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O USO DE PRAÇAS PÚBLICAS COMO ESPAÇO EDUCATIVO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS

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Academic year: 2020

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(1)O USO DE PRAÇAS PÚBLICAS COMO ESPAÇO EDUCATIVO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS. Allyson Henrique Souza Feiffer 1 Heitor Estella Felippelli 2 Ailton Jesus Dinardi 3. Resumo: O Plano Nacional da Educação (PNE) traz de forma utópica o objetivo de oferecer até o ano de 2024, educação em tempo integral para no mínimo 25 dos(as) alunos(as) da educação básica. Todavia, atualmente, a maioria das escolas funciona em dois e/ou até três turnos e para serem convertidas em escolas de tempo integral, as instituições necessitam encontrar e adequar espaços físicos satisfatórios para comportar o total de alunos de forma integral. Procurando contribui com a resolução deste cenário, este projeto é desenvolvido em uma escola pública do município de Uruguaiana na Praça Dom Pedro II conhecida popularmente como Parcão, dentre seus objetivos procura apresentar um repertório de possibilidades de ensino-aprendizagem desenvolvidas em espaço não formal. As atividades são ofertadas aos alunos do ensino fundamental II e iniciam-se com uma roda de conversa onde se discute aspectos históricos da praça, de seu patrono e dos personagens que dão nome as ruas que ao seu entorno. Após este momento inicial, os(as) alunos(as), em grupos, participam de três oficinas sendo elas oficina de Astronomia; oficina de Botânica e oficina de Física e ao término de uma oficina, os grupos de alunos(as) são levados à outra, ou seja, todos participam das três oficinas durante a atividade. Em 2016 o projeto recebeu em três turmas um total de noventa alunos(as) e apesar dos participantes serem moradores do entorno e de a instituição de ensino estar localizada a duas quadras da praça observa-se que não há uma apropriação deste espaço por parte dos alunos(as), que raramente frequentam a praça e que desconhecem o seu verdadeiro nome. Após as oficinas os alunos(as) realizam uma avaliação das oficinas realizadas, onde a maioria as classificam como positivas as atividades que são desenvolvidas e sem muitos detalhes registram que ocorreu um aprendizado significativo nos temas explorados. Os resultados corroboram com a possibilidade de utilização do espaço público como ferramenta para o processo de ensinoaprendizagem, visto que os relatos demonstram que os temas explorados através das oficinas despertam o interesse dos alunos(as) agregando novos conhecimentos aliados com os conhecimentos prévios trazidos pelos educandos..

(2) Palavras-chave: Educação não-formal, Ensino-aprendizagem, Ensino de Ciências, Praças Públicas. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. O USO DE PRAÇAS PÚBLICAS COMO ESPAÇO EDUCATIVO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS 1 Aluno de graduação. [email protected]. Autor principal 2 Aluno de graduação. [email protected]. Co-autor 3 Docente. [email protected]. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(3) O USO DE PRAÇAS PÚBLICAS COMO ESPAÇO EDUCATIVO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS 1. INTRODUÇÃO Dentre os desafios para a implementação da escola de tempo integral, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), de acordo com a Lei Federal nº 13.005/2014 está à falta de espaço físico nas escolas, visto que estas não foram pensadas para funcionar em turno único. Visto que estas não foram pensadas para funcionar em turno único, ou seja, quando se fala em escola de tempo integral como solução para a baixa qualidade da educação básica brasileira, não se explica como se multiplica o número de alunos por turno no mesmo espaço físico. Segundo Mosna (2014), a escola de tempo integral p XP GHVDILR ³SRUTXH temos de elaborar uma identidade nova para a escola não basta um canetaço. Nossa estrutura não é como a de países que já pensaram a escola para o tempo LQWHJUDO 1yV FRQFHEHPRV XPD HVFROD SHOD PHWDGH´. O fato é que muitas escolas funcionam em dois e até três turnos e para serem transformadas em escolas de tempo integral, precisará se pensar o que fazer com o excesso de alunos (MELO, 2014). Mudar essa realidade e atender o que propõe o PNE, segundo o MEC/SASE (2014), dependerá de diversas ações como: fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos, culturais e esportivos e com equipamentos públicos, como centros comunitários, bibliotecas, praças, parques, museus, teatros, cinemas e planetários (Estratégia 6.4 da Meta 6 do PNE) (BRASIL, 2014). Com relação ao uso de praças públicas como espaços educacionais, podem servir de atividades de extensão da sala de aula e ao mesmo tempo proporcionar aos alunos um espaço de tempo diferenciado, instigante, estimulante e divertido. De acordo com (Jacobi, 2005), as práticas pedagógicas precisam estimular a interdisciplinaridade, buscando a interação entre as disciplinas promovendo o diálogo de conceitos e desenvolvendo metodologias que articule as diversas áreas das ciências como as exatas, as naturais e as humanas, todas englobando o bemestar social do educando. Ainda de acordo com Moreira-Coneglian et al (2004, p.3), as praças e jardins públicos, além de possuírem componentes vegetais e animais, podem contar a história da cidade, pois apresentam, em seus arredores, todo um patrimônio histórico e cultural. Quando presentes nas redondezas da escola podem propiciar momentos de aprendizagem e diversão, além de permitir um maior contato dos alunos com os elementos naturais próximos a eles. Procurando contribui com a resolução deste cenário que nos apresenta o novo PNE, desde o ano de 2015 desenvolve-se o presente projeto de extensão na Praça Dom Pedro II conhecida popularmente como Parcão, que têm como objetivos atender a Meta 6 do PNE com um repertório de possibilidades de ensinoaprendizagem desenvolvidas em espaço não formal; contribuir com a construção de um olhar mais elaborado e contextualizado com relação às questões históricas, ambientais e educacionais e desenvolver um dos pilares das universidades públicas que é a extensão universitária..

