AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO QUARAÍ ATRAVÉS DE PARÂMETROS FÍSICO QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS

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(1)AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO QUARAÍ ATRAVÉS DE PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS. Ketlien Vargas da Rosa 1 Thiago Signori Gralha 2 Marcus Vinicius Morini Querol 3 Vanessa Bley Ribeiro 4. Resumo: O rio Quaraí é considerado o principal curso de água da bacia, delimitando fronteiras entre Brasil e Uruguai, sendo afetado principalmente pelo efluente urbano despejado pela cidade de Quaraí e a montante a cidade de Barra do Quaraí. Em função disso, se faz necessário o uso de medidas de monitoramento da qualidade da água, com o propósito de obter dados que possam auxiliar em medidas de tratamento e manejo para haver a manutenção desses reservatórios. A partir disso, o objetivo desse trabalho é analisar a qualidade da água em três pontos no rio Quaraí através de parâmetros físicoquímicos e microbiológicos. O presente estudo foi realizado no município de Barra do Quaraí, onde foram delimitados três pontos de coleta de água no rio Quaraí, sendo o primeiro (P1) a esquerda da ponte (S 30°12’140.0" W057°33’19.5’’), (P2) abaixo da ponte (S30°12’34.7" W057°33’25.2") e o terceiro (P3), a direta em direção ao rio Uruguai (S30°12’33.1" W057°33’30.3"). Foram medidos, com o auxílio do kit de análise colorimétrica e disco de Secchi, o pH (Potencial hidrogêniônico), transparência, nitrito, amônia e temperatura do ar e da água. Foram coletadas amostras de água, uma de cada local, em garrafas pet de 2 litros, devidamente esterilizadas. Em laboratório, foram medidos os índices de oxigênio dissolvido (OD), a condutividade, pH e turbidez. Ainda, foram recolhidas amostras de água de 500 ml em garrafas esterilizadas. A análise microbiológica foi realizada pelo método dos tubos múltiplos (FUNASA, 2009). O pH apresentou-se fora dos padrões estabelecidos pela Resolução N° 20 do CONAMA/86, sendo mais evidenciado nos meses de Maio e Abril, quando dois dos três pontos ficaram abaixo do estabelecido. O oxigênio se manteve dentro dos padrões em todas as amostras ao longo das coletas, assim como o nitrito, que obteve seu maior pico durante o mês de Junho. A transparência foi maior durante o mês de Junho, onde no início do mês ocorreu as cheias (enchentes) e no final do mês, quando foi efetuada a coleta, o rio estava baixo. Houveram mudanças significativas de temperatura apenas no mês de Julho, onde foram registrados os valores mais baixos. A condutividade obteve mínima no mês de Maio no P3 e máxima no mês de Junho no P1, novamente esse aumento da condutividade pode ser recorrente das cheias. A turbidez se manteve dentro dos padrões, variando pouco entre os pontos. Os resultados de coliformes totais e fecais foram comparados junto a Resolução n° 357 do.

