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Escherichia coli nas infeções urinárias da comunidade: comensal ou patogénica?

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ACTA

Urológica

Portuguesa

ARTIGO

ORIGINAL

Escherichia

coli

nas

infec

¸ões

urinárias

da

comunidade:

comensal

ou

patogénica?

Ana

Eusébio

a

,

Catarina

Araújo

a

,

Madalena

Andrade

a

e

Aida

Duarte

a,b,

aLaboratóriodeMicrobiologia,FaculdadedeFarmácia,UniversidadedeLisboa,Lisboa,Portugal biMed.UL,ResearchInstituteforMedicinesandPharmaceuticalSciences,Lisboa,Portugal Recebidoa11demarçode2015;aceitea15defevereirode2016

DisponívelnaInterneta20demarçode2016

PALAVRAS-CHAVE Escherichiacoli; Cistites; Comensal; Patogénica; Virulência Resumo

Objetivo: EstudarapatogenicidadedeisoladosdeEscherichiacoli(E.coli)nasinfec¸ões uriná-riasesuarelac¸ãocomohospedeiro,tendoemcontaaassociac¸ãodebacteriúriaporE.colia critériosdefinidosdepatogenicidadeouacondic¸õesespecíficasinerentesaohospedeiro,em mulherescomidadesaté59anos.

Materiaisemétodos: Foramestudadas228estirpesdeE.coli,isoladasdeurinasdemulheres comidade≤59anos,provenientesdevárioslaboratóriosportuguesesdeprestac¸ãodeservic¸os àcomunidade.ApesquisadosgenesdevirulênciafimH,papC,ecpA,usp,hlyAecnf1,dasilhas depatogenicidade(PAI)ICFT073ePAIIICFT073,eadeterminac¸ãodogrupofilogenéticofoiefetuada

pelatécnicadePCR.

Resultados: OsgenesmaisfrequentementeisoladosforamoecpA,seguidodefimH,eosgrupos filogenéticosmaisprevalentesoB2eDpatogénicos,tantoemcITUcomoemncITU.

TantonosisoladoscomensaiscomoospatogénicosapresentaramosgenesfimH,papCeecpA

deaderênciaecolonizac¸ão;contudo,osgenesusp,hlyAecnf1,associadosaprocessosinvasivos, assim como asPAIICTF073 e PAIIICFT073 encontraram-se predominantementenos isoladosdos

grupospatogénicos.

Conclusão:Osfatores devirulênciaestudadosnãoficaram restritosàsestirpespatogénicas, tantoemncITUcomoemcITU.Osfatoresderiscodohospedeiroquepropiciamo estabeleci-mentodecistitescomoagravidez,recorrênciaediabetes,estãoassociadosàpatogenicidade dasbactérias.

© 2016Associac¸˜ao PortuguesadeUrologia.Publicado porElsevier Espa˜na, S.L.U.Este ´eum artigo OpenAccess sobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

Correioeletrónico:[email protected](A.Duarte). http://dx.doi.org/10.1016/j.acup.2016.02.002

2341-4022/©2016Associac¸˜aoPortuguesadeUrologia.PublicadoporElsevierEspa˜na,S.L.U.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸a CCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

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KEYWORDS Escherichiacoli; Cystitis; Commensal; Pathogenic; Virulence

Escherichiacoliincommunityurinarytractinfections:commensalorpathogenic?

Abstract

Objective:TostudyEscherichiacolipathogenicityinurinarytractinfectionsandtheir relati-onshipwiththehost.AssociationofbacteriuriabyE.coliwithdefinedpathogenicitycriteriaor hostspecificconditions,inwomenagedupto59years.

Materialsandmethods: Overall228Escherichiacolistrainswerestudied.Thesewereisolated fromurineofwomenwithage59providedbyvariousPortugueselaboratories inthe com-munity.ThestudyofthevirulencegenesfimH,papC,ecpA,usp,hlyAandcnf1,pathogenicity islands(PAI)ICFT073 andPAIIICFT073,andphylogeneticgroupdeterminationwas performedby

PCR.

Results:ThemostfrequentlyisolatedgeneswereecpA,followedbyfimHandthemost preva-lentphylogeneticgroupswerepathogenicsB2andD,bothincITUandncITU.

