dos participantes que trabalham na área de TI apresentam sintomas de estresse em ao menos uma das fases, apresentando uma diferença significativa em relação aos que não trabalham na área. Observou-se ainda correlação entre situações do ambiente de trabalho com os sintomas de estresObservou-se Observou-sendo que apatia, desânimo e dificuldades de relacionamento com o chefe tiveram maiores poderes preditores para o estresse sendo 13% (Q1) e 7% (Q3) respectivamente. Por fim, foi possível observar que o estresse é responsável por 21% das idas ao ambulatório médico. Frente a estes resultados é possível concluir que situações do cotidiano laboral de profissionais de TI podem ser fonte de estresse.

Palavras-chave: Psicologia da Saúde Ocupacional; Qualidade de Vida no Trabalho; Condições de Trabalho; Transtornos Mentais Comuns.

Abstract

There are 3 phases of Stress: alert, resistance and exhaustion. It may be understood as an organism unbalance trigged by positive or negative elements due to the interaction between people and environment. There are, also, different ways to focus this interaction. This study aimed to verify the relation between stress and quality of life of information technology workers as well as how much labor context elements contributes to the experience of stress. 61 IT students participated (63,9% of them working at the area). Age varied from 19 to 49 years old (M=22,26; SD=5,52), being 72,1% female. All participants answered to the Lipp Adult Stress Inventory, Quality of Life Inventory and a questionnaire about everyday work situations. Results show that 56,5% of the IT workers had symptoms of, at least, one of stress phases, with a significant difference from the others that don’t work at the area. It was also noticed a correlation between environment work situations with stress symptoms such as apathy, discouragement and relationship troubles with boss. These ones had more predict impact for stress: 13% (Q1) and 7% (Q3), respectively. Finally, it was possible to observe that stress is responsible for 21% of medical outpatient visits. Due to these results, it is possible to conclude that everyday labor situations of IT professionals may be a source of stress.

Key-words: Occupational Health Psychology; Quality of Life at Work; Work Conditions; Common Mental Disorders.

Resumen

El estrés acontece en 3 fases, siendo ellas, alerta, resistencia y agotamiento, lo que puede ser comprendido como un desequilibrio del organismo desencadenado por elementos negativos o positivos resultante de la interacción entre la persona y el ambiente, variando las formas como esa interacción es enfocada. La presente investigación tuvo como objetivo verificar la relación entre el estrés y la cualidad de vida en trabajadores de la área de TI y en cual grado elementos del contexto laboral contribuyen en la vivencia del estrés. Participaron 61 estudiantes de graduación en Sistemas de Información, siendo 63,9% trabajadores de la área de la TI. La edad varió entre 19 y 49 años (M=22,26; DE=5,52), siendo 72,1% del sexo femenino. Todos los participantes respondieron al Inventario de Síntomas de Estrés para adultos de Lipp, Inventario de Cualidad de Vida y un cuestionario con situaciones relacionadas al cotidiano del trabajo. Los resultados indicaron que 56,6% de los participantes que trabajan en la área de la TI aprestaran síntomas de estrés al menos en una de las fases, notándose una diferencia significativa en relación a los que no trabajan en la área. Se observó, también, una correlación entre situaciones del ambiente del trabajo con los síntomas de estrés, siendo que la apatía, desaliento y dificultades de relacionamiento con el jefe tuvieron más grandes poderes preditores para el estrés, siendo 13% (Q1) y 7% (Q3) respectivamente. Por fin, fue posible observar que el estrés es responsable por 21% de las idas al ambulatorio médico. Frente a estos resultados es posible concluir que las situaciones del cotidiano laboral de profesionales de la TI pueden ser fuente de estrés.

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Introdução

Há uma ampla discussão a respeito do estresse ocupacional tanto na língua

portuguesa, quanto na literatura internacional em geral. De acordo com Costa e Pinto

(2017), o termo vem evoluindo desde os anos 1930 e abordado a partir de diferentes

compreensões, fato que torna difícil um chegar a um conceito único. Há autores que o

definem como uma “síndrome geral de adaptação”, destacando três fases, a saber,alerta,

resistência e exaustão. Outros, preferem descrevê-lo como uma reação do organismo a

alterações potenciais desencadeadas por elementos negativos ou mesmo positivos. Em

linhas gerais, o elemento comum é a interação entre a pessoa e o ambiente, variando as

formas como essa interação é enfocada.

