Processos Metalúrgicos
PROF.: KAIO DUTRA
Diagrama TTT (Transformação –
Tempo – Temperatura)
Um
◦ dos fatores mais importantes que influenciam a posição das linhas de transformação, ou seja, a própria transformação da austenita, a velocidade de resfriamento.
De
Diagrama TTT
Diagrama TTT
Com
◦ os dados obtidos, pode-se construir o diagrama temperatura -tempo. Esse diagrama é chamado transformação isotérmica. % d a γ tran sf or m ad a em p erlita Tempo (s)
10 102 103 104 105
100
50
0
Ttrans= 675ºC
Austenita instável Austenita estável Perlita 675 650 Temperatura eutetóide
(727 ºC) Final da transformação
Ttrans= 650ºC
10 102 103 104 105
1 Tem p er atu ra (ºC) 700 600 500 400
Curva de início (~0% de perlita)
Curva 50% de conclusão
Curva de conclusão (~100% de perlita)
Diagrama TTT
Na
◦ faixa superior de temperatura, o início da transformação da austenita (curva I) é lento, assim como o fim. A estrutura resultante é perlita, de granulação grosseira, chamada perlita grossa, com baixa dureza, variável de 5 a 20 Rockwell C, os valores mais elevados correspondendo aos níveis mais baixos de temperatura;
◦ À medida que a temperatura decresce, a demora para início e fim de transformação é menor; a granulação da perlita vai se tornando mais fina, originando-se a estrutura chamada "perlita fina", com dureza cada vez mais elevada. Os seus valores podem chegar a 40-45 Rockwell C;
Transformação austenita → perlita
Perlita grosseira
Austenita (estável) 727 ̊C
Perlita fina C D B TE M PER ATU RA ( ⁰C) TEMPO (s) 700 600 500
1 10 102 103 104 105
1 s 1 min 1 h 1 dia
Diagrama TTT
◦ Em torno de 550°C (aço eutetóide), ocorre o menor tempo para início e fim de transformação. Esse ponto corresponde ao chamado "joelho" ou "cotovelo" das curvas em C.
◦ A partir dessa temperatura começa novamente a aumentar o tempo para a transformação da austenita iniciar-se e completar-se; surge, nas faixas de temperaturas correspondentes, um novo constituinte a "bainita" (em homenagem a Bain) completamente diferente de perlita. Trata-se de uma estrutura cujo aspecto varia desde um agregado de ferrita em forma de pena e um carboneto muito fino (em torno de 450°C), até um constituinte em forma de agulhas (em torno de 200°C), com coloração escura. A dureza desse constituinte é elevada, variando de 50 a 60 Rockwell C;
Prof.: Kaio Dutra
Bainita inferior Bainita superior B P A A
A + B
A + P
A Perlita fina Perlita grossa 600 700 500 400 300 200
1 10 102 103 104 105
Diagrama TTT
◦ Finalmente, nos níveis mais baixos de temperatura, na faixa aproximada de 200°C a 100°C, ocorre uma nova transformação, a qual independe do tempo, como as linhas horizontais Mi e Mf estão indicando. Surge mais um novo constituinte a "martensita" cuja formação brusca começa na linha Mi e termina na linha Mf. Esse constituinte apresenta-se em forma de agulhas, com coloração clara. Sua dureza é muito elevada: 65 a 67 RC.
Diagrama TTT
Sabe
Diagrama TTT
◦O diagrama ao lado
corresponde a um aço
hipoeutetóide.
◦Observa-se uma nova curva
Fi; ela indica que na
Diagrama TTT
◦O diagrama ao lado
corresponde a um aço
hiperutetóide.
◦Observa-se uma nova curva
Ci que indica na
transformação da austenita,
forma-se inicialmente a
Diagrama TTT
Diagrama TTT
◦A figura indica um aço
contendo 0,42%C, 0,78%Mn, 1,79%Ni, 0,80%Cr e 0,38%Mo.
Note-se o efeito dos
Diagrama TTT
Diagrama TTT
Resfriamento Contínuo
◦ Na prática, a grande maioria das operações
de tratamento térmico aplicada nas ligas ferrosas, consiste em resfriamento contínuo.
