Saramago, José. Ensaio sobre a cegueira

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A cegueira de Saramago e as vozes do silêncio uma análise da obra ensaio sobre a cegueira de José Saramago e a teoria da espiral do silêncio

A cegueira de Saramago e as vozes do silêncio uma análise da obra ensaio sobre a cegueira de José Saramago e a teoria da espiral do silêncio

Assim estava quando viu o marido levantar-se e, de olhos fixos, como um sonâmbulo, dirigir-se à cama da rapariga de olhos escuros. Não fez um gesto para o deter. De pé, sem se mexer, viu com ele levantava as cobertas e depois se deitava ao lado dela, como a rapariga despertou e o recebeu sem protesto, como as duas bocas se buscaram e encontraram, e depois o que tinha de suceder sucedeu, o prazer de um, o prazer de outro, o prazer de ambos, os murmúrios abafados. Deitados no catre estreito, não podiam imaginar que estavam a ser observados (SARAMAGO, 1995, p. 171). A divisão da comida, camas e tarefas, fica cada vez mais injusta, o poder começa a ser exercido pela terceira camarata, onde se concentram um número maior de homens, sedentos e famintos, eles quase enxergam tamanho o poder que exercem sobre os outros cegos, um deles está armado, além de ter um cego de verdade, com habilidades que o torna diferentes dos outros cegos. Michael Foucault, no livro Microfísica do Poder, descreve as várias formas de exercer o poder, todos os homens acabam o exercendo de alguma forma, em alguma esfera. O isolamento do livro de Saramago se assemelha a ‘casa dos loucos’ e a criação do sistema prisional, todos acabam eliminando o homem do convívio social e não acrescentando nada a eles, ele fala sobre “produzir a verdade da doença”, e inventar uma solução e exercer o poder sobre o dito ‘louco’, o cego, o homem dentro desses hospícios, prisões, leprosários, se reinventam para exercer o poder.
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El “realismo mágico portugués”: las propuestas de José Saramago y João de Melo

El “realismo mágico portugués”: las propuestas de José Saramago y João de Melo

En sus obras es fácil encontrar rasgos de real sobrenatural. Los más conocidos son la capacidad de Blimunda Sete-Luas, protagonista de Memorial do Convento, de ver por dentro los cuerpos humanos y sus males cuando está en ayunas; la separación de la Península Ibérica de Europa y su conversión en isla que se mueve hasta el medio del Océano Atlántico en A Jangada de Pedra; o la ceguera generalizada, sin causas físicas, de los habitantes del planeta en Ensaio sobre a Cegueira. Sin embargo, será más interesante analizar ejemplos en textos con menos divulgación, en particular en sus cuentos y crónicas. Además, en estas obras, según el mismo autor, está presente ya “toda a matéria que vem depois ser amplificada nos romances, ou pelo menos muito do que se encontra nos romances”, como “a memória como recordação, a observação do quotidiano, a interpretação dos factos, a aproximação entre dois factos aparentemente distintos” (Letria 1995: 22). Empecemos por A Bagagem do Viajante, libro de crónicas de 1973, y el texto “Os portões que dão para onde?”. En este último, narra la sensación sobrenatural sentida al pasar los portones abandonados junto a las carreteras, cruzado por las energías del pasado y de sus habitantes, no visibles a los ojos, pero sensibles. E interroga al lector si ha experimentado la comunicación física de la gente que ya no existe:
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O homem no centro : romance e sociedade em A Caverna, de José Saramago