Esse complexo fenômeno tem sido estudado em suas múltiplas facetas, sejam

elas em termos dos fatores que o desencadeiam, quanto seus efeitos sobre a saúde e

qualidade de vida. Nolfe, Mancini, Mancusi, Zontini eNolfe (2014) identificaram

correlação entre estresse e transtornos de humor, com prejuízos na esfera biopsicosocial

dos trabalhadores. Em uma meta-análise anterior, Siegrist (2008) já havia indicado

sólidas evidências entre estresse e depressão. Em outra revisão, Bennett, Bakker e Field

(2017) notaram que o distanciamento psicológico após o trabalho tem relação inversa

com a fadiga, por exemplo, exercendo papel relevante para em relação aobem-estar.

O problema está presente em distintos contextos, tendo sido discutido em

publicações prioritariamente na área da Psicologia, porém também em periódicos de

Terapia Ocupacional, Enfermagem, Fisioterapia e de enfoque multidisciplinar, com

especial interesse por estressores e consequências na atuação de professores,

enfermeiros, agentes penitenciários, agentes de trânsito, universitários, administrativos

de universidade, terapeutas ocupacionais e médicos, entre outros (Silva & Silva,

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levantamento a respeito das notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho

nos centros de referência à saúde do trabalhador no estado da Bahia e identificaram que

o estresse pós-traumático representava a maioria dos casos.

No contexto da administração pública brasileira, Balassiano, Tavares e Pimenta

(2011) enfatizam o aspecto emocional como influência do estresse em organizações

dessa natureza, ao passo que Maffia e Pereira (2014) encontraram 43% de estresse em

nível intenso numa amostra de 181 gestores públicos no estado de Minas Gerais. Em um

estudo realizado na Alemanha, Pohling, Buruck, Jungbauer e Leiter (2016) apontam

uma relação entre perda de produtividade e presenteísmo, argumentando que o mesmo

deveria ser mais explorado em intervenções preventivas.

As condições de trabalho no caso das indústrias de petróleo, por sua vez, têm

características muito específicas e adversas como locais inóspitos, situações

meteorológicas extremas, confinamento e duros regimes de turnos, elementos que

impactam negativamente aspectos físicos, psíquicos e sociais dos profissionais do setor

(Oenning, Carvalho & Caldeira 2012; Monteiro, Fernandes, Abelha &Lovisi 2016).

Este cenário leva a uma reflexão a respeito da Qualidade de Vida no Trabalho

(QVT) que possibilita um contraponto importante. Todeschini e Ferreira (2013)

destacam elementos como respeito aos direitos trabalhistas, relacionamento entre pares,

reconhecimento e realização, salário, saúde, benefícios, ritmo e ambiente a partir da

percepção de líderes sindicais. Por outro lado, tratamento autocrático das chefias,

postura empresarial desumana, jornadas extenuantes, ritmo acelerado e assédio moral

configuram prejuízo à QVT. Os efeitos danosos do assédio moral, assim como as

tentativas de enfrentamento e intervenção também foram escopo da atenção de

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Como relatado anteriormente, é possível observar estas situações em diferentes

profissões, sendo algumas mais estudadas como enfermagem, professores e

profissionais de tecnologia da informação, foco deste estudo. Em relação a este último

grupo de profissionais a relação entrea prática profissional e o estresse pode ser

compreendida, de maneira simplificada, a partir de duas perspectivas. Uma delas está

centrada na tecnologia de informação constituindo um dos elementos estressores no

trabalho de outros profissionais (que não os de TI, especificamente). É o caso do

adoecimento de bancários derivado das mudanças laborais e do uso intensivo de

recursos tecnológicos com a finalidade de aumento da produtividade (Bessi, Schreiber,

Puffal&Tondolo, 2015) ou da ambiguidade na relação dos profissionais de saúde com a

tecnologia (Pires, Bertncini, Trindade, Matos, Azambuja & Borges, 2012).

De maneira aproximada, Lee, Son e Kim (2016) discutem o impacto estressante

da sobrecarga de informação, comunicação e recursos de sistemas sobre os usuários de

redes sociais tendo relação direta na prática dos profissionais de TI. Esses elementos

estão ligados à relevância e à possibilidade de equívoco de informações, bem como à

complexidade e ritmo de mudanças de sistemas.