◦ Desenvolveram-se os diagramas para
resfriamento contínuo, obtidos por
intermédio da mesma técnica utilizada no traçado das curvas isotérmicas, ou seja, em vez de detectar-se as estruturas obtidas por resfriamentos bruscos em vários níveis de temperaturas, os corpos de prova são
deixados resfriar continuamente e o
resfriamento é interrompido às temperaturas escolhidas. TEMPERA TURA ( ° C) 800 700 600 500 400 300 200 100
1 10 102 103 104 105
Diagrama TTT
Resfriamento Contínuo
As
Diagrama TTT
Resfriamento Contínuo
◦Abaixo do joelho ou cotovelo não existem curvas para resfriamento contínuo, não sendo possível, pelo menos para os aços-carbono, obter-se estrutura bainítica. Temper atu ra ( º C) Tempo (s) 700 600 500 400 300 200 100
1 10 102 103 104 105
M M M (início) (50%) (90%)
Diagrama TTT
Resfriamento Contínuo
Para
◦ aços liga como o 4340, é possível obter estrutura bainítica com resfriamento contínuo, como mostra o diagrama. TEM PERATU R A ( ° C) 800 700 600 500 400 300 200 100
1 10 102 103 104 105
TEMPO (s)
106
Austenita → Martensita
Austenita → Bainita Joelho da bainita Taxa de resfriamento crítico Temperatura eutetóide Austenita → Perlita
M M+B M+F
+B
M+F +P+B
Diagrama TTT
Resfriamento Contínuo
◦A estrutura martensítica é,
contudo, formada da mesma maneira que para resfriamento isotérmico.
◦As curvas superiores do
diagrama para resfriamento
contínuo assemelham-se às
curvas para resfriamento
Diagrama TTT
Efeito da Seção das Peças
Ao
◦ tratar-se termicamente peças metálicas, as condições ou velocidades de resfriamento são diferentes através de sua seção: obviamente, as camadas superficiais resfriam mais rapidamente, o contrário acontecendo com o seu núcleo.
Assim
Diagrama TTT
Fatores que Influem nas linhas em C
Da
◦ mesma maneira qua ocorre com as linhas de transformação ou zona crítica do diagrama de aquilíbrio Fe-C, a posição das linhas em C do diagrama de transformação isotérmica é influenciada por diversos fatores. Esses fatores são os seguintes:
◦ Composição química; ◦ Tamanho de grão;
Diagrama TTT
Fatores que Influem nas linhas em C
◦Composição química: O carbono e os elementos de liga tendem a deslocar as curvas em C para a direita, ou seja, retardar a transformação da austenita.
Diagrama TTT
Fatores que Influem nas linhas em C
◦Tamanho de grão: Admitindo-se dois grãos de
austenita de tamanhos diferentes e admitindo-se ainda que a transformação da austenita comece nos contornos dos grãos e ao mesmo tempo, é claro que no grão menor a transformação se completa em um tempo mais curto. O tamanho de grão, portanto, tende a deslocar as curvas em C para a direita.
◦Em princípio, se o tamanho de grão maior
Diagrama TTT
Fatores que Influem nas linhas em C
Homogeneidade
Diagrama TTT
Temperabilidade
◦Uma das primeiras conclusões que se
pode tirar do estudo das curvas
isotérmicas é que a obtenção da
Diagrama TTT
Temperabilidade
Geralmente,◦ entretanto, não basta que se tenha a formação da martesita, ou seja, endurecimento do aço, apenas superficialmente. É necessário que o endurecimento seja profundo ou total às várias profundidades abaixo da superfície.
Chama
◦ -se temperabilidade à capacidade do aço endurecer ou à profundidade de endurecimento.
Tratamentos Térmicos
◦ As ligas ferro-carbono, antes de serem
utilizadas na forma de peças, são, na maioria dos casos, principalmente quando aplicadas em construção mecânica, submetidas a tratamentos térmicos ou a tratamentos termoquímicos.
◦ No primeiro caso, visa-se modificar as
propriedades das ligas, sobretudo as
mecânicas, ou aliviar as tensões e restabelecer a estrutura cristalina normal.
◦ Os aços, dentre as ligas ferrosas, são os
Tratamentos Térmicos
Recozimento
Seus
◦ objetivos são os seguintes:
◦ Remover tensões devidas a tratamentos mecânicos;
◦ Diminuir a dureza;
◦ Aumentar a ductilidade;
◦ Regularizar a textura bruta de fusão; Eliminar
◦ o efeito de quais quer tratamentos
térmicos ou mecânicos a que o aço tenha sido submetido anteriormente.
Tratamentos Térmicos
Recozimento
No
◦ aquecimento para o recozimento, a
Tratamentos Térmicos
Recozimento
Tratamentos Térmicos
Recozimento
◦Outro tipo de recozimento é o para alivio de tensões, em que o aquecimento é feito a temperaturas abaixo da zona critica. Seu objetivo é apenas aliviar as tensões originadas em processos de conformação mecânica, soldagem, corte por chama, usinagem, etc.
◦A tabela apresenta alguns exemplos típicos de ciclos de
Tratamentos Térmicos
Recozimento
Finalmente
Tratamentos Térmicos
Recozimento
◦No caso dos ferros fundidos, o recozimento é aplicado quando se deseja:
◦ No ferro fundido branco, reduzir tensões e melhorar as propriedades mecânicas.
