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Perspectiva afrocentrada nas contações de história na brinquedoteca do cafs: fortalecimento da autoestima e identidade negra de crianças

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RESUMO

A brinquedoteca em questão é um espaço aberto à comunidade local, atendendo crianças de

escolas da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, bem como graduandos,

pro-porcionando momentos lúdicos nos quais se estimula a leitura, a brincadeira, dramatizar,

expressar-se e experimentar diferentes tipos de jogos e brincadeiras, bem como outras atividades de caráter

pedagógico, lúdico e cultural relacionadas à temática da infância. Nas ações de pesquisa, extensão

e formação dos alunos que atuam como monitores-brinquedistas, o referencial teórico de suporte

tem sido a perspectiva histórico-cultural. Na extensão, emergiu do plano de trabalho intitulado

“Contação e dramatização de histórias infantis” o interesse em trabalhar a atividade de contação de

histórias voltadas para o debate das relações etnorraciais na Educação Infantil, nascendo daí o plano

de trabalho “Pretagogia: a contação de história na perspectiva etnorracial nas atividades da

Brinquedoteca do CAFS”. Fundamentou-se na Lei 10.639/03 bem como nas produções de autores

brasileiros e estrangeiros relacionados ao tema ora investigado. Como resultados, confirmou-se que

a prática de contar histórias é essencial para a formação da criança, ao promover situações

dire-cionadas a integração destas com a sociedade bem como a transformação do seu mundo interior.

Palavras-chave: brinquedoteca; contação de histórias; pretagogia; relações etnorraciais

ABSTRACT

Perspectiva afrocentrada nas contações de história na brinquedoteca do cafs:

fortalecimen-to da aufortalecimen-toestima e identidade negra de crianças. The fortalecimen-toy library in question is a space open fortalecimen-to the

local community, attending children from elementary school and early years of elementary school

PERSPECTIVA AFROCENTRADA NAS CONTAÇÕES DE

HISTÓRIA NA BRINQUEDOTECA DO CAFS:

FORTALECIMENTO DA AUTOESTIMA E IDENTIDADE NEGRA DE CRIANÇAS

Paulo de Tarso da Silva Júnior

Aluno do Curso de Pedagogia e monitor-brinquedista do Campus Amílcar Ferreira Sobral UFPI

[email protected] Carla Andréa Silva

Professora coordenadora do Curso de Pedagogia do Campus Amílcar Ferreira Sobral

(2)

as well as undergraduates, providing playful moments in which it stimulates to read, play,

drama-tize, express themselves, try different types of games and games, as well as other activities of a

ped-agogical, playful and cultural nature related to the theme of childhood. In the actions of research,

extension and training of students who act as monitors-toys, the theoretical support framework has

been the cultural historical perspective. In extension, emerged from the work plan titled

“Contamination and dramatization of children’s stories” the interest in working the activity of

story-telling focused on the debate of ethnoracial relations in Early Childhood Education, hence the work

plan, Pretagogia: the counting of history in the ethnorcial perspective in the activities of CAFS Toy

Library. It was based on Law 10.639 / 03, as well in national and foreign studies related with the

sub-ject. As a result, it was confirmed that the practice of storytelling is essential for the formation of the

child, in promoting situations, in the sense of integration with society and transformation of his inner

world.

Keywords: toy library; storytelling; pretagogia; ethnic-racial relations

INTRODUÇÃO

Este trabalho objetiva apresentar as experiências de extensão vividas por alunos-brinquedistas

do curso de licenciatura em Pedagogia, da Universidade Federal do Piauí, Campus Amílcar Ferreira

Sobral. As atividades aqui relatadas foram propostas pela Brinquedoteca da instituição, oriunda do

Projeto intitulado “Brinquedoteca: espaço interdisciplinar de ludicidade, arte e aprendizagem”.

Ressalta-se que o projeto visa ao desenvolvimento de habilidades que levem o aluno/monitor a

desempenhar funções necessárias ao funcionamento da brinquedoteca, tais como o laboratório de

ensino, considerando a organização e a manutenção deste espaço de aprendizagem. Ademais,

garante a interação com a comunidade beneficiária, além da produção de materiais necessários ao

desenvolvimento de atividades, como a contação de histórias e o acolhimento de crianças e outros

usuários.

