PERFIL FERMENTATIVO DE SILAGENS DE HIBRIDOS DE MILHO E SORGO EM ALEGRETE RS NA SAFRA 2016/2017
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(2) PERFIL FERMENTATIVO DE SILAGENS DE HIBRIDOS DE MILHO E SORGO EM ALEGRETE-RS NA SAFRA 2016/2017 1. INTRODUÇÃO. No Brasil, devido às condições climáticas, a disponibilidade de forragem é desigual ao longo do ano, com períodos alternados de excesso ou escassez de pastagens (Tolentino et al., 2016). Como estratégia para a solução da escassez alimentar em regiões com vazios forrageiros, que restringem os índices de produção na pecuária, é utilizada a produção de silagens. Entre as forrageiras existentes no mercado, as que melhor atendem as demandas dos pecuaristas para a produção de silagens são o milho e o sorgo, decorrentes da alta capacidade produtiva e elevado valor nutricional dessas espécies. Assim como o milho, o sorgo possui características que favorecem a produção de silagens, como matéria seca (MS) e quantidades de carboidratos fermentáveis, porém, ainda não se conhece o seu potencial produtivo sob as condições na região da Fronteira Oeste. A silagem da planta inteira do milho é um dos alimentos de maior relevância para bovinos leiteiros, levando em consideração sua qualidade nutricional, alta produtividade de MS, facilidade no armazenamento e alta palatabilidade para os animais (Komleh et al., 2011). O sorgo é uma planta favorável para o processo de ensilagem, devido às suas características fenotípicas que determinam a facilidade de plantio, manejo, colheita e armazenamento (Tolentino et al., 2016). Além de ser uma excelente alternativa, o sorgo possui maior rusticidade e melhor adaptação a solos pouco férteis. Contudo, esse fator não descarta a necessidade de se manter os cuidados necessários durante o cultivo. O milho é a forragem mais tradicional por apresentar condições ideais para a produção de uma boa silagem, como o teor de matéria seca por ocasião da ensilagem entre 30% e 35%, mais de 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão. Portanto, torna-se valido considerar que para a produção adequada de silagem de boa qualidade, seja de milho ou sorgo, devem ser levados em consideração, além da produção de massa e o percentual de grãos no material ensilado, como os demais componentes da planta em sua totalidade, bem como a sua composição química (Moraes et al., 2013). Objetivou-se com o presente estudo mensurar os valores de matéria seca (MS), nitrogênio amoniacal (N-NH3) e pH do de cultivares de milho e sorgo silageiros, cultivados no município de Alegrete, no estado do Rio Grande do Sul na safra 2016/2017. 2. METODOLOGIA. O estudo foi conduzido na Fundação Maronna, Unidade do Capivarí, localizada no município de Alegrete ± RS. A semeadura foi realizada em 14/11/2016, adotandose semeadora de precisão e espaçamento entre plantas de 0,45 m. Na cultura do milho, foram utilizadas 4,3 sementes/m, visando um estande de plantas de 75000 plantas/ha. Nos sorgos, adotou-se a densidade de semeadura de 7,5 sementes/m.
(3) visando um estande de plantas de 160000 plantas/ha. As sementes foram tratadas com Cruiser+Maxim por ocasião da semeadura. Como adubação de base utilizou-se o formulado DAP, KCL e Fidagran nas dosagens de 300 kg/ha, 200 kg/ha e 250 kg/ha respectivamente para os cultivares de milho e 200 kg/ha, 200 kg/ha e 250 kg/ha para as variedades de sorgo. Como adubação de cobertura, nas culturas de milho aplicou-se 100 kg/ha de N na forma de uréia além de 180 kg/ha de KCl. Nas culturas de sorgo, utilizou-se como adubação de cobertura apenas 200 kg/ha do formulado 16.16.16. O delineamento experimental adotado foi o em blocos casualizados, com seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos consistiram de dois materiais de sorgo (Summer e Down) e quatro materiais de milho (Supremo, Defender, Feroz e Maximus).Durante o desenvolvimento da cultura, as condições climáticas foram favoráveis. A colheita foi realizada em 23/02/2017, utilizando-se de uma colhedora automotriz. Estudou-se a determinação da matéria seca, pH e nitrogênio amoniacal (NNH3) no momento da ensilagem. A forragem triturada de cada unidade experimental foi amostrada e submetidas a secagem em estufa com circulação forçada de ar, sob temperatura de 55ºC, durante 72 horas, para determinação do conteúdo de matéria seca. O pH e o N-NH3 foram determinados em amostras independentes de 50g segundo metodologias de Silva e Queiroz (2009) e Bolsen et al. (1992), respectivamente. Para a análise estatística dos dados os mesmos foram submetidos à análise de variância e quando constatada significância as médias foram comparadas pelo teste Tukey (5%) 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO. Os teores de matéria seca inicial (MSI) variaram de 18,47 a 25,24%, sendo as variedades que apresentaram maior percentual de MSI o Sorgo Summer e o Milho Maximus (Tabela 1). Contudo, preconiza-se valores mínimos de 30% de MS, sendo esse o segundo valor mais importante para a supressão de clostrídeos, sendo, o primeiro valores baixos de pH (Arcuri et al., 2004). Torna-se, extremamente importante a produção ideal de MS, devido ao fato da produção animal estar diretamente associada ao consumo de matéria seca (VAN SOEST, 1994). O nitrogênio amoniacal (N-NH3), expresso em %N-Total, aponta a quantidade de proteína degradada durante a fase de fermentação. O N-NH3 presente na silagem é um indicador da extensão da atividade dos clostrídeos, uma vez que é produzido em pequenas quantidades por outros microrganismos da silagem e enzimas da planta (Tosi et al., 2001). Os valores de nitrogênio amoniacal variaram entre 5,11 a 8,76%, tendo como menor porcentagem o cultivar de milho Defender e maior o sorgo Down (Tabela 1). Portanto, valores que se encontram entre 5 a 7% são considerados aceitáveis (Kung Junior et al.,2001). Valores dentro dessa faixa significam que o processo de fermentação não resultou em quebra excessiva de proteína em amônia, portanto, os aminoácidos constituem a maior parte do nitrogênio não-protéico (Van Soest 1994). Visto isso, o sorgo Down apresentou valor de N-NH3 acima da faixa de valor ideal, o que segundo McGechan (1989), indica maior intensidade de proteólise, principalmente pela degradação de aminoácidos por clostrídeos proteolíticos..