(2) CONAMA/05 e a Resolução N° 20 do CONAMA/86, onde foi possível concluir o enquadramento do rio Quaraí como classe III, devido a alta presença de coliformes termotolerantes sendo superior a 1000 um/100 ml. Sendo assim, o rio Quaraí é apto para abastecimento para consumo humano, desde que passe por tratamento convencional ou avançado. A partir do apresentado, conclui-se que o rio Quaraí pode ser passível de abastecimento doméstico, desde que passe previamente por tratamento adequado, sendo assim, necessário o continuo estudo desse reservatório a fim de preservar sua integridade e investir em medidas mitigadoras para manutenção desse recurso natural.. Palavras-chave: Aquicultura, Limnologia, Nupilabru. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO QUARAÍ ATRAVÉS DE PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS 1 Aluno de graduação. ketlienvargas@gmail.com. Autor principal 2 Técnico Administrativo em Educação. thiago.s.gralha@gmail.com. Co-autor 3 Docente. marcusquerol@unipampa.edu.br. Orientador 4 Docente. vanebley@gmail.com. Co-orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(3) AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO QUARAÍ ATRAVÉS DE PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS 1. INTRODUÇÃO Com uma superfície de cerca de 6.701,02 km², acoplando totalmente ou parcialmente cerca de quatro municípios, é definida a Bacia Hidrográfica do Rio Quaraí, abrigando cerca de 23.383 habitantes, nas zonas rurais e urbanas. Esta Bacia possui uma densidade demográfica de cerca de 4,51 habitantes por km². O rio Quaraí é considerado o principal curso de água da bacia, delimitando fronteiras entre Brasil e Uruguai, sendo afetado principalmente pelo efluente urbano despejado pela cidade de Quaraí e a montante a cidade de Barra do Quaraí. Segundo o parecer emitido pela Unidade de Assessoramento Ambiental (2008), os fatores que, em função da ocupação e utilização da água, necessitam de maiores prioridade de ação são: x Efluentes industriais e domésticos provenientes das áreas urbanas com ênfase nos municípios com maior porcentagem de habitantes; x Loteamentos e enchentes; x Uso recreativo das águas. Em função do citado anteriormente, se faz necessário o uso de medidas de monitoramento da qualidade da água, com o propósito de obter dados que possam ser convertidos em medidas de tratamento e manejo para haver a ideal manutenção desses reservatórios. Dentre as medidas encontra-se o uso de microrganismos indicadores, que são grupos ou espécies de determinados microrganismos que quando presentes podem relatar ocorrências de contaminações ou patógenos (FRANCO; LANDGRAF, 2003). A partir disso, o objetivo desse trabalho é analisar a qualidade da água em três pontos no rio Quaraí através de parâmetros físico-químicos e microbiológicos. 2. METODOLOGIA O presente estudo foi realizado no município de Barra do Quaraí, que faz fronteira fluvial com a Argentina e Uruguai, através dos rios Uruguai e Quaraí Foram delimitados três pontos de coleta de água no rio Quaraí, sendo o primeiro (P1) a esquerda da ponte (S ƒ ¶ ´ : ƒ ¶ ¶¶ (P2) abaixo da ponte 6 ƒ ¶ ´ : ƒ ¶ ´ e o terceiro (P3), a direta em GLUHomR DR ULR 8UXJXDL 6 ƒ ¶ ´: ƒ ¶ ´ . Os pontos foram determinados levando em conta a influência de escoamento de esgoto e interferência antropogênica por meio de ocupações no leito do rio. Em cada ponto foram realizadas análises dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos. A análise de fatores limnológicos foi conduzida em duas etapas, a primeira no local e a segunda em laboratório. No local foram medidos, com o auxílio do kit de análise colorimétrica e disco de Secchi, o pH (Potencial hidrogêniônico), transparência, nitrito, amônia e temperatura do ar e da água. Para realização da segunda etapa, foram coletadas amostras de água, uma de cada local, em garrafas pet de 2 litros, devidamente esterilizadas, e transportadas até o Núcleo de Pesquisas Ictiológicas, Limnológicas e Aquicultura da Bacia do Rio Uruguai (NUPILABRU), na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) campus.

