CRIATIVIDADE: A QUESTÃO DA DEFINIÇÃO, DO ESTÍMULO E DA AVALIAÇÃO

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(1)CRIATIVIDADE: A QUESTÃO DA DEFINIÇÃO, DO ESTÍMULO E DA AVALIAÇÃO.. Julia Kuntz 1 Rafael Kobata Kimura 2. Resumo: O cotidiano escolar é repleto de paradigmas sociais, preconceitos, metodologias de ensino mecânicas e exaustivas, alunos desinteressados e educadores cansados. As questões educacionais são complexas demais para serem resolvidas em uma simples reunião, pois faz parte do papel do educador o auxílio na formação do indivíduo tanto educacionalmente como socialmente. É preciso que exista uma ligação entre os conteúdos trabalhados em sala de aula com a vida real dos estudantes. Por isto estudamos a criatividade e pesquisamos métodos de implantá-las no ensino, apresentando a possibilidade de uma maior interação do conteúdo com o mundo exterior, uma flexibilização do pensamento do aluno, estimulando o pensamento divergente para que o mesmo saia de sua zona de conforto para que exista uma melhor aprendizagem. Partindo desta ideia, buscamos métodos para auxiliar na apresentação de conteúdos didáticos promovendo um ensino e uma aprendizagem significativa para ambos. Assim utilizamos métodos como brainstorm e o turbilhão de ideias, entre outros métodos para incentivar a criatividade e o pensamento divergente.. Palavras-chave: Criatividade. Educação. Ensino e aprendizagem.. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. CRIATIVIDADE: A QUESTÃO DA DEFINIÇÃO, DO ESTÍMULO E DA AVALIAÇÃO. 1 Aluno de graduação. juliakuntz25@gmail.com. Autor principal 2 Docente. rafaelkimura@unipampa.edu.br. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(2) Criatividade: A questão da definição, do estímulo e da avaliação.. 1. INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa bibliográfica sobre as diferentes definições da criatividade, as formas de estimulá-la e como avalia-la. Esse levantamento teórico é essencial para o norteamento do desenvolvimento e da avaliação sistemática de atividades aplicadas em um projeto de extensão, cujo principal objetivo é estimular a criatividade a partir das ciências. Nesse sentido, enquanto a extensão se configura como o espírito ativo, que desenvolve e implementa, o presente trabalho exerce o papel reflexivo da pesquisa, que pondera, orienta e analisa. Com relação à definição, TORRANCE (1998), entre outros autores, apontam para a natureza multifacetada da criatividade, o que torna a sua definição uma tarefa complexa e, necessariamente, diversa. De fato, são muitas as definições, como discutiremos mais adiante, e não se espera, pela natureza difusa da criatividade, que a definição seja consensual. No entanto, em se tratando de aplicações que tenham o desejo de desenvolver a criatividade, uma definição objetiva se torna essencial, pois para analisar progressos, dificuldades e traçar objetivos, é preciso que se tenha uma definição clara e concreta do objeto principal de pesquisa. A partir de uma definição sobre o que é a criatividade, o problema passa a ser como estimular o seu desenvolvimento. Nesse campo, optamos por seguir uma linha única de pensamento, seguindo os ditames de um projeto chamado EDUCREA (PRADO, 2001). As principais conclusões são também apresentadas neste trabalho. Por fim, foi conduzido um estudo sobre as diferentes formas de avaliar e mensurar a criatividade e o seu progresso. Estudo necessário para a reflexão sobre a própria prática, em que se faz necessária uma forma sistemática de analisar o andamento do projeto de extensão; passo também essencial para a continuidade do plano de pesquisa, que se estabelece em uma constante vigília pregada pelos princípios da pesquisa-ação (TRIPP, 2005). Por uma questão de espaço, não nos aprofundaremos aqui na descrição do projeto de extensão, embora este constitua uma das motivações principais da pesquisa e que garantirá a continuidade desta, pela coleta de dados, teste de hipóteses e pela geração de novos questionamentos. Para o presente trabalho, cumpre saber que as atividades de extensão serão regulares, ocorrendo a cada quinze dias, em uma escola municipal da cidade de Bagé, com uma turma de estudantes do 8º ano do ensino fundamental e que levará atividades lúdicas, envolvendo jogos e criação de histórias com temáticas científicas e buscará não a assimilação de conceitos, mas o desenvolvimento da criatividade..

