Adriano, L. S.¹; Maia, F. M. M.²; Carioca, A. A. F.³; Soares, N. T.²
1. Mestranda em Nutrição e Saúde pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), bolsista FUNCAP.
2. Docente do curso de mestrado e graduação em Nutrição pela UECE.
3. Mestrando em Nutrição em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, bolsista FAPESP.
Remitido: 31/octubre/2013. Aceptado: diciembre/2013.
Correspondencia:
Nadia Tavares Soares [email protected]
Nutr. clín. diet. hosp. 2013; 33(3):48-51 DOI: 10.12873/333Bingedrinking
INTRODUÇÃO
A relação entre diferentes padrões de consumo de ál- cool com a Síndrome Metabólica (SMet) é escassa. Por outro lado, a associação desses padrões com a saúde vascular vem sendo amplamente estudada, existindo fortes evidências da associação entre consumo mode- rado de álcool e efeitos protetores1.
Já a prática de binge alcoólico (BA), caracterizada como o beber em maior quantidade em uma mesma ocasião, é considerada comportamento de risco para doenças vasculares, tais como pressão arterial elevada, doenças do coração e acidente vascular cerebral2.
Os estudos que avaliam associação entre prática de binge e síndrome metabólica foram realizados entre adultos e apontam para associação direta. Porém, não foram encontrados estudos que avaliem essa asso- ciação na população jovem.
A prática de binge ainda não é reconhecida como um problema de saúde no sexo feminino, embora este comportamento esteja cada vez mais prevalente.
Segundo o Centers for Disease Control and Prevention, a cada oito mulheres maiores de 18 anos, uma é prati- cante de binge e a faixa etária onde o BA é mais co- mum é entre 18 e 24 anos, na qual 24% das mulheres são praticantes2.
De acordo com o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, no que tange a gênero, a população mais vulnerável aos riscos decorrentes do consumo de álcool é a feminina, considerando que apresentou maior ín- dice de aumento do beber em binge (36%) entre os anos de 2006 e 2012. Na população masculina, o índice de aumento foi de 29,4%3.
Tendo em vista a problemática de saúde pública oca- sionada pela SMet e a alta prevalência de consumo de consumo de bebidas alcoólicas entre mulheres jovens, esse artigo teve como objetivo avaliar a associação en- tre a prática de binge alcoólico e síndrome metabólica em universitárias.
MÉTODOS
O estudo foi desenvolvido com 90 universitárias, num universo de 216 alunos do curso de Nutrição da uma universidade pública, no ano de 2010. A seleção da amostra foi aleatória, estratificada, incluindo alunos do primeiro ao sétimo semestre. A média de idade 22,2 (3,6) anos.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da própria universidade, processo de número 08628340-5 e os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os procedimentos envolveram aplicação da medição da pressão arterial, entrevista sobre estilo de vida, métodos bioquímico e antropométrico.
A presença da síndrome foi determinada seguindo os critérios de diagnóstico estabelecidos pela Associação Americana do Coração4, no qual o indivíduo é classifi- cado como portador quando possui três anormalidades entre os seguintes fatores de risco: glicemia elevada, triglicerídeos elevados, pressão arterial elevada, high density lipoprotein (HDL)-colesterol diminuído e circun- ferência da cintura aumentada.
A Circunferência da Cintura (CC) foi aferida por an- tropometristas capacitados, segundo critério do erro técnico de medição5e utilizada para rastrear obesidade central, definida para valores de CC ≥ 80 cm6.
Para aferir a pressão dos estudantes foram utiliza- dos um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio e um estetoscópio clínico. O protocolo utilizado seguiu preconizações da VI Diretrizes de Hipertensão7. A si- tuação de risco foi identificada nos casos em que a pressão arterial sistólica foi ≥ 130 mm Hg ou diastó- lica ≥ 85 mm Hg6.
Após jejum de 12 horas foram coletados alíquotas de sangue e com o plasma analisou-se HDL-colesterol, tri- glicerídeos e glicemia com reagentes Labtest® cuja inadequação seguiu os critérios IDF (2006)6.
A prática de binge alcoólico foi determinada utili- zando o critério do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism8, sendo a universitária considerada pra- ticante de binge alcoolico quando o consumo era igual ou superior a 4 doses em uma mesma ocasião.
A associação entre síndrome metabólica e prática de binge foi avaliada utilizando teste exato de Fischer e apresentou-se no formato de valor absoluto seguido do seu respectivo valor relativo. Foi utilizado p < 0,05 como nível descritivo de teste.
RESULTADOS
Houve associação entre a prática de binge alcoólico e síndrome metabólica (Tabela 1). A prevalência de Síndrome Metabólica na amostra estudada foi de 5,6%
e de binge alcoólico de 17,8%.
NUTRICIÓNCLÍNICA YDIETÉTICAHOSPITALARIA
DISCUSSÃO
A associação entre prática de binge alcoólico e sín- drome metabólica encontrada é condizente com a maioria dos estudos que associam padrão de consumo de álcool com síndrome metabólica e doenças cardio- vasculares. Enquanto o efeito protetor do álcool sobre doenças cardiovasculares é bem estabelecido para be- bedores regulares, a prática de binge alcoólico tem sido associada a risco9e complicações cardiovasculares10.
Até o presente momento, não foram realizados estu- dos de associação entre SMet e prática de binge alcoó- lico na população jovem. Esta associação é verificada apenas na população adulta de alguns países, não sendo encontrados artigos específicos na população fe- minina. A maioria dos trabalhos avaliou a associação através de modelos de regressão ajustados por sexo, sendo menos comum análises abordando a problemá- tica entre as mulheres.
