TítuloO museu enquanto facilitador ou educador de valores ambientais

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(1)BANCO DE BOAS PRÁCTICAS ISSN: 1887-2417 D.L.: C-3317-2006. F-*#8(#-(5W#256%-X2)3$362'%,-%#-- ('#)2'%,-'(-:2$%,(8-2*+3(56238 ?/+'*,&+',-')/+'.$#+$.'%#'%0'+:$(%)",0%&'' 2%*)0+*'%0:')*%0#."))+*',-'+0="*,0.+0)%&'=%&$+#' Margarida Filipe Ramos.Museu da Água-EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres) (Portugal). Resumo6WYLZLU[L[YHIHSOV[L]LJVTVVIQLJ[P]VMHaLY\THYLÅL_qVZVIYLVWHWLSKVZT\ZL\ZLUX\HU[V educadores para os valores ambientais e de cidadania. O estudo de caso incide sobre o Museu da Água da EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres), através da análise da sua dinâmica com as escolas e estudo dos materiais produzidos pelos alunos no contexto do concurso anual promovido por esta instituição. A cultura, a família, a religião e a sociedade onde o indivíduo está inserido, todos estes factores ZqV PUÅ\LUJPHKVYLZ KVZ ]HSVYLZ +LZ[L TVKV Q\SNHTVZ X\L V T\ZL\ KL]LYPH HZZ\TPY H Z\H responsabilidade social para além do ponto de vista tradicional (divulgação e conservação do património) e assumir-se como um agente de mudança e de educador para os valores. Astract ;OLWYLZLU[LUX\PY`HPTZH[THRPUNHYLÅLJ[PVUV]LY[OLYVSLVMT\ZL\TZ^OPSLLK\JH[VYZ for the values and more concretely of its importance in regards to the environmental and citizenship values. We will be presenting the case study of the Water Museum of Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL), through the analysis of its dynamic with schools and TVYLZWLJPÄJHSS`[OYV\NO[OLHUHS`ZPZVM[OLTH[LYPHSZWYVK\JLKI`[OLZ[\KLU[ZPU[OLHUU\HS competition promoted by this institution. Culture, family, religion and the society in general where the individual is inserted, all these MHJ[VYZHYLPUÅ\LUJLZ[V[OL]HS\LZ>LILSPL]L[OH[[OLT\ZL\TZOV\SKHZZ\TLP[ZZVJPHS responsibility beyond the traditional point of view, of divulging and preserving the patrimony and assume itself as an agent of change and an educator for the values. Palabras chave Educação ambiental, atitudes ambientais, valor, museu, Museu da Água da EPAL Key-words Environmental education, environmental attitudes, notion of value, museum, EPAL’s Water Museum.. ambientalMENTEsustentable ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18. IC. xullo-decembro 2014, ano IX, vol. II, núm. 18, páxinas: 75-85.

