Conferencia impartida en Viena el día 11 j repetida el día 1 7 de marzo de 1^37 por invitación de la Federación Austríaca del Trabajo
q u ie n se a rr ie s g u e a h a b la r so b re la estu p id ez c o r r e h o y el p e lig ro de lle g a r a s u fr ir p e rju ic io s de m o d o s d iversos; pues p u ed e ser in te rp re ta d o co m o u n a a rro g a n c ia p o r su p arte e in clu so co m o u n esto rb o p ara el d e sa rro llo de su ép oca. Y o m ism o e s c r ib í h ace ya v a rio s a ñ o s: « S i la estu p id ez n o se p a r e c ie ra ta n to al p r o g r e s o , el ta le n to , la esp eran z a o la m e jo r a , n a d ie q u e r r ía ser e s t ú p id o » . E sto fu e en 1 9 3 1 ¡y n ad ie se atreverá a p o n e r e n d u d a q u e el m u n d o h a asistido tam b ién desde en ton ces a p ro g re so s y m ejo ras! D e ah í que se vaya h a cien d o in aplazable p reg u n ta r: ¿ q u é es p ro p iam en te la estu p id ez?
T a m p o c o q u is ie r a o m it ir q u e , en m i c a lid a d de p o e ta , c o n o z c o la estu p id ez d esd e m u c h o a n tes, e in c lu s o p o d r ía d ecir q u e, en ocasion es, he m an ten id o c o n ella u n a re la c ió n de c o m p a ñ e r is m o . T a n p r o n to c o m o a u n h o m b re se le a b re n lo s o jo s p a ra la p o e sía , se ve e n fre n ta d o , p o r a ñ a d i du ra, a u n a resistencia apenas d escrip tib le y que p arece p o d e r
to m a r c u a lq u ie r fo rm a : sea ésta p e rso n a l, c o m o la h o n o r a b le de u n p r o fe s o r de h isto ria de la lite ra tu ra q ue, aco stu m b ra d o a ap u n tar a distancias in c o n tro la b le s, falla el tiro e n el p re s e n te de m o d o d e sa stro so ; sea ésta de u n a g e n e ra lid a d aérea, co m o la tr a n s fo r m a c ió n d el ju ic io c rític o p o r m ed io d el m e rc a n til, desde q u e D io s , en su b o n d a d p a ra n o so tro s d ifíc ilm e n te c o m p re n sib le , ta m b ié n c o n c e d ie ra el len g u a je de los h o m b res a los cread ores de p elícu las so n o ra s. Y a an te r io r m e n te he d escrito tales fe n ó m e n o s en m ás de u n a o c a sió n , y n o es n e c e sa rio re p e tir o co m p le ta r lo d ich o e n t o n ces (algo q ue, en vista de la p ro p e n s ió n a la gran d eza que hoy to d o p resen ta, sería al p a re c e r in clu so im p o sib le ): baste co n p o n e r de relieve com o u n resu ltad o segu ro que la escasa se n sib ilid a d artística de u n p u e b lo n o se m an ifiesta tan só lo en los m alos tiem po s y de u n m od o gro sero , sin o tam b ién en los b u e n o s y de to d o s lo s m o d o s p o s ib le s , d e su e rte q u e só lo existe u n a d iferen c ia de grad o en tre la o p re sió n y la p r o h ib i c ió n y lo s d o c to ra d o s h o n o r ífic o s , los n o m b ra m ie n to s aca d ém ico s y las co n cesio n e s de p re m io s.
S ie m p r e h e so sp e c h a d o q u e esa m u ltifo r m e h o s tilid a d h acia el arte y el fin o esp íritu p o r parte de u n p u eb lo q u e se v a n a g lo ria de su a m o r al arte n o es o tra cosa q u e estu p id ez —tal vez u n t ip o e s p e c ífic o d e ella , u n a estu p id ez e s p e c ífi cam en te artística y quizá in clu so afectiva; u n a estu p id ez, en to d o caso , q u e se m a n ifie s ta de m o d o tal q u e a q u e llo q u e llam am o s a m o r p o r el arte sería a la vez estup id ez artística—, y h o y, la v erd a d sea dich a, tam p o co veo d em asiad os m otivos p a ra a b a n d o n a r esta o p in ió n . N a tu r a lm e n te , n o se p u e d e c u lp a r a la estu p id ez de to d o aq u e llo q u e d e fo rm a u n a t e n d e n cia tan c o n su m a d am en te h u m a n a c o m o es el arte; ta m b ié n d eb e q u e d a r esp acio p a ra las d istin tas clases de falta de carácter, tal y com o h an m ostrad o sobre tod o las experien cias de los últim o s añ os.
