O parque da cidade: requalificação urbana para o rio tubarão, SC – análises e oportunidades
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(3) Helen Costa Pereira. O PARQUE DA CIDADE: REQUALIFICAÇÃO URBANA PARA O RIO TUBARÃO, SC – ANÁLISES E OPORTUNIDADES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção de título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.. ORIENTADOR: Prof. Dr. Carlos Leite. São Paulo 2016.
(4) P436p Pereira, Helen Costa. O parque da cidade: requalificação urbana para o rio tubarão, SC – análises e oportunidades / Helen Costa Pereira - 2017. 210 f. : il. ; 30 cm. Dissertação (mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2017. Bibliografia: f. 171 – 178. 1. Orla Fluvial. 2. Rios urbanos. 3. Parques lineares. 4. Requalificação urbana. I. Título. CDD 711.4 .
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(9) Para Mario, Sonia, Rivelino e Bruno.
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(11) AGRADECIMENTOS Dedico a todos que me apoiaram ao longo dessa jornada, família e amigos queridos. Aos meus pais, Rivelino e Sônia que se dedicaram a minha educação e sempre me incentivaram na busca do conhecimento. Ao meu irmão, Bruno, pelas contribuições nas pesquisas de campo. A minha amiga Michelle por toda atenção e ajuda na descoberta do caminho para chegar ao tema, mas principalmente por despertar em mim a paixão pelo urbanismo e pela pesquisa. Ao meu esposo, Mario, por me fazer acreditar na minha força e pelo amor que me conforta nos momentos difíceis da caminhada. Ao professor Carlos Leite, pela orientação e estímulo em fazer acreditar que por meio do nosso trabalho como planejadores podemos fazer a diferença para as cidades e à sociedade..
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(13) RESUMO Sob a ótica do desenvolvimento sustentável nas cidades contemporâneas resgatar a desejável dimensão cidade águas, a pesquisa enfoca as possibilidades de resgate do Rio Tubarão, Santa Catarina, por meio do lançamento de diretrizes para implantação de um parque linear em sua extensão urbana, na dimensão da urbanidade da cidade: um grande espaço de potenciais ambiental público que perdeu sua conexão com a cidade mesmo sendo o elemento responsável pela sua formação e desenvolvimento histórico. A requalificação da orla fluvial, propiciando a sua apropriação para convívio e lazer, possibilita o resgate da importância do rio para a cidade. O trabalho se organiza em três partes capítulos que se complementam e integram: o Problema; a Demanda; o Desejo. O Problema traz as análises do Rio Tubarão na evolução urbana da cidade e apresenta seu contexto atual. A Demanda refere-se as abordagens típicas de nossas cidades no século 20, essencialmente, onde nossos rios urbanos foram esquecidos e renegados, as tendências atuais de reabilitação e trazendo referências de alguns casos exitosos de resgate da relação cidade águas, internacionais e brasileiros e as aproximações possíveis de problematização ao caso de Tubarão. O Desejo aponta as possibilidades atuais e futuras de reabilitação da orla fluvial do Rio Tubarão para concretizar o seu Parque da Cidade. Estudos de projetos referenciais estabelecem parâmetros base a fim de justificar a implantação de um parque linear às margens do rio. Busca-se também que esta pesquisa sirva de base para a criação de espaços que propiciem a humanização da cidade e interação urbana com o rio.. Palavras-chave: Orla Fluvial; Rios urbanos; Parques lineares; Requalificação urbana..
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(15) ABSTRACT From the perspective of sustainable development in contemporary cities rescue the desirable city water dimension the research focuses on the rescue possibilities of the Tubarão River, Santa Catarina, at the dimension of the city urbanity: a large area of public environmental potential who lost his connection to the city, even though being the element responsible for its formation and historical development. The redevelopment of the river waterfront, allowing its appropriation for socializing and recreation, enables the recovery of the importance of the river to the city. The work is organized in three parts-chapters that complement and integrate itselfes: The Problem; The Demand; The Desire. The Problem brings the analysis of Tubarão River in the urban evolution of the city and presents its current context. The demand refers to the typical erratic approaches of our cities in the 20th century, essentially, in which our urban rivers were forgotten and renegades, and the current rehabilitation trends, bringing some successful cases of recovery of the relationship between city and water, international and brazilian, and possible approaches to questioning the Tubarão case. The Desire shows the current and future possibilities of rehabilitation of the river shores of Tubarão River and its City Park. Studies of reference projects set parameters in order to justify the implementation of a linear park along the river. It also seeks that this research will serve as a basis for the creation of spaces that foster the humanization of the city and urban interaction with the river.. Key-words: River Waterfront; City Rivers; Linear Parks; Urban Requalification..
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(17) LISTA DE FIGURAS FIGURA 01 . PG 040 Rio Tubarão e principais sistemas hídricos componentes de sua Bacia Hidrográfica dentro do território da cidade de Tubarão, SC.. FIGURA 02 PG 043 Caminho percorrido pelos tropeiros conduzindo gado de Viamão (RS) para Sorocaba (SP). FIGURA 03 PG 044 Tropeiros descendo a Serra do Rio do Rastro. Óleo sobre Tela, Willy Zumblick, 1990. FIGURA 04 PG 045 Tubarão, 1786. Reprodução do Poço Grande do Rio Tubarão ou Paragem do São João. FIGURA 05. PG 046 Tubarão. Entrega de mercadorias na beira-rio.. FIGURA 06. PG 047 Tubarão, 1908. Ocupação junto da margem direita do rio.. FIGURA 06. PG 048 Distribuição das sesmarias ao longo do Rio Tubarão. FIGURA 07. PG 049 1º Ciclo da evolução urbana. 1774 até 1870.. FIGURA 08. PG 050 Tubarão, 1908. Oficinas dos trens.. FIGURA 09. PG 051 Tubarão, 1900. Os trilhos cortam o centro da cidade.. FIGURA 10 . PG 052 Tubarão, 1930. Casas às margens do Rio Tubarão, rua Beira-Rio. Atualmente Avenida Marechal Deodoro.. FIGURA 11 . PG 053 Tubarão, 1908. Vista da margem esquerda para a margem direita. Linha de ocupação junto ao Rio Tubarão.. FIGURA 12 . PG 053 1940, Rua Lauro Muller. Casarios, à direita da imagem, construídos imediatamente sobre o rio..
(18) FIGURA 13. PG 054 Traçado da Ferrovia Tereza Christina.. FIGURA 14. PG 056 2º Ciclo da evolução urbana. 1870 a 1950.. FIGURA 15. PG 057 1963, ocupação da margem esquerda.. FIGURA 16. PG 058 1938, construção da ponte Nereu Ramos.. FIGURA 17. PG 058 Inauguração da Ponte Nereu Ramos.. FIGURA 18. PG 058 Tubarão, 1953. Vista da margem esquerda do rio na área central.. FIGURA 19. PG 058 Ocupação da margem esquerda.. FIGURA 20. PG 059 Colégio Dehon.. FIGURA 21. PG 059 Tubarão, 1965. Ponte Pêncil, travessia para o Colégio Dehon.. FIGURA 22. PG 060 Tubarão, 1965. Ponte Pêncil, travessia para o Colégio Dehon.. FIGURA 23. PG 060 Tubarão, 1950. Às margens do Rio Tubarão os automóveis ocupam as ruas.. FIGURA 24 PG 061 Figura 25 – Configuração urbana após a remoção dos trilhos no centro da cidade. FIGURA 25. PG 061 Tubarão, 1970.. FIGURA 26. PG 061 Primeiros prédios da cidade.. FIGURA 27. PG 061 Espaço Público junto a orla do rio, margem esquerda.. FIGURA 28. PG 061 Praça do Chafariz, antigo porto da vila..