Bothcommensalandpathogenicisolatesshowed presenceoffimH,papC andecpAgenes withfunctionsinadhesionandcolonization,whileusp,hlyAandcnf1usuallyassociatedwith invasivestrainsandPAIICTF073andPAIIICFT073 werefoundpredominantlyinpathogenicgroup

strains.

Conclusion:Studiedvirulencefactorswerenotrestrictedtopathogenicstrains,bothinncITU andcITU. Thehost riskfactorswhich propitiatecystitis such aspregnancy,recurrenceand diabetes,areassociatedwithbacterialpathogenicity.

©2016Associac¸˜aoPortuguesadeUrologia.PublishedbyElsevierEspa˜na,S.L.U.Thisisanopen accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/ 4.0/).

Introduc

¸ão

AEscherichiacoli(E.coli)é oagente etiológicomais

fre-quentementeisolado nasinfec¸ões dotrato urinário(ITU), sendotambémpredominante na floraintestinal humana1. Os fatores que predispõem à infec¸ão urinária podem ser inerentesao hospedeiroou específicos domicrorganismo. Acistiteouinfec¸ãourináriabaixapodecaracterizar-secomo complicada ou não complicada, consoante o hospedeiro apresenteounãofatoresderisco,taiscomointernamento recenteemhospital,patologiasobstrutivasouusode cate-ter urinário2---6. A E. coli uropatogénica (UPEC) expressa fatoresdevirulênciataiscomoadesinas,toxinas, siderófo-roseproteínasdesuperfícieresponsáveispelacolonizac¸ão, invasãoepersistêncianotratourinário1.Entreasadesinas maisfrequentemente associadasà UPEC estãoasfímbrias dotipo 1 e asfímbrias do tipo Pou Pyelonephritis

asso-ciated pili (Pap)7,8. A adesina FimH, representativa das

fímbriasdotipo1,liga-seespecificamenteàuroplaquinaIa, umaglicoproteínaexpressapelascélulasvesicaistidacomo importantenaformac¸ãodebiofilme9,10.AsPapestão associ-adasapielonefriteagudanãocomplicada11,encontrando-se orecetorespecíficodisseminadonasmembranascelulares dascélulasrenais4,sendoessenciaisparaacolonizac¸ãodo tratourinárioalto1.Outrasadesinastêmsidodescritasem estirpesdeE.colienteropatogénicasecomensais,talcomo adenominada deE. colicommon pilusouECP, codificada pelogeneecpA,responsávelpelacolonizac¸ão,disseminac¸ão einfec¸ãodotratogastrointestinal12,13,comotambémpela formac¸ãodebiofilmesemsuperfíciesbióticaseabióticas.

Entre as proteínas excretadas pelas estirpes UPEC, a proteína uropathogenic-specific protein (USP), codificada pelogeneusp,foidescritarecentementecomoprevalente

nasestirpesurináriasrelativamenteàsestirpesfecais1,14---16. Outra proteína importante, a citotoxinaou factor necro-santecitotóxicoCNF1(cytotoxicnecrotizingfactor1),tem acapacidade deinduzirapoptosenascélulasepiteliaisda bexiga,estimulandoasuaexfoliac¸ãoeconsequenteinvasão doepitélio.Estaintervémtambémnainibic¸ãodaatividade fagocítica equimiotática dosneutrófilos17. Ainda relativa-menteàscitotoxinasdestaca-sea␣-hemolisina,codificada pelogenehly,quepromoveaformac¸ãodeporoscoma con-sequentelisecelular,facilitandoaobtenc¸ãodenutrientes e a captac¸ão deferroiónico, necessários ao metabolismo bacteriano17.

Osgenesquecodificamestesfatoresdevirulênciapodem estarlocalizadosnocromossomaouemplasmídeos,epodem também estar associados a elementos genéticos móveis como as ilhas de patogenicidade (PAI). Estes elementos caracterizam-seporteremtamanhosuperiora10kilobases, oquelhespermiteteremassociac¸ãogenescodificadoresde adesinas,toxinas,sideróforos,cápsulaseseremfacilmente transferidosentreespéciesbacterianas18---20.Das8ilhasde patogenicidadejáconhecidasemE.colidestacam-seaPAI ICFT073eaPAIIICFT073;aprimeirapossuiumgrupodegenesque

codificamparaa␣-hemolisinaeaPap,enquantoasegunda transportaapenasgenescodificadoresdaPap18.

