(/)
::;
a:
'<t
a:
~
(/)::;
u
z
<WÜ
W Cl~
(/):>
Wa:
"
oo
'"
~ "o
4;
E
z
:;;
x
x
UJ :;; :l ...Jg
VOLUME XXVII
NÚMERO 1
SOCIEDADE PORTUGUESA DA CIÊNCIA DO SOLO
Encontro
Anual da Sociedade
Portuguesa da Ciência do Solo
2004
"S
i
ste
m
as de
U
so
d
a
T
e
rr
a,
Orde
n
a
m
e
nt
o
d
o
T
e
rr
i
t
ó
ri
o e A
mbi
e
n
te
Ponte de Lima
5 a 7 de Setembro de 2002
EDIÇÃO E
S
PECIAL
Coordenada por
Manuel
A. V.
Madeira
EFEITO DAS CARACTERíSTICAS DOS ELEMENTOS
GROSSEIROS NA EROSÃO INTER-SULCOS: UM
CONTRIBU-TO PARA A SUA MODELAÇÃO
EFFECTS OF ROCK FRAGMENT CHARACTERISTICS lN INTER-RILL
ERO-SION
:
A CONTRIBUTION TO MODELLlNG
T.
de Figueiredo
1,A. G.
Ferreira
2,O
.
Gonçalves
3&
J.Poesen"
RESUMO
o
papel da pedregosidade tem vindo a 1llerecer. nos tÍltimos anos. crescente inte-n.:::sse !ln quadro dos estudos sobre erosãodos solos. Se por um lado é reconheciua a
intluencia das características dos elementos grosseiros na perda de solo. a illcorpora~ão
desse efeito na modelação dos processos
erosivos em solos pedregosos é ainda inci -piente.
Com {l l)bjcct;vo de testar o efeito de
v,1rias características dos elementos grosseiros na erosão inter-sulcos. foi CO /l-duzido um ensaio experimental. à m
icro-c"'-~ala. Os resultados dn ensaio permitiram
calibrar modclus explicativos da influi!ncia
dessas características na perda de solo por
salpico e por escoamento difuso.
Quarenta e oito tabuleiros melálicos de fundo perfurado (612x I 0-1 ln"). contendo
um solo I'rallcn-limoso. foram expostas a 240 111m de chuva natural. na Escola Sup
e-rinr Agr:íri;:r de Bragança. Utilizaram-se
ele-mentos grosseiros simulados em 12
Tr:lla-11lentos (quatro repetições cada). correspon-dentes a dua .... formas (rectangular c
circu-lar). tres dimensües lcasealho. pedra mi Lida c p~dra), três posições (pousados ;\ super
-neie. sem i e totalmente enterrados) e três pcrcelllagens de cobenura (17. 30 c 66%): testou-se também o Tratamento solo nu. Os tabuleiros. coloc:uJos em declive (10%).
sub-meteram-se a uma "quase" saturação perma -nente. No fim de cada um dos cinco perío-dos de precipitaç:io ocolTidos durallle o en-saio mediram-se infiltração. escoamento e perdas de solo no escoamento e por salpico.
Os resultados aqui apresentados correspon -dem <apenas aos registos globais de perda de solo.
Com base em considerações de ordem
geométrica. foi desenvolvido um parámclro
único uescritivo da pedregosidadc - a d is-t;'ulêia entre elementos grosseiros - que con -templa a sua forma e dimensJo. para além da fracção de çobertura. Um 1I10delo
expli-cativo da perda de solo por salpico. incor
-porando este parfllllctro e cOlHando com o
efeito da posiçfio dos elementos grosseiros na intercepção das partículas projectadas. foi
l:alibrado COIII sucesso. revelando bO<l con -cordilncia com os resuhados globais do eu
-saiu (r'=0.93). Por sua vez. a disttulcia entre
d.:lnetltos grosseiros mostrou-se não line;}!' c significativamente correlacionada ..:-om os valores globais de perda de solo por eSCOa
-mentI' (r'=0.97).
'['.·.cola Superior Agrária UI: Bragança. Ap,.nado 172.5.101-855 IJmg::Jnç'J. el1J'Iil: 1onm.\ri<fWil!hm
'Depanam<:1I1o lI..: Engenhari'1 RUI~11. Ulli\"crsidadc de Évora
'Uni\'c~id:lde de Trús-us-IVloutcs c Alto Douro e Ins1itutu l'olikcnico de Bragnnça "'Llllornttiriu de ('e\)· morfologia E.\perimcnl;d. Universidade Cttólica de Lovaina. Bélgica
ErEITO DOS ELErvtENTOS GROSSEIROS NA t:ROSÀO INTER·SULCOS 231
AJlSTRACT
The cffects (lI' rol:k fragments 011 soil loss ;lml erosion processes are incrcasingly reco"
.
nized as all important rescarch topie.. ' However. the influence 01 rock tragment clw.ractcrislics in crosion processes is not yet fully ~Iccountcd for in erasion Illodelling.
A micro-scale experimcnt \\Ias carried nut \1nder natural rainl"all aiming at testing
the cffects af several rock fragmcnt charac
-lcristics in intcrrill crosion. Tllc rcsults 01' lhis expcrimcnt \Vere applied in the calibra
-lion 01' modcls designed to c\escribe splash and wash losses in sttlny snils.
Forty-eight botwm-perforated boxes (612xI0": Ill'). filletl with a silt-Ioam sai\.
were cxposed tO 240 mm natural rainfalls. at Escola Superior Agrária de Bragança.
Portugal. The 12 Treatmen!s tested. 4 repli -cates each. cOllsistcd on se\cclcd combin,, -t;ons
01'
2 shapes trcctangular and circular). 3 sizes (small - 2 cm. mediurn - 4 cm aml largc - 10 cm). J positiotls (011 topo half -embcddcd und totally embeddctl) anJ 3 cov-cr pcrcentages (17%. 30% and 66
:*
,
)
0
1'
sim .-lllatcd rock fragments and bare sol1. The sol1boxes were lealled at 10% slope and set \O pcnnanenl "near saturalion" conJitions. In -tiltration aml runotl water aml splash antl wash sediment were measuTl:!d at lhe end 01' eacl1 one of lhe min periods lhal occurred
uurin\! the t:xperimclll. by rnl!:lllS uI' sp
edal-Iy dc;igned collcctioll dcviccs. Thc results
prcsenlcd here cOlllprise only global records
(lI' soilloss (spl;Jsh and wash).