Uma segunda perspectiva privilegia a compreensão do estresse específico dos

profissionais de TI. Florentino, Teixeira, Reis, Santos e Oliveira (2015), por exemplo,

encontraram, por um lado, índices de satisfação em relação à QVT numa amostra de 73

profissionais, porém, por outro, estressores como cobrança, pressão por resultados e

conflitos com clientes e usuários.

A partir de uma análise de 499 trabalhadores da Coréia do Sul, Jung (2013)

identificou que a regulação de humor é mediadora do estresse e burnout, sendo a sobrecarga de papel um fator preditivo tanto para a exaustão emocional quanto para o

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Bangalore, na Índia, Ramesh, Joseph, Kiran, Kurian e Babu (2016) não identificaram

uma necessidade urgente de intervenção psicológica imediata. Contudo, também não

haveria uma isenção de risco, sendo a insônia um sintoma recorrente entre os

empregados dessas empresas.

Outra pesquisa, também realizada na Índia envolvendo profissionais de TI,

identificou sintomas de adoecimento físico e psicológico, a saber, sintomas musculares,

hipertensão, diabetes, dislipidemia, depressão, ansiedade, insônia e obesidade. Esses

seriam desdobramentos do estado de estresse sobre os trabalhadores (Padma, Anand,

Gurukul, Javid, Prasad & Arun, 2015).

As consequências do estresse também podem ser observadas no comportamento.

Tendo como referência os clássicos modelos de Demanda x Controle/Suporte (DCS) e

de equilíbrio entre esforço e recompensa (ERI), foi possível observar, em Taiwan, que o

estresse ocupacional definido pelos modelos DCS e ERI está associado a maiores riscos

de comportamento de adição (vício) à internet e comprometimento excessivo, enquanto

o suporte social atenua essas possibilidades (Chen, Gau, Pikhart, Peasey, Chen &Tsai,

2014).

Tais condições acabam levando, muitas vezes, à migração de alguns desses

profissionais para outras áreas de ocupação, fenômeno conhecido como turnaway, cuja tradução livre poderia ser “afastamento”, “retirada” ou “evasão”. Motivados pela

exaustão e insatisfação, bem como pelo desejo de reciclagem e busca de novas

perspectivas, eles assumem outras funções e redirecionam suas carreiras, o que não é o

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(Sarmento Júnior, Souza, Souza, Almeida & Batista 2014; Mangia& Joia, 2015; Ramos

& Joia, 2014).

Tendo em vista este panorama, o presente estudo teve como objetivo verificar a

relação entre estresse e qualidade de vida em trabalhadores da área de TI. Além disso

buscou verificar em que grau alguns elementos do contexto laboral contribuem na

vivência do estresse.

Método

Participantes

Participaram deste estudo 61 sujeitos, estudantes de graduação do último ano do

curso de Sistema de Informações, sendo 63,9% trabalhadores da área de tecnologia da

informação. A idade variou entre 19 e 49 anos (M=22,26; DP=5,52), sendo 72,1% do sexo feminino.

Instrumentos

Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp – ISSL(Lipp, 2011)

O ISSL tem como objetivo avaliar a sintomatologia do estresse sendo dividido

em três quadros referentes às fases da síndrome, todos contendo uma lista de sintomas

físicos e psicológicos. O quadro 1 refere-se à fase de alerta indicando sintomas

vivenciados nas últimas 24 horas; o quadro 2 à fase de resistência, indicando sintomas

da última semana e por fim o quadro 3 caracteriza a fase de exaustão, sendo sinalizados

sintomas que o sujeito apresenta no último mês. Como resultado, a ferramenta indica a

presença ou ausência do estresse, em que fase o sujeito se encontra e predominância de

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Lipp (2011) realizou um estudo contando com 1843 participantes de diversos

estados, sendo eles, São Paulo, Paraíba e Rio de Janeiro, sendo 64% do sexo feminino,

com idades a partir de 15 anos até mais de 75. A autora verificou um alfa de cronbach

de 0,912, indicando boa confiabilidade do instrumento.