(19) FIGURA 29 . PG 061 Figura 30 - Tubarão, 1972. Construção dos muros de contenção nas margens do rio. FIGURA 30. PG 062 Tubarão, 1974. Enchente no centro da cidade.. FIGURA 31. PG 062 Tubarão, 1974. Trilhos destruídos após a enchente.. FIGURA 32. PG 063 Tubarão, 1981. Avenida Marechal Deodoro.. FIGURA 33. PG 064 3º Ciclo da evolução urbana. 1950 a 1981.. FIGURA 34. PG 065 Conjunto Histórico da Rua Lauro Müller.. FIGURA 35. PG 067 4º Ciclo da evolução urbana. 1981 até os dias atuais.. FIGURA 36. PG 068 Rio Tubarão, 2014. Vazamento de detritos do carvão nas águas do Tubarão.. FIGURA 37. PG 069 Localização Parque Ambiental Tractebel em relação a Tubarão, SC.. FIGURA 38. PG 070 Tubarão, 2015. Travessia do Rio Tubarão.. FIGURA 39. PG 072 Rio Tubarão visto da Ponte Orlando Francalacci.. FIGURA 40. PG 072 Margem esquerda.. FIGURA 41. PG 072 Muros e vegetação na orla, margem esquerda.. FIGURA 42. PG 073 Avenida Marechal Deodoro. Fachadas fechadas para o Rio Tubarão.. FIGURA 43 . PG 073 Margem direita vista a partir da margem esquerda. Edificações voltam-se de costas para o rio.. FIGURA 44. PG 073 Pontos comerciais da Avenida Marechal Deodoro.
(20) FIGURA 45. PG 073 Construção em área de risco, às margens do Rio Tubarão.. FIGURA 46. PG 075 Pontes Heriberto Hülse e Nereu Ramos.. FIGURA 47. PG 075 Ponte pênsil, vista da margem direita do rio.. FIGURA 48. PG 075 Uso Residencial junto à Avenida Getúlio Vargas.. FIGURA 49. PG 076 Uso comercial junto a Avenida Marechal Deodoro.. FIGURA 50. PG 078 Praça do Centenário.. FIGURA 51. PG 078 Praça Orlando Francalacci.. FIGURA 52. PG 079 Praça Orlando Francalacci.. FIGURA 53 PG 079 Praça 7 de setembro. Um dos poucos espaços públicos existentes na região central. FIGURA 54 . PG 079 Praça 7 de Setembro, fragmentada, cortada por ruas. Vista a partir da Avenida Marcolino Martins Cabral.. FIGURA 55. PG 079 Praça Tereza Christina. Ocupada por carros.. FIGURA 56 PG 079 Academia ao ar livre, Avenida José Acácio Moreira, Bairro Morrotes, margem esquerda. FIGURA 57. PG 081 Estacionamentos Rua Lauro Muller.. FIGURA 58. PG 081 Terminal rodoviário. Cercado de comércio ambulante e estacionamento.. FIGURA 59. PG 082 Avenida Marechal Deodoro. Margem do rio ocupada por estacionamento..
(21) FIGURA 60. PG 082 Condição dos passeios junto a orla.. FIGURA 61. PG 082 Rua João Manoel. Rua exclusiva de pedestres no centro da cidade.. FIGURA 62. PG 083 Terminal urbano da cidade. Ao fundo o Mercado Público Municipal.. FIGURA 63 . PG 084 Antiga estação de trens. Foi transformada e descaracterizada para ser transformada em terminal rodoviário na década de XX.. FIGURA 64. PG 084 Oficinas dos trens, Sede da Concessionária Ferrovia Tereza Cristina S/A.. FIGURA 65. PG 084 Conjunto de armazéns.. FIGURA 66 . PG 085 Universidade do Sul de Santa Catarina. Edificação de caráter histórico, na margem esquerda do Rio Tubarão. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 67 PG 085 Acesso a ponte pêncil a partir da margem esquerda. É um dos pontos de referência na cidade e de significado histórico. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016. FIGURA 68. PG 093 Paris, cheia de 1910.. FIGURA 69. PG 097 Evolução Urbana do Parque Dom Pedro II, São Paulo.. FIGURA 70. PG 104 Ocupação das Docklands.. FIGURA 71. PG 106 Docklands, área de implantação comparado a área central de Londres.. FIGURA 72. PG 107 Transporte urbano das Docklands, 1980 e 2000.. FIGURA 73. PG 107 Paris Plages.. FIGURA 74. PG 108 Projeto Les Berges de Seine..
(22) FIGURA 75. PG 108 Projeto para a margem direita, Rive Gauche.. FIGURA 76. PG 108 Áreas criadas às margens do Sena.. FIGURA 77. PG 109 Após a retirada das vias o córrego reapareceu na cidade.. FIGURA 78. PG 109 Ocupações a margem do Cheonggyecheon. FIGURA 79. PG 110 Projeto Parque Cheonggyecheon.. FIGURA 80. PG 110 Espaços de estar e lazer em meio a cidade.. FIGURA 81. PG 111 Apropriação do Cheoggyecheon pela população.. FIGURA 82. PG 111 South Platte River, Denver.. FIGURA 83. PG 113 Enchente 1870, Piracicaba-SP. FIGURA 84. PG 120 Área de parques integrados do rio Piracicaba. Fonte: IPLAAP, 2015. FIGURA 85 . PG 120 Parque do Trabalhador, continuidade da rua do Porto. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 86 . PG 121 Pista de Skate da Área do Trabalhador. Fonte: http://www.camarapiracicaba.sp.gov.br/paulo-henrique-quer-base-da-guarda- civil-ao-lado-de-pista-de-skate-28028. FIGURA 87 PG 121 Evento de skate no Parque do Trabalhador. Fonte: http://cemporcentoskate.uol.com.br/fiksperto/skate-fest-da-rheumatic-hard- core-session-agita-piracicaba FIGURA 88 . PG 121 Conjunto de casarios históricos na Rua do Porto. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016..
(23) FIGURA 89. PG 123 Restaurantes na margem esquerda do rio na Rua do Porto.. FIGURA 90. PG 123 Rua do Porto. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 91. PG 123 Passarela Estaiada vista da margem esquerda do rio.. FIGURA 92. PG 123 Casa do Povoador.. FIGURA 93. PG 123 Largo dos Pescadores.. FIGURA 94. PG 123 Parque João Herrmann Neto, caminhada a beira do lago.. FIGURA 95. PG 124 Parque João Herrmann Neto. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 96. PG 124 Teatro Erotídes de Campos.. FIGURA 97 . PG 124 Galpões que abrigarão o Museu do Açúcar e do Etanol. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 98. PG 125 Edificações Parque do Engenho.. FIGURA 99. PG 125 Acesso ao Parque do Engenho pela Ponte Pênsil na margem esquerda.. FIGURA 100. PG 125 Canal, Parque do Mirante.. FIGURA 101 . PG 125 Salto visto do Parque do Mirante. Ao fundo o novo Mirante de Piracicaba. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 102. PG 126 Parque do Mirante, vista do rio e da cidade.. FIGURA 103. PG 126 Trecho revitalizado da Avenida Renato Wagner. FIGURA 104. PG 127 Projeto trecho Avenida Renato Wagner. Passarelas para pedestres..
(24) FIGURA 105 . PG 127 Projeto trecho Avenida Renato Wagner. Decks sobre o rio. Fonte: Stuchi & Leite Projetos/IPPLAP, 2015.. FIGURA 106 . PG 127 Projeto trecho Avenida Renato Wagner. Em meio ao bosque está a Praça das águas. Fonte: Stuchi & Leite Projetos/IPPLAP, 2015.. FIGURA 107. PG 128 Projeto trecho Avenida Renato Wagner. Corte.. FIGURA 108. PG 133 Rio Sorocaba em meio a cidade.. FIGURA 109. PG 133 Localização Parque Metropolitano de Sorocaba. Fonte Google Maps.. FIGURA 110. PG 134 Usina Éttore Marangoni.. FIGURA 111. PG 136 Localização Jardim Botânico Irmãos Villas Boas. Fonte Google Maps.. FIGURA 112. PG 135 Jardim Botânico.. FIGURA 113. PG 135 Educação ambiental no Jardim Botânico.. FIGURA 114. PG 137 Localização do Parque das águas.. FIGURA 115. PG 135 Parque das águas, junto a Avenida Dom Aguirre.. FIGURA 116. PG 136 Cheia do Rio Sorocaba, 10 de março de 2016. FIGURA 117. PG 137 Parque das água, Passeios e ciclovia.. FIGURA 118. PG 139 Localização Parque Porto das águas.. FIGURA 119. PG 138 Área do futuro Parque Porto das Águas.. FIGURA 120. PG 138 Antigo Matadouro de Sorocaba..