A singk parallleter dcscribing rock rrag-ment characteristics was deri\!cd fmm
gel)-metrical consiJerations - dist;lIlcC betwecll rock fragrnetlls. II fnrrnaJly depeneis on sil'.c ílnd shape 01' rodo. fragmellls as \Vell as (lll rock cnvcr. The splash moJcI devc!oped in -corporatcs that parametcr anel accounts for splash interceptio11 by rock fragmellts. The calibrated modeJ showed a gnud agreemerll
wilh expcrimcllwl resuhs (r~O.93). More
-over. Jistam:e betweClI rock fragrnems was nnn-lincarly anel significantly corrclated with wash rcsults (1"=0.97).
INTRODUçAo
1\ maioria dos estudOS sobre o t:feito dos cle1l1t!ntos grosseiros
na
perda de solorefe-rem-se:1 sua característica mais directamente
lllcnsuriÍvel - a fracç;io de cobertu1'i1 (Clllcn -dida I!sta comu a razfio entre a :in:a ocupada por cletnl!lllOS grosseiros e a área dc terreno
na 4ual se faz a avaliaç:io. efectuada em
ambos os casOS em projecção ortogonal so-bre a superfície. e designada pur pcrcen ta-nem de cobertura quando multiplicada por
~()O
)
.
No entanto. como ridiver~ida
d
c
natu-ral dos materiais origin:írios e dos produtos dos processos da meteorização S;lll bem evi-dentes nos solos e nas paisagens. as carac-terísticas dos elementos grosseiros acusam muito ampla Jiversidade. Mesmo n:con
-hccendn que li efeito dos elemenlos
t!fOssciros na erosüo e em processos rísicos do solo se tornou túpico ue investigaçfio r e-lativamente comum (Pocst!n & Lavee. 1994:
Gras. 19<-)4). o facto ~ que pouco é cllnhe~ cido sobre os efeitos integrados. na perda de
solo. de características dos elementos
grosseiros que não apenas a sua frac.x;:lo de cobertura.
Poesen & Ingelnw-Sanchcz (1992) e
Poesell el "I. (1990) estudaram (l efeito da
posiçfil) dos elementos grosseiros na erosão e escoafllenlll superllcial difuso cm simu -lacões laboratoriais. O el'cilO da Jimensãu
foi tatnht5m estudado em condições de si -mula'f:10 por Poesetl & Lavee t 1991) e
Lavce & Pocsen t IlJl) I).
Estudos incluindo \l contribulo de carac
-terísticas dos elementos grosseiros centram
--se mais cm tópicos relacionados com os processos erosivos do lJue nos ditos proce
REVISTA DE CIÊNCIAS AGRÂRIAS
Wcscma\!l el/ll. (1994) c van Wcscmael t!t aI. (1996) que incluíram a dimensão dos el
-ementos grosseiros como efeito no esmdo laboratorial da evolução da compactação e da rugosidaue superficial de solos pedrego-sos
ao
longo ue chuvadns erosivas.No
mes-mo sentido foram tambtim os eSllluos de
Yalentin & Casenave (1992). que mod e-laram a infiltração em solos pedregosos in-cluindo o contribulO da dimensão e dá
posição dos elementos grosseiros. Na sua
revisão sobre a influência da pcdregosidade na hiddulica do escoamento. Abrahams &
Parsons (1994) referem-se aos efeitos da di-mensão. forma. espaçamento e di!iposição
espacial dos elementos grosseiros nas v:irias
componentes da resistência ao escoamento. Como se verifica pel;ls referencias apr e-sentadas. o processo de salpico não é con
-templado nos estudos soure este tópico. quer
na cumponente destacamcnto quer na dt!
transporte dc partículas cm sojas p edrego-sos.
A influência das características dos ele-mentos grosseiros na erosão intcr-sulcos é.
portanto. pouco conhecida e os modelos de erosão não incorporam mais do que a rracç.io de cobertura nu seu rormulário (Rose. 1985: Flanagan. 1994: Renard ela! ..
199b; Morgan el ai., 1998).
Constillli objectivo deste trabalho apre -sentar lIlTI (ontributo para a l1lodeluçno do efeito de características dos dementas grosseiros na erosão inter-suJcos. a qual .:omporta os processos de salpico e de trans -porte pelo c:-cOJmento superlicial difuso. O
objectivo foi cumprido em duas fases. cuja descrição compõe boa parte deste texto. Em
primeiro lugar. veriticaram-se experimcntal
-mente e de modo detalhado aqueles efeitos. o que foi concretizado em ensaio conduzido
:
1
micro-o:!scala. com t!lcmentos grosseiros superficiais simulado!i - condições tidas poradequadas à representação de Meas slijeitas
a erosão inter-sulcos. Em segundo lugar. fo
-ram desenvolvidos procedimentos de
esti-mativa de salpico e perda de solo no escoa -mento em superfícies pedregosas. calihmdos
quer com base nos resultados da experime
n-tação efectuada quer cm expressões reporta
-das na bibliografia.
MATERIAL E MÉTODOS
Sistema de experimentação
o
delincn.mento experimental. por razõesde exequibilidade. não foi factorial compl
e-to.
antes incluindo combinações pré-selec-cionadas dos seguintes efeitos
e
modali-d<tdes: (i) Percentagem de Cobertura (%Rc), (,;om solo nu. 17%, 30% e 66%; (ii)
Dimensão dos elementos grosseiros. com pequenos (cascalho). médios (pedr:l miúda). grandes (pedra): (iii) Forma. com rectan gu-lar e circular: (iv) Posição. (.:om pousados à superfície. semi-aflurantes e aflorantes (Quadro I e Figunl I). As combinações de
ereilOs testadas (Tratamentos) estão indicn -das no Quadro I. tendo-se instalado 4
Repetições por cada TratameIlIO.
Tabuleiros metálicos de fundo de rede. com 27.1 cm de comprimento. 22.6 cm de largura (612x I 0...\ m~ de áren) c 5,5 cm de
profundidade. constituíram o dispositivo ex-perimenwl de avaliação dos efeitos mencio
-nados. Aqueles foram preenchidos com umu
camada de 2 cm de areia grossa. sobre a
qual !iC colocou uma espessura de 3.5 cm de terra fina. No enchimento com terra fina
asscguri'llll-Se dcn!iidadcs aparentes sucess
i-vamente menorcs do fundo para a superfície (Figura I), A terra fina utilizada proveio do
solo dos Talhões de Erosi'io em vinha ao alto du Quinta de Santa Bárbara (Pinhão). sendo constituída por 5.2% de argila. 40.9% de
limo. 49.S% de areia fina e .. U % de areia grossa. com um teor de matéria orgfmica de
0.5%.
