AVALIAÇÃO DE SUBSTRATOS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE RÚCULA
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(2) AVALIAÇÃO DE SUBSTRATOS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS DE RÚCULA 1. INTRODUÇÃO A rúcula (Eruca sativa Miller) vem se destacando mundialmente, devido as suas características nutricionais e fitoterapêuticas. É uma hortaliça folhosa herbácea com desenvolvimento rápido e de ciclo curto (MAIA, 2006). A semeadura desta hortaliça pode ser feita diretamente em canteiros ou em bandejas. Atualmente é produzida em bandejas (polietileno expandido ou polietileno), com o objetivo das mudas serem transplantadas para os canteiros definitivos (VOGEL et al., 2016). Esse método foi desenvolvido por Filgueira (2000), porque proporciona maior rendimento de mudas, uniformidade das plantas e melhor controle fitossanitário. Segundo Silva et al., (2001) o substrato é considerado um dos fatores limitantes na produção de mudas de hortaliças. Um bom substrato deve ser livre de patógenos, rico em nutrientes essenciais, pH adequado, textura média e agregados estáveis. Deve possibilitar uma retenção de água suficiente para uma boa germinação e ao mesmo tempo com atributos de boa aeração e também permitir um bom crescimento das raízes e desenvolvimento da parte aérea da planta. De acordo com Fonteno, (1992) os substratos são formados da mistura de dois ou mais componentes, a mesma, feita para que as propriedades químicas (capacidade de troca de cátions (CTC), pH, teor de matéria orgânica, salinidade) e ItVLFDV VH WRUQHP DGHTXDGDV iV QHFHVVLGDGHV HVSHFt¿Fas de cada cultivo. No Rio Grande do Sul, os substratos são baseados em solos minerais acrescidos de matéria orgânica, encontrados na forma de restos vegetais, estercos de animais, terra de mato, cascas de arroz, entre outros (Backers,1998) apud Bicca et al., 2011). O composto orgânico contém propriedades biológicas adequadas para serem utilizados como substratos. A literatura evidencia que os compostos orgânicos podem estimular a proliferação de antagonistas a organismos fitopatogênicos, colaborando para o controle de muitas doenças do sistema radicular (De Brito e Gagne, 1995; Mandelbaum e Hadar, 1997; Lievens, 2001) apud Leal et al., (2007). De acordo com Carrijo, Setti de Liz e Makishima(2002), vários materiais orgânicos como as turfas, resíduos de madeira, casca de pinus e de arroz, parcialmente carbonizadas ou não, linhito, vermiculita, ou materiais inorgânicos como areia, rochas vulcânicas, perlita, lã de rocha e a espuma fenólica já são utilizados como substrato, isoladamente ou em composição, para a produção comercial de mudas de hortaliças. O efeito de substratos alternativos em relação ao comercial foi estudado por Medeiros et al. (2001) na produção de mudas de alface, constatando uma superioridade dos substratos húmus de minhoca +casca de arroz carbonizada em relação às demais misturas utilizadas para todas as características avaliadas. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento de mudas de rúcula em diferentes substratos. 2. METODOLOGIA.
(3) O experimento foi conduzido no Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade da Região da Campanha- URCAMP no município de Bagé, no período de 13 de abril de 2017 a 30 de maio de 2017. As plantas ficaram sob cobertura de estufas durante o período de avaliação, sendo irrigadas duas vezes por dia. O delineamento estatístico utilizado foi blocos ao acaso. A semeadura foi realizada em bandejas de polietileno, cada uma delas com 50 células, colocando duas sementes por célula (Figura 1), onde foi realizado o desbaste 7 dias depois da semeadura, mantendo-se uma planta por célula. Foram utilizados 3 tratamentos, sendo, duas combinações de substratos e uma testemunha. Foram feitas 4 repetições dos seguintes tratamentos: T1- substrato comercial (testemunha), T2- 25% de terra de mato, 12,5% de substrato comercial, 50% de vermicomposto e 12,5% de casca de arroz e T3- 50% de esterco bovino, 25% de perlita e 25% de vermicomposto. A matéria prima utilizada para realização das avaliações foi: raízes, folhas e caule. Foram coletadas 15 plantas por repetição (Figuras 2 e 3) para determinar as seguintes variáveis: altura das plantas e comprimento das raízes que foram determinadas com auxílio de uma régua milimetrada, número de folhas definitivas, fitomassa verde e seca da parte aérea e das raízes. A massa seca da parte aérea e das raízes foi feita após a secagem em estufa de 65ºC até atingir massa constante e pesagem em balança analítica com precisão de 0,01g. Os resultados foram submetidos à analise de variância e as médias comparadas pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade, utilizando o programa SASM-Agri.. FIGURA 1. Semeadura em bandejas de polietileno. FIGURAS 2 e 3. Plantas selecionadas para avaliação. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO.