Do plano de trabalho “Dramatizações e contação de histórias infantis”, executado em 2018,

den-tre as atividades de extensão da Brinquedoteca do CAFS, emergiu o interesse em trabalhar a

ativi-dade de contação de história em uma perspectiva da educação que reconhece a importância da

dis-cussão em torno das relações etnorraciais na Educação Infantil, mediante a formulação do plano de

trabalho intitulado “Pretagogia: a contação de história na perspectiva etnorracial nas atividades da

Brinquedoteca do CAFS”. Nesse momento, considera-se relevante recordar que da população de

Floriano, um percentual considerável de habitantes se declara negro, especificamente 78,6%1 da

população, segundo dados da PNAD de 2016.

A discussão que se segue tem como marco orientador a compreensão da criança como um ser

de direitos, em desenvolvimento, que esteja numa faixa etária entre 0 e 12 anos, conforme

estabe-lece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (Brasil,1990). O compartilhar sobre o

entendi-mento acerca da criança presente na legislação brasileira se faz necessário neste relato, uma vez que

nossas ações na referida Brinquedoteca incorporam as concepções acerca da infância que não são

estáticas ou heterogêneas, e dizem respeito à garantia de bem-estar destas.

METODOLOGIA

Este relato levou em consideração em sua construção os princípios inerentes à abordagem

qua-litativa em pesquisa que, segundo Lakatos e Marconi (2009), tem por preocupação a análise e

inter-pretação de aspectos mais profundos, detendo-se sobre a descrição com vista a apreender a

com-plexidade do comportamento humano. Esta abordagem segundo os autores fornece análises mais

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A experiência relatada teve como lócus a Brinquedoteca Mundo Encantado e quatro escolas da

rede municipal de educação de Floriano, cujos participantes foram os alunos devidamente

matricu-lados nas referidas instituições, na faixa etária de 3 a 5 anos de idade.

RELAÇÕES ETNORRACIAIS: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE NEGRA DA CRIANÇA

Para iniciar esta discussão, consideramos relevante recordar que o conceito raça encontra-se

ultrapassado, tendo em vista o entendimento de que não existe necessidade de diferenciação entre

os seres humanos nesse sentido, e muito menos nos caberia uma classificação em “raças”.

Portanto, a denominação mais apropriada seria “etnia”. Gomes (2005), afirma que a palavra “raça”

seria um termo amplamente utilizado para designar a subjetividade de pessoas com pele negra, a

partir de uma análise fenotípica, com a intenção de subalternizar a etnia negra e pessoas retintas2.

Discutir identidade, sobretudo sua construção, requer aprofundamento no entendimento no que

se diz respeito ao ser “criança” e como são estabelecidas suas relações sociais. Para Rios (2011),

a identidade é uma construção multirreferencial, definida por processos complexos de significação

socialmente determinados por experiências vivenciadas pelo indivíduo. Portanto, a identidade não é

uma positividade, tampouco um absoluto que se encerra em si mesmo, e sim uma relação.

Em convergência, encontra-se a perspectiva de Goffman (1975), que dentro da sua teoria sobre

o estigma da identidade pessoal, trata sobre o multirreferencialismo cultural, destacando o sujeito

como capaz de moldar suas ações com base nas expectativas dos outros. Estas seriam uma forma

de controle social, no qual se seleciona de acordo com os princípios da sociedade o que se é

ade-quado ao pensamento hegemônico da época e o que é tido como anormal.

Autores como Kramer (2007) ressaltam que as visões sobre a infância são construídas dentro

do fator social e histórico do meio em que elas se inserem. A inserção concreta das crianças e seus

papéis variam conforme os modos de organização da sociedade. Desse modo, a ideia de infância

não permanece estática, sendo modificada constantemente, apresentando variações de uma

socie-dade para outra, inclusive quanto à sua duração. Assim, crianças constituem-se como sujeitos

sociais e históricos, marcados pelas contradições das sociedades em que estão inseridas. A

crian-ça não se resume a ser alguém que não é, mas o que se tornará (o adulto, no dia em que deixar de

ser criança) (Kramer, 2007).

Nessa direção, Kramer (2007) nos alerta de que normalmente vivemos em uma linha tênue,

onde em um lado temos grandes discussões e considerações sobre a criança e em outro

encontra-mos inúmeras dificuldades em lidar com o público infantil. Ainda se caracteriza a criança como um

ser não social, que por sua vez, ainda é um ser a-histórico, apolítico e acrítico, que não possui

pro-dutividade como um adulto. As imagens utilizadas em instrumentos didáticos de muitas escolas no

Brasil, apesar do título de país miscigenado, remetem em sua maioria a características fenotípicas

eurocentradas da criança, ou seja, loiras de cabelos lisos (Courtney, 1990).