(3) 2. METODOLOGIA. O estudo aqui apresentado caracteriza-se como uma revisão narrativa (CORDEIRO et al., 2007), no sentido de que não busca esgotar as fontes de informações por um critério sistemático. Essa escolha se deve pelo balanço necessário entre tempo e praticidade. Foi preciso considerar que o tempo destinado à pesquisa é relativamente curto quando comparado à complexidade do tema, que é tratado em meios artísticos, científicos, acadêmicos e empresariais, com diferentes definições, métodos e objetivos. Além do mais, como já citado anteriormente, a presente pesquisa serve como base para as ações executadas em um projeto de extensão; desse modo, como os estudos levam à prática e, mais do que isso, ampara-lhe com uma base, eles podem ser restritos, desde que conduzam a um corpo teórico coeso, estruturado e capaz de orientar as ações no cumprimento de seus objetivos. A revisão baseou-se em três referências-FKDYH ³(QWUH D WHRULD H D SUDWLFD GD FULDWLYLGDGH´ %$+,$ H 12*8(,5$ ³The Nature of Creativity´ 67(51%(5* H ³Educrea(te): Enseña-aprende a ser creativo. La creatividad motor essencial de la renovación de la educación´ 35$'2 Leituras complementares envolvem os artigos de LUZ (1991), TUDDA e SANTOS (2011), OLIVEIRA e ALENCAR (2012), CONTI e SOUZA (2010), SCHWARTZ (1997) e FERREIRA (2016).. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO. Embora a inteligência esteja vinculada à imagem de alguém criativo, não é a característica que se sobressai, devido à variação da expressão da criatividade no indivíduo. É preciso compreender que a criatividade não se baseia em padrões fixos, ela é variante assim como a personalidade do indivíduo que a possui. Segundo PRADO (2001): Criatividade é toda inovação que surge primeiramente de ideias absurdas e irreais, resultando em algo belo, valioso e útil. Sendo original, podendo aplicar os processos da criatividade para realizar algo eficaz, logico e verdadeiro. Todos que disseminam a ação criativa são criadores criativos, divergentes e criadores. (PRADO, 2001, p.156 ). Outros autores que também criaram definições de criatividade foram IBÁÑEZ E LA TORRE (1996) que consideram que a criatividade é capaz de decompor uma variável em outras estruturas que acaba facilitando a sua análise. TORRANCE (1969), por sua vez, define a criatividade como um processo psicológico capaz de identificar os problemas e de desenvolver soluções inovadoras. Sendo necessária uma escolha por uma definição de criatividade, adotou-se a ideia de que a criatividade é multifacetada, capaz de resolver problemas e envolve a capacidade de inovar. Nesse sentido alguns parâmetros que definem a criatividade.

(4) foram selecionados: Número de ideias relevantes, originalidade, expressão da emoção, flexibilidade de pensamento, fantasia e imaginação, capacidade de comunicação e criatividade científica. Mas é possível ensinar criatividade? STERNBERG (2006) argumenta que sim, e para que isto aconteça é necessário a implementação de métodos como, por exemplo, os testes elaborados por STERNBERG (1988) que se baseiam em três habilidades, (analíticas, práticas e criativas). Neste método os objetos da pesquisa são expostos as seguintes tarefas: Resoluções de problemas matemáticos, linguísticos vinculados ao ensino em sala de aula, resolução de problemas cotidianos e expressões verbais, além de também serem expostos a situações irreais. Outro exemplo de método capaz de estimular o pensamento criativo é o chamado turbilhão de ideias (PRADO, 1982). O turbilhão de ideias consiste na exposição do indivíduo a diferentes estímulos para que o maior número de ideias relevantes e criativas seja coletado. Com relação à avaliação da criatividade, destaca-se o Teste de Pensando Criativo com Figuras de Torrance, amplamente aplicado por estudiosos da área (NAKANO, 2011), que consiste na análise e elaboração de figuras, com ou sem estímulos, a partir das quais torna-se possível avaliar parâmetros criativos como a flexibilidade, originalidade e fluência. Estes testes, no entanto, sofrem algumas críticas por serem avaliados fora de contexto. Assim, destacam-se também outras alternativas como a análise de portfólio (BAHIA E NOGUEIRA, 2005; GONZÁLEZ REY, 2002).. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Este projeto vem sendo construído gradativamente. Com algumas conclusões apresentadas neste trabalho, o projeto possui inúmeros desdobramentos já em execução. Com o levantamento teórico resumidamente apresentado neste trabalho e alguns dados já coletados sobre as noções que os alunos submetidos ao projeto de extensão têm da criatividade e de algumas de suas características pessoais, esta pesquisa pretende submeter as suas concepções à prova, coletando informações pDUD UHVSRQGHU TXHVW}HV FRPR ³D GHILQLomR GH FULDWLYLGDGH DGRWDGD SUHFLVD VHU UHIRUPXODGD"´ ³DV DWLYLGDGHV TXH YLVDP HVWLPXODU D FULDWLYLGDGH HVWmR VHQGR EHP VXFHGLGDV"´ ³FRPR D FLrQFLD SRGH DX[LOLDU QR GHVHQYROYLPHQWR FULDWLYR GRV HVWXGDQWHV"´ ³FRPR R Gesenvolvimento criativo pode aumentar o interesse e o UHQGLPHQWR GRV HVWXGDQWHV HP DVVXQWRV FLHQWtILFRV"´ (VVDV TXHVW}HV VHUmR avaliadas com um olhar atento aos acontecimentos previstos no referido projeto de extensão. Em última instância, inserida em um contexto mais amplo, este estudo foi realizado visando oferecer novas opções que façam frente ao estilo mecanizado.