Inventário de Qualidade de Vida – IQV (Lipp& Rocha, 1995)

O IQV tem por objetivo identificar o nível de qualidade de vida dos participantes

em quatro quadrantes, à saber, profissional, saúde, social e afetivo, sendo composto por

45 questões com respostas dicotômicas indicando a existência ou não de situações no

cotidiano do avaliado.

Questionário de situações de trabalho

Este questionário foi elaborado pelos autores deste estudo contendo questões

relacionadas ao cotidianos laborativo como idas ao ambulatório, problemas de

relacionamento com o chefe, ambiente de trabalho inadequado, comunicação no

ambiente de trabalho entre outros. Os sujeitos deveriam marcar sim ou não para as

ocorrências descritas.

Procedimentos

Após a aprovação do estudo por um comitê de ética em pesquisa os sujeitos

foram convidados a participar do estudo assinando o Termo de Consentimento Livre e

Esclarecido. Depois de todos terem assinado, os participantes responderam

primeiramente o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp, em seguida o

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Análise de dados

Inicialmente verificou-se a incidência de sintomas de estresse na amostra. Em

seguida, para alcançar o objetivo deste estudo, empregou-se a correlação de Pearson

entre as medidas de estresse e qualidade de vida afim de observar as possíveis

covariâncias entre elas. Por fim, empregou-se a análise de regressão linear logística com

o intuito de verificar o valor preditivo das considições de trabalho em relação aos

sintomas de estresse.

Resultados e Discussão

O presente estudo teve como objetivo verificar a relação entre estresse e

qualidade de vida em trabalhadores da área de TI e identificar em que grau alguns

elementos do contexto laboral contribuem na vivência do estresse. Para isso contou com

61 sujeitos, estudantes de graduação do curso de Sistema de Informações, sendo 63,9%

trabalhadores da área de tecnologia da informação respondendo ao Inventário de

Sintomas de Stress para Adultos de Lipp, o Inventário de Qualidade de Vida e um

questionário contendo situações do quotidiano de trabalho.

Na análise dos resultados foi possível observar que, dos participantes que

trabalham na área de tecnologia da informação, grande parte apresentou sintomas de

estresse sendo, 16,4% na fase de alerta, 56,6% na fase de resistência e 15,5% em

exaustão, tendo predominância em sintomas psicológicos para as 3 fases. Sendo assim

empregou-se uma análise de diferença entre médias entre os participantes que trabalham

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Tabela 1

Diferença entre médias dos sintomas de estresse entre os participantes que trabalham ou não na área de tecnologia da informação.

ISSL

Trabalha na Área de Sistemas de

Informação M DP N t p

ISSL_Q1a sim 2,4474 1,91293 38 1,127 0,541

não 1,7692 1,73944 13

ISSL_Q1b sim 1,3421 1,09733 38 0,094 0,355

não 1,3077 1,25064 13

ISSL_Q2a sim 2,8421 1,96629 38 3,162 0,014

não 1 1,22474 13

ISSL_Q2b sim 1,8421 1,42424 38 0,159 0,695

não 1,7692 1,42325 13

ISSL_Q3a sim 1,2105 1,57956 38 0,931 0,193

não 0,7692 1,09193 13

ISSL_Q3b sim 3,0263 2,36514 38 0,939 0,971

não 2,3077 2,42846 13

ISSL_Q1_T sim 3,7895 2,3499 38 0,991 0,208

não 3,0769 1,84669 13

ISSL_Q2_T sim 4,6842 2,98741 38 2,085 0,148

não 2,7692 2,42053 13

ISSL_Q3_T sim 4,2368 3,60506 38 1,037 0,388

não 3,0769 3,06761 13

De acordo com os resultados é possível observar que os trabalhadores da área de

TI tiveram uma média significativamente acima para os sintomas físicos na fade se

resistência. Estes dados corroboram àqueles encontrados por Padma, Anand, Gurukul,

Javid, Prasad eArun (2015) quando identificaram sintomas como dores musculares,

hipertensão, diabetes, dislipidemia, depressão, ansiedade, insônia e obesidade para esta

população.

Em seguida, tomando por base apenas os participantes que trabalham na área de

TI, empregou-se a correlação de Pearson entre o ISSL e o IQV. Os resultados são

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Tabela 2

Correlação de Pearson entre os sintomas de estresse (ISSL) e qualidade de vida (IQV).

