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REVISTA
PAULISTA
DE
PEDIATRIA
ARTIGO
ORIGINAL
Fatores
associados
à
baixa
durac
¸ão
do
sono
em
adolescentes
Érico
Pereira
Gomes
Felden
a,∗,
Douglas
Filipin
a,
Diego
Grasel
Barbosa
a,
Rubian
Diego
Andrade
a,
Carolina
Meyer
ae
Fernando
Mazilli
Louzada
ba
UniversidadedoEstadodeSantaCatarina(Udesc),Florianópolis,SC,Brasil
b
UniversidadeFederaldoParaná(UFPR),Curitiba,PR,Brasil
Recebidoem2demarçode2015;aceitoem26demaiode2015 DisponívelnaInternetem14deoutubrode2015
PALAVRAS-CHAVE Saúdeescolar; Sono; Hábitos; Adolescentes Resumo
Objetivo: Investigaraprevalênciaeosfatoresassociadosàbaixadurac¸ãodosonode adoles-centesdomunicípiodeMaravilha(SC),Brasil.
Métodos: A amostrafoiformadapor516adolescentes,de10a19anos,deambosossexos. Foraminvestigadas questõesassociadas àbaixadurac¸ãodosono,como dificuldadedepegar nosono,cronotipo,sonolênciadiurna,atividadefísica,comportamentosedentárioestatusde peso.
Resultados: Aprevalênciadebaixadurac¸ãodosono(<8hnosdiascomaula)foide53,6%.Os adolescentescom17-19anostiveram2,05(IC95%1,20-3,50)vezesmaischancesdeapresentar baixadurac¸ãodosonodoqueoscom10-12anos.Aquelesqueestudavamnosturnosmanhã enoiteapresentarammaiorprevalênciadebaixadurac¸ãodesono,comrelac¸ãoaosdoturno datarde.Idademaisavanc¸adaeturnoescolarforamosprincipaisfatoresassociadosàbaixa durac¸ãodosono.
Conclusões: OsadolescentesdeMaravilhaapresentaramaltaprevalênciadebaixadurac¸ãodo sono.Osmaisvelhos,queestudamdemanhãeànoite,apresentaramsonoreduzido.
©2015SociedadedePediatriadeSãoPaulo.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Esteéumartigo OpenAccesssobalicençaCCBY(https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt).
KEYWORDS
Schoolhealth; Sleep; Habits; Adolescents
Factorsassociatedwithshortsleepdurationinadolescents
Abstract
Objective: Thisstudyaimedtoinvestigatetheprevalenceandfactorsassociatedwithshort sleepdurationinadolescentsfromMaravilha---SantaCatarina(SC),southernBrazil.
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.rppede.2015.10.007
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](É.P.G.Felden).
0103-0582/©2015SociedadedePediatriadeSãoPaulo.PublicadoporElsevierEditoraLtda.EsteéumartigoOpenAccesssobalicençaCC
Methods: Thesampleconsistedof516adolescentsaged10---19yearsofbothgenders.Issues associatedwithshortsleepdurationanddifficultyfallingasleep,chronotype,daytime sleepi--ness,physicalactivity,sedentarybehaviorandweightstatuswereinvestigated.
Results: Theprevalenceofshortsleepduration(<8honschooldays)was53.6%.Adolescents aged 17---19 years showed a2.05-fold (95%CI: 1.20---3.50)greaterprevalence ofshort sleep durationthanthoseaged10---12years.Theonesstudyinginmorningandeveningshiftshada higherprevalenceofshortsleepdurationcomparedtothoseintheafternoonshift.Olderage andschoolshiftwerethemainfactorsassociatedwithshortsleepduration.