N o estaría p e rm itid o o b je tar, p o r o tra p arte, que el c o n cepto de estup idez está a q u í de m ás, p u esto que él se re fie re al e n te n d im ie n to y n o a lo s s e n tim ie n to s , m ie n tra s q u e el arte d e p e n d e de estos ú ltim o s . T a l cosa se ría u n e r r o r . In c lu so el go ce estético es ju ic io y s e n tim ie n to . Y les ru e g o m e p e rm ita n n o sólo re c o rd a r que K a n t h ab la de u n a fa c u l tad de ju ic io estético y de u n juicio d e g u sto , s in o ta m b ié n re p e tir las a n tin o m ias a las que este ú ltim o co n d u ce:
• T e sis: E l ju ic io de gu sto n o se fu n d a e n c o n c e p to s, p u e s, de lo c o n t r a r io , se p o d r ía d is p u ta r so b re él (d e c id ir p o r m ed io de p ru eb as).
• A n títe s is : E l j u ic i o de gu sto se fu n d a en c o n c e p to s, p ues, de lo co n tra rio , n o se p o d ría n i siq u iera d iscu tir sobre él (asp irar a u n acu erd o ).
A l resp ecto, m e p re g u n to si u n ju ic io sim ila r, co n u n a a n ti n o m ia s im ila r, n o se e n c u e n tra ta m b ié n e n la base de la p o lític a y d el e m b r o llo de la v id a e n g e n e ra l. Y , a llí d o n d e h a b ita n el ju ic io y la raz ó n , ¿ n o cabe e sp e ra r ta m b ié n a sus h e rm a n as y h e rm a n ita s, las distin tas fo rm a s de la estu p id ez? H asta aq u í p o r lo que respecta a su im p o rta n c ia . E ra sm o de R o tte rd a m esc rib ió en su d elicio so y todavía actual Elogio de la
necedad q u e, si n o fu e ra p o r ciertas estupid eces, el h o m b re n i
siq u iera n acería.
M u c h o s m a n ifie s ta n ta m b ié n te n e r u n p re s e n tim ie n to d el d o m in io , ta n d e s h o n r o s o c o m o e n o r m e , q u e la estu p id ez ejerce so b re n o so tro s, m o strán d o se am able y c o n sp ira d o ra - m e n te s o r p r e n d id o s c u a n d o se e n te r a n d e q u e a lg u ie n en q u ie n c o n fía n tie n e in te n c ió n d e c o n ju r a r a ese m o n s tru o llam á n d o lo p o r su n o m b re . N o sólo p u d e ex p e rim en tar esto de m o d o p e r s o n a l, sin o q u e p r o n to c o m p ro b é ta m b ié n su validez h istó ric a c u a n d o , en la b ú sq u ed a de p red eceso res en
la c o n sid e ra c ió n de la estupidez —de lo s q ue, s o rp re n d e n te m en te, p o c o s he lleg ad o a c o n o c e r, ¡p u es, segú n p arece, los sabios p r e fie r e n e sc rib ir sob re la sa b id u ría !—, u n am igo e r u d ito m e en v ió la e d ic ió n de u n a c o n fe r e n c ia im p a rtid a en 1 8 6 6 p o r j o h a n n E d u a r d E r d m a n n , d is c íp u lo de E íe g el y p r o f e s o r e n la U n iv e r s id a d de H a lle . D ic h a c o n fe r e n c ia , titu lad a Sobre ¡a estupidez, em p ieza ya d ic ie n d o que el a n u n c io de la m ism a fu e re c ib id o en tre risas; y desde que sé que esto p u ed e o c u r r ir le in c lu so a u n h e g elian o , estoy co n ven cid o de q u e hay algo e s p e c ia lm e n te p a r t ic u la r e n ese c o m p o r t a m ie n to de lo s h o m b re s h a c ia q u ie n e s p r e te n d e n h a b la r sob re la estup idez, p o r lo q u e m e e n c u e n tro m uy in se g u ro , c o n v e n c id o de h a b e r d e sa fia d o a u n a fu e rz a p s ic o ló g ic a e n o rm e y p ro fu n d a m e n te escin d id a.