(25) FIGURA 121. PG 141 Rio Tubarão visto a partir da margem direita.. FIGURA 122. PG 144 Obras de passeios junto a margem direita do rio. FIGURA 123. PG 145 Zoneamento/ Uso do Solo. Lei Complementar nº 87/2013 - Tubarão-SC.. FIGURA 124 PG 146 Diagrama - Cidades Dinâmicas. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016. FIGURA 125 . PG 147 Potencialidade de um rio para as cidades. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 126 . PG 148 Configuração das centralidades no perímetro urbano de Tubarão, SC. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 127 . PG 150 Caminhos até o rio, e o rio como caminho. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. FIGURA 128. PG 151 Circuito Turístico.. FIGURA 129. PG 153 Sistema integrado de parques lineares do Rio Tubarão, SC. FIGURA 130. PG 155 Trecho de Intervenção.. FIGURA 131 . PG 156 Intervenção nas margens direita e esquerda, na altura da Rua Lauro Muller e Mercado Público Municipal.. FIGURA 132. PG 156 Casarios da Rua Lauro Muller. Abertura de acesso e deck.. FIGURA 133. PG 156 Conexão do rio com o Mercado Público.. FIGURA 134. PG 158 Trecho de Intervenção: Poço Grande/Poço Fundo.
(26) FIGURA 135. PG 160 Trecho Poço Grande. Conexões físicas e visuais. Fonte: Google Earth,2016.. FIGURA 136. PG 162 Trecho de Intervenção: Irmoto Feuershuette.. FIGURA 137 . PG 161 Configuração atual e proposta para a orla do rio em faixas estreitas entre o leito e as vias.. FIGURA 138. PG 164 Trecho: Rio Morto..
(27) LISTA DE MAPAS MAPA 01 . PG 071 Área de Intervenção Urbana. Tubarão, SC. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 02 . PG 074 Transposição das margens, conexão entre bairros. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 03. PG 076 Predominância de uso. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 04. PG 077 Público versus privado. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 05. PG 080 Hierarquia Viária. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 06 . PG 080 Espaços Públicos X Áreas de Estacionamento. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 07. PG 083 Equipamentos Urbanos. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016.. MAPA 08. PG 086 Conflitos. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Autora, 2016..
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(29) SUMÁRIO 31. INTRODUÇÃO. 141. O DESEJO: O RESGATE DO RIO TUBARÃO. 37. O PROBLEMA: O RIO TUBARÃO. 143 146. CONSTRUINDO UMA IDEIA O PARQUE DA CIDADE. 39 42. 171. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 71. TUBARÃO: O RIO E A CIDADE A “CIDADE AZUL” NASCE DO RIO: RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA DE TUBARÃO AS MÁRGENS DE TUBARÃO: ANÁLISE DA ÁREA. 179. APÊNDICES. 89. A DEMANDA: RESGATE DOS RIOS URBANOS. 91. O PROBLEMA: O DESENVOLVIMENTO DESORDENADO E ERRÁTICO DO SÉCULO XX 99 SÉCULO XXI: A RETOMADA POR UM DESENVOLVIMENTO URBANO MAIS SUSTENTÁVEL 102 RIOS COMO ESPAÇOS PÚBLICOS 110 REFERENCIAIS BRASILEIROS 113 RIO PIRACICABA, SP 129 RIO SOROCABA, SP. 179 APÊNDICE A 191 APÊNDICE B 197 APÊNDICE C 204 APÊNDICE D .
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(31) INTRODUÇÃO. INTRODUÇÃO O desenvolvimento sustentável tem sido a pauta do século 21, a sustentabilidade está diretamente ligada ao modo com que trabalhamos a cidade, afinal são elas as responsáveis pela utilização dos recursos naturais e as maiores fontes geradoras de resíduos (LEITE, 2012). A sustentabilidade nas cidades abrange muitos campos, o resgate da natureza dentro do meio urbano é um deles, pois além da contribuição ecológica, contribui também socialmente na qualidade dos espaços públicos. Entre as principais discussões das cidades sustentáveis está a gestão dos recursos hídricos, que se reforça a cada ano devido as crises frequentes de falta d’água. Há muito os cursos d’água são manipulados para a conformação das cidades, não deveriam as cidades serem pensadas para que não comprometam a vida de seus rios e tirar partido do que eles podem oferecer? A partir dessa questão, apresenta-se como objeto dessa pesquisa o Rio Tubarão em Santa Catarina, em seu perímetro urbano na cidade de Tubarão, SC. O rio é parte da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, que compreende dezoito municípios, sendo a bacia mais significativa da região sul catarinense, com área de 5.923 km² beneficiando só na cidade de Tubarão cerca de 102.087 (IBGE,2014). Percebe-se, empiricamente, o objeto como um espaço público potencial à implantação de parques na orla do Rio Tubarão-SC, e, por meio dessa constatação, se faz como objetivo do presente trabalho estabelecer diretrizes para implantação de um sistema de parques integrados em suas margens, resgatando a conexão da cidade com o rio e ofertando os espaços públicos à população. Embora seja o patrimônio paisagístico de maior relevância para a cidade e um dos poucos espaços verdes existentes, suas potencialidades são desconsideradas pelas políticas de planejamento municipal. A ausência de um desenho de borda d’água, de uma proposta concreta de recuperação ambiental e a consolidação de um uso do solo equivocado contribui diretamente para o esvaziamento e a marginalização da paisagem do rio. (GUIMARÃES, 2011, p. 216).. As seguintes questões são destacadas como motivadores ao desenvolvimento da pesquisa proposta: • Com uma área de 301, 755Km² e população de 102.087 habitantes, a cidade de Tubarão é deficiente em áreas de lazer e convívio social;. 31.
(32) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. • A integridade da flora e fauna do Rio Tubarão estão acometidas pela poluição proveniente de muitos pontos pertencentes a sua bacia hidrográfica; • As margens do rio não são atrativas ao uso, os caminhos quando existentes tem muitos obstáculos, são estreitos e inseguros em muitos pontos a medida de serem rotas evitadas pelo pedestre; • As áreas de estar, quase inexistentes dão as costas para o rio, e a vegetação densa obstrui o olhar, excluindo o Rio como elemento constituinte da paisagem. Ficam as seguintes perguntas para a pesquisa que se segue: Que papel tem o Rio Tubarão para a conformação da cidade?; Como se poderia reintegrar rio e cidade resgatando o significado desse curso d’água para o meio urbano? De que forma o Rio Tubarão pode contribuir para os espaços públicos deficientes na cidade? Entende-se a importância no conhecimento das demandas locais, da cidade e dos usuários para um planejamento eficiente que contemple “tanto as funções ambientais quanto as funções de urbanidade dos espaços das margens de cursos d’água.” (MELLO, 2008, p.60) Para conhecer o objeto de estudo, o primeiro capítulo traz o histórico da cidade de Tubarão, dividido em ciclos marcados pelo relacionamento rio x cidade, desde o seu povoamento no século XVIII por sua localização estratégica e o seu desenvolvimento em função do rio como via de comércio. Pela beleza de seu rio, Tubarão ficou conhecida como Cidade Azul, mas, com o seu desenvolvimento e das demais cidades da bacia, o Rio Tubarão passa a receber grande quantidade de rejeitos que comprometem a qualidade de sua água; a modernização dos transportes também passou a competir com o uso do rio como via; e gradativamente os laços da cidade com o rio foram desfeitos. A ruptura foi sendo reforçada pelas enchentes cíclicas do Tubarão. A mais marcante e recente na memória ocorreu em 1974, e desalojou mais de sessenta mil habitantes da cidade, dos setenta mil registrados na época. Após essa enchente, o Tubarão teve parte de seu trajeto dragado e retificado, alterando sua configuração de delta. Até então a região central não registrou mais alagamentos, mas é comum que o rio se avolume demasiadamente nas épocas de chuva intensa. Neste ano (2016), a enchente de 1974 completou 42 anos, adentrando o período de retorno para novas enchentes, estimado em 50 anos. Esse prazo tem mobilizado as discussões acerca das condutas para o rio e para a prevenção contra futuras cheias. 32.