IQV_Social IQV_Afetivo IQV_Profissional IQV_Saúde

ISSL_Q1a 0,03 -0,47** -0,37* -0,37*

ISSL_Q1b -0,18 -0,09 0,00 0,05

ISSL_Q2a 0,02 -0,21 -0,38* -0,29

ISSL_Q2b 0,02 -0,29 -0,19 -0,05

ISSL_Q3a -0,07 -0,31 -0,23 -0,11

ISSL_Q3b -0,06 -0,22 -0,24 -0,05

ISSL_Q1_T -0,06 -0,42** -0,29 -0,27

ISSL_Q2_T 0,03 -0,29 -0,35* -0,22

ISSL_Q3_T -0,07 -0,27 -0,26 -0,08

**. A correlação é significativa no nível 0,01. *. A correlação é significativa no nível 0,05.

De acordo com os resultados apresentados na tabela 2, é possível verificar

correlações negativas entre os sintomas de estresse e qualidade de vida, ou seja, à

medida que o indivíduo vivencia o estresse, apresenta uma diminuição em sua qualidade

de vida. Para a dimensão afetiva observa-se correlação negativamoderada para a fase de

alerta, tanto para sintomas físicos (-0,47) quanto para o quadro total (-0,42). Os

resultados indicam que, nesta fase, estes profissionais conseguem identificar alterações

em seu quotidiano, apresetando ainda boas estratégias de enfrentamento de acordo com

a descrição da fase (Lipp, 2011). O mesmo pôde ser observado para os indicadores de

saúde para os sintomas físicos para a fase de alerta (-0,37).

Para os indicadores de qualidade de vida no âmbito profissional, observa-se 3

correlações negativas de magnitude moderada sendo -0,37 para sintomas físicos do

quadro 1, -0,38 para sintomas físicos do quadro 2 e -0,35 para o total do quadro 2. Estes

resultados indicam a relação entre vivência de estresse e perda da qualidade de vida de

forma similar à Florentino, Teixeira, Reis, Santos e Oliveira (2015) quando

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Todeschini e Ferreira (2013) quando relatam que tratamento autocrático das chefias,

postura empresarial desumana, jornadas extenuantes, ritmo acelerado e assédio moral

configuram prejuízo à QVT.

Após esta verificação, buscou-se identificar a relação entre situações vivencidas

no quotidiano de trabalho destes profissionais com a predominância de sintomas de

estresse. Estes resultados são apresentados na tabela 3.

Tabela 3

Correlação de Pearson entre os sintomas de estresse (ISSL) e situações vivenciadas no ambiente de trabalho.

Apa ti a, de sâ nim o F alt a de e nvolvi mento Aume nto de idas a o médic o Nã o é clar o o que e spe ra m de mim Aume nto de f alt as e a tr as os S obr ec ar ga a o tr aba lho Ativi da de c ontr a a vontade Vida pe ss oa l af etada Dif iculda de s com o che fe Va lor iza do no tr aba lho?

ISSL_Q1a 0,62** 0,26 0,55** 0,08 -0,02 0,14 0,04 0,08 0,31 -0,32* ISSL_Q1b 0,19 0,29 0,01 0,03 0,14 0,14 0,10 -0,07 -0,05 -0,10 ISSL_Q2a 0,41** -0,01 0,58** 0,36* 0,00 0,25 0,18 -0,22 0,27 -0,28 ISSL_Q2b 0,26 0,14 0,39* 0,20 0,15 0,22 0,03 0,09 0,25 -0,34* ISSL_Q3a 0,32* 0,00 0,64** 0,20 0,12 0,04 0,28 -0,01 0,60** -0,24 ISSL_Q3b 0,42** 0,21 0,55** 0,20 0,15 0,21 0,09 0,01 0,34* -0,31 ISSL_Q1_T 0,59** 0,34* 0,45** 0,08 0,04 0,18 0,08 0,03 0,23 -0,31 ISSL_Q2_T 0,41** 0,06 0,59** 0,34* 0,07 0,27 0,13 -0,10 0,30 -0,34* ISSL_Q3_T 0,42** 0,14 0,64** 0,22 0,15 0,15 0,18 0,00 0,50** -0,31