No ensaio utilizaram-se elementos
EFEITO DOS ELEMENTOS GROSSEIROS NA EROSÃO INTER-SULCOS
QUADRO I _ Dclinc;lmcnlo E:q)erimcntal: c>lr:tclerização dos Tratamcntos e dos elcmentos grosseiros
Tr;llunlcnto RC (%) Dimcnsões Classe Eixos (cm) Forma Posição ()
2 16.9 Média 4.H X 2,4 x 1,1 Rectangular Supcrl1cie
3 30.\ Média 4.8 x 2,4 xl, I RCl:t:mgular Superficic 4 65.9 Média 4.8 x 2,4 x 1.1 Rectangular Superfície 5 30.4 Pequena 2.2 x 1.2 x LI Rectangular Superfície 6 3U.I Grande 9,6 x 4,8 x 1.1 Rectangular Superfície
7 28.7 Pequena 02.0 x 1.1 Circular Superfície
8 28.7 Médin 04.0 x 1.2 Circular Superfície
l) 30.1 Média 4,8 x 2.4 x 1.1 Rectangular Scrni-Allorante
lO 30.1 Médin 4.8 x 2,4 x 1.1 Rectangular Allorante
II 28.7 Média 04.0 x 1.2 Cin:ular Allorante
12a 30.1 Média 4.8 x 2.4 x 1.1 Rcctangula~ Superficie a _ Tratamento não utiliz;Jdo nesta análise. com areia grossa como matenal de teste
I
D.6clllI
\
I
1.2mI
''''''''''M''''''''''''''","'''''''W'''''''''''''''''''''!!]
'''''/
Tahuleiro tle SoloDisposiç,10 dos Elcmentos Grosseiros
f)"!"",~,\,\~,,, +d,.,,",~~.+
233
Figura I _ Dispusitivo experimental: colheita das perdas por Salpico (sedimento - SP). por Eseonmenw
REVISTA DE CIÊNCIAS ,\GRÁRIAS
grosseirc)s simulados. Para os rCCtanglllares,
foi cortJdn ladrilho cer.imico nas dimensões prctendicl:is. Para os circulares, cariando IU -bos de
rvc.
obtiveram-se anéis com as di-Illellsiie~ pretendidas. Estes foram preem;hi-Jo.~ com parafinu fundente.
n
a
qual se m er-gulharam pcqueJl:ls peças de chumbo demodo a atingir densidade comparoivel cm
(odo~ os dementas grosseiros {cerca ue 2.4). Nos Traialllentos t:om elementos grosseiros
aflorantes e semi·aflorames. estes foram
colocados sem compressão do solo sub ja-cente. Os elementos grosseiros distribuíram· -se nos tabuleiros com disposição
em
"'dia-mante"' (rigura [). Os tabuleiros foram satu· rados dc ;íglla dllr.IIHe 2411. ;unes da sua ex· posição ao ar livre.Os ~H tabuleiros dispuseram-se ale ato-riamente em grupos de 6 sobre bancadas de
maddra.
a
1.2m
de altura. No fim de cadaum do~ cinco períodos de precipitação ocor
-ridos durante o ensaio, mediram·se infil·
traç.l0. escoamento e perdas dI! solo no es-coamc!lto e por salpico, com os dispositivos de colheita descritos em seguida (Figunl [).
No lado direito de cada tabull!iro. encaixou·
·se o dispositivo de colheita do salpico. constituído por lima chapa llletü!ica de 10 cm de altura por 27.1 cm de comprimento e por um (;ole<.:tor cilíndrico fixado à hase da chapa. O dispositivo podia ser desencaixa· do e reposto a qualquer tempo. o que ;\COII·
teceu cm cada uma das colheitas de salpico.
Uma pequena ponte mct,ilica amovível as· segurou
a
ligaçiio entre aparte
frontal do tahuleiro c o dispositivo de recolha de água e sedimelllo escoados. Este compunha·sl.! de um saço plástico. com a hnca fixad" por el:ísticos ii ponte mctálica. colocado nu int e-rior de um tabuleiro igual aos de solo (ta-buleiro frontal). o qual foi coberto por umaplaca de esfcrovitc. Cada tahuleiro de solo encaixou-se no interior de um tabuleiro maior (b<lse), em posição inclinada (10% til! declive). Na zona pt1sterior do tabuleiro de
base. através de um orifício aí abeno. fi xou--se na vertical um tubo de p1tíSlil:o rigido
com
o topo ao mesmo nível quea
base pos -terior do tabuleiro de solo. Este tubo funcio-nou com descarregador da água de infil -tração lIos tabuleiros de solo. evacuada através de um mangueira t1exível para urn frasco COIll cerca de I L. Durante l) ensaio.
os tabuleiros de base foram precnchidos de ügua (I ou 2 vezes por dia). alé ao limite superior do tubo rígido referido. Isto não só assegurou que fi água infiltrada. ger.mdo um
acresci mo no nívd do tabuleiro de ba:se, fosse descarregada pelo tubo rígido, como também garantiu condições de "quase-sat u-ração" perm:tnente dos tabuleiros de solo. O dispositivo experimental correspondeu :l
uma adaptaç50, com modificações con sid-cr;íveis. do utilizado por Free ([952)
e
seguido também por Gonçalves (JY64).O ensaio experimental foi instalado
n
a
Esco[a Superior Agrária de Bragança. tendo os tabuleiros recebiuu 11m total de 240 mmde chuva natural.
Neste trabalho apenas se consideram os valores globilis de Perda de Solo 110 Escoa -mento (W) c por Salpico (SP), ex.pressos em
termos relativos. a significar. para cad:1
Tratamento e varinvel. a razão entre o valor
medido 110 tratamento em causa
e
o
medidoelll solo nu.
Em Figueiredo & Poesen ([998) e Figueiredo (2001) encontra-se informação adicional sobre o dispositivo experimental e os procedimentos de tratarnetllo de dados.