Na formulação deste projeto, quando sentimos a necessidade de pesquisar quais estórias

infan-tis comumente são contadas para as crianças, com sentido de “moral da estória”, pudemos

obser-var que são sempre colocadas como protagonistas mulheres meigas e doces, que apresentam como

características pele clara, cabelos loiros, quando não, bem pretos, porém lisos escorridos, olhos

claros, corpo esbelto e de uma beleza inimaginável. Tal cenário converge com o pensamento de

Bento (2011) de que as ilustrações presentes nos ambientes escolares inferem que ainda existe uma

hierarquia racial ancorada no padrão branco em detrimento do retinto, o que pode não oferecer

parâmetros de construção de identidade valorizada à criança negra e também, de modo nocivo,

ensinar à criança branca, equivocadamente, que ela compõe um grupo superior.

(4)

máscaras brancas”, que a postura de uma criança em se identificar como branca e desconhecer-se

como negra foi socialmente construída a partir de suas experiências na sociedade. Dessa forma

surge o racismo cordial ou preconceito velado que permeia nossa sociedade que, de modo peculiar,

reconhece a existência do racismo sem que as pessoas se assumam como racistas (Gomes, 2005).

O cenário retratado nesta discussão só torna mais explícita a disparidade social existente entre

as etnias, ainda mais quando se pensa em um desenvolvimento típico de uma criança negra, sua

construção identitária e a formação da autoestima desta, lembrando que esse caso se assevera a

depender do quanto retinta essa criança possa ser.

Subsidiada em dados assustadores, a Lei 10.639/03 que trata dos desdobramentos das

Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação das Relações Etnorraciais e para o Ensino de

História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, reúne3 índices que ilustram que as pessoas negras no

Brasil estudam em média 4,2 anos, enquanto pessoas brancas estudam 6,2 anos. Na faixa de 14 e

15 anos, há um total de 12% a mais de negros analfabetos em relação aos brancos. Cerca de 15%

das 72 crianças brancas de 10 a 14 anos de idade estão inseridas de algum modo no mundo de

tra-balho, enquanto o percentual de crianças negras inseridas neste mesmo mundo do trabalho é de

40%.

Ao refletirmos sobre o referido cenário, verifica-se que políticas públicas educacionais relativas

às relações etnorraciais, como a meta de reeducação da população sobre a conscientização ao

racis-mo estrutural, constitui, certamente, uma alternativa. Gomes (2005) compartilha desse

pensamen-to, quando afirma que a escola é um espaço primordial para a promoção de conhecimentos e

que-bras de paradigmas arcaicos acerca das relações étnicas, sendo a ludicidade uma ferramenta para

a desconstrução da subalternização do povo negro, produto da formação histórica da população

brasileira. A ação da escola se estende não somente aos alunos, mas deve se direcionar aos

pró-prios educadores e outros adultos que vivenciaram outro tipo de formação.

Não poderíamos deixar de recordar ao final desta discussão que colocamos na educação a

espe-rança de ressarcimento da dívida histórica que os negros carregam desde o fim do processo de

escravidão, pois nos alinhamos à perspectiva de Munanga (2005), que concebe o lugar do resgate

da memória coletiva e da história da comunidade negra como algo que não interessa apenas aos

alunos de ascendência negra. Interessa também aos alunos de outras ascendências étnicas,

princi-palmente branca, pois ao receber uma educação envenenada pelos preconceitos, eles também

tive-ram suas estruturas psíquicas afetadas.

Recorda-se, ainda, que esta memória não pertence somente aos negros. Ela pertence a todos,

tendo em vista que a cultura da qual nos alimentamos quotidianamente é fruto de todos os

seg-mentos étnicos. Apesar das condições desiguais nas quais se desenvolvem, contribuíram cada um

de seu modo na formação da riqueza econômica, social e da identidade nacional.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A experiência aqui descrita foi desenvolvida como parte de um projeto maior, intitulado

“Brinquedoteca: espaço interdisciplinar de ludicidade, arte e aprendizagem”. Dentro deste projeto

maior se encontra o plano de trabalho que relatamos, no caso, “Dramatização e contação de

histó-rias infantis”. Na execução do referido plano emergiu o interesse em trabalhar a atividade de

conta-ção de histórias que de algum modo promovesse a discussão em torno das relações etnorraciais

desde a Educação infantil, tendo em vista que essa discussão tem sido marginal em muitas escolas

brasileiras, apesar das exigências legais de se garantir a mesma nos diferentes espaços sociais,

dentre eles a escola.