O homem no centro : romance e sociedade em A Caverna, de José Saramago

José Saramago publicou 56 obras 2 , que incluem vários gêneros literários: da poesia aos contos, do teatro ao romance, passando ainda pelas crônicas, ensaios, críticas literárias, traduções e diários. Ele é um dos mais importantes autores de Portugal, e o único lusófono a ser agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura até o presente momento. Suas obras foram objetos de estudos de pesquisadores de todo o mundo, que analisaram suas inúmeras produções sob as mais diversas perspectivas. A fortuna crítica sobre A Caverna, ainda que não seja tão abundante quanto a de títulos como Ensaio sobre a Cegueira ou Memorial do Convento, por exemplo, é bastante vasta, especialmente no que diz respeito às considerações sobre as relações entre a narrativa saramaguiana e o mito platônico, razão pela qual não me detive neste aspecto da obra mais do que o necessário para a formulação dos meus próprios argumentos. Por isso, a contextualização de A Caverna dentro não apenas de um cenário literário amplo, mas, principalmente, como parte da trajetória do autor, é fundamental para a construção de nosso entendimento das relações entre a forma estética e o processo social que observamos na obra. O objetivo do capítulo é burilar as informações atinentes ao gênero literário mais cultivado pelo autor e o contexto de produção da obra em tela, partindo de uma visão ampla sobre romance e qual seu significado estético-ideológico como forma específica de figuração da sociedade burguesa moderna, passando pelas características da literatura portuguesa contemporânea e pela trajetória artística de José Saramago, até chegar ao contexto mais específico da elaboração de A Caverna.
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Levantadas do Chão: O poder das mulheres na obra de José Saramago

Levantadas do Chão: O poder das mulheres na obra de José Saramago

Apesar de as circunstâncias ficcionais desta família se manterem humanamente mais leves do que em Ensaio sobre a Cegueira, Marta é uma personagem tão central e firme na trama quanto a mulher do médico. A relação entre pai e filha é de grande dedicação e harmonia; em nada se assemelha à submissão a um poder paternal que orientou as mulheres durante séculos. Marta é o pilar fundamental de uma família que vive no equilíbrio crítico entre pobreza e sobrevivência, excluída de uma possibilidade aparentemente idílica, o “Centro”. Quando o negócio da família corre perigo, é Marta quem assume as rédeas e se organiza na resolução dos problemas financeiros e na regularização da harmonia. Esta mulher determinada, resiliente, emocionalmente forte, prevalece como uma vara resistente a que as figuras masculinas se agarram para se manterem firmes no dia-a-dia. Saramago faz desta mulher os olhos que guiam e as mãos que seguram (sem que os ouvidos deixem de escutar pacientemente) o pai e o marido. É Marta quem salva a família, através do amor que lhes tem. É uma personagem com grande conhecimento e poder de orientação, o que contraria a dinâmica que durante séculos arredou as mulheres do saber, como Michelle Perrot afirma: “Desde a noite dos tempos, pesa sobre as mulheres uma interdição de saber (…). O saber é contrário á feminidade. Sagrado, o saber é apanágio de Deus, e do homem, seu delegado na Terra. Foi por isso que Eva cometeu o pecado capital. Ela, mulher, queria saber” (2006: 98).
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Ensaio sobre a cegueira: uma amostra do mal que há em nós

Ensaio sobre a cegueira: uma amostra do mal que há em nós

Palavras-chave: atmosfera moderna; crise; mal. Blindness: a sample of evil inside us ABSTRACT: This article proposes a rereading of the novel by José Saramago Blindness (1995), with regard to their ability to raise and explore the human perversity that both defies and undermines the notion of "order and progress", violating the ideal of civilization. In order to fulfill this mission, we intend to bring into question the way the author, through his speech, uses images that show aggressive and destructive nature of man, when he finds himself trapped amid the struggle for survival, giving us a taste of the evil that inhabits us and consumes us. In order theoretically to support the proposition in question will be referred to, primarily, David Harvey and his approach around the modern atmosphere, Freud, for his contributions on the human instincts and the malaise spread with civilization, and Andrew Bueno, by discussion on the relationship between modernity and barbarism, raised in his study of the shapes of the crisis plaguing contemporary society and taking shape in the literature.
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8 Lee mas

O mundo visto entre brumas: a contemporaneidade a partir do filme Ensaio sobre a cegueira

O mundo visto entre brumas: a contemporaneidade a partir do filme Ensaio sobre a cegueira