(2) MARGARIDA FILIPE RAMOS. @56,%'#bc%. as funções tradicionais de aquisição, preservação e exibição de colecções. As mudanças sociais observadas desde então. O museu, enquanto instituição cultural,. e a evolução da museologia, bem como. cumpre uma função social ao serviço da. o papel crescente da ciência na vida dos. comunidade e do seu desenvolvimento,. indivíduos durante este século, alertaram. colocando à disposição do público o seu. para o papel educativo dos museus como. acervo, e que para além, da conservação. divulgadores da ciência e da cultura para. e estudo das suas peças, tem em vista a. o grande público.. educação e a fruição (ICOM, 2001). Na deÄUPsqVKLT\ZL\KV0U[LYUHJPVUHS*V\U-. Na conferência da American Society of. cil of Museums (ICOM) na sua 20º As-. Museums (AAM) de 1990, foi introduzido o. sembleia Geral, de Julho de 2001, foram. JVUJLP[VKLWYm[PJHYLÅL_P]HLTT\ZL\ZL. incluídas ainda outro tipo de instituições. paralelamente discutido o papel do museu. como, sítios, monumentos históricos, ins-. na sociedade e na vida do indivíduo. Em. tituições que conservam colecções, jar-. 1992, a mesma associação publicava o re-. dins botânicos e zoológicos, aquários e. latório Excellence and Equity, onde referia. ]P]LPYVZJLU[YVZJPLU[xÄJVZYLZLY]HZUH[\-. a necessidade dos museus servirem para. rais, planetários. Em Portugal, o conceito. o enriquecimento (cultural) dos cidadãos,. de museu consagrado na Lei-Quadro dos. colaborarem activamente para uma so-. Museus Portugueses (Lei nº 47/2004 de. ciedade mais plural e poderem contribuir. 19 de Agosto) considera igualmente “os. WHYHHYLZVS\sqVKLKLZHÄVZNSVIHPZ. testemunhos resultantes da materialização de ideias, representações de realidades. 8\HSVWHWLSKVZT\ZL\ZHÄUHSKLU[YVKH. existentes ou virtuais, assim como bens. mYLHKLPUÅ\vUJPHQ\U[VKHZ\HJVT\UPKH-. de património cultural imóvel, ambiental. de? Uma instituição cultural como um mu-. e paisagístico”. Daqui se depreende que. seu pode contribuir positivamente numa. todos estes locais são prestadores de um. PUÄUPKHKLKLTHULPYHZWHYHVILTJVT\T. serviço para o bem comum da sociedade.. Este conceito de valor público em museus UqV t UV LU[HU[V UV]V 1m UVZ ÄUHPZ KV Séc. XIX, princípios do Séc. XX, John DANA. 1-5%bc%-'(-:2$%,-9S+$3)%-(**#8(#8--. COTTON, fundador, director e responsável de educação do Museu de Newark (1909), acreditava que o museu deveria ser útil à sua comunidade. Defendia que as institui-. A partir do séc. XX, o Museu deixou de ser. ções públicas e os museus, sem excepção,. encarado como um simples espaço com. deveriam dar em troca “coisas” boas, po-. IN. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18.

(3) O museu enquanto facilitador ou educador de valores ambientais. ZP[P]HZ KLÄUP[P]HZ ]PZx]LPZ L TLUZ\Ym]LPZ". reforçar esta visão para os museus na-. não tendo a ver, proporcionalmente, com. cionais, sendo de realçar desde logo, os. o custo do edifício ou com a riqueza das. quatro primeiros sobre: o primado da pes-. colecções contidas no museu (HEIN, 2011).. soa, o primado da promoção da cidadania. O museu apenas tem valor na medida em. responsável, o princípio de serviço público. que é “utilizado” por alguém. Quanto mais. e aliado a estes, o princípio da coordena-. iniciativas forem realizadas, mais útil será. ção, o qual incita à concertação de me-. para a comunidade onde está inserido. Este. didas com as políticas de educação, da. compromisso de serviço público é possí-. ciência, do ordenamento do território, do. vel através da organização e dinamização. ambiente e do turismo (LEI-QUADRO. de programas exemplares e inovadores. SEUS,. DE. MU-. 2004).. na área educacional, social, económica e ambiental. Só assim será possível aos mu-. Ben GARCIA também refere o conceito de. seus poderem ser eles mesmo agentes de. valor público, em museus, na medida em. T\KHUsHLWHYJLPYVZJVTZPNUPÄJHKVQ\U[V. que existe uma diferença considerável en-. da comunidade (DIERKING, 2010).. tre “disponibilizar algo de valor ao público e criar algo que tenha valor público” (GAR-. (U[LZ KL THPZ t ULJLZZmYPV KLÄUPY W‚ISP-. CIA,. cos e estratégias, pensar para quem o mu-. parcerias e vínculos com a comunidade. seu está a trabalhar. Uma instituição, neste. onde está inserido, com escolas, associa-. caso, um museu, que não consiga asse-. ções, juntas de freguesia, grupos de mora-. gurar a sua sustentabilidade ao longo dos. dores, etc. Introduzindo um conceito que. tempos está condenada. Também HOOPER-. está muito em voga, o de responsabilidade. -GREENHILL. . 2010). Para isso têm de se estabelecer. HÅVYHLZ[LHZZ\U-. social das instituições, também o museu. [VX\HUKVKPaX\LQmUqVtZ\ÄJPLU[LMHSHY. contribui assim para a melhoria da socie-. só dos processos de aprendizagem em. dade e presta um serviço ao seu público,. museus, existem uma série de questões. esse serviço é a educação (HEIN, 2011).. de ordem social e aborda a questão das acessibilidades ao museu, não falando só do acesso físico mas também do acesso J\S[\YHS HÄYTHUKV X\L ¸V UV]V KLZHÄV para os museus do Séc. XXI é o de desenvolver uma pedagogia que utiliza as suas. 1-,($2bc%-'%8-8(,:3b%8-('#)263:%8-)%*-28-358636#3bd(8-(8)%$2,(8-. boas práticas para a sua democratização”. 6Z WYPUJxWPVZ KH UV]H T\ZLVSVNPH KLÄnidos na Lei-Quadro de Museus, vieram. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18. Quando abordarmos a problemática da educação em museus está normalmente. II.

