• No se han encontrado resultados

3.3 An´ alise local do problema

4.2.2 Avalia¸ c˜ ao do cen´ ario B: opera¸ c˜ ao em combust˜ ao

4.2.2.1 An´ alise ambiental

Na fase de defini¸c˜ao de objetivo e escopo, o objetivo ´e determinar o impacto ambiental do processo de gera¸c˜ao termoel´etrica operando em combust˜ao combinada e identificar a contribui¸c˜ao de cada uma das eta- pas definidas na fronteira, considerando a categoria de impacto avaliada no cen´ario A (mudan¸ca clim´atica).

Na fase de an´alise de invent´ario de ciclo de vida (ICV), como pode- se ver na Figura 4.20, o modelo de avalia¸c˜ao ambiental consiste em duas partes: a primeira corresponde ao processo de minera¸c˜ao (j´a analisado no cen´ario A) e a segunda considera as etapas de transporte e proces- samento de pr´e-combust˜ao do carv˜ao e as etapas definidas para a rota da biomassa, anexa `a usina termoel´etrica. A integra¸c˜ao da rota da bi- omassa `a usina termoel´etrica ´e poss´ıvel dado que o principal portador energ´etico utilizado nas etapas 1 e 2 (processos na lavoura e transporte da biomassa) ´e o diesel. Água DAM 1 kg CE 1 MWh ROM Cinzas CO2 SO2 NOx Particulado

Primeira parte do ICV Segunda parte ICV

Água Água Água Água de drenagem Energia Energia Energia Energia Diesel Rejeito Explosivos Insumos Insumos Processamento (pré-combustão) Transporte Mina Usina Emissões Emissões Emissões Emissões Circuito da água - Furado frontal - Explosão - Carregamento - Escoramento teto Processo Mineração - Britagem - Lavagem Beneficiamento Transporte Lavoura Usina Processo Lavoura Usina Termoelétrica Outros

Rota carvão Rota biomassa Processamento (pré-combustão)

Figura 4.20 – Fluxograma do modelo de avalia¸c˜ao ambiental para o cen´ario B.

A seguir, ´e apresentado o invent´ario de ciclo de vida correspondente `

a segunda parte. O invent´ario da primeira parte, j´a elaborado para o cen´ario A, ´e v´alido para o cen´ario B.

Para a segunda parte do invent´ario do ciclo de vida (Figura 4.20), s˜ao estimados os indicadores que relacionam os fluxos de entrada e sa´ıda com a unidade funcional definida como 1 MWh de energia. Es- ses indicadores foram estimados considerando as entradas identificadas, emiss˜oes ao ar, emiss˜oes ao solo e produtos evitados. Nota-se que para o caso de opera¸c˜ao em combust˜ao combinada, o modelo de avalia¸c˜ao termodinˆamica apresentado no Apˆendice C considera uma perda na eficiˆencia da caldeira de 0,5% por cada 10% de biomassa entrando ao processo de combust˜ao em base energ´etica, valor que foi proposto a partir do informe t´ecnico da EPRI (1999). A elabora¸c˜ao do invent´ario de ciclo de vida foi realizado considerando que o sistema est´a operando em regime permanente durante todo o ano.

(i ) Entradas identificadas:

O invent´ario aqui apresentado corresponde ao caso em que o carv˜ao responde por 90% e a biomassa por 10% da energia do sistema.

- Carv˜ao energ´etico: considerando a eficiˆencia termodinˆamica iden- tificada para o segundo cen´ario, para a gera¸c˜ao de 1 MWh, s˜ao requeridos 597,4 kg de carv˜ao energ´etico e 90,4 kg de biomassa. Observa-se que o total de kg supera o valor de 660,4 kg regis- trado no cen´ario A, o que ocorre devido `a diferen¸ca entre o PCI dos combust´ıveis. Assim:

ICE= 597, 4 kg CE/MWh Para a biomassa, tem-se:

Ibiomassa= 90, 4 kg biomassa/MWh

- Transporte: para o carv˜ao sendo transportado, o procedimento ´e similar ao j´a apresentado para o cen´ario A (transporte em trem e caminh˜ao), no entanto, muda a quantidade a ser transportada, dado que a contribui¸c˜ao energ´etica do carv˜ao ´e menor.

