PROGRAMA DE GINÁSTICA LABORAL PARA SERVIDORES TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
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(2) Palavras-chave: Ginástica Laboral; Saúde; Exercícios.. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. PROGRAMA DE GINÁSTICA LABORAL PARA SERVIDORES TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 1 Aluno de graduação. [email protected]. Autor principal 2 Aluno de graduação. [email protected]. Co-autor 3 Docente. [email protected]. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.
(3) PROGRAMA DE GINÁSTICA LABORAL PARA SERVIDORES TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 1. INTRODUÇÃO A Ginástica Laboral (GL) consiste em um programa de exercícios estruturados e dinamizados para serem realizados no próprio local de trabalho durante o expediente. Estes exercícios devem ser planejados de acordo com as características de cada setor, com o objetivo de amenizar os fatores de risco existentes no local ao compensar os movimentos repetitivos e as posturas assumidas ou, ainda, a ausência de movimento, promovendo assim, a saúde dos trabalhadores (PEREIRA et al., 2013). A prática de atividade física é recomendada no ambiente de trabalho como uma forma preventiva de saúde (BRANCO, 2015). Neste contexto, as recomendações para a implantação da GL na empresa é de que a mesma deve ser realizada todos os dias, no mínimo três vezes ao dia, por aproximadamente 15 minutos, para que seus objetivos sejam realmente alcançados (PEREIRA, 2009; 2013). Embora esta situação seja a considerada ideal, nem sempre é a encontrada nas empresas, pois o desenvolvimento da GL depende exclusivamente de uma negociação da empresa com o profissional que irá proporcionar a atividade. Apesar da importância da GL no ambiente de trabalho, a desatenção por parte das corporações em relação a esta atividade faz com que a incidência de afastamentos por Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou por Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) aumente entre os trabalhadores, sendo que estas estão diretamente relacionadas ao índice de absenteísmo e a redução da produtividade, pois as dores incidem principalmente sobre a região cervical, ombro, punho e lombar, acarretando mais custos às empresas ou profissionais liberais (MELO et al., 2013; SANTOS et al., 2013). Neste cenário surgiu em 2016 o projeto Ginástica Laboral para Servidores (GILABS), desenvolvido com o intuito de promover a saúde, minimizar os riscos de doenças ocupacionais e buscar a humanização do ambiente de trabalho dos servidores Técnicos em Assuntos Educacionais (TAES) da UNIPAMPA. Sendo assim, este trabalho tem por objetivo apresentar um relato de experiência sobre as atividades desenvolvidas pelo GILABS no campus Uruguaiana. 2. METODOLOGIA O projeto GILABS está no seu segundo ano de execução, ocorrendo no Campus Uruguaiana da Universidade Federal do Pampa, onde, atualmente, são atendidos 12 setores distintos: Administrativo, Recursos Humanos, Infraestrutura, Secretaria Acadêmica, Tecnologia de Informática e Comunicação, Protocolo, Biblioteca, Laboratórios, Direção, Coordenadoria, Compras, Comissão de Residência Multiprofissional e o Núcleo de Desenvolvimento Educacional. As práticas acontecem quatro dias por semana - segundas e quintas-feiras no turno da manhã, e nas terças e sextas-feiras no turno da tarde - com duração entre 10 e 15 minutos. Nestes encontros utiliza-se a GL Compensatória ou de Pausa que consistem em uma ginástica realizada durante a jornada de trabalho que fornece uma pausa entre as atividades e compensa os esforços repetitivos, além de aliviar a sobrecarga das estruturas e posturas mais adotadas. Os exercícios são.