(4) Tabela 1- Valores da matéria seca inicial (MSI), nitrogênio amoniacal (N-NH3) e pH. Material MSI (%) N-NH3 % N total pH Sumer 25,24A 5,37C 3,87B Down 18,47D 8,76A 3,78B Supremo 20,37C 6,96B 3,77B Defender 22,35B 5,11C 4,30A Feroz 22,25B 5,67C 3,78B Maximus 24,84A 6,55B 3,44C Média 22,26 6,00 3,82 CV (%) 1,44 3,99 1,94 0,000 0,000 0,000 P Value *Medias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste Tukey (5%). MSI (%): Matéria Seca Inicial; N-H3 (%): Nitrogênio Amoniacal; pH: Potencial Hidrogeniônico. CV: coeficiente de variação. P value: Nível de significância da análise.. O pH das amostras, com a exceção do milho Defender permaneceram abaixo de 4,2 (Tabela 1). Os valores de pH não devem ultrapassar o valor 4,2, esta faixa é considerada ideal devido ao fato dos microorganismos indesejaveis, como os clostrideos, não suportarem condições acidas, portanto, ocorrendo melhor fermentação (Oliveira Macedo, C. H., et al. 2012). A importância também se deve também, por esses microorganismos serem responsáveis pela fermentação secundária que pode ocasionar perdas (Arcuri et al., 2004). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Os valores de matéria seca inicial (MSI) referente tanto aos híbridos de sorgo quanto aos híbridos de milho apresentaram valores abaixo do esperado para a constituição de uma boa silagem. Porém, os valores referentes a fermentatividade, que são o nitrogênio amoniacal (N-NH3) e pH, apresentaram-se adequados. 5. REFERÊNCIAS. ARCURI, P. B.; CARNEIRO, J. C.; LOPES, F. C. F. Microrganismos indesejáveis em forragens conservadas: efeito sobre o metabolismo de ruminantes. In: SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO E UTILIZAÇÃO DE FORRAGENS CONSERVADAS, 2., 2004, Maringá. BOLSEN, K.K.; LIN, C.; BRENT, B. E. et al. Effect of silage additives on the microbial succession and fermentation process of alfalfa and corn silages. Journal of Dairy Science., v.75, n.11, p.3066-3083, 1992. KOMLEH, S.H.P.; Keyhani, A.; Rafiee, S.; Sefeedpary, P. Energy use and economic analysis of corn silage production under three cultivated area levels in Tehran province of Iran. Energy, v.36, p. 3335- 3341, 2011. KUNG JUNIOR, L. Silage fermentation and additives. Science and technology in the IHHG LQGXVWU\ ,Q 352&((',1* 2) $//7(&+¶6 $118$/ 6<0326,80 Nottingham. PURFHHGLQJ« 1RWWLQJKDP 1RWWLQJKDP 8QLYHUVLW\ 3UHVV S 145159. McDONALD P. The biochemistry of silage. New York, A Wiley±Interscience Publication. 226p, 1981..
(5) McGECHAN, M.B. A review of losses arising during conservation of grass forage:Storage losses. Journal Agricultural Engineering Research, v.45, p.1- 30, 1989. MORAES, S. D.; JOBIM, C. C.; SILVA, M. S.; MARQUARDT, F. I. Produção e composição química de híbridos de sorgo e de milho para silagem. Rev. Bras. Saúde Prod. Anim., Salvador, v.14, n.4, p.624-634 out./dez., 2013. OLIVEIRA MACEDO, C. H.; ANDRADE, A. P.; SANTOS, E. M.; SILVA, D. S.; SILVA, T. C.; EDVAN, R. L. Perfil fermentativo e composição bromatológica de silagens de sorgo em função da adubação nitrogenada. Revista Brasileira de Saúde Produção Animal, Salvador, v.13, n.2, p.371-382 abr./jun., 2012 SILVA, D.J.; QUEIROZ, A.C. Análise de alimentos: métodos químicos e biológicos. 3ª ed. Universidade Federal de Viçosa, 2009. 235p. TOLENTINO, D. C.; RODRIGUES, J.A.S.; PIRES, D.A.A.; VERIATO, F.T.; LIMA, L.O.B.; MOURA, M.M.A. The quality of silage of different sorghum genotypes. Acta Scientiarum. Animal Science, v.38, n.2 p.143-149, 2016. TOSI, H.; JOBIM, C. C. Conservação de forragens: silagem. In: BIOTECNOLOGIA INDUSTRIAL ± BIOTECNOLOGIA NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS, 2001, São Paulo. Anais... São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, v. 4, 2001. p. 491-505. VAN SOEST, P.J. Plant, animal and environment. In: Nutritional ecology of the ruminant. 2.ed. Ithaca: Cornell University, 1994. p.77-92..
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