PDF superior Movimentos sociais e participação: abordagens e experiências no Brasil e na América Latina

Movimentos sociais e participação: abordagens e experiências no Brasil e na América Latina

Movimentos sociais e participação: abordagens e experiências no Brasil e na América Latina

Quanto à participação dos partidos e do Governo nessa campanha, vimos que, no caso do PT, o apoio ou não existiu ou não foi tão aberto, ao contrário do que verificamos na eleição de 2007. As explicações para essa mudança na postura do partido estão associadas ao fato de que seria complicado para qualquer parlamentar do PT apoiar abertamente uma chapa do movimento em detrimento de outra. Mesmo que seja sabido que diferentes parlamentares têm proximidade maior com uma ou outra organização do movimento, não parecia ser o caso de oficializar essa preferência. Nesta situação, o apoio a uma chapa significaria prejuízo à outra, o que certamente só contribuiria para aumentar o nível das tensões dentro do campo. Já no caso dos partidos governistas, a participação e o apoio na campanha dos seus candidatos parece ter sido bem forte, de acordo com os relatos de lideranças do MOM. A “Chapa do governo” teria contado com a participação ativa de pelo menos um parlamentar (Milton Leite) do DEM, que atuou como cabo eleitoral na agregação de votos para a chapa governista. O governo também atuou de forma ativa na campanha, como indica a presença de material da “chapa governista” em diversos espaços públicos municipais, como subprefeituras, centros de saúde e espaços de circulação, além do transporte de eleitores em ônibus que fazem o transporte de alunos da rede pública municipal. Segundo as entrevistas com as lideranças, essa teria sido a primeira vez que a “máquina pública” atuou de forma tão ostensiva. Além da forte campanha, fala-se em fraude eleitoral por parte do governo. Vejamos o que diz uma nota pública da UMM em relação ao processo eleitoral:
Mostrar más

267 Lee mas

Juventude, participação e desenvolvimento social na América Latina e Caribe

Juventude, participação e desenvolvimento social na América Latina e Caribe

provenientes de diferentes países: Brasil, Argentina, Uruguai, México, Colômbia, Cuba, Peru, Chile, Bolívia , Costa Rica, Venezuela, Panamá, Guatemala e Espanha. Jovens pesquisadores e pesquisadoras, gestores e gestoras e lideranças de movimentos sociais que durante uma semana debateram caminhos para a construção de políticas públicas de juventude com ampla participação social. Para a Secretaria Nacional de Juventude, a Escola MOST foi a primeira ação de formação, de educação a distância, de mobilização e articulação de uma rede de pesquisadores(as), vinculados(as) ao Participatório. Essas atividades fazem parte da missão da Secretaria e são coerentes com o Estatuto da Juventude que preconiza a inserção do jovem como protagonista nas discussões dos temas que lhe dizem respeito e, com isso, colabora ativamente no processo de desenvolvimento do país. A CLACSO possui ampla experiência na organização desse tipo de Escola e esse saber foi posto à disposição dessa Escola para fortalecer as ações da Secretaria e a sinergia com os demais organizadores. Essa parceria não poderia ser mais feliz porque essa nova edição da Escola adotou uma metodologia que investiu na inclusão e democratização do acesso, com uma política de fomento à participação, transmissão on-line e oficina virtual. A metodologia de tradução intercultural tem como objetivo a troca de saberes, de forma horizontal e não-hierárquica. Para garantir essa troca, jovens pesquisadores e pesquisadoras, e jovens lideranças de movimentos sociais foram selecionados(as) por um edital público e, assim, dialogaram com gestores públicos de juventude de diferentes países da América Latina e Caribe. A Secretaria Nacional de Juventude está investindo fortemente, por meio das ações desenvolvidas no Participatório, no aprimoramento de metodologias, cada vez mais participativas e includentes, a fim de que os jovens possam, de fato, influir no desenho e na implementação das políticas de juventude. Como essa troca perpassou as fronteiras, pode-se pensar na formulação de uma proposta de política de juventude latino-americana.
Mostrar más

222 Lee mas

A difusão regional de políticas sociais e rurais brasileiras na América Latina e no Caribe