6 RESUMO A proposta desta pesquisa é pensar sobre a contemporaneidade abordando algumas questões fundamentais que, geralmente, não são perceptíveis na vida cotidiana. A sociedade que privilegia a imagem, paradoxalmente, nos cega cognitivamente para as causas da maioria dos problemas que envolvem as relações sociais. Por outro lado, a iconofobia, o desprezo da imagem, principalmente pela academia, dificulta a percepção do “mundo imaginal” (MAFFESOLI, 2005) tal qual se evidencia. A intenção é refletir sobre a contemporaneidade utilizando a imagem como ferramenta de pesquisa, seguindo a potencialidade metodológica do cinema na sua capacidade de condensar o imaginário social vigente através da composição cinematográfica. O filme condutor para as reflexões é Ensaio sobre a cegueira (Blindness, 2007), filme baseado no livro homônimo de José Saramago. O filme foi escolhido justamente por abordar a questão da cegueira física e metafórica como uma crítica da visão de mundo que formata hegemonicamente a contemporaneidade ocidental, capitalista, urbana e midiatizada. O realce nas relações sociais corresponde a um tipo ideal de sociedade onde as desigualdades e o controle social são extremados. Para pensar questões tão densas, a construção teórica se aproxima da forma de conhecimento do pensamento complexo em diálogo com pensadores contemporâneos.
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142 Lee mas

“Deixa-te levar pela criança que foste”: José Saramago e As pequenas memórias

“Deixa-te levar pela criança que foste”: José Saramago e As pequenas memórias

Por consequência, parece-nos que o enorme respeito, admiração, fascínio e afecto(s) que o leitor sempre sente terem presidido à re-construção das personagens femininas que povoam a ficção saramaguiana, ou outros dos seus textos, migram do mundo vivido com a avó Josefa (de outros mundos de infância também) para o mundo do universo romanesco. Destacamos, entre tantos exemplos possíveis, a força anímica de personagens como M., de Manual de pintura e caligrafia (1977); Faustina e Gracinda Mau-Tempo, de Levantado do chão (1980); Blimunda, de Memorial do convento (1982); Maria de Magdala, de O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991); a mulher do médico, de Ensaio sobre a cegueira (1995) e de Ensaio sobre a lucidez (2004); Marta Isasca e Isaura Madruga, de A caverna (2000); a própria morte, de As
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7 Lee mas

Para uma interpretação do conceito de cidadania em José saramago: Uma aproximação à leitura de Ensaio Sobre a Cegueira e Ensaio Sobre a Lucidez

Para uma interpretação do conceito de cidadania em José saramago: Uma aproximação à leitura de Ensaio Sobre a Cegueira e Ensaio Sobre a Lucidez

plano, disse, submeto-o ao vosso exame e à vossa discussão, mas, escusado será dizê-lo, conto que seja aprovado por todos» (Saramago, 2014: 83). Este governo, que deveria representar a vontade dos seus cidadãos, não tem nenhum pudor em deixar em evidência o quão viciadas estão as regras do poder. Aliás, esta parece ser uma ideia generalizada dentro do próprio sistema e sempre que alguém se atreva a discordar é logo reconduzido, e apenas lhe compete concordar e apoiar as decisões, dentro de uma hierarquia previamente estabelecida: «O seu sucessor sou eu, quem já é ministro da justiça também pode ser ministro do interior, fica tudo em casa, eu me encarregarei» (Saramago, 2014: 356). Perante este estado endogâmico, as medidas a tomar serão sempre o reflexo dessa atitude absolutista, de quem se crê no direito de poder fazer tudo para salvar a nação, sem que se tenha em consideração que num estado democrático a política da nação deve ser traçada pelos desígnios do conjunto dos seus cidadãos. Na linha de tudo isto, invertendo os vetores hierárquicos, este modelo de estado nunca teme nada nem ninguém; nem a reação dos seus cidadãos nem a fiabilidade da sua política, já que, em último recurso, quando as estratégias não se aliam com as suas vontades, resta sempre essa última solução que lhes permite lavar as mãos, como Pilatos: «Se não o conseguirmos, o governo demite-se» (Saramago, 2014: 172).
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17 Lee mas

Puntuación y efecto estilístico en El evangelio según Jesucristo de José Saramago

Puntuación y efecto estilístico en El evangelio según Jesucristo de José Saramago

b) Tiago y José, se acercaban, no oyeron lo que Jesús habló, pero no valía la pena ir a identificar al visitante, Lidia gritaba, entusiasmada, Es Jesús, es nuestro hermano, entonces todas las sombras se movieron y en la puerta de la casa apareció María En la novela se consigue preparar al lector para la lectura de estos fragmentos de entonación especial, mediante la presencia de unidades léxicas, específicamente, de los verbos exclamar, gritar, clamar. Como en el caso de los enunciados interrogativos, la expresión alusiva a la marca de exclamación puede preceder o suceder el enunciado, pero a diferencia de aquel, siempre aparece porque estos enunciados no cuentan con otras marcas —como el caso de los pronombres o adverbios interrogativos, en las oraciones interrogativas— que indiquen la modificación del tono.
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21 Lee mas

