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Análise da prece em mulheres cuidadoras de idosos com doença de Alzheimer

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ANÁLISE DA PRECE EM MULHERES CUIDADORAS

ANÁLISE DA PRECE EM MULHERES CUIDADORAS

DE IDOSOS COM DOENÇA DE ALZHEIMER

DE IDOSOS COM DOENÇA DE ALZHEIMER

Prayer analysis in female caregivers of elderly with Alzheimer's disease

Análisis de la Oración en las mujeres cuidadoras de ancianos con la enfermedad de Alzheimer

Juliana F. Cecato – Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) e Centro Universitário

Salesiano de São Paulo (Unisal)

Flávia O. Aramaki – Faculdade de Medicina de Jundiaí

Alana V. B. Castelani – Faculdade de Medicina de Jundiaí

Tainara H. Soler – Faculdade de Medicina de Jundiaí

José Eduardo Martinelli – Faculdade de Medicina de Jundiaí

Endereço para contato

E-mail: [email protected]

 

Juliana Francisca Cecato Graduação em Psicologia (FAJ), Especialista em Psicopedagogia (FAJ) e Mestrado em Ciências da Saúde (FMJ). Atualmente, é psicóloga colaboradora do Instituto de Geriatria e Gerontologia de Jundiaí e do Ambulatório de Geriatria da FMJ. Professora colaboradora da Pós-graduação em Geriatria, do curso de Cuidadores de Idosos da FMJ e Gerontologia da FMJ e da disciplina de Geriatria e Gerontologia da FMJ, departamento de clínica médica.

Flávia Ogava Aramaki Graduação em Gerontologia (EACH-USP), Especialista em Reabilitação Cognitiva (USP), Mestranda em Ciências da Saúde (FMJ). Atualmente, faz Reabilitação Cognitiva em idosos com a Doença de Alzheimer e é professora do Curso de Cuidador de Idosos na Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). Professora colaboradora da Pós-graduação em Geriatria e Gerontologia da FMJ.

Alana Castelani Estudante de Medicina da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Tainara H. Soler Estudante de Medicina da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

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Resumo

Poucos estudos retratam o papel da espiritualidade como recurso para cuidadoras de idosos. Objetivos: descrever a importância das orações para cuidadoras de idosos com doença de Alzheimer. Métodos: Estudo de corte transversal, com 34 mulheres cuidadoras de idosos com doença de Alzheimer em estágio avançado, com escolaridade entre ensino fundamental a superior, idades variando entre 22 a 62 anos. Foi elaborado um questionário que aborda aspectos: afetivo, emocional e espiritual/religioso. Resultados: 100% das participantes afirmaram que fazem orações. Do total de participantes, 79,4% (27 pessoas) responderam que fazem orações diariamente. Observam-se correlações significativas moderadas e positivas entre a “frequência da prece” e “fé remediadora” (r=0,40; p=0,022) e “frequência de prece” e “fé discutida com profissional da saúde” (r=0,49; p=0,004). Conclusão: Pode-se concluir que as orações e/ou preces estão presentes no cotidiano das cuidadoras, contudo são necessárias mais pesquisas que abordem esse tema, com um número maior de participantes.

Palavras chave: oração; espiritualidade, cuidadores.

Abstract

Few studies portray the role of spirituality as a resource for caregivers of elderly. Objectives: To describe the importance of prayers for caregivers of elderly with Alzheimer's disease. Methods: Cross-sectional study with 34 women caregivers of elderly with Alzheimer's disease at an advanced stage, with education from primary to higher school, with ages from 22 to 62 years old. A questionnaire was developed containing information about affective, emotional and spiritual/religious was asked. Results: 100% subjects said they do prayer or prayers. 79.4% answered that they do daily prayers. Observed moderate positive and significant correlations between "frequency of prayer” and "remedial faith" (r=0,40;

p=0,022) and "Frequency of prayer" and "faith discussed with a health professional" (r= 0,49; p=0,004). Conclusion: It can be concluded that the prayers are present in the daily lives of caregivers, but more research is needed to address this issue, with a larger number of participants.

