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Revista
Portuguesa
de
Estomatologia,
Medicina
Dentária
e
Cirurgia
Maxilofacial
Investigac¸ão
original
Cárie
precoce
da
infância
nas
crianc¸as
em
idade
pré-escolar
do
distrito
de
Lisboa
(critérios
International
Caries
Detection
and
Assessment
System
II)
Sónia
Mendes
∗e
Mário
Bernardo
FaculdadedeMedicinaDentária,UniversidadedeLisboa,UICOB–unidadeI&Dn◦4062daFCT,Lisboa,Portugal
informação
sobre
o
artigo
Historialdoartigo: Recebidoa11demaiode2015 Aceitea22dejulhode2015 On-linea9desetembrode2015 Palavras-chave: Cáriedentária Infância Epidemiologia SaúdeOral
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Objetivos:Estetrabalhopretendeucontribuirparaoconhecimentoepidemiológicodacárie precocedainfância(CPI)napopulac¸ãoportuguesa.Osseusobjetivosforamestudar,nas crianc¸ascomidadesentreos3eos5anosdeidade,quefrequentavamjardins-de-infânciado distritodeLisboa:1)aprevalênciadeCPI;2)agravidadedaCPI(índicecpod);3)aassociac¸ão entreascaracterísticassociodemográficaseaprevalênciaegravidadedeCPI.
Métodos:Foirealizadoumestudotransversalcomumaamostraprobabilística,constituída por443crianc¸as.Arecolhadedadosfoirealizadaatravésdeumquestionárioaplicadoaos paisdascrianc¸asedeumaobservac¸ãointraoral.Odiagnósticodecáriefoirealizadopor umobservadorcalibradosegundooscritériosICDASII.Oquestionáriorecolheuinformac¸ão sobreasvariáveissociodemográficasdacrianc¸a.Foirealizadaaanálisedescritivadas variá-veiseutilizadosostestesde2,Mann-WhitneyeKruskal-Wallis(␣=0,05).
Resultados:AprevalênciadeCPIfoi56,4%eocA-6podmédio2,5(dp=3,43).Considerando
somenteaslesõescavitadas(correspondenteaoscritériosdaOMS)aprevalênciadecáriefoi de26%eoc4-6podde0,9.Agrandemaioriadaslesõesdecárienãoapresentavatratamento
(90,6%).Otipodejardim-de-infância eoníveldeeducac¸ãoda mãeforamosprincipais fatoresassociadosàcárienestasidades(p<0,05).
Conclusões:AprevalênciaegravidadedeCPIpodemserconsideradaspreocupantestendo em considerac¸ão as idades dos participantes, demonstrando a necessidade de uma intervenc¸ãomaisprecoce. Onível de educac¸ãoda mãee otipode jardim-de-infância poderãoserutilizadoscomoindicadoresparaaimplementac¸ãodeestratégiasderiscona populac¸ão.
©2015SociedadePortuguesadeEstomatologiaeMedicinaDentária.Publicadopor ElsevierEspaña,S.L.U.EsteéumartigoOpenAccesssobalicençadeCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
∗ Autorparacorrespondência.
Correioeletrónico:[email protected](S.Mendes).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rpemd.2015.07.002
1646-2890/©2015SociedadePortuguesadeEstomatologiaeMedicinaDentária.PublicadoporElsevierEspaña,S.L.U.Esteéumartigo OpenAccesssobalicençadeCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Early
Childhood
Caries
in
pre-school
children
of
Lisbon
(International
Caries
Detection
and
Assessment
System
II
criteria)
Keywords: Dentalcaries Childhood Epidemiology OralHealth
a
b
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Objectives: ThisstudypretendstocontributeknowledgeofEarlyChildhoodCaries(ECC) inthePortuguesepopulation.Tostudyinchildrenaged3to5years-old,whoattended kindergartenofLisbonDistrict:1)theprevalenceofECC;2)theseverityoftheECC(dmft index);3)theassociationbetweensociodemographic characteristicsandtheprevalence andseverityofECC.
Methods:Cross-sectionalstudywitharandomsampleconsistingof443children.Data collec-tionwasconductedthroughaquestionnaireappliedtoparentsofchildrenandanintraoral observation.CariesdiagnosisusingICDASIIcriteriawereperformedbyatrainedand
calibra-tedexaminer.Questionnairecollectedthesocio-demographicvariables.Statisticalanalyse includedescriptionofvariablesand2,Mann-WhitneyandKruskal-Wallistests(␣=0.05).
Results: PrevalenceofECCwas56.4%andaveragedA-6mft2.5(SD=3.43).Consideringonly
cavitatedlesions(correspondingtoWHOcriteria)cariesprevalencewas26%andd4-6mft
0.9.Thevastmajorityofcarieslesionshadnotreatment(90.6%).Thekindergartentype (public,privateorgovernmentsupported)andthemother’seducationwerethemainfactors associatedwithECC(p<0.05).
Conclusions: ECCprevalenceandseveritycanbeconsideredalarminginconsiderationthe ageoftheparticipants,demonstratingtheneedforearlyintervention.Mother’seducation andthekindergartentypecanbeusedasindicatorsfortheimplementationofriskstrategies inthepopulation.