(33) INTRODUÇÃO. Essa pesquisa chega em uma fase em que se discute o projeto de “Melhoramento Fluvial da Calha do rio Tubarão”, proposto pela Secretaria da Defesa Civil-SC em 2013. A referida proposta indica uma intervenção de 34 km de redragagem ao longo do rio. O que se deve considerar, porém, é que essa ação não soluciona o problema, mas leva esse no sentido da jusante, podendo ter efeitos irreversíveis para todo o bioma em torno do Rio Tubarão e Complexo Lagunar. Essa medida foi largamente utilizada na fase sanitarista, pois era o recurso que se tinha em mãos na época, e hoje pode ser considerada um fator determinante para a decadência de muitos rios ao redor do mundo. Aqui o entendimento histórico da relação cidade rio será buscado nos referenciais de Vettoretti (1992), Medeiros (2006), Bittencourt (2008) e Zumblick (1974). Os autores relatam o surgimento da cidade, sua colonização e importância no cenário econômico em diferentes épocas, destacam a relevância do rio ao longo da história da cidade e apontam fatos que referenciam o desenvolvimento, podendo-se encontrar nesses elementos o ponto de ruptura entre rio e cidade. Para compreensão da atual condição do Rio Tubarão dentro de seu perímetro urbano, ainda no primeiro capítulo, são apresentadas as análises da área por sua ocupação e uso; mobilidade; oferta de espaços públicos; interrelação do rio, suas margens e o entorno. Essas análises darão embasamento de resposta ao questionamento da possibilidade de implantação de um parque linear ao rio Tubarão, como forma de ressignificação do rio para a cidade, sendo esse resgate a temática principal dessa dissertação. Entendendo, também, que um parque pode contemplar usos variados, como cultura, lazer, esporte, e estar, pertinentes à requalificação espacial. O segundo capítulo dessa pesquisa trata das transformações econômicas ao longo dos séculos, principalmente no século 20, explorando como estas acarretaram em transformações no modo de habitar as cidades e modificaram seus espaços urbanos, perdendo muito de suas áreas verdes, renegando assim, sua identidade e os espaços públicos. O século 20 foi o século das estradas, o avanço e o declínio das indústrias, zonas superpopulosas e em seguida abandonadas. Essas transformações não planejadas criaram barreiras urbanas e deixaram muitos locais abandonados e degradados, de tal modo que esses espaços ficam às margens da sociedade, são evitados pelas pessoas e passam a ser referência em insegurança pública. Assim, erroneamente, a busca pelo desenvolvimento urbano se tem feito à luz dos interesses do capital, invadindo áreas remanescentes que poderiam servir às trocas sociais. Tal conduta condiciona. 33.
(34) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. o cidadão a fechar-se em um casulo, evitando a rua, tirando da cidade o direito de vitalidade. O espaço multifuncional deu lugar ao espaço mono funcional. Testemunhamos, a partir desse ponto, a destruição da ideia de cidade abrangente. O desaparecimento dos espaços multifuncionais deu início a um processo de declínio, e se evidencia à perda do hábito de participar da vida urbana, logo os espaços públicos se deterioram, perde a vitalidade das ruas e surgem preocupações com segurança. (ROGERS, 2012). Neste capítulo, será buscado resgatar a história de relação e ruptura de rios com cidades. Primeiro esclarecendo a situação dos rios urbanos diante do crescimento desenfreado das cidades sem o devido planejamento, passando depois pelas ações de retomada desses rios que em alguns casos foram ainda mais prejudiciais para o seu relacionamento com a cidade, vistas principalmente a partir de Spirn (1995) e Herce (2015) no cenário global. No cenário nacional, os autores Miranda e Meireles Filho (2016), Ozeki (2006) e Kahtouni (2004) trazem o histórico e condições dos rios brasileiros. Outros autores também defendem a importância da presença dos rios na cidade: Gorski (2010) primeiramente nos dá o entendimento da relação entre rios e cidades e o impacto da urbanização. Através de sua pesquisa, ele possibilita uma profunda reflexão acerca das questões relevantes para a sobrevivência de rios em meios urbanos. Tal proposição também pode ser vista em Mello (2008), segundo a qual, a valorização dos rios urbanos considerados no planejamento e incorporados à paisagem urbana destaca-se como uma das vertentes para ver e atuar em espaços urbanos de beira d’água. Já Ozeki levanta questões como a presença da natureza nas cidades e a sua relação com as práticas sociais. Spirn (1995) nos fala da relação indissociável de rio e cidade enquanto paisagem. Conhecer a cidade que se fez a partir do rio também inclui conhecer e entender as relações rio e cidade, para tanto será considerada a visão de Costa (2006) de “como as cidades habitam os rios”. No conjunto de pesquisas reunidas por Costa, estão em análise o desenho da paisagem em relação ao rio, com desdobramentos que exploram o conceito de paisagem a partir de estudos culturais, histórias da cidade e planejamento ambiental. Em seguida, mostra-se o desenvolvimento da sociedade em busca da sustentabilidade dentro dos centros urbanos, e alguns referenciais são apresentados como embasamento. Celli (2012) e Manfredini(2015) serão o aporte para o conhecimento da cidade de Sorocaba e suas transformações 34.
(35) INTRODUÇÃO. urbanas, que tem ganhado espaço no cenário nacional pela política de resgate do seu rio e córregos. Assim como Piracicaba e seus projetos de parques integrados, descritos por Serapião na revista Monolito (2014) e também apresentado por Gorski (2010). O capítulo 3 será feito à luz da sobreposição das análises do objeto alcançadas no capítulo 1, somadas as avaliações quanto às rupturas e reconciliações pautadas no capítulo 2. Podendo assim prosseguir no lançamento das diretrizes para a implantação de um parque linear na orla urbana do Rio TubarãoSC, que serão apresentadas graficamente nesta pesquisa. Como base para as diretrizes, no capítulo 3, busca-se a compreensão da vitalidade dos espaços públicos ligada a seus atores sociais. Estes são colocados como elementos centrais da pesquisa, como agentes transformadores do espaço, integrados aos processos que os moldam, em acordo com Oliveira (2013). Ao serem inseridos na estrutura da cidade os rios podem trazer identidade local, citado por Mello (2008), como espaço integrador em que a qualificação da paisagem pode surgir a partir das intervenções voltadas à condução de espaços de convívio e interação social, promovendo lazer e contato com a rua, pensamento que nos remete também a Jacobs (2011). Outras questões permeiam a pesquisa, buscando a compreensão da cidade contemporânea ideal. Gehll (2014) traz a abordagem das cidades dinâmicas, caminháveis, que forneçam espaços onde as pessoas queiram estar, alinhado com Leite (2012), que reflete o desejo das cidades contemporâneas de serem mais sustentáveis, mais verdes e ao mesmo tempo estarem no centro de tudo, conectada, com facilidade de acessos: uma cidade inclusiva. Para entendimento do papel do poder público, os enfrentamentos e as estratégias de trabalho dentro das agendas, voltadas a recuperação dos rios urbanos, foram entrevistados o prefeito em exercício da cidade de Tubarão, SC, Olavio Falchetti; e a secretária de turismo da cidade de Piracicaba, SP, Rose Massaruto. As entrevistas foram gravadas e os áudios transcritos. Espera-se que as diretrizes aqui propostas possam ser um plano condutor para que os agentes locais encarem as novas possibilidades de como agir com o rio Tubarão, sendo o elo de discussão entre os campos teórico e prático.. 35.
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(37) Figura: Rio Tubarão. Fonte: Helen Costa Pereira, Autora, Jan. 2016.. CAPÍTULO 1 O PROBLEMA: O RIO TUBARÃO.