P re fie ro , p o r e llo , co n fe sa r ya de an tem an o la in fe r io r i d ad en la q u e m e e n c u e n tr o c o n re sp e c to a esa fu e rz a : ig n o ro lo que ella sea. N o he d escu b ierto n in g u n a te o ría de la estu p id ez c o n cuya ayu d a p u d ie r a p r e te n d e r salvar el m u n d o . A d ecir verd ad , n o b e h allad o u n a sola in vestigación q ue, d en tro de los lím ites de la cautela cien tífica, haya hech o de ella su o b je to y n i siq u ie ra u n acu erd o al que se haya lle gad o , m al que b ie n , a te n d ie n d o a su co n cep to en el estud io de asuntos em p aren tad o s. E sto p u ed e d eb erse a m i ig n o r a n cia, p e ro es m ás p ro b a b le q ue la p re g u n ta « ¿ q u é es la estu p id e z ? » se c o rr e s p o n d a ta n p o c o a lo s h á b ito s de p e n s a m ie n to actuales c o m o las p regu n ta s acerca de lo q ue sean la b o n d a d , la belleza o la e lectricid ad . A p esar de e llo , el deseo de fo r m a rs e este c o n c e p to y de r e s p o n d e r tan s o b ria m e n te c o m o sea p o s ib le a esa c u e s tió n p r e lim in a r de to d o v iv ir atrae en n o p o ca m ed id a . P o r ese m o tivo , tam b ién yo caí u n día en la p regu n ta sob re q ué será « r e a lm e n te » la estupidez y n o so b re las fo r m a s e n q u e a la rd e a , cosa esta ú ltim a cuya d e s c rip c ió n c o n v ie n e m u ch o m ás al d e b e r y al talen to p r o -
p ío s de m i o fic io . Y , co m o n o q u e ría p ro c u ra rm e ayu da de m o d o p o é tic o n i p o d ía h a c e rlo d e m o d o c ie n t ífic o , lo in ten té del m ás in g e n u o de los m o d o s, tal y com o es n atu ral sie m p re en estos casos, tra ta n d o sim p le m e n te de p e rs e g u ir lo s usos de la p alab ra « e s t ú p id o » y de su fa m ilia , b u scan d o los ejem p lo s m ás usuales y esfo rzán d o m e en au n ar lo que iba a n o ta n d o . P o r d esgracia, u n p ro c e d im ie n to así tie n e sie m p re algo de caza de la m a rip o sa b la n c a : se p e rsig u e d u ra n te u n tie m p o lo q u e se cree o b se rv a r s in p e r d e r lo de vista; p e r o , c o m o d esd e d ir e c c io n e s d istin ta s se a p ro x im a n co n pasos zigzagueantes to talm en te iguales m arip osas totalm en te p arecid as, p ro n to n o se sabe si tod avía se está p e rsig u ie n d o a la m ism a. D e este m o d o , tam p o co lo s ejem p lo s de la fa m ilia de la estupidez p e rm itirá n siem p re d isc e rn ir si efectivam ente g u a rd a n to d avía e n tre sí u n a r e la c ió n o r ig in a r ia o b ie n ya m era m e n te extern a, y si, de im p ro v iso , n o llevan a la c o n s i d e ra c ió n de u n lad o p ara o tro , p o r lo que n o resu ltará n ada fá c il m e te rlo s a to d o s e n el m ism o saco y a fir m a r q u e éste p erte n e ce efectivam en te a u n estú p id o .