A difusão regional de políticas sociais e rurais brasileiras na América Latina e no Caribe

A partir do início dos anos 2000, diversas políticas públicas e iniciativas de promoção da Agricultura Familiar (AF) e da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) foram desenvolvidas no Brasil, no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), dentre outros. Pode-se citar, em particular, a estratégia Fome Zero, a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, a “lei da agricultura familiar” e dois instrumentos emblemáticos: as compras públicas da AF e as políticas territoriais. Estas iniciativas e seus resultados fizeram do Brasil uma referência internacional em termos de políticas públicas para a AF e para a SAN. Diversas organizações internacionais têm observado, analisado, sistematizado e difundido as experiências brasileiras pelo mundo (WFP/PMA, 2016; FAO, 2015, 2014, 2013; IICA, 2012). Ao mesmo tempo, vários países têm procurado estabelecer acordos de cooperação e intercâmbios para conhecer e trocar experiências com o Brasil e, posteriormente, transferir ou adaptar tais ações em seus contextos. Em sentido complementar, o país também tem levado suas políticas, práticas e aprendizados em diversos espaços internacionais, muitos desses em interação com movimentos sociais e demais organizações da sociedade civil.
Mostrar más

20 Lee mas

A emergência da política de fomento interdisciplinar em ciências sociais na América Latina : as experiências do Brasil (CNPq/CAPES) e do México (CONACYT)

A emergência da política de fomento interdisciplinar em ciências sociais na América Latina : as experiências do Brasil (CNPq/CAPES) e do México (CONACYT)

Esta rede de projetos é possibilitada, dentre outros elementos, por uma série de tecnologias da informação que facilitaram a conformação de um network capital que permite a construção e manutenção de relações sociais com pessoas e instituições nos mais diversos recônditos do globo. De acordo com Elliot e Urry (2010), na obra denominada Mobile lives: self, excess and nature, as mobilidades miniaturizadas, que se referem aos equipamentos eletrônicos individuais, permitiram o desenvolver das mobile lives do mundo contemporâneo. Na perspectiva crítica desta faceta, George Amar (2011) em Homo mobilis: la nueva era de la movilidad, destrincha a construção da mobilidade como uma espécie de direito que se constituiu quase no mesmo patamar que o Direito à saúde e à Educação, mas que, no entanto, tornou-se agente de poluição e congestionamentos com sérios questionamentos acerca de sua sustentabilidade. Ao nosso ver, tais mecanismos ao mesmo tempo em que resultam em produtos do desenvolvimento em CT&I retroalimentam continuamente a formação das redes e os pontos nodais deste amplo sistema local, regional e mundial.
Mostrar más

277 Lee mas

Democracia, tecnologia e participação popular: um estudo na América Latina

Democracia, tecnologia e participação popular: um estudo na América Latina

Ao comparar as ações empreendidas no Brasil com as de outros países latino- americanos foi possível identificar muitas semelhanças entre elas. Possivelmente, uma das razões para explicar essa constatação seja o contexto social, econômico, político e cultural semelhante que caracteriza os países da região. Como as dificuldades e os problemas enfrentados por eles são parecidos, também as soluções desenvolvidas para o contexto de uma país podem ser reproduzidas num outro com características similares. Além disso, foi identificado que a maioria dessas organizações integram movimentos e redes de organizações latino-americanas voltadas para a inovação democrática. Nesse sentido, ocorre um intenso processo de benchmarking entre essas organizações de forma que quando um projeto apresenta bons resultados numa localidade, o reconhecimento de seu potencial rapidamente se espalha pela rede para que a iniciativa seja adaptada e implementada em outras regiões.
Mostrar más

104 Lee mas

Lembranças de um tempo que se foi? Experiências, lutas por direitos e movimentos sociais de trabalhadores residentes nos jardins Panorama e América de Toledo (PR) na década de 1980.