(4) 2. METODOLOGIA O presente projeto foi desenvolvido com uma escola pública estadual do município de Uruguaiana, as atividades ocorrem quinzenalmente, sempre na Praça Dom Pedro II (Parcão), sendo oferecida aos alunos do ensino fundamental, ciclo II (6º ao 9º ano) da instituição. Como instrumento de registros foi feito o uso de questionários pré e pós atividades. Analisou-se os questionários que foram respondidos pelos educandos de três turmas do 6º ano (turma 60, 61 e 62) totalizando 90 alunos(as). Esta escola foi escolhida em função de proximidade com a praça e por possuir turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. A pesquisa é caracterizada como qualitativa, entretanto, o uso de questionário proporcionou em determinados momentos a construção de gráficos que evidenciam os resultados obtidos, sendo que após a coleta, estes foram analisados a partir da metodologia de contagens de eventos (HARDY e BRYMAN, 2009), sendo estes dados organizados em gráficos de barras e analisados quantitativamente. As variáveis dos gráficos foram representadas de forma a determinar a frequência com que tal questionamento foi respondido igualitariamente, ou não, em porcentagem de respostas. Como primeiro passo para iniciar a atividade, é realizada uma visita à escola para selecionar o grupo de educandos que irão participar da atividade, inicialmente um questionário é aplicado em sala de aula, dias antes dos alunos irem para a praça. As perguntas deste questionário têm o objetivo de aferir o conhecimento destes com relação à praça do Parcão, bem como o envolvimento com esse ambiente. No dia da atividade os educandos são conduzidos pelos tutores até a praça, o processo de ensino e aprendizagem é organizado em quatro momentos, definidos como oficinas, sendo que cada oficina está sob a responsabilidade de um ou dois discentes aplicadores da atividade. Oficina de Astronomia: se utiliza do Relógio do Sol para explorar assuntos como pontos cardeais, história da marcação das horas e construção de um relógio de sol em papel sulfite; Oficina de Botânica: explora as características fenotípicas das espécies arbóreas da praça, a origem destas, floração, frutificação, etc; Oficina de Física: se utiliza da pista de skate para discutir gravidade, massa e peso, Leis de Newton, atrito, velocidade, etc. Oficina de História: um dos tutores explora a biografia dos personagens que nomeiam as ruas e avenidas do entorno (Rua 1- Rua Flores da Cunha; Rua 2 ± Avenida Presidente Vargas; Rua 3 ± Rua Benjamin Constant; Rua 4 ± Rua Dr. Maia), bem como a figura de Dom Pedro II, que possui um busto na praça. Como momento inicial das atividades é feira uma roda de conversa onde são GLVFXWLGRV DVVXQWRV VREUH D ORFDOL]DomR QRPH FRUUHWR H ³DSHOLGR´ GD SUDoD H UXDV que demarcam o seu entorno. Feito este primeiro contato, inicia-se uma caminhada, onde se explora os conhecimentos dos educandos acerca dos aspectos mais relevantes da praça e dos assuntos planejados pela Oficina de História. Ao final desta oficina, os educandos são divididos em três grupos e são levados para os locais onde se realizam as demais oficinas. As oficinas possuem praticamente a mesma duração e ao término de uma oficina, são encaminhados à outra, ou seja, ao final do processo, todos participam de todas as oficinas..