Modelação
A distância el/lre elementos gros.w:ims
Com vista à modela~ão cio efeito das características dos elemcntos grosseiros nu erosão iuter·sll1cus. foram deduzidas as relações geométricas entre Fracção de Cobertura (RC). Dimensão e Forma dos e
le-EFEITO DOS EU::: ... IENTOS GROSSEIROS NA EROSÃO INTER-SULCOS 235
Cir
cular
es
R
ecta
ngular
es
Fi~lIra 2 _ r\rr~njo a~~lImido pari! dcdul.ir as rdaçôcs gcomélric:IS entre r:ra~~:10 de ~ohertura. ?im~n~'lo.>.e Forma dos elementos gro~~ciros (/\1 e Arf sào as :ircas IOlat e coben:1 no donunLo.çollsl~lcrado: ~ C" dl~lancm media cnln:! dementas gro,~eiros: n()~ rectangulares. a c h silu os ~ells ci.xo~ 1Il:1I0f c ~I.\lermedlo, re.~pecll\lõl
Ineme. e (Ia e db as dislüm;ias enlre ekrncntos gro~,ciros segunuo es~es eixos: D é o dl<llllClro dos c)r(':1I1arcsj
IlIcntos grosseiros. P:lC, \anto assumiu-se
o
"rranjo ilustrado na Figura
2.
Este consideralima distribuição I.!spaci;\1 dos elementos grosseiros como a adopwda nn ensaio
ex-perimel1!a1 ("'em diamante" e com
o
eix.o maior. a. paralelo ao declive e o menor. c. perpendicular ao plano d;\ superfície).A Fracç50 de Cobertura (RO. para este arranjo. pnde calclllar.se por (ver significa -do -dos símholo!-o na Figura 2):
I
'C=~~=: ab II ) I :1+Ja h+dh , A (I
)
Rcctangubrcs .... aRc",Arf
"'~
[
--"-
l'
AI 2/3 O+J Circulares ... ( I b)Para os elementos grosseiros rectangu·
lares. pressupôs-se que
;I_a+da (CqUivõllcntCil _,, _ __ b_) .. (2)
b - b+llb .1+lt;l- b+db
pelo que se obtélTl (equação 1:1)
.(3\
Assim sendo. pode Jeduzir·se que
dO
="
[
JRC
1
-
I
]
..(40)... 14h)
Uma estimativa da dislflllcia média (d) entre elemelltos grossciros rect:lllgularcs pode obter·se pur via de:
d=\/da!+dh: ... (5)
ú que permite. com
a
s
equaçúcs 4a e 4b. ~hegar a:... (6)
Esta última cxprcssJo pode represent
ar--se como abaixo (equação 7a) e comparar·se
~om a deduzida a partir da equaç50 [b par:.
:I forma circular (equução 7h). Evidencia-se. deste modo. a similaridade das e,li.pressões de 1.1 !las duas Formas consideradas:
d=:a[ 1
-
'
~
I
+
[
~
l
!
RI!I:!anguhlrcs .... (7a)REVISTA DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Circulares ... (7b)
De
facto. nos rect~ngulares qu~ndo b/atende para I (quadrados), o último (nctor
tende para 211,\ o que corresponde :1 dia!!o
-nal do quadrado de lado unitârio: no c;so
dos circul:lres. tal medida confunde-se com
o seu di;irnetro. também unitârio. pelo que o
factor correspondente é de I. Por outro la~lo.
quando d tende par~ zero, RC tende para o
seu m:íximo: ora. o numerador do t:lctor em
RC é t) v,llor da miz quadrada ua Fracçl'io
de Cobertura quando a mesma é máxima _
-unit.íria para os rectangulares mas igual
a
0,907 nos circulares (próximo de 91 % de
Percentagem de Cobertura). As expressões
s~o ainda consistentes para o valor extremo de RC nula (e concomitantemente D ou a e b nulos). a qual implica d infinita.
Os pressupostos relativos a da e db nos
rectangulares e a d nos circulares. aplicam
--sc à distribuição espacial dos elementos
grosseiros "cm diamante·'. Neste mranjo. os centros de 3 elementos grosseiros vizinhos definem um tri<ingulo. cujus <ingulos não variam quaisqucr que sejam as suas dimell-sôes e ii cobertura por eles proporcionada. Aceitou-se este pressuposto uma vez que, nos circulares. é o que pennite a convergt!n -cin para o ;IITanjo mnis compacto. qUimdo
aumenta RC e a dimens;io dos elementos
grosseiros. A posiç~o dos eixos dos elemen -tos grosseiros relativamente 410 solo. pre
s-suposta nos rectangulares. corresponde, pOr
outro l;Jdo. j situação
m
a
i
s
estável que osmesmos podem assumir. Retira-se que pode
não ser verificada nas condilfões de campo. tendo cm conta as variadJs pedolUrbações
enumcrndJs por Poesen & Llvee (1994).
A dist5ncia entre elementos grosseiros.
tal como definida acim:l, reúne fracçi'ío de
coberturu, dimensão
e
forma num sóparâmetro. Para além disso, define as
di-mensões globais médias do espaço entre ele
-mentos grosseiros. que corresponde às zoo
nas onde o escoamento se realiza e onde se
geram I! distribuem as panículas projectadas
por salpic.:o. Deste modo, entende-se este
parflmetro como ú[il na uescrição da perda
de solo, quer por escoamento quer por sal.
pico.
Efeito 1/0 salpico
A observaç~o empíriça sugere que o
efeito das características dos elementos
grosseiros no s;llpico resulta de duas com
-ponentes: (i) limitações à livre projecção de
panículas destacadas. funç50 da distância
elHre elementos grosseiros e da sua posiçfio:
(ii) retenção de panículas na ;írea cobcrl<!.
funç:l0 da cobenum, dimensão e mgosidade
dos c!cmento~ grosseiros (Figura 3). Este
Figura 3 - RepTcscmaçiio elas compoll~llIc~ e vari:ivcis CllvolviU:lS 110 modelo ucscrÍli\'o do deito tias
car.Jctcl'~).IIC:lS dos clcmento.~ gross~iros no satpko: SPrspw - partícula:. retiradas dos elcmclIlos grosseiros por salpiCO c escoamento: SPr - ":llpico para os elementos grosseiro.~: dsh - disláncia sombra clllrc elelTIt!n -to~ ~roS~ClroS corrigida: c' - altura ekctiva du~ elementos gros~ciros acima dn su~rfície: d _ dist[lllcia media entre clernelHos gros:.dros: D - diflllletro dos dementas grosscims
EFEITO DOS ELErI-'tENTOS GROSSEiROS NA EROsAo tNTER-SULCOS 237
enunciado poJe traduzir-se formalmellle em:
51''''1 =1,I-RC",ÁI-5P,01)' ... (8)
onde SPrel é a perda de solo rel:ltiva devida ao salpico. RCse :1 fracção de I.:obertura pe-dregosa efectiva para o salpico e SPret é a
retcnção líquida de salpico pelos elementos grosseiros.
