COPÉRNICO COMO ASTRÓNOMO OBSERVADOR
12. C f A SayiÜ, The observatory , índices s v sextant y
suds-i Fakbri.Este instrumento se utilizó en los primeros observa torios europeos como París y Greenwich. C f. E . Rybka, “ M ouve- ment des planétes dans l ’astronomie des peuples de l ’Islam”, A tti dei i y Convegno Volta (Accademia dei Lincei, Roma, 1971), pá ginas 571-593.
EL “COMMENTARIOLUS”
Copérnico, al dedicar el De revolutionibus a Pau lo III , dice:
P u ed o imaginar, Santo P ad re, que cuando algunas gentes sepan que en los libros q u e he escrito sobre las
Revoluciones de las esferas del mundo sostengo q u e la Tierra tiene varios m o vim ien to s, protestarán y sosten drán que m is teorías y y o m ism o d eb em os ser condena dos inm ediatam ente . . . E s p or eso p o r l o qu e cuando yo pensaba m e daba cuenta d e l o absurda qu e va n a con siderar esta lectu ra1 aquellos qu e saben que a lo largo de lo s siglos se h a m antenid o la o p in ió n d e qu e la T ie rra está in m ó vil en m e d io d e l cie lo , co m o si fuera su centro, si yo afirmaba que la Tierra se m u eve. P or tanto m e preguntaba si debía p ublicar m is com entarios escri tos para dem ostrar ese m o vim ien to o si, p or e l contra rio, n o sería m ejor seguir el eje m p lo d e lo s pitagóricos y d e algunas otras gentes q u e , tal co m o lo atestigua la epístola d e Lysias a H ip a rco ,1 2 tenían por costum bre no transmitir los m isterios de la F iloso fía más que a sus amigos y allegados y aun n o por escrito, sino sólo oral- . m ente . . . M is am igos, sin em bargo, m e han convencido después d e m ucho tiem p o d e vacilar y resistir. E l pri m ero entre ellos ha sid o N icolás Schonberg [ 1 4 7 2 - 1 5 3 7 ] , cardenal de C apua, célebre en todos los d o m i
1. En griego en el original.
nios del saber; luego Tiedeman Giese, obispo de Chel- mno [Kulm] [1480-1550], que me aprecia mucho, estudioso de todas las cosas sagradas y de las buenas letras. Éste, frecuentemente, me había exhortado y es más, me había impulsado mediante repetidos reproches, a editar este libro [De revoluiionibus] y dar a luz la obra que tenía guardada no durante nueve años, sino durante cuatro veces nueve años.3
Los dos miembros de la oración, unidos por la copu lativa el (y) aluden por un lado al De revoluiionibus, ter minado entre 1529 y 1531, o sea que al ser enviado a la imprenta hacía ya nueve años que estaba escrito; y por el otro al Commentariolus de hypothesibus motuum coeles- tium a se constitutis. Esta obra permaneció desconocida a los eruditos hasta que aparecieron manuscritos de la misma a mediados del siglo x ix en las bibliotecas de Viena y Estocolmo.4 Fue compuesta, según Rosen,5 entre el 15 de julio de 1502 y el 1 de mayo de 1514, es decir, que la fecha concuerda bien con la alusión de Copérnico (1540 — 3 6 = 1 5 0 4 ) y en consecuencia podemos deducir que concibió la idea del sistema heliocéntrico durante su estancia en Italia.
Las copias del manuscrito del Commentariolus no de bieron ser muy abundantes, aunque sí algunas de ellas llegarían relativamente pronto a Italia: en 1533, Johann Widmanstadt expuso el sistema heliocéntrico ante el papa Clemente V I I (m. 1534) y varios miembros de la curia entre los que probablemente se encontraba el cardenal-
3. “ls etenim saepenutnero me adhórtalas est et convitiis in- terdum additis efflagitavit, ut librum hunc ederem et in lucetn tán dem prodire sinerem, qui apud me pressus non in novum annum solum, sed iam in quartum novennium latitasset. ”
4 . C f. A . Koyré, La révolution aslronomique: Copernic, Ke- pler, Borelli (París, 1961), p. 7 3, n. 1 y p. 86, n. 5 1.
arzobispo de Capua, Nicolás Schónberg, que acabamos de citar, y que más adelante {1 de noviembre de 1536) escri bió a Copérnico pidiéndole que le permitiera sacar una copia de sus escritos.
La nueva hipótesis, tal com o reza el título, fue aco gida en el mundo romano sin prevención. El por qué pue de discutirse. Es posible, es más, seguro, que Copérnico admitía la realidad física del sistema que propugnaba, pero también lo es que la palabra hipótesis, hábilmente introducida en el título, disimulaba esa realidad a los ojos de sus lectores los cuales sólo vieron en el Commentario- lus la exposición de un nuevo m odelo matemático capaz de permitir el cálculo de efemérides de un m odo más rá pido y aproximado que con los procedimientos hasta en tonces en uso.