©2015SociedadePortuguesadeEstomatologiaeMedicinaDentária.Publishedby ElsevierEspaña,S.L.U.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
Emboraepidemiologicamente,nospaísesocidentais,setenha verificadoumadiminuic¸ão evidentedaprevalênciae gravi-dadede cárie, também confirmada emPortugal1–3, a cárie
permaneceumadasdoenc¸asmaiscomunsemtodoomundo, peloquecontinuaaserconsideradaumimportanteproblema desaúdepública4–6.Acárieéadoenc¸amaisprevalentena
infânciae,deacordocom aOrganizac¸ãoMundialdaSaúde (OMS),cercade60-90% da populac¸ãomundialescolarizada apresentaestadoenc¸a7.Emboraafetetodasasidades,a
expe-riênciadecárietemtendênciaaaumentarcomaidade,devido aomaiortempodeexposic¸ãodosdentesnacavidadeoral4.
Mesmonospaísesondeseverificaumaumentodonúmero deindivíduosisentosdecárie,continuaaexistirumaminoria dapopulac¸ão,sobretudoindivíduospertencentesaosníveis socioeconómicosmaisbaixos8–11,comníveisgravese
inacei-táveisdestadoenc¸a.Estarelac¸ãopodeserexplicadaporrazões financeirasesociais,quelevamadificuldadesnaobtenc¸ão de cuidados epráticas relacionadas com a saúde oral e a dificuldades no acesso aos servic¸os de saúde ea ambien-tessaudáveis.Adicionalmente,osindivíduoscomumnível socioeconómicomaisbaixoparecemapresentarumamenor percec¸ãodanecessidadedecuidados,deprevenc¸ãoetambém piorescrenc¸asemsaúdeoral,utilizandomenososservic¸os preventivosmesmoquandooseuacessoégratuito.
A perda prematura de dentes em crianc¸as, devido a dor e infec¸ão, pode contribuir para alterac¸ões da fala, da alimentac¸ãoeconsequentementeumincorreto desenvolvi-mentoecrescimento.Assuascomplicac¸ões podemlevara
perdadehorasescolareseaumadiminuic¸ãodaqualidadede vida,desgastandoacrianc¸afísicaepsicologicamente12–14.Por
outrolado,otratamentodadoenc¸aemidadesmuitojovens, paraalémdedispendioso,podeserbastantecomplexo,devido aproblemasdecolaborac¸ão,podendo oscasosmaisgraves levarànecessidadedesedac¸ãooudeanestesiageral15.
Acárieemcrianc¸ascomidadepré-escolar(atéaos6anos deidade)temvindoaserreferidacomo«earlychildhoodcaries», sendoestaexpressãousualmentetraduzidaparaportuguês como«cárieprecocedainfância»(CPI).
ACPIédefinidacomoapresenc¸adeumoumaisdentes decíduoscomcárie(cavitadaounão),restauradosou perdi-dos devido a cárie,em crianc¸as com menosde 6 anos de idade16.Podeaindaserclassificadasegundoasuagravidade,
considerando-se«CPIgrave»qualquersinaldecárieem super-fícieslisas,incluindo«manchasbrancas»,numacrianc¸acom idadeinferiora3anos(36meses)ouapresenc¸adeumdos inci-sivossuperioresafetadosporcárienumacrianc¸acomidade entreos3-5anos,umvalordoíndicededentescariados per-didoseobturados(cpod)maiorouiguala4aos3anos,um cpodmaiorouiguala5aos4anosouumcpodmaiorouigual a6aos5anosdeidade16.
Os dados epidemiológicos sobre a CPI em Portugal são escassos,poisamaioriadosestudosportugueses concentra--senosgruposetáriosíndicerecomendadospelaOMS17,que
correspondemnainfânciaaos6e12anos.Poroutrolado,os estudospublicadossobreCPIsão,nasuamaioria,efetuados emamostrasnãoprobabilísticasoudepequenadimensão.
Vasconcelosetal.encontraramemcrianc¸asdeMatosinhos umaprevalênciadeCPIde15%emcrianc¸asdeidadeentre1-5 anos18.UmoutroestudorealizadonafreguesiadeAlcântara,
emcrianc¸asentreos3-5anosdeidade,encontrouuma pre-valênciade48,1%eumcpodmédiode2,1,verificando-seque aprevalênciaegravidadedeCPIaumentavamcomaidadeda crianc¸a9.NafreguesiadeVilaFrancadeXiraaprevalênciade
CPIemcrianc¸asentreos3-5anosfoide28,7%,sendoovalor decpodmédioaos3anosdeidadede0,4;aos4anosde0,8e aos5anosde1,619.Umestudomaisrecente,realizadonuma
populac¸ãopré-escolardoPorto,revelouumaprevalênciade CPIde34,6%eumvalormédiodecpodde1,4220.Estes
estu-dosportuguesesutilizaramoscritériosdaOMS17,sendoestes
oscritériosmaisutilizadosemtodoomundoenosquaisé diagnosticadaaexperiênciadecárienadentina,sendo con-sideradossaudáveis todosos dentescom lesõesiniciaisde cárie.