A fronteira entre comensalismo e patogenicidade tem suscitadoaosinvestigadoresodesenvolvimentode metodo-logias que permitam esclarecer seuma estirpede E. coli

consideradacomensal podeserpatogénicaevice-versa,e quais as características que as diferenciam. Clermont et al.21 desenvolveram umalgoritmobaseado na detec¸ão de 3 genes conservados, o que permite agrupar as estirpes deE.coliem4gruposfilogenéticos---A,B1,B2,D---sendo que as estirpes extraintestinais patogénicas pertencem

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maioritariamenteaogrupoB2eemmenornúmeroaogrupo D,enquantoascomensaispertencemaosgruposAeB121,22. Este trabalho surgecomo complemento de umprojeto quevisouoestudodaresistênciaaosantibióticos23,24,tem comoobjetivocaracterizarosfatoresdevirulênciaem iso-lados E. coli de infec¸ões urinárias e analisar a relac¸ão bactéria-hospedeiro.Com esteestudo pretendemos verifi-car sea bacteriúria por E. coli, em mulheres com idades até59anos,estáassociadaounãoacritériosdefinidosde patogenicidadedabactériaouafatoresderiscoinerentes aohospedeiro.

Materiais

e

métodos

Estirpes bacterianas: foram estudadas 228 estirpes de

E.coli, isoladasde urinasdemulheres comidade inferior ouiguala59anos.Asbactériasprovinhamdevários labora-tóriosportuguesesdeprestac¸ãodeservic¸osàcomunidade, tendosidoidentificadasnoslaboratóriosdeorigeme, pos-teriormente, enviadas ao laboratório de Microbiologia da FaculdadedeFarmáciadaUniversidadedeLisboa.

Pesquisadegenesdevirulênciaeidentificac¸ãodos gru-posfilogenéticos:apesquisadosgenesdevirulência(fimH,

papC,ecpA,usp,hlyAecnf1),dasilhasdepatogenicidade

PAIICFT073 ePAIIICFT073edogrupofilogenético(chuA,yjaA,

TSPE4.C2)foiefetuadanoDNAgenómicoextraídopela

téc-nicadeboiled25.Osprodutosobtidosapósamplificac¸ãopela

técnicadePCR,comprimersespecíficosparaosgenesem estudo12,21,26---29,foramconfirmadosporsequenciac¸ão,eas sequênciasnucleotídicaseaminoacídicasforamanalisadas

porsoftwaredisponívelnoNationalCentrefor

Biotechno-logyInformation(http://www.ncbi.nlm.nih.gov).

Resultados

Caracterizac¸ãodaamostraclínica

O diagnóstico decistite foibaseado nos sintomas clínicos comoardoràmicc¸ão,poliquiúriaeurgênciaurinária,ena análisecito-bacteriológicadaurina.Esteexameconsistena observac¸ãodeleucocitúria,marcadordeinflamac¸ão, asso-ciadaàidentificac¸ãodeumaestirpebacterianaemnúmero superior a 105 unidades formadas colónias UFC/ml. Dos

228 isoladosde E. coli, 170 foramidentificados deurinas demulheressemfatoresderisco,consideradascistitesnão complicadas(ncITU).Osrestantes50isoladoseram prove-nientes de urinas de mulheres, que se diferenciaramdos critériosdeinclusãodasncITUporqueapresentavamumou maisfatorescomorecorrênciadainfec¸ão(n=25),gravidez (n=37)ediabetes(n=2),aoqueseenglobaramnascistites complicadas(cITU)6.