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(39) CAPITULO 1. TUBARÃO: O RIO E A CIDADE “Tubarão, cidade azul”. Esse é o dístico que nomeia a cidade de Tubarão, outrora banhada por um rio “com a água límpida que refletia o azul celeste que contracenava com a natureza em sua volta”. (VETTORETI, 1992, p.23) O Rio Tubarão, que corta a cidade para quem cedeu o nome, é parte da Bacia Hidrográfica do Atlântico Sul. A Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão é a mais significativa ao sul do estado de Santa Catarina, junto ao Complexo Lagunar formam a Região Hidrográfica do Sul Catarinense RH9 constituindo uma área de 5.923 km², 8 lagoas e diversos rios interconectados, abastecem casas e servem a 21 municípios na agricultura, mineração e atividades industriais. (MUÑOZ, 2000, pg.257) De acordo com o Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, por essa diversidade exploratória e também geográfica, dividiu-se o território em subbacias segundo as redes hidrográficas: •. Complexo Lagunar: municípios de Imaruí, Imbituba, Pescaria Brava e Laguna;. • Braço do Norte: municípios de Anitápolis, Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Grão Pará, Braço do Norte e São Ludgero; •. Capivari: municípios de São Bonifácio, São Martinho, Armazém, Gravatal;. •. Formadores do Tubarão: municípios de Lauro Muller, Orleans, Pedras Grandes;. •. Baixo Tubarão: Sangão, Treze de Maio, Jaguaruna, Tubarão, Capivari de Baixo.. 39.
(40) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. Figura 1 - Rio Tubarão e principais sistemas hídricos componentes de sua Bacia Hidrográfica dentro do território da cidade de Tubarão, SC. Fonte: Google Maps. Elaborado por: Helen Costa Pereira, Au-tora, 2016.. 40.
(41) CAPITULO 1. A área urbana ocupada pelo rio Tubarão é apenas uma modesta parte pertencente a bacia hidrográfica do Rio Tubarão (Figura 1). Sua linha de escoamento corta a cidade com uma secção média de 115 metros de profundidade que varia de 2 metros a 10 metros, com uma vazão de 5,2 metros cúbicos por segundo. (Tubarão, 2015).. O Rio nasce do encontro dos rios Bonito e Rocinha na encosta da Serra Geral, e tem como principais afluentes os rios Capivari e Braço do Norte. [...] ocupações iniciais se utilizaram dos vales dos rios e de seus leitos para ocupar o território e como as margens, pela sua fertilidade, foram condicionantes básicos para o estabelecimento e sobrevivência dessas civilizações. (GUIMARÃES, 2011, p. 128).. Dentro do município de Tubarão correm os rios Capivari, Corrêas, Rio do Pouso, Alto Pedrinhas, Caruru, Ilhota e Congonhas, porém, estão em regiões fora do perímetro urbano, a região central da cidade é cortada apenas pelo Rio Tubarão, objeto deste estudo. Estâncias hidrominerais encontram-se fora desse perímetro urbano, nas áreas rurais de Rio do Pouso e Guarda, mas são parte da importância da bacia para a região sul, pois movimentam o turismo local e fazem girar a economia, já que, a água que abastece a região é engarrafada e comercializada De acordo com dados do Censo Demográfico (IBGE), a estimativa para a população de Tubarão no ano de 2015 é de 102.833 habitantes em um território de 301,755Km², sendo que apenas 64km² correspondem a área urbana. Nesse território urbano estão concentrados 90% dos habitantes. Com outras 18 cidades, Tubarão compõe a região da AMUREL, somando um público estimado de 350 mil habitantes, e dela é o município mais desenvolvido. O último censo, realizado em 2010, apresentou um alto índice de IDHM, 0,796. Em 2014, a frota de veículos da cidade era de 84.879, de acordo com o DENATRAN, quase 1 veículo por habitante, reflexo do restrito transporte público da cidade. A cidade possui quatro pontes para tráfego de veículos e uma ponte para pedestres, ligando uma margem a outra. Geograficamente, Tubarão apresenta o rio como elemento caracterizador de sua paisagem: o rio corta a cidade longitudinalmente, estando no centro do núcleo urbano. A cidade está a 9 metros. 41.
(42) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. acima do nível do mar, e nesse mesmo núcleo o terreno é pouco acidentado, seguindo a característica alagadiça da região. O rio Tubarão ainda abastece sua população, apesar da qualidade duvidosa de suas águas. De todo modo a empresa Águas de Tubarão é a responsável pela coleta e tratamento do esgoto. Sabe-se que as principais fontes de contaminação do Tubarão e seus afluentes são as atividades agrícolas, a suinocultura e o beneficiamento de carvão, colocando a bacia do rio Tubarão na posição de décima bacia mais poluída do país no ano de 2007. Visando o “progresso”, a exploração do carvão da região sul foi altamente estimulada, como aponta Muñoz: “Situada, parcialmente, na Bacia Carbonífera Catarinense, classificada como a 14ª área crítica nacional” (MUÑOZ, 2000, p.258). Boa parte dos conflitos assinalados são sequelas das intervenções passadas que visavam o desenvolvimento regional, na visão da época, planejadas e implementadas sob uma visão de ganhos setoriais e imediatistas, alheias ao conceito de gestão ecologicamente correta, baseado na ética da solidariedade. (MUÑOZ, 2000, p.259).. A “CIDADE AZUL” NASCE DO RIO: RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA DE TUBARÃO Assim como muitas cidades brasileiras, Tubarão foi ponto estratégico de parada, abastecimento e escoamento de produtos para grandes centros por meio de seu rio e, como muitos outros rios de de várzea, cedeu forçadamente suas terras inundáveis à cidade. A história da ocupação de Tubarão começa atrelada à cidade de Laguna e de seus primeiros habitantes: os índios, esses que primeiro nomearam o rio. Segundo VETTORETTI (1992), as terras ao sul de Laguna, ainda desconhecidas, ocupadas por índios carijós em 1616, receberam missões jesuítas para catequização dos que ali habitavam, bem como em todo o território brasileiro. São dos Jesuítas os relatos de uma terra às margens do rio dominada por um grande e temido cacique que atendia pelo nome tupi de TubNharô. A tradução é interpretada como “pai feroz”. Essa a mesma ferocidade por suas cheias devastadoras foi remetida ao rio, que herdou o nome do chefe. Havendo uma distorção por parte dos colonizadores devido à dificuldade na pronúncia do tupiguarani, passaram a chamá-lo. 42.
(43) CAPITULO 1. de Tubarão. As terras de Tubnharô, por estarem distante do litoral e protegidas por mata fechada, permaneceram inexploradas por longo tempo. Na era do Brasil colonial, com as disputas entre portugueses e espanhóis pelas terras do sul, domínio da bacia do Prata e o Tratado de Tordesilhas, vigente do ano de 1494 até 1750, definiam esses limites: onde findava o domínio português, mais ao sul, nas terras de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, pertenciam a capitania de Sant’Ana. Assim os Portugueses trataram de ocupar as terras para demarcar seu território e se proteger de possíveis invasões inimigas. Os espanhóis, por sua vez, estavam focados na ocupação da bacia do Rio da Prata (via comercial aquática de grande valor para o escoamento e recebimento de produtos), e não escondiam o contentamento pelo território. Isso acabou despertando o interesse dos Portugueses, que se mobilizaram mais ao sul de suas fronteiras na esperança de conquista do território inimigo, fundando a Colônia de Sacramento (hoje pertencente ao território uruguaio). Essa conquista causou revolta nos espanhóis, que consideravam aquelas terras como suas, e, assim, invadiram Sacramento, comprometendo o contingente português que já era pequeno. Conforme BITTENCOURT (2008), após essa tentativa, com pequeno aquartelamento português e a região de Laguna muito distante para socorrer as investidas espanholas, viu-se a necessidade de apropriação de um ponto intermediário. Posteriormente, funda-se a província do Rio Grande de São Pedro em 1737, garantindo acesso ao Atlântico, pela Lagoa dos Patos, até os pampas. Anterior a esse acontecimento, as expedições por terra, com o objetivo de levar o Brasil mais ao sul, descobriram em terras gaúchas boa raça de gado selvagem. A boa qualidade da carne e do couro ganharam fama, despertando os interesses paulistas.. Figura 2 - Caminho percorrido pelos tropeiros conduzindo gado de Viamão (RS) para Sorocaba (SP). Fonte: VETTORETTI, 1992, p.42.. Em 1767, Sacramento foi tomada pelos espanhóis “estendendo sua conquista até a vila do Rio Grande” (VETTORETTI, 1992, p.40). Com o fechamento da Lagoa dos Patos pelas esquadras espanholas, novos caminhos tiveram que ser explorados, sendo assim, Laguna, o porto mais próximo, volta a ter intenso movimento e readquire sua importância econômica. Não podendo chegar à Laguna por via marítima, começam as investidas pelo caminho dos conventos abertos em 1728, porém essa opção é logo descartada pelas dificuldades de acesso. Os paulistas por sua vez investiram nos caminhos do planalto para que os animais fossem transportados até Sorocaba, onde eram comercializados. Devido ao longo caminho no planalto catarinense, surgiu a paragem de Nossa Senhora das Lagens, cidade de Lages atualmente.. 43.