Conclusions: AdolescentsfromMaravilhashowedhighprevalenceofshortsleepduration,and olderadolescentsthatstudiedinthemorningandeveningshiftsshowedreducedsleep. ©2015SociedadedePediatriadeSãoPaulo.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen accessarticleundertheCCBYlicense(https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
Aolongodavida,oserhumano passaportransformac¸ões, tantoemsuaformafísicaquantoemseucomportamento.1
Nesse contexto, em especial na adolescência, é
possí-vel observarimportantesmudanc¸as na expressão dociclo
vigília/sonoqueincluemumatrasonafasedesono,
carac-terizadopor horáriosdedormir e acordar maistardios.2,3
Essatendênciabiológicapodeserexacerbadapor
compor-tamentoscomoousodemídiaseletrônicasduranteanoite,
que,somadoaoscompromissossociaisnoiníciodamanhã,
aumenta a prevalência de baixa durac¸ão do sono nessa
populac¸ão.4
Com o passar dos anos, na adolescência, as
prevalên-ciasdebaixadurac¸ão,má qualidadedosono esonolência
diurna excessiva tendem a aumentarprogressivamente.1-8
NoestudodeBernardoetal.,9comadolescentespaulistas,
identificou-seessatendência.Osautoresobservaramque,
aos10 anos,aprevalênciadebaixadurac¸ãodosonoerade
5%,aos12 anosde14%enofimdaadolescênciade59%.
Pesquisas recentes tentam compreender quais fatores
estão associados com a diminuic¸ão das horas de sono
naadolescência.3,8,10-12Nessecontexto,algumasvariáveis,
tantodecunhobiológicocomosocialecomportamental,são
analisadascomoobjetivodecompreendermelhora
expres-sãodociclo vigília/sononessafasedevida.Essatemática
ganhaimportância na medidaem que a baixadurac¸ão do
sono, especialmentena adolescência, está associada com
osdéficitscognitivosecomadiminuic¸ãodasaúde.13-15
Tendo em vista os efeitos negativos da baixa durac¸ão
dosono em adolescentese devido aospoucos estudos de
basepopulacionalencontradosnoBrasil,especialmenteem
municípiosdepequenoporte,opresenteestudotevecomo
objetivoinvestigaraprevalênciaeosfatoresassociadosà
baixa durac¸ão do sono em adolescentes do município de
MaravilhadoEstadodeSantaCatarina.
Método
Participaramdaamostra516adolescentes(263dosexo mas-culino),comidademédiade14,57(1,77)anos.Essaamostra foi baseadaem populac¸ão de 2.969adolescentes de 10 a 19 anos,deambosossexos,devidamentematriculadosem
2013 em escolas públicas do município de Maravilha, SC, Brasil.16
Otamanhodaamostrafoidefinidocombasenaproposta
deLuiz eMagnanini,17 queconsideraumerroamostralde
cincopontospercentuaiseefeitodedelineamentode 1,5.
Apartirdessecálculofoiidentificadoomínimode513
ado-lescentesparacomporumaamostrarepresentativa,debase
escolar,domunicípio.Aselec¸ãodaamostrafoipor
conglo-meradoeproporcionalàsfaixasde10-14ede15-19 anos
e levou em considerac¸ão a populac¸ão de estudantes nas
sériesfinaisdoensinofundamentaledostrês anosdoensino
médio.
Osadolescentesresponderamaumquestionário
estrutu-radocomquestõessobreosseguintesfatores:
sociodemo-gráficos,ligadosaosonoeàsaúde.
Quantoaosfatoressociodemográficos,foram
investiga-dos:sexo,idade,localdedomicílio(ruralouurbano),turno
deestudo(manhã,tardeenoite),renda(saláriosmínimos
recebidos pela família) e grau de instruc¸ão do chefe de
família(anosdeestudo).Comrelac¸ãoàrendaos
adolescen-tesforamclassificadosem baixarenda (atétrês salários),
média(entretrês-seis salários) ealta renda(mais doque
seis salários).
No que concerne aos fatoresrelacionados ao sono, os
seguintes dados foram analisados: a durac¸ão do sono foi
avaliada de acordo com o tempo na cama, a partir dos
horáriosdedormireacordarnosdiascomaula.Foram
con-sideradoscom baixadurac¸ãodesono osadolescentesque
apresentaramtemponacamamenordoqueoitohoraspor
dia.3,9,18Alémdisso,foraminvestigadososhoráriosde
dor-mireacordareconsideraram-sediasespecíficosdasemana:
desegundaaquinta-feira,desexta-feira parasábado,de
sábadoparadomingo ede domingopara segunda-feira.A
dificuldadeparapegarnosonofoiinvestigadapormeioda
pergunta‘‘Vocêsentedificuldadesparapegarnosono?’’.O
adolescentetinhatrêsopc¸õesderesposta:a)nunca,b) às
vezes,c)sempre.3
Asonolênciadiurna foianalisadapormeiodaPediatric
DaytimeSleepinessScale(PDSS).19Écompostaporoito
ques-tõesdemúltiplaescolha.Cadaquestãotemcincoopc¸õesde
resposta,comumaescalalikert:0=nunca;1=quasenunca;
2=àsvezes;3=frequentementee4=sempre.Nofimfoifeitoo
somatóriodosescoresdasquestõeseapontuac¸ãodaescala
podiavariarde0a32.Pontuac¸õesmaisaltasindicammais
essaescala,osadolescentesforamalocadosconsiderandoos
tercis.Assim,aquelesadolescentesdoterceirotercil(maior
pontuac¸ãodaPDSS)foramclassificadoscommaissonolência
diurna.