(4) desenvolvidos conforme a necessidade e solicitações dos servidores, sendo variados de um dia para o outro, porém sempre envolvendo todo o corpo. Desta forma, as sessões consistem em alongamentos compensatórios e exercícios de resistência das musculaturas envolvidas nas atividades laborais. Os participantes passam por avaliações periódicas, visando acompanhar o perfil de saúde dos mesmos. Estes levantamentos permitiram coletar informações sobre: dor corporal, índice de massa corporal (IMC), relação cintura quadril (RCQ) e pressão arterial (PA). Para obter estes dados considerou-se: - Dor corporal: foi utilizado o Mapa de dor Corporal, um questionário sobre frequência da dor e uma escala (Escala Visual Analógica) para identificar a intensidade da dor; - Índice de massa corporal: foi avaliado a partir da divisão da massa corporal (Kg) pela estatura (m) ao quadrado (Kg/m²), sendo estas medidas realizadas em uma balança digital e um estadiômetro fixado a parede; - Relação cintura/quadril: as medidas de circunferência foram realizadas com uma fita-métrica estando os indivíduos em posição ortostática, sendo a circunferência de cintura medida na linha da cicatriz umbilical, em um ponto abaixo da última costela e acima da crista ilíaca; enquanto a do quadril, na altura da cabeça do fêmur; - Pressão arterial: utilizou-se um estetoscópio e um esfigmomanômetro aneroide (mmHg), sendo que a mesma foi avaliada com o indivíduo sentado, em repouso por no mínimo 5 minutos. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Participam atualmente do projeto 33 servidores, com média de idade de 36,2 (±7,3) anos, sendo 51% do sexo masculino, alocados nos diferentes setores atendidos. Os dados das avaliações físicas realizadas estão apresentados na Tabela 1, sendo possível identificar que em média, tanto o grupo masculino quanto o feminino apresentaram valores de IMC que indicam sobrepeso ou pré-obesidade (IMC entre 25 e 29,9), de acordo com a classificação de IMC fornecida pela Organização Mundial da Saúde (WHO, 2000). Embora o IMC não seja um índice plenamente confiável, pois, entre outros fatores, não distingue tecido adiposo de massa muscular, há uma forte correlação entre IMC e Circunferência da Cintura (CC) (VALDEZ, 1991), sendo que ambos os indicadores estão associados à hipertensão na população brasileira. Assim, recomenda-se que adultos mantenham sua CC inferior à metade de sua altura, pois quanto maior a medida da CC além deste limiar, maior o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. De uma forma geral, a medida de CC maior que 94 cm para homens e 80 cm para mulheres europídeos é capaz de identificar pacientes com maior risco de doenças cardiovasculares (ROSA et al., 2006; MANCINI, 2016). Neste contexto, focam-se as atenções principalmente para servidoras participantes do projeto, as quais apresentam uma média de 93,8 cm de CC. Considerando os dados de RCQ, o grupo feminino também apresentou valores que merecem especial atenção, por serem indicadores de risco de doença cardiovascular, uma vez que níveis maiores que 0,95 para homens e 0,85 para mulheres são classificados como indicadores de distribuição central de gordura (HANS et al, 1995). Entretanto, vale ressaltar que Mancini (2016), considera que a CC reflete melhor o conteúdo de gordura visceral que a Razão Cintura-Quadril (RCQ)..
(5) Os valores médios de pressão arterial, tanto sistólica quanto diastólica demonstram que o grupo apresenta indicadores dentro dos limites de normalidade (PASTORE et al., 2016). Tabela 1. Dados coletados durante a primeira avaliação do grupo participante da Ginástica Laboral. IMC CC RCQ PAS PAD Variável. (Kg/m²). (cm). X±DP. X±DP. 33. 26,1±3,6. Masculino 17 Feminino. Geral. N. 16. (mm/Hg). (mm/Hg). X±DP. X±DP. X±DP. 93,6±12,2. 0,88±0,07. 121,3±7,15. 83,4±8,17. 26,1±2,8. 93,5±10,7. 0,89±0,06. 123,2±6,20. 86,0±6,53. 26,2±4,5. 93,8±13,8. 0,88±0,07. 119,4±8,11. 80,8±9,81. IMC = índice de massa corporal; CC = circunferência da cintura; RCQ = relação cintura/quadril; PAS = pressão arterial sistólica; PAD = pressão arterial diastólica; X = média; DP = desvio padrão.. Entre os participantes do projeto, apenas 15% não relatam dor durante a jornada de trabalho ou com movimentos relacionados à mesma. A Tabela 2 apresenta as regiões corporais que os servidores relataram sentir mais dores, sendo possível verificar que no grupo geral, 26,4% apresentam dor nos joelhos. Quando considerado o sexo, o grupo masculino apresentou maior frequência de dores no ombro (21,4%), lombar (21,4%) e joelhos (21,4%), enquanto que no grupo feminino são mais frequentes as dores em cervical (36,8%) e joelhos (31,5%). Resultados que são reforçados por Melo et al. (2013) e Santos et al. (2013) ao constatarem as mesmas regiões acometidas pelas doenças ocupacionais em seus estudos. Tabela 2. Regiões com maior frequência (%) de dor citadas pelos participantes do projeto GILABS nas diferentes avaliações. Variável Cervical Ombros Tórax Lombar Joelhos Pés %. %. %. %. %. %. Geral. 18,4. 23,8. 11,4. 23,8. 26,4. 20,3. Masculino. 0. 21,4. 7,1. 21,4. 21,4. 14,3. Feminino. 36,8. 26,3. 15,8. 26,3. 31,5. 26,3. A partir desta avaliação foram elaboras as sessões que empregam a GL Compensatória ou de Pausa, realizada durante a jornada de trabalho, utilizando exercícios direcionados aos locais acometidos pelas dores, fornecendo uma pausa entre as atividades e compensando os esforços repetitivos, além de aliviar a sobrecarga das estruturas e as posturas mais adotadas. Assim, diferentemente das recomendações para a realização da GL, na qual indica sua prática diária e de três vezes ao dia para alcançar seus plenos benefícios, este projeto apresenta limitações ± dias semanais e vezes ao dia, fato que pode gerar dúvidas sobre sua eficácia, pois mesmo conhecendo os benefícios da GL, a assiduidade dos servidores não é plena, tendo em vista que nem sempre os.