Opoucoconhecimentosobreadistribuic¸ãoeos determi-nantesdaCPInapopulac¸ãodificultaacriac¸ãodeprogramas preventivoseaorganizac¸ãodecuidadosdesaúdeadaptados àsreaisnecessidadesdapopulac¸ão.
Estetrabalhopretendeu contribuir paraoconhecimento epidemiológicodaCPInapopulac¸ãoportuguesa.Osseus obje-tivosforamestudar,nascrianc¸ascomidadesentreos3-5anos deidade,quefrequentavamjardins-de-infânciadodistritode Lisboa,1)aprevalênciadeCPI;2)agravidadedaCPI(índice cpod);3)aassociac¸ãoentreascaracterísticas sociodemográfi-caseaprevalênciaegravidadedeCPI.
Materiais
e
métodos
Paraatingiros objetivospropostosfoi realizadoumestudo observacionaletransversal.
Apopulac¸ão-alvodoestudocorrespondeuàscrianc¸ascom idadescompreendidasentreos3-5anosdeidade,a frequen-taremosjardins-de-infânciadodistritodeLisboa.
O cálculo da dimensão mínima da amostra foi de 340 crianc¸as21,masosinvestigadores,deacordocomosrecursos
disponíveis,considerarampossívelincluirnoestudocercade 500crianc¸as.Paraaselec¸ãodaamostraadotou-seuma meto-dologiaprobabilísticamultietápica,estratificada portipode jardim-de-infância(público,instituic¸ãoparticularde solidari-edadesocial–IPSS–ouprivado)eporconcelho.Aunidade deamostragemcorrespondeuàsala deaula.Considerando quecadasaladeaulapossui,emmédia,20-25crianc¸as,foram selecionadosaleatoriamente25jardins-de-infânciaapartirda listado«Roteirodasescolas»(páginadainternetdoMinistério daEducac¸ão).Aamostraincluiu9jardins-de-infância públi-cos,8IPSSe8privados,sendoestesdistribuídos proporcional-mentepelos16concelhosdodistritodeLisboa.Numasegunda etapaselecionou-seemcadaumdosjardins-de-infância, tam-bémaleatoriamente,umasaladeaulaconstituídaporcrianc¸as pertencentesaogrupoetáriodeinteresse.Foramconsiderados comocritériosdeinclusãodosparticipantesterentre3-5anos deidade,aexistênciadeconsentimentoinformadodospaise aparticipac¸ãovoluntáriadacrianc¸a.
OestudofoiaprovadopelaComissãodeÉticaparaaSaúde daFaculdadedeMedicinaDentáriadaUniversidadede Lis-boa e pela Direc¸ão-Geral da Educac¸ão. Foi também obtida autorizac¸ãodasdirec¸õesdetodasasinstituic¸ões participan-tes.Apenas2dosjardins-de-infânciaselecionadosrecusaram aparticipac¸ãonoestudo,alegandofaltadedisponibilidade,
peloqueforamsubstituídospor2outros,comcaracterísticas semelhantes.
Otrabalhodecampofoiefetuadoentremarc¸ode2011e marc¸ode2012,sendoarecolhadedadosrealizadaatravésde umexameintraoraledeumquestionário.
Oexameintraoralfoifeitonasinstalac¸õesdos jardins-de--infância por umobservador treinado e calibrado segundo os critérios InternationalCariesDetection and Assessment Sys-tem(ICDASII)22.Paraaobservac¸ãoforamutilizadosespelhos
intraoraisesterilizados(ASA,ref.2200E-5),sondasCPI(ASA, ref. 0702L-12S) e um foco de iluminac¸ão LED, sendo res-peitadas todas as normas de prevenc¸ão contra a infec¸ão cruzada. Antes da observac¸ão intraoralo observador esco-vavaesecavacomcompressasosdentesdosparticipantes. Como não foi utilizado ar comprimido, o registo dos códigos ICDAS «1» e «2» foi efetuado conjuntamente utili-zando a letra«A», tal como preconizado para este tipo de estudos23.
Osdadosobtidosatravésdoexameintraoralpermitiramo cálculodaprevalênciaenagravidadedecárie(índicecpod). Foiconsideradaumacrianc¸acomCPIaquelaquetinhapelo menosumalesãodecárienadentic¸ãodecídua.Paraocálculo docpodforamsomadostodososdentescariados,perdidos porcárieeobturadosdacrianc¸a.
Parapermitiracomparac¸ãodosdadoscomestudos ante-riores, que utilizaram os critérios propostos pela OMS, a prevalência de cárie foi calculadaconsiderando apenas as lesões (cavitadas)de cárienadentina,correspondendo aos critérios da OMS, sendo este indicador denominado «cárie nadentina».Foitambémrealizadoocálculodaprevalência considerandoaslesõesiniciais(não-cavitadas)easlesõesna dentina,sendonestecasooindicadordenominado«CPI».No primeirocasoforamconsiderandososcódigosICDASIIde«4»
a«6»,enquantonosegundocasoparaocálculoforamusados oscódigosICDASIIde«A»a«6».Oíndicecpodtambémfoi calculadousandoamesmametodologia:cA-6podouc4-6pod.