Genesdevirulência

Napesquisadosgenesdevirulênciaobservou-seumpadrão de prevalência idêntico em todos os isolados, sendo que o gene mais frequente foi ecpA, seguido de fimH, tal comoé observadonafigura1.Nos50 isoladosdecITU,os genes ecpA e fimH foram identificados em 94,0% (n=47) e 72,0% (n=36), respetivamente. Da mesma forma, nos

81,5 23,0 83,7 20,8 29,8 22,5 52,8 50,6 72,0 26,0 94,0 22,0 18,0 22,0 40,0 42,0 0,0

fimH papC ecpA usp hlyA cnf1

PAI ICFT073PAI IICFT073

10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0

Não complicadas (n = 178) Complicadas (n = 50)

Figura1 Percentagemdeisolados deEscherichiacoli, pro-venientesde cistitesnãocomplicadase cistitescomplicadas, contendoosgenesdevirulênciaestudadosfimH,papC,espA, usp,hlyA,cnf1,easilhasdepatogenicidadePAIICTF073 ePAI IICFT073. 20% 6% 39% 35% A B1 B2 D 12% 10% 54% 24%

A

B

Figura2 Distribuic¸ãodosisoladosdeEscherichiacoli, prove-nientesdecistitesnãocomplicadas(A)ecistitescomplicadas (B),pelosgruposfilogenéticoscomensais(AeB1)epatogénicos (B2eD).

170isoladosdencITU,osgenesecpAefimHforam encon-tradosem83,7%(n=149)e81,5%(n=145).Paraosrestantes genes de virulência estudados (papC, usp, hlyA e cnf1), foramencontradosvaloresdentro damesma ordem entre 18-30%.

Relac¸ãodosfatoresdevirulênciaeosgrupos filogenéticos

Os228 isolados deE. coli distribuíram-se entreos 4 gru-posfilogenéticos,A, B1,B2,D, deacordocoma figura2. Asbactérias comensaisdosgrupos AeB1foram identifica-dasem45dos 178isoladosassociadosàsncITU(fig. 2A)e quesedistribuírampelogrupoA(20%;n=35)epelogrupo B1(6%;n=10), enquanto amaioria dos isoladosde ncITU (n=133)pertencemaosgrupospatogénicosB2eDem quan-tidadepercentualsemelhantede39%(n=70)e35%(n=63), respetivamente.Deacordocomafigura2B,dos50isolados provenientesdecITU,verificou-seque39isoladosestavam nosgrupospatogénicosB2(54%;n=27)eD(24%;n=12).Os

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T abela 1 Distribuic ¸ã o dos isolados de Escherichia coli pelos grupos filogenéticos patogénicos (B2, D) e comensais (A, B1), de acordo com os fatores de virulência fimH, papC, espA, usp, hlyA, cnf1 e as ilhas de patogenicidade PA I ICFT073 e PA I IICFT073 B2 D A B1 ncITU (n= 70) cITU (n = 27) ncITU (n= 63) cITU (n = 12) ncITU (n= 35) cITU (n= 6) ncITU (n= 10) cITU (n= 5) FimH 62 88,6% 19 70,4% 49 77,7% 9 75,0% 26 74,3% 5 83,3% 8 80% 3 60% P apC 18 25,7% 8 29,6% 14 22,2% 3 25% 7 20,0% 1 16,7% 2 20% 1 20% EcpA 60 85,7% 27 100% 50 79,4% 12 100% 29 82,9% 3 50% 10 100% 5 100% Usp 16 22,9% 9 33,3% 12 19,0% 2 16,7% 6 17,1% -HlyA 37 52,9% 6 22,2% 9 14,3% 3 25% 7 20,0% -Cnf-1 24 34,3% 9 33,3% 9 14,3% 2 16,7% 6 17,1% -1 10% -PA I I CFT073 59 84,3% 15 55,6% 26 41,3% 5 41,7% 8 22,9% -1 10,0% -PA I II CFT073 55 78,6% 16 59,3% 21 33,3% 5 41,7% 12 34,3% -2 20,0% -ncITU: infec ¸ã o do trato urinário não complicada; cITU: infec ¸ã o do trato urinário complicada.

restantes11isolados(12%;n=6)e(10%;n=5) distribuíram--seentreosgruposcomensaisAeB1,respetivamente.

Em8isolados,foramidentificadostodososgenesde viru-lênciaemestudo;distribuíram-sepelosgruposfilogenéticos patogénicos B2 (n=3) e D (n=5). Apenas num isolado do grupofilogenéticoDnãoforamdetetadosquaisquerfatores devirulênciaemestudo.

