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Brasil_Britto-1_Comunicacion Oral

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Análise da produção acadêmica brasileira sobre temáticas relacionadas a formação inicial de professores

BRITTO, Roseli Maria G Monteiro de 1; AMARAL, Edênia Maria Ribeiro do2. 1UFRPE/Pós Graduação em Ensino das Ciências, nível doutorado, Recife, Brasil. E-mail: [email protected]

2 UFRPE/ Departamento de Educação, Recife, Brasil.

RESUMO

Este trabalho apresenta uma análise da produção acadêmica nacional sobre

formação inicial de professores publicada em periódicos da área de Ensino de

Ciências, entre 2005 a 2015. O levantamento realizado no sítio eletrônico de

importantes periódicos nacionais, todos qualis A, teve como objetivo identificar

pesquisas que discutiam e traziam propostas para a formação inicial. A análise

permitiu categorizar a produção segundo a temática predominante, por

periódico, áreas disciplinares e grupos de estudo, e ainda, verificar tendências

de estudo nesse universo e se apresentavam propostas de estruturação de

processos formativos para superação da tão denunciada insuficiência dos

cursos de formação que levam a dicotomia teoria x prática. Tal análise nos

possibilitou uma melhor compreensão de como a formação inicial de

professores tem sido concebida e pensada na área, fornecendo-nos

interessantes 'indícios' para investigar tais ações no presente. Verificamos que há um número muito reduzido de trabalhos que discutem a “formação inicial” e

que apresentam propostas para estruturação de processos formativos que

articulem teoria e prática.

Palavras-chave: Produção acadêmica, Formação Inicial de professores, Pesquisa em Ensino de Ciências, Processos formativos;

ABSTRACT

This paper presents an analysis of the national academic production on initial

teacher education published in journals of science education area, from 2005 to

2015. The survey on the website of national journals important, all qualis A,

aimed at identifying research they discussed and brought proposals for initial

training. The analysis allowed to categorize the production according to the

prevailing theme for periodic, subject areas and study groups, and even check

(2)

processes to overcome as reported insufficient training courses lead the

dichotomy theory x practice. This analysis allowed us to a better understanding

of how the initial training of teachers has been conceived and designed in the

area, providing us interesting 'evidence' to investigate such actions in the

present. We found that there is a very small number of works that discuss the

"initial training" and submitting proposals for structuring training processes that

link theory and practice.Keywords: Academic production, Initial Teacher Training, Research in Science Teaching, training processes;

INTRODUÇÃO

Nesse trabalho, traçamos um mapa da produção brasileira sobre a

formação inicial de professores de ciências. Buscamos agrupar as pesquisas

pela temática predominante, com o objetivo investigar propostas para os cursos

de formação inicial, especificamente, analisando os sentidos da relação teoria e

prática e o que elas apresentam de problemas e discussões para superação

das limitações e deficiências amplamente denunciadas nesses cursos.

O interesse por esse estudo decorre da constatação de que o trabalho

docente vem sendo alvo de crítica e preocupação, principalmente, pelo fato de

que os saberes e práticas tradicionalmente estabelecidos e disseminados dão

sinais de esgotamento, não atendendo as demandas da sociedade atual, uma

vez que nos deparamos com licenciandos e licenciados que não se consideram

bem preparados e seguros para trilharem suas jornadas como docentes

(PIMENTA e LIMA, 2010; ROSA e SCHNETZLER, 2003). Essas críticas se

refletem diretamente na qualidade da formação, em que, Dias-da-Silva (2005),

e Schnetzler (2002) observam que há uma ineficiência dos cursos de

Licenciaturas que ainda formam seus professores baseados em uma

racionalidade técnica, caracterizada pela separação entre a teoria e a prática. Nesse sentido, a expressão “dicotomia teoria X prática” é o principal item

das críticas dirigidas aos cursos de formação e, sobretudo, da formação inicial.