Transporte do carv˜ao em trem: a distˆancia considerada para o transporte por trem ´e de 80 km, desse modo:

597,4 kg · 80 km = 47,8 tkm × 2 vezes (considerando ida e volta) Itrem = 95,6 tkm/MWh

4.2 Passo 2: An´alise exerg´etica e ambiental 83

Transporte do carv˜ao em caminh˜ao: a distˆancia considerada ´e de 20 km, assim:

597,4 kg · 20 km = 11,9 tkm × 2 vezes (considerando ida e volta) Icaminhao= 23,8 tkm/MWh

Transporte da biomassa em caminh˜ao: para a biomassa, o trans- porte ´e realizado em caminh˜ao. Considerando as caracter´ısticas da mesorregi˜ao em estudo, ´e proposta uma distˆancia m´edia de 50 km para o transporte da mesma:

90,4 kg · 50 km = 4,5 tkm × 2 vezes (considerando ida e volta) Icaminhao= 9 tkm/MWh

Novamente, ambas as modalidades de transporte foram penaliza- das ao considerar a mesma quantidade de tkm para a volta, tendo em vista que tanto caminh˜oes como vag˜oes retornam vazios, o que reduz o consumo.

- Eletricidade: Neste cen´ario, a eletricidade corresponde `a utilizada por equipamentos na usina termoel´etrica, conforme foi apresen- tado no cen´ario A, e ao consumo de eletricidade dos equipamentos na terceira etapa da rota da biomassa (ver Apˆendice B).

Eletricidade referente `a rota do carv˜ao: para o caso do carv˜ao, o ´ındice corresponde ao calculado no primeiro cen´ario:

Ieletricidade= 0, 07 MWh/MWh

Eletricidade referente `a rota da biomassa: a rota da biomassa apresenta consumo de eletricidade na terceira etapa. A partir do invent´ario dos equipamentos, ´e contabilizada uma potˆencia nominal de aproximadamente 0,5 MW, o que equivale a 1,01% do total da energia gerada. Assim:

- Diesel : para o caso da rota do carv˜ao, ´e considerado o diesel utilizado por maquinaria e equipamentos associados `a dita rota no interior da usina termoel´etrica (referente `a terceira etapa da rota do carv˜ao). Para o caso da rota da biomassa, esta fonte energ´etica ´e importante para os processos na lavoura cujos equi- pamentos operam a diesel (referente `a primeira etapa da rota da biomassa). O diesel relacionado `a etapa de transporte foi indicado anteriormente.

Diesel referente `a rota do carv˜ao: tomando como base a m´edia hor´aria fornecida pelo pessoal na usina de 120 l/h, tem-se: 120 hl · 1×10−3m3 1 l = 0,12 m3 h sendo ρdiesel= 850mkg3 ⇒ 0, 12 m3 h · 850 kg m3 = 102 kg h

Logo, o indicador identificado em rela¸c˜ao `a unidade funcional definida ser´a:

Idiesel= 102 kg diesel45,8 MWh = 2,23 kg diesel/MWh

O indicador em base energ´etica pode ser determinado a partir do PCIdiesel (41, 8 MJ/kg diesel):

Idiesel= 93, 2 MJ/kg CE

Diesel referente `a rota da biomassa: aqui, ´e obtido o indicador para o caso do diesel associado aos processos na lavoura descritos na Se¸c˜ao 4.1.3.1. A opera¸c˜ao em combust˜ao combinada, que uti- liza at´e 10% de biomassa em base energ´etica, requer 4.121 kg de biomassa por hora (considerando o PCIbiomassa= 13.338 kJ/kg), ou 99 toneladas por dia.

A coleta da biomassa foi realizada com os equipamentos descritos no Apˆendice B (trˆes tratores de alto porte e seis de m´edio porte). Em m´edia, diariamente, foram obtidos 87 fardos de biomassa de 354 kg cada, o que corresponde a 30,8 toneladas. Para atingir a meta de 99 toneladas di´arias (280 fardos/dia), seria necess´ario aumentar 3,2 vezes a quantidade desses equipamentos.