Tratamentos Térmicos
Normalização
◦ Os objetivos da
normalização são identicos aos do recozimento, com a diferença de que se procura obter uma granulação mais fina e, portanto, melhores propriedades mecánicas. As condições de aquecimento do material são identicas às
que ocorrem no
recozimento, porém o
resfriamento é mais rápido: ao ar. TEM PERATU R A ( ° C) 800 700 600 500 400 300 200 100
3 4 5
M M (início) (50%) (90%) TRC TTT M I II
I Recozimento pleno:
Perlita grosseira
II Normalização:
Perlita fina
Tratamentos Térmicos
Normalização
Tratamentos Térmicos
Normalização
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento
◦ O objetivo fundamental da têmpera das ligas ferro-carbono é obter uma estrutura martensítica, o que exige resfriamento
rápido, de modo a evitar-se a
transformação da austenita em seus produtos normais.
Em
◦ resumo: na têmpera, aquece-se o aço
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento
◦No resfriamento que se segue, a
estrutura será constituída de
martensita e dos mesmos carbonetos
secundários, os quais, possuindo
dureza elevada, não apresentam
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento
Admite
◦ -se que a martensita apresenta
uma estrutura tetragonal compacta, resultante de um movimento de átomos em planos específicos da austenita. Essa estrutura, além de estar supersaturada de carbono, pode apresentar particulas de carbonetos grandemente dispersas e caracteriza-se por estar em estado de
elevadas tensões; o reticulado da
martensita apresenta-se ainda
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento
◦O estado de altas tensões, a distorção do reticulado e a dureza extremamente elevada
da martensita constituem
inconvenientes que devem ser atenuados ou corrigidos. Para
isso, submete-se o aço
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento
◦ O revenido visa, portanto, corrigir os excessos da tempera ou, em particular, aliviar, senão eliminar totalmente, as tensões e corrigir a excessiva dureza e consequente fragilidade do material, melhorando sua ductilidade e resistência ao choque.
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento
Originam
◦ -se, conforme as faixas de aquecimento da martensita, trans-formações estruturais, as quais determinam as propriedades finais do material.
Tratamentos Térmicos
Tempera e Revenimento - Fofo
◦Objetivam, como no caso de aços, aumentar a resistência mecânica, a
dureza e a resistência ao desgaste.
◦O material é aquecido acima da zona crítica, a temperaturas e
durante tempos que dependem muito da composição do ferro fundido.
◦O resfriamento é realizado geralmente em óleo ou ao ar em ferros
fundidos cinzentos altamente ligados.
◦O revenido, após a têmpera, reduz a fragilidade, alivia as tensões,
Tratamentos Térmicos
Tempera Superficial
◦Essa operação tem por objetivo
produzir um endurecimento
superficial, pela obtenção de
martensita apenas na camada externa do aço.
◦É aplicado em peças que, pela sua
Tratamentos Térmicos
Tempera Superficial – Por chama
◦É um tratamento rápido que, além disso, não exige fornos de aquecimento.
Em
◦ função da fonte de aquecimento, a têmpera superficial compreende dois processos:
Tratamentos Térmicos
Tempera Superficial
–
Por chama
◦A superfície a ser endurecida é rapidamente aquecida à
Tratamentos Térmicos
Tempera Superficial
–
Por Indução
◦ O calor é gerado na própria peça por indução eletromagnética, utilizando-se, para isso, bobinas de indução através das quais flui uma corrente elétrica.
Pode
◦ -se controlar a profundidade de
aquecimento pela forma da bobina, espaço entre a bobina de indução e a peça, taxa de alimentação da força
elétrica, frequência e tempo de
Tratamentos Térmicos
Tratamentos Isotérmicos
◦O conhecimento dos diagramas de transformação isotérmica permitiu desenvolver novos tipos de tratamentos térmicos, visando um deles em particular, a obtenção da estrutura bainita.
◦Os dois tratamentos isotérmicos mais importantes são:
◦ Austêmpera;
Tratamentos Térmicos
Tratamentos Isotérmicos - Austêmpera
Consiste
◦ no aquecimento do aço a
temperaturas acima da crítica,
seguido de esfriamento rápido de modo a evitar a transformação da
austenita, até o nível de
temperaturas correspondentes à formação de bainita. O aço é mantido a essa temperatura o
tempo necessirio para que a
Tratamentos Térmicos
Tratamentos Isotérmicos - Austêmpera
◦A bainita é uma estrutura que, de um modo geral, substitui uma estrutura martensítica revenida.
Entre
Tratamentos Térmicos
Tratamentos Isotérmicos - Martêmpera
◦ Na mantémpera o objetivo é obter martensita,
como na têmpera. Entretanto, o tratamento difere da tempera comum, porque, ao atingir, no resfriamento, a lintua Mi de início de formação da martensita, o resfriamento é retardado, de modo a que esta se forme mais lentamente. O meio de
resfriamento deve ser mantido a uma
Tratamentos Térmicos
Tratamentos Isotérmicos - Martêmpera
◦A formação da martensita se dá
de modo uniforme através de toda a seção da peça e evita-se o aparecimento de quantidade excessiva de tensões internas.
◦O tratamento de martêmpera
diminui o risco de
empenamento das peças
durante o tratamento.
◦As propriedades de um aço
martemperado e revenido são
idénticas às de um aço