Lembranças de um tempo que se foi? Experiências, lutas por direitos e movimentos sociais de trabalhadores residentes nos jardins Panorama e América de Toledo (PR) na década de 1980.

bairro, não tinha luz, a gente furava poço não dava água por causa do, de a pedra, e a pedra não quebrava não dava água, então a gente penou muito aqui no começo por [...] falta de água, falta de luz, eu não estranhei muito porque eu vim da roça, eu morava na roça [...] na roça a gente não tinha [energia elétrica], e... então a gente sofreu muito aqui no início, porque ficou um bairro isolado da cidade esse bairro [...] quem tinha que trabalhar, que nem meu marido mesmo era pedreiro, ele no tempo que nós entramos aqui ele tava trabalhando, tava construindo a AABB [Associação Atlética Banco do Brasil, situada no outro extremo da cidade], trabalhando na construção da AABB numa firma [construtora]. Então ele tinha que sair daqui e de sete horas já estar lá, de bicicleta, o dia de barro pra, pra passar, nas estradas não era fácil, muitas vezes tinha que carregar a bicicleta, ao invés de... a bicicleta carregar ele. Então foi muito difícil a gente, o dia que chovia era muito difícil pra gente se deslocar pra cidade, e estrada ruim [...]. Quando teve aí a base dum uns seis sete anos de fundação do bairro, é... aí o povo começaram, não vinha água não vinha [luz] o povo começaram arrancar as casas [construídas em madeira], e levar pra outros bairros.
Mostrar más

42 Lee mas

Novas abordagens e fenómenos em estudos de imigração: movimentos religiosos no coração dos Estados Unidos da América

Novas abordagens e fenómenos em estudos de imigração: movimentos religiosos no coração dos Estados Unidos da América

praticam ou vão à igreja e entre estes, 69,38% pertencem à Igreja Católica que nos EUA se está alimentando dos hispânicos (Pew Research Center 2015). Além disso, sobre o catolicismo em transição, nos EUA, D’Antonio, Dillon e Gautier (2013) argumentam que um setor considerável de americanos de origen anglo-saxónica, está abandonando o catolicismo, não se filiando em outras religiões, enquanto os hispânicos que chegam estão aumentando o rácio de católicos. Esta leitura é enfatizada por Sanchez-Báyon que constatou o trânsito dos protestantes de igrejas de linha principal para o catolicismo, especialmente estudantes universitários, pela riqueza litúrgica e teológica e a relação comunitária, enquanto na América Latina os estratos sociais mais baixos se estão transferindo do catolicismo para o protestantismo evangélico. Pese a divergência de leituras sobre o assunto, se coincide a doutrina com o problema que resultou em uma espécie de segregação sociorreligiosa persistente nos Estados Unidos, em muitas igrejas separam-se os fiéis brancos de origem anglo-saxónica dos outros, na medida em que cada paróquia oferece serviços de acordo com as comunidades que existem no seu seio. Tal não significa necessariamente que haja sacerdotes hispânicos para os hispânicos e sacerdotes anglo-saxões para anglo-saxões, sendo antes justificado pela atenção à diversidade, que requer de um apostolado hispânico para compreender melhor as necessidades do grupo, como a diferença idiomática e cultural que fazem parte da lógica do melting pot ou caldeirão cultural (Valero-Matas & Sánchez-Bayón, 2018a).
Mostrar más

42 Lee mas

DUAS EXPERIÊNCIAS DE POLÍTICA DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL E DE MODERNIZAÇÃO NA AMÉRICA LATINA NO INÍCIO DO SÉCULO XXI: BRASIL E URUGUAI (2005-2015)

DUAS EXPERIÊNCIAS DE POLÍTICA DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL E DE MODERNIZAÇÃO NA AMÉRICA LATINA NO INÍCIO DO SÉCULO XXI: BRASIL E URUGUAI (2005-2015)

Que pensar do futuro desse continente? Segundo, Wilson Cano: “Ele é incerto, mas penso que o agravante desse processo forçará os rumos de sua superação, que somente poderá ser buscada com a restauração da soberania nacional hoje entregue ao imperialismo” (2000, p. 75). Para a América Latina e, mais especificamente a América do Sul, a virada dos anos oitenta para os noventa repre- sentou a ocorrência de mudanças nos regimes po- líticos e a passagem da década não deixou para trás os efeitos da crise da dívida externa, e arras- tando as mazelas provocadas pela malfadada “dé- cada perdida” e seu pífio crescimento econômico. O retorno de governos eleitos democraticamente coincidiu com a adoção das políticas neoliberais: desregulamentação da economia, abertura comer- cial, privatizações entre outras, dominaram a vida política nacional e varreram a América Latina. Com graus diferenciados de implementação pelos paí- ses da região, essa plataforma supostamente mo- dernizadora foi apresentada como redentora dos graves problemas econômicos, sociais, políticos e do desenvolvimento da América Latina.
Mostrar más