(6) participantes são encontrados em seus postos de trabalho e muitas vezes não possuem disponibilidade para a realização da atividade. Contudo, por meio do relato dos servidores, a participação no projeto tem proporcionado uma melhora no bem-estar dos trabalhadores. É necessário destacar que programas de GL realizados de forma adequada proporcionam melhoras em curto prazo em relação aos casos de doenças ocupacionais. E que a GL não pode ser a única forma de prevenção das mesmas, devendo estar associada a mudanças na organização e no ambiente físico de trabalho, pois a médio ou longo prazo, com exposição dos trabalhadores aos esforços repetitivos e descuidos ergonômicos, pode ocorrer um aumento nos casos destas doenças (LONGEN, 2003; PEREIRA, 2009; 2013). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Devido aos valores encontrados de IMC, CC e RCQ, salienta-se a importância de uma conscientização, principalmente ao público feminino, das ameaças que podem acometer o sobrepeso e um acúmulo visceral de gordura. Outras medidas antropométricas como frequência cardíaca e pressão arterial mostraram-se dentro da normalidade. Reforçam-se aqui as principais regiões acometidas nos servidores pelas doenças ocupacionais - cervical, ombros, região superior das costas, lombar, joelhos e pés. Regiões comumente descritas em diversos trabalhos. E, mesmo conhecendo os benefícios da GL, a assiduidade dos servidores não é plena, tendo em vista que os mesmos não são encontrados nos seus postos de trabalho sempre ou com disponibilidade para a realização da atividade. Por fim, mesmo com as limitações do projeto - ausentando a GL Preparatória ou de Aquecimento e a GL de Relaxamento ± é possível observar nos trabalhadores mais frequentes ao projeto uma melhora na conscientização corporal e social. Portanto, espera-se que o projeto ganhe forças e venha atrair e beneficiar outros servidores do campus. 5. REFERÊNCIAS BRANCO, A. E. Ginástica Laboral: prerrogativa do profissional de Educação Física. Rio de Janeiro, CONFEF, 2015, 64p. HANS, T. S.; VAN LEER, E. M.; SEIDELL, J. C.; LEAN, M.E.J. Waist circumference action levels in the identification of cardiovascular risk factors: prevalence study in a random sample. BMJ, v.311, p. 1401-1405, 1995. LONGEN, W. C. Ginástica Laboral na Prevenção de LER/ DORT? Um Estudo Reflexivo em uma Linha de Produção. 130f. 2003. Dissertação (Mestrado, Engenharia de Produção), Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina 2003. MANCINI, M. C. Diretrizes brasileiras de obesidade. 4.ed. São Paulo, ABESO Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, 2016, 188p. MELO, V. F.; BARROS, I. M.; FREITAS, N. A. B.; LUZES, R. Incidência de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), em Trabalhadores do Setor Administrativo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Revista Saúde Física & Mental, v.2, n.1, p. 22-29, 2013..
(7) PASTORE, C. A.; PINHO, J. A.; PINHO, C.; SAMESIMA, N.; FILHO, H. G. P.; KRUSE, J. C. L.; PAIXÃO, A.; RIERA, A. R. P.; RIBEIRO, A. L.; OLIVEIRA, C. A. R.; GOMES, C. I. G.; KAISER, E.; GALVÃO, F.; DARRIEUX, F. C. C.; FRANÇA, F. F. A. C.; FILHO, G. F.; GERMINIANI, H.; AZIZ, J. L.; LEAL, M. G.; MOLINA, M.; OLIVEIRA, N. M. T.; OLIVEIRA, P. A.; SANCHES, P. C. R.; ALMEIDA, R. M.; BARBOSA, R.; TEIXEIRA, R. A.; DOUGLAS, R. A. G.; GUNDIM, R. S.; ATANES, S. M. III Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia Sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v.106, n.4, 2016. PEREIRA, C. C. D. A. Efeitos de um programa de Ginástica Laboral sobre as principais sintomatologias das lesões por Esforço Repetitivo/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT): dor e fadiga. 127f. 2009. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde), Universidade de Brasília, Brasília, 2009. PEREIRA, C. C. D. A.; LOPEZ, R. F. A.; VILARTA, R. Effects of physical activity programmes in the workplace (PAPW) on the perception and intensity of musculoskeletal pain experienced by garment workers. Work, v. 44, p. 415-421, 2013. ROSA, M. L. G.; MESQUITA, E. T.; ROCHA, E. R. R.; FONSECA, V. M. Índice de Massa Corporal e Circunferência da Cintura como Marcadores de Hipertensão Arterial em Adolescentes. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v.88, n.5, p.573-578, 2007. SANTOS, R. L. X.; JÚNIOR, E. Z. S.; ANDRADE, R. A. R.; ANDRADE, E. S. S. Lesão por esforços repetitivos (LER/DORT) em cirurgiões-dentistas da Clínica Odontológica da Polícia Militar de Pernambuco. Odontologia Clínico-Científica, v.12, n.3, p. 177-187, 2013. VALDEZ, R. A simple model-based indexo of abdominal adiposity. Journal of Clinical Epidemiology, v. 44, n. 9, p. 955-956, 1991. World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a World Health Organization Consultation. Geneva: World Health Organization, 2000. 256p..
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