O questionário do estudo foi aplicado aos pais, sendo constituído porumconjuntodequestõesde resposta múl-tipla,recolhendoainformac¸ãosociodemográficadacrianc¸a, nomeadamente,sexo,idade, nívelsocioeconómico segundo o índice de Graffar24, nível de instruc¸ão da mãe, número
de pessoas doagregado familiar, ordem de nascimento da crianc¸a epaís de origemda família da crianc¸a. O questio-náriofoi distribuídoaospaisdas crianc¸asjuntamentecom o consentimento informado e recolhido pelas educadoras oupelasauxiliares dosjardins-de-infância.Adevoluc¸ãodo questionáriofoirealizadaemenvelopefechado,permitindoa confidencialidadedosdados.
Os dados foram analisados utilizando o programa IBM StatisticalPackage forSocialScience20.0® (SPSS).Foram
efetu-adas7%deobservac¸õesduplasecalculadoovalordeKappa, obtendo-se uma concordância intraexaminador de 0,87, considerada«quaseperfeita»paraLandiseKoch25.Aanálise
estatísticadescritiva incluiuocálculodasfrequências rela-tivaseabsolutasdetodasasvariáveiseocálculodamédia, mediana,moda,desvio-padrão,valormáximoevalormínimo doíndicecpod.Naanáliseinferencialutilizaram-seostestes doqui-quadrado,Mann-WhitneyeKruskal-Wallis,conforme apropriado às características das variáveis (␣=0,05). Na aplicac¸ãodotestedeKruskal-Wallis,quandoseverificaram
Crianças não incluídas: n = 103 (14,9%)
Pais não autorizaram n = 19 (3,5%)
Não devolveram o consentimento informado
n = 50 (9,2%) Não estavam presentes nos
dias de recolha de dados n = 34 (6,2%) Amostra do estudo: n = 443 (81,1%) Número de crianças selecionadas: n = 546
Figura1–Constituic¸ãodaamostradoestudo.
diferenc¸assignificativasentreosgrupos,foiutilizado posteri-ormenteumtestedecomparac¸õesmúltiplas(LeastSignificant Difference–LSD)àsordensdosdadosdessesmesmosgrupos.
Resultados
Apósaselec¸ãoaleatóriadas25salasverificou-sequeexistiam 546crianc¸ascomidadescompreendidasentreos3-5anos.A amostrafinaldoestudoincluiu443crianc¸as,representando umataxadeparticipac¸ãode81,1%(fig.1).Osmotivosdenão participac¸ãodoestudoforamanãodevoluc¸ãodoquestionário edaautorizac¸ão(n=50),ascrianc¸asnãoestarempresentes nosdiasderecolhadosdados(n=34)eospaisnãoautorizarem (n=19).
A caracterizac¸ão e distribuic¸ão da amostra segundo as variáveissociodemográficassãoapresentadasnatabela1.A médiadeidadesdascrianc¸asfoide4,2anos(dp=0,8).
Aprevalênciadecárie,quandoconsideradasaslesõesde cárieiniciaise aslesões da dentina,foi de56,4%,sendo o cA-6pod2,5.AprevalênciadeCPIgravefoide22,3%,também
incluindoaslesõesiniciaisedadentina.Considerandoapenas aslesõesdadentina,aprevalênciadecáriedesceupara26,0% eoc4-6podencontradofoide0,9(tabela2).Nafigura2pode
observar-seadistribuic¸ãodaamostrapelosvaloresdoíndice cpod(cA-6podec4-6pod).
Analisandoos3componentes docpod,verificou-seque ocomponentecariado (c)foi oquemaiscontribuiu parao c4-6pod,correspondendoa90,6%dosdentesafetadosporcárie
(fig.3).