(4) Uruguaiana. Em laboratório, foram medidos os índices de oxigênio dissolvido (OD), a condutividade, pH e turbidez utilizando o turbidímetro e multiparâmetro. A segunda etapa de análise foi a de parâmetros microbiológicos. No local de cada coleta, foram recolhidas amostras de água de 500 ml em garrafas esterilizadas. As amostras foram encaminhadas ao laboratório de Microbiologia de Alimentos, na Unipampa em Uruguaiana. A análise foi realizada pelo método dos tubos múltiplos (FUNASA, 2009), que permite a quantificação pelo número mais provável (NMP). As experimentações foram conduzidas em três etapas, fase presuntiva e confirmativa em caldo verde brilhante e caldo EC. Os resultados são obtidos em NMP/100 ml de amostra (FUNASA, 2009). 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Os resultados obtidos em quatro coletas efetuadas dos meses de Abril a Julho de 2017 estão dispostos no Quadro 1. O pH apresentou-se fora dos padrões estabelecidos pela Resolução N° 20 do CONAMA/86, sendo mais evidenciado nos meses de Maio e Abril, quando dois dos três pontos ficaram abaixo do estabelecido. O oxigênio se manteve dentro dos padrões em todas as amostras ao longo das coletas, assim como o nitrito, que obteve seu maior pico durante o mês de Junho. A transparência foi maior durante o mês de Junho, onde no início do mês ocorreu as cheias (enchentes) e no final do mês, quando foi efetuada a coleta, o rio estava baixo. Houveram mudanças significativas de temperatura apenas no mês de Julho, onde foram registrados os valores mais baixos. A condutividade obteve mínima no mês de Maio no P3 e máxima no mês de Junho no P1, novamente esse aumento da condutividade pode ser recorrente das cheias. A turbidez se manteve dentro dos padrões, variando pouco entre os pontos. Quadro 1. Resultados físico-químicos obtidos dos meses de abril a julho nos três pontos Ph. Amônia Nitrito (mg/L) (mg/L). Transp* (cm). T° ar T° água. OD (mg/L). Cond* Turbidez (PS/cm2) (NTU). 21 20 20 11 10 11 13 14 15 5 4 5. 5,01 5,12 5,04 5,4 4,9 6,2 5,8 6,3 6,3 5,6 6,4 5,3. 79,49 112,3 75,02 87,11 64,7 62,84 205,8 113,2 111,6 87,85 79,11 90,12. Meses (P1) 5,53 0,5 0,025 Abril (P2) 6,1 0,5 0,05 (P3) 5,96 0,25 0,025 (P1) 7,18 0,5 0,025 Maio (P2) 5,63 0,25 0,025 (P3) 5,98 0,25 0,025 (P1) 6,66 1 0,1 Junho (P2) 6,26 0,25 0,05 (P3) 6,41 0,25 0,05 (P1) 6,91 0,25 0,025 Julho (P2) 5,42 0,25 0,025 (P3) 6,15 0,5 0,025 *Transparência medida em centímetros * Condutividade. 28 25 26 21 19 23 28 31 29 22 23 26. 19 19 19 15 14 14 14 14 14 12 13 11. 30,7 27,6 25,8 38,9 44,8 48,7 17,9 22,4 19,8 41,3 39,5 40,6.

(5) Os resultados microbiológicos estão representados na Tabela 2. Tabela 2. Parâmetros microbiológicos obtidos nos meses de resultados são obtidos em NMP/100 ml Meses Abril Maio Parâmetros P1 P2 P3 P1 P2 P3 P1 Coliformes Totais 500 1600 1600 1600 1600 1600 1600. Junho Julho P2 P3 P1 P2 P3 1600 1600 1600 500 1600. Coliformes fecais. 1600 1600 1600 500 1600. 500 1600 1600 1600 1600 1600 500. Abril a Julho de 2017. Os. Os resultados de coliformes totais e fecais foram comparados junto a Resolução n° 357 do CONAMA/05 e a Resolução N° 20 do CONAMA/86, onde foi possível concluir o enquadramento do rio Quaraí como classe III, devido a alta presença de coliformes termotolerantes sendo superior a 1000 um/100 ml, não podendo seu enquadramento como Classe II. Sendo assim, o rio Quaraí é apto para abastecimento para consumo humano, desde que passe por tratamento convencional ou avançado, podendo também ser utilizado para irrigação, pesca amadora, recreação de contato secundário e dessedentação de animais. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do apresentado, conclui-se que o rio Quaraí, mesmo apresentando índices fora dos padrões, pode ser passível de abastecimento doméstico, desde que passe previamente por tratamento adequado. Os parâmetros avaliados mostram o impacto causado pelos efluentes urbanos, ocupações as margens e demasiado uso para os diversos fins de produção, entre outros fatores, sendo assim, necessário o continuo estudo desse reservatório a fim de preservar sua integridade e investir em medidas mitigadoras para manutenção desse recurso natural. 5. REFERÊNCIAS CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. CONAMA. Ministério Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. Resolução nº 20, 18 de junho de 1986.. do. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. CONAMA. Ministério Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. Resolução n°357, de 17 de março de 2005.. do. FRANCO, B.D.G.M.; LANDGRAF, M. Microbiologia dos alimentos. Atheneu: São Paulo, 2003. 182p. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. FUNASA. Manual Prático de Análise de Água. 2009. MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL. Parecer da Unidade de Assessoramento Ambienta sobre Geoprocessamento e Bacias Hidrográficas. Divisão de Assessoramento Técnico, documento DAT-MA N° 2199 de 2008..

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