O cronotipo foi investigado a partir do Questionário
de Munique (MCTQ).20 Nesse questionário a definic¸ão do
cronotipoédadacomoumafasedociclovigília/sono,
repre-sentadapelameia fase dosonocorrigida e que considera
também os dias livres. O cronotipo no MCTQ é dado em
horas, variade 0-12 horas; valores menores representam
a matutinidade,enquanto osmaiores representam a
ves-pertinidade.Osadolescentesforamalocadosemtercisque
consideraramapontuac¸ãodoMCTQ.Osdoprimeiro tercil
foramaquelescomcomportamentosmaismatutinos.
Finalmente,emrelac¸ãoaosfatoresrelacionadosàsaúde,
foraminvestigadosa percepc¸ãodesaúdee deestresse,o
statusde peso, o nível de atividade físicae o tempo em
comportamentos sedentários. O comportamento
sedentá-riofoiinferidopelotemposentado,oqualfoiinvestigado
pormeiodapergunta‘‘Quantotemponototalvocêgasta
sentadoduranteumdia desemana?’’.21 Essaperguntafoi
extraídadoQuestionário Internacional deAtividadeFísica
econsideraemsuaanáliseotempoemqueoadolescente
permanecesentadoduranteodia,notrabalho,naescolaou
faculdade,emcasaeduranteseutempolivre,incluindoo
temposentadoparaestudar,enquantodescansa,fazerlic¸ão
decasa,visitarumamigo,ler,sentadooudeitado,assistira
TV.Essaanálisenãoincluiotempogastosentandodurante
otransporteemônibus,trem,metrôoucarro.Assim,como
naanálisedasonolênciaedocronotipo,nãoexistena
litera-turaespecializadaumpontodecorteespecíficoparatempo
decomportamentosedentárioaltooubaixo.Dessaforma,
foiadotadaaestratégiadedivisãoemtercisqueconsiderou
tambémessavariável.
A percepc¸ão subjetiva de saúde dos adolescentes foi
investigada por meio da seguinte pergunta: ‘‘Como você
classificaseu estado desaúde atual?’’.Para essa questão
foramconsideradaspercepc¸ãopositivadesaúdeas
respos-tas‘‘excelente’’e‘‘boa’’epercepc¸ãonegativadesaúdeas
respostas‘‘regular’’e‘‘ruim’’.22
Essa mesma estratégia foi adotada para investigar a
percepc¸ão de estresse, a qual foi inferida por meio da
questão:‘‘Comovocêdescreveoníveldeestresseemsua
vida?’’.Foramconsideradasasseguintesopc¸õesderesposta:
raramente estressado (vive muito bem); às vezes
estres-sado (vive razoavelmente bem); quasesempre estressado
(enfrenta problemas com frequência) e excessivamente
estressado (com dificuldade para enfrentar a vida
diá-ria). Foram considerados adolescentes com percepc¸ão de
alto estresse aqueles que responderam à pergunta com
asopc¸ões‘‘quasesempre estressado’’e‘‘excessivamente
estressado’’.
Para compor a variável status de peso, foram
aferi-dasa estatura com estadiômetro fixado verticalmente na
paredee amassa corporal combalanc¸adigital com
esca-lasderesoluc¸ãode100 g,seguindoosprocedimentospara
medidas recomendados por Alvarez e Pavan.23 O índice
demassa corporal(IMC)foiobtidoapartirdarazãoentre
a massa corporal (Kg) e a estatura (m) ao quadrado.
Acategorizac¸ãodessavariávelfoifeitaconsiderandoos
cri-tériospropostospelaInternationalObesityTaskForce,por
idadeesexo,24complementadapelosescoresindicativosde
baixopesoemColeetal.24,25O
statusdepesofoi
catego-rizadoem baixopeso,peso normal(eutrofia),sobrepesoe
obesidade.