A associac¸ão entre a prevalência e gravidade de cárie e as variáveis sociodemográficas estudadas é apresentada na tabela 3. Não se verificou associac¸ão estatisticamente significativanoquedizrespeitoaosexoeaopaísdeorigem dacrianc¸a.Ascrianc¸asmaisvelhasapresentaramumamaior prevalênciade cárie na dentina (p=0,001)e maior c4-6pod
(p=0,002), revelando-se esta diferenc¸a mais evidente dos 3paraos4anos deidade. Nascrianc¸as quefrequentavam escolasprivadasecujasmãestinhamumníveldeinstruc¸ão maisaltoobservaram-sevaloresdeprevalênciaegravidadede cáriesignificativamentemenores (p<0,05). Adicionalmente, verificou-seumatendênciaparaqueascrianc¸ascomníveis
socioeconómicos mais baixos apresentassem valores mais altos de prevalência e gravidade de cárie, emborasó com diferenc¸as significativas no que se refere à prevalência de cárienadentina(p=0,02),aocA-6pod(p=0,02)eaoc4-6pod
(p=0,008).Ascrianc¸asdefamílias comummaioragregado familiartiveram,tendencialesignificativamente,umamaior prevalência de CPI grave (p=0,034), de cárie na dentina
Tabela1–Distribuic¸ãodaamostrasegundoasvariáveis sociodemográficas Variável Categorias n % Sexo(n=443) Feminino 219 49,4 Masculino 224 50,6 Idade(n=443) Trêsanos 100 22,6 Quatroanos 167 37,7 Cincoanos 176 39,7 Tipode jardim-de-infância (n=443) Público 156 35,2 IPSS 142 32,1 Privado 145 32,7 Nívelsocioeconómico (Graffar)(n=358)
ClasseI(maisalto) 59 16,5
ClasseII 154 43,0
ClasseIII 112 31,3
ClasseIV 33 9,2
Níveldeinstruc¸ãoda
mãe(n=407)
ClasseIeII(maisaltos) 176 43,2
ClasseIII 162 39,8 ClasseIVeV 69 17,0 Agregadofamiliar (n=411) Duaspessoas 21 5,1 Trêspessoas 109 26,5 Quatropessoas 185 45,0
Cincooumaispessoas 96 23,4
Ordemdenascimento dacrianc¸a(n=415) Primeirofilho 194 46,8 Segundofilho 169 40,7 Terceirofilho 34 8,2 Quartooumais 18 4,3 Paísdeorigemda família(n=410) Portugal 287 70,0 Paísafricano 68 16,5 Brasil 15 3,7 LestedaEuropa 16 3,9 Outro 24 5,9
Tabela2–Prevalênciaegravidadedecáriedentária(n=443)
Prevalência Gravidade(Índicecpod)
CPI CPIgrave Cárienadentina cA-6pod c4-6pod
%(n) %(n) %(n) Média(dp) Mediana Mín. Max. Média(dp) Mediana Mín. Max.‘
56,4(250) 22,3(99) 26(115) 2,5(3,43) 1 0 18 0,9(2,12) 0 0 14 80,0 70,0 60,0 % 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 0,5 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,00,70,00,9 0,7 0,9 0,7 0,7 2,3 1,6 2,5 1,4 1,8 3,8 2,0 3,6 2,5 4,5 6,5 16,3 43,6 74,0 cA-6po c4-6po cpod 5,9 8,6 7,9 3,8 1,1
Figura2–Distribuic¸ãodosvaloresdoíndicecpodnaamostra.
(p=0,004)edec4-6pod(p=0,005).Porúltimo,ascrianc¸asque eramoquarto(oumais)filhoanasceremnafamíliatinham umamaiorprevalênciade cárienadentina(p=0,013)eum c4-6podmaiselevado(p=0,009)quandocomparadascomas restantescrianc¸as(tabela3).
% 100,0 80,0 90,0 60,0 70,0 20,0 30,0 40,0 50,0 10,0 0,0 c4-6pod 90,6% 2,2% 7,2% o p c
Figura3–Componentesdoíndicecpod.
Discussão
Tendoemcontaadimensão,ométododeselec¸ãoeas carac-terísticasda amostradeste estudo,esta podeconsiderar-se representativa das crianc¸as com idades entre os 3-5 anos quefrequentavamjardins-de-infânciadodistritodeLisboa. Segundo os resultados dos últimos censos portugueses26,
realizados em 2011, a populac¸ão que frequenta o ensino pré-escolar no distrito de Lisboa corresponde a 69,2% da populac¸ãodestasidades,sendoestaumaproporc¸ãobastante significativa.
Aaplicac¸ãodoscritériosdoICDASII22paraodiagnóstico
decáriefoiumamais-valiaimportantenesteestudo,poiseste sistematemagrandevantagemdeefetuaroregistodaslesões iniciaisdecárie,emestádiodepré-cavitac¸ão,sendoestasas que mais beneficiam doefeito terapêuticodos fluoretos27.