12 Lee mas

Aulas dos movimentos sociais do Brasil sobre Estado de Direito e políticas de Reforma Agrária

Aulas dos movimentos sociais do Brasil sobre Estado de Direito e políticas de Reforma Agrária

sobre América Latina no mestrado e depois fiz doutorado em sociolo- gia na London School of Economics. O Phd (Pós-doutorado) foi sobre a Igreja Católica e os sindicatos no Brasil, de 1964 a 1984. Eu já esta- va fazendo pesquisa de campo em 1988. Fiz um ano de pesquisa de campo. Depois de fazer isto procurei emprego numa ONG chamada

8 Lee mas

Movimentos sociais e pós-colonialismo na América Latina

Movimentos sociais e pós-colonialismo na América Latina

Por fi m, merece ser mencionado o caso das articulações de lutas territoriais, nas quais têm participado em diferentes momentos organizações de base, como a dos sem-terra, sem-teto, quilombolas, indígenas, mulheres camponesas, os atingidos por barragens etc., e articulações de representação como o Fórum Na- cional de Reforma Agrária (FNRA), o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU), a Via Campesina e outras redes nacionais e trans- nacionais da sociedade civil organizada. Apesar da diversidade de origem e, às vezes, de concepções dos sujeitos desses movimentos, há identifi cações políticas possíveis e possibilidades de constru- ção de pautas ancoradas em signifi cados simbólicos e políticos similares, como a do princípio da função social da propriedade. A articulação em torno desse princípio se dá a partir de um lugar de fala comum dos sujeitos envolvidos, de uma crítica aos processos de colonização e da ocupação da terra rural ou urbana no Brasil, com consequências históricas para as populações excluídas desse processo. Portanto, quando essas organizações defendem a Carta da Terra, que visa à democratização da propriedade a partir de um limite em seu tamanho e pela observação de sua função social, o que pretendem é a reparação de um processo de colonização que deixou um legado estrutural no desenvolvimento das desigualda- des sociais. Os fóruns da sociedade civil são os atores estratégicos para a construção e a consolidação de novos signifi cados sobre o direito a terra produtiva, à moradia e a um território comunitário para populações historicamente excluídas no Brasil.
Mostrar más

10 Lee mas

LUTAS, EXPERIÊNCIAS E DEBATES NA AMÉRICA LATINA

LUTAS, EXPERIÊNCIAS E DEBATES NA AMÉRICA LATINA

Por mais que movimentos sociais e, principalmente, ONGs, tentem atribuir-lhe um conceito distinto, a oposição frontal ao Estado é indissociável do conceito de sociedade civil. Sob esse manto dissolvem-se as classes, as contradições de classe e, com elas, desaparece o capitalismo. O Estado se torna inimigo, favorecendo-se assim, de forma consciente ou não, o mercado. Daí as ambiguidades das ONGs, que se opõem frontalmente ao Estado, mas não às empresas privadas e, conse- quentemente, ao mercado. A visão liberal de sociedade civil é assim aparentada com a ideia da autonomia dos movimentos sociais. Ambas se opõem ao Estado. Um apoiando-se em forças sociais e em organizações não-governamentais, outro diretamente no mercado. Mas um campo comum de interesses contra o Estado os une (Sader, 2014: 2)
Mostrar más

14 Lee mas

A participação da América Latina no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

A participação da América Latina no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