Key-words: pray; spirituality, caregivers.

Resumen

Pocos estudios retratan el papel de la espiritualidad como un recurso para los cuidadores de los ancianos. Objetivos: describir la importancia de la oración para los cuidadores de personas mayores con enfermedad de Alzheimer. Métodos: Estudio transversal, con 34 mujeres cuidadores de ancianos con enfermedad de Alzheimer en una etapa avanzada, con la educación que van desde la educación primaria, secundaria y superior, de edades comprendidas entre 22-62 años. Se diseñó un cuestionario que aborda aspectos: afectivo, emocional y espiritual / religiosa. Resultados: 100% de los participantes dijo que hacen la oración o la oración. De todos los participantes, el 79,4% (27 personas), dijo que ofrecen oraciones a diario. Se observó una correlación significativa moderadas y positivas entre la "frecuencia de la oración" y "fe correctivas" (r=0,40; p=0,022) y la "frecuencia de la oración" y "fe discutido con un profesional de la salud" (r=0 49; p=0,004). Conclusión: Se puede concluir que las oraciones y / o oraciones están presentes en la vida cotidiana de los cuidadores, pero se necesita más investigación para abordar esta cuestión, con un mayor número de participantes.

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Introdução

O envelhecimento é um processo amplamente estudado em todo o mundo (Neri,

2007; Quinn, 2008) principalmente pelos desafios que envolvem a terceira idade para as

políticas públicas (Ferreira, César, Camargos, Lima-Costa & Proietti, 2009;

Oliveira-Campos, Cerqueira & Rodrigues Neto, 2011). Um desses desafios para os programas

de saúde são aqueles que envolvem a terminalidade, ou seja, os cuidados e

intervenções nos casos de doenças terminais onde o enfoque concerne o alívio do

sofrimento, tanto do paciente quando de seus familiares (Burlá & Azevedo, 2011;

Guimarães & Avezum, 2007; Oliveira & Pessini, 2011).

Doença terminal é definida quando ocorre falência do tratamento, a doença

evolui de forma progressiva e inversamente proporcional à condição clínica e

capacidade funcional do paciente. Chega-se a um período no qual a morte é inevitável e

uma cadeia de sinais e sintomas anunciam sua proximidade (Guimarães & Avezum,

2007; Oliveira & Pessini, 2011). As síndromes neurodegenerativas, como por exemplo

a doença de Alzheimer, em fases avançadas, podem ser consideradas como um dos

exemplos de doenças terminais (Santos, Giacomin, Pereira & Firmo, 2013), e a área

médica que lida com pacientes com doenças terminais é denominada de Cuidados

Paliativos (Burlá & Azevedo, 2011).

Pela falta de alternativas médicas quando o fim é inevitável, a espiritualidade

se torna fundamental. Estudos recentes abordam o papel da espiritualidade, crenças

e preces como forma de tratamento em casos de um prognóstico negativo (Almeida,

Koenig & Lotufo Neto, 2006; Burlá & Azevedo, 2011; Dalgalarrondo, 2006; Faria &

Seidl, 2005; Guimarães & Avezum, 2007; Naghi, Philip, Phan, Cleenewerck &

(4)

Travado, Grassi, Martinss, Ventura & Bairradas, 2010) . A crença em uma entidade

superior está presente no conceito de 90% dos brasileiros (Almeida, Koenig & Lotufo

Neto, 2006; Peres, Arantes, Lessa & Caous, 2007). Nesse sentido, as recentes

pesquisas apontam que para enfermidades crônicas, incuráveis e com mal

prognóstico pacientes e familiares recorrem a métodos alternativos que

complementam o tratamento médico. O simples fato de acreditar em um ser

superior e fazer orações (ou preces) é cientificamente eficiente para o melhor

enfrentamento da condição de doença terminal (Naghi, Philip, Phan, Cleenewerck &

Schwarz, 2012).

