TEMPO DE PRÁTICA DE CORRIDA DE RUA E ALTERAÇÕES NA SENSIBILIDADE PLANTAR EM ATLETAS AMADORES
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(2) RELAÇÃO ENTRE O TEMPO DE PRÁTICA DE CORRIDA DE RUA E ALTERAÇÕES NA SENSIBILIDADE PLANTAR EM ATLETAS AMADORES. 1. INTRODUÇÃO A corrida de rua tem ganhado novos adeptos a cada dia devido a facilidade de ser praticada, o baixo custo envolvido e os inúmeros benefícios que esta oferece, como melhoria da aptidão física/pessoal e dos níveis glicêmicos, redução dos riscos de doenças crônicas, aumento do percentual de massa magra e redução da pressão arterial pós-exercício (HASKELL, LEE et al. 2007). Segundo o Ministério do Esporte (2013), 5 milhões de pessoas praticam corrida de rua regularmente no Brasil. De modo proporcional há, um ascendente número de lesões de membros inferiores que em corredores, tais como, a fascite plantar, síndromes de fricção do trato iliotibial e patelofemural, estresse tibial, lesões de menisco, entorses de tornozelo, câimbras, tendinopatias (LOPES, HESPANHOL JUNIOR et al. 2012). Durante a corrida os tecidos moles e as articulações experimentam uma grande força de impacto através de cargas que se repetem e acumulam. Aliada a outros fatores como má postura, calçado inadequado, falta de técnica ou de força muscular principalmente dos músculos estabilizadores, os impactos repetidos podem causar uma alteração na mecânica dos tecidos plantares, afetando negativamente a sensibilidade plantar, com redução ou perda, pelo atrito constante de mecanorreceptores, acometendo a condição proprioceptiva do pé (VAN DER WORP, TEN HAAF et al. 2015). Uma variação desta integração sensorial que dá respostas aos estímulos táteis significa perda de um mecanismo protetor. As consequências estão ligadas a dificuldade na percepção das mudanças em um ambiente, comprometendo o controle postural, o padrão de marcha nas articulações do joelho e quadril, modificações no contato com o solo e dos movimentos envolvidos, além de afetar a absorção de impactos (EILS, BEHRENS et al. 2004). Considerando que o impacto repetido é uma condição que pode aumentar o estresse mecânico nos tecidos plantares, o objetivo do presente estudo foi investigar se há relação entre o tempo de prática de corrida de rua e a sensibilidade plantar..
(3) 2. METODOLOGIA Foram avaliados 37 corredores de rua com média (desvio padrão) de idade de 37 (11) anos, através do Programa de Avaliação do Condicionamento físico e Treinamento Orientado à Competição (P.A.C.T.O.) desenvolvido pelo Grupo de pesquisa em Neuromecânica Aplicada (GNAP) da Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana. Os participantes foram divididos em dois grupos: grupo A ± aqueles que treinam há menos de 24 meses (n= 16) e grupo B ± aqueles que treinam há mais de 24 meses (n=21). Para verificação da sensibilidade cutânea na planta dos pés dos participantes foram utilizados estesiômetros (SORRI Bauru Semmes-Weistein Monofilaments). Somente o membro direito foi considerado para fins de análise e comparação, uma vez que assimetrias entre os pés não foram observadas. Através do teste t independente, considerando um nível de significância de 0,05, foram comparadas as regiões do pé avaliadas: hálux, mediopé, retropé e dorso. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Diferenças significativas foram encontradas nas regiões do mediopé (p=0,022) e dorso (p= 0,012). As demais regiões não obtiveram diferenças significativas: hálux (p=0,194) e retropé (p=0,638). Foi possível constatar que em ambas as regiões a menor sensibilidade foi observada no grupo de corredores treinados há mais de 24 meses. Isso pode ser justificado pela sobrecarga que estes corredores suportam ao longo do tempo de treinamento, fazendo certas adaptações para compensar os fortes impactos gerados principalmente por um aumento na intensidade do exercício e ocasionando traumas cumulativos. Os ossos do pé formam três arcos: longitudinal medial, longitudinal lateral e transverso. Esses arcos são sustentados por ligamentos e pela fáscia plantar. A fáscia por sua vez é uma lâmina de tecido conjuntivo fibroso, constituída principalmente de colágeno e elastina e cria condições funcionais adequadas para cada segmento. Através de faixas interligadas, a fáscia envolve a superfície plantar do pé, reforçando o apoio do arco longitudinal. Durante a sustentação do peso há armazenamento de energia mecânica nos tendões, ligamentos e na fáscia plantar. Quando os arcos se deformam essa energia é utilizada para força de impulsão, quando o pé empurra o solo. Ao ser lesada a fáscia se torna tensa, levando a uma restrição tecidual (SCHWARTZ and SU 2014). A.
(4) fáscia plantar acaba sendo a principal responsável pela alteração da sensibilidade plantar do mediopé devido a sua localização e estrutura anatômico-funcional. No caso do dorso do pé, este é um local de grande concentração de tendões, nervos e músculos, que juntamente com a altura do arco plantar, desempenham papel fundamental no amortecimento e na distribuição das cargas. Frequentemente, lesões que atingem esta área, como as tendinites, são resultantes de um esforço repetitivo, como é possível sugerir no caso de praticantes de corrida a longos períodos (KINDRED, TRUBEY et al. 2011). Por isso há maior pré-disposição, em corredores que treinam a mais tempo, da redução da sensibilidade plantar nesses locais. Nesses participantes, pode ser interessante a aplicação de uma nova técnica de manipulação tecidual, que busca restaurar o comprimento ótimo e a função da fáscia, chamada de liberação miofascial (AJIMSHA, AL-MUDAHKA et al. 2015). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Praticantes de corrida há mais de 24 meses podem apresentar redução da sensibilidade do dorso plantar e mediopé. Esta condição deve considerada por treinadores e fisioterapeutas, já que a perda da sensibilidade está associada ao desencadeamento de outras lesões como, por exemplo, a fascite plantar. 5. REFERÊNCIAS AJIMSHA, M. S., N. R. AL-MUDAHKA. Effectiveness of myofascial release: systematic review of randomized controlled trials. J Bodyw Mov Ther, v.19, n.1, p. 102-112, 2015.. ELIS, E., S. BEHRENS. Reduced plantar sensation causes a cautious walking pattern. Gait Posture, v. 20, n.1, p. 54-60, 2004.. HASKELL, W. L., I. M. LEE. Physical activity and public health: updated recommendation for adults from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Med Sci Sports Exerc, v. 39, n. 8, p. 1423-1434, 2007..
(5) KINDRED, J., C. TRUBEY. Foot injuries in runners. Curr Sports Med Rep, v. 10, n. 5, p. 249-254, 2011.. LOPES, A. D., L. C. HESPANHOL JUNIOR. What are the main running-related musculoskeletal injuries? A Systematic Review. Sports Med, v. 42, n. 10, p. 891-905, 2012.. SCHWARTZ, E. N. and J. Su. Plantar fasciitis: a concise review. Perm J, v. 18, n. 1, p.105-107, 2014.. VAN DER WORP, M. P., D. S. TEEN HAAF. Injuries in runners; a systematic review on risk factors and sex differences. PLoS One, v. 10, n. 2, 2015..
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