(5)

desde os tempos remotos, têm contribuído para a formação da memória coletiva de uma

comuni-dade, pois por meio do ato de contar histórias na forma de contos, lendas e mitos, transmitem-se

as raízes culturais de um povo. A autora aponta também que nos dias atuais a arte de contar

histó-rias ganhou conotação e espaço maior, tornando-se valioso instrumento no processo educativo,

devido ao seu aspecto lúdico, e tendo como principal objetivo divertir e estimular a imaginação das

crianças.

Também tomamos por suporte o pensamento de Kuhlmann Jr. (1998), de que as crianças

par-ticipam das relações sociais, sendo este processo não exclusivamente psicológico, mas social,

cul-tural e histórico. As crianças buscam essa participação, apropriam-se de valores e

comportamen-tos próprios de seu tempo e lugar, porque as relações sociais são parte integrante de suas vidas e

de seu desenvolvimento. Dessa forma, corroborando com a lei 10.639/03 que torna obrigatório o

ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas públicas e particulares, do

Ensino Fundamental até o Ensino Médio, a contação de histórias assume caráter de recurso

forma-tivo a ser utilizado pelo professor no processo de educação das relações etnorraciais, com o

obje-tivo de combater o racismo, a injúria e o preconceito racial.

Embora a legislação brasileira assegure alguns direitos à criança, como o direito ao lazer, ao

esporte, à cultura e à educação (Brasil, 1988), e inserido entre eles o brincar, devido a questões

liga-das às contingências da sociedade contemporânea, esses mesmos direitos têm sido subtraídos da

vida de milhares de crianças em nosso país. Frente a essa realidade, percebeu-se que momentos de

contação de histórias com foco nas relações etnorraciais, como os que foram realizados em 2018,

funcionaram como ferramenta de combate ao preconceito e ao racismo junto às crianças da cidade

de Floriano. Mediada pelo enredo e pela situação-problema, coloca-se na prática da contação de

his-tória a possibilidade de a criança fazer uma autorreflexão em relação ao meio em que vive,

posicio-nando-se dentro do processo de imaginação como personagem principal da história.

Assim como Ferrarini, Valore e Camargo (2012), compreendemos que a discussão sobre a

iden-tidade racial integra o processo de reflexão sobre as múltiplas determinações que impactam a

for-mação da identidade como um todo, bem como na configuração da subjetividade. Nessa direção,

busca-se a apropriação da objetividade de forma menos alienada com vistas à participação ativa do

sujeito enquanto ser histórico nesse processo identitário.

Confecção de recursos de contação de histórias

Para que os momentos de contação se efetivassem, foram utilizados os recursos da

brinque-doteca confeccionados pelos alunos monitores do CAFS destinados aos momentos de contação de

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Foto 1 – Confecção da “Menina Bonita do Laço de Fita” Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Foto 2 – Recursos de “O Pássaros de Todas de Todas as cores” Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

O processo de confecção de material foi essencial ao projeto, pois envolveu um estudo

delica-do sobre materiais didáticos e recursos pedagógicos. O objetivo foi entender o métodelica-do que se

uti-lizaria na prática das contações, no que diz respeito às intervenções entre o material físico dentro

fala do contador de história, e de que forma esses recursos poderiam auxiliar no processo de

com-preensão da história pela criança.

PERSPECTIVA AFROCENTRADA NAS CONTAÇÕES DE HISTÓRIA NA BRINQUEDOTECA DO CAFS: FORTALECIMENTO DA AUTOESTIMA E IDENTIDADE NEGRA DE CRIANÇAS

Confecção de recursos de contação de histórias

Para que os momentos de contação se efetivassem, foram utilizados os recursos da

brinquedoteca confeccionados pelos alunos monitores do CAFS destinados aos momentos de

contação de histórias. Em geral os recursos produzidos têm o intuito de prender a atenção dos

ouvintes através dos jogos de cores e divertimento da história contada.

Foto 1 – Confecção da “Menina Bonita do Laço de Fita”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Foto 2 – Recursos de “O Pássaros de Todas de Todas as cores”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

O processo de confecção de material foi essencial ao projeto, pois envolveu um estudo

delicado sobre materiais didáticos e recursos pedagógicos. O objetivo foi entender o método

que se utilizaria na prática das contações, no que diz respeito às intervenções entre o material

físico dentro fala do contador de história, e de que forma esses recursos poderiam auxiliar no

processo de compreensão da história pela criança.