E n tales circu n stan cias, sin em b a rg o , casi da igu al cóm o se em p iece, así q ue p e rm íta n m e em p ezar de u n m o d o cu a l q u ie ra ; y lo m e jo r será h a c e rlo c o n la d ific u lta d in ic ia l de que q u ie n p rete n d e d is c u rrir sob re la estupidez o asistir a tal d iscu rso c o n p ro vech o debe p re s u p o n e r de sí m ism o que n o es estú p id o , d e ja n d o ve r, p o r tan to , que se tien e p o r in te li g e n te, a p e sa r de q u e tal cosa es g e n e ra lm e n te c o n sid e ra d a co m o u n sign o de estupidez. S i ab o rd am o s ah o ra la cu estión de p o r q ué se c o n sid e ra estú p id o d e ja r ver que u n o es in te lig e n te , se im p o n e p o r de p ro n to u n a resp uesta que p arece c u b ie rta p o r el p o lvo de lo s m u e b le s de n u e stro s m ás a n t i gu os p red ece so res, ya que ésta sostien e q u e es m ás p ru d e n te n o m o stra rse in te lig e n te . E s p r o b a b le q u e esa p r u d e n c ia p r o fu n d a m e n t e d e s c o n fia d a y h o y a p r im e r a vista in c o m -
p re n sib le p ro v e n g a de u n o s tiem p o s en lo s q u e, rea lm en te, lo m ás in te lig e n te p ara el d éb il era n o ser co n sid era d o in te lig en te : ¡su in te lig e n cia p o d ía am en azar al fu erte! L a e stu p i dez, p o r el c o n tra rio , a rru lla a la d esco n fian z a; « d e s a r m a » , co m o se dice aú n h o y en d ía. H u ella s de esta an tigu a viveza y de ese h acerse p asar p o r to n to se e n c u e n tra n efectivam en te tod avía en algun as relac io n es de d e p e n d e n c ia , en las que las fuerzas están d istrib u id as tan d esigu alm en te q ue el m ás d éb il b u sca su salv ació n fin g ie n d o ser m ás estú p id o de lo q u e es. D ich as hu ellas se m u estran , p o r eje m p lo , en la llam ad a astu cia a ld e a n a , y ta m b ié n e n el tra to d e lo s sirv ie n te s c o n lo s b ie n h a b la d o s se ñ o re s de la casa, en la r e la c ió n d el so ld a d o c o n el s u p e r io r , d e l a lu m n o c o n el m ae stro y d el n iñ o c o n los p ad res. A q u ie n tien e el p o d e r le ir r ita m en o s si el d éb il n o p u e d e q u e si n o q u ie re . L a estu p id ez in clu so le « d e s e s p e r a » , es d e c ir, le su m e in c o n fu n d ib le m e n te en u n v a n i doso estado de d eb ilid a d .
¡E sto c o n c u e rd a p e r fe c ta m e n te c o n el h e c h o de q u e la in te lig e n c ia le « e x a s p e r e » c o n fa c ilid a d ! E sta es, c ie r t a m en te , ap reciad a en el su m iso , p e ro só lo m ien tra s va u n id a a u n a lealta d in c o n d ic io n a l. E n el m o m e n to e n q ue le falta este certificad o de b u en a con d u cta y n o es ya seguro que sirva al p ro vech o d el señ o r, n o se la suele llam a r in teligen cia, sin o m ás b ie n im p e rtin e n c ia , d esca ro o m a lic ia ; y a m e n u d o resu lta c o m o si ésta a ten ta ra, c u a n d o m e n o s, al h o n o r y la a u to rid a d d el p o d e r o s o , in c lu so c u a n d o n o am en aza r e a l m en te a su se g u rid a d . E n el cam p o de la e d u c a c ió n , esto se m an ifiesta en el hecho de que el alu m n o rebeld e p e ro capaci tado es tratado c o n m ayor b ru sq u ed ad que aquel que n o o b e dece p o r sim p le estup idez. E n el de la m o ra l, h a c o n d u cid o a la id ea de que u n a vo lu n tad tien e que ser tanto más m alvada cu an to m e jo r sea el sab er c o n tra el q u e actúa. N i s iq u ie ra la ju stic ia se h a lib ra d o to talm en te de este p re ju ic io p e rso n a l y,
en la m ayoría de los casos, co n d en a co n especial in clem en cia, en cuan to « a s tu ta » y « d e s a lm a d a » , la ejecu ció n in teligen te de u n c rim e n . E n lo q u e respecta a la p o lítica , q u e cada cual extraiga los ejem p lo s de d o n d e los en cu en tre.