Onível deatividade física foiinvestigado por meiodo
questionáriopropostoporFlorindoetal.26 Écompostopor
17 questõessobreatividadesfísicashabituais,considerado
o tempototal em minutos e semanal, e foivalidado com
base na capacidade cardiorrespiratória. Os adolescentes
foramclassificadoscomoinsuficientementeativosse
fizes-semmenosde300minutosdeatividadesfísicassemanais.27
Foramfeitasanálisesdescritivas(médias,frequênciase
desviospadrões).OtestedeKomogorov-Smirnovindicouque
os dados analisados não eram paramétricos. Assim, para
compararasvariáveiscontínuas,usou-seotestede
Kruskal--Wallis e para testar a associac¸ão entre as proporc¸ões o
teste do qui-quadrado. Em func¸ão das altas prevalências
observadasdebaixadurac¸ãodesono,foifeitaregressãode
Poissonparainvestigarasassociac¸õesentreasvariáveis.28
Nomodeloajustado,foramconsideradasasvariáveissexo,
faixa etária, turno de estudo, renda familiar, sonolência
diurna,sestaetemposentado,queapresentaramp<0,25na
análisebruta.29Considerandoessaanálise,foramexcluídas
domodeloajustadoasvariáveislocaldedomicílio,
crono-tipoeatividadefísica.Paratodasasanálisesconsiderou-se
umnívelsignificânciade5%.
Aosmenores de18 anosfoi entregueo Termode
Con-sentimentoLivree Esclarecidoparaassinaturados paisou
responsáveiseatodososenvolvidos(adolescentes)entregue
oTermodeAssentimentoLivreeEsclarecido.Oprojetofoi
avaliadopelocomitêdeéticaenvolvendosereshumanosda
instituic¸ãodeorigem,conformeparecern◦ 535.621/2013.
Resultados
Os dados descritivos da amostra foram apresentados na tabela 1. Os adolescentes investigadosapresentaram, em
média; 14,6±1,7 anos e residiam, em sua maioria, na
zonaurbanadomunicípio.Osadolescentespesquisados
per-maneciam, em média, 382,2 minutos sentados por dia.
As adolescentes permaneciam maistempo nesse
compor-tamento (p=0,001). As moc¸as tinham menores níveis de
atividadefísica(p=0,003)emaiorprevalênciadepercepc¸ão
dealtoestresse(p<0,001)quandocomparadascomos
rapa-zes.
Adurac¸ãomédiadosonofoide7,9±1,6horas.Nãoforam
identificadasdiferenc¸asnossexos(p=0,216).Aprevalência
debaixadurac¸ãodesono(menosdeoitohoras)foide53,6%,
comdiferenc¸asentreasfaixasetárias(p<0,001).Adurac¸ão
desononodecorrerdaadolescência enosdiferentesdias
dasemanafoiilustradanasfiguras1e2.
Nafigura2épossívelobservartendênciadediminuic¸ão
dashorasdesononodecorrerdaadolescência.Enquantoa
prevalênciadebaixadurac¸ãodosonoaos10-12 anosfoide
31,2%,nafaixade17-19 anospassoupara70%.Alémdisso,
conformeafigura2,osadolescentestenderamaapresentar
maiordurac¸ãodosononofimdesemana.
Natabela 2 encontra-se a análise de associac¸ão entre
a baixa durac¸ão do sono e as variáveis independentes.