Verificou-seaexistênciadeumagrandequantidadedelesões iniciais,podendoesteresultadoserconsideradoimportante para a implementac¸ão de estratégias de prevenc¸ão secun-dária da doenc¸a que incluam a aplicac¸ão de selantes ou de fluoretos. Adicionalmente, a detec¸ão de indivíduos ou populac¸ões de risco28 é também potenciada, permitindo a
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161
CPI CPIgrave Cárienadentina cA-6pod c4-6pod
%(n) %(n) %(n) Média(dp) Média(dp) Sexo(n=443) Feminino 58,0(127) p=0,51* 18,7(41) p=0,07* 24,7(54) p=0,54* 2,5(3,42) p=0,72*** 0,8(1,94) p=0,39*** Masculino 54,9(123) 34,9(58) 27,2(61) 2,4(3,44) 1,0(2,28) Idade(n=443) Trêsanos 49,0(49) p=0,23* 16,0(16) p=0,18* 12,0(12) p=0,001* 1,8(3,04) p=0,059** 0,5(1,86)a p=0,002** Quatroanos 58,1(97) 25,7(43) 28,1(47) 2,7(3,54) 1,0(2,01)b Cincoanos 59,1(104) 22,7(40) 31,8(56) 2,6(3,51) 1,1(2,32)b
Tipodejardimdeinfância(n=443)
Públicos 65,4(102) p=0,002* 25,0(39) p=0,004* 34,0(53) p=0,001* 3,0(3,51)a p<0,001** 1,3(2,58)a p<0,001**
IPSS 57,7(82) 28,9(41) 28,2(40) 2,9(3,94)a 1,1(2,24)a
Privados 45,5(66) 13,1(19) 15,2(22) 1,5(2,49)b 0,3(1,05)b
Nívelsocioeconómico(Graffar)(n=358)
ClasseI(maisalto) 44,1(26) p=0,07* 11,9(7) p=0,06* 18,6(11) p=0,02* 1,6(2,78)a p=0,02** 0,7(1,84)a p=0,008**
ClasseII 56,5(87) 18,8(29) 21,4(33) 2,2(3,16)a 0,6(1,61)a
ClasseIII 55,4(62) 28,6(32) 25,9(29) 2,5(3,39)ab 1,0(2,27)a
ClasseIV 72,7(24) 24,2(8) 45,5(15) 3,6(3,67)b 2,0(2,88)b
Níveldeinstruc¸ãodamãe(n=407)
ClasseIeII(maisaltos) 50,6(89) p=0,014* 13,1(23) p<0,001* 17,6(31) p<0,001* 1,7(2,76)a p<0,001** 0,5(1,42)a p<0,001**
ClasseIII 57,4(93) 24,7(40) 25,9(42) 2,5(3,33)b 0,9(1,88)a ClasseIVeV 71,0(49) 42,0(29) 49,3(34) 4,3(4,37)b 2,4(3,38)b Agregadofamiliar(n=411) Duaspessoas 47,6(10) p=0,60* 19,0(4) p=0,034* 28,6(6) p=0,004* 3,0(5,03) p=0,21** 0,6(1,16)ab p=0,005** Trêspessoas 54,1(59) 15,6(17) 19,3(21) 2,1(3,24) 0,7(1,87)a Quatropessoas 56,8(105) 19,3(39) 22,2(41) 2,2(2,98) 0,8(1,95)a
Cincooumaispessoas 61,5(59) 32,3(31) 39,6(38) 3,1(3,87) 1,6(2,76)b
Ordemdenascimentodacrianc¸a(n=415)
Primeirofilho 54,1(105) p=0,74* 19,6(38) p=0,26* 21,6(42) p=0,013* 2,3(3,31) p=0,41** 0,8(1,95)a p=0,009**
Segundofilho 58,6(99) 22,5(38) 27,2(46) 2,4(3,37) 0,9(2,11)a
Terceirofilho 61,8(21) 26,5(9) 32,4(11) 2,5(3,05) 1,2(2,28)ab
Quartooumais 61,1(11) 38,9(7) 55,6(10) 4,1(4,85) 2,6(3,40)b
Paísdeorigemdafamília(n=410)
Portugal 57,8(166) p=0,82* 22,3(64) p=0,26* 25,8(74) p=0,89* 2,4(3,31) p=0,30** 0,9(2,03) p=0,67**
Paísafricano 52,9(36) 17,6(12) 26,5(18) 2,4(3,63) 0,9(2,14)
Brasil 53,3(8) 26,7(4) 26,7(4) 2,0(3,29) 0,8(1,62)
LestedaEuropa 68,8(11) 43,8(7) 37,5(6) 4,9(5,09) 2,6(4,21)
Outro 58,3(14) 25,0(6) 29,2(7) 2,0(2,45) 1,1(2,54)
Osvaloresquepartilhamamesmaletranãosãosignificativamentediferentes.
∗ Testedoqui-quadrado.
∗∗ TestedeKruskal-Wallis.
adoc¸ãodeestratégiasderiscocommelhorcusto-benefícioe visandoumcontrolomaisefetivodadoenc¸a.
Noentanto,amaioriadosestudosepidemiológicos, rea-lizados em Portugal e em outros países, têm utilizado os critérios da OMS17. Tal como referido, para permitir a
comparac¸ãodosresultadosobtidosnopresenteestudocom osdeoutrosestudos,nacionaiseinternacionais,procedeu-se tambémàsuaanáliseconsiderandoapenasascáries cavita-das(dadentina), tendosidoconsideradoa«linha decorte»
ovalor«4»doICDASII.Este valordecortenãoéisentode controvérsiapoisalgunsestudosreferemocódigo«3»(cárie cavitadanoesmalte)comoaqueleque,apartirdoqual,deve serconsideradoparaquemaisfidedignamenteosresultados correspondamaoscritérios decárieda OMS29–31. Poroutro
lado,esteseoutrosautoresrealc¸amqueovalorescolhidodeve teremconsiderac¸ãoasparticularidadesdoscritérios aplica-dospreviamentenosestudosepidemiológicosdapopulac¸ão emcausa.Assim,tendoemconsiderac¸ãoqueoscritériosda OMSidentificamcárie,nãosóaexistênciadecavidadeoude paredee/oufundomoledalesão,mastambém,aexistência deesmaltenãosuportado,considerou-sequeesteúltimoé equiparadoclinicamenteàexistênciadesombranadentina (código«4»doscritériosdoICDASII).Poroutrolado,a não inclusãodocódigo«3»doICDASII,correspondenteàcavidade deesmalte,relacionou-secomosautoresaconsideraremque estetipodelesõesnassuperfícieslisasseriamincluídasnos critériosdaOMS,poisnestecasopodeserconsideradauma
«cavidadeevidente». Noentanto,o mesmonão sepassará nestetipodelesõesnassuperfíciesoclusaise,nestecaso,em epidemiologiaemcasodedúvida,deveconsiderar-searegra
«scorelow».Porestasrazões,foiassumidoquealinhadecorte paraocálculodaprevalênciaegravidadedecárie,segundoos critériosdaOMS,seriaocódigo«4»doICDASII(entreo«3»e o«4»).