(44) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. Santa Catarina tinha duas linhas de ocupação que eram paralelas: a faixa do planalto, a qual Lages fazia parte, e a faixa litorânea onde estava Laguna. A ligação entre esses dois pontos era dificultada pela diferença de altitude entre os dois entrepostos, estando Lages a altitudes que variam de 850m a 1200m acima do nível do mar. Os núcleos estabelecidos no planalto sofriam as dificuldades de acesso aos produtos litorâneos, além da dificuldade no transporte de suas cargas, e, assim, vislumbravam um caminho que facilitasse seu acesso ao litoral. Já se sabia de caminhos existentes utilizados pelos índios entre o planalto e as terras de TubNharô. Com os índios quase dizimados, estes não ofereciam grandes riscos nas buscas para os caminhos para o litoral. Seguindo os cursos d’água que os levariam para o mar encontraram no rio Tubarão, que desaguava na Lagoa de Santo Antônio dos Anjos, o potencial de transporte que procuravam nos caminhos até o porto de Laguna. No projeto de ligação das duas vilas entrou a navegabilidade do rio das terras de TubNharô, desde o porto de Laguna até onde fosse possível navegar com segurança. (BITTENCOURT, 2008, p. 59).. No ano de 1773, finaliza-se a construção do caminho entre Lages e Laguna (Figura 2). Os barcos partiam de Laguna subindo pelo rio Tubarão com seus carregamentos até onde fosse navegável, em seguida o trajeto era feito pelo picadão em lombos de mulas até alcançar Lages. O intercâmbio das mercadorias e os viajantes em trânsito por aquela rota, foram os agentes naturais que promoveram um embrionário entreposto comercial na navegação fluvial e de início da via terrestre ao planalto ou viceversa. (VETTORETTI, 1992, p. 41). O ano de 1771 data a primeira referência do início da ocupação do território que viria a ser a cidade de Tubarão. Nesse período, uma pequena parte da população migrou de Laguna em busca das terras férteis às margens do rio. Oficialmente, o primeiro foco de ocupação das terras surge com a abertura da cidade para escoamento dos produtos entre a serra geral e o porto da cidade de Laguna. Nos percalços do enfrentamento na descida da serra geral ou no preparo para a subida, a paragem dava suporte aos viajantes, amenizando. 44. Figura 3 - Tropeiros descendo a Serra do Rio do Rastro. Óleo sobre Tela, Willy Zumblick, 1990. Fonte: VETTORETTI, 1992, p.42..
(45) CAPITULO 1. Figura 4 - Tubarão, 1786. Reprodução do Poço Grande do Rio Tu-barão ou Paragem do São João. Fonte: http://www.notisul.com.br/n/colunas/o_ poco_grande_ou_paragem_sao_joao-29341. Acessado em: 18 de março de 2016.. 1º CICLO: O POÇO GRANDE DO RIO TUBARÃO. 45.
(46) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. o difícil trajeto. Isso foi possível por volta de 1774, com a concessão da primeira sesmaria ao capitão João da Costa Moreira, transformando o local em ponto de paragem dos tropeiros vindos da serra. Nas idas e vindas das embarcações, o interior desconhecido começa a ser desbravado e almejado nos anseios das novas terras, trazendo aos poucos os migrantes, em especial vindos de Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Segundo BITTENCOURT (2008), duas sesmarias constituíram a marcação desse primeiro território. A primeira a ser ocupada foi a do Sargento João da Costa Moreira, porém acontece de forma contida. Ali, junto ao último ponto seguramente navegável rio acima, a paragem ficou conhecida como Poço Grande do Rio Tubarão. As terras pertencentes a sesmaria do capitão João da Costa Moreira era composta pela residência do capitão, por um galpão onde guardavam-se os produtos para comércio, os abrigos para viajantes e uma pequena capela. Aproveitando a terra fértil às margens do rio, as sesmarias começaram a se desenvolver por meio da agricultura. Primeiramente ocupa-se a margem direita, onde estava o porto do Poço Grande, e apenas 19 anos após a ocupação é que surgiram as sesmarias ao lado esquerdo, onde situa-se hoje o bairro Morrotes. Preguiçosamente, primeiro da margem direita e depois na esquerda, surgiram picadas LesteOeste, margeando o rio. Foram certamente as primeiras vias de deslocamento terrestre, das pessoas e seus animais de carga. Transformaram-se no que são hoje as extensas vias de tráfego conhecidas, à direita, como avenida Marechal Deodoro e rua Lauro Müller e, à esquerda como avenidas José Acácio Moreira e Getúlio Vargas. (BITTENCOURT, 2008, p. 83).. A segunda sesmaria, pertencente a Nicós, sogro do Sargento João da Costa Moreira, corresponde atualmente a região mais central. Esta sesmaria apresentava-se apropriada ao desenvolvimento do núcleo populacional, já que [...] em meio a uma planície em determinado ponto desde a margem, o terreno eleva-se moderadamente, formando um morrote, que chamaram de Piçarra. (BITTENCOURT, 2008, p.83).. Em 1812, João Teixeira Nunes compra as terras da herdeira de Nicós e cede parte delas para a. 46. Figura 5 - Tubarão. Entrega de mercadorias na beira-rio. Fonte: http://diariodosul.com.br/SITE2015/tunel_do_tempo/1054/ ENTREGA-e-comercio-de-mercadorias-na-beira-rio-de-Tubarao--. html. Acessado em: 13 de março de 2016..
(47) CAPITULO 1. construção da capela e para a ocupação da população que ali quisesse se estabelecer e cultivar. Escolhe-se as terras do morro da Piçarra, onde já havia uma tapera humilde em devoção a Nossa Senhora da Piedade. Com a nova capela estabelecida houve um processo de migração da população que vivia junto às terras do porto para o novo núcleo. A partir de algumas terras cedidas e outras tomadas, as demarcações de lotes começam dando início a construção do desenho urbano, hoje existente na cidade de Tubarão. A partir daí o território passou a evoluir de pouco em pouco: houve a instalação, por exemplo, de um novo porto de paragem junto ao centro de comércio à beira do rio, na época, chamado de Porto da Vila. Estava localizado onde hoje é a Praça Orlando Francalacci, na rua Lauro Muller, e funcionou ativamente até 1940 nas atividades comerciais entre os produtores rurais de Laguna e Lages.. Figura 6 - Tubarão, 1908. Ocupação junto da margem direita do rio. Fonte: Arquivo Histórico Municipal. As características do local facilitaram o arruamento espontâneo, enquanto as demais construções não obedeciam a nenhuma norma, com exceção dos limites impostos pelas margens do rio, o que era óbvio. (BITTENCOURT, 2008, p. 85).. Na mesma época, outro pequeno núcleo se desenvolveu na localidade de Morrinhos, fora do perímetro urbano. Esse levava vantagem por ter ótimas terras para agricultura e um porto que comportava as embarcações de maior porte que temiam se aventurar para mais além nas águas do Tubarão, pois ali o rio “sofria estrangulamento de seu curso (um século depois corrigido) ”. (BITTENCOURT, 2008, p. 85). (Figura 6). Vettoretti (1992) aponta ainda uma terceira sesmaria pertencente a Manoel Moraes Pedroso, datada de 1773, no território que pertence atualmente a cidade de Capivari de Baixo. Entre os anos de 1791 e 1823, outras 14 sesmarias foram cedidas ao longo dos rios Tubarão, Congonhas e Capivari. Conforme Bittencourt (2008), a partir da instalação do povoado e da capela, foi dada a largada para a evolução político administrativa do Poço Grande do Rio Tubarão, e em 22 de abril de 1833 torna-se o quinto distrito de Laguna. Três anos mais tarde evolui e passa a ser a Paróquia Nossa Senhora da Piedade em homenagem à padroeira. Enfim, ganhou força política e desmembrou-se de Laguna em 1870 (Figura 7).. 47.