Observou-se,naanáliseajustada,queavariávelfaixa
etá-riaestevefortementeassociadaaodesfecho.Dessaforma,
Tabela1 Dadosdescritivosdaamostracomadiferenc¸aentreossexos
Variável Total Masculino Feminino p-valora
Idade(anos) 14,6(1,8) 14,4(1,9) 14,7(1,6) 0,033 Faixasetárias(%) 0,041 10-12 15,3 18,6 11,9 13-14 27,3 29,7 24,9 15-16 45,5 40,3 51,0 17-19 11,8 11,4 12,3 Localdedomicílio(%) 0,662 Rural 21,2 20,9 19,4 Urbano 79,8 79,1 80,6 Turnodeestudo(%) 0,782 Manhã 71,9 71,1 72,7 Tarde 19,4 20,5 18,2 Noite 8,7 8,4 9,1 Rendafamiliar(%) 0,642 ≤3saláriosmínimos 20,0 23,2 16,9 3,1-6saláriosmínimos 50,2 45,6 54,9 >6saláriosmínimos 29,8 31,2 28,5 PDSS(pontos) 15,1(5,6) 14,6(5,4) 15,6(5,7) 0,030 Munickb(horas) 4,6(1,67) 4,7(1,75) 4,4(1,58) 0,028 Sesta(%) 0,084 Nunca/quasenunca 33,5 36,9 30,0 Àsvezes 57,6 52,9 62,5 Quasesempre/sempre 8,9 10,3 7,5
Atividadefísicasemana(min.) 501,5(536,6) 562,9(523,9) 437,6(543,3) <0,001
Insuficientementeativos(%) 40,1 33,5 46,2 0,003
Temposentado(min.) 382,2(234,1) 352,1(225,8) 413,6(238,9) 0,001
Percepc¸ãodeestressealto(%) 22,1 11,8 32,8 <0,001
Statusdepeso 0,493
Eutróficos 81,0 79,8 82,2
Excessodepeso 19,0 20,2 17,8
PDSS,PediatricDaytimeSleepinessScale.
a p-valordoqui-quadroouKruskal-Wallis. b Cronotiposegundoclassificac¸ãodeMunick.
respectivamente, 1,71 (IC95% 1,09-2,69) e 2,05 (IC95% 1,20-3,50) vezes maior prevalência de baixa durac¸ão de sono,emrelac¸ãoàfaixade10-12anos.
Outrofatorfortementeassociadoàbaixadurac¸ãodesono foio turno deestudo. Osadolescentesque estudavamno turno damanhã apresentaram1,82 (IC95% 1,35-2,46)vez
0 3 6 9
10 a 12 13 a 14
Faixas etárias (anos)
15 a 16 17 a 19
Duração do sono (horas)
Figura1 Diminuic¸ãodadurac¸ãodesonocomoaumentoda
idade.
maiorprevalênciade baixa durac¸ão desono, comparados comos alunos doturno datarde. Na análiseajustada,os adolescentesqueestudavamnoturno danoite apresenta-ram1,68(IC95% 1,14-2,46)vezmaisprevalênciadebaixa durac¸ãodosonocomrelac¸ãoaosadolescentesdoturnoda tarde.
Asonolênciadiurna,asestaeotemposentado,embora não tenham permanecido associados com o desfecho na
Seg/Qui 7 7,5 8 8,5 9 9,5 Meninos Meninas Sáb/Dom Dias da semana
Suração de sono (horas)
Sex/Sáb Dom/Seg
Tabela2 AnálisederegressãodePoissonqueconsideraabaixadurac¸ãodosonocomovariáveldependente
Variáveis Prevalências(%) Análisenãoajustada Análiseajustada
RP(IC95%) RP(IC95%) Sexo Masculino 51,0 1 1 Feminino 56,4 1,10(0,94-1,30) 1,02(0,80-1,32) Faixasetárias 10-12 31,2 1 1 13-14 46,8 1,50(1,03-2,18) 1,46(0,91-2,34) 15-16 60,9 1,95(1,38-2,76) 1,71(1,09-2,69) 17-19 70,0 2,24(1,55-3,25) 2,05(1,20-3,50)
Localdedomicílio Excluído
Rural 48,5 1 Urbano 54,9 1,13(0,91-1,41) Turnodeestudo Manhã 58,3 1,82(1,35-2,46) 1,59(0,93-2,71) Tarde 32,0 1 1 Noite 63,6 1,98(1,38-2,86) 1,68(1,14-2,46) Rendafamiliar ≤3saláriosmínimos 49,3 1 1 3,1-6saláriosmínimos 51,9 1,05(0,85-1,29) 1,03(0,76-1,39) >6saláriosmínimos 60,9 1,23(1,00-1,53) 1,19(0,86-1,64) PDSS 1◦tercil 47,1 1 1 2◦tercil 54,7 1,16(0,95-1,43) 1,05(0,77-1,41) 3◦tercil 59,7 1,26(1,03-1,56) 1,10(0,79-1,52) Cronotipo Excluído 1◦tercil 51,9 1 2◦tercil 50,3 0,97(0,78-1,19) 3◦tercil 57,7 1,14(0,91-1,36) Sesta Nunca/quasenunca 44,8 1 1 Àsvezes 56,7 1,26(1,04-1,54) 1,13(0,86-1,49) Quasesempre/sempre 67,4 1,50(1,16-1,95) 1,23(0,79-1,92)
Atividadefísica Excluído
Ativos 51,9 1 Insuficientementeativos 56,2 1,08(0,92-1,27) Temposentado 1◦tercil 47,3 1 1 2◦tercil 57,1 1,20(1,00-1,47) 1,01(0,74-1,38) 3◦tercil 61,2 1,29(1,07-1,57) 1,09(0,80-1,49)
PDSS,PediatricDaytimeSleepinessScale.