Para muitos pacientes, a religião pode ser influenciadora na tomada de decisão

no tratamento de escolha (Salgueiro & Goldim, 2007). Em situações que o paciente

apresente doença terminal a espiritualidade se manifesta como aspecto primordial, onde

os pacientes busca o significado de sua existência, de vida e de morte, e a

religião é o meio encontrado para a expressão de todo o seu significado

(Angerami-Cameron, 2004; Cecato, Aramaki, Souza, Montiel, Bartholomeu & Martinelli, 2013).

A prece ou a oração são conceitos religiosos que asseguram o ritual de uma

doutrina religiosa (Reesink, 2009). A oração, dentre suas finalidades, é também

considerada como um meio de comunicação, uma “conversa”, entre o paciente e os

entes já falecidos, ou entre o paciente e uma divindade.

Nesse contexto, a prece tem como função reafirmar o significado de vida, o

conforto para suas angústias e sofrimento, se tornando ferramenta crucial para o

enfrentamento de situações negativas e adversas (Cecato, Aramaki, Souza, Montiel,

Bartholomeu & Martinelli, 2013; Reesink, 2009). Tendo como foco o papel da

espiritualidade e religiosidade durante o processo de envelhecimento, o sofrimento

(5)

idoso arremeter a ideia que estão próximos do final da vida, esta pesquisa teve como

objetivo descrever a importância das orações para cuidadoras de idosos com doença

de Alzheimer.

Método

Pesquisa de caráter corte transversal, com 34 mulheres, com escolaridade

variando entre ensino fundamental (1 a 8 anos), ensino médio e superior completo ou

incompleto), com idades variando entre 22 a 62 anos. Todas as participantes

frequentavam um curso de cuidadores de idosos no município de Jundiaí, e cuidavam de

idosos com diagnóstico de doença de Alzheimer em estágio avançado. O trabalho

principal dessas mulheres era a ocupação de cuidador de idosos, ou seja, trabalhavam

cuidando de pacientes com doença terminal.

Foi elaborado um questionário que aborda os seguintes aspectos: afetivo,

emocional e espiritual/religioso. O questionário possui 17 perguntas, das quais 12

questões eram de múltipla escolha e avaliam sintomas emocionais, ajuda no cuidado,

profissionais da área da saúde que auxilia o cuidador e sobre aspectos espirituais

e religiosos. As demais perguntas (5 questões) eram perguntas discursivas onde a

participante poderia descrever seus sentimentos, sugestões e opiniões em relação ao

tema finitude (morte), o que mais precisa no momento do luto e sobre experiências

espirituais (caso tivessem passado por alguma).

Também foi aplicado a Escala de Zarit Reduzida (Gort, March, Gomez, Miguel,

Mazarico & Ballesté, 2005), que possui 7 questões e corresponde a uma escala Likert,

com os escores variando de 1 a 5. A pontuação final consiste na somatória das

(6)

indica sobrecarga leve, entre 15 a 21 pontos sobrecarga moderada e acima de 22 pontos

indica sobrecarga grave (Gort, March, Gomez, Miguel, Mazarico & Ballesté, 2005).

A Escala de Depressão Geriátrica (EDG) (Yesavage et al., 1983) foi aplicada

com a finalidade de encontrar possíveis sintomas depressivos nas participantes. A EDG

é uma escala que avalia sintomas depressivos, possui 15 perguntas e a pontuação

corresponde a somatória das perguntas. Os possíveis escores para a EDG são:

inferior a 5 pontos não indica sintoma depressivo; 6 a 10 pontos indica sintoma

leve a moderado; e ≥ 11 pontos indica sintoma depressivo grave (Yesavage et al., 1983).

Análises Estatísticas

Para a apreciação dos resultados, foi utilizado o programa estatístico SPSS 15.0

(2007) onde foram tomadas análises descritivas das variáveis idade, gênero,

escolaridade, estado civil, crença em uma entidade superior e frequência de

orações. As variáveis foram descritas por meio de frequências, porcentagens e médias

com desvio padrão. A verificação da distribuição foi verificada por meio do teste

estatístico de Kolmogorov-Smirnov (KS) com o intuito de aferir se a amostra representa

uma distribuição paramétrica ou não-paramétrica, estabelecendo-se um nível de

significância de 5%. Utilizou-se o coeficiente de correlação bilateral de Spearman

(r) a fim de correlacionar as variáveis, EDG, idade, Escala de Zarit, fé e frequência

(7)

Resultados

Os resultados apontaram para 100% (n=34) da amostra foi composta por

participantes do sexo feminino, com uma média de idade igual a 44,91 anos

(mínimo=22; máximo=70; desvio padrão [dp]=10,40). Em relação ao estado civil

45,5% são casadas, 30,3% solteiras, separadas ou divorciadas corresponde a 21,2%

da amostra e apenas 3% são viúvas.