P ero ta m b ié n la estu p id ez —h a b rá q u e o b je ta r a q u í— p u e d e e x a sp e ra r, y d esd e lu eg o n o ap a cigu a , n i m u ch o m en o s, en todas las circu n stan cias. P o r d ecirlo b revem en te: suele h acer p e rd e r la p acien cia, au n q u e en casos ex cep cio n a les p ro v o c a ta m b ié n c ru e ld a d ; y lo s rep u g n an te s excesos de esa c ru e ld a d e n fe rm iz a , c o rr ie n te m e n te d e sig n a d o s co m o sadism o, p resen tan en n o p ocos casos a p erson as estúpidas en el p ap el de víctim as. E vid e n te m e n te , esto se d eb e a q ue caen p resas de la p e r s o n a c r u e l m ás fá c ilm e n te q u e o tr o s ; p e ro ta m b ié n p arec e d eb erse a q u e su evid en te falta de re s is te n cia excita fero zm en te la im ag in a ció n , com o el o lo r de la sa n g re el d eseo de caza, y la atrae c o n h alago s h a c ia u n a tie rra d esierta en la q u e , si la c ru e ld a d va « d e m a s ia d o l e jo s » , es sim p le m e n te p o rq u e n o e n c u e n tra ya en n in g u n a p a rte u n lím it e . E sto c o n stitu y e u n rasg o de s u fr im ie n to e n el q u e in flig e s u fr im ie n t o , u n a d e b ilid a d in m e rs a e n su to s q u e d ad ; y, a u n q u e la in d ig n a c ió n p riv ile g ia d a d e la c o m p a sió n o fe n d id a ra ra vez p e rm ita a p re c ia rlo , e n la cru eld a d , com o e n el a m o r , h a c e n fa lta d o s q u e se a v e n g a n . D e b a t ir esto sería, c ie rta m e n te , de n o p o c a im p o rta n c ia e n u n a h u m a n id a d tan aq u ejad a de su « c o b a rd e c ru e ld a d c o n tra los m ás d é b ile s » (s ie n d o ésta la t r a n s c r ip c ió n m ás u su a l d e l c o n cepto de sad ism o ) c o m o la de n u e stro s d ías; p e ro c o n s id e ra n d o lo p e rse g u id o en su lín e a p r in c ip a l y tras u n a rá p id a c o le c c ió n de lo s p r im e r o s e je m p lo s , ta m b ié n lo q u e se ha d ic h o al re sp e c to d eb e s e r te n id o c o m o u n e x c u rso y, en c o n ju n t o , n o p u e d e sacarse de e llo m ás c o n c lu s ió n q u e la sigu ien te: que p u ed e ser estú p id o h a cer gala de in teligen cia, a u n q u e ta m p o c o es s ie m p re in te lig e n t e g a n a rse fa m a de
e s tú p id o . N a d a de esto p u e d e se r g e n e ra liz a d o , o la ú n ic a g e n e ra liz a c ió n a d m isib le ya en este p u n to d e b e ría ser ésta:
¡q u e lo m ás in te lig e n te e n este m u n d o sería hacerse n o ta r lo m en o s p o sib le! Y , a d e c ir verd ad , n o h a n sid o pocas las veces que se h a p u esto este p u n to fin a l a to d a sa b id u ría . N o o b s tan te, es to d av ía m u c h o m ás c o m ú n h a c e r só lo u n u so a m edias o sim b ó lico -rep resen ta tiv o de este m isán tro p o re su l tado, algo que d irig e la co n sid e ra c ió n a la esfera de los m a n d am ien to s de m o d e stia sin te n e r que a b a n d o n a r d el to d o el ám b ito de la estupidez y la in te lig e n cia .
T a n to p o r m ie d o a p a r e c e r e s tú p id o c o m o p o r el de o fe n d e r el d e c o ro , m u c h o s h o m b re s se c o n s id e ra n c ie rta m en te in te lig e n te s, p e ro n o lo d ic e n . Y cu an d o se ven f o r zados a h a b la r de e llo , lo p a ra fra se a n d ic ie n d o de sí m ism o s algo así c o m o : « Y o n o soy más estúpido q u e o t r o s » . M ás c o rrie n te todavía es ob servar de m o d o d esin teresad o y o b je tiv o : « B i e n c re o p o d e r d e c ir q u e p o s e o u n a in te lig e n c ia n o r m a l» . A v e c e s , el c o n v e n c im ie n to so b re la p ro p ia in t e lig e n c ia sale a r e lu c ir ta m b ié n d e m o d o in d ir e c t o , c o m o p o r e je m p lo e n la lo c u c ió n : « ¡ Y o n o d e jo q u e m e to m e n p o r e s t ú p id o !» . T a n to m ás n o ta b le es el h e c h o d e q u e n o só lo el h o m b r e p r iv a d o e in d iv id u a l se vea e n sus p e n s a m ie n to s c o m o su m a m e n te in te lig e n te y b ie n d o ta d o , sin o q u e ta m b ié n el h o m b r e q u e in flu y e e n la h is t o r ia , ta n p ro n to tie n e el p o d e r p a ra e llo , d ice o m a n d a d e c ir q u e es in te lig e n te , in s p ira d o , resp etab le, elevad o , clem en te, e sco g id o p o r D io s y lla m a d o a h a c e r H is t o r ia m ás allá d e to d a m e d id a . T a m b ié n t ie n e a b ie n d e c ir lo d e o tro p o r cu yo r e fle jo se sien te ilu m in a d o . E sto se co n serva p e trific a d o en títu lo s y trata m ien to s c o m o M ajestad , E m in e n c ia , E x c e le n cia, M a g n ific e n c ia , M e rc e d y o tro s sim ila re s, si b ie n ap en as con serva ya u n a lie n to de c o n c ie n c ia ; a u n q u e vuelve a m o s tra rse de in m e d ia to c o n p le n a v ig e n c ia c u a n d o el h o m b re
h a b la h o y c o m o m asa. D e m o d o e s p e c ia l, u n a c ie rta clase m e d ia - b a ja d e l e s p ír itu y d e l a lm a p ie r d e to ta lm e n te el p u d o r an te su n e c e s id a d d e p r e s u m ir ta n p r o n t o c o m o , b a jo la p r o t e c c ió n d e l p a r t id o , la n a c ió n , la secta o la c o r r ie n t e a rtística , le está p e r m itid o d e c ir « n o s o t r o s » en lu g a r de « y o » .