(5) estabelecido pelo paradigma atual de ensino. É notório que o sistema atual já se encontra saturado da metodologia da aula expositiva e de sua cobrança estritamente conteudista. Com a crença de que estas lacunas na aprendizagem podem ser preenchidas com métodos criativos, este estudo com suas conclusões têm o objetivo maior de apontar para novos caminhos formativos.. 5. REFERÊNCIAS. BAHIA, Sara. NOUGUEIRA, Sara. Entre a teoria e a pratica da criatividade, editora Año del libro, Lisboa 2005. CONTI, F.D. SOUZA, A.L de. O momento de brincar no ato de contar histórias: uma modalidade diagnostica.Psicol.cienc. Brasília, v. 30, n. 1, 2010. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141498932010000100008> CORDEIRO, Alexander Magno et al . Revisão sistemática: uma revisão narrativa. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro , v. 34, n. 6, p. 428-431, Dec. 2007 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid= S010069912007000600012&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 19 de Setembro de 2017. GONZÁLEZ REY, F. L. Pesquisa qualitativa em psicologia: caminhos e desafios. São Paulo,SP: Ed. Thomson., 2002. FERREIRA. J.C.D. Ficção cientifica e ensino de ciências: seus entremeios. Dissertação (Doutorado em educação), Faculdade Federal do Paraná, Curitiba, 2016. LUZ, José Luiz Brandão da. Criatividade cientifica, criação e metáfora. Editora Escher, Açores, 1991 NAKANO, Tatiana de Cássia. Programas de treinamento em criatividade: conhecendo as práticas e resultados. Psicol. Esc. Educ., Maringá , v. 15, n. 2, p. 311-322, Dez. 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S1413-85572011000200013&lng=en&nrm=iso>. Accessado em: 19 de Set. 2017. OLIVEIRA, E.B.P. ALENCAR. E.M.L.S de. Importancia da criatividade na escola e no trablho docente segundo coordenadores pedagógicos., Campinas/SP, p.1-12. Out. 2012. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v29n4/v29n4a09.pdf> PRADO, D. de. Educrea(te): Enseña- aprende a ser creativo. La creatividad motor essencial de la renovación de la educación. Santiago de Compostela: Meubook, 2001, Vol 1. SEABRA, Joana M. Criatividade, psicologia.com.pt, Coimbra, 2007..

(6) STERNBERG, R.J. The Nature of Creativity. Cambridge, University Press, New York, 1998. STERNBERG, ROBERT J. The Nature of Creativity. Creativity Research Journal. 87±98, 2006 SCHWARTZ, G.M. Limguagem corporal de expressão da criatividade e seu (des)envolvimento na educação física, São Paulo, v. 3, n. 2, Dez. 1997. Disponível em:< http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/03n2/3n2_ART06.pdf> TORRANCE, E.P. Orientación del talento creativo. Troquel. Buenos Aires. 1969 TORRE,S. de la. Identificar, diseñar y evaluar la creatividad. 1996. Coleção de monografias Master de Creatividad Tórculo, Santiago de Compostela. TUDDA, L. SANTOS, A.B dos. Teorias para o desenvolvimento da criatividade individual e organizacional. São Paulo. RAD. v. 13, n. 1, p. 116-133., Jan. 2011. Disponível em:< file:///C:/Users/Usu%C3%A1rio/Downloads/3846-14352-1PB%20(1).pdf> TRIPP, David. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 31, n. 3, p. 443-466, Dez. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-9702200500030 0009&lng=en&nrm=iso>. Acessado em: 19 de Set. 2017. WECHSLER, S.M. at al. Criatividade e inteligência: analisando semelhanças e discrepâncias no desenvolvimento. Estudos de psicologia, São Paulo, v. 15. n. 3, p.243-250. Set. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v15n3/a03v15n3.

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