Tabela 1

Porcentagem das participantes em relação a frequência do estado civil e do trabalho como cuidadoras

Frequência N Porcentagem Porcentagem válida

Porcentagem acumulada

Casados 15 45,5 45,5 45,5 Solteiros 10 30,3 30,3 75,8 Divorciados/separados 7 21,2 21,2 97,0 Viúvos 1 3,0 3,0 100,0

Total 33 100,0 Total

Diário 23 67,6 67,6 67,6 4 a 6 dias por semana 9 26,5 26,5 94,1 1 a 3 vezes por semana 2 5,9 5,9 100,0

Total 34 100,0 100,0

Quanto a escolaridade, verificou-se que 2 participantes (5,9%) tinham de 1 a 4

anos de estudo, 6 (17,6%) entre 5 a 8 anos e a grande maioria possui alta escolaridade,

sendo 26 mulheres (76,5%) com escolaridade ≥ 9 anos. No que concerne as questões

sobre os aspectos religiosos, 100% das mulheres responderam que têm fé, sendo

que 81,8% (27 participantes) relataram já terem sentido ou vivenciado alguma

experiência onde a Fé as ajudou, de alguma maneira, a superar ou enfrentar

situações difíceis ou de grande desamparo emocional. As cuidadoras que descreveram

que “às vezes” sentem alguma experiência com a fé foi igual a 12,12% e apenas 6,08%

(8)

Considerando a frequência do trabalho realizado pelas cuidadoras (Tabela 1)

67,6% (23 participantes) relataram ter um trabalho diário, 26,5% (9 participantes)

trabalham cuidando de outra pessoa de 4 a 6 dias por semana e apenas 5,9% (2

participantes) trabalham em torno de 1 a 3 vezes na semana. Vale ressaltar que essas

pessoas que frequentam o curso de cuidadores são cuidadoras familiares primárias e

secundárias, ou seja, cuidam apenas de seus familiares. 100% das participantes

afirmaram que fazem prece ou orações.

Do total de participantes, 79,4% (27 pessoas) responderam que fazem orações

diariamente, 17,6% (16 pessoas) relataram que oram de 1 a 3 (8,8%) e de 4 a 6 (8,8%)

vezes por semana, e apenas 2,9% (1 pessoa) recorre as orações somente quando

está passando por uma situação difícil, como pode ser observado na Tabela 2.

Tabela 2

Porcentagem das participantes em relação a frequência de orações

Frequência da prece N Porcentagem Porcentagem válida Porcentagem acumulada

Raramente (quando está em

uma situação difícil) 1 2,9 2,9 2,9

1 a 3 vezes por semana 3 8,8 8,8 11,8

4 a 6 vezes por semana 3 8,8 8,8 20,6

Diariamente 27 79,4 79,4 100,0

Total 34 100,0 100,0

Além disso, uma das questões perguntava se a pessoa “Acredita que a prece tem

função remediadora? Funcionando como única salvação?”, e observa-se que 58,8%

(20 participantes) responderam afirmativamente, que consideram a prece como função

(9)

necessidade do profissional de saúde trabalhar a espiritualidade tanto com a família

quanto com os pacientes com doença terminal.

Tabela 3

Porcentagem das participantes em relação as respostas de duas perguntas do questionário

Variáveis N Porcentagem Porcentagem válida Porcentagem acumulada

Acredita que a prece tem função remediadora? Funcionando como única

salvação?

Sim 20 58,8 60,6 60,6

Não 13 38,2 39,4 100,0

Acredita ser importante o profissional de saúde trabalhar a espiritualidade com

você e com o paciente?