Ao comparar os resultados expressos na tabela 1, dos isolados provenientes de cITU e ncITU, verifica-se que, tantoosisoladoscomensais(AeB1),comoospatogénicos (B2eD),apresentaramtodososgenesqueestãoimplicados naaderênciaàscélulasecolonizac¸ãodohospedeiro(fimH,

papC,ecpA).Inclusivamente,nogrupodeisolados

comen-sais e provenientes de cITU só foram detetados os genes decolonizac¸ão.Quanto aosgenes quecodificamproteínas deproteínasresponsáveisporprocessosinvasivos,os isola-dosdosgruposB2eDapresentamvaloressignificativamente maiselevados,quandocomparadoscomosgruposAeB1. Relac¸ãodasilhasdepatogenicidadecomosgrupos filogenéticos

Nos228isolados,as2ilhaspatogenicidade(PAIICTF073 ePAI

IICFT073) foram predominantes entre as 8 PAI pesquisadas,

tantonosisoladosdencITUcomodecITU.Emboracom valo-ressemelhantes,aPAIICTF073 foiaprevalente51,9e49,3%,

seguidadaPAIIICFT073 com49,7e46,3%paraosisoladosde

ncITUedecITU,respetivamente.Deacordocomatabela1, estasPAI tambémforamencontradas em maior percenta-gemnasestirpesB2eD,tantonosisoladosdencITUcomo decITU.Contrariamenteaoquesepoderiapensar,nãose detetaramisoladoscomas2PAInosgruposcomensaisAe B1,oriundosdecistitescomplicadas,tendoemcontaofacto deproviremde10grávidas,3delascomrecorrência,ede umamulhercomdiabetes.

Discussão

Umdosfatoresprincipaisparaaocorrênciadeinfec¸õesdo tractourinário é apresenc¸a deadesinas fimbriais, permi-tindoaaderênciadabactériaaouroepitélio.Aprevalência defímbriasdotipo1,comparativamenteàsdotipoP,éum indicadordevirulênciaimportanteerelevantena patogeni-cidadedasestirpesdeE.coli.Estafímbriadesempenhaum papelimportante nainduc¸ãodainflamac¸ão,em particular nascistites, umavez quea adesinaFimHseliga especifi-camente àuroplaquina,abundante noepitélio vesical.No entanto,aassociac¸ãocomasPapalertaparaanecessidade de um maioracompanhamento clínico, de modo a evitar infec¸õesnoaparelhourinárioalto,maisconcretamente, pie-lonefrites.

O facto de se ter verificado a presenc¸a do pilus ECP na maioria dos isolados, adesina que está implicada na colonizac¸ãodointestinoequecontribuiparaapermanência dasbactériasnohospedeiro,confirmaaautocontaminac¸ão porvia ascendentecomoa principalcausadeITU. A ade-sinaEcpAé umfatorcríticoparaa aderênciae virulência de estirpes de E. coli entero-hemorrágicas (EHEC), por-queaomimetizarocomportamentodasestirpescomensais confereavantagemnacolonizac¸ãoeevasãoaosistema imu-nitáriodohospedeiro30. Nonossoestudoa prevalênciado

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geneecpA,tantoem grupospatogénicoscomocomensais, permite-nosconcordarcomRendonetal.30,aoafirmarque este gene acompanha a evoluc¸ão de E. coli intestinais e extraintestinais,possibilitando a colonizac¸ão generalizada destasbactérias.Efetivamente,ogeneecpAfoiencontrado nosisoladosdos4gruposfilogenéticos,commaior relevân-cianosisoladosdosgrupospatogénicosB2eD,enquantoem estirpeshospitalaresmultirresistentesestegenefoi encon-tradomaioritariamenteemisoladosdogrupoA31.