(4) MARGARIDA FILIPE RAMOS. implícita a noção de educação não-for-. VÄJPUHZ ^VYRZOVWZ ]PZP[HZ JVTLU[HKHZ. mal como forma de complementaridade. para professores e um sem número de ac-. à educação formal utilizada em contexto. tividades organizadas para a comunidade. escolar. Isabel CHAGAS no seu artigo so-. educativa, como a realização de concur-. bre Relações entre museus de ciência e. sos e outras iniciativas que apelam à sua. escolas (CHAGAS, 1993), baseada em Jan. participação activa, à comemoração de. MAARSCHALK (1988) distinguiu três tipos de. várias efemérides e dias especiais, como. educação: educação formal, educação. o dia da criança, o dia da árvore, o dia dos. não-formal e educação informal. A educa-. museus, etc. Procura-se a inovação e o. ção não formal é aquela que nos interessa,. intuito é o de captar o interesse do públi-. neste caso, é aquela que acontece fora da. co escolar, contam-se histórias através de. conjuntura escolar e é veiculada pelos mu-. objectos, da própria história sobre o mu-. seus e outras instituições que organizam. seu e das razões que levaram à existên-. L]LU[VZKLKP]LYZHVYKLTHÄTKLLUZPUHY. cia daquele local. Os professores recor-. algo a um público heterogéneo.. rem aos museus, como complemento às matérias de estudo, mas também como. Deste modo, ao falarmos de educação em. forma de entretenimento. Dentro deste. museus não podemos deixar de abordar a. espaço que é consagrado à visita, exis-. relação com o público escolar, o seu pú-. te a transmissão de conhecimentos, mas. blico mais assíduo. As visitas aos museus. também a partilha de crenças e valores. foram sendo entendidas como um recur-. por parte da instituição. Esta experiência. so para a aprendizagem escolar, decisiva. que se pretende seja uma troca, num pro-. para a sustentação do ensino, constituin-. cesso participativo, de acordo com o mo-. do-se também, como um modo de rela-. delo construtivista, implica também que. cionamento durável entre a escola e a sua. através da comunicação haja a partilha. vizinhança. A mais-valia do museu reside. KL ]HSVYLZ L H JVUZ[Y\sqV KL ZPNUPÄJHKV. então, nas suas propostas educativas,. (HOOPER-GREENHILL, 1996).. ao propor novas e diferentes abordagens sobre determinado tema, como sejam as. Poderão os museus desempenhar activa-. “actividades lúdicas, o museu dá a opor-. mente um papel decisivo na transmissão. tunidade de interessar mais o indivíduo so-. de informações relevantes para o público. bre o que até aqui, em meio escolar, surgiu. ZVIYLHmYLHJPLU[xÄJHLHTIPLU[HS&0ZHILS. como pouco aliciante” (FRÓIS, 2008, p. 72).. Chagas refere o papel fundamental que o T\ZL\WVKLKLZLTWLUOHYLZWLJPÄJHTLU-. Hoje em dia os museus têm à disposição. te na educação da ciência e da tecnologia,. um vasto painel de ofertas que vão desde. como os museus dedicados à aviação, à. a tradicional visita guiada, até aos ateliers,. electricidade e à água ou os chamados. IR. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18.