análise ajustada, apresentaram importantes associac¸ões comabaixa durac¸ãodosono.Osadolescentesdoterceiro tercil da escala de sonolência apresentaram 1,26 (IC95% 1,03-1,56)vezmaisprevalênciadebaixadurac¸ãodesonodo queosdoprimeirotercil.Asestaapresentouassociac¸ãocom abaixadurac¸ãodesononacategoria‘‘àsvezes’’(RP=1,26; IC95% 1,04-1,54)enacategoria‘‘sempre’’(RP=1,50;IC95% 1,16-1,95).Issoindicaqueaquelesadolescentescommenor durac¸ão do sono noturno apresentaram mais frequência de sesta. Já o tempo sentado apresentou associac¸ões no segundo tercil (RP=1,20; IC95% 1,00-1,47) e no terceiro tercil (RP=1,29; IC95% 1,07-1,57). Isso indicaque os ado-lescentescommaiortempodedicadoaoscomportamentos
sedentários tinham menor durac¸ão do sono durante a noite.
Discussão
Esteestudoapresentouevidênciasdeassociac¸õesdabaixa durac¸ão do sono com o turno de estudo e a faixa etá-ria dos adolescentes. A prevalência de baixa durac¸ão do sono foi de 53,6% entre os adolescentes estudados. Essa prevalência é elevada em comparac¸ão com a de outros estudos.3,9,12,30 Mesmoque a prevalência tenha sido alta,
americanos.11 Cabe ressaltar que o município de
Maravi-lha (SC) é depequenoporte e comgrande percentual de
populac¸ãoruraletaisprevalênciasnãoeramesperadas.
Osadolescentesquedormempoucoapresentam
inúme-ros riscos à saúde aumentados. Javaheri et al.31 alertam
que a baixa durac¸ão dosono e aqualidade ruim dosono
estão, em muitos casos, associadas à maior presenc¸a de
patologias.Pereiraetal.10observaramrelac¸ãoentreabaixa
durac¸ãodesonoeamaiorpresenc¸adeestressenos
adoles-centes.Alémdisso,conformeverificadonoestudodeNova
etal.,12 adolescentesespanhóiscomdurac¸ãoadequadade
sonoapresentarammenorincidênciadealergias.
Observou-se tendência de aumento da prevalência de
baixadurac¸ãodosononodecorrerdaadolescência.Como
descritopelaliteratura,aidadeestáfortementeassociadaà
baixadurac¸ãodosono,considerandooamadurecimentodo
sistemanervosocentraleoscomportamentosderisco,como
ousodemídiaseletrônicas,especialmenteànoite.10,32Na
adolescência, aspessoas estão maispropensas a
apresen-tarumfenômenobiológicochamadoatrasodefasedosono,
noqual os adolescentes tendem a dormir e acordar mais
tarde,33 o que pode colaborar para o aumento da
sono-lência diurna,caso o sono nãosejarecuperado duranteo
dia.32Alémdisso,essatendênciabiológicaéexacerbadapor
determinados comportamentosque, somadosaos
compro-missosescolaresnoiníciodamanhã,aumentam deforma
acentuadaonúmerodeadolescentescombaixadurac¸ãodo
sono.4
Pelasrazõesexplicitadas,pode-sedestacarqueos
ado-lescentes que frequentam osturnos de estudo da manhã
edanoite apresentarammaioresassociac¸õescomabaixa
durac¸ãodesono.Adolescentesmaisvelhoseestudantes
des-sesturnosconstituem-seimportantegrupoderisco paraa
baixadurac¸ãodosono.NoestudodeMcKnight-Eilyetal.,11
osautorespropõemque,paraamenizarasaltas
prevalên-ciasde baixadurac¸ão dosono, é necessáriaaobservac¸ão
individualdosadolescentes,paraindicaramudanc¸ade
com-portamentos e mesmo a troca deturno deestudo. Nesse
contexto, Louzada e Menna-Barreto34 discutem a
possibi-lidade de asaulas iniciarem em horários maisadiantados
damanhãcomopossibilidadedeintervenc¸ão.Noentanto,
os mesmo autores destacam a dificuldade de as escolas
adotaremtaisrecomendac¸ões,considerandooshoráriosde
trabalhodospaisemesmoaculturadevalorizac¸ãodas
ati-vidadesqueiniciammaiscedo.