Tratores de alto porte apresentam um consumo de 16 l/h, en- quanto os de m´edio porte consomem, aproximadamente, 9 l/h. Assim, para a obten¸c˜ao do indicador associado ao consumo de diesel, ´e proposto um fator correspondente a 4 vezes os valores

4.2 Passo 2: An´alise exerg´etica e ambiental 85

dos equipamentos utilizados durante o mˆes de coleta de biomassa, o que totaliza 12 tratores de alto porte e 24 de m´edio porte. Os consumos estimados de diesel foram calculados para um per´ıodo de opera¸c˜ao de 8 h/dia, conforme apresentado a seguir:

12 tratores grandes · 16 hl · 8 h dia = 1.536 l dia igualmente, 24 tratores m´edios · 9 l h · 8 h dia = 1.728 l dia

logo, o total de diesel consumido por dia ´e de 3.264 l. Assim o indicador associado com dita fonte energ´etica ser´a:

3.264dial · 1 dia 285 fardos = 11, 5 l fardo ⇔ 3, 23 × 10 −5 m3 kg

Lembrando que ρdiesel = 850 mkg3, o indicador em base m´assica

ser´a:

3, 23 × 10−5 mkg3 · 850mkg3 = 2, 74 × 10−2

kg diesel kg biomassa

Idiesel= 2, 74 × 10−2kg biomassakg diesel · 90, 4kg biomassaMWh = 2, 48 kg/MWh e, em base energ´etica com PCIdiesel (41, 8 MJ/kg diesel), ser´a: Idiesel = 103, 7 MJ/MWh

(ii ) Emiss˜oes ao ar :

Os indicadores para as emiss˜oes ao ar do cen´ario B, foram igual- mente estimadas a partir do modelo de combust˜ao proposto no Apˆendice E. ICO2= 990 kg CO2/MWh ISO2= 13,6 kg SO2/MWh ICO= 6,9×10−5 kg CO/MWh INO2= 7,9×10 −3 kg NO 2/MWh IN2O= 8,1×10 −5 kg NO 2/MWh

ICH4= 1,1×10

−32 kg CH

4/MWh

O Apˆendice E mostra que, para a opera¸c˜ao em combust˜ao com- binada (90% carv˜ao - 10% biomassa), foram estimados 1.140 kg CO2−eq/MWh, superando o valor de 1.116 kg CO2−eq/MWh, registrado para o cen´ario A. Nota-se que somente a parcela rela- tiva `a queima do carv˜ao est´a sendo considerada para o invent´ario, baseando-se no fato de que os kg CO2−eq/MWh gerados pela queima da biomassa foram sequestrados na fotoss´ıntese, durante o crescimento da planta. Os indicadores do material particulado fo- ram mantidos iguais ao do cen´ario A devido `a falta de informa¸c˜ao a respeito.

Iparticulado <2,5 µm= 10,2 kg/MWh Iparticulado >10 µm= 2,53 kg/MWh

Iparticulado >2,5 µm, e <10 µm= 1,19 kg/MWh

(iii ) Emiss˜oes ao solo:

- Cinzas pesadas: segundo a informa¸c˜ao fornecida no complexo termoel´etrico, as cinzas pesadas representam 20% do total das cinzas presentes no carv˜ao.

Icinzas pesadas= 50 kg/MWh

(iv ) Produtos evitados:

A utiliza¸c˜ao da biomassa residual como combust´ıvel alternativo na usina termoel´etrica durante a opera¸c˜ao em combust˜ao combi- nada evita a decomposi¸c˜ao microbiana da biomassa nas lavouras e, com isso, dificulta a libera¸c˜ao de gases importantes para a categoria de impacto avaliada, como CH4, CO2, CO, entre ou- tros. V´arios trabalhos apresentam indicadores relacionados a es- ses gases, considerando o per´ıodo sazonal. Com rela¸c˜ao ao CH4, Eberhardt et al. (2009), por exemplo, prop˜oem valores entre 55 e 62 g CH4/m2. Segundo o relat´orio de referˆencia elaborado por Lima, Pessoa e Ligo (2006), que trata de emiss˜oes de CH4do cul- tivo de arroz, ´e sugerido que, na ausˆencia de valores para o fator de emiss˜ao em campos de arroz inundados no Brasil, seja utili- zado o valor m´edio de 20 g CH4/m2. Pode-se observar portanto o alto grau de incerteza em torno desses tipos de indicadores.