O primeiro factor do lado direito da
cquação 8 (em RCse) representa () efeito de
intercepção do salpico pelos elt.:mcrHos
grosseiros. o qual persiste para qU:llquer
fracção de cobertura (RC). De f:lcto, pode
figurar-se uma <Írea circundante de I.:ada
ele-mento. na qual existe destacamento mas o
transporte por salpico é unilateral. A área
coberta efcctiva ê, portanto. maior do que ii
proporcionada apenas pelos elementos
grosseiros. já que a esta se acrescenta uma
"{Irea sombra'·. dependente da altura dos
ele-mentos grosseiros acima do solo (da sua
posição) ou. no limite. do diürnetro das go
-tas de chuva, e da distribuiçflO uos fingulos
de cjccção das panículas. Assim. a fracção
de cobertura efectiva para o salpico (RCse)
é dada por (ver também equuç50 I
e
Figu-ras2e3):
RCsc = Arf + Ash = RC + H.Csh ... (9)
AI
onde RCsh reprcsclHa a fracyãll de
coberlu-ra virtual devida a uma "área sombra"
cir-cundaIHc de cada elemento grosseiro (Ash).
onde o (ransporte por salpico é unilalCraL
Por outro lado. o factor em SPret na
equação 8. corresponde ao balanço entre
punículas adidonadas iI superfície dos
ele-mentos grosseiros pelo salpico originado na
~írea descoberta eJ"ectiva adjacente (SPr. sa l-pico para os elemc.::nll)s grosseiros). e partícu-las daí retiradas por salpico ou escoamento
(SPrspw: Figura 3). A primeira componente
(SPr) depende da dimensão dos elementos
grosseiros e da fr:lcç:1o de cobertura -já que
aqueles funcionam como sumidouros de
pankulas -. e da área ut!scobertn efectiva -porquc constitui a fonte de partículas, A se -gunda componc.::nlt: (SPrspw). depende da
fracção de cobertura - afectando o salpiço a
partir dos elementos grosseiros -, d;l dimen·
s~o dos elemenlos grosseiros, especialmente
o eixo maior. se pantlelo ao declive - afec-Iílndo o est::o;lmento à superfície dos e
le-mentos grosseiros -. e da rugosidade da su·
perfície dos elementos grosseiros -
limitan-Jo ambos os processos. Assim:
SPret = SPr -SPrspw ... (10)
A equat;ão II intcgra as equayões
9
e10 nu 8. e represenla o modelo aplicado para
estimar o efeito das caraclerístic'lS dos de-mentos grosseiros na perda de solo por sal· piço:
Enimmivl/ dI! panime,ros IllI calibraçtio do modelo reJfIlil'(} ao slIlpica
Na equaç~ll I!. RCsh. SPr e SPrspw
têm que ser estimados, com vista a calibrar o modelo. Tal I"oi t"e:dizado em parte çom os resultados do ensaio experimenl;ll mais aci
-ma descrito. em parte recorrendo a modelos
j:l cstabelecidos.
No que diz respeito a RCsh. ~\ regressão
entre salpico relativo e percentagem de cobertura (linear, negmivü e signilicaliva). obtida a pari ir dos result;ldos do ensnio,
mostra que, para elementos grosseiros
rec-tangulares de dimensão média pousados à
superrície. o salpi.:o çessaria aos 8!S '?oRe
(Figueiredo & Poesen, 1998). De acordo com ~l eqllaç~o 7a. :1 distância médi;l entre elementos grosseiros nestas condições. daqui p;lra :I frente designada por distância
sombra de base, dsh*. seria de 0.29 cm.
REVIST/\ DE ClF:NCIAS AGRÂRIAS
de chuva \l!Jsep.:ados por Torn<Ís (1997), no
Alentejo. para imensidade de precipitação de cerca de ~U mm h·1 (o 050 global das
gOlas para imensidades de O. I a 120 mm Ir' t5 de O. 1:2 cm). Isto significa que a Jist[mcia
sombra de base é muito menor do que a cs-tim:Jda considerando um ângulo médio de ejecção de partículas por salpico (8=300;
Poescn & Torri. 1995), e muito mais próxi
-ma dos di{uTlelros das gotas de chuva. De facto. para dsh*=O.29 cm e com a allura dos elementos grosseiros ele 1.1 cm (no caso.
igual ao eixo menor dos elementos
grosseiros. c), obtém-se 8=75°, valor indiea
-tivo de grande dispersão na distribuiçüo de fillgulns de ejecção. O valor obtido ele dsh deve ser corrigido para a altura efectiva dos elementos grosseiros (c'). igual a c para os pousados
:
1
superfície e menor para os semi-atlorantes:... ( 12)
o
valor de dsh (com elsh*=O,29 cm) pode "plicar-se no cálculo de RCsh. admi-lindo que persiste para quaisquer fracção dc cohenura e características de elementos grosseiros. As expressões deduzidas para
este efeito apresentam-se abaixo e mostram
a similaridade entre as duas formas consi
-deradas fsimbolos com o significado j~i des-nito: Figuras '2 e 3): RC,., RC d'h6+b+d,~j ah RC d'hl2D+d'h! O' Rectangulares .. ( I 3a) Circulares ... ( I 3b)
Na estimativa de SPr aplicou-se o esta-belecido por Poesen & Torri (1988) para a correcç.l0 das medições de salpico. de acor-do com a dimensão acor-do dispositivo de
captu-ra ("'splash cup·'). Com efeito. SPr interpr
e-ta-se COtllO a captura de salpico pelos el
e-mentos grosseiros. dependente da sua di
-mensüo (sumidouro) e da da ,írea c
ircundan-te (fonte). A relaç.l0 entre salpico relativo e
dimensão do dispositivo de caplllra. devida a Poesen & Toni lI98X), é dada na equaç,10
14. onde D é () diâmctro da "spl.tsh cup", em m, c SPr' é o valor de SPr não co
rrigt-do:
··· ... (14)
Por outro lado. Savat & Poesen (1981)
estabeleceram que: P = t _ e-I.JX-I
... ( 15)
sendo P a proporçüo de material projectado por salpico que atinge a distância L, a partir
do ponto de impacto. e XT a distânCIa real média ponderada de transporte de partículas por salpico (ambas em m). Como a equação
14 foi estabelecida para L tendendo para
infinito. deve ser corrigida para L menor ~1
custa da equaçüo 15, calculando-se, por
conseguinte, SPr pOr via de:
Nesta equaçüo. a distância média entre elementos grosseiros (d. aqui expressa cm
m) é afectada pelo factor 0,5 no pressuposto
ele que a fonte se localiza a meia distância entre aqueles elementos (Figura 3). A dife-rença entre exponenciais representa a dife-rem;a elltre as quantidades de materialtfans-portado por salpico até aos extremos distal c proximal dos elementos grosseiros. Tomou--se O igual ii diagonal dos elementos
grosseiros rectangulares, de modo a respei
-tar similaridade com os procedimentos de cúlculo ele d. XT é funçüo da granulometria do material. obtendo-se, com a expressão de cálculo ele Savat & Poesen (I 9~ I). um va -lor de 19.5 cm para a terra fina testada no
ensaio (cujo 050 é de 24 ,um).