Sin embargo, el libro se prestaba a la polémica. Des provisto de desarrollos matemáticos, expuesto en espíritu discursivo que recuerda el de los once primeros capítulos del De revolutionibus, era fácilmente accesible a todas las inteligencias y pronto cayó bajo los ojos inquisitoriales de los teólogos protestantes que no se dejaron engañar ni por la palabra hipótesis que encabeza esta obra ni por el pre facio de Osiander (cf. p. 91) que justificando la teoría fe- nomenológica de la ciencia, figura en aquélla. Y así empe zaron las discusiones teológicas sobre el nuevo sistema.8
Lutero, en sus Conversaciones de sobremesa,6 7 en fecha de 4 de junio de 1539 dice:
Se hablaba de u n nuevo astrólogo que pretendía probar que era la Tierra la que se movía y no el cielo
6. C f. A . Koyré, La révoluiion astronomique . . . , p. 7 6, n. 11; W . Norlind, “ Copernicus and Luther, A histórica! study”, Isis, 44
(1953), pp. 273-276. Este último intenta edulcorar, desde el punto de vista protestante, el episodio.
o e l firm am ento o e l S ol o la L u n a ; algo así co m o ocu rre a aquel q u e viaja e n u n coche o barco, q u e cree qu e está sentado tranquilam ente m ientras e l suelo y los ár boles pasan p or su lad o y se m ueven . O cu rre que el qu e es inteligente n o se deja engañar . . . E l loco [Narr~¡
quiere cam biar to d a la A stro n o m ía , p ero las Sagradas Escrituras m uestran qu e Josué d ijo al S ol y n o a la T ie rra que se parara.8
M e l a n c h t o n 9 ( 1 5 4 1 ) v a m á s a llá : c o n sid e r a a b su rd a la n u e v a te o ría y q u ie r e q u e la s a u to r id a d e s in te r v e n g a n p ara im p e d ir la d ifu s ió n d e u n a s id ea s q u e a m e n a z a n a la so c ie d a d c o n s titu id a s o b r e e l s e n tid o c o m ú n , la físic a a r isto té lic a y la S ag rad a E s c r itu r a . E l a r g u m e n to d e l o r d e n p ú b lic o h a c ía d e n u e v o su ap a rició n c o m o e n la é p o c a d e A r is t a r c o . Y s i p o r e l la d o c a tó lic o la re a cció n f u e a lg o m á s ta rd ía , n o p o r e s o f u e m e n o s v i o le n t a .
E l Commentariolus se in ic ia p o r u n b r e v e r e su m e n d e las te o ría s a s tro n ó m ic a s e x p u e sta s h a sta e n to n c e s so b r e e l m o v im ie n t o d e lo s a s tr o s : n i e l s iste m a d e la s e sfe ra s h o - m o c é n tric a s d e C a lip o y E u d o x o (Metafísica, 1 2 , 8 ) , n i e l siste m a d e e p ic ic lo s y e x cé n trica s s o n su fic ie n te s. S i a c ep ta m o s e l p rin c ip io d e q u e lo s m o v im ie n to s c e le ste s d e b e n ser circulares y realizarse c o n u n m o v im ie n t o a n g u lar u n ifo r m e es e v id e n te q u e u n a serie d e cír c u lo s co n c é n trico s y c o p la n a r io s e n c u y o c e n tr o e s té la T ie r r a n o p e r m ite e x p lic a r , p o r e je m p lo , n i la d ife r e n te v e lo c id a d a n g u la r d e u n m is m o a stro a l o la r g o d e su ó r b ita n i sus e sta c io n e s ni r e tr o g ra d a c io n e s. E n c a m b io d efin e b ie n las re la c io n e s a p a re n te s q u e lig a n a d o s a stro s e n e l c ie lo : la
conjunción>. es d e c ir, c u a n d o d o s a stro s se e n cu e n tra n si- 8. Texto discutido por E . Rosen, Galileo’s misstatements ..., p. 324.
9 . C í. K ; M üller, “ Ph. Melanchton und das kopernikanische W eksystem ’’ , Centaurus, 9 (19 6 3), pp. 16-28.
A
tuados en la misma longitud celeste o grado de la eclípti ca; y la oposición y cuadratura cuando les separan, res pectivamente, 180° y 90°.
El sistema de excéntricas y epiciclos consigue una aproximación mayor entre la teoría y la realidad observa da. Sea T el lugar de la Tierra, la cual se encuentra sobre un diámetro de la órbita del astro A , pero no en el centro (C ) de la misma (fig. 4). Esta disposición excéntrica per-
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Figura 6. — Movimiento aparente de Marte entre el 15 de julio de 1879 y el 1 de abril de 1880
mite ya explicar algunos de los fenómenos aludidos ante riormente y más aún si se. considera (fig. 5) que A no es el lugar del astro sino el centro de un nuevo círculo (epi ciclo) que es aquel sobre el cual se encuentra el astro (B). En el caso de que una órbita circular o una excéntrica sea soporte de un epiciclo, pasa a llamarse deferente. Este último esquema permite explicar las apariencias. El movimiento de los círculo es en sentido directo (con-
trario al de la marcha de las manecillas del reloj). A l movimiento del astro en B se le suma el del centro de su epiciclo A sobre el deferente hasta llegar a Bi en que la visual dirigida al mismo desde la Tierra hace que dicho planeta aparezca en el cielo com o inmóvil: está esta cionario o en su primera estación; entre Bi y B¿ el planeta marcha en sentido retrógrado (en el cielo parece que va de Este a Oeste) hasta que la visual dirigida al mismo desde
Figura 8. — Movimiento heliocéntrico de los planetas en 1973
la Tierra pasa tangente al epiciclo; en ese momento parece que el astro se detiene de nuevo: se encuentra en su se gunda estación. A partir de ese momento vuelve a recu perar el sentido directo (figuras 6, 7 y 8).