Literatura e Interculturalidad: José Saramago, Claudio Magris y Albert Camus

Literatura e Interculturalidad: José Saramago, Claudio Magris y Albert Camus

On peut dire qu´il existe une série de signes qui articulent la relation entre la littérature et l´interculturalité, dirigés dans le projet de thèse à travers des oeuvres objet d´étude[r]

431 Lee mas

Marcas quixotescas na ficção narrativa de José Saramago

Marcas quixotescas na ficção narrativa de José Saramago

A morte não se apaixona pelo quase invisível músico. Apagado e solitário, aquele homem de meia-idade não possui as características suficientes para que a morte abandone a sua tarefa; são os sons que o músico retira do seu instrumento que mais emocionam a morte. A primeira das obras com que a morte se depara, a fantasia opus 73 de Schumann, demonstra, de alguma forma, o modo de vida solitário do músico: composta para serões tranquilos 75 , a serena harmonia do som composto pelo romântico alemão convida ao recolhimento e à privacidade, ao gozo da paz doméstica. Porém, a suite n.º 6 de Bach, escrita, tal como Saramago (2005: 159) afirma, na “tonalidade da alegria, da unidade entre os homens, da amizade e do amor”, revela, de facto, uma alegria e harmonia triunfantes que o autor, muito sugestivamente, compara à 9.ª Sinfonia de Beethoven, o Hino à Alegria. A melodia composta por Bach transmite, efectivamente, uma sensação de viva satisfação, convidando mesmo à dança, actividade onde melhor se distingue a harmonia e união humanas. É essa a razão que leva a uma tão forte emoção da morte, a intensa demonstração de vida transmitida pela música acaba por revelar uma humanidade que a própria Ceifeira desconhecia haver em si.
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104 Lee mas

La peste de la ceguera : notas a Ensayo sobre la ceguera de José Saramago

La peste de la ceguera : notas a Ensayo sobre la ceguera de José Saramago

— La peste de la ceguera. Edipo también cae víctima de la peste que asola Tebas, cuando le va marcando, sin que él lo sepa, en su ignorancia. La ignorancia es la propia peste, la peste de la ceguera. La ceguera genera ignorancia del mundo cotidiano, pero también genera la sabiduría de otras sensaciones a las que el no ciego no se muestra tan sensible: olores, sabores, ruidos, agitación de la respi- ración de quien habla engañosamente, de la maldad que acecha… Y así el ciego se vuelve cauteloso, precavido, atento a otras señales diferentes a las evidentes. — La peste es la ceguera en la obra de Saramago, o la ceguera se convierte en peste. La enfermedad es la culpa y como tal lo vemos en Ilíada cuando Apolo señala a los culpables Aqueos enviándoles la peste a través de sus mortíferas flechas. Y si está señalado, el culpable ha de ser apartado para que no conta- mine a los demás ni su sola presencia, como Filoctetes.
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10 Lee mas

Identidad y alteridad en el hombre duplicado de José Saramago [recurso electrónico]

Identidad y alteridad en el hombre duplicado de José Saramago [recurso electrónico]

La vida de Tertuliano Máximo Afonso cambia cuando ve una película y en ella observa que hay un hombre que tiene un rostro muy parecido al suyo. En ese instante Tertuliano empieza una búsqueda implacable para saber quién es ese hombre de la película y cómo es posible que además de tener un rostro como el suyo, también tenga su voz, dos marcas en el antebrazo derecho y una cicatriz debajo de la rótula izquierda. El hombre duplicado (2002) es una novela del Nobel portugués José Saramago, en la cual el drama de Tertuliano Máximo Afonso y Antonio Claro, cuestiona el significado de la individualidad, las relaciones sociales y lo más importante: la identidad, como aquello que nos diferencia de los demás, nos permite reconocernos a nosotros mismos para poder decir “yo soy y él o ella es” y que va cambiando con el paso del tiempo y depende de las relaciones sociales que vamos construyendo con otros sujetos.
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99 Lee mas