(5) O museu enquanto facilitador ou educador de valores ambientais. centros de ciência mais especializados.. (EPAL). A EPAL é uma sociedade anónima. Estes últimos surgiram em Portugal, nos. de capitais públicos, detidos a 100% pe-. últimos quinze anos, através do Progra-. las Águas de Portugal (ADP) e é a respon-. ma Ciência Viva e estão mais vocaciona-. sável pelo abastecimento a 35 municípios. dos para as actividades hands-on. Estas. e a cerca de três milhões de habitantes da. técnicas participativas atraem os alunos. região centro. No entanto, a sua origem. e complementam a educação formal de. remonta a 2 de Abril de 1868, data em. um modo que a escola não pode fazer. A. que foi concessionado à Companhia das. ida ao museu proporciona o contacto com. Águas de Lisboa, o serviço de abasteci-. objectos e vivências que em geral não fa-. mento de água à cidade de Lisboa.. zem parte do universo da escola, nem do seu dia-a-dia. Os museus dispõem de re-. Reconhecido no campo da Arqueologia. cursos físicos e humanos que permitem a. Industrial, pelo excelente estado de con-. construção de ambientes únicos em que. servação da Estação Elevatória a Vapor. o aluno pode observar in loco determina-. dos Barbadinhos do Séc. XIX, o Museu. KVMLU}TLUVJPLU[xÄJVCHAGAS, 1993). Da. da Água foi inaugurado a 1 de outubro. mesma forma, podemos dizer que ao to-. de 1987. O Museu da Água integra ac-. mar contacto com determinado artefacto. tualmente quatro núcleos dispersos pela. histórico, os alunos poderão ser desper-. cidade de Lisboa: Aqueduto das Águas. tados para a discussão de outros temas. Livres, Reservatório da Mãe d’Água das. como por exemplo, a sensibilização am-. Amoreiras, Reservatório da Patriarcal e. biental, a falta de água noutros pontos do. Estação Elevatória a Vapor dos Barbadi-. globo terrestre ou a poluição.. nhos. Este último núcleo, sede do museu, foi recentemente alvo de uma renovação. Neste contexto e em Portugal destacamos. completa da sua exposição permanente, a. o exemplo do Museu da Água da EPAL e. qual teve como objetivo garantir um plano. do seu serviço pedagógico que tem vin-. completo de acessibilidades, moderniza-. do a promover desde 1997 projectos em. ção e atualização do espaço musealizado.. parceria com as escolas, procurando uma. Esta sala encontra-se dividida em quatro. relação mais estreita com estes públicos.. temas centrais que abordam a água nas suas múltiplas formas e ligações: A Água. F-D#8(#-'2-Q;#2-'2-BP1e. no planeta Terra, História do Abastecimento de Água, o Ciclo Urbano da Água e a Sustentabilidade.. O Museu da Água é um museu da Empresa Portuguesa das Águas Livres, S.A.. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18. IM.

(6) MARGARIDA FILIPE RAMOS. F-K(,:3b%-P('2;4;3)%Q;#28-e3:,(8-\!MMI&./!<^. dices em anexo onde se apresentam dois exemplos das grelhas de observação elaboradas, uma referente à expressão visual, outra referente à expressão verbal.. Este projecto trabalhou, anualmente, com uma rede de cerca de mil escolas, do en-. As nossas hipóteses foram:. sino básico e secundário, proporcionando uma série de iniciativas, as quais incluíam. 1) Poderemos inferir dos trabalhos (ban-. para além das habituais visitas aos qua-. das-desenhadas). produzidos. pelos. tro núcleos do museu, a organização pe-. alunos, em contexto escolar, a partir. riódica de encontros para professores, a. de uma proposta do Museu da Água,. organização do Concurso anual e a dispo-. quais os valores e atitudes relativas ao. nibilização de materiais e recursos educa-. ambiente em geral e aos recursos natu-. tivos sobre a água e a temática ambiental.. rais, como a água, em particular?. No seu trabalho diário de promoção dos valores relacionados com o ambiente e a. 2) Quais as diferenças de atribuição de. ecologia, foram envolvidos ao longo de. valor, do ponto de vista ambiental, entre. dezasseis anos, cerca de 225.000 alunos e. os trabalhos produzidos pelos alunos. 18.000 professores de norte a sul do país.. do 1º e do 2º ciclo do ensino básico?. Em 2011 foi realizado um estudo empírico,. Relativamente à primeira questão concor-. no âmbito de uma tese de mestrado em. damos, que não poderíamos nunca fazer. Educação Artística da Faculdade de Belas. uma correlação directa entre valor (comu-. Artes de Lisboa, a qual teve por base os. nicado) e atitude (acção). No entanto, po-. trabalhos resultantes do Concurso Águas. demos inferir através de vários indicado-. Livres, edição do ano letivo 2010-2011.. res ao nosso alcance quais são os valores. ,Z[L[YHIHSOV[L]LWVYIHZLHPKLU[PÄJHsqV. que transparecem nos trabalhos de banda. dos valores que nos interessavam anali-. desenhada. Da nossa investigação retira-. sar: água, ambiente e cidadania, à luz das. mos as seguintes conclusões:. principais. perspectivas. ambientalistas:. antropocentrismo, biocentrismo e ecocen-. ‹ V]HSVYmN\HHWHYLJLUV[LTHWVS\PsqV. trismo. Os trabalhos de banda-desenha-. com uma preocupação biocêntrica, de. da, alvo da nossa análise, foram quarenta;. valor de preservação vida, enquanto. vinte do 1º ciclo e vinte do 2º ciclo, sendo. que no tema boas práticas surge com. divididos em duas partes iguais para cada. um valor maioritariamente utilitário ou. categoria: Poluição e Boas Práticas (leia-. seja, antropocêntrico;. ZL\ZVLÄJPLU[LKHmN\H=PKLVZHWvU-. R/. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18.