En la teoría del Sol y de la Luna una simple excén trica (fig. 4) (cinéticamente equivale a un epiciclo)10 11 per mite explicar la distinta duración de las estaciones del año y los intervalos entre los eclipses lunares. Pero Hipar- co observó que este modelo no se ajustaba a las realidades observadas cuando la Luna estaba en cuadratura. Tolom eo descubrió así la irregularidad llamada evecdón (cf. infra, p. 111, nota 4 7 1-11 Por otro lado, Tolom eo, estudian do el movimiento de Venus se dio cuenta de que para que la observación se correspondiera con el cálculo, en es pecial durante las cuadraturas, debía suponerse que el cen-
Figura 9. — Sistema de un deferente y un epiciclo
10. C f. O . Neugebauer, On the planelary theory. . . , p. 9 1. 11. C f. W . Hartner, “ Nasir al-Din al-Tüsi’s Lunar theory”,
tro del epiciclo giraba (figs. 5 y 9) con velocidad uniforme no alrededor del centro del deferente C sino de un punto E, simétrico de T respecto a C. Ese punto recibió el nom bre de ecuanle y se encontraba situado sobre la línea de los ápsides o sea el diámetro que une el apogeo con el peri- geo en una misma órbita.12
Pero Copérnico observa que las teorías de Tolom eo y de muchos otros astrónomos, aunque parecen ser correc tas en cuanto a sus valores numéricos, presentan ciertas dificultades que se han intentado salvar mediante la intro ducción de ecuantes con lo cual el planeta no se mueve con velocidad uniforme ni en torno del deferente ni de su epiciclo. De aquí que ese sistema no parezca satisfacto rio a la inteligencia. Dándose cuenta de estas inconsecuen cias, Copérnico intenta una nueva y más razonable dispo sición de los círculos de tal m odo que cualquier irregula ridad aparente se pueda explicar mediante movimientos circulares uniformes “ tal y como exige un sistema de m o vimiento absoluto” . Esto puede conseguirse si se aceptan los siete axiomas siguientes:
1. N o existe un único centro para todas las esferas o círculos celestes.
2. El centro de la Tierra no es el centro del universo sino su centro de gravedad y el centro de la órbita de la ^Luna.
3. Todos los planetas giran alrededor del Sol, el cual
12. La exposición de estas teorías puede verse en O. Neuge- bauer, T he exací S c i e n c e s in antiquity (Nueva York, 1969a); W . Hartner, “ The Mercury Horoscope of Marcantonio Michiel oí Venice” , Vistas in astronomy, 1 (19 5 5), pp. 105-138; E. Poulle, “ Théorie des planétes et uigonométrie au xv° siecle d’aprés un équatoire inédit, le sexagenarmm” , JS(julio-septiembre 1966), pá
ginas 129-161; A. Wegener, Die alfonsiniscben Tafeln jür d e » Ge- braucb eines modernen Reclinen (Berlín, 1905).
está en su centro y, en consecuencia, el Sol se encuentra en el centro del universo.13
4. La distancia de la Tierra al Sol es despreciable en comparación a la distancia que existe entre la Tierra y los confines del universo.
5. Los movimientos que observamos en el firmamen to no son propios de éste sino que son reflejo del movi miento de la Tierra. La Tierra y los elementos que la rodean — aire, agua — gira sobre sí misma en un día mientras que el cielo permanece en reposo.
6. Los movimientos del Sol son simples apariencias debidas a los movimientos diurno y de traslación de la Tierra pues ésta gira en torno de aquél como cualquier otro planeta.
7. Los movimientos directo y retrógrado de los pla netas son simple consecuencia del movimiento de trasla ción de la Tierra.
“ Habiendo establecido estos axiomas procuraré de mostrar brevemente cómo puede salvarse la uniformidad de los movimientos de m odo sistemático. Sin embargo he pensado, en vista a la brevedad, omitir en este resumen las demostraciones matemáticas que reservo para mi obra ma yor [D e revolutionibus}.”
Tras aludir rápidamente a los pitagóricos trata del or den de las esferas: la de las estrellas fijas que es la más alta, permanece inmóvil y sirve para situar todas las cosas y luego siguen las de Saturno, Júpiter, Marte, Tierra, V e nus y Mercurio. La Luna gira en torno del centro de la Tierra como si.estuviera en un epiciclo. En el mismo or
13. Esta afirmación tiene un valor relativo, ya que en el siste