C o n u n a reserva ob via y q u e p u e d e d ejarse de la d o , esta p r e s u n c ió n p u e d e se r lla m a d a ta m b ié n v a n id a d , y, e n efecto , el alm a de m u ch o s p u e b lo s y estados está h o y d o m i n ad a p o r sen tim ie n to s en tre los q u e la van id a d ocu p a in n e g a b le m e n te u n lu g a r p r io r i t a r i o . S in e m b a rg o , e n tre la e stu p id e z y la v a n id a d existe d esd e s ie m p re u n a r e la c ió n ín tim a q u e ta l vez n o s p r o p o r c io n e u n a p is ta . H a b it u a l m e n te , u n h o m b r e e stú p id o da la im p r e s ió n d e se r v a n i d o so sim p le m e n te p o r fa lta rle la in te lig e n c ia de o c u lta rlo ; p e r o e n r e a lid a d n o se p re c is a s iq u ie r a de e llo , p u e s el p aren tesco en tre la estu p id ez y la v a n id a d es in m e d ia to : u n h o m b re va n id o so p ro d u c e la im p re s ió n de q u e hace m en o s de lo q u e p o d r ía ; es co m o u n a m á q u in a que p e rm ite q ue su v a p o r se escape p o r u n a fu g a . E l v ie jo r e fr á n : « a o rg u llo y estu p id ez d e l m ism o á r b o l verá s c r e c e r » n o s ig n ific a sin o esto, co m o ta n b ié n la ex p re sió n de q u e la van id a d « c ie g a » . E n e fe c to , lo q u e aso ciam o s c o n el c o n c e p to de v a n id a d es la e x p e cta tiva de u n r e n d im ie n t o d is m in u id o , ya q u e la p a la b ra « v a n id o s o » s ig n ific a e n su s ig n ific a d o p r in c ip a l casi lo m ism o que « v a n o » . Y d ich a d is m in u c ió n d el r e n d i m ie n to se e sp e ra ta m b ié n d o n d e éste es en v e rd a d r e n d i m ie n to : la v a n id a d y el ta le n to están r e la c io n a d o s m u tu a m e n te e n n o p o c o s caso s; p e r o e n to n c e s te n e m o s la im p re s ió n de q u e se p o d r ía r e n d ir m ás si el v a n id o so n o se ob stacu lizase a sí m ism o . E sta p e rtin a z id ea de la d is m in u c ió n d e l r e n d im ie n t o se re v e la rá e n lo q u e sigu e c o m o la id ea m ás g e n e ra l q u e ten em o s de la estup id ez.
M as, com o es sab id o, el c o m p o rta m ie n to van id o so n o se evita p o r q u e p u e d a se r e s tú p id o , s in o so b re to d o p o r q u e p e rtu rb a el d e c o ro . « Q u ie n se elogia, se e n v ile c e » , dice u n p ro v e rb io , y sig n ifica que la ja cta n c ia , h a b lar m u ch o de u n o m ism o y alabarse n o sólo se co n sid era p o co in te lig e n te, sin o ta m b ié n in d e c o r o s o . S i n o vo y e r r a d o , las e x ig en cia s de d e co ro a las que se o fe n d e de ese m o d o fo rm a n p arte de las m u ltifo rm e s exigencias de reserva y d istan ciam ien to d estin a das a p ro te g e r la p ro p ia p re su n c ió n , p o r lo que se p resu p o n e q u e ésta n o es m e n o r e n el p r ó jim o q u e en u n o m ism o . Estos m an d am ien to s de distancia p ro h íb e n tam b ién el uso de palabras dem asiado sin ceras, reg u lan los saludos y trata m ien