Sim 27 79,4 79,4 79,4

Não 7 20,6 20,6 100,0

Realizou-se, ainda, uma análise de correlação (Tabela 4) a fim de verificar a

relação entre as escalas, Zarit e EDG, e também com a variável idade, escolaridade,

“frequência do trabalho”, “fé remediadora”, “frequência de prece” e “fé discutida por

profissionais de saúde”. Verifica-se coeficiente de correlação estatisticamente

significativo entre algumas variáveis, das quais pode-se conferir um coeficiente

moderado e negativo entre idade e escolaridade (r=-0,40; p=0,021) e entre a escala

de Zarit e a “fé discutida por profissionais de saúde” (r=-0,46; p=0,008). Observa-se

correlações significativas moderadas e positivas entre a “frequência da prece” e “fé

remediadora” (r=0,40; p=0,022) e “frequência de prece” e “fé discutida com

profissional da saúde” (r=0,49; p=0,004). Com este dado pode-se inferir que

quanto mais se acredita na oração como remédio, maior será a frequência que as

(10)

Tabela 4

Coeficiente de Correlação de Spearman entre EDG, Escala de Zarit, Idade escolaridade, “frequência do trabalho”, “fé remediadora”, “frequência de prece” e

“fé discutida por profissionais de saúde”. r=Correlação de Spearman; p=x2.

Por fim, a Tabela 5 apresenta alguns relatos das participantes durante a aplicação do questionário. Observa-se nos relatos 1, 2, 3 e 4 a importância que a fé, sendo observado nos relatos 1 e 2 como uma visão positiva durante as situações ruins. O 3º relato trás a fala de uma mulher de 56 anos que descreve a fé como “a base para o suporte, para o equilíbrio emocional”. No 5º relato, a participante de 48 anos descreve o que sente em relação a fazer orações. De acordo com sua fala, pode-se observar que é o momento de conversa com Deus. Verifica-se ainda que a participante recorre a orações quando passa por um momento difícil.

Tabela 5

Relatos de prece e oração das participantes no questionário aplicado Variáveis Frequencia do trabalho Escolaridade

remediadora

Frequência

da prece ZARIT EDG Idade r p 0,664 0,07 0,021 -0,40 0,555 0,11 0,079 -0,31 0,877 0,03 0,324 0,18

Frequência da

prece r p 0,952 -0,01 0,683 0,07 0,022 0,40 - 0,891 -0,03 0,968 -0,01

Fé discutida por profissional

de saúde

r -0,15 -0,08 -0,28 0,49 -0,46 -0,25

p 0,385 0,652 0,111 0,004 0,008 0,169

Relatos Participante Idade Descrição

1º relato M.M.M., sexo feminino, 5 a 8

anos

31 “Fé é um conhecimento e a certeza

de algo mais e além da matéria. Fé é o que da sentido a vida, o que motiva,

nasce como um sentimento, é alimentada com conhecimento e para

cada um é de um jeito.”

2º relato S.R.S., sexo feminino, > 9 anos de estudo

43 “Ver resultados positivos ainda

que as

circunstancias sejam difíceis, embaraçosas e tristes. Esperança que algo de bom vai

(11)

Tabela 5

continuação

 

Discussão

Retomando o objetivo deste estudo, buscou-se descrever a importância das

orações para cuidadoras de idosos com doença de Alzheimer. Pode-se observar com os

resultados que todas as cuidadoras acreditavam na fé e recorriam as orações durante o

trabalho de cuidar. Esse dado corrobora com os achados das pesquisas de Cecato,

Aramaki, Souza, Montiel, Bartholomeu & Martinelli (2013) e Santos, Giacomin Pereira

& Firmo (2013) onde discorrem sobre a importância da fé.