A viagen do elefante, reescritura poscolonial de José Saramago

A viagen do elefante, reescritura poscolonial de José Saramago

Subhro está parado diante do arquiduque, e aguarda as perguntas. Que nome é o teu, foi, como era mais do que previsível, a primeira delas, O meu nome é subhro, meu senhor, Sub, quê, Subhro, meu senhor, é esse o meu nome, E significa alguma coisa, esse teu nome, Significa branco, meu senhor, Em que língua, Em bengali, meu senhor, uma das línguas da índia. O arquiduque ficou calado durante alguns segundos, depois perguntou, És natural da índia, Sim, meu senhor, fui para portugal com o elefante, há dois anos, Gostas do teu nome, Não o escolhi, foi o nome que me deram, meu senhor, Escolherias outro, se pudesses, Não sei, meu senhor, nunca pensei em tal, Que dirias tu se eu te fizesse mudar de nome, Vossa alteza haveria de ter uma razão, Tenho-a. […] Então o arquiduque maximiliano disse, O teu nome é custoso de pronunciar, Já mo têm dito, meu senhor, Tenho a certeza de que em viena ninguém o irá entender, O mal será meu, meu senhor, Mas esse mal tem remédio, passarás a chamar-te fritz (SARAMAGO, 2016, p.81).
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15 Lee mas

Información Cultural. Noviembre / Casa de la Cultura José Saramago

Información Cultural. Noviembre / Casa de la Cultura José Saramago

Cuando trabajo cobro el sueldo más alto que pueda conseguir, sin preocuparme de cuál es el sueldo y el resto de las condiciones laborales de mis compañeros.. […] La sociedad en la que vi[r]

16 Lee mas

O sujeito e a verdade em O homem duplicado de José Saramago

O sujeito e a verdade em O homem duplicado de José Saramago

A literatura sempre se fez uma constante em nosso percurso acadêmico causando-nos inquietações profundas, assim, a presente proposta foi elaborada a partir da leitura do romance O homem duplicado (2008) de José Saramago, uma leitura extremamente prazerosa, mas que ao mesmo tempo chamou muito a nossa atenção, pois notamos no romance citado que a construção de uma dada “verdade” está relacionada com a posição adotada pelo sujeito discursivo Tertuliano Máximo Afonso frente às situações vivenciadas. Além disso, atentamos que no desenrolar da trama Tertuliano enfrenta muitas dificuldades que coadunam para a constituição de sua subjetividade, constituição essa que traz a tona os conflitos que regem a sociedade contemporânea e
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14 Lee mas

A parrhesia como ética/estética da existência em Caim de José Saramago

A parrhesia como ética/estética da existência em Caim de José Saramago

A religião cristã é abordada como uma criação humana, que organiza e dá sentido ao mundo. Para Rubem Alves, a religião é uma linguagem, “um jeito de falar sobre o mundo” (ALVES, 1999, p. 5). Um discurso sobre a realidade que, como outros discursos, povoam a arena de lutas por poder e por status de verdade. Explorando a assertiva de Wittgenstein quando este afirma que “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo” (apud ALVES, 1999, p.17), podemos inferir que a linguagem que limita o mundo ao que somos capazes de dar sentido é a mesma que amplia o mundo e que cria novos “mundos” através da criação de novas formas de dizer a realidade. Se entendermos o discurso religioso como representação da realidade, como organização e significação do caos do real, podemos afirmar que Saramago cria um espaço/tempo literário em diálogo constante com essa realidade criada pelo discurso religioso. Esse espaço/tempo literário tem uma ética que tensiona e questiona a ética e a moral da religiosidade cristã vigente. Deste modo, parte fundamental do projeto literário de Saramago pode ser resumido como uma releitura crítica-criativa da religiosidade cristã ocidental a partir de uma perspectiva ética humanista.
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13 Lee mas