4.2 Passo 2: An´alise exerg´etica e ambiental 87

Nem todo o carbono presente na biomassa ´e liberado `a atmos- fera em forma de CH4, devido a que uma parte ´e transferida ao solo e outra ´e oxidada pelas baterias aer´obicas, de acordo com Agostinetto et al. (2002). Considerando isso, para a obten¸c˜ao dos indicadores, ´e proposto que 50% do carbono presente na biomassa seja incorporado ao solo, e que 50% seja liberado `a atmosfera em forma de CH4, CO2e CO, com as seguintes propor¸c˜oes: para 1 kg de palha que cont´em 39% de carbono (ver Tabela 4.4), indica-se uma quantidade de 0,39 kg referente ao carbono. Neste caso, se 50% for incorporado ao solo, sobram 0,195 kg de carbono por kg de palha. As propor¸c˜oes propostas para emiss˜oes evitadas s˜ao de 40% CH4, 30% de CO2e 30% de CO. Assim:

ICH4evitado ⇒ 0, 195 kg Carbono · 40% = 0, 078 kg CH4/kg palha

ICO2evitado ⇒ 0, 195 kg Carbono · 30% = 0, 058 kg CO2/kg palha

ICOevitado ⇒ 0, 195 kg Carbono · 30% = 0, 058 kg CO/kg palha Segundo os dados registrados na Tabela B.4, durante a coleta da biomassa foram necess´arios 2 m2para a obten¸ao de 1 kg de palha, o que corresponde, considerando o valor proposto para a emiss˜ao evitada de CH4, `a ordem de grandeza referenciada anteriomente. A Tabela 4.7 resume o invent´ario do ciclo de vida do processo de gera¸c˜ao termoel´etrica para os dois cen´arios avaliados: cen´ario A - 100% carv˜ao e cen´ario B - 90% carv˜ao e 10% biomassa. Da mesma forma que para o invent´ario de ciclo de vida do processo de minera¸c˜ao, o impacto ambiental devido aos fluxos considerados relevantes foram tomados de processos similares, registrados na base de dados Ecoinvent do soft- ware SimaPro. J´a as emiss˜oes associadas `a queima dos combust´ıveis, foram estimadas a partir do modelo de combust˜ao de equil´ıbrio qu´ımico apresentado no Apˆendice E.

Na terceira fase, correspondente `a avalia¸c˜ao do impacto do ciclo de vida (AICV), foi realizada uma an´alise similar ao caso do cen´ario A. Por meio do programa SimaPro, avalia-se a categoria de impacto denomi- nada mudan¸ca clim´atica, mediante o ´ındice Global Warming Potential (GWP), que considera um horizonte de tempo de 100 anos para cada emiss˜ao de efeito estufa, com base na unidade funcional previamente definida.

Tabela 4.7 – Invent´ario do ciclo de vida usina termoel´etrica. Unidade funcional: 1 MWh.

Entradas Cen´ario A Cen´ario B Unidade [100% Carv˜ao] [10% Biomassa]

Carv˜ao energ´etico 660,3 597,4 kg

Biomassa 0 90,4 kg Transporte trem 105,6 95,6 tkm Transporte Caminh˜ao 26,4 32,8 tkm Eletricidade 7, 0×10−2 8, 0×10−2 MWh Diesel 93,2 196,9 MJ Sa´ıdas Emiss˜oes ao ar CO2 1.116 990 kg CO 6, 6×10−5 6, 9×10−5 kg CH4 8, 3×10−33 1, 1×10−32 kg SO2 15, 3 13,6 kg N2O 8, 2×10−5 8, 1×10−5 kg NO2 8, 1×10−3 7, 9×10−3 kg Particulado < 2, 5µm 10, 2 10, 2 kg Particulado > 10µm 2, 53 2, 53 kg Particulado > 2, 5 < 10µm 1, 19 1, 19 kg Emiss˜oes ao solo

Cinzas pesadas 55,3 50 kg

Emiss˜oes evitadasa

CH4 0,078 kg

CO2 0,058 kg

CO 0,058 kg

aValor estimado pela n˜ao decomposi¸ao da biomassa na lavoura.

Finalmente, na quarta fase correspondente `a interpreta¸c˜ao dos resultados, o modelo ambiental indicou uma emiss˜ao de 1.253 kg de CO2−eq por MWh, dos quais 990 CO2−eq s˜ao associados `a parcela de carv˜ao queimada na usina termoel´etrica. J´a a parcela da biomassa foi quantificada como 150 CO2−eq. Como indicado na Figura 4.21, a usina termoel´etrica responde por 90,9% do total de CO2−eq. Os processos de processamento (pr´e-combust˜ao) e de minera¸c˜ao respondem por 4,1% e 4,0 %, respectivamente. As etapas relativas ao transporte, tanto do carv˜ao quanto da biomassa, e aos processos na lavoura s˜ao pouco re- presentativas, equivalendo a 1%.