Finalmente. SPrspw estimou-se para o caso dos elementos grosseiros aflorantes. no
EFEITO DOS ELEMENTOS GROSSEIROS NA EROSÃO INTER-SULCOS 23')
qual não ocorre intercepçüo do salpico (c·/c
= O). Neste caso. testado para 30 %RC por elementos grosseiros médios rectangulares c
circulares. tem-se: SPrcl=\ I-RC)(]-SPrcq SP
"
,,
=
I -ISP-RC ",I ... ( 17) ... (IR) ... (19) A aplicaçüo da equação 19 com valores de SPrcl (resultados experimentais) e SPr(estimativas. equação 16) produziu valores
de SPrspw praticamente nulos. Estes resulla-dos sugerem uma rugosidade dos elementos
grosseiros determinante de elevada
pro-porçüo de material retido it sua superfície, o
que foi visualmente veritlcado ao longo du ensaio, especialmente nos circulares. Por
isso. a contribuição de Srrspw foi consi
-derada nula nos c:ílculos subsequentes. Efeito n(/ perdtl de .\"0/0 por escoamento
A observaçüo empírica e a literatura i
n-dicam que o efcito das características dos elementos grosseiros na perda de solo no
escoamento resulta essencialmente da
in-troeluçüo de elementos de rugosidade no percurso deste. traduzindo-se por perda dc carga e. por consequência, perda de ca
-pacidade de transporte (Abrahams &
Par-sons. 1994). Poesen & Lavee (1991) e
Lavee & Poesen (1991) notaram
o
contribu-to da distúncia cntre elementos grosseiros para explicar a perda de solo devida ao
es-coamento superficial por eles observada em
ensaios laboratoriais de simulaçüo. De acor-do com os referiacor-dos autores. esta distüncia expressa a continuidade do escoamento
so-bre a superfície descoberta e. assim.
repre-senta simplificadamente a rugosidade de for-ma que detcrmina o retardamento do escoa-mento. Os elemcntos grosseiros imporiam,
portanto. restrições ao percurso do escoa
-mcnto, função da dist[tl1cla entre elementos
grosseiros. Tal como jú atrús estabelecida. esta, por sua vez, incorpora fracçüo de cobertura. dimellsüo e forma dos elementos
grosseiros na sua expressão de c:ilculo. Deste modo. neste trabalho tratou-se. tüo
só. de identificar a relação funcional entre distância entre elementos grosseiros e perda de solo no escoamento. Os Tratamentos com elementos grosseiros aflorantes foram ex
-cluídos da anúlise. o mesmo não acontecen-do com os semi-aflot"antes. uma vez que os registos experimentais não apontam para a
ocorrêncta de galgamcnto dos elementos
grosseiros pelo escoamento (Figueiredo.
2001).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Resultados cxpcrimentHis
As perdas totais de solo no escoamento
e por salpico foram em solo IlU de 42.2 e de
70.6x I 0--\ kg n,-2. respectivamente. Os
re-sullados do ensaio (valores relativos) apre
-sentam-se no Quadro 2. Deles se extrai um marcado efeito da Percentagem de Cobertu -ra ((7tJRC), perfeitamente concordante com
°
reportado na bibliografia (Wischmeier & Smith. 1978: Poesen. 1992). Acresce que o
efeito Oimensüo foi o LÍnieo a implicar
dife-renças significativas consistentes entre
Tratamentos quanto ii perda de solo. regi-stando-se os menores valores relativos do ensaio nas menores dimensões de elementos grosseiros (se exceptuado o Tratamento com
66 %RC).
Aplicaç50 dos modelos
A aplicaçüo do modelo relativo ao
sal-pICO. calibrado do modo descrito mais
aci-ma. condu/.iu aos resultados que se
240 REVISTA DE CIÊNCIAS AGRARIAS
valores observados e calculados de salpico.
~xprcssos em termos relativos. verificando·
se estreita e significativa eorrelaçfio entre
ambas as séries (r=0.966). Os valores calcu
-lados sobrestimam ligeiramente o salpico
medido. j:í que. em media. são 3% superi· ores :Ias observados (ver também orden;:lda na origem da equaçfio de regressão da Figu· ra 4). A mediana dos desvios entre estimati -vas e observações é de 2%. A sobrestimáti· va de 17% 110 Tratamento 7 (30 %RC. ele·
mentos grosseiros de dimensão pequena.
circulares. pousados à superfície). rellecte
a
grande retcnç<1o de partículas à superfície
destes elementos grosseiros, verificada v
i-sualmente ao longo do ensaio.
Deste modo entende· se que as equações estabelecidas representam bem o ensaio no que respeita ao salpico e à sua distribuição
pelas v:irias componentes illenlilic:ldas.
A distância entre c1emelllos grosseiros
(d) é. por si só. um bom estimador da perda
de solo por escoamento (Figura 5). Na ver· dade:. d está posiliva
e
não line;:lnnellle rel a-cionado com aquela variável. mas os resulta-dos para elemelllos grosseiros grandes n50 siio consistentes com os restantes. Sendo
t.!ste caso omitido. a qualidade do ajustamen.
to na regressão entre perda de solo relativa
e
distância entre elementos grosseiros émuito considcnível (1'=0,981 com a função logarítmica).
Esta runção cstima d=18 cm para
Wrel= I, significando que aquela distância se pode considerar tisicamcllle infinita à escala
dos efeitos do.~ factores aqui abordados.
