EJA: TRAÇANDO UM PERFIL DE ESTUDANTES E SUAS EXPECTATIVAS NOS ESTUDOS
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(2) EJA: TRAÇANDO UM PERFIL DE ESTUDANTES E SUAS EXPECTATIVAS NOS ESTUDOS 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho apresenta o resultado de uma pesquisa realizada no componente curricular Políticas Públicas Educacionais no Contexto Brasileiro, cursada na Licenciatura em química no 3º semestre, na Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé, cuja temática abordada foi a Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o intuito de investigar e conhecer quem são os alunos e por que estão nessa Modalidade da educação Básica. A alfabetização de adultos foi uma política desencadeada pelos movimentos sociais já na década de 1960, fundamentada na pedagogia freireana e que, no regime militar, foi alterada, assumindo um caráter estatal de combate ao analfabetismo através de Programas como o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Em 1971 foi incluído um capítulo específico para esta modalidade na LDBEN, n. 5.692, como uma política estatal de caráter compensatório e supletivo, aliada ao projeto desenvolvimentista que visava ampliar a rede escolar e suprir a falta de mão de obra qualificada. Cury (2000) destaca que os primeiros documentos oficiais de atenção à EJA eram uma resposta às necessidades do capital: mão de obra minimamente qualificada para atuar na indústria, maior controle social, além de diminuir os vergonhosos índices de analfabetismo. A partir dos anos de 1990, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei n. 9.394 de 1996, a EJA visa atender o direito de acesso à escolarização àqueles que não freqüentaram a escola ou não concluíram seus estudos em idade apropriada. Já nos anos 2.000, as altas taxas de evasão e repetência levam muitos jovens a serem transferidos para a EJA, o que a descaracteriza como educação de adultos e trabalhadores. Frente à isso e em nome de elevar os índices de jovens concluintes da Educação Básica, o governo federal criou o Exame Nacional da EJA (ENCEJA) o que acarreta o enxugamento dos recursos a serem aplicados para manter os jovens na escola, e acaba por reduzir o tempo de estudos que seriam necessários para a oferta de uma escolarização àqueles que não a concluem em idade apropriada. Desde então, o público que a EJA atende tem sido de jovens que não conseguem concluir os estudos nas turmas regulares, geralmente diurnas, como mostra o Censo Escolar de 2014: 30% das matrículas de EJA no Brasil são de jovens entre 15 e 19 anos de idade. Com isso, o nosso objetivo é a partir de uma amostra de alunos do EJA buscar compreender melhor o perfil dos estudantes desta modalidade e suas perspectivas de estudo. 2. METODOLOGIA Realizamos uma Pesquisa Exploratória que, segundo Gil (2008) oferece maior familiaridade com o problema investigado, permitindo um levantamento de dados num contexto específico. O público alvo da pesquisa foram estudantes que frequentavam o segundo ano do Ensino Médio numa turma noturna de EJA de uma escola pública da cidade de Bagé (RS). Criamos um instrumento de coleta de dados composto por oito questões de múltipla escolha, onde os estudantes podiam acrescentar comentários. Com base nos.
(3) dados coletados, fizemos uma análise quanti-qualitativa que sistematiza os resultados obtidos nos questionários. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Sistematizamos os resultados obtidos na pesquisa de acordo com as categorias contempladas no instrumento de coleta de dados, sendo elas: idade, sexo, estado civil, filhos.. Figura 1: Idade dos Estudantes. Figura 2: Sexo. Figura 3: Estado Civil. Figura 4: Filhos.
(4) Os gráficos 1, 2, 3 e 4 mostram que, dos 14 estudantes da EJA que responderam o questionário, 08 tinham menos de 30 anos de idade e apenas 01 tem idade superior a essa, 09 são do sexo feminino, representando mais de 50% da turma, 13 afirmam serem solteiros apenas 05 tem filhos e 06 afirmaram trabalhar (como aparecer no figura 5). Esses dados confirmam a predominância de jovens na EJA. Ao responderam sobre a razão de frequentarem a EJA, a maioria considera esta modalidade de ensino ³mais fácil´. Contudo, há uma contradição, pois uma das dificuldades mais apontadas pelos estudantes foram os conteúdos trabalhados.. Figura 5: Dificuldades de Aprendizagem Quando perguntados se haviam interrompido os estudos em algum momento, obteve- se o seguinte resultado:. Figura 5: Evasão Conforme os dados, apenas um dos estudantes da turma interrompeu seus estudos, o que reforça a indicação do fator da idade e da repetência no turno diurno como causa da transferência dos jovens para o ensino noturno, pois dos 14 apenas 04 não haviam reprovado em sua vida escolar.. Figura 6: Histórico de Reprovação.
(5) Mesmo com as dificuldades, todos os estudantes que participaram da pesquisa afirmam ter motivação para continuarem seus estudos. Um total de 09 estudantes afirmou pretender cursar a Educação Superior, 01 quer apenas concluir o Ensino Médio e 04 disseram querer fazer Pós- Graduação. E apenas 01 disse não ter incentivo dos pais, como mostram as próximas figuras:. Figura 7: Aspirações Acadêmicas. Figura 8: Incentivo dos Pais 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo do trabalho realizado foi traçar um perfil de uma amostra de estudantes da EJA e suas expectativas nos estudos. No contexto pesquisado percebemos que a maioria dos estudantes são jovens evadidos ou repetentes que, apesar das dificuldades enfrentadas, ainda acreditam na possibilidade de continuar seus estudos. Essa pesquisa leva-nos a refletir sobre a relevância da oferta da EJA aos jovens e adultos que não concluíram as etapas de escolarização em idade apropriada. Porém, é preciso criar formas de desenvolver um ensino que esteja adequado a realidade desses estudantes e que não inviabilize suas expectativas. 5. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº. 9.394, de 23 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 1996. CURY, Carlos Roberto Jamil. Parecer CEB 11/2000. In: SOARES, Leôncio. Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro, 2002, p. 280..
(6) GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 171..
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