4.2 Passo 2: An´alise exerg´etica e ambiental 89

O valor registrado para a emiss˜ao evitada por decomposi¸c˜ao mi- crobiana da biomassa no campo foi de 182 CO2−eq por MWh, o que representa um valor importante, se comparado, por exemplo, com o impacto associado aos processos de minera¸c˜ao. Se for subtra´ıdo do va- lor total 1.103 CO2−eq por MWh, pode-se concluir que o valor l´ıquido do impacto ambiental, para a categoria avaliada, ´e de 921 CO2−eqpor MWh, o que representa uma redu¸c˜ao pr´oxima a 34% do valor do im- pacto para o caso de opera¸c˜ao padr˜ao. A Se¸c˜ao 4.3.2.2 amplia a dis- cuss˜ao dos resultados.

O Apˆendice D mostra o resultado obtido a partir do modelo pro- posto e dos invent´arios de ciclo de vida apresentados para a categoria de impacto de acidifica¸c˜ao.

4.2.2.2 An´alise exerg´etica

Nesta se¸c˜ao, ´e apresentado o procedimento seguido para a an´alise exerg´etica do cen´ario B. Da mesma forma que no caso do cen´ario A, s˜ao seguidas as pautas sugeridas na Se¸c˜ao 3.2.2.2 da estrutura metodol´ogica e as etapas identificadas no fluxograma da Figura 4.16.

Para opera¸c˜ao em combust˜ao combinada (90% carv˜ao - 10% bio- massa), os fluxos de massa do carv˜ao e da biomassa s˜ao de 7,6 e 1,15 kg/s, respectivamente (ver Apˆendice C). O valor da fonte exerg´etica calculado foi de 165,4 MW. Diferentemente do cen´ario A, esse valor ´e explicado devido `a perda de eficiˆencia assumida pelo modelo, quando o sistema opera em combust˜ao combinada (ver Se¸c˜ao 4.2.2.1).

Primeira etapa: Obten¸c˜ao de carv˜ao e biomassa:

A primeira etapa envolve os processos para a obten¸c˜ao da biomassa na lavoura e de minera¸c˜ao na obten¸c˜ao do carv˜ao energ´etico, como pode ser visto na Figura 4.16. O ICV elaborado para o cen´ario B indicou que a eletricidade consumida durante o processo de minera¸c˜ao ´e de 0,0461 kWh por cada kg de CE. O modelo termodinˆamico mostrou que, em opera¸c˜ao cont´ınua (24 h/dia, 30 dias/mˆes), o consumo de carv˜ao energ´etico ´e de 7,6 kg/s. Assim, a potˆencia el´etrica consumida durante a etapa de minera¸c˜ao ´e:

˙

0 25 50 600 700 800 900 1000 1100 1200 k g C O 2 -e q /M W h Lavoura Transp. biomassa Transp. carvão Processam. (pré-comb.) Mina Ciclo Térmico 0,6% 0,3% 0,1% 4% 4,1% 90,9%

Figura 4.21 – Emiss˜ao de CO2−eq por MWh emitidos no cen´ario B.

Para o caso do diesel, o ´ındice apresentado no ICV ´e de 1, 30 × 10−3 kg diesel/kg CE. A partir desse ´ındice ´e poss´ıvel estimar o fluxo m´assico e, com isso, o valor exerg´etico equivalente seguindo o indicado na Equa¸c˜ao 3.5.

˙

mdiesel= Idiesel· ˙mcarv˜ao= 9, 88 × 10−3 kg diesels Assim, a partir da Equa¸c˜ao 3.5, tem-se:

˙

Eeq−diesel= PCIdiesel· ˙mdiesel· ηeq= 0, 12 MW

logo, para as fontes energ´eticas avaliadas, o total de energia consi- derada como exergia destru´ıda ´e de 1,38 MW.