Relativamenteàassociac¸ãodogrupofilogenéticoe fato-res de virulência, observou-se um predomínio destes nos grupospatogénicosB2,seguidodogrupoD,tantoem cisti-tescomplicadascomonãocomplicadas,comparativamente aosgruposcomensaisAeB1.Estadiferenc¸aéevidenciada pelabaixa percentagemdos genes usp, hly ecnf1 encon-trados nestes grupos, o que poderá justificar umamenor capacidadeinvasivaeumamenorcausalidadeparaainfec¸ão porpartedasestirpescomensais.AproteínaUSPtemsido encontradamaisfrequentementeemestirpes uropatogéni-casdoqueemcomensais,eestáassociadaàsbacteriemias com origem nas infec¸ões urinárias12. No nosso estudo, o geneuspfoidetetadonosisoladosdecistites complicadas nasestirpespatogénicas,oquenãoaconteceunasestirpes comensaisondefoiencontradoapenasnosisoladosde cis-tites não complicadas. Se a prevalência de uma proteína comoaUSP,com capacidadedeinvadiroepitélio vesical, numgrupodeisoladospatogénicosérelevante,apresenc¸a destaproteína USP nosisolados comensais, em particular nosprovenientesdencITU,poderáserumalertapela pato-genicidadequeconfereàbactéria,independentementedos fatores de risco inerentes ao hospedeiro. No entanto, os isolados de cITU apresentaram percentagens elevadas de fatoresdevirulência,umpoucosuperioresaosisoladosde ncITU, oque permiteestabelecerum graude patogenici-dadesemelhanteentreosgrupos,reforc¸andoahipótesede queavirulênciainerenteàbactériapoderásertãooumais importantequeosfatoresderiscodohospedeiro. Efetiva-menteapresenc¸adefatoresdeaderência,deinvasãoede toxicidadeemestirpescomensais,característicasinerentes àestirpebacteriana,temumpapeldeterminanteejustifica adificuldadedeerradicac¸ãodabactériaedarecorrênciade infec¸ão.

A prevalência das ilhas de patogenicidade PAIICFT073 e

PAIIICFT073 foisuperiornosisoladospatogénicos

comparati-vamenteaoscomensais,sendoquenestegruponãoforam detetadas nos isolados de cITU. Estas ilhas de patogeni-cidade possuem umgrupo degenes que codificam para a Pap e ␣-hemolisina, o que poderá indiciar a maior facili-dadedasestirpes atingiremoaparelhourináriosuperiore permaneceram noparênquimarenal (Pap);capacidade de lisarashemácias(␣-hemolisina),assimcomocélulas endo-teliaise doepitéliorenal,permitindo maiorfacilidadede entrada na corrente sanguínea, originando bacteriemias. No nosso estudo, não se verificou uma analogia entre o númerodeisoladospositivosparaogenehlyAeaPAIICFT073,

dado que para a detec¸ão da PAI a zona a amplificar por PCR nãoé a correspondenteà dogene hlyAe o facto de poderemocorrerdelec¸ões,mutac¸õeserearranjos genómi-cosnasPAIpoderájustificarainexistênciadeconcordância entreestesvalores.Noentanto,edeacordocomSchmidt etal.20,ainserc¸ão deumaPAInocromossomabacteriano podeconverterumabactérianãopatogénicaempatogénica

e permitir mais facilmente a aquisic¸ão de genes de virulência.

As bactérias que transportam ilhas de patogenicidade têmmaiorcapacidadeinvasiva,o queassociado a fatores deaderência conduz aumamaiorcapacidadedelesãodo epitélio,persistência,protec¸ãodoalcancedoantibióticoe sistemaimunitário,assimcomomaiorcapacidadede ascen-sãonotratourinário.

Conclusão

Nesteestudoverificou-sequetantoosisoladosdeITU com-plicadas,comoosdeITUnãocomplicadasapresentaramum graudepatogenicidadesemelhante,reforc¸andoahipótese dequeosfatoresderiscoinerentesàbactériapoderãoser tãooumaisimportantesqueosdohospedeiro.Ascondic¸ões específicasdohospedeiro,taiscomoagravidez,recorrência e diabetes, podem não ser determinantespara o estabe-lecimento da ITU, dado que os isolados nestas situac¸ões apresentaramumnúmeroelevadodefatoresdevirulência.

Responsabilidades

éticas

Protec¸ão depessoaseanimais.Osautoresdeclaramque paraesta investigac¸ão nãoserealizaram experiências em sereshumanose/ouanimais.

Confidencialidadedosdados.Osautoresdeclaramquenão aparecemdadosdepacientesnesteartigo.

Direitoà privacidade e consentimento escrito.Os auto-resdeclaramquenãoaparecemdadosdepacientesneste artigo.

Conflito

de

interesses

Osautoresdeclaramnãohaverconflitodeinteresses.

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