A prevalência de CPI encontrada no presente estudo pode considerar-sepreocupante, principalmente tendo em considerac¸ãoaidadedapopulac¸ãoestudada,com56,4%das crianc¸as a apresentarem, pelo menos, uma lesão de cárie (cavitadaounão-cavitada).AmédiadocA-6podfoi de2,5o
que,considerandoadentic¸ãodecíduacompleta(20dentes), correspondeaumaproporc¸ãomédiade12,5%dosdentes cari-ados.
A prevalênciae gravidade de cárieobtidas no presente estudo, onde a média de idade dos participantes foi de 4,2anos,verificaram-sesuperioresàsencontradasna Noru-ega aos 5 anos de idade32. Pelo contrário, os estudos de
Finlayson et al.33 e de Martinez-Pabon et al.34 realizados,
respetivamente, nos Estados Unidos da América (Detroit) e na Colômbia, apresentaram piores indicadores de saúde oral, considerandotambém para aprevalência de cárie as lesõesiniciais dadoenc¸a,no entanto,foram realizadosem populac¸õesmuitodesfavorecidas.
Outroindicadorconsideradonopresenteestudofoia pre-valênciadeCPIgrave,queapresentouumvalorde22,3%.Este resultado também podeconsiderar-se preocupantepois os casosgravesdeCPIsãoaquelesquemaiscomplicac¸ões tra-zeme,consequentemente,osquemaisafetamaqualidade devidadacrianc¸a.Alémdisso,sãoosquenecessitamde tra-tamentosmaiscomplexos,sendonamaioriadasvezesdifícil obteracolaborac¸ãodacrianc¸a.
Relativamenteàcárienadentina,osresultados encontra-dosforambastantesemelhantesaosdeAlves19,numestudo
realizado emVilaFranca de Xira,masmelhores doqueos encontradosporMartins etal.numa populac¸ãodoPorto20.
OestudodeMendesetal.9tambémapresentoupiores
resul-tados, mas foi realizado em jardins-de-infância com uma populac¸ão bastante desfavorecida e carenciada. Por outro lado, abaixaprevalênciaencontradanoestudode Vascon-celos et al.18 podeser explicada pela inclusão de crianc¸as
maisnovas,compoucosdenteserupcionadosecomreduzido tempodepermanêncianacavidadeoral.
Osresultadosdopresenteestudoforamsemelhantesaos encontradosemoutraspopulac¸õeseuropeias,comosepode verificar em estudos realizados na Itália35,36, Escócia10 e
Alemanha37.OutrosestudoseuropeusrealizadosnaGrécia38
e noReino Unido39 apresentaram valoresde prevalênciae
gravidade de cárie um pouco mais elevados. No entanto, quandocomparadoscompopulac¸õesprovenientesdeoutros paísesEuropeus,como aEstónia40, oKosovo41,aRepública
Checa42,apopulac¸ãododistritodeLisboaapresentou
melho-resindicadoresdesaúdeoral.Omesmoseverificouquando comparadoscompaísesmenosdesenvolvidoscomoaÍndia43
easFilipinas44.
Um outro aspeto importante é o facto do componente
«cariado» (c) do c4-6pod se ter verificado muito elevado,
incluindoagrandemaioriadosdentesquecontribuemparao índice.Apesardeestasituac¸ãotambémseencontrarpresente em muitos outros países35–37,44–48, evidencia uma elevada
necessidadedetratamentos dentários,aspetoindicativo da existênciadebarreirasquecondicionamoacessoaosservic¸os demedicinadentária.
Nascrianc¸asmaisvelhasobservou-se,talcomo seriade esperar, uma maior experiência de cárie. A diferenc¸a foi mais notória dos 3 para os 4 anos de idade. Este aspeto poderáserconsideradoimportanteparaadeterminac¸ãodo momentodeaplicac¸ãodasatividadesdepromoc¸ãodasaúde oral ede prevenc¸ão da cárie, apontandopara que aquelas devam ser obrigatoriamenteiniciadas antes dos4anos de idade. Idealmenteasatividadesdepromoc¸ãodesaúdeoral para sensibilizar os pais para aimportância da saúdeoral deveriam iniciar-se durante a gravidez, sendo as consul-tas de vigilância da gravidez uma boa oportunidade para asdesenvolver49.
Deummodogeral,váriosfatoressociodemográficos apre-sentaram uma associac¸ão com a prevalência e gravidade de cárie na populac¸ão estudada, sendo de realc¸ar a forte associac¸ãoeaconsistênciaemtodososindicadores estuda-dosrelativamenteaotipodejardim-de-infânciaeaonívelde instruc¸ãodamãe.