(48) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. Figura 6 - Distribuição das sesmarias ao longo do Rio Tubarão. Fonte: Arquivo Histórico.. 48.
(49) CAPITULO 1. 1º. cic. lo d ur a ev ba na oluç ã. o. Figura 7 - 1º Ciclo da evolução urbana. 1774 até 1870. Fonte: Google maps. Elaborado por: Helen Costa Pereira. 49.
(50) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. 2º CICLO: FERROVIA THEREZA CHRISTINA. 50. Figura 8 - Tubarão, 1908. Oficinas dos trens. Fonte: Arquivo Histórico Municipal..
(51) CAPITULO 1. O segundo ciclo é a fase mais promissora da cidade de Tubarão. Por volta de 1790, durante as travessias dos tropeiros pelas matas entre o Poço Grande e a Serra Geral, é descoberta uma pedra preta incandescente, o carvão mineral. O mineral já explorado por países como a Inglaterra no advento das máquinas, aqui era apenas uma estranha descoberta: uma pedra que além de queimar, não tinha nenhum uso aparente. O achado chegou aos ouvidos de Felisberto Caldeira Brant Pontes, Visconde de Barbacena, que em 1861 consegue a permissão do governo imperial para minerar o carvão. (BITTERNCOURT, 2008, pg.160). Aproveitando sua influência e bons relacionamentos, o Visconde consegue parceria com ingleses para o seu projeto, tanto na exploração quanto no escoamento do produto. Segundo Belolli (2002), no ano de 1874 o Visconde é autorizado a construir a estrada de ferro “The Donna Thereza Christina Railway Company Limited”, percorrendo 118 quilômetros. As composições levavam o carvão entre as minas nas terras de Passa-Dois, arrendadas pelo Visconde, ao pé da Serra Geral até o porto em Imbituba¹ . Surgindo assim, a já citada, Ferrovia Thereza Christina em terras tubaronenses, no ano de 1880. Por questões de logística, sendo um ponto intermediário entre o porto e as jazidas, as oficinas que serviam a malha ferroviária foram instaladas na cidade de Tubarão, estimulando a expansão física e populacional da cidade. Antes de trazer o desenvolvimento econômico para a região, o carvão mineral sulista, julgado como minério de baixa qualidade, exigiu grandes investimentos e, mesmo sem trazer retorno financeiro, comprometia também a ferrovia. [...] precisando de constante manutenção devido às cheias freqüentes do rio Tubarão. Sem carvão para transportar e com uma forte enchente em maio de 1887, a companhia é quase desativada. (BELOLLI, 2002, p.36).. Figura 9 - Tubarão, 1900. Os trilhos cortam o centro da cidade. Fonte: http://leiamtodos.blogspot.com.br/p/ tubarao-sc.html. Aces-sado em:13 de março de 2016. ¹ Porto ainda inexistente, foi construído com os fins primeiros de servir ao escoamento do carvão trazido pela estrada ferro.. O carvão recobrou sua glória nos anos de 1906 com novas pesquisas do minério, e logo depois com a descoberta das jazidas da região de Urussanga e Criciúma. A colonização europeia é parte importante no cenário do segundo ciclo de desenvolvimento da cidade de Tubarão. Estimulados pelo governo provincial para ocupar as terras do Sul, em 1829 chegava em. 51.
(52) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. Santa Catarina os primeiros colonos vindos do velho mundo, fugindo da pobreza das guerras e em busca das terras prometidas; nas terras de Tubarão chegaram apenas em 1874. Primeiro vieram os alemães que adentraram o terreno e se instalaram no vale do rio Braço do Norte, esta que ainda pertencia a Tubarão. Em seguida vieram os Italianos, estes em maior número, se instalaram nas regiões de Urussanga e Criciúma que também pertenciam a Tubarão. Em menor número vieram poloneses, russos, ucranianos e sérvios. Tiveram aqui trabalho árduo para adquirir o direito ao seu “pedaço de chão”: encontraram “tudo a fazer”, matas fechadas e terras intocadas para serem exploradas. (BITTENCOURT, 2008). As primeiras levas de colonos trabalharam no beneficiamento da terra após conquistá-las sobre os “bugres brabos” ², os que chegaram mais tarde puderam participar do prolongamento da ferrovia até a região carbonífera de Criciúma e Urussanga. Foram nessas minas de carvão que grande parte dos colonos trabalharam por muito tempo e a exploração do minério nessa região trouxe a conquista de sua independência econômica, fazendo com que Tubarão perdesse grande parte de seu território. Voltando a ferrovia, o projeto de seu traçado ocupou grande área no núcleo central da cidade (Figura 9) e forçou o trajeto das vias para junto do rio, urbanizando a cidade para além de suas margens. As oficinas trouxeram também a especulação imobiliária para perto de sua ocupação, sendo que os terrenos entre elas e a Beira-Rio (Figura 10), atual Avenida Marechal Deodoro, eram as mais procuradas fora da área central, fato que demonstra o reconhecendo da orla como um cenário de destaque, principalmente para o comércio.. Figura 10 - Tubarão, 1930. Casas às margens do Rio Tubarão, rua Beira-Rio. Atualmente Avenida Marechal Deodoro. Fonte: Arquivo Histórico Municipal.. A Beira-rio [...] era longa, estreita e mal conservada em seus primórdios. Foi a primeira rua do bairro e considerada o melhor local para morar e estabelecer comércio, desde que não fosse com o fundo para o rio. (BITTENCOURT, 2008, p. 192).. Mais adentro no bairro, alguns anos mais tarde, foi construída a vila dos ferroviários, com um traçado ortogonal e uma sequência de casas replicadas para acomodar os funcionários da ferrovia. O bairro recebeu o nome de Oficinas, e foi ele que mais se desenvolveu nessa época. Essa região era o. 52. ² Forma como ficaram conhecidos os índios, que após serem afugentados de seu território pelo homem branco adquiriram personalidade feroz pelo extinto de sobrevivência..
(53) CAPITULO 1. local onde o rio era mais utilizado, principalmente pelas lavadeiras que ocupavam suas margens diariamente. Entretanto, essa mesmo região do rio era muito pouco utilizada para o lazer, em decorrência da característica do rio: águas muito caudalosas com forte correnteza. Já na parte central da cidade foi proibido que se utilizassem as margens pelas lavadeiras, ou mesmo quaisquer outros usos que não contribuíssem para o embelezamento do local. No que diz respeito aos conflitos pela implantação da ferrovia, em seu trabalho de dissertação de mestrado, MEDEIROS (2006) destaca a interferência no traçado urbano da cidade.. Figura 11 - Tubarão, 1908. Vista da margem esquerda para a mar-gem direita. Linha de ocupação junto ao Rio Tubarão. Fonte: Arqui-vo Histórico Municipal.. Desde este período inicial já surgem registros que permitem concluir que apesar de trazer crescimento e desenvolvimento, a construção da ferrovia também trazia problemas: eles aconteciam principalmente na formação do espaço urbano e no delineamento da nova paisagem, fortemente, influenciada pela passagem da ferrovia e condicionando outras estruturas da cidade. (MEDEIROS, 2006, p.78). (Figura 11). Tal observação também é feita por Vettoretti (1992), onde cita que a implantação da ferrovia empurrava as estradas para cima das margens do Rio Tubarão, o que explica o traçado urbano atual da cidade que se debruça imediatamente sobre o rio (Figura 12/Figura 13) Vettoretti (1992) ainda destaca que mesmo com a implantação da ferrovia interligando Laguna ao interior, as atividades portuárias do Tubarão ainda se mantiveram até a década de 40 por oferecerem melhor custo, estando por vezes livre dos impostos, devida à informalidade no serviço.. Figura 12 – 1940, Rua Lauro Muller. Casarios, à direita da imagem, construídos imediatamente sobre o rio. Fonte: Arquivo Histórico Municipal.. A linha férrea também cortava o centro da cidade próximo às margens do rio, e fazia parada na Estação da Piedade. Por ali, a vida social acontecia com os trens indo e vindo, aumentando a movimentação na área central. Esse fluxo de pessoas e comércio, trouxe as novidades e o progresso, fazendo com que outros setores, além do comércio, se interessassem pelas antigas terras do cacique Tub-Nharô. 1945 foi o auge do desenvolvimento de Tubarão com a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional, CSN. Mesmo tendo deixado de ser produtora de carvão desde o início do século XX, Tubarão se mostrava o melhor ponto para o beneficiamento do minério, pois este exigia lavação,. 53.