Com estes resultados é possível observar relações entre alguns sintomas de

estresse com várias situações do quotidiano de trabalho. As correlações variaram de

magnitudes entre 0,32 a 0,64 indicando a existência de covariância entre as variáveis

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Destaca-se os sintomas nos quadros totais tendo estes apresentado um total de

dez correlações significativas sendo as de maiores magnitudes para o total do quadro 1

com desânimo e apatia (0,59), para o quadro 2 o aumento de idas ao médico (0,59) para

o quadro 3 também o aumento de idas ao médico (0,64) assim como dificuldades com o

chefe (0,50). De forma ampla estes achados se assemelham aos de Jung (2013), Padma,

Anand, Gurukul, Javid, Prasad eArun (2015) e Ramesh, Joseph, Kiran, Kurian e Babu

(2016) à medida que indicam relações entre sintomas de estresse e a situações

vivencidas por profissionais de área de TI. Os resultados ora apresentados indicam

relação destas variáveis para as 3 fases do estresse.

Tendo por base estes resultados empregou-se uma análise de regressão linear

logística buscando identificar qual poder preditor para as situações de maior correlação

com os sintomas de estresse. Esta análise foi empregada por quadros considerando

apatia e desânimo como preditor para a o quadro 1 (fase de alerta) e dificuldades com o

chefe para o quadro 3 (fase de exaustão). Por fim, considerou-se os sintomas dos

quadros 2 e 3 (resistência e exaustão) como preditores para o aumento de idas ao

médico. Estes resultados são sintetizados e apresentados na tabela 4.

Tabela 4

Regressão linear logística tendo como preditor do quadro 1, “apatia, desânimo”, quadro 3, “dificuldades com o chefe” e para o aumento de idas ao médico, a fase de exaustão.

B

Erro

Padrão Beta t p R2ajustado Apatia, desânimo 1,825 0,566 0,39 3,224 0,002 0,137 Dificuldades com o chefe 4,565 1,914 0,301 2,385 0,002 0,075

ISSL_Q3_T 0,049 0,012 0,477 4,138 0,000 0,215

De acordo com estes resultados é possível verificar que apatia e desânimo e

dificuldades com o chefe apresentam poder preditivo para vivencia sintomas de estresse.

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Este dado pode estar indicando que o sujeito identifica os estressores criando estratégias

de enfrentamento, contudo, a frequência destes elementos acaba por gerar desânimo

frente sua repetição. Por sua vez, dificuldades com o chefe explica 7% da variância do

quadro de exaustão, indicando ser um elemento importante a ser considerado numa

vivência com sintomas mais graves e intensos do estresse podendo ser um elemento de

saturação na dinâmica do quotidiano laborativo destes profissionais, assim como outros

pesquisadores puderam também identificar dados semelhantes (Jung, 2013; Padma,

Anand, Gurukul, Javid, Prasad & Arun, 2015; Ramesh, Joseph, Kiran, Kurian & Babu,

2016).

Por fim, um dado importante verificado foi que a vivência da fase de exaustão é

responsável por 21% do aumento de idas ao médico, podendo ter impacto direto em

faltas e diminuição de produtividade. Resultados semelhantes foram observados por

Pohling, Buruck, Jungbauer e Leiter (2016) quando relatam a relação entre estresse e

perda de produtividade assim como Bennett, Bakker e Field (2017) indicando que

situações como estas têm forte impacto na diminuição do bem-estar do sujeito e

consequentemente, em sua motivação e produtividade.

Considerações finais

O presente estudo buscou verificar relações entre sintomas de estresse e

qualidade de vida para profissionais da área de TI. Foi possível observar primeiramente

relação entre o aumento de sintomas de estresse e a diminuição da qualidade de vida

tanto em situações de trabalho quando em âmbitos pessoais, como já era previsto de

acordo com a literatura. Considerando situações específicas no contexto laborativo

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favorecer vivências de diferentes sintomas de estresse, inclusive na fase de exaustão,

sendo esta considerada a mais crônica da síndrome.

É importante ressaltar que variáveis como personalidade, resiliência e

autoconceito não foram consideradas nas análises, sendo esta uma limitação do presente

estudo. Futuras pesquisas poderão considerar como fatores mediadores estas variáveis

considerando ainda outras amostras de profissionais.

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