Essa dissociação faz com que o professor, ao ingressar no exercício da

docência, tenha dificuldade de transpor o conhecimento formal para uma

realidade cotidiana porque sua formação está centrada em uma grande

quantidade de conhecimentos e de propostas teóricas, sem a devida

(3)

(2010) uma coisa é o futuro professor num curso de formação discutir e

planejar o ensino, outra é ele pôr em prática as ideias que tão bem defendeu

teoricamente.

Reconhecendo que o crescimento, em termos quantitativos, das

pesquisas na área de educação representa uma conquista, é preciso, ao

enveredar por um campo específico, avaliar o alcance dos estudos já

desenvolvidos uma vez que são inúmeros os eventos e outros afins no campo

da Educação. Entre eles, destacamos na área de ensino das ciências, o

Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC) como o

mais representativo no campo nacional. E ainda, em áreas específicas, o

Encontro Nacional de Ensino de Biologia (ENEBIO), o Simpósio Nacional de

Ensino de Física (SNEF), Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ),

Congresso Internacional de Ensino de Matemática (CIEM), entre outros, que

reúnem pesquisadores e interessados na publicação e divulgação de

pesquisas e intercâmbio de conhecimentos, denotando a importância do

movimento no âmbito acadêmico e científico.

Ainda, na área de ensino das ciências, a publicação nacional também

conta com periódicos para socializar os resultados das investigações e

questões pertinentes à Educação em Ciências no Brasil e no mundo, podemos

citar entre outros: a Revista Ciência & Educação (Unesp-Bauru); a Revista

Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC); a Revista de

Ensino de Física (SBF); a Química Nova na Escola (SBQ); a Revista Ensaio

(UFMG); a Investigações em Ensino de Ciências (UFRGS).

Devido ao volume do material sob análise, o trabalho aqui descrito não

pretende, nesta etapa da investigação, dar conta de todas as possibilidades,

tornando-se exaustivo, mas sim fornecer uma visão geral do que pudemos

observar inicialmente no período indicado.

METODOLOGIA

Para a escolha das revistas analisadas utilizamos o Sistema de Avaliação

e Qualificação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível

(4)

professores. Foi feita uma busca na própria página das revistas selecionadas,

que foram: Investigações em Ensino de Ciências

(http://www.if.ufrgs.br/ienci/?go=home/); Revista Brasileira de Pesquisa em

Educação em Ciências (http://revistas.if. usp.br/rbpec/index) e Ciência e

Educação, (http:// www.fc.unesp.br/#!/ ciedu), buscando nos títulos,

palavras-chaves, resumo e introdução as expressões: “Formação de professores”, “formação inicial”, “ensino” e “licenciandos”.

Centrando esforços na Produção Científica Brasileira e tendo em vista a

diversidade dos veículos de publicação na área, elegemos quatro indicadores

para seleção dos periódicos:

1. Consulta da qualificação do periódico no sistema de avaliação da Capes.

2. A credibilidade da comunidade científica e Conselho Editorial

3. A disponibilidade de bases de dados eletrônicas de periódicos por facilitar a extração, o

armazenamento e o tratamento posterior dos dados.

4. A missão do periódico em publicar resultados de pesquisas na área.

A primeira etapa investigativa consistiu da análise dos títulos e da coleta

das palavras-chave dos artigos que estão relacionados com a temática de

interesse. Entretanto, com o desenrolar do trabalho, verificamos que somente o

título e as palavras-chave não eram suficientes para identificar os artigos sobre

formação de professores, pois ao lermos casualmente o resumo de alguns

artigos, observamos que diversos deles, estavam relacionados com a temática

da pesquisa. Assim, reiniciamos o levantamento lendo, também, os resumos

dos artigos e em alguns casos a introdução procurando os termos, palavras ou

expressões que compunham a relação de busca assumida.

Após essa primeira etapa lemos na íntegra, exclusivamente, os artigos que

tratavam da formação inicial de professores, e então categorizamos os

trabalhos segundo a temática predominante observada em cada um, e

chegamos a seis categorias apresentadas nos resultados. E então, foi

realizada uma análise minuciosa dos artigos que apresentavam estruturação

de propostas formativas com intuito de verificar seus objetivos, características e

contribuições.