Arelac¸ãoencontradaentreoníveldeinstruc¸ãodamãeea CPIfoitambémverificadaemváriosoutrosestudos10,36,43,50,51. Derealc¸arque,nopresenteestudo,estaassociac¸ãofoimais evidentenosníveisdeeducac¸ãomaisbaixos,correspondendo às mães que nãotêm o 9.◦ ano deescolaridade completo, podendoesteaspetoserimportanteparaaaplicac¸ãode estra-tégiasderiscoespecificamentenestegrupo.
Otipodejardim-de-infânciatambémdemonstrouserum fatorassociadoàprevalênciaegravidadedecárienestas ida-des.Ofactodojardim-de-infânciaserpúblico,IPSSouprivado poderefletir,deummodogeral,onívelsocioeconómicoda
família, pelo que a explicac¸ão das diferenc¸as encontradas também pode ser explicada por este fator. À semelhanc¸a doníveldeinstruc¸ãodamãe,tambémotipode jardim-de--infânciapoderáserrelevantenaaplicac¸ãodeestratégiasde risco.
O nível socioeconómico está associado à realizac¸ão de autocuidados,aoacessoacuidadosprofissionaisdesaúdeeà criac¸ãodeumambientesaudável.Todosestesfatorespodem afetara resistênciaaodesenvolvimentoda cárie.Arelac¸ão entreacárieeonívelsocioeconómicoencontradanopresente estudoéapoiadaporváriosautoresquetambém demonstra-ramamesma relac¸ão emcrianc¸asdestasidades10,11,35. No
distritodeLisboaasdiferenc¸asforamespecialmente eviden-tesnonívelsocioeconómicomaisbaixo,ondeosindicadores deprevalênciaegravidade decárieseverificarambastante piores.
Porúltimo,ascrianc¸ascomumagregadofamiliarcom5ou maispessoasdemonstrarammaiorprevalênciaegravidadede cárie,talcomoverificadoemoutraspopulac¸ões52,53.A
dificul-dadedospaisnaimplementac¸ãoesupervisãodasrotinase tarefasdetodososfilhossimultaneamente,incluindoas rela-cionadascomasaúdeoral,podemexplicarestasdiferenc¸as. Arelac¸ão entreaordemdenascimentodacrianc¸aea pre-valênciaegravidadedecárienadentinapodeestartambém associadaaonúmerodecrianc¸asdoagregadofamiliar,pelo quepodeserexplicadapelamesmarazão.
Asdiferenc¸asencontradasrelativamenteaosfatores soci-odemográficosrefletemaquestãodadesigualdadeexistente emsaúde,maisespecificamenteemsaúdeoral,quetêmsido amplamentedebatidas10,54–56.Apesardenasúltimasdécadas
seterverificadoumadiminuic¸ãodaprevalênciaeda gravi-dadedecárienospaísesdesenvolvidos,estadoenc¸acontinua aapresentarvaloreselevadosnosmeiosmaisdesfavorecidos, demonstrandoanecessidadedeaplicac¸ãodeestratégiasde riscodirecionadasparaestaspopulac¸ões.
Conclusões
Aprevalênciaeagravidadedecárieencontradasnesteestudo podemserconsideradaspreocupantes,sobretudotendoem contaaidadedosseusparticipantes.
Agrandemaioriadaslesõesdecárienãoseencontrava res-taurada,oqueapontaparaumreduzidoacessoaoscuidados desaúdeoralnestasidades.
Os valores de prevalência e gravidade de cárie obtidos quandoconsideradasaslesõesiniciaissãosignificativamente superiores aos obtidos quando contabilizadas apenas as lesõesqueatingemadentina.Esteaspetopodeserrelevante seaplicadasmedidaspreventivascomoobjetivodeestagnar aslesõesiniciais,poisestassãoaindaconsideradasreversíveis esemnecessidadedetratamentorestaurador.
A distribuic¸ãode cárie revelou-sepolarizada, com uma grandequantidadedelesõesnumapequenapercentagemda populac¸ão,justificandoaadoc¸ãodeestratégiaspreventivas, nãosópopulacionais,mastambémderisco.Paraaaplicac¸ão dasestratégiasderiscopoderãosertidosemconsiderac¸ãoos fatoressociodemográficosqueserevelaramassociadosàCPI, emespecialotipodejardim-de-infânciaeoníveldeinstruc¸ão damãe.Aaplicac¸ãodestetipodeestratégiaspoderáajudara
esbateradesigualdadeverificadarelativamenteaos indicado-resdesaúdeoralestudados.
Responsabilidades
éticas
Protec¸ãodepessoaseanimais.Osautoresdeclaramquepara esta investigac¸ão não serealizaram experiências em seres humanose/ouanimais.
Confidencialidadedosdados.Osautoresdeclaramterseguido osprotocolosdoseucentrodetrabalhoacercadapublicac¸ão dosdadosdepacientes.
Direito à privacidade e consentimento escrito.Os autores declaramquenãoaparecemdadosdepacientesnesteartigo.
Conflito
de
interesses
Osautoresdeclaramnãohaverconflitodeinteresses.
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