Entre coreanas que consumiam maior quantidade de álcool por episódio, Lee (2012) observou maior pre- valência de síndrome metabólica quando comparadas às que bebiam uma ou duas doses por dia. A prática de binge uma vez por semana aumentou o risco de SMet em 90%. Nos homens deste estudo, o risco foi aumen- tado em 113%11. Ainda entre coreanas adultas, Yoon (2004), verificou que a SMet está associada inversa- mente com um baixo consumo (1-14,9g/d) de álcool (OR = 0.80, 95% IC: 0.66, 0.98) e que relação dose- resposta foi encontrada na análise do aumento da quantidade de álcool com o risco com a Smet (p<0,001)12. Em adultos dos Estados Unidos, a prática de binge aumentou o risco de anormalidades metabóli- cas em 51%, após ajuste por sexo1.
Estudo de meta-análise que avaliou os dados de dez estudos de coorte e quatro caso-controle mostra que o binge alcoólico pode aumentar em 45% (95% IC: 1.24, 1.70) o risco de doença isquêmica do coração, de modo que o efeito benéfico do consumo moderado de álcool
desaparece quando o beber leve e moderado é interca- lado com prática binge13. Outro artigo de meta-análise que avaliou padrão de consumo de álcool com o risco de doença arterial coronariana, utilizando quatro estu- dos de coorte e dois estudos de caso-controle, sugere que o a prática de binge é fator de risco para DAC9.
A calcificação coronária é 2,1 vezes mais comum en- tre praticantes de binge (OR = 2,1, 95% IC: 1.6, 2.7), segundo estudo de coorte realizado entre 1985 e 200114. Em outra coorte de 4153 adultos gregos, após ajuste por sexo, Athyros (2008) encontrou associação do consumo moderado de álcool com menor tendência de síndrome metabólica, diabetes melitus, doença arte- rial coronariana, pressão arterial e doenças cardiovas- culares. Já o beber de forma pesada (mais de 45g de álcool por ocasião) esteve associado com o aumento da prevalência de todos esses fatores15.
CONCLUSÃO
Concluí-se presença de associação entre prática de binge alcoólico e síndrome metabólica entre jovens uni- versitárias, tal como já constatada na população adulta em geral.
REFERÊNCIAS
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4. Alberti K, Eckel RH, Grundy SM, Zimmet PZ, Cleeman JI, Donato KA, et al. Harmonizing the Metabolic Syndrome A Joint Interim PRÁTICA DE BINGE ALCOÓLICO ESTÁ ASSOCIADA À SÍNDROME METABÓLICA EM UNIVERSITÁRIAS
SMet Praticante de binge Não praticante
p**
n (%) n (%)
Portador 4 (25,0) 1 (1,4)
0,003*
Não portador 12 (75,0) 73 (98,6)
Tabela 1. Associação da síndrome metabólica com prática de binge alcoólico. Fortaleza, 2010.
*p<0,05; **Teste exato de Fischer.
Statement of the International Diabetes Federation Task Force on Epidemiology and Prevention; National Heart, Lung, and Blood Institute; American Heart Association; World Heart Federation;
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NUTRICIÓNCLÍNICA YDIETÉTICAHOSPITALARIA
RESUMEN
Introducción. El cáncer es la primera causa de muerte en España y es, por tanto, un problema de sa- lud prioritario. Se sabe que la nutrición está relacio- nada con la incidencia de cáncer y que también puede ser un factor importante para su tratamiento. Es esen- cial otorgar a la nutrición el papel que merece, para lle- var a cabo un tratamiento óptimo de la enfermedad y maximizar las probabilidades de curación.
Objetivos: Evaluar la adecuación y la prevalencia de los consejos nutricionales que se ofrecen en mate- ria de cáncer en distintos centros de España.
Metodos:Estudio descriptivo, observacional, retros- pectivo. Se realizó mediante un cuestionario Ad Hoc a una muestra incidental en pacientes con cáncer de 3 Comunidades Autónomas. Las variables estudiadas se centraron en la información sobre su tratamiento nutri- cional, sus características sociosanitarias, así como las de la intervención y evolución de cada participante.
Resultados:La muestra estudiada es de 17 pacien- tes con distintos tipos de cáncer, que fueron sometidos a cirugía, quimioterapia, radioterapia y/u hormonotera- pia. Refirieron haber tenido efectos secundarios 10 participantes y solo recibieron consejos adecuados para los síntomas en 2 de los casos. El 82,35% no tuvo
valoración nutricional previa, solo un 5,88% fue a con- sulta exclusiva de nutrición y solo un 29,41% recibió alguna pauta alimentaria.
Discusión:La eficacia de las recomendaciones nu- tricionales en la evolución y calidad de vida del pa- ciente oncológico ha sido demostrada por diversos es- tudios. La malnutrición y la pérdida de peso son problemas comunes en estos pacientes y pueden dar origen a complicaciones durante la enfermedad. Por ello, es muy importante evaluar de forma correcta el estado nutricional del paciente para poder realizar la intervención nutricional oportuna, adaptada a sus ne- cesidades, gustos y sintomatología. Lo cual no se iden- tificó mayoritariamente en nuestra muestra.
Conclusión: La evaluación, tratamiento y segui- miento del estado nutricional resulta muy importante para el paciente oncológico. Pero es a su vez un traba - jo complejo que requiere mucho tiempo y dedicación y, que debe manejarse a través de equipos especializa- dos de nutrición con un alto grado de entrena miento en oncología.
PALABRAS CLAVE
Cáncer, nutrición oncológica, nutrición y cáncer, re- comendación nutricional, malnutrición.
ABSTRACT
Introduction:Cancer is the main cause of death in Spain and is therefore a priority health problem. It is known that nutrition is associated with the incidence of