Essa distância corresponlle n cerca de
7%RC (calculada pn!'a elcrnelllos grosseiros
QUADRO 2 - UcsuHados globais do ensaio: médias expressas
em
valores rel:tlivos de Perda de Solo no escoamento (Wrel) e de Sulllico (SPrel)• I a) ljcito RC (elementos grosseiros médioJ, rec/allgulares, à .mperflcie)
Varmvcl Solo nu Percentagem de Cobertura (%RC)
Wrel
SPrcl
17% ~% M%
1,00 0,76 0,65 0,17
1,00 0,68 0,57 U,26
b) l!.leiJo Dimensão (RC=30%, à superfície, dila." formas)
Vari<i.vel Forma Dimensão
Wrel
*
SPrcl Wrel*
SPrel Rectangular Circular Pequenos Médios 0,37a 0.65c 0,44" O.57b 0,33a 0,47b 0,40a U,52b Grandes 0,50b O.52bc) Efeito Po.\·iç(10 me-300/0, duas formas)
Variável Forma
Wrel
SPrcl
Rectangular
Posicfio
À superrície Semi-anorantcs Aflonmtcs
0,65 0,58 0,(,0
0,57 0,48 0.58
~~~! Circular 0,47 0.79
, 0.52 0,59
Nota: Efeito R~ - ap:nas. ~nálise .de .r~gressão. Efeito Dimensão - valores seguidos da mesma lelr~ na linha, nao diferem !-itgmltcativamentc (p>0.05. teste dos contrastes independentes real~z~do apos ANOVA); apenas em Wrel (*) o efeito Forma foi significativo. Efeito
Poslçao - nenhum dos efeitos Posição e Forma foi significativo (p>0.05).
EFEITO DOS ELH.·lENTOS GROSSEIROS NA EROSÃO INTER·SULCOS 241
1,0 ~'
=
0.99) ~~ +0 .0;93 0,9 1..'=
O.9~:l' o ,s.e
e fi " "3 0,6 -"II
0,5..
P. O,, 'A 0,3 O':;: 0,1 0,0 0.0 0,1 O;.! 0,3 0.4 0,5 Df> 0,1 0,8 0,9 1,') SPn:1 Cb:;elvadoFigura 4 • Valores relativos globais de Salpiw (SPrel) observadus e calculadus de awrdu cum cunjunto das
":'Iuaçõcs II. 12. 13 e 16. dcscritils no texto
médios. rectangulares), valor que se aproxi.
ma
dos IO%Re. propostos em Po~sen et ai. (1994) como limiar ncima do quallleixa de ser llesprezável o !.!feito dos elemelllos grosseiros na erosão imer-sulcos. No outro extremo. a equaç<1o mostrada na Figura5
estima d=0.62 cm para Wrel=O. s ignifican-do que. para cerca de 800/0RC (calculado
para dementos grosseiros rectangulares de
dimensão média), a perda de solo cessa.
Deve recordar-se aqui que a cessação do
salpico se estimou ocorrer aos 0.29 cm de distâncill entre elementos grosseiros. valor
que é cerca de met:ldc do referido para a cessação da perda de solo por escoamento
superficiaL Esta estimativa corrobora
o
queos resultados llo ensaio experimental mos· traram: um efeito das pedregosidalles eleva
-das mais marcado !la redução da perda de
solo por escoamento do que por salpico (Quadro 2).
O aumento mais acentuado da perda de
solo relativa verifica-se até d=4.5 cm. o que
corresponde a cerca de 30 %RC (de novo calculado para elementos grosseiros rectan· guiares de dimensão média). Estc valor de
fracção Lle cobertura pellregosa surge assim
comO um ponto de viragem assinalável no
comportamento de solos com elementos
grosseiros. sujeilOs a erosão inter-sulcos .
CONCLUSÕES
Com base em considerações de ordem
geométrica. delluziram·se neste trabalho ex·
pressões de cálculo da Llistância entre ele
-mentos grosseiros. que contemplam fracção
de cobertura. dimens<1o e forma desses ele· mentos. Oeste modo. aquela distância incor
-pora num parflllletro único um conjunto i
m-portante de características dos elementos
grosseiros. O valor pnítico lleste parâmetro
é tanto mais de assinalar quanto se revelou essencial pnra a explicação Jas perdas de
!-iolo por salpico e no t.!scoamento. verifica -das em ensaio experimentaL também descri
-to neste trabalho.
De facto. mostrou-se aqui a importância
da componente imcrcepção pelos elementos
grosseiros na correcta estimativa do salpico
cm solos pedregosos. a qual depende não só
2-12 REVISTA OE CIÊNCIAS AGRÁ.RIAS 1.0 0,9 y = O,2S25Ln(xJ + O,JX3 r2 = f1,967
____ --1
---
, O,R 0,7 0,6"
0,5 ~ 0.4 0,3 1l,2 0,1 0,0 O•
..
!
~
2•
..
•
...
(, 30%RC D Rectangulares Grandes 10 12 14 16 iSDistância média entre elementos grosseiros (d, cm)
Figur'):; • . ' . -Rt:hC,." 1tl c le 'm" D JS anc!;] ,,' . me I,) 'd' entrc l'1l'ml'lllos grosseiros
(II) e valores relativos l.dobai.~ de Penb
d" Solo no l'Sl:oalllenlO (\Vrel). NOla; O Iratamento corresp0lJ(jente ao símholo aberto n:l0 se-inclUiu na ,érie C01l1 a qual ~e obteve a cl]uaçií(l regre~sií()
também da distância entre eles. Estes
parâmetros foram lIlc1uídos num modelo
descritivo do salpico, calibrado com su
ces-so, que estima assim o efeito combinado de
v:írias características dos elementos grosseIros na reduçãll da perda de solo por salpico cm solos pedregosos.
Por outro lado, a distáncia entre ele-mentos grosseiros explicou, por si só, a
perda de solo por escoamento difuso
regis-tad;] na maior pane dos Tratamentos testa
-uns 110 ensaio experimental. Mostrou-se.
portanto. que este paràmetro é um bom
descritor da pedregosidade superficial dos solos no que às perdas de solo no escoa
-mento inreressa, pois permite Identificar o conrribmo de várias caracterfsticas dos ele
-mentos grosseiros na redução dessas pe
r-das em solos pedregosos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Abraha!1l.~. A. 0, & Pnrsolls, A.l. 1994. I-Iydraulks
01 interriJl ovcrlaod fluw Oll stone-o.:overed
dcsert sllrfaee.~. ln 1. Poescn & H. Lavce (ecls)
Rock FI"II~m(,lHs iII Soil: Swface Dynamic.\'. pp.
111-140. CIte na 23 (special issue)
Figueiredo. T. d' A. F. R. 200 I. Pedregosidadl' e
Ero,Iií.O do,l' S%.\' em ·/hi.l-o.l'-Mol!tes: Con!r!
-Imto para {I lmerpret{/ÇI/o di' Regi,l'/o,\' em
Vi-111m (lO AI/o II(! Regiiio do Douro. Tese de Oou
-loramellto. UTAO. Vila Heal
Figueiredo. T. de & Po<.:scn, J. 1998. Effccts of ."ur
-fal.:l~ rock fragTJ1cnt characlel'Íslics un i[)[crrill
rlmolr ,mo erosion uf' a sill)' loam soil. So!/
Til/. Ri'.\' .• 4(i: 81-05.