(7) O museu enquanto facilitador ou educador de valores ambientais. ‹ V]HSVYHTIPLU[LKLTVKVNLYHStHWYL-. dos alunos do 2º ciclo, pareceu-nos que. sentado do ponto de vista biocêntrico,. nos trabalhos destes alunos, foi dada a. se bem que no caso dos trabalhos do. primazia à expressão visual em detrimento. 2º ciclo as preocupações tendem a ter. da expressão verbal, sendo os trabalhos. um carácter mais universal, de preo-. do 1º ciclo muito mais ricos deste ponto. cupação com o planeta em geral e de. de vista. No entanto, as diferenças surgem. respeito para com os povos mais des-. nos três indicadores escolhidos, conforme. favorecidos;. se explica em seguida:. ‹ VZ ]HSVYLZ KL JPKHKHUPH UV X\L YLMLYL a actuações concretas, aparecem em. ‹ V]HSVYmN\HtYLWYLZLU[HKVUHJH[LNV-. maior número nos trabalhos do 1º ciclo. ria poluição, na perspectiva biocêntrica,. do que nas BD do 2º ciclo.. tanto pelos alunos do 1º ciclo como pelos alunos do 2º ciclo; na categoria uso. De um modo geral, inferimos que dos tra-. LÄJPLU[LtLSLP[HHWLYZWLJ[P]HHU[YVWV-. balhos analisados, as crianças e os jovens. cêntrica nos dois ciclos de ensino;. conhecem os conceitos e apresentam al-. ‹ V ]HSVY HTIPLU[L LZ[m T\P[V WYLZLU[L. guns valores relacionados com a ecologia,. como um recurso a preservar quer no. revelando preocupação com as principais. 1º ciclo, quer no 2º ciclo, sendo que na. fontes de poluição e mostrando-se sabe-. maioria apresentam preocupações rela-. doras das principais medidas para evitar,. cionadas com os seres vivos, animais e. por exemplo, o desperdício da água.. plantas De referir que o valor ambiente no 2º ciclo é valorizado pela negativa,. Sobre a segunda questão podemos apurar. ou seja, pela apresentação de más prá-. as seguintes diferenças. De um modo ge-. ticas;. YHS L H[LUKLUKV nZ JHWHJPKHKLZ NYmÄJHZ. -PN¶,_JLY[VIHUKHKLZLUOHKH¶¢JPJSV¢HUV. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18. -PN¶,_JLY[V)+¶¢JPJSV¢HUV. R!.