As políticas ambientais na América Latina são influenciadas diretamente pelos resultados de acordos internacionais, como a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e o Protocolo de Kyoto. Assim, um dos impactos que o MDL trouxe para Brasil, México e Peru foi o fortalecimento institucional para um desenvolvimento de baixo carbono, além de lançar as bases para políticas nacionais sobre mudanças climáticas, incluindo o comércio de emissões. Além disso, as questões de mudanças climáticas passaram a ocupar um lugar de destaque em programas dos governos. Em relação aos escopos de atividades os projetos relacionados à industria energética e captura de metano, destruição de hidrofluorocarbonetos (HFC), são os que tendem a manter uma rentabilidade econômica no contexto das regras do MDL. Justamente, para países como Brasil e Peru, os setores com maior quantidade de projetos de MDL registrados foi a indústria energética e no México, a gestão e tratamento de resíduos.Verificou-se ainda que o setor de reflorestamento, que poderia beneficiar os três países por contarem com extensas florestas nos seus territórios, tem uma participação incipiente nos países, sendo observado 2 projetos no Brasil, 1 projeto no Peru e nenhum projeto no México.
Mostrar más

20 Lee mas

O Brasil na América Latina:  diante de uma ideia de literatura mundial

O Brasil na América Latina: diante de uma ideia de literatura mundial

Franco Moretti, para partir de um texto que gerou muitas polêmicas, em Conjectures on world literature, publicado em 2000, propõe a transformação do estudo da literatura mundial de um ideal a um método, com o que ele chama de “distant reading” em oposição ao “close reading” anglo-saxão e de relevância nas escolas críticas herdeiras do estruturalismo. Assim, em vez do close reading, Moretti propõe uma espécie de leitura à distância para dar conta da complexidade da literatura mundial, ficando a encargo de críticos nacionais ou regionais a tarefa de eleger os textos de maior vulto, realizando deles uma leitura textual, enquanto ao crítico da literatura mundial caberia buscar padrões comuns entre essas obras representativas das culturas nacionais. Dessa maneira, crê Moretti, seria possível descentralizar a visão da literatura centrada no mundo euro-norte-americano. Ele coloca em prática essa proposição em seu livro Graphs, maps, trees (gráficos, mapas, árvores), publicado fora da Inglaterra (assim como no Brasil) com o título A literatura vista de longe, e sustenta uma teoria comparativa não baseada na geografia, necessariamente nas literaturas nacionais, entre a literatura de um país e outro e suas semelhanças e diversidades, mas na evolução das formas literárias no tempo e no espaço. Ou seja, partindo-se de um corpus literário não necessariamente nacional, mas geograficamente localizado, migra o estudo para uma questão conceitual que perpassa todas as literaturas, buscando um padrão. Assim, construindo gráficos, mapas e árvores, em seu estudo sobre a evolução da forma romanesca, Moretti mostra que os gêneros literários não sobreviveriam sem a variação cultural. O romance de formação, por exemplo, que nasceu na Europa depois da Revolução Francesa para dar conta de uma necessidade social, a “mediação dos conflitos que surgem na busca por liberdade e igualdade” (Moretti, 2005, p. 99) ressurge nos Estados Unidos, de modo completamente diferente, com Salinger e seu O apanhador no campo de centeio, transplantando uma forma que havia exaurido sua função social na Europa. Dessa maneira, Moretti sugere o estudo da evolução da forma nas diferentes culturas do Globo, como uma possível solução para o estudo das literaturas sem cair nas armadilhas da relação de dependência entre culturas, evidenciando o caráter de complementariedade que há entre estas.
Mostrar más

14 Lee mas

Movimentos sociais urbanos como objeto de estudo

Movimentos sociais urbanos como objeto de estudo

— Sobretudo, a pesquisa sistemática que realizamos de julho a outubro de 1971 entre vinte e cinco dos acampamentos mais importantes de Santiago. Esta pesquisa foi dirigida pela equipe de investigação sobre os movimentos sociais urbanos C .I.D .U . (Centro Interdisciplinar do Desenvol­ vimento Urbano), em contato com militantes da Unidade Popular no seio do movimento dós pobladores. Reconstruí­ mos a história política e analisamos as características so­ ciais de cada um destes acampamentos, partindo de uma observação profunda e de entrevistas sistemáticas com os dirigentes, militantes e residentes. A pesquisa e a análise foram uma obra coletiva do conjunto da equipe de in ­ vestigação populacional do C .I.D .U . ( . . . ) Dada a impli­ cação política deste tema, omitimos toda informação que permita identificar lugares, pessoas e organizações, exceto no que se referea fatos sociais historicamente conhecidos it. A despeito d e sta observação, e n tr e ta n to , o corpo do tra b a lh o p ro ­ p ria m e n te d ito n ã o a p re s e n ta de fo rm a m a is sistem ática, como se­ ria de se e sp e ra r d a an álise sociológica de situações co n cretas, estes
Mostrar más