(5)

Para explicitação dos resultados, inicialmente, apresentamos na Fig 1 a

quantidade de publicações anuais sobre a formação inicial de professores.

Revista Ano de publicação

Classificação Qualis

Artigos publicados

Artigos sobre Formação

Inicial de Professores

Revista Ciência e Educação

2005 a 2015 A1 496 12

Investigações em Ensino de Ciências

2005 a 2015 A2 261 23

Revista Brasileira de Pesquisa em

Educação em Ciências

2005 a 2015 A2 262 8

Total Geral 1019 43

Fig 1-quadro com a quantidade de artigos anuais e sobre formação inicial de

professores

As revistas listadas, no período compreendido entre (2005 a 2015),

publicaram a seguinte quantidade em número de volumes: Ciência e Educação

37, Investigações em Ensino de Ciências 32 e a Revista Brasileira de Pesquisa

em Educação 33, num total de 102 números e 1019 artigos. Dentre as revistas

analisadas a IENCI com um total de 23 (vinte e três) artigos é a que mais

publicou sobre a formação inicial, e as demais revistas Ciência e Educação 11

(onze) e RBPEC, apenas 8 (oito).

Embora o número de artigos publicados seja bastante expressivo, e a

formação de professores ser linha de pesquisa da maioria dos grupos de

estudo em ensino de ciências no Brasil, os que discutem e/ou apresentam

propostas para formação inicial ainda é muito reduzido, apenas 43 artigos,

inclusive em alguns anos de publicação, não encontramos nenhum artigo

nessa linha e mesmo nos anos em que houveram publicações, a quantidade de

artigos é inferior a 4. Apesar da formação inicial ser a principal etapa de

formação do docente e vir sendo alvo de críticas sobre os seus processos de

formação, a publicação científica com estudos sobre nessa linha ainda é

incipiente.

Aprofundando as análises verificamos que, embora cada um apresente

suas especificidades, foi possível organizar os artigos em seis grupos segundo

a temática predominante, ver quadro abaixo:

Temática Predominante Área de estudo / quantidade

quant artigos

Instituições que realizam as pesquisas

(6)

do professor ou sobre um determinado conteúdo e ou método ou saberes a partir

da análise de discurso do licenciando

Física /6 Matemática/2

Química/1

UNICAMP; UEL; UESB; UFRPE; UNESP; UFMG; UFSC; UFPE; UENP; USP; UENF; UFRRJ;

UNB; UFPI

2 Perfil identitário do curso de formação;

proposta curricular do curso

Biologia/1 Física/3 Matemática/1 Inespecífica/ 1

6 UNESP; UFRPE; UNB;

UERJ; UFPR; PUC

3 Atuação do formador, seus saberes

docentes em curso de licenciatura

Biologia / 1 Física / 1 Química/2

Todas/1

5 UEFS, UFSC, UFBA;

UCB; UEPG; UFS

4 Parceria universidade-escola: a pedagogia

de projetos; currículo escolar

Bio-Quím/1 Física/1

2 UFRJ; UERJ;

Universidade Regional do Noroeste do Estado do

Rio Grande do Sul, IFF,UFSC

5 Produção de materiais pelos licenciandos:

textos didáticos; peças teatrais; projetos temáticos como estratégia para contextualização; propostas de abordagem

temática, aplicação e análise de unidades didáticas

Bio-Fís / 1 Biologia / 2

Física / 3 Química / 1

7 UNIFEI/MG; UCB;

UNICAMP e UFG; UFRGS; UNESP; USP;

UNIR

6 Proposta de processos formativos para o

licenciando

Física 3 Química 2 Ciências/1

6 UFMS; UNESP; UENF;

UFRGS; UNICAMP; USP; UFLA Fig 2 Quadro – Classificação dos artigos por temática, áreas e instituições de

pesquisas

Conforme podemos verificar no quadro (fig 2), a Física tem um maior

número de trabalhos sobre formação inicial, seguida da Biologia, porém há

uma carência de pesquisas nessa linha, sobretudo, em Matemática e Química,

entretanto é possível ponderar que os pesquisadores dessas áreas prefiram

publicar seus artigos em revistas próprias da área.