Análise da obra A maior flor do mundo, de José Saramago

Análise da obra A maior flor do mundo, de José Saramago

A sugestão de que se trata de uma criança ativa, cheia de energia, mas também ousada e aventureira é marcada praticamente desde o início: “Em certa altura, chegou ao limite das terras até onde se aventurara sozinho”. (Saramago, 2001, p. 9) E, a voz do narrador confunde-se com a da personagem: “vou ou não vou?”, (Idem) “Será uma pergunta sem literatura”. O autor pretende que o leitor reflita sobre o caráter do menino, mas também que percecione o mundo a partir do seu ponto de vista, tendo em conta a sua escala e dimensões. A não hesitação do menino dá conta da sua coragem, mas também da sua ingenuidade, já que para ele o mundo é muito simples e as decisões são tomadas de forma imediata. Segundo Fernando Azevedo, “A frase curta que conclui esta unidade de sentido, reduzida apenas à expressão de cópula e à forma verbal do verbo ir no pretérito perfeito do indicativo, expressa a decisão convicta e sem hesitação daquele que a tomou”. (Azevedo, 2002, p. 96) Como a maioria das crianças, muitas vezes, ele faz com que os pais se preocupem com sua segurança, tal como o texto refere: “Passaram as horas, e os pais, como é costume nestes casos, começaram a afligir-se muito”. (Saramago, 2001, p. 17) Mas também se trata de uma criança corajosa e muito bondosa. Quando chegou ao lugar onde ele nunca tinha estado antes, não pensou muito e decidiu avançar, “chegou ao limite das terras, dali para diante começava o planeta marte” (idem, ibidem, p. 9). Decidiu salvar a flor que se encontrava numa situação precária. Quando ele viu aquela flor murcha, não hesitou, apesar da distfância enorme a que a água se encontrava:
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67 Lee mas

Levantado do chão, de José Saramago : um romance histórico sobre o fascismo em Portugal

Levantado do chão, de José Saramago : um romance histórico sobre o fascismo em Portugal

Claro que na Alemanha o povo é outro. Aqui, a gente bate palmas, acorre aos desfiles, faz a saudação à romana, vai sonhando com fardas para os civis, mas somos menos que terceiras figuras no grande palco do mundo, o mais a que conseguimos chegar é à comparsaria e à figuração, por isso nunca sabemos bem onde pôr os pés e meter as mãos, se vamos à avenida estender o braço à mocidade que passa, uma criancinha inocente que está ao colo da mãe julga que pode brincar com o nosso espírito patriótico fervor e puxa-nos pelo dedo pai-de- todos que mais a jeito lhe ficava, com um povo destes não é possível ser convicto e solene, não é possível oferecer a vida no altar da pátria, devíamos era aprender com os ditos alemães, olhar como aclamam Hitler na Wilhelmplatz, ouvir como imploram, apaixonados, Queremos ver o Führer sê bom, Führer aparece, gritando até enrouquecerem, com os rostos cobertos de suor, as velhinhas de brancos cabelos chorando lágrimas de ternura, as férteis mulheres palpitando sem seu túrgidos úteros e ofegantes seios, os homens, duríssimos de músculos, e vontades, todos clamando até que o Führer vem à janela, então só, Heil, assim vale a pena, quem me dera ser alemão (SARAMAGO, 1988, p. 260-261).
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135 Lee mas

Metáfora y laberinto, vida y muerte en Todos Los Nombres, de José Saramago: una topo-semiótica del sentido

Metáfora y laberinto, vida y muerte en Todos Los Nombres, de José Saramago: una topo-semiótica del sentido

La ficha, aparecida por azar en las manos de don José, constituye una forma de identificación de la mujer desconocida. Allí aparecen claves fundamentales de su identidad administrativa: fecha de nacimiento, sexo, padres, padrinos, dirección, matrimonio, divorcio, muerte… Esa identidad burocrática forma parte, según explica el Conservador, “[…] de un espíritu que llamaré de continuidad y de identidad orgánica”, el cual “debe prevalecer sobre cualquier otra cosa” (SARAMAGO, 2015, p. 217, cursivas en el original). Pero no son esas identidades, administrativa y burocrática 4 , las que interesan a nuestro héroe. Por el contrario, el escribiente busca su identidad personal, su historia, sus relaciones familiares y sociales; en las fichas “[…] don José se encuentra con un instrumento propio de esta forma de administración del Estado, que es la ficha, y con ella no le resulta posible encontrar a ‘la persona’” (TAKAHASHI, 2009, p. 76, cursivas en el original).
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