(8) MARGARIDA FILIPE RAMOS. ‹ V]HSVYJPKHKHUPHHWLZHYKLYLWYLZLU[H-. tístico e nas percepções basilares de apre-. do nos dois ciclos, está mais patente ao. ciação de Arte, pode dizer-se que existe. nível da expressão verbal nos trabalhos. uma relação entre arte e a experiência. En-. dos alunos do 1º ciclo do que nos do 2º. [qVVT\ZL\HVWYVWVYLZ[LZKLZHÄVZHV. ciclo.. público escolar, proporciona a experiência de criar, a possibilidade de criação de ob-. Resumindo, vimos que o museu é um es-. jectos novos de interesse estético, mas ao. paço de educação que pode e deve servir. mesmo tempo, está a dar-lhes uma opor-. um bem comum. Ao prestar um serviço. [\UPKHKLWHYHHYLÅL_qVZVIYLVZ[LTHZL. público, torna-se importante avaliar e va-. os valores que lhes estão associados.. lidar o trabalho realizado pelos serviços educativos, no sentido de comparar e. No que diz respeito aos valores propria-. divulgar informação sobre as actividades. mente ditos, estes são o ponto de partida. dinamizadas em vários museus, por forma. que motiva os indivíduos à tomada de de-. a detectar o seu impacto na comunidade,. cisão, ensinam-se, mas nada nos garante. particularmente, sobre o público escolar.. que irão passar da teoria à prática, ou seja,. A colaboração entre museus e escolas é. a atitudes concretas de actuação. Para. algo de desejável que pode assumir for-. que tal possa acontecer é necessário que. mas muito variadas, dependendo da ini-. sejam vividos, é essencial que sejam da-. ciativa e criatividade dos intervenientes.. das oportunidades aos indivíduos e principalmente às crianças, durante a sua edu-. No que se refere ao instrumento utilizado. cação, para desenvolver os seus valores. para fazer a análise dos trabalhos realiza-. e os seus conhecimentos de modo a po-. dos pelos alunos em contexto escolar, no. KLYLT \T KPH NLYPY VZ WVZZx]LPZ JVUÅP[VZ. caso em estudo, as bandas-desenhadas,. entre os seus valores e as inevitáveis satis-. pensamos tratar-se de uma ferramenta. fações das suas necessidades (HALSTEAD,. bastante útil, pois oferecem um enorme. 1996). Acreditamos que esse é o papel da. escopo para a expressão artística e para. educação e que os museus têm uma pala-. HZYLÅL_LZHJLYJHKHZH[P[\KLZL]HSVYLZ. vra a dizer sobre esta matéria.. sobre o ambiente e sobre o mundo em que vivem. Como refere DEWEY “a criação e a apreciação do objecto de arte têm consequências educativas directamente projectáveis na experiência humana, mas a projecção inversa também parece existir” (in ALMEIDA, 1974, p. 22). Se toda a experiência humana repercute no fenómeno ar-. R.. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18.

(9) O museu enquanto facilitador ou educador de valores ambientais. 5HIHUHQFLDVELEOLRJUiÀFDV ALMEIDA, António (2007), Educação Ambiental – ( PTWVY[oUJPH KH +PTLUZqV i[PJH 3PZIVH Livros Horizonte. CARIDE, José António e MEIRA, Pablo Angel (2004), Educação Ambiental e Desenvolvimento Humano, Lisboa, Coleção Horizontes Pedagógicos, Instituto Piaget. CHAGAS, Isabel (1993) – Aprendizagem não formal/formal das ciências: Relações entre museus de ciência e escolas in Revista de educação, 3 (1), 51-59, Lisboa. COELHO, Jorge Artur Pessanha de Miranda e outros (2006) – Valores humanos como Explicadores de Atitudes Ambientais e Intenção de Comportamento Pró-Ambiental, disponível em <URL http://www.scielo.br/ pdf/pe/v11n1/v11n1a23.pdf, [consultado a 20.08.2011]. DIERKING, Lynn D. (2000) – Being of Value - Intentionally fostering and Documenting Public Value in Journal of Museum education, Vol. 35. Nr.1, 2010, pp. 9-20. FRÓIS, João Pedro (2008) - Os Museus de Arte e a Educação. Discursos e Práticas Contemporâneas, Museologia.pt, nº2, pp.62-75.. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18. GARCIA, Ben (2010) – Museum Education and Public Value - in Journal of Museum education, Vol. 35. Nr.1, Spring 2010, pp. 5-8. Guia da Educação para a Sustentabilidade (2006) – Carta da Terra, Coleção Educação para a Cidadania, Lisboa, Ministério da Educação disponível em <URL http://www.rcc. gov.pt/SiteCollectionDocuments/ECTG-EducCidadania-2006.pdf [ consultado em 20.09.2012]. HALSTEAD, J. Mark (1996) – Values in Education and Education in Values, Palmer press, London, Washington D.C. HEIN, George E., (2011) - Museum education disponível em A Companion to Museums Studies – Sharon MacDonalds, Blackwell Publishings. Ltd., pp. 340-351. HOOPER-GREENHILL, Eilean (1996) – The Educational Role of the Museum- Routledge, London. MARQUES, Ramiro (2008), A Cidadania na Escola, 1ª Edição, Lisboa, Livros Horizonte. ORR, David W. (1992), Ecological Literacy – Education and the Transition to a Postmodern World, State University of New York Press, Albany.. R<.