Considerando as temáticas predominantemente encontradas, a temática

número 1 engloba as características subjetivas dos licenciandos: conflitos,

preferências, motivação, perfil profissional; aspectos esses, relacionados à

história de vida de cada indivíduo. Algumas analisam reflexões por meio do

discurso dos licenciandos sobre sua prática e identificação com a docência,

suas concepções e saberes sobre determinado conteúdo ou tema, enfatizando,

a necessidade de inserção dessas abordagens na formação do licenciando.

Outras investigam o perfil socioeconômico, motivações para escolher o curso e

perspectivas quanto ao futuro profissional dele, apontando inclusive elementos

(7)

As temáticas 2 e 3 são abrangentes, entre essas, identificamos pesquisas

que analisam o formato dos cursos e o trabalho do docente formador,

apresentam críticas em relação a desarticulação entre os saberes pedagógicos

e os conteúdos específicos da área, se discute a necessária formação docente

para atuar na Educação Básica, e a estruturação dos Estágios

Supervisionados, criticando a dicotomia entre a teoria e a prática nos cursos e

destaca a importância do estágio como espaço de pesquisa.

Algumas dessas pesquisas denunciam a falta de formação específica para

atuação dos docentes formadores no magistério superior. Consideram que o

professor universitário atua reproduzindo práticas de professores de suas

trajetórias escolares, para ensinar à revelia da ação refletida e da compreensão

dos processos de ensino e aprendizagem de adultos, negando o direito aos

alunos desse professor em seus primeiros anos de prática docente,

conhecimentos, que por estarem ausentes nas práticas de seus professores,

não estarão presentes na prática dos graduandos com seus alunos. Esses

trabalhos sugerem, criação de núcleo de estudo e pesquisa abrangendo as

diversas licenciaturas, como espaço de reflexão e diálogo interdisciplinar sobre

questões fundamentais à prática de formadores e futuros professores de

ciência e da necessidade de se pensar na formação continuada de docentes

universitários.

A temática 4 engloba os trabalhos colaborativos universidade-escola e o

currículo escolar, são trabalhos que dizem respeito a algumas iniciativas de

propostas de parceria Universidade – escola, com aplicação de projetos

enfatizando a importância da pesquisa colaborativa e na perspectiva de

reflexão sobre a concretização de mudanças no currículo escolar.

A temática 5 engloba todo tipo de material produzido pelo licenciando e a

ação dele no fazer pedagógico. Nessas pesquisas a elaboração de algum

material é sempre precedida de algum tipo de orientação e acompanhada de

uma reflexão posterior sobre a perspectiva dos licenciandos quanto a tarefa

executada, avaliando a metodologia didática aplicada pelos professores em

formação inicial, enfatizando a aproximação da teoria estudada com a futura

prática proporcionando aos futuros professores uma vivência de investigação

(8)

a discussão dos aspectos relevantes do ensino, na tentativa de melhorar o

aprendizado dos estudantes e inovar suas práticas.

E por último na temática 6, estão as pesquisas que apresentam propostas

para estruturar a forma como são conduzidas as disciplinas de Prática de

Ensino nas licenciaturas, onde normalmente se dissocia a teoria da prática,

essas visam a busca pelo aperfeiçoamento dos cursos e pela possibilidade de

atingir níveis progressivos de autonomia dos futuros professores.

Percebemos que, embora haja pesquisas com diferentes temáticas e que

trazem contribuições para a reflexão da formação inicial, existirem poucas

propostas para estruturar processos formativos (temática 6) que contribuam

para minimizar a tão denunciada dissociação teoria-prática dos cursos. Muitos

desses trabalhos apresentam críticas a essa dissociação e à

racionalidade-técnica dos cursos, porém os trabalhos (temáticas 1,2 e 3) apenas indicam

fragilidades, fatores limitantes a serem superados e apontam e necessidades

formativas para licenciandos. E, outros trabalhos (temáticas 4 e 5), apesar

proporem análise de atividades realizadas pelos licenciandos no âmbito

escolar, são muito pontuais, não se configurando como propostas de formação.