Para a biomassa, o ICV feito na primeira etapa de sua rota indicou que, por cada kg de biomassa, s˜ao consumidos 2, 74 × 10−2kg diesel. Lembrando que o fluxo de biomassa ´e de 1,15 kg/s, tem-se o seguinte fluxo m´assico do diesel:

˙

4.2 Passo 2: An´alise exerg´etica e ambiental 91

e, mediante a Equa¸c˜ao 3.5, obt´em-se: ˙

Eeq−diesel= PCIdiesel· ˙mdiesel· ηeq = 0, 4 MW

Segunda etapa: transporte

Para o caso do carv˜ao, o valor da exergia consumida ´e calculado da mesma forma que para o cen´ario A. Deste modo:

0, 57tl

CE × 2 vezes (considerando ida e volta) = 1, 14

l tCE ∴ 1, 14t CEl · [ 1 t 1.000 kg] = 1, 14 × 10 −3 l kg CE

Lembrando que, para o cen´ario B, o consumo de carv˜ao ´e de 7,6 kg/s e que ρdiesel = 850 kg/m3, obt´em-se o seguinte valor do fluxo de massa do combust´ıvel: ˙ mdiesel= 1, 14 × 10−3 lkg · 7, 6kg CEs = 8, 66 × 10−3 ls · [1×10 −3m3 l · 850 mkg3] = 7, 36 × 10−3 kgs

portanto, o valor exerg´etico associado ao portador energ´etico diesel durante a etapa de transporte ´e da ordem:

˙

Eeq−diesel= PCIdiesel· ˙mdiesel· ηeq = 9, 3 × 10−2MW

Para o caso da biomassa, de acordo com o Apˆendice B o con- sumo espec´ıfico de combust´ıvel do caminh˜ao ´e de 205 g/kWh, com potˆencia m´axima de 130 kW. Por tratar-se de um servi¸co leve (trans- portando em m´edia 6,4 t), considera-se que o caminh˜ao trabalha a uma potˆencia m´edia de 80 kW, o que equivale a um consumo da ordem de 16,4 kg/h. Para garantir a quantidade de biomassa, s˜ao necess´arios dois caminh˜oes, o que gera um consumo de diesel da ordem de 32,8 kg/h. Assim, o fluxo m´assico associado ao transporte ´e:

˙

mdiesel= 32, 8kg dieselh · [3.600 s1 h ] = 9, 11 × 10−3kg/s e o equivalente exerg´etico ´e obtido com a Equa¸c˜ao 3.5:

˙

Terceira etapa: processamento (pr´e-combust˜ao)

Tanto para o manuseio do carv˜ao quanto para o da biomassa, a principal fonte energ´etica identificada na etapa de processamento (pr´e- combust˜ao) ´e a eletricidade. Somando os indicadores obtidos no ICV, conclui-se que ´e necess´ario 0,08 MW por cada MWh gerado (8% do total da energia gerada). Assim, ´e proposto um valor de 3,67 MW.

Os resultados apresentam um comportamento similar ao do cen´ario A. O ciclo t´ermico continua sendo o maior destruidor de exergia, res- pondendo a 95,4% do total, como pode ser visto a partir da Figura 4.22. Nota-se uma pequena redu¸c˜ao em rela¸c˜ao ao processo de mi- nera¸c˜ao, o que ocorre devido a menor participa¸c˜ao desta fonte durante a opera¸c˜ao em combust˜ao combinada. As demais etapas apresentam valores referentes `a exergia destru´ıda, indicadas abaixo.

0 1 2 3 50 60 70 80 90 100 1,1% 0,3% 0,15% 0,15% 2,9% 95,4%

Razão de exergia consumida yC,z, %

Mina Lavoura Transp. biomassa Transp. carvão Ciclo Térmico Processamento (pré-combustão)

Figura 4.22 – Raz˜ao de exergia consumida no cen´ario B.

4.3

Passo 3: An´alise dos resultados

Conforme exposto no Cap´ıtulo 3, a an´alise dos resultados visa `a identifica¸c˜ao das etapas consideradas relevantes com base nos resulta- dos obtidos na an´alise exerg´etica e ambiental. A seguir, ´e apresentada a avalia¸c˜ao dos cen´arios estudados, o cen´ario A que considera a queima

4.3 Passo 3: An´alise dos resultados 93

atual do carv˜ao e o cen´ario B que corresponde `a opera¸c˜ao em combust˜ao combinada 90% carv˜ao - 10% biomassa.

Documento similar