'"

Confecção de recursos de contação de histórias

Para que os momentos de contação se efetivassem, foram utilizados os recursos da

brinquedoteca confeccionados pelos alunos monitores do CAFS destinados aos momentos de

contação de histórias. Em geral os recursos produzidos têm o intuito de prender a atenção dos

ouvintes através dos jogos de cores e divertimento da história contada.

Foto 1 – Confecção da “Menina Bonita do Laço de Fita”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Foto 2 – Recursos de “O Pássaros de Todas de Todas as cores”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

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Nossos momentos de contação de histórias

As práticas de contação de histórias, bem como outras atividades, acontecem por meio de

agen-damento do espaço da brinquedoteca, ou nos momentos em que ocorre a itinerância da

Brinquedoteca em escolas públicas municipais de Floriano. No que tange à proposta do trabalho

relatada, na contação de histórias infantis etnorraciais nas escolas visitadas foram selecionadas as

histórias “A menina bonita do laço de fita” e “O pássaro de todas as cores”. Estas histórias foram

contadas nas seguintes escolas e creches: Centro Educacional Solimar Alencar Lima, Creche

Municipal Binú Leão, Escola Municipal Marenice Attem e Escola Municipal Raimundinha Carvalho.

Os momentos de contação foram registrados conforme as imagens abaixo:

Foto 3 – Contação de história “O pássaro de todas as cores” Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Foto 4 – Contação de história “A menina bonita do laço de fita” Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Nos momentos de contação, percebeu-se que as crianças identificavam nas histórias contadas

a existência de personagens que se pareciam fisicamente com elas (cor de pele e cabelo, por

exem-plo). Isso ficou evidente em falas das crianças, tais como “meu cabelo é lindo igual o da menina do

PSICOLOGÍA DE LA EDUCACIÓN Y SABERES ORIGINARIOS

Nossos momentos de contação de histórias

As práticas de contação de histórias, bem como outras atividades, acontecem por meio de

agendamento do espaço da brinquedoteca, ou nos momentos em que ocorre a itinerância da

Brinquedoteca em escolas públicas municipais de Floriano. No que tange à proposta do

trabalho relatada, na contação de histórias infantis etnorraciais nas escolas visitadas foram

selecionadas as histórias “A menina bonita do laço de fita” e “O pássaro de todas as cores”.

Estas histórias foram contadas nas seguintes escolas e creches: Centro Educacional Solimar

Alencar Lima, Creche Municipal Binú Leão, Escola Municipal Marenice Attem e Escola

Municipal Raimundinha Carvalho. Os momentos de contação foram registrados conforme as

imagens abaixo:

Foto 3 – Contação de história “O pássaro de todas as cores”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Foto 4 – Contação de história “A menina bonita do laço de fita”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Nos momentos de contação, percebeu-se que as crianças identificavam nas histórias contadas

a existência de personagens que se pareciam fisicamente com elas (cor de pele e cabelo, por

exemplo). Isso ficou evidente em falas das crianças, tais como “meu cabelo é lindo igual o da

menina do laço de fita”, “o coelho é bonito, e a menina também é bonita”, “o passarinho tem

que gostar da cor dele, porque ele é lindo”, “o passarinho tem a cor igual a minha” e “você é

Nossos momentos de contação de histórias

As práticas de contação de histórias, bem como outras atividades, acontecem por meio de

agendamento do espaço da brinquedoteca, ou nos momentos em que ocorre a itinerância da

Brinquedoteca em escolas públicas municipais de Floriano. No que tange à proposta do

trabalho relatada, na contação de histórias infantis etnorraciais nas escolas visitadas foram

selecionadas as histórias “A menina bonita do laço de fita” e “O pássaro de todas as cores”.

Estas histórias foram contadas nas seguintes escolas e creches: Centro Educacional Solimar

Alencar Lima, Creche Municipal Binú Leão, Escola Municipal Marenice Attem e Escola

Municipal Raimundinha Carvalho. Os momentos de contação foram registrados conforme as

imagens abaixo:

Foto 3 – Contação de história “O pássaro de todas as cores”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

Foto 4 – Contação de história “A menina bonita do laço de fita”

Fonte: Acervo fotográfico da Brinquedoteca (2018).