Verificou-se que a maior frequência de sestas esteve
associada com a baixa durac¸ão de sono nos
adolescen-tes.Provavelmente osadolescentescommaiorfrequência
de sesta usam esse hábito como forma de compensar a
baixa durac¸ão do sono noturno. Esse resultado corrobora
os achados de Bernardo et al.,9 que também
observa-rammaiorprevalênciadebaixadurac¸ãodosononaqueles
adolescentes com maior frequência de sesta. Apesar de
essehábito serumaformadecompensardébitosdesono,
segundoCarskadonetal.,2podeatrasarapropensãoaosono
noturno, retardar o início e diminuir sua durac¸ão. Dessa
forma, são necessárias investigac¸ões de dose-resposta da
sesta,considerandosuafrequênciaedurac¸ãoparapossíveis
recomendac¸õesparaadolescentes.
Destaca-se, por fim, que os adolescentes com menor
durac¸ãodosonoapresentarammaiortempode
comporta-mento sedentário.Assim como aliteratura apontaparao
aumentodasprevalências debaixadurac¸ãodosono,
tam-bémépossívelidentificarqueosadolescentespassamcada
vezmaistempoemcomportamentossedentários,
especial-menteem frenteà TVeinternet.35,36 Assim, énecessário
investigarseaquelesadolescentescommenor durac¸ãodo
sono acabam preferindo ficar mais tempo em atividades
combaixo dispêndio energético em func¸ão,por exemplo,
dasonolênciadiurnaexcessiva.
Pontos positivos deste estudo podem ser destacados,
como, por exemplo, o uso de amostra representativa de
ummunicípiodointeriordepequenoportepoucoestudado,
bemcomo a discussão de associac¸ões ainda pouco
dispo-níveis na literatura nacional. A principal limitac¸ão deste
estudoéousodequestionárioparaavaliardeformaindireta
asquestõesdesonoeatividadefísicaque,apesardeser
ins-trumentosvalidados,podemlevaramedidassubestimadas
ousuperestimadaspelosadolescentes.
Os adolescentes de Maravilha (SC) apresentaram alta
prevalência de baixa durac¸ão do sono. Os mais velhos e
aqueles que estudavam de manhã e à noite
apresenta-ram durac¸ão do sono reduzida. Esse resultado remete à
necessidadedeac¸õesvoltadasparaasaúdedoescolar
foca-das nos perfis biológico e comportamental nas diferentes
fasesdaadolescência. Nesse aspectoé importante
desta-carqueoadolescentepodenãoperceberasalterac¸õesno
seusonoemedidaseducativassãoimportantesdesdeo
iní-cioda educac¸ão básica, o que colabora para a criac¸ão e
manutenc¸ão deadequada higienedosono. Nessesentido,
recomenda-sequeexistaaofertadeturmasnoperíododa
tardeemtodososanosescolaresemesmoacriac¸ãodeum
turnointermediáriocominícionomeiodamanhã.
Mesmo que a idade e o turno tenham sido os fatores
maisfortementeassociadoscombaixadurac¸ãodosono,a
sesta,oscomportamentossedentárioseasonolênciadiurna
sãoimportantesvariáveisquedevemser consideradasem
análises de baixa durac¸ão do sono. Assim, recomenda-se
a realizac¸ão de estudosque possibilitem o conhecimento
dasrelac¸õescausaisentreessasvariáveisequeindiquem,
commaiorprecisão,otempodesestaadequadoparaqueo
adolescentenãotenhaprejuízosdosononoturno.É
funda-mentaltambémqueseproponhamformasdeminimizaro
efeitodaprivac¸ãodosononoaumentodasonolênciadiurna
edotempodedicadoaoscomportamentossedentários
con-siderandoarealidadenaqualoadolescenteestáinserido.
Financiamento
Oestudonãorecebeufinanciamento.
Conflitos
de
interesses
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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