13 Lee mas

A apropriação da internet, como meio de comunicação, pelos movimentos sociais de mobilidade urbana no Brasil

A apropriação da internet, como meio de comunicação, pelos movimentos sociais de mobilidade urbana no Brasil

E, desta maneira que Caroline Pires Marta (2013) afirma que as colaborações tanto de ativistas atuantes, quanto daqueles que marcam presenças esporádicas são importantes, pois, segundo ela, “pela internet ou nas ruas, as pessoas estão num momento de explicitar as suas opiniões e interesses, e esse é o grande ponto de partida para todas as mudanças que buscamos no mundo”. A rede mundial de computadores contribuiu para aumentar a divulgação dos materiais organizados pelo grupo. Caso não ela não existisse? “Difícil dizer, mas imagino que estaríamos engajados em produzir conteúdo, uma revista talvez, e investir na publicação de estudos que trouxessem relevância ao assunto no país”, supõe Caroline Pires Marta (2013). Para um Portal que nasceu devido à falta de informação na internet, e gerido por pessoas que cresceram com a internet inserida na sociedade, imaginar o mundo sem esta tecnologia é tal qual tentar adivinhar como seria a vida sem a oralidade.
Mostrar más

139 Lee mas

Integração regional e desenvolvimento na América Latina . Importância das pesquisas sociais

Integração regional e desenvolvimento na América Latina . Importância das pesquisas sociais

Na América Latina algumas agências como a Comissão de Avaliação de Pessoal de Nível Superior – (CAPES), que é a agência brasileira de avaliação da educação superior; a Comisión Nacional de Evaluación y Acreditación Universitaria – (CONEAU) - na Argentina; e o Padrón Nacional de Posgrado - (PNP), no México, que desempenham papéis análogos, os recursos a elas alocados tendem a ser pequenos, e representam uma fração do que os países gastam em pesquisa, tecnologia e inovação. Além do mais, o dinheiro tende a se dispersar em um grande número de pequenos projetos, uma vez que estas agências têm dificuldades em estabelecer prioridades e concentrar recursos. A premissa de que a pesquisa de boa qualidade eventualmente se transformará em tecnologia aplicada e útil, raramente se realiza. SCHWARTZMAN (2008, p. 22).
Mostrar más

19 Lee mas

Repensar a inclusão social a partir da educação: Algumas experiências na América Latina

Repensar a inclusão social a partir da educação: Algumas experiências na América Latina

La implementación del modelo de desarrollo neoliberal desde la década de los ochenta en los países latinoamericanos profundizó la brecha económica y social ya existente. Una de las evidencias más relevantes de dicha problemática ha sido el incremento de la desigualdad social, la cual ha definido a América Latina como la región más desigual del planeta (Blanco y Duk, 2011; Gentili, 2011). Esta situación se ha fundamentado principalmente en tres aspectos que son consecuencia de la aplicación de dicho modelo y que han limitado el acceso de las personas más vulnerables a niveles mínimos de bienestar. Estos aspectos son el debilitamiento de los estados-nación, la crisis de los aparatos administrativos y la representación de los partidos políticos, así como el desafío de los sistemas educativos para atender eficazmente a todas las personas (Neirotti, 2008). En este marco, la satisfacción de las necesidades básicas se vuelve un reto, ya que aún son muchos los que quedan excluidos de servicios de calidad en salud, alimentación y educación, así como de condiciones laborales que favorezcan su desarrollo personal y social.
Mostrar más

