ENSINOSUPERIORNOBRASIL:UMAANÁLISEEMPÍRICA
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(2) ENSINO SUPERIOR NO BRASIL: UMA ANÁLISE EMPÍRICA. INTRODUÇÃO E BREVE REVISÃO DE LITERATURA: O presente estudo tem como objetivo verificar se existem diferenças nos alunos do ensino superior brasileiro, comparando os estudantes dos cursos de ensino superior do Brasil. Uma análise particular será realizada para verificar se existem diferenças muito significativas entre os alunos do curso de Ciências Econômicas e os demais. Uma questão bastante relevante no ensino superior é a evasão. Entende-se como evasão o processo de desistência do discente do curso ao qual estava matriculado. Corresponde a uma postura do aluno que decide desligar-se por responsabilidade própria, sendo possível que ele faça uma mudança de curso, que é a evasão do curso de origem, ou de todo o sistema educacional (NORONHA, 2001). Uma análise teórica já foi realizada por Silva Filho (2007), e algumas análises já foram realizadas para o curso de economia especificamente, como Noronha e também Palharini e Palharini (2011). Sendo assim, o estudo explorará as estatísticas descritivas do Censo do Ensino Superior para o Brasil, verificando as principais estatísticas para o Curso de Ciências Econômicas e também os demais cursos. Além da seção introdutória, a seguir há uma seção metodológica, que expõe a estratégia empírica utilizada, seguida da seção de resultados e discussão, sendo sucedida pela seção de conclusão do presente artigo. METODOLOGIA: O objetivo do artigo é analisar a evasão dos cursos de graduação do ensino superior no Brasil com ênfase no curso de economia. O estudo é definido como quantitativo, sendo um estudo de análise preliminar de dados (exploratório), sendo a principal fonte utilizada os dados do Censo do Ensino Superior, coletado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Foram utilizados os microdados dos alunos, fez-se uma análise dos cursos do ensino superior brasileiro no ano de 2015 (último ano em que esta base é disponibilizada), sendo considerado o curso classificado como Economia1 pela classificação realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A análise sempre é realizada em termos comparativos, ou seja, relacionando-se as informações para os cursos de maneira geral e para o curso de economia em específico. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Nessa primeira análise podemos observar o total de alunos ingressantes em todas as Instituições de Ensino Superior (IES) na tabela 1 e o total de alunos ingressantes em Economia na tabela 2: Tabela 1: Ingresso total de alunos onde 0 situação diferente de nova vaga e 1 nova vaga, frequência e percentual.. 1. Curso Classificado com o Código 314E02 da OCDE.
(3) Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2015).. Tabela 2: Ingresso de alunos de Economia onde 0 é situação diferente de nova vaga e 1 nova vaga, frequência e percentual.. Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2015).. Pode-se observar que uma parcela pequena (23%) é de ingressantes no curso, conforme a tabela 1, sendo levemente inferior para o curso de Economia (20%), de acordo com a tabela 2. Dos 2,585,236 alunos ingressantes na IES 15 mil alunos são de Economia. Ao analisar o total de alunos de economia em termos da situação do curso, vemos que 65,56% deles estão realmente matriculados e cursando a graduação, enquanto 14,33% evadiram do curso. Este aluno desvinculado realmente não está em um curso da mesma universidade, caso contrário, estaria sendo contabilizado como transferido. O número de alunos com matrícula trancada e formado é semelhante e fica em torno de 9% do total (TABELA 3). Tabela 3: Situação dos alunos de Economia, frequência e percentual.. Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2017).. Nos demais cursos a situação dos 6,881,116 alunos 1,738,763 estão desvinculados do seu respectivo curso, representando 15,54% em termos de todos os cursos da IES. Vemos que este percentual é superior em mais de um ponto percentual ao do curso de Ciências Econômicas, fato que é surpreendente. Vemos que os números de formado e de matrícula trancada seguem próximos e em ambos os casos são valores superiores ao do curso de Ciências Econômicas (TABELAS 3 e 4). Tabela 4: Situação dos alunos nos demais cursos, frequência e percentual..