Flanagan. O, C. 1994. IVEPP: F.rosirm Predictioll
A1odd. Vt'/".\'Íim 94.7 Usa Sumlllllrv. NSERL
RepOr! N° y, USDA-ARS. NSERL \Vest Lafa\'
-cite. Indiuna. •
I;rce. G. 1952. Soil Mo\'ement by Rninorops. ARri
-cuf/ura/ F.I!Rineering, 33: 491-494. -196.
EFEITO DOS ELElvlENTOS GROSSEIROS NA EROSÀO INTER-SVI.cOS 2-13
Gonçalves, M. A. M. 1964. Erodi/Jilidade de A
I-gUlIs SO/O.I do A/en/cjI): COlltrilmir6es p(lra o
.1'i'lI F..Iludo. ReI,llório de Estágio. ISA. UTL.
Lishoa.
Gras. R. 1994 SO/,I C,/i/foweux fI Pm(/ucl;ol!
Végélale. INRA. Paris
Lavee. H. & Poesen, J. 1991. Overland flow gener
-:UiOI1 'lnd eontil1uity 011 stoIle-covt:red soil s ur-faces. Hydr%gical Proa,I·.IC'S. 5: 345-360. Morgan, R .. Quil1ton. L Smith, R .. Govers. G .. Poc
-sen, J .. Auerswald, K .. Chisci, G .. Torri. D. &
Styczen. M. 19n. The European soil erosion
mudei (EUROSEM): a dynamic approao.:h fOI predio.:ting sediment tr;msport frum fields am] slIlall o.:atchments. fanll Surface Processes mui Lmul{orms. 23: 527-544.
PUI.:sen. J. 1992, Mechanisms of overlanu Ilow ge
n-eration and sedimel1t production 011 loallly aml
sandy soils with al1d wilhuul rock frag!T1enl~.
1/1 A. J. ParsulIs & A. D. AbrahalTls (eds) DI'I'r
-/mul fio\',": f/ydraulics (1m/ Erosüm Mfdrwlics.
pp. 275-306. Chapman and Hall. Nt:w York. Poe~en. 1. & Ingt:lmu-Sanchez. F. 1992. Runoff ;\nd
sedillle/ll yieid frorn wpsoils wilh different
poro~ily as alTcl:tcd by rOl:k fragmt:nl l:over
and posilion. Catell(!. t'J: 451-474. Poesen,1. & LaveI!, H. 1991. Effccts 01' size anJ
incorporation of s}'l]thetil.: muk:h on rUllulT and
seuimenl yicld frOlll inlerrills in a laboratory
sluuy wilh silllulatl.:u rainfal!. Soil Til/. Re.\' .. 21: 209-223.
Poesl.:n, 1. & Lavee, H. 1')')4. Rock Fraglllems in
Top Soils: significance and processes. 1/1 J.
Poesen & H. Lawe (cds) Nock rragments iI!
Soi/: S/IIj'aÇ{' Dyl!all1ics. pp, 1-28. Calena 23
(~pcciaJ issue)
Poescn. 1. & Torri. D. IYí\X. Tlle cft"cc[ oí cup sil.e on ~plaslI dctao.:hmcm and transpor! measure -lllem~ Part I: Ficld lllea~Urelllen[s. Ca/el1i1 SUJ!-p/ell1fnt. 12: 113-126.
Pot:sen.l .. lngelmo-Sanchez. F. & Mucher.I'\. IY90.
The hydrological respllnse of soil ~urfm:t:s to
rainl"all as affecled hy eover and position (lI rock fragmems in the top lil)'er. Earth SIIIJiwl'
PmCi'.I.I'('.I" and La/l{ljimll.\', IS: 653-(,71.
Pocsen, J., Torri. O. & Gunte, K. lYlJ4, Effccts (lI'
rock fragmems on ~oil erosioll by wal<.:r aI dif-ferem spatial scales: a review. II! J. Poesen &
H. Lavee (~ds) Rock rmgllll"lls ilr Soil:
Sllr-fuci' DYl!lIlIIi/'.I'. pp. 141- 166. Cat<.:na 23 ( spe-dai issue)
Renard. K. G .. FoslCr. G, R .. Weesie.'. G. A.. Me
-Cool, O. K. & Yoder. D.
c.,
monl. 1996.Prc-dicling 50;1 F.rosÍim hy lI'al('/': ti Cuide /0
Cim-sen'lIIi/!/1 P/w!Ilillg wilh /h(' !?cl'Íscd Unire
r-sal Soi! Los.l' Eqll1uion (RUSLEJ. USDA. Wash
-inglOll, D. C.
Rose. C. I')K5. Developmellls in sail erosion and
deposilioll models. 111 G. A. Stewart (cd) IId
-\'(lI!C('.\' iII Soi/ Sóellcf, Vi)l. 2, pp. 1-63. Spring -er-V~rlag, New York.
Saval. J. & Poesen, J. 19KI. Detachment and trall~
portatioll 01' loose ~ediment'i by raindrop ~plash
Part I: The caJculatioll 01" absolule daI;! 011 de
-laclwbility :lml transporlubility. CII!/'/I(!. li: 1-lO,
Tom.is. P. (1997) Modelo.\' dI' f>1"I'I'isâo da l:;ro.I'(/O
f/ülriclI cm Solos Agrfcl!lll.I'. Tes<.: de
Doutora-1ll<.:l1to. 1ST, UTL, Lisboa.
Valentin. C. & Casenave, A. 1992. lnflilralioll inlo
.
~ealed soils as influenced by gravd Cllver. .'lili/ Sei. SOl". AIIJ. 1.. 56: 16ó7-167J.
van Wesemael. B .. Pocsen. J .. & Figueiredo. T. de 19Y4. Effecls 01' rock rrugmcnb on physical
degradation of cllltivated soils by rainfall. Sail
fill. N.('s •• 33: 220-250.
van W<':sclllael. JL roe~en. J., Figueiredo. T. de &
Govers. G. 1996. Surface rouglmess evo!ution 01' soils cOlllaining rock fragl1lent~, Enrrl!
Sur-)ira ProceSSf.\" 111111 LII/ulform,\'. 21: 399-411.
Wischmein. \V. H. & Smith. D. D. 1975. Pr(,(/iClill~
Uailljáll Ero.\"illll Ll!s.\'es -/I Cuide /0 Co/!ser