(4) Analisando a Tabela 1, é possível verificar que para a maioria das variáveis o (T3), 50% de esterco bovino, 25% de perlita e 25% de vermicomposto, foi superior estatisticamente aos demais tratamentos, concordando com Medeiros et al. (2001), que constatou superioridade dos substratos húmus de minhoca +casca de arroz carbonizada em relação às demais misturas utilizadas e ao substrato comercial. Para as variáveis de comprimento de raiz e massa seca das raízes, o (T2) e (T3) foram superiores ao (T1) substrato comercial. O (T1), substrato comercial, não se apresentou satisfatório para a maioria das variáveis analisadas, porém, não diferiu estatisticamente dos demais tratamentos no comprimento de raiz, isto pode ter ocorrido devido as características físicas do substrato. O (T2) 25% de terra de mato, 12,5% de substrato comercial, 50% de vermicomposto e 12,5% de casca de arroz, comparado aos demais tratamentos, foi o que obteve melhor resultado na massa verde da raiz, concordando com Furlan et. al. (2007) que obteve resultados satisfatórios utilizando casca de arroz associada com vermicomposto, sendo esta mistura, melhor que substrato comercial para a produção de mudas de couve. TABELA 1. Médias da altura de parte aérea (PA), comprimento de raiz, número de folhas, massa seca da parte aérea e das raízes, massa verde da parte aérea e das raízes. Tratamento Altura Comprimento Número Massa PA de raiz (cm) de verde (cm) folhas (PA). Massa verde Raiz. Massa Massa seca seca (PA) Raiz. T1. 4,23 c. 14,62 a. 2,04 c. 1,23 c. 0,92 b. 0,03 c. 0,02 b. T2. 8,57 b. 15,12 a. 3,89 b. 12,17b. 26,85 a. 1,22 b. 3,13 a. T3. 12,1a. 17,52 a. 5,59 a. 29,25a 15,71ab. 2,67 a. 3,09 a. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS É visível que se pode produzir e obter bons resultados utilizando diferentes misturas de substratos ao invés da utilização de substratos comerciais. O (T3), 50% de esterco bovino, 25% de perlita e 25% de húmus, se apresentou superior em todas as variáveis em relação aos demais tratamentos utilizados, e pode ser utilizado na substituição de substrato comercial. 5. REFERÊNCIAS BICCA, A.M.O. et al., Substratos na produção de mudas de couve hibrida, 2011. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fzva/article/view/8748> Acesso em: 01 Junho 2017 CARRIJO, D. A.; SETTI de LIZ, R.; MAKISHIMA, N. Fibra da casca do coco verde como substrato agrícola.Horticultura Brasileira, v. 20, n. 4, p. 533-535, 2002..
(5) FILGUEIRA, F. A. R. 2000. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Brasil, 402p. FONTENO, W. C. 1993. Substrates in horticulture. Acta Horticulture, 342: 93-122 FURLAN. F; COSTA, M.; COSTA, L. A.; MARINI, D.; CASTOLDI, G.; SOUZA, J.; PIVETTA, L. Substratos alternativos para produção de mudas de couve em sistema orgânico. Revista Brasileira de Agroecologia, v.2, n.2, p.1689, 2007. LEAL, M.A.A. et al., Utilização de compostos orgânicos como substratos na produção de mudas de hortaliças. Horticultura brasileira, v. 25, n.3, 2007. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/119762/1/Utilizacao-decompostos-organicos-como-substratos-na-producao.pdf> Acesso em: 01 Junho 2017 LOPES, J.L.W. et al., Crescimento de mudas de alface em diferentes substratos, 2007. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/20600> Acesso em: 01 Junho 2017 MAIA, A. F. C. A.; MEDEIROS, D. C.; FILHO, J. L. Adubação Orgânica em diferentes substratos na produção de mudas de rúcula. Revista Verde, v. 2, n. 2, p. 89-95, 2006. MEDEIROS, L. A. M. et al . Crescimento e desenvolvimento da alface (Lactuca sativa) conduzida em estufa plástica com fertirrigação em substratos.Ciência Rural , v. 31, n. 2, p. 199-204, 2001. VOGEL , G. F. et al., Eficiência de sementes agroecológicas de rúcula (Eruca sativa L.) em diferentes tamanhos de bandeja, 2016. Disponível em: http://www.fag.edu.br/upload/revista/cultivando_o_saber/57055736503d6.pdf Acesso: 22 Maio 2011.
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