(4) Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2017).. O maior índice de evasão se dá nos cursos noturnos, onde encontram-se a maioria dos cursos de Economia no Brasil, onde dos 65,56% dos alunos encontram-se cursando e apenas 9,24 % se formam, sendo que a matrícula para o curso de economia é quatro pontos percentuais menor do que o dos demais cursos, enquanto os formados são mais de um ponto percentual abaixo (TABELAS 3 e 4). Na tabela a seguir podemos observar que uma das razões relacionadas com a evasão se dá no turno dos cursos. Os cursos noturnos podem ser escolhidos em razão da tentativa de no mercado de trabalho. É possível observar que estes cursos são os que apresentam um maior número de indivíduos cursando e também uma maior evasão (TABELA 5). Tabela 5: Situação dos alunos de acordo com o turno da graduação onde 1Matutino, 2- Vespertino, 3- Noturno, 4- Integral.. Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2017).. Os cursos noturnos contam com 64,04% de todos alunos matriculados nas IES sendo também o turno com maior número de evasão, enquanto os cursos de turno vespertino conta com apenas 44,148 alunos evadidos e o turno noturno conta com 888,152 alunos que se desvincularam do curso (TABELA 5). Com o uso dos microdados foi possível analisar também esse cenário a partir de dois diferentes ângulos: IES Federal (Código 1) e IES Privadas (Códigos 4 e 5). Considerando o número total de evasão das universidades que é 1,738,763 alunos, sendo que desse total as universidades privadas contam com um total de 1,460,865 alunos evadidos. Sendo assim, observa-se que as IES Privadas contam com uma parcela maior de alunos desvinculados, sendo responsável pela grande maioria. O mesmo ocorre para os formados, que também são, em sua maioria, egressos de instituições privadas. No somatório de IES Públicas (Códigos 1, 2 e 3), chega-se a um total de evadidos na ordem de 267,56 (TABELA 6)..
(5) Tabela 6: Situação dos alunos das IES Privadas, Cursando, Desvinculado, Falecido, Matricula Trancada e Transferido para outro curso da mesma IES.. Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2017).. Ao analisar para os estudantes de economia, é observado que há uma desvinculação bastante significativa nos alunos de IES Públicas, sendo 3.428 desvinculados no ano de 2015. Os alunos de IES privadas também tem uma evasão elevada, no entanto, em termos proporcionais, há uma parcela maior das IES públicas no número total de evadidos, chegando a 4.660. (TABELA 7) Tabela 7: Situação dos alunos de Economia das IES Privadas, Cursando, Desvinculado, Falecido, Matricula Trancada e Transferido para outro curso da mesma IES.. Fonte: Cálculo baseado nos dados do Inep: Censo Superior t 2015 (INEP,2017).. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Este resumo teve como objetivo analisar de maneira exploratória os dados do INEP do Censo do Ensino Superior e verificar as diferenças entre os cursos de Graduação em Geral e de Economia. Através dos dados analisados do INEP, podemos perceber que em 2015 62,30% dos cursos de economia eram noturnos, situação que leva a uma maior evasão do que os cursos de outros turnos, sendo possível observar também que essa evasão é maior entre as universidades privadas, o que pode estar relacionado com outros fatores como o custo, que não captados nesta análise. Nas IES federais, onde o aluno por não possui nenhum gasto direto com a universidade, ainda há um número elevado de evasões, apesar de também haver um número grande de formados por estas instituições. São muitos os casos que levam a evasão das universidades brasileiras, tanto nos cursos de Economia quanto para os demais cursos. É preciso fazer com que haja uma.
(6) redução nas taxas de evasão, fazer uso das vagas ociosas e uma reavaliação na metodologia de ensino. Pelo observado, é preciso verificar que existem diferenças entre IES públicas e privadas, sendo que a menor taxa de evasão em relação a média de cursos não se aplicada para o curso de economia das IES Federais. Sendo assim, é preciso uma análise mais detalhada dessas instituições. Referências: INEP, Instituto Nacional de Ensino e Pesquisas; Censo da Educação Superior, Microdados de 2015 [acesso em 25 de set 2017]. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/web/guest/microdados Noronha, A. B; Carvalho, B. M; Santos, F. F. F 2001; Perfil dos alunos evadidos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade campus Ribeirão Preto e avaliação do tempo de titulação dos alunos atualmente matriculados [internet] [acesso em 30 de set 2017]. Disponível em http://nupps.usp.br/downloads/docs/dt0101.pdf Palharini, F. A; Palharini, D. B 2011;Evasão no curso de Ciências Econômicas: Um estudo comparativo com a área de conhecimento e o geral da UFF [internet] [acesso em 30 de set 2017]. Disponível em http://www.uff.br/econ/download/tds/UFF_TD274.pdf Silva Filho, R.L.L.; Motejunas,P. R; Hipólito, O. e Lobo, M. B. C. M 2007; A evasão no Ensino Superior Brasileiro. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 132, p. 641 ± 659, set. /dez. 2007 [internet] [acesso em 30 de set 2017 Disponível em http://www.scielo.br/pdf/cp/v37n132/a0737132. Foram considerados como evasão todos os alunos com situação Desvinculado do Curso. Foram considerados como Economia todos os cursos das Ciências Sociais e Comportamentais de acordo com o código 314E02 da OCDE.
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