(54) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. Figura 13 - Traçado da Ferrovia Tereza Christina. Fonte: Arquivo Histórico Municipal. Elaborado por: Helen Costa Pereira. 54.
(55) CAPITULO 1. devido ao seu alto teor de cinzas. Visto que a região carbonífera não atendia aos requisitos de “água abundante, transporte ferroviário e porto marítimo nas imediações”. (BITTENCOURT, 2008, p.245). Foi então que a CSN se instalou nas imediações de Capivari de Baixo³ , ainda pouco habitada, e levou o desenvolvimento para leste do núcleo principal de Tubarão. Por ser afastada do centro, a região exigiu abertura de estradas para que as carroças pudessem ser substituídas pelos veículos automotores, além disso, elevou expressivamente o número de habitantes e modernizou o comércio central. Junto ao local do lavador de Capivari, surgiu a primeira termelétrica da região, formando uma área industrial. Para acomodar os administradores, técnicos e engenheiros, foi construída a vila dos Engenheiros, até então uma área desabitada, hoje em uma área nobre da cidade. Todos esses grandes avanços jamais imaginados sem a descoberta do carvão e a implantação da Ferrovia Thereza Christina. Instituições como a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e empresas de grande porte como a Souza Cruz complementaram o cenário de prosperidade de Tubarão. O avanço também teve seu alto preço, pois os rejeitos oriundos do beneficiamento do carvão que chegavam até o rio Tubarão passaram a distanciar ainda mais as pessoas e o rio. A urbanização sem planejamento ao longo de toda a orla do Tubarão começa nessa época dar sinais patológicos para a convivência do rio e da cidade. Fechando o segundo ciclo (Figura 14), no ano de 1950 os portos ao longo do rio encerram efetivamente suas funções, abrindo mais espaço ao transporte terrestre e aos poucos tirando os olhares que mantinham sua vida do Tubarão junto à população.. ³ Na época, Capivari de Baixo ainda pertencia a Tubarão, emancipando-se apenas em 1992, sendo o “último dos nove territórios perdidos por Tu-barão em 112 anos. “ (BITTERNCOURT, 2008, p. 254). 55.
(56) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. ão oluç v e da iclo ana c º 2 urb. Figura 14 - 2º Ciclo da evolução urbana. 1870 a 1950. Fonte: Google maps. Elaborado por: Helen Costa Pereira. 56.
(57) CAPITULO 1. Figura 15 – 1963, ocupação da margem esquerda. Fonte: Arquivo Histórico Municipal. 3º CICLO: POLÍTICA RODOVIARISTA E ENCHENTE DE 1974. 57.
(58) O PARQUE DA CIDADE: Requalificação Urbana para o Rio Tubarão, SC – Análises e Oportunidades. A primeira marca desse período é definida pela ampliação do transporte terrestre na região, evidenciada pela conclusão do trecho da BR 101 na região e rodovias estaduais, o que marca a ruptura entre o rio e a cidade de Tubarão. Assim como as ferrovias, as estradas ganham a função do rio no transporte de pessoas e produtos, aliado a ferrovia. Segundo Vettoretti (1992), 1920 foi o ano em que começaram a se preocupar com as melhorias das vias terrestres que faziam conexão com as cidades do interior, antes disso só haviam picadões para servir aos carros de boi. Surgiu também a necessidade de transposição do rio, e, para isso, foi construída a primeira ponte da cidade, Nereu Ramos (Figura 16), no final da década de 30, dando início ao desenvolvimento das terras junto à margem esquerda do rio (Figura 17). Nesta mesma década, foi inaugurada a primeira linha de transporte para a capital, Florianópolis. Já o transporte urbano entre bairros entrou em funcionamento em 1946.. Figura 16 – 1938, construção da ponte Nereu Ramos. Fonte: Arquivo Histórico Municipal.. Em 1959, foi construída a segunda ponte no centro de Tubarão, Ponte Heriberto Hulse, anexa a ponte Nereu Ramos, fomentando a abertura de vias na margem esquerda (Figura 15).. Figura 17 – Inauguração da Ponte Nereu Ramos. Fonte: Arquivo Histórico Municipal.. Figura 18 - Tubarão, 1953. Vista da margem esquerda do rio na área central. Fonte: http://cidades.ibge.gov.br/painel/fotos. php?lang=&codmun=421870&search=||infogr%E1ficos:-fotos. Acesso em: 16 de março de 2016.. No período anterior a construção da ponte Heriberto Hulse, a formação urbana ficava mais restrita a área central (Figura 18). Após a sua construção, a cidade se expande mais ao norte (Figura 19) e Figura 19 – Ocupação da margem esquerda. Fonte: Arquivo Histórico Municipal.. 58.
(59) CAPITULO 1. o crescimento é consolidado anos mais tarde graças à construção de novas pontes, presença das rodovias intermunicipais, conexão entre a serra e o litoral, e pavimentação do trecho na Serra do Rio do Rastro.. Figura 20 – Colégio Dehon. Fonte: Arquivo Histórico Municipal.. Outro elemento propulsor no desenvolvimento da margem esquerda do rio (Figura 20/Figura 21), sentido oeste, foi a implantação do Colégio Sagrado Coração de Jesus, atual Colégio Dehon, no final da década de 40, que ganha destaque no cenário econômico quando inicia o ensino superior com o curso de Ciências Econômicas. Em 1971, o colégio Dehon é adquirido pela Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina, atual Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), que consagrou a cidade de Tubarão como referência educacional no sul do estado de Santa Catarina. O crescimento dessa região levantou a necessidade de transpor mais uma vez a barreira do rio, levando a implantação de uma ponte pênsil entre os bairros Dehon e Oficinas (Figura 22). A ponte tem, como significado, o elo entre rio e cidade, o que a torna um elemento significativo, não apenas por essa conexão, mas, também, por ser um símbolo para a cidade na composição de sua paisagem. Até hoje, indiscutivelmente, a ferrovia foi o elemento mais relevante para o crescimento da cidade de Tubarão. Todavia, com a evolução do transporte automotivo, sua presença no centro da cidade passou a ser um empecilho, porque não cumpria com as funções de transporte de massa, servindo apenas ao carvão com um pequeno ramal, que, até os dias atuais, continua interligando somente o porto de Imbituba até a região carbonífera de Criciúma. Os prolongamentos previstos para os ramais ao sul nunca saíram do papel, deficiência que permanece ainda hoje nas nossas vias férreas sobreviventes. Nunca atenderam às necessidades da ligação com o sul do país que procuravam os “milagres” das águas termais da localidade Santo Anjo da Guarda, em Tubarão. Os turistas iam de Porto Alegre à Tubarão enfrentando 150 quilômetros, passando por atoleiros pelo litoral, com o transporte coletivo fornecido pela empresa Santo Anjo da Guarda. (VETTORETTI, 1992).. Figura 21 - Tubarão, 1965. Vista da cidade a partir do Colégio Dehon. Fonte: http://diariodosul.com.br/SITE2015/tunel_ do_tempo/1404/Imagem-mostra-o-patio-da-Unisul-emTubarao-no-ano-de-1970--.html. Acessado em: 13 de março de 2016.. Por volta de 1950, o automóvel ganhou o cenário nacional e já ocupava intensamente a paisagem da cidade de Tubarão (Figura 23), forçando a ampliação rodoviária e criação de áreas de estacionamento.. 59.
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