CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES CONCLUINTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA SOBRE A EXPERIMENTAÇÃO EM QUÍMICA: ATIVIDADE EXPERIMENTAL PROBLEMATIZADA
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(2) Palavras-chave: Atividade Experimental Problematizada, Resolução de Problemas. Concepções Discentes. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES CONCLUINTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA SOBRE A EXPERIMENTAÇÃO EM QUÍMICA: ATIVIDADE EXPERIMENTAL PROBLEMATIZADA 1 Aluno de graduação. [email protected]. Autor principal 2 Colaborador Externo . [email protected]. Co-autor 3 Colaborador Externo. [email protected]. Co-autor 4 Aluno de graduação. [email protected]. Co-autor 5 Docente. [email protected]. Orientador 6 Docente. [email protected]. Co-orientador. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE.
(3) CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES CONCLUINTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA SOBRE A EXPERIMENTAÇÃO EM QUÍMICA: ATIVIDADE EXPERIMENTAL PROBLEMATIZADA Palavras-Chave: Atividade Experimental Problematizada, Resolução de Problemas. Concepções Discentes.. 1. INTRODUÇÃO É de entendimento de grande parte dos professores de Ciências o fato da experimentação desenvolver um forte interesse entre alunos de diversos níveis de escolarização para com determinadas temáticas científicas (SANTOS; SCHNETZLER, 1996). Na fala dos alunos também costumam aparecer marcações que sugerem que a atividade experimental constitui-se como um caráter motivador e auxiliar em seu processo de aprendizagem (MERÇO, 2003). De modo geral, tanto professores como alunos apontam que a experimentação no ensino potencializa a capacidade de aprendizagem, visto que contribui para a superação de obstáculos cognitivos e para a compreensão epistemológica de temas de natureza científica. E isso, não somente por proporcionar interpretações de maior abertura conceitual, mas também pela natureza genuinamente investigativa do trabalho experimental. Além disso, é notável que uma experimentação eficientemente desenvolvida e conduzida auxilia na manutenção da atenção do aprendiz aos temas em discussão. Diante disso, para muitos profissionais da área do Ensino de Ciências, a experimentação chega a ser vista como promotora incondicional do resultado de aprendizagem (SILVA; ZANON, 2000). Considera-se, portanto, que as atividades experimentais, em contextos de ensino e aprendizagem, apresentam algumas características desejáveis, como, por exemplo, estimular os alunos a interpretar informações, relacionando o conhecimento científico com aspectos de seu cotidiano, e assim despertar sua curiosidade investigativa a novos questionamentos e reflexões. E esses atributos podem ser potencializados a partir da participação direta dos alunos nas metodologias propostas ao trabalho, quando lhes são oferecidas condições de elaborar métodos próprios de investigação (SILVA; MOURA; DEL PINO, 2015; 2017). Apesar disso, professores afirmam que não desenvolvem atividades experimentais com a frequência com que gostariam devido à inexistência de um laboratório estereotipado em sua instituição de ensino (COELHO, 2005), isto é, contendo vidrarias, reagentes e aparelhos eletrônicos convencionais. Torna-se então necessária uma metodologia adequada à experimentação, capaz de direcionar esse processo a um ensino efetivamente capaz de promover uma aprendizagem bem sucedida, superando eventuais ou corriqueiras insuficiências teóricas e estruturais apontadas, dentre outras. Aliado a isso, a carência de uma organização teórico-metodológica, com subsídios pedagógico, ao se considerar os processos do ensinar e do aprender, e epistemológico, por usar-se do conhecimento científico como eixo das discussões, não torna a realização de uma atividade de cunho experimental inteligível, em seus objetivos, objetos e procedimentos. Nessa conjuntura, apresenta-se a Atividade Experimental Problematizada (AEP) como um processo teórico-procedimental que se desenvolve a partir da demarcação de um problema de natureza teórica, isto é, uma experimentação que objetiva a busca por solução a dada situaçãoproblema. Na perspectiva de uma AEP, o próprio problema apresentado pode despertar no aluno motivação, interesse, desafio intelectual e capacidade de discussão e de articulação de ideias, promovendo sua autoconfiança necessária para que busque apresentar explicações idiossincráticas aos fenômenos observados. Essa estratégia está estruturada sob dois principais eixos, um de natureza teórica e outro metodológica, associativos e indissociáveis. Mostra-se no Quadro 1, em síntese, seus elementos denotativos, tratados como eixos teórico (e seus articuladores) e metodológico (e seus momentos). Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO t SIEPE Universidade Federal do Pampa / Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(4) Quadro 1 ± Síntese dos elementos denotativos da AEP: teóricos e metodológicos. eixos TEÓRICO ± o planejar. METODOLÓGICO ± o executar. a. Proposição de problema b. Objetivo experimental c. Diretrizes metodológicas. momentos. articuladores. i. Discussão prévia ii. Organização/desenvolvimento iii. Retorno ao grupo de trabalho iv. Socialização v. Sistematização. Fonte: dos autores, 2018. Considera-se como eixo teórico da AEP um processo de experimentação que se estrutura a partir da demarcação, elucidação e proposição de um problema de natureza teórica, isto é, uma AEP configura-se teoricamente como uma estratégia de busca por solução a dada situação-problema. A partir de então, são configurados um objetivo experimental, tratando-se, sob uma perspectiva geral, do que se espera desenvolver empiricamente em termos de produto/ação final experimental, e diretrizes metodológicas, como orientações às ações que resultarão no produto experimental. Sendo assim, a proposta de ensino experimental cunhada como AEP propõe uma articulação entre objetivo experimental e diretrizes metodológicas, a partir da proposição e da análise crítica de um problema, preferencialmente contextualizador, isto é, contendo elos associativos a diferentes contextos. Com relação aos eixos metodológicos configuradores da AEP, propõe-se seu desenvolvimento em uma sequência didática constituída por cinco momentos, iniciando-se por uma discussão aberta e introdutória envolvendo professor e alunos e consolidando-se pela sistematização de um produto final elaborado pelos alunos. Tais fases, contudo, são dinâmicas e poderão adequarse aos propósitos específicos dos sujeitos envolvidos e às ações previstas, cabendo sua análise crítica desde o planejamento da atividade. 2. METODOLOGIA Como ação derivada de projeto de pesquisa que está em andamento, recebeu-se 27 alunos de 3° ano do ensino médio de uma escola estadual de ensino médio, nos laboratórios de Química e de Física da universidade, no dia 05/09 deste ano. Esses alunos foram acompanhados pela professora responsável; a ação foi coordenada por professor integrante do projeto de pesquisa. Esses alunos foram dispostos em sete grupos de trabalho, nos quais todas as atividades foram desenvolvidas, bem como avaliadas sob a forma de um questionário do tipo misto, aplicado a cada grupo ao seu término. Cada grupo foi composto pela média de 3,85 componentes. Todos os grupos autorizaram a divulgação anônima de suas respostas, as quais foram analisadas qualiquantitativamente (GOLDEMBERG, 2004). No laboratório de Química foi proposta uma experimentação tendo como título Determinação da Densidade de Metais Elementares. Inicialmente, tratou-se de caracterizar seu principal objetivo experimental, verificar a densidade de três metais em estado sólido, a saber: ferro (Fe), cobre (Cu), zinco (Zn). Isso foi realizado a partir da medição direta de peças desses objetos em balança e indireta de seu volume, por meio do deslocamento de água aferido em uma proveta. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO t SIEPE Universidade Federal do Pampa / Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(5) Como objetivo experimental, expôs-se o problema a ser investigado: Dispomos de peças metálicas distintas para confecção de uma peça de sustentação, sendo o grau de pureza o critério determinante para escolha do metal mais adequado. Assim, qual dos metais disponíveis deverá ser utilizado? Os objetivos centrais da proposta consistiram em (i) avaliar a constância em que esses alunos desenvolveram experimentações em contextos de Química na educação básica, visto serem concluintes dessa etapa de ensino, (ii) seu interesse em realizar atividades práticas em maior frequência, (iii) suas considerações frente às contribuições da experimentação à aprendizagem em Química e (iv) sua opinião com relação à atividade experimental desenvolvida. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao se indagar acerca da constância em que esses alunos desenvolveram/desenvolvem experimentações em contextos de Química na educação básica, foi questionado: Durante seu Ensino Médio, qual é a frequência em que atividades experimentais são desenvolvidas no contexto das aulas de Química? As respostas obtidas nos grupos de trabalho estão tabuladas no gráfico da Figura 1. Figura 1 ± Frequequência de realização de atividades experimentais.. Fonte: dos autores, 2018. Isso reflete uma baixa utilização o expaço-tempo da experimentação nos contextos dos processos de ensino-aprendizagem da Química na educação básica, conforme apontado neste referencial. Considera-se que essa infrequência acaba por simplificar a concepção desta componente a aspectos excessivamente conceituais e classificatórios, apartando-se de sua dimensão empírica, procedimental e tecnológica, o que acarreta em uma baixa pré-dispposição por parte do estudante em buscar formações acadêmicas ou profissionais derivadas e/ou dependentes da Química. Quando questionados sobre seu interesse nessa dimensão da Química experimental, por meio da pergunta ± A maioria dos integrantes gostaria de desenvolver mais atividades de Química experimentalmente? ± verificou-se que, em unanimidade, todos os grupos (e provavelmente seus integrantes) acenaram positivamente, conforme mostra o gráfico da Figura 2.