É importante destacar que ao fazermos a leitura de vários desses

trabalhos foi possível perceber que existe uma tendência a se considerar que a

proposição de atividades para os licenciandos seja orientada no sentido de que

conduzam a uma prática crítico-reflexiva e ainda à formação do professor

reflexivo/pesquisador concebendo-se esses como fortes elementos de

superação das insuficiências da formação inicial.

Destacamos no quadro abaixo (fig 3) pesquisas que apresentam

propostas de estruturação de processos formativos:

R

e

v

is

ta

á

re

a Objetivo Características e intencionalidade

do processo formativo proposto

Principais Conclusões

1

(9)

1 - C n ci a & e du c. 2 0 1 4 , v ol. 2 0 , n .1 \ F ís ic a

Identificar o ethos deste licenciando, ou seja, compreender sua identidade como

professor, e

investigar, a partir da

análise de seu

discurso, se as

atividades e

discussões realizadas ao longo do curso contribuíram com sua evolução profissional.

Um conjunto de atividades são estruturadas no âmbito da disciplina Estratégia para o Ensino de Física I, em que o pesquisador lecionava, durante um semestre de 2011, cuja intenção foi possibilitar a evolução do conhecimento profissional dos futuros professores de física de forma reflexiva, favorecendo a integração entre a teoria e a prática.

As atividades propostas

potencializaram o desenvolvimento do conhecimento profissional destes futuros professores e revelaram a necessidade de se buscar estratégias que possibilitem, ao futuro professor, uma visão mais complexa sobre sua ação e que garantam oportunidades de refletir e discutir sobre sua prática, na perspectiva de possíveis melhorias nessa prática docente.

2 Título - Em busca de um perfil epistemológico para a prática educacional em educação em ciências

C n ci a & e du c . 2 0 1 4 , v o l.2 0 , n .1 \ C n cia s

Buscar a estruturação de um programa de investigação-ação

educacional na

formação inicial de professores, bem como a orientação para a reconstrução racional da própria prática educacional.

A investigação-ação, foi constituída de quatro momentos: planejamento, ação, observação e reflexão, os quais se inter-relacionam, formando ciclos de espiral auto reflexiva. Nessa pesquisa, a intenção é a estruturação

do processo formativo de

investigação-ação educacional

visando buscar o perfil

epistemológico da prática

educacional em ciências naturais, apontando em que a ciência pode iluminar a prática e os problemas de ensinar e aprender.

A sua experiência em uma formação assim estruturada tem mostrado resultados significativos de funcionalidade tais como: avanço com relação à concepção de estágio dos graduandos como uma prática investigativa; crescimento da capacidade argumentativa dos graduandos na vivência da proposta; visualização das possibilidades de investigar e criar estratégias didáticas para o trabalho educativo na escola, focando sua preocupação na construção de conhecimento;

3 Título - Interpretando reflexões de futuros professores de Física sobre sua prática profissional durante a formação inicial: a busca pela construção da autonomia docente

3 I E N C I, 2 0 1 1 , V ol. 1 6 , n . 3 \ F ís ic a

Buscar a

possibilidade de

atingir níveis

progressivos de

autonomia de futuros professores, segundo seus três modelos de profissionalidade docente,

apresentados sob

uma perspectiva

crítica e

transformadora, relacionando-os com

os paradigmas

formativos vigentes: conteudista,

humanista, ativista, reflexista e tecnicista.

Nessa pesquisa, foram propostos processos formativos reflexivos com licenciandos, durante três semestres, através do uso de cinco etapas formativas (planejamento, aplicação, reflexão, socialização, envolvimento e continuidade). Cuja intenção foi proporcionar momentos de reflexão da prática e avaliação crítica.