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(6) Quando perguntado ao grupo dos(as) alunos(as) se as atividades que foram desenvolvidas provocaram alguma mudança na relação destes e destas com a praça, alguns alunos(as) apresentaram respostas genéricas, como: Aluno A: ³PXGRX R MHLWR QD TXDO YHMR D 3UDoD GR 3DUFmR DQWHV HX YLD DSHQDV como um lRFDO GH OD]HU H DJRUD WDPEpP YHMR FRP XP ORFDO GH FRQKHFLPHQWR´ Aluno B: ³HX DFKHL PDLV LQWHUHVVDQWH TXDQGR HX IRU SDUD R 3DUFmR YRX YHU GH XP MHLWR FLHQWtILFR KLVWyULFR H ItVLFR $GRUHL TXHULD WHU PDLV RSRUWXQLGDGH´ Contudo, se obteve respostas especificas e positivas sobre as atividades desenvolvidas, podendo ser vistas no relato de alguns alunos sobre as respectivas oficinas aplicadas. Oficina de História: Gostei porque eu conheci mais sobre os nomes das ruas; eu gostei quando falaram sobre Dom Pedro II; dos motivos dos nomes das ruas e da praça. Oficina de Astronomia: Eu gostei de aprender sobre o relógio, porque antes eu não sabia sobre as utilidades e agora eu sei; gostei de fazer a maquete do relógio, legal demais; gostei de aprender mais sobre os relógios, saber do antes e depois nos tempos. Oficina de Física: Eu gostei de aprender a força, ação e reação, potencial e atrito; eu gostei de aprender sobre a gravidade e de ir à pista de skate; gostei dessa atividade, porque eu gosto de andar de skate. Oficina de Botânica: Conhecer várias plantas e sua nacionalidade; foi legal porque eu aprendi muito sobre árvores; aprendi sobre os tipos de árvores e também da gincana e do trabalho coletivo. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados obtidos corroboram com a ideia da utilização de locais públicos como espaço pedagógico, metodológico para o ensino de ciências, visto que, com os relatos dos educandos esse tipo de atividade auxilia de maneira atrativa e lúdica, para que os mesmos consigam aprender um pouco mais sobre os conteúdos de ciências e conhecer um pouco da história da sua cidade. O desenvolvimento do projeto contribui com a formação dos educandos da educação básica, mas promove, sobremaneira a formação os futuros professores que participam deste tipo de atividade, quebrando paradigmas e demostrando que as praças públicas são excelentes instrumentos de educação em espaços não formais. 5. REFERÊNCIAS ALMEIDA, L. F. R.; BICUDO, L. R.; BORGES, G. L. A. Educação Ambiental em Praça Pública: relato de experiência com oficinas pedagógicas. Ciência e Educação, Bauru, v. 10, n. 1, p. 121-132, 2004. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino. Planejando a Próxima Década: Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de Educação. Brasília: MEC/ SASE, 2014. 62. JACOBI, P. R. Educação ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. Revista Educação e Pesquisa, 31, 233-250, 2005..

(7) MELO, I. Com o novo PNE, Brasil aposta na escola de tempo integral. Zero Hora, Porto Alegre, 20 jul. 2014. Educação. MOREIRA-CONEGLIAN, Inara Regiane et al. Educação ambiental em praça pública no município de Botucatu/SP. Revista. Ciência em Extensão. v.1, n.1, p.39, 2004. 52, 2004..

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Referencias

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