Estudos recentes têm procurado abordar a relação entre espiritualidade e saúde

(Naghi, Philip, Phan, Cleenewerck & Schwarz, 2012; Oliveira & Pessini, 2011;

Travado, Grassi, Gil, Martins, Ventura & Bairradas, 2010; Santos, Giacomin, Pereira

Relatos Participante Idade Descrição

3º relato R.M.P. , sexo feminino, 5 a 8 anos de estudo

51 “Fé é pensar positivo, agir

positivamente, fazer as escolhas certas, colaborar para que a fé possa se

manifestar de forma a mudar as coisas.’’

4º relato M.N.P.M., sexo Feminino, > 9 anos de estudo

56 “Fé para mim é tudo, a base para

o suporte, para equilíbrio emocional”

5º relato M.S., sexo feminino, > 9 anos de estudo

48 “Oração é um meio de graça que Deus

nos dá para falar com Ele. Quando meu filho estava em estado grave no hospital, eu deitei no chão do hospital e chorando pedi para o Senhor

Jesus que curasse ele. E o Senhor ouviu minhas preces; naquele mesmo

(12)

& Firmo, 2013), contudo, essas pesquisas retratam evidências sobre a fé em pacientes

com doença terminal.

É notório a falta de estudos onde se relacionam as crenças religiosas e os

cuidadores de pacientes com doença terminal. Muitos estudos que existem atualmente

com ênfase nos cuidadores de idosos objetivam o estresse e a síndrome do esgotamento

físico e emocional (Síndrome de Burnout), mas não descrevem os aspectos de sua

espiritualidade.

Pode-se inferir que as pesquisas de Naghi, Philip, Phan, Cleenewerck &

Schwarz (2012), Oliveira & Pessini (2011), Travado, Grassi, Gil, Martins, Ventura &

Bairradas (2010) e Santos, Giacomin, Pereira & Firmo (2013) argumentam sobre as

crenças religiosas, a espiritualidade, acreditar em uma divindade, as preces ou

orações e as “conversas” com uma entidade superior, contribuem com o cuidado

paliativo (tratamento com ênfase no paciente com doença terminal e sua família) e

aliviam o sofrimento tanto do paciente quanto das pessoas envolvidas com esta situação

de terminalidade.

Os resultados apontaram com veemência a prece como recurso fundamental para

o enfrentamento de situação de crise e angústias, o que pode ser também

observado na tabela 5, por meio de relatos das participantes. Nesse sentido, o trabalho

de Jotz (2008) apoiam os resultados desta pesquisa, onde também afirmaram que a

oração é o meio de comunicação e um elo com Deus, e essa ligação fortalece

emocionalmente e fisicamente as pessoas.

Com relação as orações, pode-se constatar que 100% das nossas

participantes fazem orações e mais de 79% oram todos os dias. Este dado está de acordo

com a pesquisa ilustrada por Lo et al. (2002), onde encontraram uma alta frequência em

(13)

Conclusão

A oração parece estar fortemente na vida cotidiana das pessoas. Podemos

observar sua prática com certa frequência nas novelas e até mesmo em jogos onde os

atletas recorrem a prece antes das partidas. É comum o idoso com doença de

Alzheimer esquecer fatos recentes, não lembrar nomes dos filhos ou até mesmo dos

cônjuges, mas a oração que lhe foi ensinada na infância é evocada com certa

naturalidade. Se a maioria das pessoas recorre a essa prática milenar de “conversa” com

uma entidade superior, nós profissionais da área da saúde, que trabalhamos com

pacientes terminais e suas famílias, temos por obrigação avaliar e enfatizar a

importância das orações perante os nossos pacientes. São poucos os trabalhos sobre

temas como espiritualidade e fé em nosso meio. Por essa razão, esta pesquisa apresenta

como caráter inovador ao descrever a espiritualidade, por meio de orações, das

cuidadoras de idosos com doença de Alzheimer. Contudo, a pesquisa apresenta

limitações, sendo necessárias um número maior de participantes, e avaliar a importância

das orações para participantes do sexo masculino, dado ausente neste estudo. Pode-se

concluir que as orações e/ou preces estão presentes no cotidiano das cuidadoras de

idosos, contudo são necessárias mais pesquisas que abordem esse tema, com um

número maior de participantes.

Referências

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Submissão: 22/01/15 Última revisão: 22/05/15

Referencias

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