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laço de fita”, “o coelho é bonito, e a menina também é bonita”, “o passarinho tem que gostar da cor

dele, porque ele é lindo”, “o passarinho tem a cor igual a minha” e “você é branca de neve, eu sou

a menina bonita do laço de fita e ela é a Moana”. As histórias selecionadas apresentavam

persona-gens brancas e negras, o que permitiu, no momento de reflexão coletiva sobre a história, que uma

grande parte das crianças identificasse a presença das personagens negras e ainda atribuísse a elas

beleza e outras características positivas.

Tendo em vista que o processo de construção da identidade é um processo delicado e contínuo,

entende-se que a elevação da autoestima da criança e aceitação de sua etnia e traços fenotípicos é

um trabalho complexo, que se complexifica com ações como as realizadas no projeto em questão e

relatadas neste trabalho, uma vez que almeja o fortalecimento da autoestima de crianças negras

mediante uma perspectiva afrocentrada assentada na ludicidade. Ressalta-se que a eficiência do

mesmo tem se mostrado explicita no contato que realizamos posteriormente com os educadores

dessas crianças, momento em que se confirma a contação como uma ferramenta que tem

desper-tado muitas reflexões sobre a identidade de crianças negras, sobretudo aquelas que vivenciaram

conosco esta experiência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Avaliamos que nas contações de histórias em que se apresentam personagens negros em

posi-ção de destaque, é conferida centralidade à perspectiva afrocentrada e de valorizaposi-ção da cultura

popular negra brasileira. Isso constitui um grande esforço no sentido de problematizar as relações

étnico-raciais no país, pois é notório que os personagens brancos em sua grande maioria são

colo-cados em situações de privilégio em comparação aos personagens negros, assumindo quase

sem-pre o protagonismo das histórias sem maiores sem-preocupações com as desigualdades geradas e

reproduzidas com a apresentação de cenários como este.

Assim, as ações de extensão desenvolvidas na brinquedoteca relativas à contação de histórias,

fundamentadas na perspectiva etnorracial, possibilitaram aos alunos-monitores, na função de

brin-quedistas do CAFS, vivenciarem outros espaços educativos além da Brinquedoteca. Ademais, os

alunos-monitores puderam aprender a desenvolver planejamento de atividades que envolveram

contato com outras instituições de ensino e públicos distintos, além de permitir um melhor

desem-penho diante do público atendido e da plateia ouvinte das histórias contadas. Por fim, a prática na

Brinquedoteca possibilitou aos bolsistas a conquista progressiva acerca de uma compreensão mais

complexa sobre a infância. De que a criança enquanto sujeito em processo de aceitação da sua

cul-tura e grupo étnico, pode ter ganhos ilimitados para a construção de sua identidade, como nos

momentos de contação de histórias. Este proporcionaram a elas práticas em que foram

apresenta-das e visualizaapresenta-das personagens em um sentido etnorracial, e que puderam contribuir com a

dinâ-mica relativa ao processo de construção de sua identidade.

REFERÊNCIAS

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(9)

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educação. São Paulo: Selo Negro.

NOTAS

1

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Nacional por

Amostra de Domicílios (PNAD), que reúne informações sobre características demográficas e

socioeconômicas da população, como sexo, idade, etnia, educação, trabalho e rendimento, e

características dos domicílios, identificou no ano de 2016 que a população florianense apresenta

(por autodeclaração) 71,4% de pessoas pardas, 21,4% de pessoas brancas e 7,2% pretos. Por

fim o próprio IBGE reúne em grupos Étnicos (Negros, Brancos e Indígenas), e considera pretos

e pardos como grupo étnico “negro”, dando assim o total de 78,6% de pessoas negras em

Floriano-PI.

2

“Retinto” diz respeito ao termo utilizado por grandes estudiosos das relações etnorraciais,

dando um sentido de melanina mais acentuada sobre a pele, substituindo assim os termos

“mais negro” e “menos negro”.

3

Em 2013, dez anos após a aprovação da Lei 10.639/03, foi publicada a primeira pesquisa

nacio-nal sobre os desdobramentos das Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação das

Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, dando

(10)

da Lei 10.639/03”. A pesquisa foi coordenada pelo Programa de Ações Afirmativas da UFMG e

pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Étnico Raciais e Ações Afirmativas

(NERA/CNPq, em parceria com pesquisadores (as) de vários NEABs, da SECADI/MEC e da

Referencias

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