O estudo demonstrou que os momentos de reflexão oferecidos aos licenciandos podem permitir que estes se posicionem criticamente em relação as suas futuras atividades pedagógicas, mesmo após sua formação inicial. E a um repensar na forma em como são conduzidas as disciplinas de Prática de Ensino nos cursos de formação inicial das universidades, onde normalmente se dissocia a teoria da prática, mesmo que um estágio supervisionado seja considerado como `prática´ pela instituição formadora de professores.

Fig 3 Quadro – Artigos com proposta de processos formativos para o licenciando .

Destacamos acima apenas três dos seis trabalhos encontrados, os quais

foram escolhidos por apresentarem propostas que podem ser reproduzidas em

qualquer área das ciências, os outros eram muito específicas. Como citado

anteriormente a maioria das pesquisas envolvendo a formação inicial busca

analisar um jogo, a aplicação de um dado conteúdo, produção de um texto

(10)

representam ações pontuais e não dão conta do processo complexo que

envolve a aprendizagem do adulto (GARCIA, 2013), aqui nos referindo ao

licenciando, para atingir o nível de competência exigido a partir de tantas

necessidades formativas indicadas na literatura (CARVALHO; GIL-PÉREZ,

2009).

De um modo geral o que percebemos ao analisar esses trabalhos que

propõem processos formativos é que eles buscam um meio que integre a

formação científica e a pedagógica, que supere a dicotomia teoria e a prática

bem como, que permita um maior grau de autonomia do futuro professor. De

um modo geral esses autores alvitram que isso é alcançado na medida em que

se desenvolve no licenciando a capacidade investigativa-reflexiva de suas

ações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para otimizar o processo de busca e compreensão do objeto de pesquisa,

as estratégias adotadas foram cruciais para orientar nossas ações, entre elas,

os procedimentos metodológicos para a seleção dos artigos e a organização

por temática predominante, permitindo a análise minuciosa dos que

contemplavam propostas para estruturação de processo formativo na formação

inicial.

Ao categorizar esses trabalhos em seis temáticas predominantes,

identificamos aqueles que são relacionados a apontar fragilidades dos cursos

de formação (temáticas 1, 2 e 3), ou seja, aqueles que tratavam do

posicionamento identitário sobre um determinado conteúdo e ou método a

partir da análise de discurso do licenciando; do perfil identitário do curso; da

proposta curricular; e, dos saberes docentes e atuação do formador em curso

de licenciatura;

E aqueles que apresentam a produção do licenciando e sua aplicação no

âmbito escolar, ou seja, aqueles que abordam os trabalhos colaborativos

universidade-escola e o currículo escolar, e todo tipo de material produzido

pelo licenciando e ação dele no fazer pedagógico, mas por serem muito

pontuais não se configuram como propostas de estruturação dos cursos de

formação (temática 4 e 5). E, ainda, embora com número reduzido de

(11)

cursos de formação inicial (temática 6), para seu aperfeiçoamento no sentido

de minimizar a dicotomia teoria-prática desses cursos.

Constatamos, um número muito reduzido de publicações com foco na

formação inicial de professores e estamos convencidos de que as análises

expostas neste artigo são o ponto de partida para uma reflexão mais ampla e

detalhada, e que poderemos na continuidade realizar uma leitura de novos

acervos, conduzindo uma confrontação de tendências entre os periódicos.

Referências

CARVALHO, Anna Maria Pessoa de (org). Ensino de Ciências: Unindo a Pesquisa e a Prática. 3ª reimp. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

CARVALHO, A. M. P.; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de ciências: tendências e inovações. 9ª ed.São Paulo: Cortez, 2009.

DIAS-DA-SILVA. M. H. F. Política de formação de professores no Brasil: as ciladas da reformulação das Licenciaturas. Perspectiva, Florianópolis, v. 23, n. 2, p. 381-406, 2005.

GARCIA, Carlos Marcelo. Formação de Professores: Para uma mudança educativa. Porto-Portugal: Porto Editora, 2013.

PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência. 5. ed. SP: Cortez, 2010. ROSA, M. I. F. P. S.; SCHNETZLER, R. P. A investigação-ação na formação continuada de professores de Ciências. Ciência & Educação, Bauru, v. 9, n. 1, p. 27-39, 2003.

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