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO t SIEPE Universidade Federal do Pampa / Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(6) Figura 2 ± Intenção na realização de atividades experimentais.. Fonte: dos autores, 2018. Na questão ± Vocês consideram a experimentação como uma atividade de utilidade à aprendizagem de Química? Justifique. ± buscou-se identificar as concepções dos estudantes quanto às potencialidades contributivas da experimentação à aprendizagem em Química. Em falas como ³6LP SRLV p XPD IRUPD PDLV IiFLO GH DSUHQGHU ´ ³> @ DVVLP ILFDPRV PDLV ligados com a TXtPLFD ´ ³6LP SRLV p XP PpWRGR GH Dprendizagem que atrai o interesse dos alunos por ser leve e GLYHUWLGR $OpP GH TXH DSUHQGHU QD SUiWLFD HP XP ODERUDWyULR p PDLV LQWHUHVVDQWH ´ H ³6LP 3RLV R DSUHQGL]DGR VH WRUQD PXLWR PDLV HILFD] DWUDYpV GD SUiWLFD GH H[SHULPHQWRV ´ HQFRQWURX-se amplo respaldo à literatura com relação ao favorecimento da pré-disposição do sujeito em aprender Ciências a partir de aulas práticas (SILVA; MOURA; DEL PINO, 2017). Nessa direção, a proposta desenvolvida e aqui apresentada/discutida buscou integrar conceitos/princípios próprios da Química ao interesse coletivo, a partir da busca por solução a uma problematização, de fácil compreensão e potencialmente atrativa. Ao se indagar isso, por meio da questão ± O que vocês têm a dizer a respeito da atividade experimental realizada nesta manhã no laboratório de Química da Universidade? ± HP UHVSRVWDV FRPR ³$ DWLYLGDGH IRL GH ERP DSUHQGL]DGR SDUD QRVVR JUXSR ´ ³)RL XPD H[SHULrQFLD QRYD H ~QLFD IRL PXLWR OHJDO XPD QRYD oportunidade de aprender de um jeito mais interessante ´ ³)RL XPD H[SHULrQFLD GLIHUHQWH DSOLFDQGR R TXH DSUHQGHPRV QD WHRULD H DLQGD WHQGR D SRVVLELOLGDGH GH WUDEDOKDU HP JUXSR ´ H ³0XLWR OHJDO H LQWHUHVVDQWH DGRUDPRV WXGR H DJUDGHFHPRV D RSRUWXQLGDGH H D DMXGD GRV SURIHVVRUHV ´ reiteram-se elementos como novos métodos para aprendizagem e relacionalidade teoria-prática. Com isso, cabe ao professor de Química, em amplos cenários, refletir sobre suas aulas, seus métodos, suas concepções e constantemente avaliar sua prática pedagógica quanto aos interesses de seus alunos e as possibilidades de aprendizagem oferecidas pela sua componente curricular, em termos de favorecimento da pré-disposição do sujeito em aprender. 4. CONCLUSÕES Uma experimentação, em moldes de AEP, poderá propiciar aos alunos a possibilidade de autonomia e protagonismo, ao realizarem registros, discutirem resultados, levantarem hipóteses, avaliarem possíveis explicações e discutirem, entre seus pares e com o professor, as razões e as etapas do experimento. Para tanto, deve o professor problematizar com os alunos suas concepções e observações, as amplas leituras do experimento, auxiliando-os a reconhecer a necessidade sempre constante de outros conhecimentos e, por conseguinte, a importância do diálogo reflexivo e da pesquisa orientada na busca por uma coerente interpretação dos resultados com os quais se depara. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO t SIEPE Universidade Federal do Pampa / Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(7) Com relação à atividade aqui sistematizada, verificou-se ser potencialmente capaz de, a partir do favorecimento da pré-disposição dos estudantes, contribuir às amplas aprendizagens imbuídas no contexto da Química. REFERÊNCIAS 1. COELHO, J. C. A chuva ácida na perspectiva de tema social: um estudo com professores de Química em Criciúma (SC). 2005. Dissertação (Mestrado em Educação Científica e Tecnológica) ² Centro de Ciências Físicas e Matemáticas, Centro de Ciências da Educação, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2. GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 8.ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. 3. MERÇO, F. A experimentação no ensino de Química. IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Atas do IV ENPEC. Bauru, São Paulo. 2003. 4. SANTOS, W. L. P.; SCHNETZLER, R. P. Função social: o que significa Ensino de Química para formar o cidadão? Quim. Nova. Esc. N. 4, p. 28-34, 1996. SILVA, L. H. A.; ZANON, L. B. A experimentação no Ensino de Ciências. In: SCHNETZLER, R. P.; ARAGÃO, R. M. R. Ensino de Ciências: fundamentos e abordagens. Piracicaba: CAPES/UNIMEP, 2000. 5. SILVA, A. L. S.; MOURA, P. R. G.; DEL PINO, J. C. Atividade Experimental Problematizada (AEP) como uma estratégia pedagógica para o Ensino de Ciências: aportes teóricos, metodológicos e exemplificação. Experiências em Ensino de Ciências V.12, N°. 5. 2017. 6. SILVA, A. L. S.; MOURA, P. R. G.; DEL PINO, J. C. Atividade Experimental Problematizada: uma proposta de diversificação das atividades para o Ensino de Ciências. Experiências em Ensino de Ciências V.10, N°. 3. 2015.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO t SIEPE Universidade Federal do Pampa / Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
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