18 Lee mas

Abordagens Didáticas de Projetos de Educação Olímpica na Ibero-América

Abordagens Didáticas de Projetos de Educação Olímpica na Ibero-América

“Educação Olímpica” é um termo que apareceu pela primeira vez no campo acadêmico da pesquisa olímpica apenas na década de 1970 (MÜLLER, 2008, p. 305), como uma proposta de sistematizar uma educação em valores por meio do esporte, embasado no Movimento Olímpico. Podemos definir a Educação Olímpica como “[...] propostas de educação em valores através do esporte tendo como referência o Movimento Olímpico, seus valores declarados, seu simbolismo, sua história, seus heróis e suas tradições” (TAVARES, 2009, p. 192). Olhando para o contexto escolar, Tavares e Abreu (2011) entendem que “a Educação Olímpica deve ter um caráter multidisciplinar e flexível, podendo envolver toda a escola atingindo de maneira transversal, sempre que possível, as diferentes disciplinas”. Tubino (2010), por outro lado, compreende a Educação Olímpica como uma esfera de expressão estética, moral e comunicativa da atitude humana, o que possibilita pensá-la em uma dimensão que vai além do âmbito escolar. Fazendo um paralelo como uma teoria pedagógica mais bem estabelecida, estas iniciativas de Educação Olímpica têm que ter por objeto de educação não só o “saber fazer” (Dimensão Procedimental), mas também para o “ser” (Dimensão Atitudinal) (COLL et al., 2000; 2006).
Mostrar más

121 Lee mas

Movimentos sociais da Bolívia

Movimentos sociais da Bolívia

Uma das primeiras manifestações dessa reconfiguração das forças populares foi a mobilização dos cidadãos de Cochabamba contra o aumento das tarifas de água (300%) por parte da empresa de Águas Del Tunari, controlada pela transnacional Bechtel. Nesse movimento, que ficou conhecido como a “guerra da água”, entrou em ação uma nova forma de agregação social flexível e multisetorial: a Coordena- doria de Defesa da Água e da Vida, liderada pelo dirigente operário Oscar Olivei- ra. Nessa experiência, por um lado, conseguia-se superar o estado de precariedade organizativa e simbólica derivada da crise da Central Obrera Boliviana (COB) – tradicional articuladora de demandas sociais – e, por outro, começava-se a co- locar em circulação a discussão sobre o significado do patrimônio público e dos recursos sociais coletivos diante da onda privatizadora dos governos neoliberais. Um dado não menos importante: “a guerra da água” foi a primeira vitória popular significativa depois de um ciclo de derrotas que durou pouco mais de quinze anos, a qual aconteceu graças à aliança entre o campo e a cidade. Nela, um setor e um líder tiveram um papel importante e, poucos anos depois, transformar-se-iam em atores da mudança política e social no país: os cocaleros, encabeçados por Evo Morales Ayma (MONTOYA VILLA; ROJAS GARCIA, 2003).
Mostrar más

20 Lee mas

Conversidade: diálogo entre universidade e movimentos sociais

Conversidade: diálogo entre universidade e movimentos sociais

Juliana Oliveira, mestranda em nutrição, em suas atividades de estágio, foi percebendo que ser bom profissional não se reduz a indicar o melhor tratamento fisiológico. Para ela, a melhor terapêutica implica o ouvir e a atenção para com a pessoa cuidada. Deste modo, o saber técnico “ia entrando também, mas seguindo os espaços de uma relação, antes de tudo, afetiva”. A estudante aprendeu, assim, que “o mais importante não é a precisão técnica na indicação da melhor terapêutica, do melhor tratamento e da melhor conduta”. De fato, a palavra, a escuta, o zelo e o amor têm poder curativo e transformador, principalmente para quem tem a saúde fragilizada e, por isso, se defronta com seu lado mais vulnerável. Nesta perspectiva, Marcos Vasconcelos, estudante de Medicina, em sua experiência junto a comunidades populares, compreendeu “que é preciso conhecer a realidade e respeitar o saber da população para compreender a dinâmica de adoecimento e cura de uma comunidade”. Percebeu que “a eficácia profissional não dependia apenas de ações físicas e químicas sobre o corpo dos pacientes. Palavras e gestos traziam transformações muito maiores”.
Mostrar más

146 Lee mas

Show all 10000 documents...