(10) MARGARIDA FILIPE RAMOS. 19Z5'3)(8. 0KLU[PÄJHsqV de indicadores visuais associados ao tema. Sensibilidade estética (estilo NYmÄJVMVYTHZ e cores). X. X. X. X. X X. X. X. Presença de Seres Vivos (animais ou plantas). X. X. X. Evidência de desperdício/má utilização. X. Enquadramento da Acção (cenários). X. X. X. X. X. X. X X. X. Elementos simbólicos (Água). X. Anexo XXXVI. X. Anexo XXXIV. X. Anexo XXXIII. Anexo XXXII. X. Ideia de Universalidade (planeta Azul) Elementos humanos. Boas práticas. X. X. Anexo XXXV. Ideia de cidadania (mostram iniciativas). Anexo XXXI. Ideia de natureza (ex: representam árvores, rios, peixes, etc.). Anexo XXX. Expressividade de ideas/ valores através da linguagem visual. Valores ambientais e estéticos. Anexo XXIX. Domínios e Competências. Anexo XXVIII. Categoria. Anexo XXVII. .YLSOHKL6IZLY]HsqVKVZ[YHIHSOVZKL)HUKH+LZLUOHKHKV¢*PJSVKV,UZPUV)mZPJV¶,_WYLZZqV Visual. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. X. B. S. B. S. B. B. B. B. S. B. Organização das vinhetas/ritmo. F. F. B. B. B. B. B. S. S. B. Utilização das cores. B. S. B. B. B. B. B. B. S. S. 3LNLUKH!--YHJV"::\ÄJPLU[L"))VT. R0. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18.

(11) O museu enquanto facilitador ou educador de valores ambientais. -. -. Como um valor a preservar por si só Ambiente. X. X. -. -. -. X. Apresentam propostas de intervenção (atitudes). X. 9LÅL_qVZVIYLHZP[\HsqVLTPtem opinião). X. Valores e atitudes. Perspectiva utilitária/instrumental. X. X. -. -. -. X. X. X. X. X. Anexo XXXIV. Anexo XXXV. Anexo XXXVI. X. Apresentam propostas de intervenção (atitudes). X. X. X. X. X. X. -. -. -. -. -. -. -. -. X. X. X. X. X. X. X. X. Anexo XXXIII. Apresentam preocupação com outros povos (dimensão universal). X. Anexo XXXII. Apresentam preocupação com os seres vivos (animais e plantas). X. Anexo XXXI. -. X. X. X. X -. X. X. Como um divertimento. ambientalMENTEsustentable, 2014, (II), 18. -. X X. 9LÅL_qVZVIYLHZP[\HsqVLTPtem opinião). -. Anexo XXX. Cidadania. X. Anexo XXIX. Ambiente. X. X. Essencial à vida. Como um valor a preservar por si só. X. X. Anexo XXVIII. Subcategorias. Agua. PoluisqV. X. Apresentam preocupação com outros povos (dimensão universal) Cidadania. Categoria. Apresentam preocupação com os seres vivos (animais e plantas). X. X. X. Anexo XXVII. PoluisqV. Anexo XXXVI. Como um divertimento. Anexo XXXV. Agua. Anexo XXXIV. Essencial à vida. X. Anexo XXXIII. X. Anexo XXXII. X. Anexo XXXI. Perspectiva utilitária/instrumental. Anexo XXX. Valores e atitudes. Anexo XXIX. Subcategorias. Anexo XXVIII. Categoria. Anexo XXVII. .YLSOHKL6IZLY]HsqVKVZ[YHIHSOVZKL)HUKH+LZLUOHKH¢*PJSVKV,UZPUV)mZPJV¶,_WYLZZqV=LYIHS. X. X X. X. X X. X. X X. X. RC.

(12) Denuncia nun largo lisboeta (Lisboa-Portugal). RN RN. © Rocío López Díez. ambientalMENTEsustentable, ambientalMENTEsustentable, 2014, 2014, (II), (II), 18 18.

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